sexta-feira, novembro 13, 2020

Sem Saúde o Dinheiro não nos Vale de Nada


Sei que não vou ser politicamente correcto, mas isso é o que menos me preocupa nestes tempos complicados.

Embora perceba as dificuldades económicas que muitos sectores da nossa economia estão a sentir (quase todos nós estamos a ser afectados pela pandemia...), não consigo entender todos estes protestos contra as últimas medidas tomadas pelo governo, com particular relevo para o recolher obrigatório ao fim de semana, a partir das 13 horas - com o fecho de restaurantes e grandes superfícies comerciais.

Sinto que a maior parte dos comerciantes continuam mais preocupados com o dinheiro que com a saúde pública. Será que não percebem que se não se tomarem medidas como estas, o país acaba por ter de "parar", com a obrigatoriedade do confinamento para todos nós? Com perdas muito maiores para todos?

Basta olharmos para o aumento de infecções diárias, assim como de internamentos (felizmente o número de internados está a ser mais lento que o número de infectados...), que estão a deixar alguns hospitais próximos do seu limite, para se perceber que se tem de combater, aquele que é encarado como o principal foco de contágio pelos especialistas, especialmente na região norte - as reuniões familiares e de amigos aos fins de semana.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, novembro 12, 2020

«O gajo reformou-se mas continua a tentar passar pelo intervalo da chuva.»


Sei algumas coisas da vida, uma delas é que nunca iremos conseguir passar pelo intervalo da chuva. Ocupamos demasiado volume para que tal seja possível. 

Mas gosto desta imagem, quando é usada com aspas, para caracterizar as pessoas que passam a vida a deixar os problemas nas secretárias dos outros, preferindo "fugir" e fechar portas atrás de si.

E embora também seja algumas vezes complacente (às vezes não nos apetece chatear, preferimos passar por parvos...), detesto esta "complacência geral" de quase toda a sociedade...

Felizmente há quem nunca lhes perdoe, foi por isso que o Rui ouviu das boas do Jaime, por ainda querer andar por aí a fazer o "pino". 


Houve uma frase que provocou a gargalhada geral, por meter a tal "água": «O gajo reformou-se mas continua a tentar passar pelo intervalo da chuva.»

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, novembro 11, 2020

Estar Certo Antes e Depois do Tempo...

O arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles deixou-nos hoje. É um dos poucos portugueses a quem atribuo uma dimensão universal , graças à forma como conseguiu aliar o seu conhecimento teórico e prático, na preservação do território e da paisagem. Foi o grande defensor do  equilíbrio ambiental no nosso país, tanto nas cidades como no campo.

Embora tenha sido ministro pouco tempo (da Qualidade de Vida), deixou um bom legado, com a criação da Reserva Agrícola Nacional e da Reserva Ecológica Nacional. E como cidadão nunca se deixou silenciar perante os muitos atentados que foram feitos no nosso país, oferecendo soluções para os maiores flagelos ambientais do nosso tempo (cheias e incêndios), que raramente foram seguidas, devido aos muitos interesses instalados de Norte a Sul.

Embora fosse conservador, era aquilo que se poderá chamar de uma pessoa avançada no tempo. Quando ainda não se falava da defesa do Planeta, já ele defendia uma opção verde e ecológica na nossa forma de vida, não como uma moda, mas já com o pensamento na nossa sobrevivência.

E como paisagista que belos jardins ele desenhou, pelo nosso país fora, como os da Gulbenkian...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda de Caparica)


terça-feira, novembro 10, 2020

Os Idiotas estão Sempre à Frente (ou ao lado) dos Ditadores


Enquanto bebia o café, na outra mesa que estava ocupada, a alguma distância, conversava-se sobre o futuro.

Já se estava em 2021 e dizia-se que quem não tomasse a tal vacina futurista, não poderia viajar por esse mundo fora.

Provavelmente é uma invenção dos idiotas do costume (dita ao ouvido dos censores e ditadores desde mundo...), que querem ir sempre mais longe, para o bem e para o mal.

Mas se for acolhida por algum governante, desses modernos, que gostam de pensar por todos, as pessoas mais saudáveis que ficam para o fim, vão ficar "presas"... até que existam vacinas para todos. Pode ser coisa para mais de um ano...

Mas o melhor mesmo é pensar que se trata apenas uma idiotice das redes sociais e dos cafés.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, novembro 09, 2020

A Liberdade que nos Vai Escapando das Mãos...


Depois de ver o filme brasileiro, "O Grande Circo Místico", fui de alguma forma forçado a olhar para este mundo, que tem encolhido tanto. Temos perdido tanto espaço...

Não se trata apenas dos ciganos que foram obrigados a fixar-se nas localidades e a perderem a sua essência nómada, os circos também deixaram de ser espectáculos quase da mesma "família", já não são ambulantes e itinerantes, e talvez por isso, estejam condenados a um lento desaparecimento, quase agonizante.

Mesmo nós, perdemos espaço para partir para qualquer lugar do mundo, apenas com uma mochila às costas. Não é apenas uma questão de perigo (a "pandemia" não entra neste texto, podia ter sido escrito quando o filme se estreou no cinema...), é sobretudo de "legalismos", que nos vão roubando a liberdade individual, e até a vontade de "descobrir mundo" (pois é, também já está tudo descoberto...).

(Fotografia de Luís Eme - Arealva)


domingo, novembro 08, 2020

Cruzeiro Seixas (1920-2020)



Os deuses não deixaram Cruzeiro Seixas chegar aos 100 anos (faltavam apenas vinte e cinco dias...).

Acredito que não se tenha incomodado muito. Devia estar cansado de viver neste tempo estranho, que tornou todas as máscaras visíveis.

Provavelmente, Artur é o pintor e o poeta que melhor simboliza o surrealismo no nosso país, na cor e nas palavras dos seus dias, muito graças à sua longevidade, à sua transparência e à sua filosofia de vida.

(Desenho de Cruzeiro Seixas)


sábado, novembro 07, 2020

A (falsa) Dúvida...


Os dias cinzentos são quase sempre mais introspetivos, é como se nos virassem para dentro de nós, sem darmos por isso.

Talvez fosse por isso que ouvi o desabafo de um homem, cansado de ser boa pessoa e honesto...

Durante a sua já longa vida foi incapaz de recorrer a expedientes ou golpes baixos. Sente algum orgulho de não ter  vocação para bufo ou "lambe cus", mas continua cheio de dúvidas. Quando disse que não sabia ao certo, se o facto de nunca ter "pisado o risco" se ficara a dever a uma questão de carácter, ou se fora apenas um sinal de estupidez ou cobardia. 

Conheço-o bem, ao ponto de saber que estava a mentir...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, novembro 06, 2020

Um Mundo com a Cabeça no Ar (aliás, nas redes sociais)


Vou voltar a falar dos meus filhos, porque, tal como a maior parte dos jovens da sua geração, conhecem o mundo graças às viagens que fazem nas "redes sociais", onde nem sempre o que "parece é".

Mesmo que eu lhes diga que é importante não acreditarmos apenas numa história, que as versões únicas são do mais perigoso que existe, porque não há apenas uma história sobre cada pessoa, cada povo ou cada lugar, sinto que não ficam muito convencidos.

Sei que tenho uma visão das coisas ligeiramente diferente do comum dos mortais, porque tanto o jornalismo como a história, foram-me tornando ainda mais céptico, em relação ao mundo que nos cerca. O normal em mim é "questionar" (o que também faz de mim um "chato"...)

Mas incomoda-me muito que as pessoas não usem a cabeça para pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Nazaré)


quinta-feira, novembro 05, 2020

«Posso "comprar" o que está por detrás desse teu sorriso?»


Ela olhou-me, fixamente, em silêncio e de máscara. Naquele momento descobri que é muito mais fácil do que pensava, reconhecer as pessoas apenas pelos olhos.

Sorri-lhe e ela, depois de guardar a máscara, quis "comprar", na totalidade (fez questão de me dizer que não queria "metades"...), aquilo que me fizera sorrir. 

Eu disse-lhe que sim, e apenas custava um café.

Era tão simples... Era uma coisa quase infantil, a descoberta de que é mais fácil do que pensava descobrir  quem são os bandidos, que apenas escondem o rosto e deixam de fora os olhos, em qualquer assalto, mesmo "carnavalesco"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, novembro 04, 2020

«A noite tornou-se clandestina»


Contaram-me algumas histórias sobre algumas festas nocturnas, organizadas em plena pandemia, com mil e um cuidados, por todas as razões e mais alguma. 

Só é possível entrar com convite personalizado e nunca se realizam no mesmo lugar. Normalmente são escolhidas quintas isoladas, com o portão de entrada fechado a sete chaves.

Quando ouvi este relato, fiquei a pensar que estas festas deviam ser no mínimo bizarras.

Asseguraram-me que não, não têm nada de diferente de um bar normal. Conversa-se, bebe-se e ouve-se música ao vivo. Numa noite de sorte, até se pode ter a felicidade de escutar a voz de algum cantor ou cantora conhecidos, num ambiente mais informal e descontraído...

Quase em jeito de desabafo, disseram-me: «a noite tornou-se clandestina.»

Nunca tinha pensado nisso. Mas sim, são muitas as pessoas que viviam dentro da noite, e devem continuar a viver... Mesmo que não tenham um "poiso", fora de casa, continuam a esperar pela madrugada, com os olhos bem abertos, entretidos a ver filmes, ouvir música, com um copo de qualquer bebida forte na mão...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, novembro 03, 2020

Um Fato à Medida Exacta...



Não imaginava que existissem tantas pessoas com a mesma opinião, que aquele que espero chamar amanhã, ex-presidente dos EUA, em relação a um assunto demasiado pertinente, que continua a "abanar" e a "sacudir" as nossas vidas. Sim, há por aí muitos eles e elas, que também pensam que o vírus é chinês...

Mesmo que não acredite muito em "teorias da conspiração", factos são factos. E se há um país que está a beneficiar economicamente com toda esta pandemia, é a China.

Como o Carlos diz, poucos alfaiates eram capazes de fazer um fato que tivesse a medida exacta do país que antes da pandemia, já usava "máscaras" no exterior, prometendo (e cumprindo) ser "mais capitalista que os capitalistas"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, novembro 02, 2020

Mudar "porque sim" (e porque não)...


As mudanças na vida raramente acontecem apenas "porque sim". Há sempre algo que nos força a mudar o nosso dia-a-dia, e nem sempre surge de uma forma positiva (sem querer estar a "bater no ceguinho", esta pandemia é um bom exemplo...).

São muito diferentes das alterações quase banais, que acontecem apenas porque alguém decide dar um novo ar a um muro ou a uma parede, como aconteceu na Arealva ou no Ginjal. 



Não tenho qualquer dúvida de que mandamos muito menos do que pensamos, em relação à nossa vida, e sobretudo, a tudo o que nos cerca...

(Fotografias de Luís Eme - Arealva)