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largo da memória
"Antigamente o Largo era o centro do Mundo." (Manuel da Fonseca)
sexta-feira, março 13, 2026
"Uma viagem no tempo com o Padre Felicidade (cem anos-cem crónicas)"
quinta-feira, março 12, 2026
Um livro especial, cheio de pessoas especiais...
É um livro diferente, porque além de contar a história de uma pessoa especial da minha família, deu-me a oportunidade de "viajar no tempo" (o título não engana...) e ficar a saber mais coisas sobre o Padre Felicidade e a nossa família. Além dos vários episódios com importância histórica que desconhecia e que abordei (sem nunca me esquecer duma palavra demasiado importante, "rigor", fundamental para quem escreve sobre os outros, seja na história seja no jornalismo...), foi possível oferecer um olhar mais pessoal e escrever sobre as pessoas de quem muito raramente se fala (as personagens secundárias da vida do Padre Felicidade para o mundo exterior, como foram os seus pais ou de uma forma ainda mais "sumida", a minha avó e a minha mãe, por exemplo...).
Ainda não me dei ao trabalho de contar as crónicas de que falo de Salir Matos, a aldeia onde nasci. Sei que são mais de uma dúzia... Claro que não falei de Salir de Matos por ser a Terra da minha família materna e onde passei parte das minhas férias (até quase à adolescência...).
É por isso que além da apresentação de dia 14 de Março (16 horas), haverá outra, no dia 28 de Março (16 horas), em Salir de Matos, que está longe de ser menos importante que a que se realiza no Centro Nacional de Cultura...
(Fotografia de Luís Eme - é uma imagem especial, porque estou ao lado da Elisete - esposa do Padre Felicidade -, que ninguém diz que já tem 102 anos, e que nos proporciona momentos muito bons, como este registado na segunda-feira e que também está muito presente neste livro...)
quarta-feira, março 11, 2026
Não há bela sem senão...
A sabedoria popular diz-nos quase tudo...
Como diria o outro, são milhares de anos a "virar frangos", desde o tempo em que nos vestíamos de peles... O que nos dá uma conhecimento do mundo real, ao ponto de sentirmos necessidade de andar sempre a bater à porta da ciência.
Hoje almocei com a minha mãe e o meu irmão e esqueci-me de lhes falar disto. Sim, quando tudo nos está a correr bem, tem de haver sempre qualquer coisa a correr mal... como se tudo estivesse alinhado com este mundo, para nos mostrar que a perfeição também está cheia de "buracos"...
E nós lá temos de nos aguentar, porque não há mesmo uma "bela sem senão"...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
terça-feira, março 10, 2026
Coisas curiosas do "melhor transporte do mundo"...
Mesmo assim, continua a ser o melhor transporte do mundo.
No seu interior, as pessoas quase que não falam umas com as outras, preferem comunicar com os seus "rectângulos mágicos", que lhes oferecem notícias, mesmo sem pedirem.
Foi por isso que estranhei as duas miúdas que estavam mesmo à minha frente, que falavam pelos cotovelos e sorriam como se estivessem em casa.
Quando se levantaram para sair, pensei que podia ter dito uma daquelas coisas que nunca se devem dizer: «As coisas que fiquei a saber sobre ti, miúda! Até me contaste que não gostas de azeitonas.»
Falando mais a sério, foi por serem tão raras estas animações humanas, que ofereci estas palavras às duas meninas que têm um mundo à sua frente. Provavelmente muito mais complicado que este em que temos vivido...
(Fotografia se Luís Eme - Lisboa)
segunda-feira, março 09, 2026
Coisas de um país injusto...
Nem é preciso andar muito atento, para tropeçarmos neste país que faz questão de continuar injusto, para quase toda a gente.
Quando o Rui disse que só a morte é que nos salva. Ficámos todos a olhar para ele.
Depois percebemos...
Falou de todas as honrarias que António Lobo Antunes recebeu, assim que nos deixou.
Um ano antes, quase ninguém falava dele. Uma ou outra pessoa dizia que já não dizia coisa com coisa, mas muito às escondidas.
E continuou a falar de outras pessoas que nos deixaram, que nunca mereceram duas ou três linhas de jornal ou um rodapé na televisão. Até irem desta para melhor...
Para acabar a sua prosa da melhor maneira, disse que somos bons a contrariar o ditado, que nos diz para não deixarmos para amanhã o que pudemos fazer hoje.
É por isso que somos tão bons a esquivarmo-nos de homenagear uma boa parte das pessoas de valor, quando estão vivas...
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
domingo, março 08, 2026
Uma homenagem diferente às mulheres, com um poema de uma grande poeta...
sou um homem e
pinto
acontece-me
frequentemente sair de casa
para escolher uma
mulher na rua,
uma desconhecida,
alguém cujo rosto seja um poema,
ou simplesmente um
rosto.
visto umas calças
e uma camisa velha
e saio na hora de
ponta,
envolvo-me na
multidão e atravesso ruas sem parar,
até encontrar esta
mulher.
já trouxe para
casa mulheres cegas,
são fáceis de
pintar,
tiram a roupa tão
depressa como tiram os óculos
e despem-me em
igualdade de circunstâncias.
não me fazem
perguntas, falam das condições do tempo,
numa espécie de
arrefecimento gradual
que vão
experimentando com a idade,
e quase sempre me
oferecem o corpo.
já trouxe mulheres
solteiras, muito jovens,
ainda virgens,
comportam-se timidamente,
não mexem em nada,
fazem gestos de grande ignorância,
encolhem-se sobre
a sua própria magreza,
enrolam fios de
cabelo nos dedos, à espera das palavras.
já tenho recebido
mulheres casadas, estupidamente infelizes,
que deixam os
filhos na escola e chegam extenuadas,
como se a tarefa
da maternidade fosse invencível,
ou estas visitas
pudessem aliviá-las.
há uma que vem
todas as sextas-feiras, descalça,
com os olhos
cheios de perguntas,
as mãos tão
brancas e doridas, a pele enrugada,
cada ruga um
enigma para o meu complexo ofício de pintor.
hoje, quando
chegou, pediu-me com gentileza,
ponha algumas
flores no meu retrato,
e foi sentar-se na
cadeira.
depois, quando viu
o retrato disse,
ficam já estas
para as que me faltarem na campa, e saiu.
alice macedo
campos
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
sábado, março 07, 2026
A quase "arte" de mostrar e esconder as nossas fragilidades...
Depois entrei no metro, cheio de gente (devem andar a espaçar os horários, para que as pessoas fiquem mais "unidas"...) e fiquei por ali a pensar, até porque entretanto passou um ceguinho com garrafa de plástico numa das mãos, cortada ao meio, a pedir moedas ou notas.
Para conseguir sobreviver neste mundo, tinha de andar nos transportes e nas ruas a expor a sua fragilidade maior, em busca de almas sensíveis, que lhe enchessem a bolsa que trazia a tiracolo de moedas...
A ideia que se colou a mim, foi a aparente dualidade que surge em quase tudo, quando queremos simplificar demasiado as coisas: branco, preto, verdade, mentira, gordo, magro, alto, baixo, triste, alegre, e poderia continuar, quase numa lengalenga, sem aprofundar qualquer questão.
Muitas vezes escondemos as nossas fragilidades, porque queremos mostrar que somos pessoas iguais às outras, preparadas para andar por aí, nas "batalhas urbanas". Ou seja, somos o contrário dos "coitadinhos", que se alimentam das suas aparentes dificuldades (muitas vezes postiças, a televisão hoje vive muito disso...).
Claro que não estou a meter neste plano o ceguinho, que para comer uma sopa, tem de andar de mão esticada, porque sei que as coisas nunca são assim tão simples, com apenas dois lados, como as moedas...
(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)
sexta-feira, março 06, 2026
A "máquina de destruir países"...
Mas se há coisa que não consigo compreender (não é só destes tempos do Trump...) é a tolerância que toda a gente tem para com os Estados Unidos da América (inclusive a Rússia e a China...), que embora se autoproclame "polícia do mundo", em vez de ajudar a construir democracias, passa o tempo a destruir países, tanto no Oriente como na América Latina...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
quinta-feira, março 05, 2026
Um escritor, a televisão, os romances e as crónicas...
É curiosa a relação que tenho com a televisão.
Umas vezes passo a manhã toda a trabalhar em silêncio, outras, como a de hoje, a primeira coisa que faço, mal chego à sala, ainda antes de tomar o pequeno almoço, é ligar a televisão.
Estava sintonizada na RTP1 e a primeira notícia que li foi a nota de rodapé que nos informava do desaparecimento de António Lobo Antunes.
Fiquei na dúvida se devia escrever sobre ele no blogue, por não o olhar como o grande escritor que ele achava que era. E sei do que falo, porque li mais de meia dúzia de livros da sua autoria...
Lembrei-me da entrevista que lhe fiz, talvez em 1991. Encontrámo-nos numa das salas do já desaparecido Hospital Miguel Bombarda, onde ainda trabalhava. Esteve longe de ser um encontro memorável, achei-o sempre demasiado distante...
Gostei dos seus primeiros livros, mas a partir de certa altura começou a escrever para ele próprio, sem pensar muito nos leitores. Foi mais ou menos nessa altura que desisti de o ler (as crónicas não contam, essas sempre foram lidas com interesse, mesmo que ele as desvalorizasse...). Ainda deve ter sido no final do século vinte, com o seu "Manual dos Inquisitores" (o último livro que li até ao fim)...
Sei que ele se tinha em grande conta, achava que devia ter sido "nobelizado" e não Saramago, com que manteve sempre alguma rivalidade e nem sempre foi agradável com o José.
Penso que será um escritor sem futuro, por ser um autor muito difícil (obriga-nos a andar para a frente e para trás porque está a falar de uma coisa e depois começa a falar de outra e nós sentimo-nos quase perdidos...). Mas perdurará na história da literatura como um dos nossos melhores ficcionistas, porque parece - coisa rara entre nós - que era lido no mundo inteiro...
(Fotografia de autor desconhecido)
quarta-feira, março 04, 2026
A caderneta de pontos de Vinicius Júnior contra o racismo...
Já se ouviu e escreveu quase tudo, mesmo sem se saber o que é realmente aconteceu no relvado.
Quem não gosta de José Mourinho e de Rui Costa (e do Benfica, claro...), aproveitou para soltar a "bílis", quando o que ambos fizeram foi defender o clube e um dos seus jogadores, até por não se saber que palavras foram ditas (e há uma forte possibilidade de nunca se saber o que realmente se disse, porque o som de um Estádio não é o mesmo de uma Igreja...). Nem sempre foram felizes com as palavras usadas, algo que tem de ser encarado com alguma normalidade, porque foi a primeira vez que aconteceu algo do género no Benfica.
Mesmo que muitos desvalorizem, o Benfica é o clube do Guilherme Espírito Santo (em 1949 numa unidade hoteleira da Madeira os seus dois jogadores de origem africana, Guilherme Espírito Santo e Alfredo Melão, não foram autorizados a ficar nos quartos normais do Hotel, mas sim no anexo reservado aos empregados. Perante esta atitude racista, toda a equipa resolveu ficar instalada no anexo...) e de Eusébio da Silva Ferreira.
Sem pretender branquear o comportamento de Prestianni e as atitudes racistas que acontecem todos os fins de semana nos estádios (especialmente nas bancadas onde se diz tudo e ainda mais alguma coisa...), é muito fácil acontecerem atitudes irreflectidas no calor do momento e na derrota. É por isso que há jogadores expulsos do terreno de jogo...
Só não compreendo muito bem que um jogador, mal formado e provocador, seja usado como "bandeira" na luta contra o racismo (são tantos os casos em que está envolvido, que até parece que tem uma "caderneta de pontos" como "santo" protector da luta contra o racismo no futebol...).
Até porque há sempre coisas curiosas a acontecerem em seu redor, como a que aconteceu neste fim de semana. O Real Madrid perdeu com o Getafe e Nyom, o avançado camaronês que marcou o único golo da partida, também fez uma "dança à vinicius" nos festejos.
E sabem o que aconteceu de seguida? Vinicius, useiro e vezeiro nestas "danças" (como a da Luz...), foi o primeiro a manifestar-se contra a forma provocadora como o companheiro de profissão festejou o golo...
(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)
terça-feira, março 03, 2026
A decência não tem cor, sexo ou ideologia
Embora possa haver muitas "interpretações" e "percepções", os mais de 65% de portugueses que votaram em Seguro, votaram sobretudo na democracia.
Esta primeira reacção dos portugueses contra o populismo faz com que acredite que o líder do Chega nunca chegará ao poder, pelo menos como primeiro-ministro.
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
segunda-feira, março 02, 2026
A decadência do nosso futebol enquanto modalidade e espectáculo desportivo
Penso que este afastamento se deve a dois pontos. O primeiro é a postura dos presidentes dos três grandes, cujo passado desportivo prometia no mínimo mais respeito pelo futebol, pelos adversários e pela verdade desportiva (o que quer que isso seja...). Nada disso aconteceu. Até se fica com a sensação de que se joga cada vez mais sujo (o que se tem passado nos últimos tempos nas instalações do FC Porto, tem sido uma vergonha...), dentro e e fora das quatro linhas...
O segundo é a sua transformação num "espectáculo" cada vez mais fraquinho. Não é por acaso que a maior parte dos estádios estão quase vazios (os jogos do Benfica, do Sporting e do Porto não contam...)...
Apesar de sermos um dos melhores países do mundo nas camadas jovens, há equipas da primeira divisão sem qualquer português no onze titular... Isto diz quase tudo sobre o "negócio" e a "mentira" que é o nosso futebol, com a complacência da Liga e da Federação...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)

