terça-feira, fevereiro 09, 2016

Era Dia de Dizer Mal dos Críticos...

Eu não era jornalista naquele "filme", era apenas o amigo da amiga. Mas adorei o retrato que a actriz fez dos jornalistas da cultura, normalmente conhecidos como críticos e com colunas fixas nos jornais de referência: 

«Eles podem ser pessoas frustradas por não terem talento para escrever, filmar, pintar ou encenar. Só não precisavam era de ser jornalistas, deviam ter escolhido outra profissão. Há tanta coisa inútil por aí...»

Fez uma pausa e depois de nos encher com o fumo do seu cigarro, continuou:

«Conheço-os ao longe, só pelo caminhar, parecem paus com duas pernas, tal a solenidade com que se dirigem a nós. Parecem mesmo pessoas importantes.»

Não houve ninguém que não sorrisse com este retrato. Mas ela queria mesmo era diversão:

«Fazem-nos perguntas estranhas, que só eles é que sabem responder. A nossa sorte é o traquejo da representação fazer com que sejamos capazes de alinhavar meia dúzia de frases falsamente profundas e deixarmos-os sem palavras.
É por isso que gosto mais dos tipos que quase não sabem fazer perguntas. Como não percebem bem os filmes nem as peças que vêem, perguntam quase sempre coisas giras, diferentes. Além de serem mais fáceis de enrolar tornam as entrevistas mais divertidas.» 

Fiquei a pensar que além de um sentido de humor apurado, era preciso coragem para falar assim, de um meio que se alimenta do "amiguismo" e do "lambebotismo"...

(Óleo de Kevin Chupik)

4 comentários:

  1. Graças a um critico de um desses jornais, eu que adorava escrever, deixei de o fazer por quase 30 anos. As coisas que esse crítico me disse na análise daquele poema, foram horríveis. Muitos anos depois, já o senhor em questão tinha morrido, esse mesmo poema recebeu num concurso uma menção honrosa, e hoje faz parte do III volume da Antologia "Entre o sono e o sonho" da Chiado Editora.
    Um abraço e bom Carnaval

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    1. É por isso que não deve dar demasiada importância às palavras feias dos outros, Elvira...

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  2. E a atriz tem toda a razão!! Quem pode esquecer o Mário Castrim?....

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    1. Mas foi sobretudo uma graça, Graça. :)

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