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sábado, fevereiro 28, 2026

O Olho de Boi ficou mais longe...


A tempestade também andou por Almada. Felizmente, com menos dramas humanos que na Costa de Caparica ou Porto Brandão.

Um dos lugares atingidos foi a estrada que liga a Boca do Vento ao Olho de Boi e ao Ginjal.


Desta vez a Autarquia não esperou um mês (foram apenas umas três semanas...) para retirar a lama, a terra e os restos de árvores caídos, abrindo de novo a estrada aos moradores e turistas, que tanto gostam deste lado do Tejo. 

Ontem vi uma máquina e um camião a retirar tudo o que resolveu descer da encosta (ou arriba...) e torna ainda mais visíveis as nossas fragilidades naturais, quase sempre olhadas de forma desatenta pelos governos e governantes...

(Fotografias de Luís Eme - Olho de Boi)


quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Sim, fala-se menos e escreve-se mais (coisas curtas e grossas)...


Falámos sobre falarmos menos uns com os outros, em todo o lado, em casa, no trabalho, nas ruas.

Reparámos que até nós falamos menos uns com os outros. Desculpámo-nos com o Inverno que este ano decidiu ser um Inverno a sério, com todo o tipo de tropelias. Até obrigou a recolher as duas ou três esplanadas que fazem parte dos nossos roteiros... Bebemos café ao balcão porque detestamos o interior dos cafés e pastelarias com temperaturas de Verão e ofertas simpáticas de vírus de gripes de várias cores.

O Carlos continua a ser o nosso "farol". Só ele mesmo para dizer que: «Fala-se menos para escreve-se mais. Daquelas coisas curtas e grossas que cabem dentro dos telemóveis, que tanto nos podem "derreter" como deixar furibundos.»

É verdade. Mas também se fala menos, porque nos fartámos dos "estranhos" que estão sempre a querer contactar connosco. Pobres diabos, vivem disso, do negócio de "impingir" coisas, seja via telefone seja na rua ou à porta de casa. Palavras sábias da Carla.

O Rui deu mais ainda uma achega a esses tocadores de campainhas, «tu não abres a porta da rua, mas há sempre um estúpido, normalmente do segundo esquerdo, que abre o trinco.»

Sorrimos, sem ir à procura da lógica do segundo esquerdo. Felizmente nenhum de nós mora numa fracção com esse número, para chamar o Rui de mentiroso.

Sabe bem falar com  leveza, neste dias pesados...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, fevereiro 10, 2026

Durante...


Durante muito tempo não iremos ouvir falar de "seca".

Durante algum tempo não iremos poder circular em várias estradas deste país, que muitas vezes parece de brincar.

Durante uns dias não iremos falar de outra coisa nas televisões, a não ser que surja por aí uma outra "tragédia de substituição"...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, fevereiro 03, 2026

«Ó pai vai chover o ano inteiro?»


Vinha a subir a Emília Pomar e cruzei-me com um pai e uma filha que vinham da Escola dos Cata Ventos e entretanto começaram a cair uns pingos a convidarem-me a acelerar a marcha até casa.

Ainda tive tempo de ouvir a miúda de cinco ou seis anos perguntar ao pai: «Ó pai vai chover o ano inteiro?»

Ele não disse nada. Estava entretido a abrir o chapéu e farto de chuva, como todos nós...

Pensei que a minha filha era mais de fazer perguntas que o meu filho. E sempre foi assim pela vida fora. Talvez seja essa a norma, as mulheres são mais curiosas e gostam mais de perguntar...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, janeiro 29, 2026

Depois da Ingrid chegou a Kristin...


Não sei se os ventos chegaram aos 140 quilómetros (em alguns lugares parece ter ultrapassado...) da mensagem divulgada pela Protecção Civil nos nossos telemóveis, com a chegada da "Kristin".

Mas pelos estragos divulgados pela televisão (em quase todo o país...), a depressão acabou por fazer mais estragos do que aqueles a que estamos habituados a assistir, ao qual se somam a perda de vidas humanas na zona Centro e no Sul.

Este começo de Inverno é um aviso para todos nós, com frio, chuva, o regresso das cheias, depois de anos a queixarmo-nos da falta de água e de barragens vazias. Só faltavam mesmo as tempestades com vendavais com esta expressão...

Claro que a tendência vai ser para os desiquilíbrios serem cada vez maiores.

Com o que estão a fazer as grandes potências mundiais em relação às alterações climáticas, usando mais carvão que inteligência, o nosso normal será começarmos a ter queda de neve de Norte a Sul e no Verão temperaturas normais a rondarem os 45 graus, também do Minho ao Algarve...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, janeiro 25, 2026

A vida não está grande coisa para sonhos...


Quando estou a acabar um livro, deixo de ter tempo para quase tudo, até para a blogosfera, que deixa de ser o habitual espaço de recreação e também de reflexão.

Depois a "Ingrid" não me tem dado grande espaço nas ruas, muito menos nas esplanadas, para ouvir coisas que não têm nada a ver, mesmo que tenham tudo a ver...

Ou seja, quem anda nas ruas, esconde-se dentro de kispos e debaixo de chapéus de chuva, sem vontade para dizer bom dia ou boa tarde.

Quando passei por Cacilhas, no meu passeio higiénico, sem encontrar uma explicação palpável, fiquei a pensar no último encontro que tive com uma pessoa especial, rente ao rio.

Quase do nada ela perguntou-me: «Sonhas muito?»

Olhei-a meio surpreendido, antes de responder: «Jà sonhei mais. Muito mais!»

Pois é, a vida não está grande coisa para sonhos...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, janeiro 22, 2026

Escrever, sem escrever...


Podia escrever sobre muitas coisas, mas não me apetece.

Podia dizer que a culpa é da chuva, que não anda para grandes pausas.

E depois parece que a Ingrid está quase a chegar. Sempre gostei deste nome, por causa de uma senhora sueca. 

É por isso que não acho que seja nome que se dê a uma tempestade...

Mas não foi por causa da chuva que me esqueci que hoje era dia de cozido...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, fevereiro 27, 2025

Gostar da chuva é coisa de poetas e de cronistas do quotidiano...


Temos poucos dias como o de hoje, quase de chuva ininterrupta, mesmo nos piores dias de Inverno.

Sim, hoje é quase impossível andar na rua, sem molhar os pés...

Nem sequer podemos beber o café nas esplanadas, temos de olhar para quem passa do lado de dentro dos cafés...

Foi ao balcão, a saborear este liquido que faz elevar a tensão, que pensei que gostar de chuva é coisa de poetas...

Acrescento um quase a esta coisa da chuva ser inspiradora para os poetas e os cronistas do quotidiano. Sei que o grande José Gomes Ferreira e a minha querida Maria Judite (de Carvalho) devem ter escrito coisas bonitas sobre essa coisa pouco agradável de andar de chapéu de chuva aberto pelas ruas. Mas como sabemos, especialmente nestes tempos estranhos, há "malucos" para tudo...

Felizmente, o Inverno do nosso país até permite que deixemos o chapéu de chuva em casa e aproveitemos as várias abertas, tal como a protecção das muitas varandas das avenidas, para conseguirmos ir andando até ao nosso destino, passando quase pelos intervalos dos pingos da chuva.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, fevereiro 01, 2025

«Quem és tu, tempo?»


Foi quase de repente... e agora é Fevereiro.

Tanta coisa que era para ser feita em Janeiro, que nem sequer chegou ao papel...

Posso encher-me de desculpas, dizer que o tempo não ajudou, que a chuva até chegou ao Algarve.

Mesmo que seja verdade, é uma desculpa. Mais uma desculpa, entre muitas. As desculpas Fazem parte da nossa vida, e coisa curiosa, até nos ajudam a viver...

A única verdade que conheço é que nunca consegui andar à frente do tempo. E agora ainda fico mais para trás...

É por isso que te pergunto: «Quem és tu, tempo?»

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, novembro 01, 2024

O Dia da Procissão de Cacilhas (sem procissão...)


Desci até Cacilhas com o objectivo de carregar o passe e acabei por me cruzar com os primeiros preparativos para a habitual procissão anual, que devia sair daí a minutos da Igreja da Localidade Ribeirinha.

A Fanfarra dos Bombeiros desfilava e animava a Rua Cândido dos Reis com a sua música. Já quase no seu final os vários vendedores de castanhas e de farturas, preparavam-se para satisfazer as gentes que daí a nada iriam encher a rua e o largo...

Foi quando caíram os primeiros pingos, sem que o Sol fugisse ou quisesse dar tréguas ao mau tempo. O costume era haver uma pausa do mau tempo, enquanto a procissão passava pelas ruas de Cacilhas.

Mas cada vez percebemos menos o tempo (a tragédia do Sul de Espanha, é um bom exemplo...). E, apesar de todos os preparativos, a procissão não saiu mesmo à rua... 

Até tivemos direito a uns trovões e tudo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas - ainda com Sol...)


sábado, novembro 18, 2023

Um "Sábado quase sem Sol" (com o Romeu)...


O Inverno aproxima-se a passos largos, com nevoeiros pouco usuais (desde há uma semana, pelo menos, pois no domingo à noite viajei até Setúbal e nunca tinha olhado a Cidade do Sado com tanta nebulosidade. Sem falar da viagem, felizmente havia pouco trânsito (o Sporting-Benfica tinha acabado há pouco e devia haver muita gente ainda "digerir" o resultado...).

Mas toda a semana esteve assim. Ontem também fui às Caldas almoçar com a minha mãe e o meu irmão, e o nevoeiro esteve presente pelo menos até meio da viagem (sem nunca ser cerrado e ainda bem, só depois de Torres Vedras é que o Sol apareceu com alguma genica...).

Mas o que queria mesmo falar era deste sábado, quase sem sol, com aquela humidade matinal que tenta entrar-nos pelos ossos dentro, por ser o título do livro de contos de estreia do Romeu Correia ("Sábado sem Sol"). Isso acontece porque fiquei a pensar nas coisas importantes que não se disseram ontem, no lançamento da segunda edição de "Um Passo em Frente", porque o convite que nos foi feito para falarmos da forma como conhecemos o escritor almadense, levou-nos para uma viagem mais pessoal que colectiva.

Hoje acordei a pensar que o Romeu era quase único, porque conseguia juntar com a mesma mestria a oralidade e a escrita. Ele era um excelente contador de histórias, de sala ou café, além claro, das muitas histórias que conseguia meter dentro dos livros e nos palcos. 

Pensei e escrevi mais coisas (até lhe chamei "influenciador"...). Aliás, devemos registar sempre um ou outro apontamento, mais importante, das histórias que nos contam, para que elas posteriormente não se tornem confusas, depois de se misturarem com outras que temos dentro da nossa cabeçinha.

Quando não o faço, por vezes já não sei ao certo qual é o seu verdadeiro "espaço" e "tempo"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, dezembro 16, 2022

Os Chapéus (pequenos) e a Chuva...


Não gosto muito de guarda-chuvas, apesar de reconhecer a sua utilidade em dias fartos de água, como os destas duas últimas semanas.

É uma coisa de sempre. 

Como sempre fui muito distraído, desde os tempos de escola que o normal era esquecer-me deles, aqui e ali, assim que aparecia o sol. 

É por isso que dou preferência aos chapéus "malabaristas", que conseguimos reduzir quase ao tamanho de um palmo e podem ser guardados no bolso. 

O único problema é a sua fraca resistência aos ventos que sopram tanto do Sul como do Norte...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, novembro 28, 2022

Provavelmente nunca irei perceber, o porquê...


O tempo arrefece e há sempre alguém que lembra, à mesa, das dificuldades que os ucranianos estão a passar, para ultrapassarem o frio, sem o uso da electricidade.

Quem pode, volta aos tempos antigos, volta a dar uso aos fogões e salamandras a lenha. Mas é algo que deve ser mais difícil de acontecer nas grandes cidades, onde a lenha também deve escassear...

Mas não era sobre isso que eu queria falar, era sobre a posição de quase todos os comunistas meus amigos, que continuam a ter uma dificuldade enorme em dizer mal de Putin... Passado todo este tempo, continuam a defenderem-se, e a defenderem-no, com o argumento da existência de "neo-nazis" na Ucrânia e o ódio aos EUA...

Provavelmente nunca irei perceber o porquê, de toda esta "cegueira ideológica"...

(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)


domingo, fevereiro 27, 2022

As Nuvens que Aparecem e Desaparecem...


As alterações climáticas fazem-se sentir de várias formas. Uma das mais visíveis é podermos sentir os ares do Outono, do Inverno, da Primavera e do Verão, num só dia.

Pode estar um belo dia de Sol e de repente começa a arrefecer e sentes necessidade de arranjar um agasalho, para te protegeres (senti isso hoje à tarde...). 

Também pode acontecer o dia nascer cheio de nuvens cinzentas (ontem de manhã, por exemplo...) e uma hora depois, o céu começa a ficar azul, as nuvens vão desaparecendo, quase num "truque" de magia e voltamos ao Verão...

Como não tem chovido por aqui, imagino que as nuvens negras  vão "descarregar a sua água" em qualquer lugar...

E depois temos os finais do dia, alaranjados com cheiro ao tal Verão. Podem ter uma ou outra nuvem, mas é apenas para ajudar na composição da fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sábado, novembro 06, 2021

«O Inverno ainda não veio. Foi só o frio que chegou.»


As pessoas dizem coisas que parecem não ter muito nexo, pela forma descontraída como se usam as palavras.

Quando ouvi a senhora da tabacaria a dizer que «o Inverno ainda não veio. Foi só o frio que chegou.» Percebi perfeitamente o que ela quis dizer. 

Estava frio sim, mas os dias continuavam a ser de Sol, até se podia passear na praia e tudo.  

Claro que mesmo com Sol, o homem dos sorvetes agora vende castanhas. Ele não é parvo nenhum e sabe que agora o que apetece mesmo são as "quentes e boas"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, dezembro 29, 2020

O Microclima do Oeste e o Frio Oceânico...


Hoje fui almoçar com a minha mãe e com o meu irmão e antes resolvi passar pela praia que gosto de chamar "da minha vida". Essa mesmo, a Foz do Arelho. 

Embora estivesse um frio quase de "rachar", gostei de ver aquele mar mexido, onde dei tantos mergulhos na adolescência e começo de idade adulta, com meia-dúzia de amigos inesquecíveis.

Curiosamente, durante a viagem Almada-Caldas, senti que o microclima do Oeste nem sempre funciona de uma forma negativa. Atravessei Lisboa com chuva ligeira, mas depois de Loures comecei a ver o Sol a espreitar, que acabaria por me acompanhar durante toda a viagem.

No regresso a casa aconteceu a mesma coisa. Embora não tenha apanhado chuva, notei que quando estava a passar por Torres Vedras ainda havia vestígios de água na auto-estrada (que devia ter caído minutos antes...). 

(Fotografia de Luís Eme - Foz de Arelho)


domingo, janeiro 19, 2020

O "Adamastor" Está de Passagem pela Minha Rua...


Lá fora alguém sopra, com quase toda a fúria do mundo. Quase que me apetece acreditar que é o "Adamastor", mesmo sem precisar de ir espreitar a janela.

Sei que ele aparecia mais no meio dos oceanos, mas acredito que, uma vez ou outra, era senhor para vir a terra, levantar um destes alvoroços, que deve dobrar as pobres árvores da minha rua, e pela parte que me toca, faz estremecer os estores, a pouco mais de um metro da minha secretária...

(Fotografia Luís Eme - Cova da Piedade)

domingo, dezembro 22, 2019

A Natureza, Sempre Indomável...


Sei que ainda há por aí quem pense que pode "domar" a natureza... Mas o que aconteceu no nosso país, em apenas uma semana (até menos...), transformando um "país seco" num "país molhado", devia servir para muito mais que simples reflexões momentâneas...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quinta-feira, novembro 21, 2019

Estes Dias com Nuvens...


Não há nada como estes dias, que fingem ser de Inverno, para quem gosta de "apanhar boleia das nuvens", e andar por aí, meio perdido, quase à boleia do vento...

(Fotografia de Luis Eme - Monte de Caparica)

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Os Tempos em que Não Existimos...


«São mais, muito mais do que pensamos, os tempos em que não existimos.»

Ainda repliquei que existimos sempre, apenas fingimos que não estamos cá. Nada que convencesse a Rita, que hoje estava diferente, demasiado melancólica para o meu gosto.

Esperava que ela fosse mais longe, mas não. Não lhe apeteceu falar dos seus problemas. Podiam ser coisas de casa, coisa do trabalho... ou deste tempo, do céu cinzento, que nunca fez bem a ninguém.

Depois, já no cacilheiro, senti que ela tinha razão. Há períodos das nossas vidas que estão pintados de branco, onde parece que não se passou nada... pelo menos, marcante, algo que permanecesse na "arca das memórias"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)