Ainda por cima o talvez, quase que nos afasta da "vida como ela é"... mesmo que ela viva cheia deles.
O que é certo é que aconteceu uma coisa, no mínimo curiosa, em menos de meia-hora. Aliás três coisas.
Fui buscar uma encomenda para a minha filha e ao passar perto do prédio de um amigo, telefonei-lhe. Ao dizer-lhe que estava próximo da sua casa, ele disse que descia num minuto para bebermos um café na pastelaria do rés de chão.
Mal entro dou de caras com uma amiga, que estava a acabar de tomar o pequeno-almoço. Cumprimentámo-nos e fiquei a saber que agora trabalha ali ao lado (quando se é é funcionário autárquico, muda-se vezes sem conta de local de trabalho, umas porque mudam os partidos, outras porque mudam as chefias... e outras ainda, apenas porque sim).
Em menos de cinco minutos falámos das coisas que fazemos e gostamos (fotografia e literatura...), porque ela tinha de ir trabalhar... e o meu amigo entretanto chegara. Combinámos beber um café um dia destes, com tempo, para contar coisas um ao outro.
Já sentado e com outra conversa, também rápida (estava com os minutos contados, não estava à espera que ele estivesse disponível para um café, apenas me lembrei de dizer um olá...) e boa. As mesmas palavras na despedida, ele disse que um dia destes aparecia no "Repuxo", para termos uma conversa de tudo menos de médico.
Já na paragem do metro, telefono à minha filha, para lhe dizer que estava quase a chegar. Olho para o lado e vejo chegar outro amigo. Aproximo-me e digo-lhe que não precisa de fingir que não me viu. Cumprimentamo-nos com um sorriso e chega o transporte. Em menos de cinco minutos, a quantidade de informação que partilhámos um com o outro! Não nos calámos até chegarmos à minha paragem... E mais uma promessa de uma conversa de café, das boas, sem relógios...
A vida é isto. Dias e dias em que não encontramos um único rosto familiar, nas ruas ou nos transportes e em apenas trinta minutos acontecem três bons encontros com amigos...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)







