quinta-feira, abril 02, 2026

«Sabes tão bem como eu, que viver é tudo menos uma teoria...»


Quando apareceu uma questão mais difícil, na nossa conversa, lá apareceu a simplicidade a querer meter-se com a ciência...

«Sabes tão bem como eu, que viver é tudo menos uma teoria...»

Sabia mesmo...

E depois a conversa continuou, ainda mais para lá das coisas simples, ao encontro da sempre sapiente "sabedoria popular"...

Ela deu-me dois exemplos, apenas dois, que nos levaram para outros lados, como acontece sempre. É verdade, o que não falta nas casas dos ferreiros, são espetos de pau (é uma profissão em extinção, mais dia menos dia, este ditado perde a validade...). E depois lá surgiu aquilo que se pratica cada vez mais, "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

E depois lá chegámos à conclusão, que as pessoas preocupam-se cada vez mais em "sobreviver" e menos em "viver" (e nem sequer fomos para Gaza ou para o Irão...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


Perdedores que são vencedores...


Lembrei-me de um vencedor que sempre foi olhado como um perdedor,  dentro de uma conversa sobre as nossas diferenças, sobre nem todos conseguirmos competir da mesma forma, depende sempre bastante do ambiente que nos rodeia.

Por o desporto ser o lugar onde se distribuem mais rótulos de vencedor e de perdedor, Fernando Mamede veio-me logo à memória.

Talvez ninguém tenha percebido de uma forma tão marcante, que o desporto não é para perdedores, como Mamede. Nem mesmo o facto de ter batido o recorde do Mundo dos dez mil metros com uma grande marca, que perdurou no tempo (cinco anos...), amenizou a imagem que se ficou dele, para todo o sempre...

Como homem frágil que era, deve ter sofrido horrores por lhe colarem na testa a palavra "derrotado", ignorando todos os seus êxitos. Recordo que esteve imbatível durante mais de um ano nos grandes meetings europeus, onde corria  ao lado (aliás, à frente....) dos melhores atletas do mundo. 

Logo o Fernando Mamede que ganhou tanto... Mas as pessoas só têm memória para Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e da Europa...

Infelizmente, a imagem que ficou, foi de que se ganhou muita coisa ao longo da sua carreira, mas foram sempre as provas erradas...

Pois é, a história diz-nos que um vencedor também pode passar por perdedor, mesmo que tenha sido um dos melhores fundistas do mundo, no seu tempo.

(Fotografia de autor desconhecido - que também é uma forma de homenagem a Moniz Pereira, o "Senhor Atletismo", que sempre o apoiou, mesmo nos momentos mais dramáticos)


quarta-feira, abril 01, 2026

Um dia que quase perdeu a graça


A mentira está de tal forma institucionalizada, que as habituais brincadeiras do primeiro dia de Abril quase que deixaram de fazer sentido.

Quem diria que este dia iria perder a graça...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 31, 2026

Querer tentar ser europeia e continuar presa ao Oriente...


Não tinha mais nada que fazer, enquanto viajava de metro entre o Cais Sodré e Alvalade e acabei por focar a minha atenção na mulher jovem que se sentou no banco que ficava à minha frente.

Era uma mulher do Oriente, que fez de conta durante toda a viagem (ela continuou...) que não tinha ninguém à sua frente.

Embora se vestisse como as europeias, nem sequer usava lenço na cabeça, reparei que na sua roupa não se notavam curvas do corpo, nem mesmo os seios. Além das roupas serem largas, colocava o saco que trazia a tiracolo quase como um escudo.

Achei curiosa a forma de tentar ser europeia e continuar presa ao Oriente...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 30, 2026

A deturpação diária da realidade...


A deturpação da realidade é uma constante diária da sociedade actual.

As pessoas que vivem alheadas da realidade e que gostam de criar narrativas paralelas, nunca tiveram um tempo tão propício às suas "invenções", como este em que vivemos.

Não podemos culpar apenas o partido populista, que gosta de normalizar a mentira, a indecência e a falta de respeito pelo próximo. Até porque existe pelo menos um canal de televisão que se alimenta das ficções noticiosas que cria.

O que aconteceu nos balneários do FC Porto, antes da realização do jogo de andebol entre a equipa da casa e o Sporting, diz quase tudo sobre este tempo em que vivemos. 

O cheiro tóxico existente nas instalações portistas quer fizeram com que a equipa leonina se equipasse nos corredores, conseguiu que os dirigentes portistas colocassem a possibilidade de terem sido os sportinguistas a levarem substâncias abrasivas para o balneário, em vez de fazerem um pedido de desculpas público, mais que justificável, aos adversários...

Mesmo que o desporto goste de se afirmar como "um mundo à parte" da sociedade, é uma vergonha o que se passou no Porto. 

Pior que o episódio que fez com que o treinador e um atletas recebessem assistência médica, foi a tentativa do FC Porto de branquear a situação, com as tais narrativas paralelas, que se estão a normalizar, dia após dia.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, março 29, 2026

A solidariedade humana não tem segredos


Houve uma reportagem da CNN no sábado, que me chamou mais a atenção, pela forma como o jornalista em causa (António Gonçalves), faz aqueles perguntas, que no meu entender, fazem parte de uma nova forma de dar notícias, mais primária e infantil (segue-se cada vez mais a cartilha básica e telenovelesca do CMTV...).

Estávamos na região de Leiria, na Marinha Grande, onde a televisão transmitiu um grande exemplo do apoio e de solidariedade, tanto do povo anónimo como de muitas empresas, através da reconstrução de uma casa. As pessoas fizeram o contrário do Governo, apareceram logo, para ajudar quem precisava de ajuda. E respondeu sem palavras à pergunta do jornalista (que estava longe de ser um jovem...). Não, não existem segredos, na solidariedade humana.

Aliás, será muito mau quando passarem a existir segredos na solidariedade. Existe sim, muito companheirismo, muita vontade de ajudar o próximo, que continuam a aparecer nos momentos de maior dificuldade ou de destruição no seio da sociedade.

Apesar dos esforços que existem nestes tempos em nos moldar com um "barro diferente", sinto que o humanismo que reside dentro de nós, é muito difícil de destruir e "emerge" nos momentos mais importantes e difíceis das nossas vidas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, março 28, 2026

Um dia diferente em Salir de Matos...


Hoje à tarde vou apresentar o meu livro, "Uma viagem no tempo com o Padre Felicidade", na aldeia onde nasci - tal como o meu primo Zé, o protagonista do livro -, Salir de Matos, com a colaboração da Teresa.

Aldeia que hoje é Vila... mesmo que para mim, seja sempre "a minha aldeia", onde passei durante anos parte das "férias grandes"...

Há algumas curiosidades, a maior delas deverá ser a presença de muitos familiares, por todas as razões, e mais algumas, na apresentação. E alguns deles ainda não sabem que este livro também acaba por ser um livro da nossa família, dos Alves, pois aparecem, a espaços, a avó, os tios e os primos, dentro das minhas memórias e da própria história...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, março 27, 2026

O teatro é feito com e sobre pessoas...


Hoje é Dia Mundial de Teatro.

Quando penso em teatro, penso em pessoas.

De certa forma fui um felizardo, porque como jornalista pude conhecer e conversar com algumas das nossas grandes figuras dos palcos.

O mais curioso, é que a primeira entrevista que fiz para o meu "Contraponto" nas páginas do Record de domingo, foi com o grande Rui de Carvalho, que acabou de completar a bonita idade de 99 anos. Ainda me recordo da forma cordial como ele me recebeu,  no seu camarim, do Teatro D. Maria II, todo suado, depois de representar o velho "Minetti" de Thomas Bernhard...

Outra excelente memória que tenho é de Mário Viegas, que era mesmo uma personagem, um gigante nos palcos. Houve também tempo para conversar com Luís Miguel Cintra, Raul Solnado, Diogo Infante, João Perry, Filipe Lá Féria, Eugénio Salvador, João Lourenço, José Viana, Nicolau Breyner, João Mota, Joaquim Benite, António Anjos... E claro, com as excelentes Maria do Céu Guerra, Irene Cruz, Beatriz Costa, Rita Ribeiro, Alexandre Lencastre, Eunice Muñoz e Marina Mota.

Nessa altura o mundo e as pessoas eram mais simples...

E, VIVA O TEATRO!

(Fotografia de Luis Eme - a minha homenagem ao Cénico da Incrível Almadense, o único grupo que encenou e representou uma peça da minha autoria...)



quinta-feira, março 26, 2026

Escritores, livros e releituras...


Voltei a ler "O Estrangeiro" de Albert Camus, trinta e quatro anos depois...

O mais curioso, foi durante a sua leitura nunca ter sentido a sensação de que "já li isto". Sensação essa que por vezes surge logo no início ou no meio da história.

Sei que não foi por um mero acaso que voltei a reler este livro, muito bem escrito. O filme que está em exibição deve ter tido alguma influência, assim como o facto do livro me ter vindo parar às mãos, quando andava a mudar algumas coisas de sítio, por causa dos efeitos da humidade deste Inverno farto em água em alguns recantos da minha casa.

Agora comecei a ler Jorge Amado, outro autor que não devo ler há uns bons trinta anos. Se nos anos oitenta e noventa do século passado, foi um encanto descobrir este escritor e ler mais de meia dúzia de livros da sua autoria, devo dizer que as suas primeiras cinquenta páginas estão longe de me encantar.

Isto pode muito bem acontecer, porque eu sou outro tipo de leitor. Provavelmente mais exigente e mais crítico. Mas não quero desistir das "Terras do sem Fim", que ao olhar para o título, fiquei com a sensação que nunca o li...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, março 25, 2026

Tanta coisa que não sei...


Não sei a certo se as aulas de Cidadania, alteravam o nosso comportamento, muito menos se a escola é o lugar certo para nos tornarmos melhores pessoas (claro que sei que tudo começa e acaba em casa, mas a escola podia dar uma ajuda...).

Pensei nestas coisas depois de passar por um homem de uns quarenta anos, que acabara de estacionar o carro e quando saiu, gritou alguns dos nomes feios que conhecia para outro condutor, que entretanto já dera a curva e caminhava para outro planeta e lhe apitara segundos antes.

Provavelmente apitara com razão, o que não faltam nas estradas é gente que não faz uso dos sinais luminosos do carro quando muda de direcção ou estaciona.

O meu lado mais moralista teve vontade de perguntar ao homem, se ficara mais feliz depois de encher a rua de nomes feios. Sabia que se o fizesse, acabaria por sobrar para mim, qualquer coisa ainda mais feia que um "mete-te na tua vida"...

Também pensei que talvez hoje estejamos mais malucos que ontem, e a tendência seja continuarmos a piorar, dia após dia, ignorando algumas palavras calmas, da família do civismo...

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)


terça-feira, março 24, 2026

A "Geração de Sessenta" da Diana


Leio poucos ensaios, mas os que leio são geralmente bons.

Isso acontece por dois motivos: umas vezes são recomendados por amigos, outras objectos de investigação para um possível livro.

Com a "Geração de Sessenta" de Diana Andringa aconteceu um pouco das duas coisas.

É um livro que reúne as entrevistas que a Diana fez para o seu documentário televisivo, "Geração de Sessenta", exibido na RTP, nos já longínquo ano de 1990. Mas não se trata de uma simples passagem de documentário para livro. A autora resolveu criar uma ordem antológica e também cronológica, onde dá um destaque especial às grandes lutas estudantis e à guerra colonial - tanto da parte do colonizador como do colonizado -, com um olhar claro sobre a guerra dos dois dois lados, abordando tanto a questão das deserções e exílios forçados, como as lutas pelas independências do então "Portugal ultramarino".

É um livro intenso, porque é feito de testemunhos, que, além de retratarem muito bem esta época tenebrosa para a nossa juventude, oferece olhares diferentes sobre a mesma temática. E como acontece com os bons livros, ajudam-nos a perceber de forma pormenorizada o que se passou em todas estas batalhas, assim como a forma como elas também foram combatidas por parte do poder, em especial pela sua polícia política, a PIDE.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, março 23, 2026

Saudosismos & relatoriozinhos...


Apetecia-me falar da Eva Cruzeiro a quem os deputados do Chega mandaram ir para "a terra dela", que penso que seja o nosso país (talvez por isso não seja entendido como uma frase racista...), e do deputado do PSD Hugo Carneiro,  que assinou um relatório, a repreender a deputada socialista, porque parece que no nosso Parlamento não "existem racistas"...

O que sei é que o "programa" começa a quer ir longe demais, na aproximação desejada ao dia 24 de Abril de 1974 (e se possível, ainda mais para trás...). Nessa altura parece que só havia "comunistas" e "fascistas", hoje mantém-se a dicotomia, "esquerda", "direita", ao ponto dos extremistas do lado direito já começarem a reivindicar uma "cultura de direita" e a tentar correr com os "perigosos esquerdistas", que ocupam lugares de destaque (a Rita e o Francisco são o começo de qualquer coisa...).

Talvez queiram voltar à "cultura de salão", com um ou dois músicos do regime, dois escritores, dois pintores... e por aí diante, deixando bem claro, que se vai acabar o regabofe da "cultura para todos".

Quem aplaude sem mexer as mãos são os "moedinhas", os "leitõezinhos" e os "carneirinhos", que gostam de se fingir democratas, nem que seja para a fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)