domingo, dezembro 13, 2015

A Solidão num Banco da Cidade


Passei e foi impossível não reparar na senhora sentada no banco, com um molho de flores silvestres nas mãos, colhidas em qualquer campo aberto ou nos canteiros que rodeiam as árvores da avenida.

Quando voltei da minha caminhada, quase uma hora depois, a senhora continuava no mesmo banco, sozinha, agarrada às flores que colhera ou que alguém lhe oferecera.

Talvez estivesse à espera de alguém, sem relógio...

Pensei na minha mãe. Pensei que a devia visitar mais vezes. Até por estarmos apenas a 100 quilómetros de distância... Mesmo sabendo que ela tem gente amiga suficiente à sua volta, assim como o meu irmão e restante família...

Sei que o domingo sempre foi o dia mais difícil de passar (e de viver...) para quem vive sozinho. 

Acho que não mudou muito, embora as pessoas já não se reúnam como noutros tempos e a família tenha perdido o peso  e a afectividade que tinha noutros tempos, quando era mais difícil sobreviver sem o braço amigo dos outros...

O óleo é de Trisha Lambi.

6 comentários:

  1. A solidão é a coisa que mais temo Luís. Mais do que a guerra ou qualquer doença.Nem de pronunciar a palavra eu gosto.
    Um abraço e uma boa semana

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    1. É terrível sim senhor, Elvira.

      E normalmente atinge as pessoas mais fragilizadas...

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  2. Detesto os domingos!! Desde pequena. Uma seca! Uma tristeza interior muito grande. Véspera de recomeçar tudo outra vez...

    Quanto à solidão, nem é preciso dizer mais nada... deixa-me deveras triste, deprimida, temerosa.

    Toca a ir ver a sua mãe mais vezes!!!

    Beijinho

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    1. Os domingos são os domingos, Graça.

      Sim.:)

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  3. E parece-me que a solidão avança proporcionalmente à idade de uma pessoa.

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    1. Sim, penso o mesmo, Severino.

      Até pela falta de mobilidade...

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