sábado, abril 15, 2023

«Durante a velhice tornamo-nos quase desenhos animados. Morremos e vivemos muito mais vezes do que o que queríamos.»


A esperança média de vida aumentou bastante. Hoje chegar aos oitenta anos é perfeitamente normal para qualquer pessoa. E mesmo os noventa deixaram de ser uma barreira. Os cem é que continuam difíceis. Claro que tudo isto vem com um problema acrescido, como diria o mestre Lagoa, "goza-se bastante mas sofre-se muito". E pior, perde-se muitas vezes a liberdade e a autonomia, para satisfação dos muitos empresários que enriquecem com a "terceira idade".

Nem todas as pessoas têm a lucidez do Jorge, que depois dos oitenta ainda gosta mais de chamar "os bois pelos nomes". Quando ele disse: «Durante a velhice tornamo-nos quase desenhos animados. Morremos e vivemos muito mais vezes do que o que queríamos.»

Apesar da temática, a conversa ia animada. Deve ter sido por isso que lhe respondi: «Então a Lili Caneças está errada, estar morto não é o contrário de estar vivo.»

Mais sorrisos abertos a espalharem-se pela mesa. A melhor maneira de abordar os dramas da vida é "enfrentarmos os touros da vida de frente", com a serenidade possível. 

Os avanços da medicina têm destas coisas, não dão qualquer descanso à vida e à morte. O Jorge está mais que certo quando diz que "morremos e vivemos mais vezes do que as que queríamos"...

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)


2 comentários:

  1. Bom dia
    Não será fácil de assumir , embora tenha algo de verdade.

    JR

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