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quarta-feira, julho 29, 2026

Não faz mal, não é importante...


Fomos a uma livraria a Vila Real de Santo António e fizemos o que é costume fazer-se nestes lugares, comprar livros.

Houve dois que se colaram logo às minhas mãos, "As Cartas de Berlim" e a "Aguarela de Paris", de Katherine Reay e João Pinto Coelho. Disse-lhes que sim...

Estava já em casa, de regresso às leituras, quando pensei na "perigosidade" de se lerem livros. Acabei por escrever estas palavras no "caderno de desabafos":

«Ler muitos livros é mais perigoso do que parece. Sem te aperceberes vais-te apropriando das palavras dos outros e começas a misturá-las com as tuas... e uns dias depois, olhas-te ao espelho e chamas-te escritor...»

Sei que há tanto de exagero como de realidade nesta frase... 

Não faz mal, não é importante...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


segunda-feira, julho 27, 2026

Quando um simples marcador de livros, se torna quase inseparável...


Uma das poucas colecções que tenho, é de marcadores de livros. Mesmo sem nunca os ter contado, devo ter mais de um milhar, guardados em várias caixas que já foram de sapatos.

Há um deles que me acompanha há meses, já marcou mais de duas dezenas de livros. Começou por ser o "marcador de mesa de cabeceira". Revelou-se de tal forma inseparável, que até veio de férias comigo e com os meus livros.

E agora cheguei a um conclusão. Uma das minha próximas aquisições literárias será "As Cartas de Berlim" da desconhecida (para mim, claro), Katherine Reay...

E apenas porque sim.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


domingo, julho 26, 2026

Malvados preconceitos (e logo a "triplicar")...


Uma das formas que continuo a gostar de "passar tempo" é dentro de livrarias, enquanto as meninas andam a passear dentro das lojas de peças de roupa.

Foi numa dessas passeatas que fui surpreendido ao olhar para uma estante por um título "daqueles", que fazem furor na chamada "literatura de cordel". Quando li o nome do autor (com a fotografia do próprio escarrapachada na capa...), um actor ainda jovem, que aparece nas telenovelas, pensei ter ficado esclarecido.

Aquele título, "Tudo o que nunca te disse, meu amor", percebia-se à légua, que piscava o olho a jovens adolescentes ou pré-adultas (e porque não tias solteironas?). A fotografia na capa, idem idem aspas aspas. E depois a escolha de um actor jovem como escritor romântico (que até pode ter jeitinho para a escrita, mas...), indicava que havia por ali mais comércio que literatura.

Depois de virar as costas, percebi que no que tocava a livros, a minha crítica de capa continuava cheia de preconceitos. E desta vez a "triplicar"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, julho 21, 2026

Olhar pela janela o mundo que está lá fora...


Lá acabei mais uma aventura do inspector Maigret (gosto mais que comissário).

Há sempre pequenas coisas que ficam.

Reparei que tal como o inspector, uma das coisas que gosto, é de olhar para o exterior no lado de dentro das casas, ver o mundo lá fora.

Mas não tem nada que ver com as razões que Georges Simenon invocou nas páginas de "A Defesa de Maigret":

«No seu gabinete, tal como no Boulevard Richard-Lenoir, Maigret tinha o costume de postar-se à janela, olhando para fora, fosse o que fosse: as janelas fronteiras, as árvores, o Sena, os transeuntes. Talvez isso fosse um sinal de claustrofobia. Por todo o lado procurava um contacto com o exterior.»

Eu sei que no meu caso não é claustrofobia. Ganhei este hábito na infância. Ainda recordo com alguma melancolia quando ficava preso à janela da sala, em especial no Inverno, a olhar para a rua e a ver as pessoas a pé, de motorizada ou de bicicleta (carro menos, havia poucos...), a passarem, a desviarem-se ou a andar a saltitar, para fugir às poças de água castanha, porque o alcatrão só  chegaria algum tempo depois ao bairro. E quando passava um carro, era banho certo para quem se deslocava a pé... Para uma criança era um espectáculo digno de se ver.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sábado, julho 11, 2026

Memórias (boas) das praias do Alentejo...


Conheci as praias do Alentejo, quando ainda não estavam muito na moda e era possível fazer "campismo selvagem".

Acho mesmo que só Vila Nova de Milfontes e o Porto Covo é que se começavam a aproximar da Costa de Caparica. Zambujeira do Mar ainda era outra coisa...

A Comporta era uma aldeia, onde era difícil escapar à melga e ao mosquito, por causa dos arrozais e das margens lodosas dos canais do Sado, que ficavam próximas. O mar era parecido com o da "praia da minha vida", com ondas sonoras e quase selvagens... Era quase só para quem tratava o Oceano com bastante familiaridade, como era o nosso caso...

Tudo isto se passou há mais de quarenta anos... no começo dos anos oitenta do século passado. Os únicos estrangeiros que se encontravam na zona eram "hippies", donos de carripanas velhas, que acampavam em qualquer lugar calmo, onde não fossem incomodados...

Até cheguei a conhecer uma ou outra praia perto do Presídio do Pinheiro da Cruz, assim como alguns dos seus guardiões, que acabávamos por descobrir que eram velhos presos, que cumpriam parte das suas penas em regime aberto...

Lembrei-me de tudo isto, apenas porque sim. Mas ainda fui capaz de pensar: "O que será que os milionários fizeram às colónias de melgas e mosquitos, que também escolhiam a zona da Comporta como lugar de férias?"

(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova de Milfontes)


terça-feira, julho 07, 2026

O hábito (quase institucionalizado) do "passa culpa" dos políticos


O PSD por ser o partido em que os seus dirigentes continuam a gostar de "encher a boca" com o nome de Francisco Sá Carneiro, devia lembrar-se da sua prática governativa e de um aviso que ele fazia aos seus ministros e secretários de estado, de que só tinham seis meses para denunciar ou desculparem-se com os erros dos seus antecessores.

Muita coisa mudou na política e nos partidos do poder dos primeiros anos da democracia até aos nossos dias. 

É a explicação óbvia que encontro para a forma como a ministra da Saúde, a ministra do Trabalho e agora o ministro da Educação,  dois anos e alguns meses depois de serem poder, continuarem a apontar o dedo e a culpar o PS do muito que funciona mal nos seus ministérios...

Curiosamente, quando inauguram algo feito pelos antecessores, esquecem-se de falar deles...

Estes exemplos dizem quase tudo sobre os políticos do século XXI, que nunca se serviram tanto das meias verdades e das meias mentiras, para justificar os seus actos.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, maio 28, 2026

Portas que se fecham e uma porta que se abriu...


Ia escrever, parece, mas não há nenhum parece na afirmação. As pessoas vão mesmo cada vez menos ao cinema (eu faço parte do lote...). Os números não enganam.

Até as salas de projecção dos centros comerciais estão a fechar, por míngua de espectadores... Embora aqui se perceba o encerramento, porque estas salas são "lojas", onde se vendem imagens com pipocas, o seu grande objectivo é ganhar dinheiro.

Tem acontecido o mesmo tem pelo interior fora (parece que já chegou ao litoral...), onde já existem várias cidades, com alguma importância social e cultural, sem um único auditório aberto para se verem filmes.

Curiosamente, cada vez há mais fitas portuguesas (sei disso porque ainda leio jornais...). Sei que isso se explica pela facilidade com que hoje qualquer pessoa pode fazer um filme, graças à evolução tecnológica e aos seus baixos custos).

Não sei qual é o verdadeiro objectivo desta "febre" de filmes que falam português. Pode ser a visita a festivais internacionais, ou então, a projecção para os amigos...

Não deixa de ser curioso, que se tenha criado em Almada no último mês um "cine-clube" municipal, no velho Salão das Carochas (esta sala já foi muita coisa e curiosamente foi "sala de cinema" logo depois do 25 de Abril, com a projecção de filmes infanto-juvenis). 

Ainda não me bem informei sobre o assunto, se tem público, embora perceba que o objectivo principal do "Cine-Carochas" é ser um espaço alternativo ao "comércio de filmes", ser uma casa aberta às fitas independentes (talvez as tais dos muitos realizadores portugueses...).

Como de costume não era para escrever nada disto, era para falar de história com cinema. Fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, maio 21, 2026

Quando pensar é uma chatice e o futuro parece ser uma maravilha...


Eu sei que, quem nem sequer usa "smartphone", nos tempos de hoje, é um homem do passado.

Assumo-o. Faço parte daquela esquerda conservadora, que não dá grande espaço às modernices, muitas vezes mais por teimosia que por outra coisa.

Embora não tenha qualquer problema em reconhecer que já uso a "inteligência artificial" há algum tempo, mesmo que nem sempre me aperceba. Os motores de busca são isso mesmo, assim como os "vigilantes", que assim que nos vêem a pesquisar alguma coisa, mesmo que seja só por curiosidade, passam a invadir-nos, diariamente, o ecrã do computador com a tal publicidade. E não me vale de nada ficar chateado, porque eles são insistentes...

Não espero ter de a tratar por tu, apenas porque sim, a mesma justificação que costumo dar por não ter "facebook" ou "instagram".

Foi por isso que fiquei espantado quando ouvi alguém a dizer, que uma das coisas boas da IA, era ajudar-nos a pensar e a tomar melhores decisões no futuro.

Não se pode dizer que estava a olhar para de um "convertido". Era mais que isso. Era alguém que vendia, voluntariamente, a "alma" ao tal futuro que já anda a rondar as nossas portas, entre outras coisas, por não gostar de pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


terça-feira, maio 05, 2026

A cor do sangue e das maneiras...


Sempre me fez confusão que quem nos trata mal esteja à espera de ser bem tratado, seja na rua, numa loja ou mesmo em casa.

Mas acontece...

Talvez seja isso que nos faça perceber que a cor do sangue não deve ser igual para todos, pelo menos em algumas cabecinhas.

É possível que algumas pessoas pensem mesmo que têm sangue azul...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, maio 03, 2026

Festejar a Mãe com o cinema e com os museus...


Embora a minha mãe tenha nascido e crescido numa aldeia, onde nem mesmo a menina mais afortunada, aprendia a tocar piano e francês, nunca lhe passou ao lado a importância das coisas bonitas e curiosas no nosso crescimento.

Hoje ao almoço, nas Caldas, perguntei-lhe por que razão, na minha meninice e na do meu irmão, nos levava às matines do cinema e uma ou outra vez, ao Museu José Malhoa.

Disse-me que isso acontecia por passar muitos domingos sozinha connosco (o pai era caçador e preferia passar os domingos aos tiros que a passear com a família...) e que de vez enquanto, sentia necessidade de arranjar programas diferentes para nós...

Disse-lhe que foi graças a Ela, que gosto tanto de cinema e que me sinto tão bem dentro de museus...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sábado, abril 11, 2026

Achei delicioso alguém me contar que "lia para acordar"...


A expressão mais comum que se ouve, na relação que existe entre os livros, as pessoas e as camas, é "ler para adormecer".

Estava farto de saber que quem vive sozinho pode fazer coisas diferentes de que quem partilha casa com outras pessoas. 

Mas mesmo quando vivemos com os outros, podemos ter um quarto, que é quase como um de hotel, com a porta fechada para o exterior. Acho que hoje isso acaba por ser levado ao extremo pelos nossos filhos, que passam demasiado tempo fechados na sua "divisão de hotel"...

Mas não é sobre isso que quero falar. Até porque, como já perceberam pelo título, é de livros que se trata a conversa.

Livros e leitores. Às vezes lembro-me de ter passado a noite toda a ler (deve-me ter acontecido apenas duas ou três vezes...), quando vivia sozinho e quando um livro (desses que são cada vez mais raros...) me pedia para ser lido da primeira à última página.

Mas a história que vos vou contar é outra. A Zé costuma acordar demasiado cedo, a horas quase indecentes, como seis e meia da manhã. É então que resolve "ler para acordar"...

Sorri quando ouvi a expressão. Sei que todos os leitores que têm livros na cabeceira, já o fizeram, uma ou outra vez. Mas achei delicioso alguém me contar que "lia para acordar"...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sábado, março 28, 2026

Um dia diferente em Salir de Matos...


Hoje à tarde vou apresentar o meu livro, "Uma viagem no tempo com o Padre Felicidade", na aldeia onde nasci - tal como o meu primo Zé, o protagonista do livro -, Salir de Matos, com a colaboração da Teresa.

Aldeia que hoje é Vila... mesmo que para mim, seja sempre "a minha aldeia", onde passei durante anos parte das "férias grandes"...

Há algumas curiosidades, a maior delas deverá ser a presença de muitos familiares, por todas as razões, e mais algumas, na apresentação. E alguns deles ainda não sabem que este livro também acaba por ser um livro da nossa família, dos Alves, pois aparecem, a espaços, a avó, os tios e os primos, dentro das minhas memórias e da própria história...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, março 26, 2026

Escritores, livros e releituras...


Voltei a ler "O Estrangeiro" de Albert Camus, trinta e quatro anos depois...

O mais curioso, foi durante a sua leitura nunca ter sentido a sensação de que "já li isto". Sensação essa que por vezes surge logo no início ou no meio da história.

Sei que não foi por um mero acaso que voltei a reler este livro, muito bem escrito. O filme que está em exibição deve ter tido alguma influência, assim como o facto do livro me ter vindo parar às mãos, quando andava a mudar algumas coisas de sítio, por causa dos efeitos da humidade deste Inverno farto em água em alguns recantos da minha casa.

Agora comecei a ler Jorge Amado, outro autor que não devo ler há uns bons trinta anos. Se nos anos oitenta e noventa do século passado, foi um encanto descobrir este escritor e ler mais de meia dúzia de livros da sua autoria, devo dizer que as suas primeiras cinquenta páginas estão longe de me encantar.

Isto pode muito bem acontecer, porque eu sou outro tipo de leitor. Provavelmente mais exigente e mais crítico. Mas não quero desistir das "Terras do sem Fim", que ao olhar para o título, fiquei com a sensação que nunca o li...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, janeiro 10, 2026

Fotografias, sorrisos e coincidências...


Estava a passar pelo Largo de Cacilhas ao fim da manhã e vi uma moçoila em cima do "vidro/ chão" que mostra as "salgas romanas" a quem passa. Ela ensaiar poses, enquanto outra jovem a ia fotografando com o telemóvel, sem nunca se esquecer de sorrir.

Não resisti e disse-lhe, sem parar, «e agora uma sem sorriso», ela olhou-me e não se ficou, dizendo sem parar de sorrir: «as fotografias ficam bonitas é quando sorrimos».

Sempre a andar respondi-lhe: «isso do sorriso nas fotografias é para o passarinho. Aqui não há passarada.»

E já não voltei a olhar para trás, limitando-me a ouvir o sorriso rasgado da "fotógrafa", que devia estar a fazer caretas à mulher que estava em cima do "vidro/ chão", ambas surpreendidas pelas "bocas" de um qualquer intruso que estava por ali a passar...

Provavelmente nem perceberam a piada do "passarinho", muito menos imaginavam o que tinha escrito por aqui, ontem...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, janeiro 09, 2026

«Porque é que as pessoas se riem tanto "para a fotografia"?»


A pergunta fazia sentido, porque a poucos metros de nós, uma mulher ensaiava várias poses para o companheiro, que usava o telemóvel como máquina fotográfica. Mudava de posição mas mantinha sempre o mesmo sorriso, quase de plástico.

E a pergunta foi: «Porque é que as pessoas se riem tanto "para a fotografia"?» 

Pensei logo na anedota alentejana da Maria que pintava os beiços para ficar mais bonita... Talvez o objectivo do sorriso estivesse ligado à beleza, mesmo que nem sempre resultasse.

E depois falámos de várias coisas, até das pessoas que são mais bonitas quando não estão a sorrir, mesmo que não o saibam.

Em vez do "sobrenatural" do Nelson Rodrigues, apareceu-nos o "natural", que só é possível de se obter, quando estamos completamente distraídos e não precisa de qualquer tipo de encenação.

Foi quando recebi a explicação certa: «Não te lembras de ir ao fotógrafo e ele pedir-te para sorrires para o "passarinho"?»

Estava tudo explicado. A culpa dos sorrisos era dos fotógrafos de estúdio...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, dezembro 23, 2025

O normal deste tempo é discutir e insultar os outros sem razão...


Não é difícil fazermos a pergunta simples e óbvia destes tempos: «porque é que as pessoas estão tão parvas?»

Tanto pode acontecer numa fila, no interior de uma loja, num restaurante ou até numa passadeira, é a coisa mais fácil do mundo vermos alguém a deixar que lhe "salte a tampa". O normal deste tempo é que se discuta e insulte os outros sem se ter razão...

Estás numa fila numa caixa de multibanco, para levantares dinheiro.  Os minutos de espera parecem horas e o casal que está a levantar dinheiro não se despacha, há alguns desistentes e vais passando para a frente. Dez minutos depois o fulano deixa de usar a máquina mas tem o desplante de continuar no mesmo sítio a contar o dinheiro que levantou, sem se preocupar com a bicha que criara, já com mais de meia dúzia de pessoas.

Alguém lhe diz para se desviar da caixa, sem pedir por favor. O que lhe foram dizer...

Desvia-se mas vira-se, furioso, para as pessoas que estão à espera. E nunca mais se calou (a mulher curiosamente desapareceu....). Disparou para todos os lados até para o senhor que estava atrás de mim, que com o ar mais calmo do mundo lhe disse: «Desculpe, mas o senhor não tem razão.»

Isso é que era bom, ele não ter razão!

Ainda disse que estava o tempo que quisesse na máquina. Foi quando uma senhora sexagenária o aconselhou a comprar uma máquina e colocá-la lá em casa, sem perder a compostura...

Deve ter ficado a pensar na possibilidade e afastou-se, mas sem se calar.

O poeta Eduardo dizia que isto estava tudo ligado. E é verdade. Deve existir um dedo do Trump e do Ventura em toda esta irracionalidade...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


domingo, novembro 23, 2025

Só conhecemos os livros depois de os abrirmos e lermos...


Sei que este meu título parece mais uma "lapalissada", que outra coisa, mas é a única forma de chegar ao lugar que quero.

E esse lugar é uma livraria, onde fui à procura de um livro, que não encontrei.

Depois desloquei-me para a estante da poesia - faço quase sempre isso... - e peguei no primeiro livro que estava à minha frente. Abri-o quase a meio e comecei a ler um dos poemas. Agradado, li mais dois. Convencido, trouxe o livro para casa.

O mais curioso, é que apesar de gostar das palavras da poeta (Maria do Rosário Pedreira...), o título dizia-me pouco, levava-me mais para um tratado de anatomia ("O Meu Corpo Humano") que para uma viagem poética.

Ainda bem que estava enganado.

Soube-me muito bem ler todos aqueles poemas, que usavam o corpo humano, quase como um disfarce, para falar de todos nós (sim, andamos todos por ali, no "braço", nos "olhos", no "nariz" ou nos "lábios"...).

Tanta mensagem escondida por debaixo das "unhas" ou do "cabelo"... É preciso ter "cabeça" e "estômago", para escrever coisas tão profundas, bonitas e sérias, num livro de poemas que só é pequeno no tamanho...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, novembro 19, 2025

Tudo isto é tão estranho (mesmo que seja comum no nosso país)...


Não vou falar em particular das buscas de ontem, ligadas à privatização da TAP (feita à pressa pelo governo de Passos Coelho, de uma forma no mínimo duvidosa, com o envolvimento do actual ministro, então secretário de Estado) e à gestão dos dois grupos que geriram a empresa até à pandemia.

Vou falar sim da espera habitual, de anos, da nossa justiça para entrar em campo e fazer buscas. Parece que tanto a Polícia Judiciária como o Ministério Público, gostam sempre de dar tempo aos possíveis arguidos (colectivos ou individuais), para que consigam fazer desaparecer todos os documentos que poderiam servir como provas de crime ou de gestão danosa.

Aconteceu o mesmo com a Operação Marquês, com a venda do Novo Banco ou com os casos de promiscuidade e possível corrupção entre os principais grupos económicos da Madeira e o seu Governo Regional.

Mesmo que seja uma prática comum no nosso país, tudo isto é estranho e pouco normal.

Não é por acaso que quase "todas estas montanhas" na nossa justiça, acabem sempre por "parir (apenas) ratos"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, outubro 16, 2025

Mapas de vidas desenhados nos corpos...


Sei que nem toda a gente sente e é capaz de explicar o porquê das marcas que "escreve" no corpo.

Umas acontecem, apenas por que sim, outras porque se tornou um hábito (o vício não é para aqui chamado...), com a forma e a linha a surgirem quase momentaneamente, na tentativa de tapar mais alguma coisa na palidez dos corpos... Outras têm uma história, quase sempre de amor (com corações, palavras e retratos...).

Pensei nisto, à medida que me aproximava da mulher com corpo de menina que estava parada uns metros à minha frente, a ler e a enviar mensagens, que tinha "demasiado mundo" no corpo para uma adolescente.

Já por perto, percebi que a mulher-menina não tinha pele cor de pele, entre as calças e o top curto. Havia por ali linhas e ondas, quase numa aventura surrealista, que podiam ser mapas de qualquer coisa, ou apenas um desenho escolhido na loja.

Só quando parei para abrir o portão, a um metro daquele corpo desenhado, é que percebi que se tratava de  um mulher com corpo de menina. O barulho do ferrolho fez com que ela se virasse e se enchesse de desculpas, mesmo que não estivesse num território privado. 

A sua voz e o seu rosto ofereceram-lhe o retrato de uma mulher de trinta anos e a adolescente do corpo pequenino bem desenhado desapareceu...

Ficou explicado, aquele quase "mapa-mundo" num corpo feminino, que chegara do lado de lá do Atlântico, onde se fala um português mais adocicado.

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


quinta-feira, outubro 09, 2025

As "mulheres-turistas"...


Não sei explicar porquê, mas cruzo-me com mais "mulheres-turistas" (duas a duas, três a três ou mais), que com "homens-turistas", pelas várias avenidas das duas margens do Tejo.

Fico com a sensação que elas viajam mais que os homens, pelo menos para o nosso país.

Posso estar enganado. Podem ser os meus olhos que se fixam mais nas mulheres.

A única certeza que tenho, é que, pelo menos o Ginjal e o Jardim do Rio são mais visitados pelas mulheres que pelos homens que chegam do mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)