domingo, fevereiro 13, 2022

O Grande Equivoco do Futebol


O maior equivoco do futebol é percebermos que grande parte dos seus adeptos, gostam mais dos clubes que da arte e beleza deste desporto tão singular.

Se tiverem a possibilidade de assistirem a um grande espectáculo de futebol, ficam satisfeitos, mas essa está longe de ser a principal premissa que os faz visitar os estádios. O que é realmente importante é a vitória dos clubes que amam e os fazem vibrar e vestir as cores das suas camisolas e acenar os seus cachecóis...

E o problema, é que isto não é um fenómeno nacional, é um fenómeno mundial...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, fevereiro 12, 2022

"Basta de Impunidade no Futebol"


Depois de tudo o que se passou ontem no Estádio do Dragão, só posso dizer que Frederico Varandas falou no momento e no sítio certo, sem ter medo de usar todas as palavras devidas e de apontar o dedo ao "papa do futebol", que apesar do seu ar de "santinho", há muito tempo que está a mais no futebol.

Só espero que o Sporting não recue na queixa-crime, que fez contra três elementos do FC Porto. Não tenho outro nome para dar ao que o assessor de imprensa fez ao presidente do Sporting, senão roubo. E ao que consta, nas "barbas" da polícia. 

Em relação à Liga e à Federação, sei que o mais certo é que a montanha do costume pare o ratito também do costume. E que a "lei do silêncio" continue a imperar.

Mas é mais que tempo de dizer que: "Basta de Impunidade no Futebol".

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, fevereiro 11, 2022

Um Deputado não é um Simples Taxista ou Barbeiro...


Há já algum tempo que se tentou normalizar a mentira, tanto a de perna curta como a de perna comprida, pelo mundo inteiro (o antigo presidente dos EUA e o primeiro-ministro inglês ajudaram muito à festa...). É também por isso que uma canal de televisão até tem um programa que faz as vezes de "detector de mentiras". 

Quem assistir a este programa percebe que a maioria das mentiras, que se espalham cada vez com mais velocidade, começam por ser alimentadas nas redes sociais e depois crescem, crescem, ao ponto de chegarem aos jornais e até à televisão, que nem sempre se dão ao trabalho de fazer desmentidos.

É por todas estas razões que fiquei satisfeito por um dos deputados agora eleitos pelo Chega ter sido condenado, por ter colocado um "twitter" mentiroso e caluniador, sobre Francisco Louçã (disse que este tinha recebido uma avença do BES...).

Não é esta condenação que vai fazer com que se deixe de mentir, mas pode ser que pelo menos as pessoas com responsabilidades públicas, pensem duas vezes, antes de espalharem "mentiras" nesse mundo em rede, que já demonstrou ser capaz de despertar os nossos piores instintos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 10, 2022

"Até Amanhã Camaradas!"


Sei que o Jaime Serra era muito mais que o homem simples, inteligente e generoso, que conheci. Era um grande exemplo de militância e de coragem. Não gosto de utilizar a palavra "heróis", mas ele é sem qualquer dúvida, um dos têm um lugar na primeira fila da história de luta contra a ditadura fascista.

Foi um prazer enorme tê-lo conhecido e conversar sobre coisas, muito mais simples que a sua vida, que ainda pode dar um filme, dos bons. E como ele gostava de "fugir" das prisões fascistas (esta fotografia é do lançamento do seu livro, "Doze Fugas das Prisões de Salazar", em Almada)... Era o último dos bravos que tinham fugido do Forte de Peniche, no começo do ano de 1960, fintando mais uma vez o "impossível".

O Jaime e outros homens como Ele (alguns são meus amigos...). explicam a razão de ter votado no final do mês de Janeiro na CDU...

Jaime Serra deixou-nos aos 101 anos, com um: "Até Amanhã Camaradas!"

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, fevereiro 08, 2022

Os Diários e a Escrita do Quotidiano...


Ao ler os "Diários de Emília Bravo" de Maria Judite de Carvalho, fiquei com vontade de escrever sobre eles. Isso acontece sobretudo pela pertinência do seu conteúdo.  Mesmo quando deixa de ser o "Diário de uma dona de casa" (o livro está dividido em três partes), a temática não se altera muito. Convém referir também que estes textos foram publicados nas páginas do "Diário de Lisboa", no começo dos anos 1970.

São pequenos relatos do quotidiano, como o nome sugere, são muito virados para o sexo feminino. Por vezes surge por ali uma mulher, que quase grita com as outras mulheres, por se sentirem confortáveis numa sociedade completamente desigual. Há também muitas referências culturais ao teatro, ao cinema, à arte ou à música (provavelmente foi uma das primeiras pessoas a elogiar o Zé Mário Branco, então em Paris, no final do ano de 1971, com referências elogiosas que se estendem a Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira e  Luís Cília (fala dele como "exilado", a censura devia estar distraída...). 

Mesmo sem ter a qualidade da ficção e das crónicas livres da Maria Judite (tenho encontrado algumas deliciosas nas páginas amarelecidas de "O Jornal"...), gostei da leveza da sua escrita e do seu habitual olhar atento a um tempo no mínimo estranho, para todos os portugueses, mas especialmente para as mulheres. 

Não posso deixar de referir um outro grande escritor do quotidiano, o poeta José Gomes Ferreira. O "Poeta Militante" tem coisas de grande beleza sobre os dias, que fingem ser iguais uns aos outros. Além dos seus "Dias Comuns" (vários volumes), há também os olhares poéticos registados nas páginas de a "Gaveta de Nuvens" ou na "Calçada do Sol".

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, fevereiro 07, 2022

A Memória Misturada com a Economia das Palavras e os "Rabos-de-Palha"...


Durante a infância passei sempre, entre um a dois meses das férias grandes, na casa dos meus avós maternos. O avô era agricultor a tempo inteiro, distribuindo-se diariamente pelas várias fazendas e vinhas que possuía. A avó era uma daqueles seres multifacetados, que se disfarçava de dona de casa, mas fazia um pouco de tudo, em casa e nos campos.

Eu e meu irmão acompanhávamos mais a minha avó que o meu avô, que saia cedo de casa para a sua labuta diária. O que se compreendia, pois era difícil estar atento a duas crianças e a trabalhar ao mesmo tempo. Ou seja, era a avó que mais aturava as nossas traquinices. Embora fosse uma pessoa um pouco seca, tinha expressões giríssimas para quase tudo. Usava muitos ditos populares, sem sequer se aperceber. O avô também se fazia entender muitas vezes através da sabedoria popular, mas com menos ligeireza e mais profundidade (adorava contar-nos estórias e lendas e era bastante bom neste "ofício"...).

Não estava à espera de toda esta introdução, pois ia apenas falar dos "rabos-de-palha", que todos temos (uns mais quer outros, como em tudo na vida...), mas a memória gosta de se meter pelo meio e...

A minha filha, com dezassete anos, excelente aluna, de vez em quanto pergunta-me o significado disto e daquilo. Nem precisava, o "google" é um rapaz com muito melhor memória para estas coisas, que eu. Mas acaba também por ser um pretexto para conversarmos, o que é muito bom, nestes tempos de economia de palavras...

Expliquei-lhe que "rabos-de-palha" são coisas que deixamos para trás, mal resolvidas, que podem ir  de erros cometidos a falhas involuntárias. Como "deixam rasto", podem ser utilizadas pelos outros, quando menos esperamos, para fazerem "tiro ao alvo". Sorriu com a explicação e disse que era mais ou menos o que pensava...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


domingo, fevereiro 06, 2022

A "Vox Populi" e a Cobardia Habitual


Sempre ouvi dizer que é um acto de nobreza e de dignidade, não bater em quem já se encontra no chão. Mas não é por isso que a expressão popular, "bater no céguinho", alguma vez deixou de ser um passatempo nacional (provavelmente mundial...). Há mesmo quem viva disso, como é o caso da maior parte da comunicação social...

Se no futebol o Benfica agora é o "bombo" de todas as festas, na política há muitos candidatos a "levarem mais que a burra do cigano", nestes dias após as eleições que ofereceram um "trono" ao Costa. É só escolher, da esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda.

Como não sou um seguidor atento de programas com comentadores políticos, acabo por ser transportado para a realidade por programas como o antigo "Governo Sombra" ou ainda o "Isto é Gozar com Quem Trabalha", de uma forma mais leve, e até anedótica (é o que acontece no segundo programa, que acabei de ver).

Se já tinha assistido ao "aparecimento" do antigo líder do PAN pelos jornais (afinal parece que a sua saída não foi tão pacífica como nos quis fazer crer, ou então não achou muita piada ser substituído por uma mulher...), a criticar o partido de que faz parte e a sua líder, não fazia ideia que no CDS a vingança de vários deputados que "ficaram sem parlamento", tinha sido tão incisiva, contra o rapaz que demonstrou mais qualidades para "moço forcado" que para "cavaleiro"  na "tourada" da política...

Os únicos derrotados que escaparam à fúria dos seus rivais foram Jerónimo de Sousa e Rui Rio. Se do primeiro não se conhecem adversários, do segundo, todos sabemos que eles "são mais que as mães". Talvez tenha sido a sua legitimidade, ganha nas eleições internas no partido, embora eu vá mais pelas sondagens (o "cheirinho" a vitória, mesmo muito ténue, colocaram a seu lado na última semana quase todos os seus "inimigos públicos" - só Passos Coelho fugiu à rua e à campanha...), para esta quase "unanimidade", mesmo na derrota (é só "violas no saco"...).

Só não estava à espera que aparecesse uma senhora loura a "culpar" o povo pelo mau resultado do PSD. 

E como ela estava certa. A "vox populi" vingou-se tanto das sondagens como do número enganador de Rio como humorista.

(Fotografia de Luís Eme - Charneca de Caparica)

 

sábado, fevereiro 05, 2022

O "Querer" Ser Está Sempre a Léguas do "Ser"...


O "querer ser" sempre esteve a léguas do "ser". Se há coisa que o tempo nunca conseguiu reduzir muito, foi esta distância, enorme, entre o sonho e a realidade. É bom esclarecer que este "querer ser" a que me refiro, é o que está dependente de talento para se "ser"...

Talvez o melhor exemplo seja o futebol, com as muitas escolinhas que pensam ter tudo para "fabricar cristianos ronaldos", com muitos pais a fazerem contas de cabeça e a pensar em "ferraris" e "palácios", até perceberem que a realidade está-se borrifando para os sonhos e ambições de cada um de nós.

Claro que, como o poeta disse, "é o sonho que comanda a vida". E ele não estava a mentir, todos acabamos por perceber que há muitos sonhos que são alcançáveis pela vida fora, desde que não sejam daqueles muito altos, que quase tocam nas estrelas...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sexta-feira, fevereiro 04, 2022

Nem Toda a Gente Gosta de Viver em Liberdade e Democracia


Há muita gente, mesmo pobre, que nunca se integrou, de corpo inteiro, no nosso regime democrático, nunca acreditou, nem percebeu muito bem, o que era isto de se viver em liberdade e democracia.

Ficou sempre no ar alguma desconfiança.

E é esta "desconfiança" que acaba por "minar" tudo o que nos cerca. Não é por acaso que muitas destas pessoas acreditam que o regime democrático facilita  a "criminalidade" (especialmente a de "colarinho branco"...) assim como a sua "impunidade". 

Infelizmente a realidade tem-lhes oferecido vários exemplos, especialmente no campo da justiça. Exemplos que acabam por dar espaço a todo o género de especulações e são a principal fonte de inspiração dos discursos populistas.

Embora estes meus pensamentos não expliquem totalmente o crescimento da extrema-direita, entre nós, dão algumas pistas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Tudo Começa e Acaba Dentro de Campo


O Benfica está a atravessar uma crise complicada dentro e fora de campo.

Aos problemas com a justiça seguiu-se a falta de respeito de alguma comunicação social, que tem explorado diariamente o conteúdo de conversas privadas entre dirigentes, treinadores, agentes e até jogadores (sem qualquer relevância criminal, mas que minam as relações pessoais e a imagem do Benfica...).

Mas continuo a acreditar, que tudo começa e acaba dentro de campo. Com vitórias todos estes problemas acabavam por ser esquecidos.

É por isso que eu digo, que por mais problemas que existam - exteriores ao balneário -, é completamente inaceitável que jogadores que ganham dez vezes mais, corram dez vezes menos, que os adversários, como aconteceu ontem no jogo com o Gil Vicente e em muitos outros, com adversários de qualidade inferior, nos últimos três anos.

Podem continuar a falar dos árbitros (que também já não respeitam o Benfica como respeitavam...), mas o principal problema está no plantel escolhido (com mais "mão" de dirigentes e de empresários que dos treinadores...), onde se nota que quase metade da equipa não tem classe para vestir a camisola do clube da Luz.

Se Rui Vitória, Bruno Lage ou Nelson Veríssimo, nunca tiveram "peso" como treinadores, para puderem escolher os futebolistas com quem queriam ou não trabalhar, o mesmo não se pode dizer de Jorge Jesus, que escolheu e aceitou vários jogadores de qualidade duvidosa, que estão claramente a mais no Benfica e não merecem o dinheiro que ganham.

Mas como disse anteriormente, tudo começa e acaba dentro de campo. Com vitórias todos estes problemas acabavam por ser esquecidos...

(Fotografia de Eduardo Gageiro)


quarta-feira, fevereiro 02, 2022

«O excesso de oferta, não só nos divide, como ainda pode deitar tudo a perder»


Hoje bebi café com uma amiga, que se mudou de "armas e bagagens" para a província, porque já não aguentava o ritmo infernal da vida suburbana, onde todas as horas têm quase sempre menos de sessenta minutos.

Falámos de várias coisas que organizámos juntos, assim como dos "malefícios" de quase querermos fazer da "cultura uma indústria". Concordámos que fizemos coisas a mais, muitas vezes apenas porque sim.

Quando ela disse: «O excesso de oferta, não só nos divide, como ainda pode deitar tudo a perder», estava certa. Cansamo-nos a nós e cansamos os outros... 

Todas estas coisas acabam por ser tornar quase um "vicio" e a partir de algum tempo, o prazer é substituído por outra coisa, diferente e pior. O curioso, é que só quando nos afastamos é que conseguimos perceber tudo isso. 

 comecei a pensar no assunto, quando voltei a ter os fins de semana livres, sem a obrigatoriedade de ter de ir à inauguração de uma exposição, à apresentação de um livro ou de outro projecto qualquer.

Bem dita distanciação...

(Fotografia de Luís Eme -Almada)


terça-feira, fevereiro 01, 2022

A Cultura ficou Atrás da Liberdade...


Hoje de manhã dei por mim a pensar, no quanto o país cresceu, em quase cinquenta anos de liberdade.

Pensei também na "Liberdade" do Sérgio Godinho, que nos diz que "só  há liberdade a sério quando houver", e depois continua com: "a paz, o pão, habitação, saúde, educação ". Todo este crescimento, que nem sempre notamos, também está expresso noutra parte da canção: "Só se pode querer tudo quando não se teve nada".

E nós tínhamos mesmo muito pouco. 

Claro que acabei por sentir que a Cultura foi o parente pobre de todos estes anos de democracia, porque nunca foi para todos... E continua a não ser (percebeu-se isso com bastante nitidez durante a pandemia). 

Há muitos portugueses que nunca assistiram a uma peça de teatro, ao vivo. E muitos outros nunca entraram num museu nem apreciaram uma exposição artística. E há ainda outros, que nunca leram um romance do princípio ao fim...

Claro que não conheço nenhuma "fórmula mágica" para inverter esta marcha, que tanto jeito tem dado aos políticos, que se sentem sempre mais confortáveis quando governam um "bando de ignorantes" e não um grupo de pessoas esclarecidas...

(Fotografia de Luís Eme - Marvila)