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terça-feira, julho 28, 2026

Leitores e gostos diferentes para livros iguais...


Trago sempre pelo menos meia-dúzia de livros para ler nas férias. 

Voltei a perceber, mais uma vez que nem sempre são as melhores escolhas porque desta vez a minha companheira não trouxe nenhum livro e teve de ficar com as "minhas escolhas" e já torceu o nariz duas vezes...

Começou por ler "A Sala Magenta" de Mário de Carvalho, que leu até ao fim mas não gostou (eu também já acabei de ler e gostei, mesmo que não se trate de uma grande história, fala dos "desencontros" das pessoas nos meios das culturas, através do insucesso de um cineasta...). Mas com a segunda leitura é que se "estragou" tudo, graças aos contos de Charles Bukowski, do livro, "A Mulher mais bonita da cidade". E abandonou-o logo às primeiras páginas...

Além de estar cheio de sexo (ao vivo e a cores...), a linguagem sem travões do Charles não deixa de chocar alguns leitores. Quando um dos seus contos tem como título, "A Máquina de Foder", está tudo dito...

Comecei a ler o Charles com conhecimento de que ele escrevia sem qualquer cerimónia, sobre o mundo e sobre as pessoas (li um dos seus livros mais populares, embora não me lembre do título...). Não era do seu estilo substituir as palavras que acha certas para ilustrarem as suas histórias. Claro que há sexo e álcool a mais neste livro. É provável que tenham escolhido os seus contos mais vadios e marginais para esta antologia...

Imagino que não haja espaço para Bukowski, nesta nova América tão purista e adepta das "aparências". O mais certo é ele ter sido banido das bibliotecas públicas e até de algumas livrarias de "lacinho"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, julho 27, 2026

Quando um simples marcador de livros, se torna quase inseparável...


Uma das poucas colecções que tenho, é de marcadores de livros. Mesmo sem nunca os ter contado, devo ter mais de um milhar, guardados em várias caixas que já foram de sapatos.

Há um deles que me acompanha há meses, já marcou mais de duas dezenas de livros. Começou por ser o "marcador de mesa de cabeceira". Revelou-se de tal forma inseparável, que até veio de férias comigo e com os meus livros.

E agora cheguei a um conclusão. Uma das minha próximas aquisições literárias será "As Cartas de Berlim" da desconhecida (para mim, claro), Katherine Reay...

E apenas porque sim.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, julho 18, 2026

Ao encontro do Sul quase paradisíaco...


Já não sinto falta de férias de praia.

Mas o resto da família continua a não prescindir do descanso no nosso canto algarvio, onde continua a ser possível passar duas semanas, sem as variedades e as variantes da Costa de Caparica.

Pode parecer um gosto egoísta (ou até milionário, nos tempos que correm...), mas a minha praia ideal, é um areal espaçoso, onde existe a opção de escutares o mar e não apenas os gritos, a música e as conversas dos outros... Além, claro, de dispensares  a areia das suas toalhas...

Felizmente, ainda é possível encontrar algumas praias em estado quase natural, de Norte a Sul. Oferecem-nos a vantagem de deixar o carro a alguma distância e usufruir durante pelo menos uma dezena de minutos, de uma caminhada daquelas que nos "dão saúde e fazem crescer"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quinta-feira, julho 16, 2026

«Se não os consegues vencer, juntas-te a eles...»


Sabia que o descontentamento das pessoas era a principal razão para o crescimento do populismo (continuo a ter dificuldade em chamar-lhe "extrema-direita"...), mas nunca tinha olhado para ele, numa outra perspectiva. É por isso que as conversas são importantes e duas cabeças pensam quase sempre melhor que uma...

Há quem não consiga (nem queira...) "lutar contra". E então juntam-se aos "reis da confusão", que passam o tempo de dedo em riste, a culpar alguém do que está a acontecer. Com eles a culpa nunca morre solteira, ao contrário do que acontece no país.  Até mesmo a "cagadela de pombo" que lhe calhou por sorte, é culpa de alguém...

Com toda esta obsessão - parecida com a popular "lavagem ao cérebro" - em querer "justiça", nem se preocupam que estejam a acusar as pessoas erradas. Eles querem é culpados, querem é apontar dedos, querem é  ver alguém no "cadafalso", mesmo que seja alguém inocente...

Quase no fim desta conversa, que começou com a tentativa de dividir a questão da segurança e da acção policial, em "esquerda" e "direita". Com um simplismo que até meteu dó: os esquerdistas defendem os bandidos, a direita defende os polícias.

Ou seja, eu e o meu amigo Orlando, éramos os únicos na mesa, com o "emblema" de perigosos esquerdistas, apenas por defendermos o estado de direito, por acharmos que a principal função das polícias é garantir a segurança das pessoas e não andar a agredi-las...

Houve alguém que teve a feliz ideia de mudar de assunto. Mas só mudou a temática, a "fome de justiça" continuava bem viva. Já não disse mais nada.

O meu amigo Orlando simplificou tudo aquilo que acabara de acontecer com uma simples frase: «se não os consegues vencer, juntas-te a eles...»

Não sei o que vem aí. Sei apenas não é nada de bom, quando percebemos que há cada vez mais "carneiros" à nossa volta, que em vez de pensarem pela sua cabeça, preferem o caminho mais fácil, ir atrás do rebanho...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, julho 01, 2026

Bom é continuar a seguir a estrada que finge que nos afastar dos problemas...


Pois é... nestas coisa do ambiente, por muito que se tente inventar, não há melhores previsões.

Todos estamos a sentir que o desiquilíbrio é maior do que o que se esperava, ao ponto de começar a silenciar os negacionistas, que usavam mentiras de "perna curta", para se enganarem a eles próprios. 

E o sobe e desce não vai parar. O trágico que acontecia quando "o rei fazia anos", quer passar a ser "o nosso normal".

Não vai ser preciso fazer mais leis, para que não se façam "casas de papel" ou "palácios rente à praia", a natureza resolverá o problema de uma penada.

O curioso, é que para muto boa gente, a solução não está em "acordarmos de vez" para o problema, em mudarmos de atitude, em perdermos o hábito de assobiar para o ar e afagar o nosso umbigo.

Bom bom, era alguém inventar um chapéu com "ar condicionado" para cada um de nós, nestes dias em que os termómetros se querem chamar "cristianos ronaldos" e bater recordes...

E, claro, continuarmos a seguir a estrada com setas e placas, que finge que nos afasta dos problemas (no nosso país temos várias, com mais ou menos buracos...).

(Fotografia de Luís Eme - São Martinho do Porto)


terça-feira, junho 30, 2026

Uma boa e memorável espera...


Só teve de esperar 50 minutos, para embarcar num cacilheiro autêntico, ainda cor de laranja e com motor diesel.

Não tem nada contra as energias mais limpas, é apenas um problema de cor, de daltonismo. 

Como acha que os eléctricos de Lisboa devem ser sempre amarelos, também pensa que os cacilheiros deviam ficar sempre com os bonitos tons da laranja, com que têm ficado imortalizados por tantos pintores e fotógrafos, com bom gosto...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, junho 19, 2026

É tão fácil comparar o que não é comparável...


A coisa mais fácil de dizer e fazer, depois da primeira jornada do Mundial, é colocar Messi no Olimpo e Ronaldo nas catacumbas.

Fingem mais uma vez que se pode comparar o que não é comparável.

Muitos até dizem que Cristiano nunca foi um génio, que o seu talento é apenas fruto de muito trabalho e disciplina.

Se tivessem falado com os seus antigos companheiros das camadas jovens do Sporting, ou com os seus técnicos, percebiam que Ronaldo foi desde sempre, "o melhor de todos". Desde os iniciados até aos juniores.

Claro que foi sempre um jogador diferente de Messi, até na zona do terreno onde jogava. Por ser alto, forte e rápido, jogava nas alas, sem nunca perder de vista a baliza adversária. A velocidade, a força, a técnica e a inteligência, sempre foram as suas grandes armas. Messi, pequenino e franzino, valia-se da magia que tinha nos pés, para esconder a bola e ludibriar os adversários, ao mesmo tempo que era protegido (e bem) pelos árbitros, pela sua aparente fragilidade física.

É por isso natural que se note muito mais, a decadência futebolística de Cristiano. Além de ser mais velho dois anos e alguns meses, perdeu,  naturalmente, as suas principais armas. A velocidade e a força física não são as mesmas aos 41 anos, que eram aos 25, 30 ou 35 anos. É um problema com o qual Messi não se confronta de forma tão directa. A sua magia não se perde no tempo, porque faz parte da sua essência, sem estar dependente apenas da condição física, de mais ou menos velocidade.

É por isso que continuo a achar que não se pode comparar o que não é comparável.

Escrevi isto sem qualquer patriotismo bacoco. Para mim, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, são os melhores de sempre.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, junho 15, 2026

Uma camisola cheia de metáforas...


Caminhava na passagem metálica entre o cais de desembarque e a estação fluvial do Cais de Sodré, quando vi uma coisa curiosa à minha frente,  a fazer de "segunda pele", de um senhor com ar de mais velho que eu.

Como mediano fotógrafo de rua, não perdi a oportunidade de lhe "roubar" uma fotografia, sem que ele desse por isso e mostrasse qualquer incómodo.

Senti logo que estava ali à minha frente, um objecto antigo cheio de metáforas...

Começava no número. Cristiano tinha vestido a camisola número dezassete em 2004 (a sete ainda pertencia ao Figo...). Entretanto, tinham passado vinte e dois anos. O jovem que tinha vinte anos, tem agora quarenta e dois.

Por muitos chás que tome, disfarçados de "elixires da juventude", o tempo não perdoa, especialmente em desportos altamente competitivos, como é o futebol.

O senhor da camisola não deve pensar como eu. Deve estar mais próximo do selecionador nacional, que por razões que a razão finge desconhecer, pensa que a melhor equipa portuguesa continua a ser Cristiano mais dez...

Pode ser que a meio do Mundial, a outra "razão" (a verdadeira) lhe mostre, que há muito mais mundo, para lá do "planeta ronaldo".

Se isso acontecer, pode ser que consigamos ser felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, junho 05, 2026

Mistificaçães sobre a Margem Sul...


Depois de ser apresentado como almadense, percebi que este era um péssimo cartão de visita, pelo menos para aquela alminha, que talvez tivesse atravessado o rio de cacilheiro menos de meia dúzia de vezes e não gostasse nada do que encontrou, logo em Cacilhas.

Ainda bem que já estava longe da "idade dos porquês", porque não senti a mais pequena curiosidade, sobre toda esta "azia" para com a Margem Sul.

Já estava sentado num dos eléctricos que agora fazem a ligação fluvial, quando me pus a pensar, que nunca tinha levara muito a sério algumas mistificações sobre o que existe para cá da margem esquerda do Tejo e se estende quase até Setúbal e Sesimbra.

Nem mesmo agora, que Almada é um dos "últimos redutos" das muitas pessoas que chegaram de fora e trabalham em Lisboa e só conseguem encontrar casa por estes lados, mesmo que também sejam a preços proibitivos...

Eles não sabem nem sentem as coisas agradáveis que o "melhor rio do mundo" é capaz de fazer por nós. 

Basta assistir às procissões diárias dos turistas, jovens de todas as idades, que desembarcam em Cacilhas e percorrem o Cais do Ginjal na direcção dos dois restaurantes com fama internacional ou do Jardim do Rio, o pequeno oásis com relva, que se enche de gente ao fim do dia, que escolhe aquele lugar para se despedir do Sol...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


segunda-feira, maio 25, 2026

Dois livros, dois sentimentos distantes...


Desde o primeiro livro que li da Patti Smith, que me identifico com a sua escrita, com aquilo que ela nos transmite de autêntico da vida, sem usar qualquer tipo de cerimónia para falar de si, dos seus e do mundo. Até porque só conta o que tem de contar...

Foi por isso que adorei o seu "Pão de Anjos".

Sei que nem toda a gente consegue escrever de uma forma simples. O que não faltam por aí são escritores que adoram dar voltas às palavras e rodear os assuntos... Foi isso que senti com o livro que acabei de ler de Fernando Namora, "Jornal sem Data" (o que gostei mais da obra literária foi do título...).

Não é um diário, não é uma autobiografia, é outra coisa qualquer que fica no meio de coisa alguma. Talvez a melhor definição seja a de pequenos rabiscos do quotidiano que foi coleccionando e colando, para engrossar a "lista de títulos". Talvez...

Muitas vezes quer "atirar pedras" aos confrades, mas nem para isso tem coragem, prefere antes "filosofar" à sua volta.

Isso mostra também quem são as pessoas que escrevem, com quem nos apetece entrar no café e pedir licença para beber um chá e trocar algumas palavras, não é Patti?

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, maio 19, 2026

As coisas que pensamos, enquanto o mundo vai passando por nós...


Uma das coisas que os anos fazem, ao passar por nós, é conseguirem com que acreditemos cada vez menos, na espécie humana.

A vida dá-nos demasiado "calo", assim como algumas "bofetadas" sem mãos, que nos vão "acordando para a vida" (tal como ela é e não como devia ser...).

Um dia cansamo-nos de fingir que não percebemos que nos estão a tentar enganar. Outro dia desistimos de ser nós a fechar a porta. Quando damos por ela, descobrimos que estamos cansados de tentar ser "boas pessoas" (o que quer que isso seja, que para muitas pessoas é ser-se parvo...).

Podemos pensar nestas coisas todas a ler um livro... Mas também, sentados num banco, a ver o mundo a passar por nós...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, abril 29, 2026

Uma sociedade em que o "estilo" é um modo de vida...


Noutros tempos, ter estilo, só era entendido como uma vantagem para quem se movia nos meios em que o poder político e económico, ditavam quase todas as leis existentes.

Graças à popularidade do cinema e da televisão, o "estilo" tornou-se uma coisa facilmente copiável, mesmo pelos rapazes e raparigas mais modestos.

Pensei nisto enquanto esperava num banco por alguém que não iria chegar (fui enganado por uma secretária demasiado meticulosa, que me poderia ter dito esta coisa simples, "ele não veio hoje", em vez de me pedir para esperar...).

Ao olhar as pessoas que passavam para um lado e para o outro, vestidas para darem nas vistas, pensei para mim próprio que a coisa mais fácil de ser ter, é um estilo.

Tudo aquilo que se copia, acaba por ser mais fácil de se conseguir, porque apenas se tem de ser bom a "imitar", a "copiar".

Sorri ao pensar que quando se quer ser criativo e original, além de exigir bastante trabalho, pode ser uma chatice...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, abril 22, 2026

O que é que é isso, afinal, de se ser livre?


Sei que há alguma dificuldade, em se perceber, o que é isso, afinal, de se ser livre.

Digo isto por pensar que só conseguimos ser verdadeiramente livres, quando conseguimos respeitar (e até fazer uma vénia) a liberdade, de ser, e de viver, dos outros, que teimam em ser diferentes.

Durante muitos anos achei que o meu pai era o "homem mais livre do mundo", por ter a sensação de que fazia sempre o que queria. Hoje penso de outra forma, porque havia algum egoísmo na sua forma de ser livre (aliás, ele só conseguiu viver como um pássaro sem gaiola, porque a minha mãe sempre o deixou voar para onde lhe apetecia...).

Hoje percebo que ser-se livre, é muito mais do que fazermos o que nos apetece.

A nossa liberdade não deixa de estar ligada a outra palavra, não menos importante, a dignidade. Só somos dignos da palavra liberdade quando conseguimos respeitar, da mesma forma, a nossa liberdade e a liberdade dos outros.

Parece fácil mas não é... É por isso que se confunde tantas vezes o verdadeiro significado da palavra liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 13, 2026

As guerras das mulheres são diferentes das guerras dos homens...


Continuo à espera de um  mundo onde as mulheres consigam alcançar o poder, de uma forma natural, propensas a cometer erros, mas erros diferentes dos que são cometidos pelos homens...

Estou farto das mulheres que quando chegam a cargos de poder se transformam em "homens", sem precisarem de fazer qualquer mudança de sexo. Simplesmente se limitam a continuar a seguir a cartilha masculina de sempre, a exercer o poder como se tivessem uma pila entre as pernas.

Sei que em muitos aspectos, o maior adversário das mulheres nas últimas décadas, têm sido as próprias mulheres, por não conseguirem (ou não quererem...) sair deste registo masculino.

Embora agora até tenhamos mulheres especialistas em guerra, que falam com a mesma desenvoltura dos homens sobre armas e tácticas, nas notícias que abordam a realidade como se ela fosse quase uma ficção, continuo a acreditar que as suas "guerras" são muito diferentes das dos homens...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, março 26, 2026

Escritores, livros e releituras...


Voltei a ler "O Estrangeiro" de Albert Camus, trinta e quatro anos depois...

O mais curioso, foi durante a sua leitura nunca ter sentido a sensação de que "já li isto". Sensação essa que por vezes surge logo no início ou no meio da história.

Sei que não foi por um mero acaso que voltei a reler este livro, muito bem escrito. O filme que está em exibição deve ter tido alguma influência, assim como o facto do livro me ter vindo parar às mãos, quando andava a mudar algumas coisas de sítio, por causa dos efeitos da humidade deste Inverno farto em água em alguns recantos da minha casa.

Agora comecei a ler Jorge Amado, outro autor que não devo ler há uns bons trinta anos. Se nos anos oitenta e noventa do século passado, foi um encanto descobrir este escritor e ler mais de meia dúzia de livros da sua autoria, devo dizer que as suas primeiras cinquenta páginas estão longe de me encantar.

Isto pode muito bem acontecer, porque eu sou outro tipo de leitor. Provavelmente mais exigente e mais crítico. Mas não quero desistir das "Terras do sem Fim", que ao olhar para o título, fiquei com a sensação que nunca o li...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, março 20, 2026

Cargos de responsabilidade que querem transformar em tachos e tachinhos...


Sem fugir muito ao que escrevi ontem sobre a nossa lei maior, a Constituição, percebe-se que aqueles que deviam ser os primeiros a respeitá-la, desvalorizam-na, sempre que podem.

Isso explica a dificuldade que os principais partidos do Parlamento têm, em chegar a acordo para a nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional.

Quando se mete a política e a ideologia à frente da independência e do dever, acontecem coisas destas...

Os últimos governos tanto de Costa como de Montenegro tiveram de alterar vários diplomas porque eram inconstitucionais. Algo que os fazia "trepar paredes", como tem sido o caso do primeiro ministro actual, que nem sequer esconde o incómodo.

Ou seja, aquela que deve ser a principal qualidade na escolha de juízes para o Tribunal Constitucional - a sua independência em relação ao poder político - é a que menos conta nesta "batalha" pela escolha de três juízes. 

O partido do costume, nem tem qualquer problema em dizer que esta é a altura de virar o país para o lado direito (mesmo nos órgãos que devem ser independentes...), como se o PSD já não fosse um partido democrático...

Pois, o problema está aí. Se calhar o PSD já não é o partido que ajudou a construir esta Constituição, mesmo que os seus dirigentes gostem de encher a boca com o nome de Sá Carneiro...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


sábado, fevereiro 21, 2026

Claro que há sempre alguma coisa que se pode fazer...


A ideia quase inocente - e poética - de que tornar o mundo melhor só depende de nós, às vezes faz-me sorrir, outras dá-me cócegas.

Nem tudo é mau, até porque além de me fazer sorrir e coçar, também me faz pensar, e até escrever...

Ter dezoito ou dezanove anos é bom, entre outras coisas, por nos dar uma capacidade de sonhar, quase até ao infinito. 

E continua a ser boa ideia continuarmos a acreditar no poeta, que nos diz que "sonhar é uma constante da vida". Basta olhar para trás para perceber que muitas coisas boas que nos aconteceram, nasceram de sonhos...

Ao contrário do que os espertalhaços deste tempo pensam, ser inocente, nunca foi sinónimo de parvo.

E claro que sim, há sempre alguma coisa que se pode fazer, para tornar esta quase bola onde habitamos, numa coisa melhor, mesmo quando já se tem oitenta anos...

Talvez a mais importante seja olharmos para trás com olhos de ver, não termos medo do passado. É ele que nos ajuda a "ver melhor" e a não cometer o mesmo erro, mais que duas vezes... 

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quinta-feira, fevereiro 19, 2026

A falta de "tempo" para mudar...


De repente, o mau tempo que veio do Atlântico, ultrapassou tudo e todos (até o IPMA...).

Sem estarmos à espera, destapam-se todas as nossas fragilidades, comuns à maior parte dos países, mesmo aqueles do primeiro mundo.

Sim, o Japão e os EUA, apesar do seu poderio económico não conseguem "fintar" a natureza, muito menos, domesticá-la...

Estão sim, melhor preparados, mais habituados, mais "maquinizados" para agir no minuto seguinte...

Raramente ficam paralisados, sem saber qual o próximo passo a dar, muito menos demoram uma semana a reagir...

O mais curioso, é que não é por isso que eles mudam os seus hábitos. Nem tão pouco abandonam as suas casas destruídas, que continuam a ser feitas quase de "papel". 

Por aqui as coisas são diferentes. O vento não nos levou as segundas e terceiras habitações. E quando se fazem contas, são poucos os que podem e conseguem mudar... 

As nossas fragilidades não são apenas físicas e mentais. Há a parte principal, a falta de um lugar menos exposto e que esteja à nossa espera... 

A falta de "tempo" para mudar.... 

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, janeiro 14, 2026

Parece que estou num país diferente...


Quem é mais assíduo no meu "Largo", sabe que o meu transporte preferido para vir de Almada a Lisboa e depois voltar, é o cacilheiro.

A principal razão é o Tejo, mas não é a única.

Hoje, por estar com pressa, acabei por apanhar o metro e depois o comboio. Cheguei mais rápido mas a viagem é muito diferente. Tudo começa e acaba nas pessoas. Quem como eu gosta de "olhar", sente que tudo se torna mais cinzento, mais pesado à nossa volta...

Mas basta pensar um pouco, para perceber o porquê desta mudança. Mudança que por vezes até me faz sentir que estou num país diferente...

O comboio é um transporte de trabalhadores, de gente que já sai de casa angustiada, só de pensar no que a espera nas próximas oito horas... O cacilheiro é uma "zona mista", composta maioritariamente por turistas de todos os mundos. Além de sorrirem mais, também passam o tempo a olhar para as janelas e a deliciarem-se com o Rio.

Esta energia acaba por chegar aos restantes viajantes, que até são capazes de sorrir. 

É como se se deixassem aprisionar pela leveza do sorriso dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, dezembro 24, 2025

Porque é Natal...


Porque é Natal…
 
Esta quadra festiva é de muitas coisas,
quase todas de apenas um só dia.
sejam elas a solidariedade
(que nunca se gasta, pelo menos nos discursos…)
seja a própria reflexão “cristã”
(que muitos católicos querem que seja só deles…)
sobre este tempo que hoje nos divide mais do que nos aproxima.
 
Todos nós caímos na “esparrela”
porque o Natal continua longe de ser quando um “homem quer”…
e festeja-se num só dia do ano.
Parece-nos quase sempre pouco, mas é apenas isso, uma aparência…
é suficiente para juntarmos a família,
é suficiente para oferecermos presentes
é suficiente para nos sentirmos melhores pessoas…
 
E chega de conversa, senão ainda começo a usar as palavras
obrigatórias para se conseguir ser “miss mundo”…
 
Claro que vos desejo BOAS FESTAS,
Mas não limito os votos de SAÚDE, PAZ,
a um só dia, mas sim a todos os dias do ano.

Mas o que realmente todos precisamos
é de uma grande dose de paciência para conseguirmos
sobreviver a este tempo que contraria
os valores humanistas, que nos foram deixados pelo
verdadeiro causador do Natal, Jesus de Nazaré.
(mas até isso os Americanos nos roubaram, ao imporem-nos o gordo das barbas brancas, que se veste como se fosse do Benfica e tem umas renas voadoras que lhe puxam a carroça…)
 
(Fotografia de Luís Eme - Seixal)