De
vez em quando
Acontecem-nos
coisas estranhas
Daquelas
que surgem com mais frequência
Aos
poetas e aos malucos.
Eu
começo já a contar:
Sentei-me
num dos bancos de uma carruagem de metro,
Quando
olhei para a frente,
Descobri
uma jovem mulher de pele castanha
Enquanto
a olhava
Comecei
a escutar uma música longínqua
Um
blues que ecoava na parte interior dos meus ouvidos
Olhei
à volta e percebi que a música era só minha
A
mulher de pele castanha era jovem
Podia
ser minha filha.
Tinha
um vestido negro com listas com espigas
cremes
e uma mala de viagem
De
quem parte ou de quem acaba de chegar
Por
mais de meia-dúzia de dias…
A
música só acabou quando ela saiu
na
estação do Marquês.
Fiquei
sem perceber se tive
Um
laivo de loucura ou de poesia…
Luís Alves Milheiro
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
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