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quinta-feira, abril 02, 2026

Perdedores que são vencedores...


Lembrei-me de um vencedor que sempre foi olhado como um perdedor,  dentro de uma conversa sobre as nossas diferenças, sobre nem todos conseguirmos competir da mesma forma, depende sempre bastante do ambiente que nos rodeia.

Por o desporto ser o lugar onde se distribuem mais rótulos de vencedor e de perdedor, Fernando Mamede veio-me logo à memória.

Talvez ninguém tenha percebido de uma forma tão marcante, que o desporto não é para perdedores, como Mamede. Nem mesmo o facto de ter batido o recorde do Mundo dos dez mil metros com uma grande marca, que perdurou no tempo (cinco anos...), amenizou a imagem que se ficou dele, para todo o sempre...

Como homem frágil que era, deve ter sofrido horrores por lhe colarem na testa a palavra "derrotado", ignorando todos os seus êxitos. Recordo que esteve imbatível durante mais de um ano nos grandes meetings europeus, onde corria  ao lado (aliás, à frente....) dos melhores atletas do mundo. 

Logo o Fernando Mamede que ganhou tanto... Mas as pessoas só têm memória para Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e da Europa...

Infelizmente, a imagem que ficou, foi de que se ganhou muita coisa ao longo da sua carreira, mas foram sempre as provas erradas...

Pois é, a história diz-nos que um vencedor também pode passar por perdedor, mesmo que tenha sido um dos melhores fundistas do mundo, no seu tempo.

(Fotografia de autor desconhecido - que também é uma forma de homenagem a Moniz Pereira, o "Senhor Atletismo", que sempre o apoiou, mesmo nos momentos mais dramáticos)


quinta-feira, maio 29, 2025

Porque é que estas pessoas não se demitem?


Soube-se nos últimos dias que a Federação Portuguesa de Judo foi suspensa pelas instâncias internacionais oficiais, devido a dívidas que ascendem a mais de 800 mil euros.

Embora não esteja em causa a participação dos nossos atletas nas competições internacionais mais importantes do mundo, não poderão concorrer com as cores de Portugal, se entretanto a questão não for resolvida.

O mais curioso (ou não), é que os dirigentes actuais da Federação, em vez de assumirem as suas responsabilidades, dedicam-se ao habitual "passa culpa", apontando o dedo ao antigo presidente (apesar de terem tomado parte no anterior executivo...).

Faz-me muita confusão que esta gente não se demita, pois é demasiado óbvio que são incompetentes para gerir uma federação desportiva. 

Não só estão a prejudicar os nossos atletas, como a imagem do nosso país.

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)


quinta-feira, novembro 30, 2023

Prémios enfiados dentro de "nuvens cinzentas"...


De longe a longe apanho uma ou outra notícia (antigas e raras...) de gente que recusou prémios, normalmente literários, por não os considerar justos... ou apenas por aparecerem tarde demais... 

Antes de Abril não se dava qualquer destaque a estes acontecimentos (bendita "censura", que até protegia os júris dos "prémios literários"), assim como a outros que fossem passíveis de provocar polémica na nossa "santa terrinha".

Lembrei-me disto e doutras coisas, quando cheguei a casa, depois de ter passado pela pista de atletismo municipal e perceber que agora tinha um patrono, que estava longe de ser a grande figura da modalidade no concelho de Almada (vou escrever sobre isso no "Casario").

O mais curioso é que durante a tarde tinha-me deparado com uma entrevista (já com uns anitos) de Rodrigo Guedes de Carvalho, em que ele diz: «O meio literário é uma nuvem cinzenta, sem rosto, cheia de sussurros, uma casta que manobra, que atribui prémios ou que se insinua junto de agentes para traduções e que vai de alguma forma impondo uma ideia do que é bom e do que é mau, sem que ninguém lhe tenha perguntado nada.»

Apeteceu-me sorrir quando recordei um escritor amigo, que já não está entre nós, que me contou da sua felicidade quando recusou um prémio literário, com alguma importância, por sentir que este já chegava tarde demais. Disse-lhes que não precisava nem queria aquele prémio para nada. Mas eles fingiram que não se tinha passado nada e deram o prémio a outro autor, que deve ter ficado feliz da vida...

Sei que isto diz muito de nós, pois nem na atribuição de prémios, ou de outras honrarias, conseguimos ser dignos e justos. Privilegiamos mais a amizade e o compadrio, que a qualidade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 13, 2023

"Dizer o que se quer", para depois se ouvir, o que "não se quer"...


É já antiga a má relação entre Nelson Évora e Pedro Pichardo.

Nelson nunca viu com bons olhos a chegada de Pedro a Portugal e ao Benfica (que ele abandonara, a troco de um melhor contrato por parte do Sporting...). Em pouco tempo passou de "número um" a "número dois" do triplo salto. Pedro além de ganhar mais títulos, ainda bateu os seus recordes com as cores do nosso País.

Com Nelson a caminho da "reforma", pensava que tudo isto já estava sanado. Mas não, passado todo este tempo, o atleta  voltou a colocar em causa a vinda do atleta cubano para o nosso país, assim como o processo da sua nacionalização e a própria Federação de Atletismo. 

E quando se "diz o que se quer", com o objectivo de colocar em causa o outro, pode acabar por se ouvir "o que não se quer"...

Foi o aconteceu ontem. Pedro finalmente respondeu à letra a Nelson (talvez tenha ido longe demais, mas limitou-se a responder a mais uma provocação).

O passado de Nelson Évora distancia-o daquilo que até se poderia chamar, "um português "bacteriologicamente puro" (este expressão é horrível, é quase "nazi"...), pois nasceu na Costa do Marfim e é de cor, e ainda bem. E por isso mesmo, torna ainda mais estranha, esta sua "não aceitação" de Pedro Pichardo como atleta português...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, agosto 06, 2021

Um "Recorde" dos Atletas e dos Clubes (mas não do País e dos Políticos)...


A conquista de quatro medalhas (um "recorde"...) nos Jogos Olímpicos de Tóquio não reflecte, em nada, o panorama desportivo português. 

O apoio do Estado ao desporto continua a ser uma miragem, sem grandes diferenças em relação ao que se passava no final do século XX.

A ausência de uma política desportiva apoiada pelo Estado tornou-se ainda mais evidente durante a pandemia, com a interrupção de toda a actividade desportiva (só o futebol profissional, por movimentar milhões, é que não parou, embora tenha ficado sem público...). O ministro da Educação e o secretário de Estado do Desporto, nem sequer devem ter a noção dos clubes que tiveram de fechar portas no último ano, muito menos do número de pessoas que foram "proibidas" de praticar desporto no último ano e meio.

Isto acontece porque o Estado continua a ser o eterno ausente no que toca ao apoio dado ao desporto escolar e popular. Limita-se a subsidiar e a aplaudir os atletas medalhados, sem ter qualquer preocupação com a base, com a existência de uma política de desenvolvimento desportivo consistente. 

Na maior parte dos países a escola é a base da pirâmide do desporto, com o apoio do Estado, só depois é que aparecem os clubes e o movimento associativo. No nosso país continua a não existir "desporto escolar". Existem sim, alguns professores, que por estarem ligados a clubes, quando lhes aparece um jovem com talento nas aulas, aliciam-nos para se dedicaram às modalidades para as quais revelam talento, abrindo-lhes as portas dos clubes e do desporto federado.

Enquanto o Estado fingir que está, mas não está, as medalhas dos atletas serão apenas o reflexo do seu talento natural e do apoio que recebem dos clubes, e claro, da sua aposta pessoal em chegarem ao topo (com anos e anos de sacrifício e entrega ao treino e à competição...). 

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, agosto 02, 2021

Patrícia "Gigante" (num Jornal de Gigantes)


Raramente compro jornais, mas hoje não resisti à capa de "A Bola", que faz uma bela homenagem a Patrícia Mamona, uma excelente atleta e uma mulher linda, que ontem conquistou a medalha de prata na prova do triplo nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Sei que esta capa inteirinha para a Patrícia também se deve ao futebol ainda estar de férias e à Volta a Portugal ainda não ter começado, mas é mais que merecida.

É bom que o Jornal de Cândido de Oliveira, Vitor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Homero Serpa, Alfredo Farinha, entre tantos outros gigantes do jogo das palavras, de vez enquanto seja um verdadeiro jornal desportivo...


domingo, junho 27, 2021

Escolhas, Opções & Sorte (que muda de lado de vez em quando...)


Não tencionava voltar a falar da Selecção e de Fernando Santos, mesmo que voltássemos a ser campeões europeus, por uma questão muito simples: não me apetecer "escrever no molhado".

Mas a tentação, essa, esteve sempre cá depois dos jogos. Lembro-me de ter pensado o quanto gostava de ser mosca, depois da derrota com a Alemanha, para poder ouvir os comentários de dois treinadores que são tudo menos "resultadistas". Esses mesmo, o Jorge Jesus e o Sérgio Conceição. Imagino as "verdades" que devem ter dito sobre a nossa selecção nas conversas com amigos...

As coisas com a França melhoraram, mas nunca fomos a selecção que deveríamos ser, se pensarmos na alta qualidade dos nossos jogadores. 

Hoje aconteceu a mesma coisa, mesmo que Renato Sanches e Palhinha tenham tentado disfarçar a falta de ligação "crónica" que existe entre a defesa, o meio-campo e o ataque. A insistência em jogadores como Bernardo Silva ou João Moutinho (distantes da frescura física necessária para um jogo deste nível...), só faz com que os seus companheiros tenham de "correr por eles" em várias situações de jogo...

Sei que os belgas não nos foram superiores e que nos faltou a "pontinha de sorte" de outros campeonatos. Mas isso apenas explica que não basta esperar pela sorte, é preciso correr atrás dela...

Mesmo sem saber o que se passa nos treinos, fico sem perceber os "zero minutos" de competição de Nuno Mendes e Pedro Gonçalves (o melhor marcador do nosso campeonato...) neste Europeu. Mesmo Palhinha, só foi a jogo porque aconteceu o que aconteceu com o Danilo no jogo com a França. Ou seja, os jogadores do Sporting foram ao Euro-2021 só para fazer número...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


sábado, março 27, 2021

Uma Selecção Dividida entre o Bom Ambiente e o Futebol Vulgar...


Quando vejo e leio reportagens sobre a nossa selecção, percebo que todos os jogadores estão unidos e lutam pelo mesmo objectivo, muito graças às qualidades humanas de Fernando Santos, treinador e seleccionador nacional. Sente-se que ele gosta de liderar o seu grupo de trabalho como se estivesse no seio de uma família, onde o respeito e a amizade são quem mais ordena.

Mas depois durante os jogos, sinto que apesar de termos dos melhores jogadores do mundo, a equipa raramente joga um futebol próximo do nível das suas qualidades técnicas. Vou mesmo mais longe, no meio-campo e no ataque, quase todos os jogadores parecem estar "deslocados", não ocupam em campo as posições onde obtém mais rendimento. Bernardo Silva, Bruno Fernandes, João Félix, Rúben Neves, Gonçalo Guedes, André Silva (e até mesmo Cristiano Ronaldo, o "vagabundo" da equipa...), perdem-se mais do que se encontram durante os jogos...

É por isso que me interrogo, muitas vezes: "o que é mais importante numa Selecção, a criação de um bom ambiente ou a maximização das capacidades técnicas dos atletas?"

(Fotografia de Luís Eme - Vila Real de Santo António)


domingo, julho 01, 2018

O Dia Seguinte (de apenas mais um espectador de bancada)...


Sei que hoje não é o melhor dia para se falar de futebol e da selecção, que ontem se despediu do Mundial. Mas as coisas são o que são... e a nossa equipa nunca conseguiu ser convincente durante a competição (tal como já acontecera no Europeu, onde algumas alminhas ainda hoje dizem que a Senhora de Fátima, também andou por ali a jogar e nos ajudou a vencer...).

A primeira coisa que eu penso, é que é muito difícil encontrar um treinador perfeito (mesmo quando ele se chama José Mourinho, Fernando Santos ou Leonardo Jardim...), para uma selecção. Conseguir que jogadores que jogam em campeonatos de países como a Espanha, Inglaterra, França, Itália, Escócia, Rússia China, Alemanha, Turquia ou Portugal, em pouco mais de quinze dias, formem uma equipa, é uma tarefa para muito poucos...

Mas há pelo menos um aspecto, em que Fernando Santos é muito bom, bem melhor que os seus antecessores (Scolari, Queirós e Bento): consegue criar um ambiente saudável e solidário à sua volta, deixando bem vincado, que conta com todos os jogadores, que trata da mesma forma (com ele acabaram-se os filhos e os enteados...). Foram vários os jogadores "proscritos", que voltaram a vestir a camisola nacional com ele (Ricardo Carvalho, Ricardo Quaresma, Tiago, Bozingwa - infelizmente Vitor Baía já se tinha retirado e não pode ser reabilitado, ele que foi tratado de forma miserável pelo "treinador das bandeirinhas" e pelos dirigentes de então...) e com sucesso.

Agora como treinador do campo, Fernando é um técnico muito conservador, com tudo o que existe de negativo nesta palavra (joga quase sempre com os mesmos jogadores e com o mesmo modelo de jogo, raramente faz mudanças tácticas, e as substituições que realiza são cirúrgicas, porque normalmente não perde...).

Mas neste Mundial ainda aconteceu outra coisa, quando quis fugir da fama de "conservador", foi "traído" por algumas novas apostas que fez, como foram o caso das em Gonçalo Guedes, Bernardo Silva e Bruno Fernandes, que até para quem está na bancada, pareciam as melhores... Infelizmente nunca estiveram iguais a eles próprios. Medo? Se foi, não se compreende, os dois primeiros jogam nas duas Ligas mais competitivas do Mundo. Fora da posição habitual? Não vou por aí. Sombra de Ronaldo? Provavelmente sim... é sempre um erro jogar para, e com, um único jogador.

A ideia que temos de fora, é que quem lidera tem uma percepção da realidade diferente. Normalmente repara nas coisas demasiado tarde... Esquecemos que para o treinador os onze que estão lá dentro, são os melhores...

Embora tenha dificuldade em encontrar no José Fonte, qualidades para ser titular da selecção, percebo que não há grandes alternativas. A minha "costela" benfiquista diz-me que Fernando Santos devia ter apostado no Bruno Dias, mas podia ser mais um falhanço... E os nossos laterais são tão baixinhos... É também por isso que no meio-campo, devia ter apostado mais no Manuel Fernandes e no Adrien, por serem mais combativos e mais fortes fisicamente que João Mário ou João Moutinho... Em relação ao ataque não digo nada. Cristiano esgotou as "pilhas" nos dois primeiros jogos. Gonçalo Guedes, André Silva, Gelson Martins e Bernardo Silva, estiveram muito abaixo do que valem. Só mesmo Ricardo Quaresma mereceu todos os minutos que jogou...

(Grande lençol! Não era para escrever tanto, mas...)

(Se há alguém que voltou a demonstrar que é um dos melhores guarda-redes do mundo, é Rui Patrício - fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, maio 14, 2018

A Gente sem Memória dos Futebóis...


Todos sabemos que quanto maior é a exposição, mais doloroso é o esquecimento... E não só é mais fácil cair-se no "poço", como este se revela mais fundo. Ou seja, quem convive com o sucesso mediático, sabe muito bem que a "vertigem entre a besta e o bestial", é quase diária...

Onde esta realidade se torna mais evidente, é no mundo do futebol, um negócio capaz de arrastar multidões cegas e facilmente manipuláveis.

A última vítima deste "mundo cão" é Rui Patrício, que depois de ter "salvo" o Sporting de uma derrota em casa com o Benfica, com meia dúzia de defesas só ao alcance dos predestinados, foi o "bode expiatório" escolhido pelos adeptos frustrados pela derrota, no último jogo do campeonato, em que deixou entrar um "frango"... 

Claro que a sua escolha pelos adeptos não acontece por acaso. Ele também tem sido o escolhido pelo presidente como o "cabecilha" do grupo de "jogadores revoltosos", que é preciso varrer para fora do clube.

Rui Patrício felizmente já tem a estátua que merece, na sua Terra Natal, que desta vez nem foi ingrata. E ninguém conseguirá apagar a sua história no Sporting e no nosso país, em que é um dos nossos melhores guarda-redes de sempre (a par de Baia e Damas), nem mesmo um presidente que se julga dono e senhor do clube que devia ser de todos os sportinguistas e não apenas de alguns...

(Fotografia de Autor desconhecido)

sexta-feira, maio 04, 2018

João Sousa nas Meias-Finais do Estoril-Open


Acabou há minutos o jogo de ténis dos quartos de final do "Estoril-Open", com João Sousa a vencer o inglês Kile Edmund, depois de ter vencido o não menos espectacular, Pedro Sousa, nos oitavos. Provavelmente o melhor jogo de sempre disputado entre dois portugueses.

O João é um grande jogador, que já pertenceu ao grupo restrito dos cinquenta melhores do mundo (e tudo indica que irá voltar nesta época...). Os resultados e a sua qualidade fazem com seja o nosso melhor jogador de sempre. Poderá não ser o mais espectacular, mas é o mais forte técnica e psicologicamente, muito graças à sua força, frieza e consistência.

E a partir de agora tudo é possível, até por jogar em casa.

(Fotografia de Autor Desconhecido - retirada do Site de "A Bola")

domingo, outubro 01, 2017

Crónica de um Adeus Esperado (ou talvez não)...


Segundo a tradição - e também legislação - hoje não é dia para falar de partidos, eleições, governantes, etc. É por isso que vou escrever sobre algo de que gosto muito, mas que está povoado de zonas cinzentas, de gente que nunca gostou profundamente de desporto, particularmente de futebol. A única coisa que os motiva são as vitórias dos seus clubes, com a ajuda de árbitros, fiscais de linha ou juristas, demasiado coloridos.

Já disse várias vezes que gosto do Benfica. Penso que a única razão que encontro para "este gostar" é a "magia" da fotografia do José Águas, a sorrir, com a Taça dos Clubes Campeões Europeus, pendurada num quadro na sala da casa do vizinho de cima, no prédio onde vivi a minha meninice, no Bairro dos Arneiros, nas Caldas da Rainha. Até porque lá por casa era tudo "lagarto", a mãe, o pai e o mano.

Mas o que eu quero mesmo é falar de futebol, da actualidade, mas sem me afastar dos relvados. Falar apenas dos jogadores, dos treinadores e da bola. Neste caso particular, falar da "crise" do Benfica, do seu treinador e dos seus jogadores.

Como não tenho a memória curta, não esqueço que o Benfica que praticou melhor futebol nos últimos vinte anos, foi o de Jorge Jesus. Até ao momento Rui Vitória demonstrou ser um bom líder, sereno, competente, mas, talvez demasiado "frio" e "apagado". Pelo menos é essa a ideia que passa, para quem vê a sua equipa do Benfica a jogar, mais calculista que apaixonada por um futebol desgarrado e bonito.

Jorge Jesus só provou, que de facto é um grande treinador, na época seguinte a ter perdido "tudo" (podia ter sido Campeão Nacional, ganhar a Liga Europa e vencer a Taça de Portugal...). Conseguiu colocar os pés no chão e vencer os dois campeonatos seguintes, praticamente com os mesmos jogadores...

Rui Vitória para muitos tem hoje um "teste de fogo", na Madeira. Para mim, nem por isso. O seu verdadeiro teste é conseguir retirar da equipa "jogadores intocáveis", como é o caso de Luisão, que pode ser muito importante como líder no balneário, mas que já não tem capacidade física para ser titular de uma equipa com a grandeza do Benfica. E claro, conseguir que o "Benfica jogue à Benfica" (sempre a querer ganhar, em qualquer relvado...), o que ainda não aconteceu esta época.

Voltando ainda ao Luisão, muito mal vai o Benfica se não tem um jogador com qualidade suficiente para o substituir...

(Fotografia de autor desconhecido - mas eu gostava que fosse do grande Nuno Ferrari)

sábado, setembro 02, 2017

José Freitas e o Tejo


Guardei este cartaz para falar desta homenagem, a um grande nadador de longas distâncias e mais tarde excelente treinador de natação, o lisboeta José Freitas, a quem os piedenses tanto devem, pelo magnífico trabalho que fez na SFUAP, a sua "fábrica" de extraordinários nadadores, como foi o caso da Ana Francisco, Campeã Europeia de Juniores dos 200 metros mariposa.

Não podia haver melhor homenagem, que esta, com mais um abraço de José Freitas ao Tejo, rio onde nadou tantos e tantos quilómetros...

domingo, março 05, 2017

O Surpreendente Nelson Campeão Europeu

Hoje durante um almoço festivo (sem televisão por perto...) falou-se dos campeonatos da Europa de Atletismo, da prata da Patrícia, e claro, do Nelson Évora, na nossa mesa.

Numa mesa com dois sportinguistas e dois benfiquistas, ninguém acreditava na possibilidade de vitória do Nelson, pela grande exigência física do triplo-salto e pela sua idade... Um de nós disse que no atletismo não costumavam existir milagres. 

Mesmo sem qualquer milagre, fiquei extremamente feliz quando soube que o Nelson Évora tinha conquistado o ouro.

Outra coisa que se falou à refeição foi a sua passagem do Benfica para o Sporting. O Manel não tinha gostado nada da mudança e queria que ele ficasse longe das medalhas. Eu como segundo benfiquista da mesa fiz a sua defesa. Com a idade do Nelson não pode haver lugar para romantismos, e se o Sporting lhe ofereceu um ordenado muito superior ao que o Benfica lhe oferecia, ele fez muito bem em mudar...

(Fotografia retirada do site do "D. Notícias")

domingo, julho 31, 2016

O Adeus ao Mestre dos Mestres


Mário Moniz Pereira deixou-nos hoje.

Foi só o maior treinador português de sempre, sendo tratado carinhosamente por todos como o "Senhor Atletismo".

Moniz Pereira, além de ter sido o maior fazedor de campeões de atletismo do mundo, também é um dos técnicos mais titulados de sempre. Se se somarem todos os seus títulos colectivos como treinador de atletismo (nacionais, europeus e mundiais...), Alex Ferguson - que dizem ser o treinador com mais títulos do mundo - fica muito para trás do "Senhor Atletismo".

Tive o grato prazer de privar com ele em diversas ocasiões, dentro e fora do atletismo e jornalismo. Até me fiz sócio da "Associação de Amizade Portugal-Portugal", tocado pelo seu amor a tudo o que é nosso, e por sempre achar - tal como ele - que somos muito melhores do que pensamos.

Mas além do atletismo Moniz Pereira tinha outros amores, como o fado, onde chegou a compor dezenas de músicas que se tornaram sucessos, nas vozes de Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Camané ou Maria da Fé, entre tantos outros fadistas.

Nesta fotografia de quem desconheço a autoria, Moniz Pereira está com Carlos Lopes - um dos nossos "heróis" do Olimpo - que tornou Campeão Olímpico, Recordista e Campeão Mundial.

terça-feira, julho 12, 2016

A Patrícia e o "Futebol-Eucalipto"...


Ontem foi um dia brilhante para o desporto português.

Rui Costa, o nosso ciclista mais talentoso ficou em segundo numa das "etapas-rainhas" da Volta a França.

No Campeonato da Europa de Atletismo que se disputou na Holanda conquistámos no último dia da competição três medalhas de ouro e duas de bronze (grandes Sara Moreira, Patrícia Mamona, Jessica Augusto e Tsanko Arnaudov e equipa feminina da meia-maratona).

Claro que foi o título de Campeão Europeu de Futebol conquistado em Paris que fez o país sair à rua, entre gritos, foguetes, canções e buzinadelas pela noite fora. Porque é sobretudo de futebol que o povo gosta...

No entanto há uma campeã europeia de atletismo que merece um relevo especial aqui no "Largo", a Patrícia Mamona, que fez dois em um. Além de se sagrar campeã do velho continente bateu o recorde nacional feminino do triplo-salto.

(Fotografia retirada do Site "A Bola")

sábado, março 07, 2015

Nelson Évora Campeão Europeu


Nelson Évora é um dos melhores exemplos de alguém que não desiste e é capaz de lutar contra todas as adversidades, dando um passo atrás, mas sempre preparado para dar dois para a frente.

O calvário das lesões, as operações, poderiam ter deitado tudo a perder (até pela elevada exigência física da especialidade que escolheu...), mas não, ai está ele, novamente em grande, preparado pala lutar pelo título olímpico no Rio de Janeiro, no próximo ano.

Conquistou hoje um título que lhe faltava, o de Campeão Europeu do Triplo salto em Pista Coberta.

Grande Nelson!

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Cristiano Ronaldo Sempre foi um Fora de Série


Quando se fazem comparações entre Ronaldo e Messi, os "lugares comuns" mais utilizados para contrabalançar as suas qualidades, são que um é fruto do trabalho e outro da genialidade.

Aconteceu mais uma vez, depois da atribuição da terceira bola de ouro, ao jogador português.

Além destas afirmações terem muitas vezes um objectivo redutor em relação ao talento de Ronaldo, são falsas.

Ronaldo desde menino, nas ruas do seu bairro, em Santo António, e depois no Nacional, mostrou a sua genialidade. Não foi por acaso que com apenas 11 anos, foi contratado pelo Sporting e depois com apenas 18 anos foi para Manchester. Claro que nestas duas últimas etapas, evoluiu muito. Graças à sua dedicação ao treino melhorou os seus índices físicos (é ai que reside a grande diferença entre os dois melhores futebolistas da actualidade) e hoje, além das suas qualidades técnicas, é um atleta fabuloso.

Se me disserem que Cristiano utiliza mais as suas qualidades físicas dentro de campo (a força e a velocidade), que Messi, isso deve-se apenas às características individuais de cada um, não tem a ver com genialidade ou outra coisa qualquer. Aliás, são essas mesmas qualidades físicas e a sua robustez, que fazem com que seja menos protegido pelos árbitros que Messi e sofra marcações implacáveis por alguns defesas irascíveis.

É por tudo isto que acho falaciosas as insistências de que Cristiano é produto do treino e Messi do seu talento individual. Até porque Messi chegou às escolas do Barcelona com 13 anos, onde fez a sua formação como futebolista. Cristiano Ronaldo chegou ainda mais cedo ao Sporting, onde foi muito bem aproveitado pela equipa de Aurélio Pereira e depois continuou a sua evolução no Manchester, com a arte de Alex Ferguson.

Que ninguém tenha dúvidas que Cristiano Ronaldo (e Messi...) é um fora de série e nasceu com um talento único para brilhar nos estádios de futebol. Talento que não se ensina nos treinos...

domingo, setembro 29, 2013

Duas Excepções na "Pátria do Futebol"

Enquanto o habitual "Benfica-Sporting", foi transferido para um "PS-PSD", na noite das Autárquicas, João Sousa tornou-se o primeiro tenista a vencer um torneio ATP (em Kuala Lumpar na Malásia) e o ciclista Rui Costa sagrou-se Campeão Mundial em Florença.


Parabéns aos dois, de um país que tão pouco fez para os merecer.


(As fotografias foram retiradas do site de "A Bola")

segunda-feira, julho 01, 2013

O Futebol com Arte


Tinha pensado montar uma "montra de livros" aqui no "Largo", mas fui "atraiçoado" pela final da Taça das Confederações de Futebol, que o Brasil conquistou ontem, frente à Espanha, com todo o mérito.

Esta competição teve uma coisa muito positiva, apresentou Neymar ao mundo.

E Neymar é mesmo artista, está no patamar dos craques de excepção e penso que num futuro próximo será melhor que Messi e Cristiano Ronaldo. Digo isto porque tem a velocidade de Ronaldo, a arte de Messi, mas tem algo que falta aos dois, a beleza estonteante que imprime a cada lance de ataque.

Com 21 anos de idade, já é muito superior a ambos, quando tinham esta idade.

E também gostei de ver o Brasil derrotar a Espanha, talvez por algum "portuguesismo" e por estar farto daquele jogo curto de "cabine telefónica".

Depois do que aconteceu na última época em Espanha, não consigo ver em Casillas o bom guarda-redes de outros tempos, muito menos apreciar o bom futebol de Xavi e Iniesta, provavelmente por se terem metido em "guerras" que não são as suas, tendo sempre Mourinho como alvo.