quinta-feira, outubro 08, 2026

"O homem dos pés de barro dourado"

 

O homem dos pés de barro dourado 

Olho para ti e fico a pensar:
“tantas coisas que se esqueceram
de te dizer e de te ensinar”.
Não sei se cresceste antes do tempo ou
se foi o tempo que não te deixou crescer
 
Sei sim, que logo no começo de tudo
surgiu o dinheiro. Muito dinheiro!
Eram muitos, muitos tostões!
Descobriste que ele servia
para comprar mais coisas,
além do pão, da manteiga e do leite…
 
Depois empurraram-te
para o território dos deuses
e tu deixaste que pensassem
que eras muito mais
que um simples mortal
 
Mas ainda não estavas satisfeito.
Nunca estavas.
Querias sempre mais, mais…
 
E quem circulava à tua volta
em vez de te trazer de regresso à Terra
continuava a alimentar o teu ego
e a chamar-te “deus maior”.
 
Fingiam-se esquecidos
de que eras apenas um ser humano,
que os bonecos de cera estavam no 
 museu da madame qualquer coisa.
E a tua estátua na Madeira,
era apenas isso, uma estátua…
 
Esqueceram-te de dizer
que ninguém é maior que o mundo,
por mais talento que tenha…
 
Luís [Alves] Milheiro

(Recorte da capa do "Público" de 2 de Outubro)

Nota: não era para publicar este poema, mas depois de pensar um pouco, disse para os meus botões "porque não?". E ele aqui está. Foi a minha primeira reacção a tudo o que se passou...


quarta-feira, outubro 07, 2026

Claro que é possível, claro que há mais mundo...


Passei dois dias a cruzar-me com pessoas, sem que estas me falassem do "fenómeno" mundial, que segundo as vozes e as nozes do planeta, é quem tem mais seguidores nas redes sociais em todo o mundo.

Falámos de Paris, do Outubro de 26, que pela banalização da violência nunca será "Maio de 68". Evitámos falar do Brasil, por sentirmos que, tal como tinha acontecido nas últimas eleições dos EUA, estão a disputar o poder dois candidatos errados (para quem está de fora e não vota, claro...).

E foi disso que falámos, da ausência, cada vez mais notória, de políticos credíveis, no topo das listas dos partidos, inclusive no nosso país. Das portas abertas de par em par para os "populistas"...

Alguns pais com filhos em idade escolar, queixaram-se da falta de professores neste início de ano lectivo em disciplinas importantes, com são a Biologia ou a Matemática.

Aliás, foi a propósito deste assunto, que o Carlos fez das suas e ofereceu-nos uma directa, quase disfarçada: «Abençoados telefonemas que o operário Luís faz. Este para o "DFT" (depois explicou o significado da sigla, "dono do futebol todo"), enfiou no fundo da gaveta todos os seus problemas, até o doutor Neves. Pelo menos até à próxima pequena grande questão governamental, só se fala do CR7.»

Mais uma vez, ninguém desenvolveu o assunto. 

Sei que uns dizem que isto acontece por sermos "invejosos". Mas acho que não. Quando se inveja, não se inveja em silêncio...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 06, 2026

Quando o "rei" resolve atirar a coroa ao chão...


Tudo o que rodeia a "fuga" da Selecção de Cristiano Ronaldo, tem dado azo a comportamentos e posições completamente surrealistas, tanto por parte dos seus amigos como dos inimigos (até Manuel José deu à costa...) de Jorge Jesus.

Embora reconheça que foram cometidos erros por todas as partes envolvidas (Federação, Jesus e Ronaldo), há um facto indesmentível: quem abandonou o estágio da Selecção foi o Cristiano. E como tal, terá de arcar com as suas responsabilidades. Ainda por cima era o capitão da equipa. 

Nunca pensei assistir a tantas manobras de diversão, vindas de Espanha, de Inglaterra, da Arábia e também do nosso país.

Embora seja público que Cristiano Ronaldo é o segundo maior accionista da Medialivre (com 30%), dona dos canais "CMTV", "NOW" e dos jornais "Record" e "Correio da Manhã", é confrangedor o papel de alguns jornalistas (Pedro Sousa e Vitor Pinto são dois bons exemplos), a tentarem defender o indefensável e a criar factos sem qualquer credibilidade. É uma vergonha nem sequer disfarçarem, que são "a voz do dono"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, outubro 05, 2026

A Incrível Almadense festeja o seu 178.º aniversário


Hoje realizou-se mais uma Sessão Solene da Incrível Almadense, que se faz coincidir quase sempre com o feriado 5 de Outubro, porque sempre se sentiu bem a festejar o Associativismo, a República e a Democracia, mesmo em ditadura.

Há uns três ou quatro anos que não aparecia no Salão de Festas, neste dia especial, que se costuma encher de gente, de música e de palavras (mesmo das desnecessárias...). Mas é sempre uma alegria estar na nossa Incrível.

Gostei muito de ver a homenagem, feita através de imagens, de alguns bons amigos que já nos deixaram, mas fazem parte da história da Incrível, nas partes laterais do palco (os meus queridos Carlos Alberto, Carlos Guilherme, Joaquim Brás e Orlando Laranjeiro e também António Henriques, Alfredo Guaparrão e Malaquias de Lemos), assim como a projecção dos seus rostos e de algumas palavras.

Foi muito bom sentir, ao vivo, que a Banda de Música continua a proporcionar-nos belos concertos filarmónicos, com uma boa conjugação de experiência e de juventude na sua composição.

De entre os amigos que revi, houve dois especiais, o Vitor e a Andreia, que já não via há algum tempo.

Depois veio a parte chata, os discursos. Desta vez demasiado politizados. Os cumprimentos costumavam ser dados pelas outras colectividades do Concelho, nunca por partidos políticos (os representantes do Poder Local não contavam...). Por não gostar da intervenção do representante do PCP, assim que começou a falar a representante da Iniciativa Liberal, vi-me embora.

Tenho cada vez menos paciência para quem continua a tentar servir-se das colectividades.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, outubro 04, 2026

Os deputados da vergonha (mesmo no interior das suas famílias)...


Eu estou farto de saber que o mundo nunca foi a apenas "preto e branco". Há toda uma paleta de cores, que faz com que o mundo seja muito mais coisas, do que aquelas que imaginamos.

E ainda fico algumas vezes surpreendido com as histórias que me contam. É por isso que me apetece usar o slogan comercial mais popular do Pessoa sobre a bebida pela qual Salazar nunca morreu de amores: "primeiro estranha-se, depois entranha-se"...

Não fazia ideia que no interior de algumas das chamadas "boas famílias", se dizia o pior possível do Chega, por estas saberem "o que a casa gastava". O partido tinha imergido no seu seio, com os seus piores elementos, ou seja, com os filhos que eles nunca escolheriam para gerir as suas empresas ou os seus interesses. O que lhes faltava em competência, sobrava em esperteza e isso nunca foi bom para os negócios. Aquele "vale tudo" assustava-os, por saberem que normalmente era isso que os levava à ruína.

Alguns mais desbocados, nem sequer escondiam a vergonha que sentiam pelas tristes figuras que os seus familiares faziam no Parlamento.

Claro que também sei que há muitas outras famílias do "antigo regime", que se sentem orgulhosas do crescimento do Chega, por terem a sensação de que o 24 de Abril já esteve mais longe...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 03, 2026

Tem de existir um terceiro caminho...


Olhando à nossa volta, fico com a sensação de que o mundo está condenado a tornar-se, cada vez mais, um "campo de idiotas". 

Não é difícil de perceber que o espaço público está, cada vez mais, dominado por gente burra e espertalhaça, que usa tudo aquilo que choca e abana com os chamados valores e regras sociais, para ganhar poder e subir mais um passo na chamada "fama", para pertencer ao "clube dos famosos". 

Invadem os vários canais da internet, assim como a televisão e a rádio (os jornais tentam escapar, mas também já têm os "idiotas" que merecem...) e mentem, manipulam, desprezam, apontam dedos, soltam gargalhadas, tentam ditar leis, contrariando tudo aquilo que nos tem caracterizado como seres humanos.

O pior de tudo, é que parece que só temos dois caminhos à escolha: sermos uma "sociedade de idiotas" livres, ou um "rebanho de idiotas" teleguiado por um "idiota-rei", que no consumo externo se assemelha com Trump, e no interno com um Ventura, ambos capazes de tudo para atingirem os seus fins.

Continuo convencido que existe um terceiro caminho. Mesmo sabendo que é cada vez mais difícil lutar contra este modelo de sociedade, que glorifica a estupidez e alimenta o pensamento único.

Os próximos tempos vão ditar muito do nosso futuro. Para já, o Brasil e a França estão no meio do "furacão"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, outubro 02, 2026

Apetece-me dizer: "talvez um dia te encontre..."


Eu sei que este título sugere o nome de uma canção, de um filme, de um poema ou de uma crónica "daquelas"...

Ainda por cima o talvez, quase que nos afasta da "vida como ela é"... mesmo que ela viva cheia deles.

O que é certo é que aconteceu uma coisa, no mínimo curiosa, em menos de meia-hora. Aliás três coisas.

Fui buscar uma encomenda para a minha filha e ao passar perto do prédio de um amigo, telefonei-lhe. Ao dizer-lhe que estava próximo da sua casa, ele disse que descia num minuto para bebermos um café na pastelaria do rés de chão.

Mal entro dou de caras com uma amiga, que estava a acabar de tomar o pequeno-almoço. Cumprimentámo-nos e fiquei a saber que agora trabalha ali ao lado (quando se é é funcionário autárquico, muda-se vezes sem conta de local de trabalho, umas porque mudam os partidos, outras porque mudam as chefias... e outras ainda, apenas porque sim).

Em menos de cinco minutos falámos das coisas que fazemos e gostamos (fotografia e literatura...), porque ela tinha de ir trabalhar... e o meu amigo entretanto chegara. Combinámos beber um café um dia destes, com tempo, para contar coisas um ao outro.

Já sentado e com outra conversa, também rápida (estava com os minutos contados, não estava à espera que ele estivesse disponível para um café, apenas me lembrei de dizer um olá...) e boa. As mesmas palavras na despedida, ele disse que um dia destes aparecia no "Repuxo", para termos uma conversa de tudo menos de médico.

Já na paragem do metro, telefono à minha filha, para lhe dizer que estava quase a chegar. Olho para o lado e vejo chegar outro amigo. Aproximo-me e digo-lhe que não precisa de fingir que não me viu. Cumprimentamo-nos com um sorriso e chega o transporte. Em menos de cinco minutos, a quantidade de informação que partilhámos um com o outro! Não nos calámos até chegarmos à minha paragem... E mais uma promessa de  uma conversa de café, das boas, sem relógios...

A vida é isto. Dias e dias em que não encontramos um único rosto familiar, nas ruas ou nos transportes e em apenas trinta minutos acontecem três bons encontros com amigos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, outubro 01, 2026

«Anda a esconder o quê?»


A pergunta foi directa e provocatória. «Anda a esconder o quê?»

Por isso mesmo, só devia ter uma resposta ainda mais curta, das que não dão grande margem para outras questões: «Tudo!»

Percebi que aquela mulher era das que não desistem, das que querem saber tudo. E continuou a insistir: «Havia um concurso na televisão, acho que era "Com a verdade me enganas". É capaz de ir ao seu encontro.»

Continuei a responder usando apenas uma palavra: «Provavelmente...» Ela nem por isso.

«No outro dia falava pelos cotovelos com os seus amigos, homens. Só é assim com as mulheres?»

Ela queria ir ainda mais longe e eu estava decidido a não abandonar o "jogo de uma só palavra" e afirmei: «Só.»

Depois da troca de olhares entre as cinco pessoas daquela mesa de café, surgiu uma gargalhada sonora, que abanou a "alma de perguntadora" da jornalista sem jornal, quase da minha geração.

Depois surgiram outras conversas e a minha singularidade, de ser o único na mesa sem smartphone e redes sociais, deixou de ser assunto. Claro que isso não iria evitar que existissem mais pessoas a pensar que quem não tem "facebook", "instagram" ou "tik-tok", tem uma data de armários fechados em casa.

Outro aspecto curioso, foi eu ter falado nos "blogues" e isso não ter despertado qualquer reacção, positiva ou negativa...

Só espero que, com o tempo, estas singularidades não se tornem um "caso de polícia"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 30, 2026

Quando a vida se torna um processo lento e agonizante de "desintegração social"...


Deverá haver muitos exemplos por aí de gente do mundo da representação, que começa a ver o trabalho escassear, quando o cabelo começa a mudar de cor e o corpo deixa de ser apelativo e desejável.

Há uns anos foi pública a morte de um antigo actor, abandonado e esquecido num pequena tenda, que foi a sua "última casa". 

Na semana passada cruzei-me nas ruas de Almada, com um actor que aparecia na televisão dentro das telenovelas, com a barba por fazer e a roupa amarrotada. Fiquei a pensar que, talvez estivesse a ser obrigado a fazer o papel mais ingrato da sua vida...

Quando contei este episódio a um amigo, que tem uma outra vida dentro das redes sociais, contou-me a história deste homem dos teatros, que devia ter mais ou menos a nossa idade. A parte das mulheres, dos filhos e dos enteados, ou das dependências, seria notícia em algumas revistas, mas eu prefiro ir ao mais importante...

Numa altura em que se discute, mais uma vez, a lei dos arrendamentos no Parlamento, com os governantes a focarem a sua atenção nos problemas  dos senhorios e quase a dizerem, "quem for inquilino que se lixe", o seu exemplo acaba por ser uma banalidade. Sim, o normal dos últimos dez anos, é as pessoas com ordenados baixos serem obrigadas a refazer as suas vidas e deixar Lisboa, mudando-se para o Feijó, a Arrentela, o Cacém ou a Reboleira...

O mais curioso desta história,  foi o meu companheiro de mesa achar, que no meio disto tudo ele até era um sortudo. Porque, graças ao irmão, que sempre foi campista, em vez de se ter de mudar para uma tenda ou vão de escada, passou a viver na roulote deste, que faz parte do material fixo de um dos parques da Costa de Caparica, há vários anos.

Quando toda a gente está preocupada com um sujeito que usa sapatos e ténis de marca, para esconder os seus "pés de barro", viaja de jacto particular e tem mansões espalhadas por todo o lado, eu tinha logo de vir para aqui com um exemplo banal e manhoso, de quando a vida se torna um processo lento e agonizante de "desintegração social"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 29, 2026

«A liberdade de expressão é falarmos sobre o que nos apetece, mesmo quando dizemos disparates»


Nem sempre pensamos no verdadeiro significado das três palavras que fazem a "liberdade de expressão". O normal é querermos esta liberdade só para nós, estarmos pouco abertos a parvoeiras ditas pelos outros.

Só nas verdadeiras tertúlias, é que é possível dizer coisas absurdas e estúpidas, sem que estas sejam silenciadas. Da mesma forma que são sempre contrariadas, porque estes espaços de amigos, são também de aculturação, de ensinamento, das coisas mais simples às mais complexas. Só é necessário estarmos abertos à partilha de saberes...

E é bom sentirmos a evolução de alguns companheiros, que vão aprendendo a deixar de apontar dedos, por tudo e por nada. E também se habituam a ouvir, mesmo quando dizemos coisas que eles não concordam.

Nunca me esqueço da chamada de atenção que o meu amigo Orlando fez à mesa, na nossa memorável "Tertúlia", quando alguém tentou diminuir a opinião de um de nós, menos informado: «A liberdade de expressão é falarmos sobre o que nos apetece, mesmo quando dizemos disparates.»

Claro que nesta "Liberdade", tão especial, também está presente o respeito pelo outro, embora muito boa gente a confunda com o insulto, ela é outra coisa, muito mais bonita...

(Fotografia de Luís Eme - Almada - escolhi este retrato, porque desde pequeno que embirro com a palavra "proibido")


segunda-feira, setembro 28, 2026

A indignação e a razão de Maria Rueff


Sei que não somos muito de nos indignar, muito menos de chamar os "bois pelos nomes". Quanto muito, atiramos umas bocas, indirectas, e fingimos ter resolvido o caso.

É por isso que achei louvável a forma como Maria Rueff  reagiu a mais uma injustiça, das várias que se cometem durante a entrega dos Globos de Ouro da SIC.

Este ano resolveram criaram uma nova categoria, premiando os "30 Anos de Carreira", em vários sectores da cultura e do espectáculo. No que toca ao humor o prémio foi entregue ao suspeito do costume, Ricardo Araújo Pereira, que afirmou logo durante a entrega estranhar estar a receber aquele prémio, porque ainda nem sequer tinha chegado aos tais trinta anos de carreira...

E estranhou muito bem, acabando por ir ao encontro da Maria Rueff, que tem todas as razões para se sentir injustiçada, por ter mais que os tais trinta anos de palcos e talento de sobra para ser premiada. Nem sequer teve receio de não voltar a trabalhar para a estação televisiva em causa (sim, esta gente muitas vezes é pior que o "Django", não perdoa a quem em vez de ir ao "beija-mão", "cospe na sopa"...).

Num país que premeia mais o "amiguismo" que o mérito é bom que apareça, de vez enquanto alguém com carácter e dignidade, capaz de nos mostrar que este Portugal continua a ser o portugalzito de sempre...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, setembro 27, 2026

Uma certa maneira de se ser funcionário público...


As desculpas de algum funcionalismo público vão ter quase sempre ao mesmo lugar, "não me pagam para fazer isto", ou pior ainda, "não me pagam para saber isto". Ou seja, o "maldito" dinheiro é colocado sempre à frente de tudo.

Curiosamente, ou não, quando se candidataram aos lugares já sabiam que iam ser mal pagos, tal como as funções que iriam exercer e o tipo de informação que teriam de dar a quem se deslocasse aos seus serviços, preferencialmente com bons modos.

Hoje de manhã visitei dois museus e consegui ser atendido de duas formas completamente opostas. Na minha primeira visita a senhora da recepção/bilheteira estava ao telefone e conseguiu em poucos minutos formar fila no seu museu. Mas o pior ainda estava para vir. Além de se ter esquecido do sorriso em casa e estava pouco disponível para dar informações...

Não lhe dei conversa e fui ver o espaço de arte contemporânea.

No museu seguinte aconteceu-me o contrário. Além de ter sido bem acolhido, no final da visita fiz duas ou três questões, às quais ela era completamente alheia, mas que fez questão de me responder, demonstrando saber onde estava e também quem era aquele casal parisiense...

A pergunta mais pertinente que fiz foi porque razão o título dos quadros expostos estava escrito na língua francesa. Ela respondeu-me, muito bem, que se optara por manter os nomes originais de  cada obra, franceses, mesmo que o museu fosse português e ficasse em Portugal...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)