A principal razão é o Tejo, mas não é a única.
Hoje, por estar com pressa, acabei por apanhar o metro e depois o comboio. Cheguei mais rápido mas a viagem é muito diferente. Tudo começa e acaba nas pessoas. Quem como eu gosta de "olhar", sente que tudo se torna mais cinzento, mais pesado à nossa volta...
Mas basta pensar um pouco, para perceber o porquê desta mudança. Mudança que por vezes até me faz sentir que estou num país diferente...
O comboio é um transporte de trabalhadores, de gente que já sai de casa angustiada, só de pensar no que a espera nas próximas oito horas... O cacilheiro é uma "zona mista", composta maioritariamente por turistas de todos os mundos. Além de sorrirem mais, também passam o tempo a olhar para as janelas e a deliciarem-se com o Rio.
Esta energia acaba por chegar aos restantes viajantes, que até são capazes de sorrir.
É como se se deixassem aprisionar pela leveza do sorriso dos outros...
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
Tenho saudades dessas travessias a olhar o rio pela janela!
ResponderEliminarA correria dá cabo do quotidiano de quem corre sem gosto e se cansa.
Abraço
É um bom intervalo da vida, Rosa, mesmo que só dure dez minutos. :)
EliminarRecebia o ordenado no exacto fim de cada mês, frente ao caixa da empresa estendia a mão para receber as pouquíssimas notas e uns trocos. Estava muito longe o tempo de receber o vencimento em transferência bancária.
ResponderEliminarUma vez por mês, sempre ao domingo, metia-se no vai-vem do cacilheiro e aportava num dos tasquinhos do Ginjal.
Além Tejo, a vista mais maravilhosa que Lisboa possui, que uma cidade pode ter.
Na companhia de Sophia, para o comentário ficar mais catita:
«Digo: “Lisboa”
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser.»
E eu digo que fico muito grato com o poema e com as palavras amigas, de quem se sentia nem na Minha Margem.
Eliminarabraço Sammy