quarta-feira, janeiro 14, 2026

Parece que estou num país diferente...


Quem é mais assíduo no meu "Largo", sabe que o meu transporte preferido para vir de Almada a Lisboa e depois voltar, é o cacilheiro.

A principal razão é o Tejo, mas não é a única.

Hoje, por estar com pressa, acabei por apanhar o metro e depois o comboio. Cheguei mais rápido mas a viagem é muito diferente. Tudo começa e acaba nas pessoas. Quem como eu gosta de "olhar", sente que tudo se torna mais cinzento, mais pesado à nossa volta...

Mas basta pensar um pouco, para perceber o porquê desta mudança. Mudança que por vezes até me faz sentir que estou num país diferente...

O comboio é um transporte de trabalhadores, de gente que já sai de casa angustiada, só de pensar no que a espera nas próximas oito horas... O cacilheiro é uma "zona mista", composta maioritariamente por turistas de todos os mundos. Além de sorrirem mais, também passam o tempo a olhar para as janelas e a deliciarem-se com o Rio.

Esta energia acaba por chegar aos restantes viajantes, que até são capazes de sorrir. 

É como se se deixassem aprisionar pela leveza do sorriso dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


4 comentários:

  1. Tenho saudades dessas travessias a olhar o rio pela janela!
    A correria dá cabo do quotidiano de quem corre sem gosto e se cansa.

    Abraço

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    1. É um bom intervalo da vida, Rosa, mesmo que só dure dez minutos. :)

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  2. Recebia o ordenado no exacto fim de cada mês, frente ao caixa da empresa estendia a mão para receber as pouquíssimas notas e uns trocos. Estava muito longe o tempo de receber o vencimento em transferência bancária.
    Uma vez por mês, sempre ao domingo, metia-se no vai-vem do cacilheiro e aportava num dos tasquinhos do Ginjal.
    Além Tejo, a vista mais maravilhosa que Lisboa possui, que uma cidade pode ter.
    Na companhia de Sophia, para o comentário ficar mais catita:

    «Digo: “Lisboa”
    Quando atravesso – vinda do sul – o rio
    E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
    Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
    Em seu longo luzir de azul e rio
    Em seu corpo amontoado de colinas –
    Vejo-a melhor porque a digo
    Tudo se mostra melhor porque digo
    Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
    Porque digo
    Lisboa com seu nome de ser e de não-ser.»

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    1. E eu digo que fico muito grato com o poema e com as palavras amigas, de quem se sentia nem na Minha Margem.

      abraço Sammy

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