Um dos lugares atingidos foi a estrada que liga a Boca do Vento ao Olho de Boi e ao Ginjal.
(Fotografias de Luís Eme - Olho de Boi)
Um dos lugares atingidos foi a estrada que liga a Boca do Vento ao Olho de Boi e ao Ginjal.
(Fotografias de Luís Eme - Olho de Boi)
Reparámos que até nós falamos menos uns com os outros. Desculpámo-nos com o Inverno que este ano decidiu ser um Inverno a sério, com todo o tipo de tropelias. Até obrigou a recolher as duas ou três esplanadas que fazem parte dos nossos roteiros... Bebemos café ao balcão porque detestamos o interior dos cafés e pastelarias com temperaturas de Verão e ofertas simpáticas de vírus de gripes de várias cores.
O Carlos continua a ser o nosso "farol". Só ele mesmo para dizer que: «Fala-se menos para escreve-se mais. Daquelas coisas curtas e grossas que cabem dentro dos telemóveis, que tanto nos podem "derreter" como deixar furibundos.»
É verdade. Mas também se fala menos, porque nos fartámos dos "estranhos" que estão sempre a querer contactar connosco. Pobres diabos, vivem disso, do negócio de "impingir" coisas, seja via telefone seja na rua ou à porta de casa. Palavras sábias da Carla.
O Rui deu mais ainda uma achega a esses tocadores de campainhas, «tu não abres a porta da rua, mas há sempre um estúpido, normalmente do segundo esquerdo, que abre o trinco.»
Sorrimos, sem ir à procura da lógica do segundo esquerdo. Felizmente nenhum de nós mora numa fracção com esse número, para chamar o Rui de mentiroso.
Sabe bem falar com leveza, neste dias pesados...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Durante algum tempo não iremos poder circular em várias estradas deste país, que muitas vezes parece de brincar.
Durante uns dias não iremos falar de outra coisa nas televisões, a não ser que surja por aí uma outra "tragédia de substituição"...
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
Ainda tive tempo de ouvir a miúda de cinco ou seis anos perguntar ao pai: «Ó pai vai chover o ano inteiro?»
Ele não disse nada. Estava entretido a abrir o chapéu e farto de chuva, como todos nós...
Pensei que a minha filha era mais de fazer perguntas que o meu filho. E sempre foi assim pela vida fora. Talvez seja essa a norma, as mulheres são mais curiosas e gostam mais de perguntar...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
Mas pelos estragos divulgados pela televisão (em quase todo o país...), a depressão acabou por fazer mais estragos do que aqueles a que estamos habituados a assistir, ao qual se somam a perda de vidas humanas na zona Centro e no Sul.
Este começo de Inverno é um aviso para todos nós, com frio, chuva, o regresso das cheias, depois de anos a queixarmo-nos da falta de água e de barragens vazias. Só faltavam mesmo as tempestades com vendavais com esta expressão...
Claro que a tendência vai ser para os desiquilíbrios serem cada vez maiores.
Com o que estão a fazer as grandes potências mundiais em relação às alterações climáticas, usando mais carvão que inteligência, o nosso normal será começarmos a ter queda de neve de Norte a Sul e no Verão temperaturas normais a rondarem os 45 graus, também do Minho ao Algarve...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Depois a "Ingrid" não me tem dado grande espaço nas ruas, muito menos nas esplanadas, para ouvir coisas que não têm nada a ver, mesmo que tenham tudo a ver...
Ou seja, quem anda nas ruas, esconde-se dentro de kispos e debaixo de chapéus de chuva, sem vontade para dizer bom dia ou boa tarde.
Quando passei por Cacilhas, no meu passeio higiénico, sem encontrar uma explicação palpável, fiquei a pensar no último encontro que tive com uma pessoa especial, rente ao rio.
Quase do nada ela perguntou-me: «Sonhas muito?»
Olhei-a meio surpreendido, antes de responder: «Jà sonhei mais. Muito mais!»
Pois é, a vida não está grande coisa para sonhos...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Podia dizer que a culpa é da chuva, que não anda para grandes pausas.
E depois parece que a Ingrid está quase a chegar. Sempre gostei deste nome, por causa de uma senhora sueca.
É por isso que não acho que seja nome que se dê a uma tempestade...
Mas não foi por causa da chuva que me esqueci que hoje era dia de cozido...
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
Sim, hoje é quase impossível andar na rua, sem molhar os pés...
Nem sequer podemos beber o café nas esplanadas, temos de olhar para quem passa do lado de dentro dos cafés...
Foi ao balcão, a saborear este liquido que faz elevar a tensão, que pensei que gostar de chuva é coisa de poetas...
Acrescento um quase a esta coisa da chuva ser inspiradora para os poetas e os cronistas do quotidiano. Sei que o grande José Gomes Ferreira e a minha querida Maria Judite (de Carvalho) devem ter escrito coisas bonitas sobre essa coisa pouco agradável de andar de chapéu de chuva aberto pelas ruas. Mas como sabemos, especialmente nestes tempos estranhos, há "malucos" para tudo...
Felizmente, o Inverno do nosso país até permite que deixemos o chapéu de chuva em casa e aproveitemos as várias abertas, tal como a protecção das muitas varandas das avenidas, para conseguirmos ir andando até ao nosso destino, passando quase pelos intervalos dos pingos da chuva.
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Tanta coisa que era para ser feita em Janeiro, que nem sequer chegou ao papel...
Posso encher-me de desculpas, dizer que o tempo não ajudou, que a chuva até chegou ao Algarve.
Mesmo que seja verdade, é uma desculpa. Mais uma desculpa, entre muitas. As desculpas Fazem parte da nossa vida, e coisa curiosa, até nos ajudam a viver...
A única verdade que conheço é que nunca consegui andar à frente do tempo. E agora ainda fico mais para trás...
É por isso que te pergunto: «Quem és tu, tempo?»
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
A Fanfarra dos Bombeiros desfilava e animava a Rua Cândido dos Reis com a sua música. Já quase no seu final os vários vendedores de castanhas e de farturas, preparavam-se para satisfazer as gentes que daí a nada iriam encher a rua e o largo...
Foi quando caíram os primeiros pingos, sem que o Sol fugisse ou quisesse dar tréguas ao mau tempo. O costume era haver uma pausa do mau tempo, enquanto a procissão passava pelas ruas de Cacilhas.
Mas cada vez percebemos menos o tempo (a tragédia do Sul de Espanha, é um bom exemplo...). E, apesar de todos os preparativos, a procissão não saiu mesmo à rua...
Até tivemos direito a uns trovões e tudo...
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas - ainda com Sol...)
Mas toda a semana esteve assim. Ontem também fui às Caldas almoçar com a minha mãe e o meu irmão, e o nevoeiro esteve presente pelo menos até meio da viagem (sem nunca ser cerrado e ainda bem, só depois de Torres Vedras é que o Sol apareceu com alguma genica...).
Mas o que queria mesmo falar era deste sábado, quase sem sol, com aquela humidade matinal que tenta entrar-nos pelos ossos dentro, por ser o título do livro de contos de estreia do Romeu Correia ("Sábado sem Sol"). Isso acontece porque fiquei a pensar nas coisas importantes que não se disseram ontem, no lançamento da segunda edição de "Um Passo em Frente", porque o convite que nos foi feito para falarmos da forma como conhecemos o escritor almadense, levou-nos para uma viagem mais pessoal que colectiva.
Hoje acordei a pensar que o Romeu era quase único, porque conseguia juntar com a mesma mestria a oralidade e a escrita. Ele era um excelente contador de histórias, de sala ou café, além claro, das muitas histórias que conseguia meter dentro dos livros e nos palcos.
Pensei e escrevi mais coisas (até lhe chamei "influenciador"...). Aliás, devemos registar sempre um ou outro apontamento, mais importante, das histórias que nos contam, para que elas posteriormente não se tornem confusas, depois de se misturarem com outras que temos dentro da nossa cabeçinha.
Quando não o faço, por vezes já não sei ao certo qual é o seu verdadeiro "espaço" e "tempo"...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
É uma coisa de sempre.
Como sempre fui muito distraído, desde os tempos de escola que o normal era esquecer-me deles, aqui e ali, assim que aparecia o sol.
É por isso que dou preferência aos chapéus "malabaristas", que conseguimos reduzir quase ao tamanho de um palmo e podem ser guardados no bolso.
O único problema é a sua fraca resistência aos ventos que sopram tanto do Sul como do Norte...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Quem pode, volta aos tempos antigos, volta a dar uso aos fogões e salamandras a lenha. Mas é algo que deve ser mais difícil de acontecer nas grandes cidades, onde a lenha também deve escassear...
Mas não era sobre isso que eu queria falar, era sobre a posição de quase todos os comunistas meus amigos, que continuam a ter uma dificuldade enorme em dizer mal de Putin... Passado todo este tempo, continuam a defenderem-se, e a defenderem-no, com o argumento da existência de "neo-nazis" na Ucrânia e o ódio aos EUA...
Provavelmente nunca irei perceber o porquê, de toda esta "cegueira ideológica"...
(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)
Pode estar um belo dia de Sol e de repente começa a arrefecer e sentes necessidade de arranjar um agasalho, para te protegeres (senti isso hoje à tarde...).
Também pode acontecer o dia nascer cheio de nuvens cinzentas (ontem de manhã, por exemplo...) e uma hora depois, o céu começa a ficar azul, as nuvens vão desaparecendo, quase num "truque" de magia e voltamos ao Verão...
Como não tem chovido por aqui, imagino que as nuvens negras vão "descarregar a sua água" em qualquer lugar...
E depois temos os finais do dia, alaranjados com cheiro ao tal Verão. Podem ter uma ou outra nuvem, mas é apenas para ajudar na composição da fotografia...
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
Quando ouvi a senhora da tabacaria a dizer que «o Inverno ainda não veio. Foi só o frio que chegou.» Percebi perfeitamente o que ela quis dizer.
Estava frio sim, mas os dias continuavam a ser de Sol, até se podia passear na praia e tudo.
Claro que mesmo com Sol, o homem dos sorvetes agora vende castanhas. Ele não é parvo nenhum e sabe que agora o que apetece mesmo são as "quentes e boas"...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
Embora estivesse um frio quase de "rachar", gostei de ver aquele mar mexido, onde dei tantos mergulhos na adolescência e começo de idade adulta, com meia-dúzia de amigos inesquecíveis.
Curiosamente, durante a viagem Almada-Caldas, senti que o microclima do Oeste nem sempre funciona de uma forma negativa. Atravessei Lisboa com chuva ligeira, mas depois de Loures comecei a ver o Sol a espreitar, que acabaria por me acompanhar durante toda a viagem.
No regresso a casa aconteceu a mesma coisa. Embora não tenha apanhado chuva, notei que quando estava a passar por Torres Vedras ainda havia vestígios de água na auto-estrada (que devia ter caído minutos antes...).
(Fotografia de Luís Eme - Foz de Arelho)