sexta-feira, setembro 18, 2026

Um governo povoado de ministros que gostam de "pintar" a realidade com cores berrantes...


Ouvir o ministro da Economia dizer, com cara séria, que os portugueses apesar da crise mundial, vivem hoje melhor, graças aos aumentos proporcionados pelo seu Governo, vai ao encontro da narrativa oficial da AD, contrariada pela realidade e até pelo prof. Coelho, que finge que é líder da oposição.

Mesmo que tivéssemos sido aumentados nos ordenados com valores entre os 10 e os 15 por cento, a maior parte dos considerados bens essenciais, sofrem aumentos semanais, que se se fizerem  as contas ao ano, andam entre os 20 e os 50 por cento (alguns mais...), mesmo que os grandes retalhistas nos tenham habituado às embalagens de meio quilo, que parecem ficar mais em conta...

O senhor Almeida é apenas mais um governante, que gosta de "pintar" a realidade com cores berrantes, mas sem a arte e a qualidade de Bordalo II...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 17, 2026

Mais um adepto do "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"...


Assistir à presença de Nuno Crato em mais que um debate sobre educação nas televisões, armado em "salvador da pátria", vai ao encontro da falta de memória dos portugueses (inclusive jornalistas que não gostam muito de fazer o trabalho de casa...) e da vaidade pessoal de quem se acha muito melhor do que realmente é...

Crato é apenas mais um político da "escola do cavaco", daqueles que nunca se enganam e gostam de apontar dedos aos outros. E logo ele, que cometeu erros como ministro em toda a linha, desde a pré-primária à universidade... 

Por saber que foi dos ministros da Educação mais contestados - e considerado por muito boa gente o pior ministro desde a Revolução de Abril - resolvi fazer alguma pesquisa e encontrei um belo resumo do muito que se fez de mal às escolas e aos professores no seu mandato. Embora a minha escolha siga a direcção do quadrante político oposto, achei esta frase da socialista Alexandra Leitão (publicada no "Diário de Notícias de 22 de Maio do corrente ano...) a mais completa sobre a sua passagem como responsável pela educação:

«Em 2011, o Ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou que o Ministério era “uma máquina gigantesca que se acha dona da Educação em Portugal. Eu quero acabar com isso”. E, na verdade, durante o período em que Nuno Crato foi ministro, que correspondeu ao período de intervenção da Troika, desapareceram quase três mil estabelecimentos escolares, aumentou-se o número de alunos por turma, cortaram-se apoios educativos, incluindo na educação especial, e retiraram-se 30.000 professores das escolas. Detenhamo-nos neste último ponto. Quando já era previsível, atendendo ao perfil etário dos professores, que num futuro próximo haveria falta de docentes por causa das saídas para a reforma, o Ministério tirou do sistema dezenas de milhares de professores, essencialmente contratados, ou seja, os mais jovens. Estes professores foram até convidados a emigrar pelo Primeiro-Ministro Passos Coelho.»

 Mais palavras para quê, é um governante português, e está tudo dito...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 16, 2026

De repente parece que se descobriu a pólvora: " hoje lê-se mais mas lê-se pior"


Sei que uma semana destas, aparece outro assunto qualquer, e deixa-se de falar do relatório com nome de terra italiana, como se o remédio para a resolução dos problemas fosse substituí-los por outros...

Há muito tempo que sei que se lê mais, mas muito pior. Basta andar nas ruas e ver gente de todas as idades (sim, dos oito aos oitenta anos...), com os olhos presos aos smartphones, a lerem o "lixo diário" que lhes enviam, minuto a minuto, disfarçado de notícias. 

Os cérebros de plástico dos fazedores de notícias e e da inteligência artificial passam o tempo a oferecer-lhes cabeçalhos sumarentos de apenas duas ou três linhas - usam a mesma técnica dos "tablóides", que têm sempre duas ou três notícias de capa, capazes de chamar a atenção de quem passa na rua, mesmo que depois a notícia seja ligeiramente diferente do título - pintando a realidade com as cores que lhes dão jeito.

Quem não tem hábitos de leitura (a maioria da nossa população...), além de "comer" facilmente gato por lebre, sente-se muito bem informado e capaz de discutir qualquer assunto, do país e do mundo, numa mesa de café ou na mercearia de bairro. 

Vale quase sempre pouco, dizermos que não foi bem assim que as coisas se passaram. Ainda somos capazes de passar por mentirosos, por estarmos feitos com os jornais e as televisões, que ainda se esforçam por serem "fábricas de notícias" e não de entretenimento...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, setembro 15, 2026

A honra suprema de uma má actriz de telenovelas que faz o papel de jornalista com grande êxito


Sei que tanto uma como a outra, não frequentam blogues. São adeptas de lugares mais populares, onde se pode representar, cantar, dançar, pescar, caçar, e claro, "pintar a manta", com mais descontração (e imaginação...).

Mas mesmo assim achei que não podia perder esta "caricatura" de bairro, desenhada com tanta perfeição.

Falava-se de qualquer coisa na mercearia, e uma das senhoras dizia, "fale com a Tânia, que ela sabe", repetiu isto umas três vezes até que uma senhora, que tal como eu, pertencia ao  clube dos "incautos" e "ignorantes" do lugar, curiosa, perguntou quem era essa tal de Tânia. A mulher que falava pelos cotovelos sorriu e esclareceu o assunto numa penada:

«E esta? Claro que sabe quem é a Tânia. Não conhece você outra coisa!» Sem que deixasse que alguém a interrompesse, virou-se para mim e disse: «É a loira que mora na rua deste senhor.» E depois concluiu, «Ela é a mulher mais bem informada do bairro. Como tem o cabelo amarelo e é avantajada de carnes, houve alguém com olho que a batizou, e muito bem, de Tânia Laranjo.»

Gargalhada geral. Até eu que não apreciava o estilo, conhecia esta "peça principal" do jornalismo de faz de conta do "Correio da Manhã"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, setembro 14, 2026

As perguntas que não sabemos responder...


Ele perguntou-me se existia algum ponto inteligível que conseguisse definir o que é arte e o que é um artista. Alguma coisa que fosse perceptível ao olhar, algo que mexesse com as emoções do espectador comum.

Lembro-me que no jornalismo com bola usava-se muito a expressão "perguntas de mil paus", quando alguém se silenciava e fechava a caixa de respostas a sete chaves.

Ali o caso ainda era mais complicado. O artista em causa, com a "estrela de famoso", por vezes, parecia brincar com a inteligência dos outros, ao fazer obras de arte que se confundiam, aqui e ali, com obras públicas manhosas.

Tal como ele, eu também não sabia quem é que tinha inventado as "instalações". Nem estava muito interessado em saber, diga-se de passagem.

Entre outras coisas falou-me do monte de tijolos que encontrou uma vez expostos em Tavira. Mas quis ir ainda mais longe e recordou-me o episódio polémico com as vigas de ferro que colocou numa rotunda de Leça de Palmeira. "Escultura" que acabou por ser vandalizada, porque alguns munícipes, além de se sentirem "gozados" pelo artista, acharam que havia coisas mais importantes no Concelho para se gastar dinheiro e manifestaram-se da pior maneira possível.

Quem percebe um pouco de arte, sabe que escrevo sobre Pedro Cabrita Reis.

O mais provável é que sejamos demasiados "incultos" para querer colocar limites na arte, que vive mais do nosso olhar, que das imposições exteriores..

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas - não sei se o "artista" que virou um dos contentores do lixo de pernas para o ar, teve a noção de que podia estar a criar uma "instalação artística"...)


domingo, setembro 13, 2026

Quando os artistas mudam as "suas dores" e deixam de falar das artes...


Estava a ouvi-la e a ficar cada vez mais enfastiado. Tentava disfarçar. É possível que o tenha conseguido, porque ela "só se ouvia a ela própria". Eu estava ali, quase a fazer apenas de "ponto"...

Só me conseguia lembrar de um outro nosso amigo comum, que a partir de certa altura (é verdade que começou a visitar mais vezes hospitais que galerias de arte...), não conseguia começar uma conversa sem se queixar disto ou daquilo. Ela disse-me mais que uma vez, que era cada vez mais difícil falar com ele, que se tornara um chato, que só falava de doenças...

Depois de a deixar, fiquei a pensar que aquilo podia ser quase "epidémico". Ela estava como ele. Talvez o problema seja da vidinha. Sim, quando o mundo ameaça cair-nos em cima, aquilo que nos realizava até aí, pode deixar de ser importante...

De uma forma optimista, pensei que talvez conseguisse escapar a este epidemia, por ser um tipo estranho. 

Sim,  já que raramente falo com os outros dos meus "achaques" e até há muito "boa gente" que acha que isso não é muito normal...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa - detesto quando destroem a arte alheia como aconteceu neste caso...)


sábado, setembro 12, 2026

Viver com as coisas "fixas", que nunca mudam...


Não vale a pena pensar no que é melhor ou pior. Somos o que somos. E não deixa de ser boa ideia, aceitarmos que temos de viver com essas coisas "fixas", que nunca mudam...

E não é por a escritora Rosa Montero ter metido esta frase dentro de uma das suas personagens, que banalizava as coisas: «Ela não sabia fazê-lo. Não sabia jogar esse jogo de intrigas nem conquistar pessoas com quem antipatizava.»

Eu também não sabia (nem queria...) gostar de quem não gostava de mim. Nunca consegui ser agradável para quem me é desagradável (e houve alturas que me esforcei...).

Sim, pudemos gostar de Jesus de Nazaré e achar o gesto magnânimo, de dar a outra face, uma estupidez...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, setembro 11, 2026

"Cinco anos depois" (que agora são vinte cinco...)


Cinco anos depois
 
Cinco anos pode ser uma eternidade,
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Nova Iorque não voltou a ser igual,
As pessoas perderam tantas coisas...
Até a liberdade de serem quem eram.
O simples gesto, de um aceno ou sorriso,
Foi suprimido pela ditadura da segurança,
Assim como qualquer palavra circunstancial
Trocada na rua, com estranhos.
 
Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Podemos banalizar o que aconteceu
Fingir que as Torres Gémeas desapareceram,
Num truque qualquer de magia,
Podemos dizer que a vida continua,
Que o que já lá vai, lá vai...
 
Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Mas os rostos daqueles que partiram,
Sem marcar qualquer viagem,
Permanecem vivos no coração de Nova Iorque.
Sim, coração, de Nova Iorque!
O coração de qualquer cidade
São sempre os seus habitantes.
 
Luís [Alves] Milheiro

Nota: escrevi este poema em 2006, quando passaram cinco anos desta tragédia, ou seja há vinte anos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
 

quinta-feira, setembro 10, 2026

A liberdade tem sempre custos...


Não é só na rua que gosto de parar e ficar a olhar para trás, para ver as coisas de um ângulo diferente, para ver o mundo que caminha em direcção contrária...

Sempre gostei de pensar, de olhar o mundo, de querer saber e descobrir coisas, consultando apenas a minha cabecinha.

Foi por isso que tive os meus primeiros dissabores logo na infância, porque para algumas pessoas não passava de um "refilão" e um "chato", que nunca estava bem com nada...

Não percebi logo que as pessoas não gostam que sejas diferente delas, que queiras ter uma cabeça só tua, os teus pensamentos, as tuas ideias, os teus sonhos...

Muitos anos depois, sinto que só não incomodava verdadeiramente os meus pais.

Nunca tinha pensado, a sério, que para algumas pessoas (são capazes de ser muitas...), gostares de pensar pela tua própria cabeça, está longe de ser a "melhor coisa do mundo". 

Sempre soube que podia ser um incómodo para políticos, patrões e outra gente que vive embrulhada em "papel de poder". Nada que me incomodasse por aí além. Para lhes escapar, nunca pertenci a partidos e trabalhei a maior parte das vezes sem ter patrões com rosto.

Claro que viver desta forma tem custos. Sabes desde cedo que nunca vais ser rico. O que, diga-se de passagem, também está longe de ser a coisa mais importante do mundo, porque sabes que continuas a gostar mais de liberdade que de dinheiro...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 09, 2026

«Continua a falar-se pouco do país que queria ser uma "máquina de fotocópias humanas"»


Percebi de uma forma curiosa, que a liberdade estava longe de ter o mesmo valor para a quase dúzia de pessoas sentadas à mesa do jantar.

Sempre falámos de política de uma forma aberta, usando as divergências que surgiam aqui e ali, com algum humor.

Por ser o mais velho daquele convívio, fui sentindo com o decorrer da conversa que o meu mundo era diferente do deles. Mas não era só isso. Eu sempre fui pouco maleável a novas ideias e a novas tecnologias (era o único que não usava smartphone e isso podia explicar muita coisa...).

O mais estranho, era aquela gente achar-se mais bem informada que eu, por estarem a ler títulos de notícias quase minuto sim minuto não, ignorando que eu era assinante e leitor de jornais a sério...

Houve mesmo alguém que foi capaz de dizer que o país do Salazar não era assim tão mau como o pintavam. Foi quando eu disse que era muito pior.

A duas ou três coisas que foram ditas de forma leve, eu respondi com meia-dúzia de factos, que por si só, conseguiram silenciar aquela mesa, por alguns segundos.

Antes do ignorante atrevido meter a viola no saco, por perceber que estava sozinho, ainda lhes disse: «Percebo que não conheçam a realidade do país salazarento. Continua a falar-se pouco do país que queria ser "uma máquina de fotocópias humanas".»

Os sorrisos voltaram à mesa e começou-se a falar de futebol, pois tanto o Sporting como o Benfica tinham acabado de ganhar os seus jogos de "pontapé na bola"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 08, 2026

Talvez seja a melancolia de Setembro a aparecer mais cedo...


Estava ali e não estava.

Ouvia mas pensava em outras coisas. Claro que sabia que ritual não era sinónimo de hábito, mas nem sequer me dei ao trabalho de "jogar às diferenças".

A cor dos dias estava diferente, as sombras apareciam a horas desiguais porque os dias começavam a encurtar de uma forma visível. Ver o pôr do sol às nove do começo da noite agora só no começo do Verão de 2027...

Foi quando pensei que as minhas ausências, discretas, não perturbavam ninguém. Deviam estar ligadas à melancolia que costumo colar ao mês de Setembro...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, setembro 07, 2026

Dores de crescimento e dores de envelhecimento...


Eu sei que são dores diferentes.

Provavelmente as de crescimento parecem ser mais dolorosas. Parecem...

Noto isso com a minha filha, que se prepara para entrar no mundo do trabalho, onde vai descobrir uma outra "selva humana", mais animalesca que nos meus primeiros tempos de operário, por vivermos uma época diferente, em que por vezes até se fica com a sensação de que já vale "tirar olhos" e tudo...

Sei que vai ter de "enrijar" os ossos... e o coração...

As dores de envelhecimento, ainda não me chegaram, pelo menos de uma forma que merecem qualquer desabafo mais sério. Percebo-as no contacto e nas conversas que tenho com a minha Mãe e com o meu amigo Chico. Sei que são dores diferentes, porque são de todas as horas, doer isto ou aquilo, é quase como respirar...

Aqui não há "analgésico" possível, ou "morfina" que resulte, para lá das viagens que poderá proporcionar, dependendo apenas da respectiva dose...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)