quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Lisboa dos Anos Oitenta (I)


Lisboa há vinte cinco anos atrás era uma cidade tão diferente...
Houve transformações extremamente positivas. A maior talvez tenha sido o fim dos vários bairros de lata que cercavam a Capital em quase todas as direcções, e que eram um flagelo social.
O Município pode ter falhado em muitos aspectos – e falhou... -, mas pelo menos, pode se orgulhar de ter conseguiu oferecer melhores condições de vida e mais dignidade, a milhares de pessoas, que viviam nestes “guetos” quase como animais, sem as condições mínimas de habitabilidade.
Embora só tenha conhecido esta realidade de relance - quando passava por perto, de comboio, autocarro ou automóvel – arrepiava-me saber que havia milhares de crianças que cresciam sem um tecto decente, muitas vezes em condições de promiscuidade, que as acabavam por marcar para o resto das suas vidas...
A fotografia que ilustra este pequeno texto faz parte do Album de Eduardo Gageiro, "Lisboa no Cais da Memória", e retrata o Bairro Chinês da Marvila, em 1968.

6 comentários:

  1. Que linda fotografia.

    Também me lembro dessas misérias, bem à vista de toda a gente.

    Logo à saída do aeroporto era um corrupio de barracas.

    Nem tudo é mau, Luís, felizmente.

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  2. Misérias esquecidas... e em parte, ainda bem, Alice.

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  3. A foto do Gageiro é lindíssima.

    E o bairro de lata que havia entre Benfica e Algés, ao longo da estrada que a carreira 50 fazia? (já não me lembro do nome do bairro de lata, o que é bom sinal...)
    E todos os outros que foram sendo desmantelados?
    Penso que o realojamento destas famílias é um dos saldos positivos em termos autárquicos...

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  4. Lembro-me bem desse bairro... e dessa carreira, Maria, que demorava uma eternidade a chegar a Algés, quase que dava a volta a Liaboa...

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  5. Cheguei a ser chamado na altura do 25 de Abril para ir com um piquete de soldadso da Pontinha por causa de mais uma barraca que aparecia na estrada militar. Era o 50 esse heroico autocarro que «fazia» a cidade pelo lado de cá. DEixei muito de meu nesse autocarro que era um termómetro da pobreza.

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  6. Gostei da expressão "termómetro de pobreza", em relação ao 50, Zé do Carmo Francisco... e era verdade.

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