domingo, fevereiro 08, 2015

Um Número Fantasista, Perigoso e Sujo


As pessoas deixaram de aparecer, a paciência e o dinheiro esgotaram-se e a porta vai mesmo fechar...

É menos um restaurante à procura de clientes, cada vez  mais incertos.

Sei há bastante tempo que este país não é normal. É a melhor explicação que encontro para andar toda a gente preocupada com os gregos sem gravata, ao ponto de se esqueceram do gajo que quis ser notícia, pelos piores motivos, num número fantasista, perigoso e sujo.

Eu ainda me pergunto, como é que alguém é capaz de dizer o disparate: «Em Portugal só passa fome quem quer.» E ainda vou mais longe: como é que alguém capaz de dizer um disparate destes é o presidente da união das misericórdias? 

Talvez ele finja que é Deus e que consegue estar com as suas misericórdias em todo o lado, mesmo naquelas que são melhores a venderem quartos a gente com dinheiro que a albergar pobrezinhos...

Eu sei que este país só é bom é para fingidores, capazes de dizer que a austeridade já passou, mesmo que a Laura e o David a partir de amanhã não serviam mais almoços e jantares...

Mas chateia-me, cada vez mais, ser do mesmo país desta gente, que além de mentir, ainda goza com a miséria alheia. 

O que já não me chateia é perceber que uma boa parte das pessoas que se tornaram pobres graças a este governo, com as cambalhotas que eles são capazes de dar até às eleições, até capazes de votar novamente neles. Ou seja, tudo indica que se merecem uns aos outros.

E eu? Já sei, devia emigrar... Tal como a Laura e o David.

O óleo é de Lindsay Goodwin.

6 comentários:

  1. É amigo. Quem dera eu tivesse idade para emigrar. Hoje em dia Portugal só é bom para os reformados estrangeiros.
    Um abraço e uma boa semana

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    1. um paraíso, nem pagam impostos, Elvira...

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  2. Alguém um dia disse que cada povo tem o governo que merece. Não sei se é ou não mas que me chateia, chateia.

    Boa semana. bjs

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    1. pois disse e acaba por ter razão, Rita. pelo menos segundo o que acontece nas nossas eleições...

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  3. eu só queria a minha vida de volta.
    queria viver sem medos.
    queria que os nossos jovens não tivessem de emigrar por obrigação.
    queria...

    :(

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    1. todos queremos isso, Piedade.

      é também por isso que existem eleições, para se mudar.

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