segunda-feira, maio 25, 2026

Dois livros, dois sentimentos distantes...


Desde o primeiro livro que li da Patti Smith, que me identifico com a sua escrita, com aquilo que ela nos transmite de autêntico da vida, sem usar qualquer tipo de cerimónia para falar de si, dos seus e do mundo. Até porque só conta o que tem de contar...

Foi por isso que adorei o seu "Pão de Anjos".

Sei que nem toda a gente consegue escrever de uma forma simples. O que não faltam por aí são escritores que adoram dar voltas às palavras e rodear os assuntos... Foi isso que senti com o livro que acabei de ler de Fernando Namora, "Jornal sem Data" (o que gostei mais da obra literária foi do título...).

Não é um diário, não é uma autobiografia, é outra coisa qualquer que fica no meio de coisa alguma. Talvez a melhor definição seja a de pequenos rabiscos do quotidiano que foi coleccionando e colando, para engrossar a "lista de títulos". Talvez...

Muitas vezes quer "atirar pedras" aos confrades, mas nem para isso tem coragem, prefere antes "filosofar" à sua volta.

Isso mostra também quem são as pessoas que escrevem, com quem nos apetece entrar no café e pedir licença para beber um chá e trocar algumas palavras, não é Patti?

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


2 comentários:

  1. Patti Smith é uma mulher multifacetada, a sua escrita deve transparecer as suas experiências.
    Lamento , mas não a conheço.
    Quanto a Fernando Namora conheço alguns dos seus livros: Domingo à Tarde, O Rio Triste, mas não está entre os meus favoritos.
    Nem sabia que também escreveu poesia.

    Abraço

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    1. A Patti tem uma escrita muito directa ao coração, Rosa.

      Nunca se esconde nem mostra mais do que deve.

      Este diário de Namora, além de não ter datas, esconde nomes, o que é sempre cobarde. Pelo menos, Vergílio Ferreira ou Miguel Torga, não têm medo de chamar o nome às coisas...

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