quarta-feira, agosto 31, 2016

A Nossa Senhora do Loreto de Alcafozes

É costume dizer-se que onde existe uma Nossa Senhora existe um milagre. Talvez Alcafozes e a Senhora do Loreto sejam a excepção que confirma a regra.

Há quem diga que a imagem da Santa foi abandonada pelas tropas napoleónicas e que posteriormente foi erguida uma Ermida no local. Sabemos apenas que depois da Senhora do Loreto ter sido declarada pelo papado em 1920 como Padroeira Universal da Aviação, alguém teve a feliz ideia de erguer um Santuário nesta aldeia da Beira Baixa.

E todos os anos, no final da festa em honra da Senhora do Loreto (que se realiza no último fim de semana de Agosto), na segunda-feira de manhã, se realiza uma procissão que conta com a participação e apoio da Força Aérea e de inúmeras companhias e tripulantes da aviação civil.

Nesta fotografia além da Nossa Senhora do Loreto é possível ver uma das aeronaves que deu vida aos famosos "Asas de Portugal" (T 37), que depois de deixar de voar e fazer acrobacias foi oferecida ao Santuário.

(Fotografia de Luís Eme) 

terça-feira, agosto 30, 2016

Um Exemplo de Profissionalismo


Fui passar mais um fim de semana à Beira Baixa, desta vez porque era tempo de "Festa" em Alcafozes, onde sou, e quero ser, pouco mais que um visitante anónimo.

Se excluirmos a procissão de segunda feira de manhã em honra a Nossa Senhora do Loreto, o momento alto dos festejos acabou por ser a noite de sábado com a visita dos GNR.

Talvez tenha sido a "crise" ou a "concorrência", cada vez mais feroz, neste "mundo" cheio de cantores e cantoras, de primeira, segunda, terceira e quarta categoria, que levou o Grupo do Novo Rock a esta pequena aldeia, quase perdida, no Concelho de Idanha-a-Nova.

Por uma ou outra razão, foi óptimo assistir ao concerto deste grupo mais dado a urbanidades, que actuou como se estivesse num dos "coliseus", com uma alegria e um profissionalismo pouco vistos, pelo menos nas "terras de ninguém".

E apesar dos anos passarem, o Reininho, o Toli, o Romão e companhia, continuam em excelente forma e são um dos poucos grupos que sabem mais que três canções diferentes. Ou seja, não passam os concertos a cantarem sempre a mesma canção...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, agosto 28, 2016

Estar Longe Ficou Mais Perto

Estar longe ficou mais perto, graças aos avanços tecnológicos.

Claro que quem gosta de preservar a sua intimidade, cada vez tem menos espaço.

Soluções? Milhentas. Não ter nada ligado à internet; não usar telemóvel; não possuir cartões de pagamento electrónico. Mesmo assim ainda não é suficiente...

É preciso não ter um veículo motorizado; não ter cartão de cidadão; não estar inscrito na segurança social, e principalmente, não existir como contribuinte.

Ou seja, quem quiser preservar a sua intimidade, só tem um caminho: não existir...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 26, 2016

Ter Opinião é Outra Coisa...

Falar sobre as coisas não é a mesma coisa que ter opinião.

À partida ter opinião deveria pressupor conhecimento sobre aquilo que discutimos, saber no mínimo sobre o que falamos.

Mesmo sabendo que os constantes "bombardeamentos" feitos pela comunicação social (capaz de dizer uma coisa agora e o seu contrário cinco minutos depois...), provocam uma confusão danada em qualquer "cabeça pensadora"...

Mas a nossa sociedade actual está longe de estar e ser bem informada. Ou seja, não é a quantidade de informação (nunca houve tanta como nos nossos dias) que nos torna mais conhecedores dos problemas do país ou de mundo.

Até porque temos de contar sempre com os "comentadores de camisola", que o mais fazem é manipular a informação, sempre a pensar nos seus interesses...

(Óleo de Vittório Matteo Corcos)

quarta-feira, agosto 24, 2016

Memórias com Palavras, Imagens e Gente...


A casa continuava lá, mais velha e cansada, mas mesmo assim ele notou o quanto respirava serenidade...

Andou de um lado para o outro, sorriu várias vezes sozinho, enquanto ia descobrindo a arte do pai, onde era possível pintar a diferença.

Por momentos pensou que tinham passado 100 anos e não apenas 15, desde que ele partira.

Fingia que não tinha saudades. Aceitava o destino, por mais errado que isso lhe soasse...

E depois descobriu a harmonia nas pequenas coisas que a mãe continuava a arrumar, mesmo que já ninguém vivesse ali em permanência.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, agosto 23, 2016

A Liberdade Passa o Tempo a Ser Beliscada


A Liberdade passa o tempo a ser beliscada e confundida (especialmente pelos que gostam de confusões e a usam com segundas intenções, sem esconderem o seu gostinho especial em a colocar em causa, entre risinhos cobardes...). 

É também por isso que imunidade não é sinónimo de impunidade, em nenhum dicionário. Só o é nos muitos jogos políticos que se travam de China a Angola, passando por Ponte de Sor, apenas porque sim, dizem eles...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal - Blue & Yellow)

segunda-feira, agosto 22, 2016

Os Políticos e os Porcos que sabem Andar de Bicicleta...


A presença oficial do CDS (e de Paulo Portas...) no Congresso do MPLA em Angola  podia entrar naquelas historietas em que há sempre alguns fulanos a afirmarem que viram o porco do costume "a andar de bicicleta"...

Mas não, foi mesmo verdade. E até mandaram um  "deputado afro", que quase se torceu todo em elogios, aquele governo exemplar

Este procedimento retrata muito bem os políticos portugueses que têm ocupado cargos de poder nas últimas décadas, sempre sorridentes, agachados e de mão esticada para com os "donos de Angola".

Pouco importa se Angola é uma "democracia a fingir" ou se voltou a ser o país com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo. Os diamantes e o petróleo são bem mais importantes que a democracia e as criancinhas...

(Fotografia de Sebastião Salgado)

domingo, agosto 21, 2016

As Medalhas não Caem do Céu

Os Jogos do Rio estão a chegar ao fim e nós mais uma vez vimos os resultados dos nossos atletas espelhados na nossa realidade desportiva. 

Somos um país sem desporto escolar e com cada vez menos praticantes - se exceptuarmos as escolas de futebol - nas chamadas modalidades amadoras.

Se analisarmos com rigor o historial das nossas participações, deparamos com um fosso enorme entre  os atletas medalhados e os outros. E se formos honestos, registamos que são os nossos heróis olímpicos que estão fora do contexto desportivo e social do nosso país. Ou seja, as medalhas que conquistaram, devem-se sobretudo ao seu talento natural e a algum apoio técnico de excepção - como foi o caso do professor Moniz Pereira.

É natural que o país que se coloque em bicos de pés quando o talento de um Carlos Lopes ou de um Nelson Évora, fazem a diferença, porque a ignorância sempre foi atrevida. Menos natural é o papel desempenhado pelos jornalistas e políticos, pois muitas vezes são os primeiros a exigirem o impossível... quando conhecem bem - ou deviam conhecer - a nossa realidade.

A única modalidade que se percebeu que fez um óptimo trabalho e que estava preparada para entrar na "guerra das medalhas", foi a canoagem. O quarto, o quinto e o sexto lugar alcançados dizem tudo. Estivemos lá, mesmo rente ao pódio. E o nosso melhor atleta desta modalidade  explicou que passou duzentos dias em estágio no último ano, longe da família e dos amigos...

As medalhas não caem do céu. É preciso muito trabalho e muito apoio. 

(Fotografia de autor desconhecido) 

sábado, agosto 20, 2016

Escolher o Nosso Caminho...

Apesar de soprarem por aí ventos contrários, continuo a pensar que continuamos em evolução de geração em geração.

E acho que conseguimos ser melhores se tivermos a capacidade de pensar pela nossa cabeça, e claro, a liberdade de puder escolher o nosso próprio caminho.

Pensei nisto hoje, ao lembrar-me do meu pai e no meu avô. Ambos tentaram passar para mim e para o meu irmão algumas tradições, que lhe eram caras, mas não o conseguiram...

O meu pai ainda nos quis iniciar nas caçadas, mas nós não demonstramos o mínimo interesse em andar por aí a matar animais. O pai percebeu a mensagem e não nos voltou a incomodar... O meu avô era um aficionado das touradas, e também ele não nos passou esse "bichinho", apesar de nos levar a algumas praças e nos explicasse com emoção algumas coisas giras do mundo dos touros e toureiros.

Embora não tenhamos nada contra as pessoas que gostam destas duas tradições, sabemos que temos um olhar diferente sobre a natureza.

(Óleo de Pablo Picasso)

sexta-feira, agosto 19, 2016

"As Primeiras Coisas" de Bruno Vieira Amaral


Comecei a ler, "As Primeiras Coisas", de Bruno Vieira Amaral no final de férias. Cheguei ao fim há já alguns dias e como tinha sentido logo vontade de dizer algumas coisas, aqui estou eu.

Devo começar por dizer que se trata de um bom livro, muito bem escrito, com acção, humor e originalidade. No entanto devo realçar que, mesmo sabendo que cabe quase tudo no "romance", acho que "As Primeiras Cosias" são outra coisa...

O autor foi inteligente na forma como montou esta história, depois de uma pequena divagação, faz a colagem de dezenas de crónicas biográficas sobre as personagens (muito bem construídas, com todos os "cromos" que são possíveis de encontrar num bairro problemático, entre o esquecido e o abandonado...) do Bairro Amélia, um dos muitos que povoam as cidades suburbanas que rodeiam a Capital, neste caso particular o Barreiro, metendo-as com relativa facilidade dentro da história autobiográfica que nos quis contar.

Apesar da qualidade da escrita, senti a falta da densidade do romance tradicional e do protagonismo de uma ou outra personagem (como o autor escreve na primeira pessoa, acaba por ser ele a figura principal da história, do princípio ao fim).

É também por isso que acho que este livro não merecia tantos prémios para romances (na contracapa são publicitados quatro...). Sem estar a ser "má língua", espero que o Bruno não tenha sido premiado por estar ligado a um dos dois grandes grupos editoriais que dominam o nosso pequeno mercado livreiro.

E claro, fico à espera de um segundo livro do Bruno, desejoso de que seja um romance de verdade, daqueles que as personagens tomam conta da história e conseguem fintar o autor...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, agosto 18, 2016

Dúvidas e Certezas na Estrada Larga do Amor...


Não sei se há alguma coisa que nos leve a cometer mais erros, que os chamados "males do coração", que tanto gostam de fintar a "razão".

Também não sei se as telenovelas ou as revistas que enrolam e embrulham pessoas semana após semana, têm influência no comportamento quase estranho de algumas mulheres e homens.

Sei apenas que há quem não consiga (nem queira...) escapar das teias tecidas pelas "boas e bons malandros", que passam o tempo a cantarolar  todas as "baladas do bandido" que conhecem. Há quem caia, uma duas três quatro cinco vezes, e continue a suspirar e a encontrar coisas positivas nestas histórias desiguais. 

Quando ouvimos alguém a dizer que nunca foi tão feliz como no tempo em que viveu com o homem que lhe deu cabo da conta bancária e "limpou" a casa de tudo aquilo que tinha valor... há qualquer coisa que não bate certo... por muito que isso me interesse no campo literário...

(Óleo de Marcel Dyf)

quarta-feira, agosto 17, 2016

O Álbum de Recortes que Chegou do Quase Nada...

Sabe que não foi um grande actor, mesmo assim ainda entrou numa dúzia de filmes e fez quase meia centena de peças de teatro.

Depois aceitou um emprego normal e deixou definitivamente o mundo do espectáculo.

Não guardou nada, nem sequer uma notícia de revista ou jornal da sua estreia. Já havia muitas invenções nesses quase loucos anos sessenta, em que se inventavam namoradas, para vender "plateias" e "crónicas femininas", com casais quase perfeitos, masculinizando os calvários e os garcias dos palcos e das canções. 

Foi sempre um corpo estranho naqueles bastidores, cheios de histórias proibidas, por uma coisa bastante simples para o comum dos mortais, ter o defeito "imperdoável" de gostar de mulheres. Embora na altura não o assumisse, foi também por isso que se afastou...

Não fazia ideia de que tinha tido admiradoras. Só quando há dias uma jovem lhe bateu à porta, para lhe entregar um álbum sobre a sua curta carreira, organizado pela avó, percebeu que a sua actividade artística não era tão vazia como pensara...

(Fotografia de autor desconhecido)