quinta-feira, março 23, 2017

Temos Forçosamente de Viver com as nossas Fragilidades...

O dia a dia encarrega-se sempre de expor as nossas fragilidades, de nos lembrar de que massa somos feitos, das nossas contradições (por mais pequenas que sejam). Isso acontece tanto no ambiente de trabalho como no seio da família, embora aqui as coisas sejam sempre vividas de uma forma mais emocional...

Quando os problemas surgem em casa é tão fácil pensarmos que o mais fácil era não termos casado ou ter filhos (a opção de cada vez mais pessoas...). Provavelmente num misto de comodismo e de egoísmo, ainda que nem sempre o queiramos aceitar. 

Depois, mais serenos, sentimos que iríamos perder tanta coisa... Não tenho qualquer dúvida que uma vida sem família e sem filhos é uma vida incompleta (até na tal exposição das nossas fragilidades, pois eles muitas vezes são o nosso "calcanhar de aquiles"...).

Mas a vida funciona quase como um "sorteio" em muitas coisas. É por isso que não somos nós que escolhemos os nossos filhos, quanto muito moldamos-os e educamos-os pelos princípios que achamos correctos (ou pelo menos tentamos...). Mas eles também não escolhem os pais, e normalmente são os filhos que têm mais dificuldade em aceitar os pais... 

Nem sempre nos lembramos que vivemos situações diferentes, e que também temos funções muito diferentes. 

É também por isso que nunca tive pretensões de "ser o melhor amigo" dos meus filhos. Sei que ser pai é outra coisa, muito mais complicada e menos simpática...

(Fotografia de Luís Eme)

10 comentários:

  1. Luís, gosto do título. Diria, até, que é bom termos fragilidades; eu não gostaria de perder a maior parte das minhas.

    Também acho que ser pais não tem que ver com o departamento dos amigos. São ordens afectivas bastante diferentes. E por isso não entendo quando alguns pais se aborrecem quando constatam não ser os principais confidentes dos filhos, ou quando os filhos (normalmente adultos) reclamam por não saber tudo da vida dos pais.

    Já tenho dúvidas quanto a essa afirmação de que uma vida sem família e sem filhos é incompleta.
    Os desafios é que são diferentes.
    E digo isto porque já vivi em família e já vivi sozinha depois de ter vivido em família.
    Há sempre uma organização a fazer, há sempre aspectos a articular com alguém, o mais fácil ou o mais difícil de um lado ou outro é fogo de vista.


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    1. Sim, Isabel, as nossas fragilidades podem tornar-nos mais humanos.

      Eu quando falo de uma vida imcompleta, sem família e filhos, é uma vida toda sem viver em comum e ter filhos. Não é de quem viveu as duas experiências.

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    2. Luís, pelas muitas histórias de vida que existem com outros modelos, neste caso sem experiência de vida em comum e sem filhos, e também pelo respeito por quem não fez disso uma escolha e 'completou-se bem', noutras frentes, não considero que isso seja regra. É apenas uma opinião diferente e por isso vale o que vale, e não tem mal haver opiniões diversas.
      "Ao pé do pano é que se talha a obra." - Mas acontece haver pano para a obra e não se tirar partido dele.

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    3. Eu normalmente falo por mim, Isabel.

      E sei que embora tivesse feito mil e uma coisa diferentes se não tivesse filhos (tinha viajado muito mais, de certeza...), havia um vazio... que talvez experimentasse tarde demais, depois dos cinquenta, sessenta...

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  2. Também não alinho nessa dos pais serem os melhores amigos dos filhos. Desde logo porque um amigo não tem força moral para educar e passar princípios que achamos ser os mais corretos para fazer deles pessoas de valor.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Penso o mesmo, Elvira.

      Acho até um pouco inconsciente querermos ser amigos em vez de pais...

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  3. Não vou entrar em detalhes, mas sim, todos temos as nossas fragilidades e lembrei-me de um provérbio que diz:-Quem tem filhos, tem cadilhos; quem não os tem, cadilhos tem.
    Gostei muito do texto.
    bom fim de semana.
    beijinhos
    :)

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    1. Claro, Piedade, até porque algumas fragilidades sabem-nos bem...

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  4. Em tempo:
    Achei a foto super para suporte do texto.
    :)

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    1. É a gente cá de casa, Piedade. :)

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