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domingo, junho 21, 2026

Já nem é preciso chegar a amanhã para se mentir...


Se eu tivesse dúvidas da paixão que desperta o futebol, em que quase todos querem ter opinião, por mais diversas que sejam, elas dissipavam-se com o que se tem passado com o Mundial.

Nem se pode dizer que a "vox populi" esteja certa, mesmo que faça o mesmo que os comentadores televisivos, num contorcionismo diário, que se normalizou, dando razão a um certo dirigente desportivo que não teve qualquer problema em dizer que no futebol "o que hoje é verdade amanhã é mentira", como se tivesse uma "bola de cristal" para ver o futuro.

É por isso que o nosso "pior do mundo", se marcar um ou dois golos no próximo jogo, corre o risco de voltar a ter de vestir a pele de "salvador da pátria".

Noutros tempos podia-se falar de honestidade ou desonestidade intelectual, mas como estão a querer "matar" e a banir os intelectuais do Planeta, nem vale a pena pensar-se nisso.

A questão mais estranha nisto tudo, foi esta "futebolização televisiva" ter feito "rolar a bola" para todas as áreas, com relevo para a política. Aliás, ainda foi mais longe, nem é preciso chegar a amanhã, para se mentir, como percebemos com os discursos de Montenegro ou Ventura...

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


sábado, janeiro 31, 2026

Quando a realidade supera a ficção...


Apesar dos muitos esforços dos repórteres no terreno, desta vez a televisão não conseguiu suplantar toda a tragédia que assolou a Região Centro, mesmo com transmissões de quase 24 horas diárias. Foi das poucas vezes que a realidade conseguiu superar a ficção.

Infelizmente, o que se passa no terreno, é muito pior do que o que poderemos imaginar...

Não deixa de ser curioso, percebermos que há mais apoio de voluntários que do Estado (que como é costume reage tarde e sempre de forma insuficiente...), até mesmo nas coisas mais básicas, como é a alimentação, com as pessoas comuns a oferecerem e a distribuírem alimentos essenciais a quem mais precisa.

Outro pormenor que nunca falha, é a presença dos "palhaços" do costume, mesmo sem circo. Além dos números habituais do senhor Ventura, há sempre alguém do Governo, que também dá um ar da sua graça. Desta vez foi o senhor Amaro...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quinta-feira, janeiro 01, 2026

Quando quase nada muda...


Quando quase nada muda...

O fogo ilumina os céus,
nas muitas margens do Rio,
Lisboa, Almada, Alcochete, Montijo, Seixal,
são as visíveis.
Acho que ainda há muitas pessoas,
com doze passas no bolso,
outras vestiram cuecas azuis.
Pelo menos, desta vez,
não ouvi o som de tampas de panelas
e estava demasiado distante,
para ver o aceno de notas pardas
de todos aqueles com cara de Montenegro
que querem chegar aos mil golos
como o nosso Ronaldo...

É por isso que é estranha esta sensação
de que quase nada muda...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, dezembro 06, 2025

O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda...


O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda.

Primeiro foram os políticos, agora é a vez dos comentadores dos debates televisivos entre os candidatos a "marcelo", usarem esta palavra enganadora.

Adoram dar notas e fingir que são professores. E tal como estes, "chumbam" os rapazes e as raparigas com quem não "vão à bola".

E nós não devíamos ser tão inocentes. 

Claro que eles não foram, nem são, escolhidos ao acaso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, setembro 15, 2025

Foi aberta a nossa "caixa de pandora"...


As acusações contra um actor e encenador do Porto abriu a nossa "caixa de pandora", onde estão guardados muitos dos casos de assédio e de abusos sexuais do nosso mundo artístico.

Pensava que as histórias que ouvia falar, aqui e ali, iam ficar perdidas no tempo (embora nunca fossem esquecidas pelas vítimas...), porque a globalização e a a popularidade das redes sociais tinham acabado com o nosso tradicional atraso entre países como os  EUA ou o Japão.

Parece que estava enganado. Pelo menos é o que a realidade conta. O "Me Too" está a chegar, com o atraso do costume...

Sim, as denúncias públicas e a desmontagem dos método de trabalhos da escola de teatro do Porto,  onde o assédio e a humilhação, fizeram parte do dia a dia dos alunos (preferencialmente os mais bonitos e mais frágeis), durante anos, parecem ter chegado em força. E o mais provável é que não se fiquem apenas por um actor ou encenador...

Sempre achei estranho que apenas as mulheres se queixassem do abuso de homens, quando os maiores escândalos (e perversões...) sexuais se passavam no mundo masculino, pelo menos nas artes cénicas e na moda (nas europas, nas américas e nas ásias...).

Quem conheceu e conhece (as coisas não devem ter mudado assim tanto...), ainda que de uma forma leve, os bastidores do meio mais apetecível e popular do espectáculo, a televisão, sabe que este sempre foi dominado pelo chamado "lobby gay". E sabe também como se "abriam e fechavam portas"...

A questão que acaba por ficar no ar, é se todas estas denúncias vão ficar apenas por um único caso...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, agosto 28, 2025

Há demasiadas percepções (e repetições) à nossa volta


Sei que é um problema global, mas incomoda-me o rumo que querem dar ao nosso país, com as percepções a sobreporem-se, cada vez mais, à realidade.

Começou com a imigração, seguiu-se a violência... e agora ficamos com a sensação, de que vai haver sempre alguma coisa que irá ser vista com uma lente de aumentar e de "enganar", usada pelos políticos e pelos editores de um jornalismo, que está cada vez mais virado para o espectáculo e menos para a transmissão nua e crua de factos.

Não quero de maneira nenhuma diminuir a área ardida de Portugal, que é trágica e assustadora, mas devo dizer que fiquei aliviado por neste fim de semana que prolonguei por mais dois dias, perceber que não ardeu "tudo" na Serra da Gardunha e nas suas proximidades. 

Durante a viagem entre Almada e Idanha-a-Nova, não encontrei áreas ardidas (tinha receio de me deparar com um país pintado de cinzento...). Só quando me desloquei para o concelho de Penamacor, a caminho de uma das minhas praias fluviais preferidas, vi com os próprios olhos a devastação provocada pelo fogo, mas a alguma distância das povoações. Depois, em conversa com um familiar, que estava na nossa aldeia quando os incêndios estiveram mais críticos e assustadores na Beira Baixa, ele falou-me da nuvem de fumo cinzenta que invadiu toda a região e deixou vestígios nas casas, nos carros, nos campos e até na nossa garganta (no nosso quintal havia pontos negros, que vistos de perto, se percebia que eram pedacinhos minúsculos de carvão...), que levou as pessoas a cobrirem parte do  rosto com as  máscaras que tinham sobrado da pandemia. Mas foi este mesmo familiar que também nos contou que nem todas as aldeias estiveram cercadas pelo fogo, como foi relatado pelas televisões, cada vez mais reféns da desgraça alheia. Assim que ouviu algumas notícias, ligou logo a um amigo, que o descansou e disse que a sua terra não estava cercada como diziam (e felizmente nunca esteve...), que as chamas aproximaram-se apenas de uma das pontas da aldeia e estiveram controladas. Os únicos problemas era o ar ser irrespirável e a temperatura estar acima dos cinquenta graus...

O que acho de mais estranho nisto tudo, foi vermos a RTP, a SIC e a TVI a funcionarem da mesma forma que o CMTV, aumentando, vezes demais os problemas (repetindo as mesmas imagens até  à exaustão...), em vez de os manterem na escala e no tempo real. 

Mas, a pouco e pouco, vamo-nos habituando a esta forma de governar e de dar notícias, em que as ilusões e desilusões que alimentam as "telenovelas", colam-se cada vez mais à realidade, com a cumplicidade de um moedas ou de um montenegro, que são cada vez mais iguais ao ventura. Só lhes falta fazerem os mesmos "números" ridículos que este faz nas redes sociais, ou passarem a vida a correr atrás das televisões (que também o seguem, "religiosamente"...), sempre prontos para tirar dividendos políticos de qualquer desgraça alheia.

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, julho 05, 2025

As "duas vidas" do cinema português, uma para o povo e outra para intelectuais...


Desde que me interesso por cinema, que assisto a discussões intermináveis sobre as fitas portuguesas e os nossos realizadores.

O Mestre Manoel de Oliveira foi sempre uma das figuras mais contestadas, até pelos seus pares, porque a inveja sempre foi, e será, aquela coisa pequenina e quase "terrorista". Embora lhe reconheça alguma lentidão e fixação exagerada nos planos (o que para os seus admiradores mais pacientes é poesia...), ele sempre teve uma ideia  do que é cinema. Ou seja, o seu passado e presente, mereceram todo o apoio que teve, e não apenas para que Oliveira ficasse no "guiness" como o realizador com mais idade e experiência da Sétima Arte. Quem tem um mínimo de conhecimento do que é Arte, sabe que o Mestre Manoel foi um dos nossos melhores artistas.

O que normalmente se discute é o "cinema de autor" e o "filme comercial", como se estes fossem inimigos e não pudessem conviver uns com os outros. E como em tudo na vida, as posições de quem faz estes filmes, em vez de se irem aproximando, vão ficando cada vez mais distantes. O ideal era que não se fizesse cinema apenas para o nosso imaginário (umbigo talvez ficasse melhor...), nem se explorasse tanto o que existe de mais popularucho (a graçola manhosa a querer imitar os senhores Santana e Silva, mas muito longe da sua qualidade...). Ou seja, que se pensasse a sério nos espectadores. Mas o mundo é o que é...

Estou a escrever sobre cinema, porque há dois filmes portugueses em exibição que têm sido olhados de forma diferente pelos críticos. Falo de Portugueses de Vicente do Ó e de A Vida Luminosa de João Rosas. Se o primeiro tem sido "deitado abaixo", o segundo tem sido apreciado pela maioria das pessoas que escrevem nos jornais sobre cinema.

Embora compreenda a "defesa" do filme feita por Vicente (também nos jornais), não acho que ele ganhe alguma coisa em se preocupar mais com terceiros que em explicar as coisas menos compreensíveis do seu filme. 

E pelo que tenho lido, se há fita que seja capaz de me levar de regresso às salas, será A Vida Luminosa do João, porque se aproxima mais do que gosto de ver e sentir no cinema.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 13, 2025

E esta? Os políticos a fingirem querer ser apenas "gente normal"...


Nunca pensei que chegaríamos a um tempo em que os políticos, iriam passar a campanha eleitoral a "fingir" que eram pessoas "normais", preferindo passear-se pelos programas da manhã e da tarde, de entretenimento, que têm como espectadores privilegiados, os pensionistas (que também têm sido "disputados" nos discursos, quer pela AD quer pelo PS...), aos debates ou entrevistas políticas mais sérias, com jornalistas chatos e incómodos.

O giro da coisa, foi tudo ter começado com o actor Luís "Monteverde", que tem andado o tempo todo a fugir da sua empresa que tem um nome quase espacial. Só não estava à espera que ele fosse "copiado" por todos os outros cabeças de lista, da esquerda à direita, que nem aos programas de humor, dizem não.

Não sei o que diriam líderes como Francisco Sá Carneiro, Mário Soares ou Álvaro Cunhal, destes novos tempos e destes políticos, mais de entreter, que de falar de coisas sérias...

Talvez não dissessem, mas pensassem o óbvio: "são muito fraquinhos."

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, abril 22, 2025

O uso e abuso do espectáculo televisivo


Nos últimos anos tem sido assim. Sempre que parte alguém importante, todos os canais televisivos usam e abusam da sua história, com horas e horas de emissão, repetindo e comentando quase sempre as mesmas coisas.

Neste caso particular, parece que querem "enjoarem-nos" do Papa Francisco. Prometem falar dele durante a semana inteira, para depois ser substituído pelo silêncio do costume, ou então por outra "vitima"...

Durante esta semana, vamos assistir também ao espectáculo dos "tudólogos", que de um momento para o outro, se tornaram, "especialistas franciscanos".

"Os donos da televisão" viciaram-se nesta forma tóxica de dar notícias e já não conseguem - nem querem - mudar de registo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, março 27, 2025

O meu aplauso para todos aqueles que amam o teatro e sentem o palco como um "céu"


Não vou falar do que se diz, quase em jeito de piada, de que o Teatro e a crise, são quase "irmãos gémeos".

Vou falar das mulheres e dos homens que gostam (e precisam) de ser outras pessoas, e que amam vestir as "suas peles" nos palcos.

Gostam tanto de teatro, que até são capazes de fingir que têm o público que merecem, mesmo que as salas onde tentam brilhar, tenham demasiados lugares vazios na plateia, mesmo que os preços nem sejam elevados.

Alguns (cada vez menos...), até se dão ao "luxo" de dispensarem a participação em telenovelas, mesmo que isso os obrigue a andar diariamente em transportes públicos, e que jantem mais vezes sopinha que bifes...

É por isso tudo, que digo: "Viva o Teatro!" 

"Vivam todos aqueles para quem o Teatro é a sua vida!"

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, janeiro 20, 2025

Provavelmente, eu é que sou o estranho nesta história...


Não consigo perceber o porquê de tantas horas de emissão televisiva, em directo e em deferido, da tomada de posse de Trump, nos canais noticiosos portugueses.

Sei que não temos tantas notícias como isso no nosso país, muitas vezes por ausência de trabalho de campo e de reportagens próprias. É a explicação que encontro para a tentativa de nos oferecerem informação seguindo as técnicas das telenovela (com "repetições" e "cenas dos próximos episódios...), que começou por ser ensaiada com êxito pelo CMTV, e depois foi copiada por todos aqueles que se fingem "sérios" a transmitir notícias no nosso país.

Também poderá existir alguma subserviência, e até admiração excessiva, ao tal "sonho americano", que só é para alguns. Curiosamente, ou não, o novo governo norte-americano é dominado por multimilionários, que olham o mundo, a partir dos seus investimentos e das suas contas bancárias, e claro, alimentam o "sonho"...

Provavelmente, devo ser eu o estranho nesta história americana, cheia de adjectivos, como o "melhor", o "maior",  o "excepcional", o "único", etc.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, outubro 06, 2024

«Quem tem público é o Benfica, o Porto e o Sporting.»


A conversa estava a ser bastante cultural, quase daquelas antigas, em que parecia que o tempo não escapava e nos dizia que era hora de irmos embora.

Quando chegámos aos "públicos", aliás, à falta dele, na maior parte das actividades culturais, se excluirmos os festivais de música, é que as coisas se tornaram mais complicadas...

O Pedro, por ser alguém mais dado à intelectualidade, começou por dizer que nunca nos preocupámos em criar, e educar, públicos, a ensinar as pessoas a perceberem e a sentirem o porquê das coisas. Coisas essas que nem sempre se explicam com facilidade...

Devia ter alguma razão. Pelo menos alguma.

A Carla disse que era mais profundo que isso. Era sobretudo uma mania portuguesa. Todos tínhamos a mania que cantar, tocar, actuar, pintar, escrever, estavam ao alcance de todos. Havia demasiada mediocridade nas culturas. Deu o exemplo das televisões que apadrinhavam aos fins de semana à tarde, muita desta gente, que cantava e tocava, sem ter o mínimo de qualidade exigível para se apresentarem em público. 

Pois, parece que o problema não é apenas das pessoas que não têm jeito. Há também quem alimente o "circo".

O Rui para salientar que era um problema de educação, deu como exemplo o futebol, que tinha o seu público, criado ainda antes de Abril.

Como gosto de "estragar prazeres", disse-lhe que estava enganado. A maior parte dos estádios e campos de futebol, de Norte a Sul, estão quase sempre vazios. E acrescentei: «Quem tem público é o Benfica, o Porto e o Sporting.»

Baralhei um bocado o jogo, mas claro, que começa tudo na educação. 

Claro que não descobrimos, qual é a melhor forma de "educar" as pessoas para se tornarem espectadores de teatro ou de outra arte ainda mais difícil... 

Todos estávamos de acordo que devia começar na escola. Mas quando e como?

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas. desta vez com legenda: "A cultura anda nua")


quinta-feira, setembro 12, 2024

Quando a mentira parece ter o mesmo peso da verdade...


Depois do jantar já se ouviam ecos da entrevista do antigo presidente do Benfica (que qualquer benfiquista sabia, antecipadamente, que iria ser um ataque pessoal ao presidente actual do Clube, aproveitando as suas fragilidades e as deste Benfica...).

O meu filho perguntou-me se o Luís Filipe Vieira se se voltasse a candidatar, se iria ganhar as eleições no Benfica. Disse-lhe que não. Acrescentei de seguida que, Vieira, Pinto da Costa, Bruno de Carvalho, e outros que tais, não cabem no futebol actual, que terá de ser, forçosamente, mais sério e mais transparente.

Ao dizer isto, sabia que estava apenas a dar a minha opinião.

Voltando à entrevista, o pior de tudo isto, é a existência de um jornalismo de sarjeta, sem contraditório, que desce cada vez mais baixo, passando a maior parte do tempo a "levantar poeiras" e a provocar "incêndios", em todos os sectores da sociedade, como é o praticado pelo grupo do "CM".

Não tenho qualquer dúvida de que o mundo seria um lugar mais saudável sem as Laranjas, os Pintos, os Octávios e gente da mesma laia nas redacções. Para eles vale tudo, desde a criação de factos à exploração do que existe da mais rasca, no ser humano.

Claro que esta gente já existia antes de 2016, só aproveitou o "vale tudo", que cresceu, um pouco por todo o lado, após a eleição de Donald Trump, ao ponto de virar de pernas para o ar, a política, a justiça e o jornalismo, como se a mentira tivesse o mesmo peso da verdade... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, setembro 08, 2024

Tanta coisa que se esconde atrás das vitórias...


A selecção de Portugal ganhou há menos de uma hora, à Escócia, um jogo onde se desperdiçaram muitos golos (algo que têm acontecido demasiadas vezes no "reinado" de Roberto Martinez...).

Não foi um bom jogo de futebol. O golo de Cristiano Ronaldo aos 88 minutos que deu a vitória à "equipa de todos nós" vai voltar a adiar uma discussão generalizada sobre as opções técnicas e tácticas do seleccionador. Opções cada vez mais discutíveis, mesmo que ele não seja parvo nenhum e se perceba, que ele lê, ouve e vê, as críticas que vão aparecendo, aqui e ali (não foi por acaso que convocou o Pote e o Trincão ou colocou o Ronaldo no banco...). Muitas delas com razão de ser, como se viu em mais um jogo, em que é notório que um conjunto que tem dos melhores jogadores do mundo continua longe de ser uma das melhores equipas do mundo...

Continuo sem perceber as "variações" do lateral direito para outras zonas do campo, deixando vezes demais a defesa descompensada (não é por acaso que se sofrem golos "esquisitos", aqui e ali, que até parecem ser falhas dos centrais...). Os nossos melhores jogadores do meio-campo continuam subaproveitados (especialmente o Bernardo Silva...) e os avançados fartam-se de desperdiçar golos com iniciativas individuais. Esquecem-se mais vezes do que deviam, que o futebol é um desporto colectivo e que existem outros jogadores em campo, melhor posicionados para colocar a bola na baliza adversária. Mesmo que estes estejam amontoados dentro e fora da área, porque o sistema táctico do seleccionador, no mínimo, deixa muito a desejar... 

E já nem falo da sensação óbvia, e antiga, de que Ronaldo é o "dono da selecção", e que Martinez só consegue olhar para ele como um "deus" e não como mais um jogador à sua disposição. Ele continua a ser útil à selecção, como se percebeu neste jogo, mas há muito tempo que deixou de ser "indiscutível".

Mas o futebol é isto mesmo. Tanta coisa que se esconde (sempre) atrás das vitórias...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, setembro 01, 2024

Extraordinários exemplos de superação e de alegria...


Não tenho assistido com a mesma assiduidade às competições dos Jogos Paraolímpicos, com que assisti aos Jogos Olímpicos.

Mesmo assim, nas provas a que tenho assistido, noto que transparece um maior companheirismo e também uma grande alegria, só pelo simples facto de estarem ali a participar na maior festa desportiva do mundo.

Mas o que mais me tem impressionado é a alegria destes campeões e campeãs, quando sobem ao pódio e recebem uma medalha, que não precisa de ser a de ouro. Há uma autenticidade expressiva que é capaz de emocionar qualquer pessoa, mesmo os que gostam de fingir que são insensíveis.

Nem quero imaginar o percurso cheio de obstáculos que estas pessoas tiveram de enfrentar, tudo o que passaram até conseguirem chegar aos Jogos. 

São dos mais extraordinários exemplos de superação para todos nós...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, agosto 12, 2024

O ouro inesperado de dois grandes campeões


A primeira imagem que me ficou gravada, depois da vitória inesquecível de Iúri Ribeiro e Rui Oliveira, na competição de ciclismo de pista, foi a alegria genuína dos dois jovens, para quem o sonho do ouro olímpico, era isso mesmo, apenas um sonho.

Mas felizmente há sonhos que se tornam realidade.

Claro que só se tornam realidade, quando se consegue lutar até à exaustão por eles, com espírito de sacrifício, inteligência e com a sorte dos campeões.

E foi isso que o Iúri e o Rui fizeram. 

E depois foi um espectáculo, dentro de outro espectáculo, protagonizado por quem ainda não acreditava no que tinha acontecido. 

Vou ainda mais longe, nunca tinha visto ninguém a cantar o hino de forma tão emotiva e feliz, depois de terem recebido as medalhas.

(fotografia de autor desconhecido retirada do site do "Record")


segunda-feira, junho 17, 2024

Os "filhos do euro"...


Sei que há publicidade e publicidade e que os profissionais do ramo, tentam ir cada vez mais longe.

Não me lembro se os primeiros anúncios sobre os "filhos do euro" já tem nove meses, mas deverão ter. Ou pelo menos deveriam ter.

Falámos sobre isso ao jantar cá por casa, se a taxa da natalidade terá aumentado ou se é apenas mais um anúncio. Todos achámos que não, que um campeonato de futebol não é uma motivação para se encher Portugal de crianças. Mas nunca se sabe...

Já tínhamos falado também sobre as "noivas de Santo António" (acho curioso nunca se falar dos "noivos de Santo António, já faltou mais...), mas aí não estivemos de acordo. Mesmo sem dados estatísticos, achámos que embora seja uma oportunidade, está longe de ter tudo "para dar certo"...

Sim, apesar do "espectáculo" fazer cada vez mais parte da nossa vida, isso não indica que sejamos mais felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, junho 14, 2024

O teatro é cada vez mais outro...


Ontem estive com três amigos do teatro, que aproveitaram a minha visita, para fazerem contas à vida, para depois acrescentarem que os problemas continuam a ser os mesmos de sempre, para quem a vida nunca foi fácil, neste país que faz "gala" em tratar mal os criadores (quase todos, das artes e letras).

Os únicos que escapam a esta "triste sina" na Arte de Talma são a meia-dúzia de actores e actrizes, que gosta do conforto de fazer parte do clube dos "artistas do regime", ao mesmo tempo que enchem revistas com jogos de "verdade e consequência" e "brilham" na primeira fila das telenovelas.

Os subsídios são cada vez mais curtos, os espectadores cada vez visitam menos as salas... 

Eles sabem que o teatro nunca vai acabar, mas também sabem que cada vez haverá menos companhias ou grupos profissionais...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, maio 30, 2024

Embora Galileu no seu tempo preferisse falar de coisas importantes, já sentiu na pele que o "mundo circula (sobretudo) à nossa volta"...


Ao contrário dos meus amigos, não estranhava que as televisões tivessem sido ocupadas por comentadores políticos da "direita central" (se é que isso existe...). O negócio é o mais importante, e não deve dar muito jeito aos accionistas ter por ali "anticapitalistas".

O que eu estranhava mais era a mudança ideológica de alguns. Não falo de quem foi da extrema esquerda na adolescência, porque nessa passagem das nossas vidas, quase tudo nos é permitido e perdoado. Falo de quem podia muito ser caricaturado por Rafael Bordalo Pinheiro, por gostar de usar casacos com dois direitos.

Claro que me chamaram ingénuo, e disseram que eu só conhecia uma parte do "espectáculo televisivo" (ou fingia conhecer...). Para acrescentarem de seguida, que se um jornal no dia seguinte já só serve para embrulhar coisas na drogaria da esquina, na televisão as coisas mudam de minuto a minuto.

Com algum humor acrescentei o vento, que também dá uma ajuda nestas mudanças, o Presidente da República que o diga, o nosso "cata-vento" mais famoso.

Não há volta a dar, os interesses pessoais agora são sempre colocados à frente dos colectivos. Só nas manifestações é que ainda se grita que a "união faz a força".

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, maio 14, 2024

Mais um espectáculo montado pelas televisões (que preferem, sempre que podem, "inventar a realidade")



Estou fartinho de saber que a gente da televisão tem a a mania que inventa a realidade.

Deve ter sido por isso que hoje fomos "bombardeados" (desde manhã cedo...) com inúmeros filmes realizados junto à porta da AIMA, como se só hoje é que se formassem filas intermináveis em busca de uma senha e se passasse a noite por ali a contar a estrelas (tal como acontece em vários centros de saúde...). 

Existem filas, provavelmente desde que foi formada a AIMA.

Gostaria era que resolvessem o problema destas pessoas, que estão cheias de razão (quase todos os serviços públicos, estão povoados de péssimos profissionais que passam o dia a tentar não fazer nada. É por isso que não atendem telefones nem respondem a e-mails, como se quem os procurasse, fosse obrigado a chegar ao "desespero"...), mas sem ser necessário todo este espectáculo, que até contou com a cumplicidade da ministra...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)