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terça-feira, junho 09, 2026

Um homem especial que gosta de livros, papeis, e sobretudo, de liberdade...


Hoje estive no Barreiro, onde assisti na Casa da Cidadania Cabós Gonçalves ao colóquio, "Comer em tempos difíceis", moderado por José Pacheco Pereira.

Os testemunhos do padre-operário, Luís Martins Ferreira, das trabalhadoras da indústria conserveira, Maria Poupinha e Alice Silva e do pescador, Rogério Correia, foram extremamente enriquecedores, de vários tempos, que tinham em comum as grandes dificuldades de se subsistir.

Mas o eu quero relevar é a singularidade do historiador José Pacheco Pereira, que conseguiu fazer da "Ephemera" e dos seus arquivos, o principal centro de história sobre as pessoas e também os objectos comuns, no nosso país.

E que bom que é existirem as antigas instalações fabris da CUF, que se transformaram em arquivos de todo o género de materiais. Todas as pessoas que gostam de guardar coisas, que parecem não ser importantes (para as suas famílias...), têm agora um lugar onde as depositar, distante dos caixotes do lixo...

Como a gratidão não é o nosso forte, nunca iremos agradecer a este homem especial, por tudo que ele tem feito pela nossa história, cultura, literatura e liberdade.

Mas eu estou-lhe muito grato, por entre outras coisas, também gostar de livros, papeis e de liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Barreiro)


domingo, fevereiro 09, 2025

A nossa cidade mais surpreendente...


Não deixa de ser curioso, que a nossa escolha sobre as cidades, que mais nos conseguem surpreender, acabe por ter no começo da lista, algumas daquelas que conhecemos melhor. 

Claro que este efeito surpresa não ganha vida na pequena cidade onde crescemos e tudo nos parece igual. Normalmente, isso acontece sobretudo nas urbes de dimensões razoáveis.

Achei curioso a Rita falar-me do Porto, quase como se a Invicta fosse uma aldeia. Eu sei que o normal é todas as cidades portuguesas parecerem pequenas, quando são colocadas ao lado da Capital. 

Isso não acontece apenas pela dimensão de Lisboa, há também o seu peso histórico e social, mas sobretudo um certo bairrismo, que consegue oferecer arquitecturas, cores, cheiros e olhares diferentes, quando subimos e descemos as mais de sete colinas lisboetas.

Quase todas as vezes que passeio por Lisboa, descubro uma coisa nova. Acho que é por isso que gosto tanto de entrar nos bairros e ruelas menos centrais. Sei sempre que vou ficar surpreendido...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)