quarta-feira, março 04, 2026

A caderneta de pontos de Vinicius Júnior contra o racismo...


Ainda não tinha escrito nada sobre o que aconteceu no Estádio da Luz, porque não quis ser traído, por qualquer fervor clubístico e por estar longe de olhar para o Vinicius Júnior como um "menino do coro".

Já se ouviu e escreveu quase tudo, mesmo sem se saber o que é realmente aconteceu no relvado.

Quem não gosta de José Mourinho e de Rui Costa (e do Benfica, claro...), aproveitou para soltar a "bílis", quando o que ambos fizeram foi defender o clube e um dos seus jogadores, até por não se saber  que palavras foram ditas (e há uma forte possibilidade de nunca se saber o que realmente se disse, porque o som de um Estádio não é o mesmo de uma Igreja...). Nem sempre foram felizes com as palavras usadas, algo que tem de ser encarado com alguma normalidade, porque foi a primeira vez que aconteceu algo do género no Benfica.

Mesmo que muitos desvalorizem, o Benfica é o clube do Guilherme Espírito Santo (em 1949 numa unidade hoteleira da Madeira os seus dois jogadores de origem africana, Guilherme Espírito Santo e Alfredo Melão, não foram autorizados a ficar nos quartos normais do Hotel, mas sim no anexo reservado aos empregados. Perante esta atitude racista, toda a equipa resolveu ficar instalada no anexo...) e de Eusébio da Silva Ferreira.

Sem pretender branquear o comportamento de Prestianni e as atitudes racistas que acontecem todos os fins de semana nos estádios (especialmente nas bancadas onde se diz tudo e ainda mais alguma coisa...), é muito fácil acontecerem atitudes irreflectidas no calor do momento e na derrota. É por isso que há jogadores expulsos do terreno de jogo...

Só não compreendo muito bem que um jogador, mal formado e provocador, seja usado como "bandeira" na luta contra o racismo (são tantos os casos em que está envolvido, que até parece que tem uma "caderneta de pontos" como "santo" protector da luta contra o racismo no futebol...).

Até porque há sempre coisas curiosas a acontecerem em seu redor, como a que aconteceu neste fim de semana. O Real Madrid perdeu com o Getafe e Nyom, o avançado camaronês  que marcou o único golo da partida, também fez uma "dança à vinicius" nos festejos. 

E sabem o que aconteceu de seguida? Vinicius, useiro e vezeiro nestas "danças" (como a  da Luz...), foi o primeiro a manifestar-se contra a forma provocadora como o companheiro de profissão festejou o golo...

(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)


terça-feira, março 03, 2026

A decência não tem cor, sexo ou ideologia


A vitória de António José Seguro nas nossas eleições presidenciais é o nosso melhor exemplo, de que a decência não tem cor, sexo ou ideologia.

Embora possa haver muitas "interpretações" e "percepções", os mais de 65% de portugueses que votaram em Seguro, votaram sobretudo na democracia.

Esta primeira reacção dos portugueses contra o populismo faz com que acredite que o líder do Chega nunca chegará ao poder, pelo menos como primeiro-ministro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 02, 2026

A decadência do nosso futebol enquanto modalidade e espectáculo desportivo


Uma das coisas positivas que me têm acontecido nos últimos tempos, é o afastamento gradual do "mundo dos futebóis". Já nem sequer consigo ver qualquer programa onde surgem comentadores assanhados (muitos quase que espumam pela boca, como é o caso do Rodolfo ou do Octávio...) ou "camaleões", que são capazes de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário (a televisão está cheia deles e delas, seja no desporto, na política, na actualidade ou no entretenimento).

Penso que este afastamento se deve a dois pontos. O primeiro é a postura dos presidentes dos três grandes, cujo passado desportivo prometia no mínimo mais respeito pelo futebol, pelos adversários e pela verdade desportiva (o que quer que isso seja...). Nada disso aconteceu. Até se fica com a sensação de que se joga cada vez mais sujo (o que se tem passado nos últimos tempos nas instalações do FC Porto, tem sido uma vergonha...), dentro e e fora das quatro linhas...

O segundo é a sua transformação num "espectáculo" cada vez mais fraquinho. Não é por acaso que a maior parte dos estádios estão quase vazios (os jogos do Benfica, do Sporting e do Porto não contam...)...

Apesar de sermos um dos melhores países do mundo nas camadas jovens, há equipas da primeira divisão sem qualquer português no onze titular... Isto diz quase tudo sobre o "negócio" e a "mentira" que é o nosso futebol, com a complacência da Liga e da Federação...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, março 01, 2026

Um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias...


Estávamos a ver o "Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer" (cá por casa tornou-se um programa familiar e é visto quase sempre ao almoço de sábado) e a minha filha chamou-me a atenção que digo sempre a mesma coisa do João Miguel Tavares, que parece um "cordeirinho" na companhia do Pedro Mexia, do Ricardo Araújo Pereira e do Carlos Vaz Marques.

Normalmente não concordo com as coisas que escreve no "Público", porque faz questão de ver e escrever coisas diferentes das outras pessoas (é mais uma imitação rasca de Vasco Pulido Valente...), fazendo notar bem de quem lado é que está e os ódios de estimação que mantém (não é apenas Sócrates), assim como a complacência que tem com a direita, mesmo a populista.

Na televisão o JMT transfigura-se, torna-se um democrata, até quase que parece um "gajo porreiro" (coisa que não é, de certeza...) no convívio com os três amigos. É aqui que surge o motivo das minhas palavras. Ele é um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias. No mínimo, fazem-nos parecer melhores pessoas.

Isso também acontece nos nossos grupos de amigos, onde surge sempre um "torcido", que obrigamos a andar na linha, dizendo-lhe, mais que uma vez, que o que ele diz não faz qualquer sentido.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, fevereiro 28, 2026

O Olho de Boi ficou mais longe...


A tempestade também andou por Almada. Felizmente, com menos dramas humanos que na Costa de Caparica ou Porto Brandão.

Um dos lugares atingidos foi a estrada que liga a Boca do Vento ao Olho de Boi e ao Ginjal.


Desta vez a Autarquia não esperou um mês (foram apenas umas três semanas...) para retirar a lama, a terra e os restos de árvores caídos, abrindo de novo a estrada aos moradores e turistas, que tanto gostam deste lado do Tejo. 

Ontem vi uma máquina e um camião a retirar tudo o que resolveu descer da encosta (ou arriba...) e torna ainda mais visíveis as nossas fragilidades naturais, quase sempre olhadas de forma desatenta pelos governos e governantes...

(Fotografias de Luís Eme - Olho de Boi)


sexta-feira, fevereiro 27, 2026

À procura da "terra de todos e de ninguém"...


Estávamos a escrever coisas diferentes, em mesas iguais. De vez em quanto cruzávamos o olhar, quase a pedir um intervalo.

Somos parecidos em muitas coisas, porque a vida não nos ensinou coisas muito diferentes. As duas coisas que nos distinguem de uma forma mais fácil, é o sexo e a cor de pele.

Sim, eu sou homem, tu és mulher. Eu sou quase cor de rosa, tu és quase castanha.

É por isso que quando nos sentamos na esplanada, procuras o Sol, eu procuro a sombra.

O mais curioso, foi teres-me contado, que há medida que os anos passam, sentes que as pessoas olham para ti, como se não pertencesses aqui. Mesmo que tenhas nascido neste país há mais de quarente e sete anos e só tenhas saído de cá em férias...

Foi por isso que adorei ouvir a história que me contaste, que podia ser sobre a "terra de todos e de ninguém".

Mesmo que nunca tenha sentido o que sentes, gostei muito da ideia sobre a existência de um país de ninguém, com as portas abertas para todos aqueles que sentem não pertencer a sítio nenhum, e por isso mesmo, preferem viver na "terra de ninguém", onde não há o hábito de se olhar de lado para quem passa, ou pior, mirar-se de alto a baixo, como se nos estivessem a tirar as provas de um fato ou de um vestido...

E depois voltámos para as mesas iguais, onde escrevemos coisas diferentes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Parece que a mentira deixou de ter perna curta...


Não sei até onde se chegará, com todo este o movimento social e político crescente, em que se banaliza a verdade, ao ponto de deixar as pessoas cada vez mais divididas, entre a realidade e as percepções interesseiras deste ou daquele (Montenegro é bom nisso, quem o topa é o Passos...).

Sei que é um trunfo usado por todos aqueles que querem chegar ou permanecer "eternamente" no poder. E está longe de ser uma novidade.

Salazar sempre o fez, embora mentisse com o ar mais cândido do mundo e não se servisse do poder para enriquecer (só quem o rodeava é que "enriquecia", dizem...), mas apenas para se perpetuar como "dono do país".

Acontece que hoje, quando vemos e ouvimos Trump ou Ventura a mentirem com os dentes todos (se for preciso ainda pedem alguns emprestados...) e sem qualquer tipo de pudor, ficamos com a quase certeza de que a mentira deixou de ter a perna curta.

No meio disto tudo, há um coisa que ainda não percebi bem, foi se estamos mais estúpidos, ou se apenas fingimos ter as "orelhas maiores"... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, fevereiro 25, 2026

A sensação de ter perdido algumas palavras pelo caminho...


Quando escrevo tenho a sensação de que o meu vocabulário está a ficar mais incompleto, que há uma ou outra palavra que ficou perdida no caminho...

Recorro mais ao dicionário (devia dizer aos...) e ao "senhor google", que por muito que disfarcemos, é um grande "inteligente artificial".

Talvez exista um limite de idade para escrever...

É quando me aparece o exemplo do nosso Nobel, que publicou o "Memorial do Convento" aos sessenta anos e foi galardoado com o prémio sueco com setenta e seis anos de idade...

Depois do "Memorial" foi escrevendo obras como "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (1984), "A Jangada de Pedra" (1987) ou o "Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991), que tanta polémica deu, ao ponto de ele se exilar de forma voluntária em Lanzarote...

O mais provável, é esquecermos umas palavras e encantarmo-nos com outras...

Também sei que o ritmo da escrita diminui, com a mesma naturalidade que nos aparecem os primeiros cabelos cinzentos ou as dores que se vão tornando crónicas...

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)


terça-feira, fevereiro 24, 2026

A nossa convidada disse coisas que normalmente não diz e nós também dizemos coisas que normalmente ficam fora das nossas conversas...


Vinha para casa e comecei a pensar que talvez nos achemos demasiado importantes para estar a falar da telenovela da noite, à mesa da esplanada do café (olá camarada Sol)... 

Ou não. Muitos de nós estão de tal forma viciados em documentários e notícias, que evitam mesmo o seriado duplo ou triplo das televisões "rainhas" das audiências. Outros preferem a distracção e o humor dos "podcasts". Há ainda outros que preferem ir ao cinema dentro de casa, ou então ver "cinquenta episódios" seguidos da série da moda.

Telenovelas é que não vêem, é coisa para velhos ou donas de casa...

Chegou aquela mulher disse boa tarde e abancou, quase sem pedir licença (só depois é que percebemos que era a "nova amiga" do Rui).

Uma das primeiras coisas que disse foi que ia estrear uma novela que devia ser boa, cheia de "Páginas da Vida". Olhámos uns para os outros, sem saber o que dizer, como se de repente ficássemos fora de pé e todos nadássemos pessimamente.

Foi coisa de segundos. De um momento para o outro, já estávamos a falar de namoros de revistas, de pessoas de plástico e de outras cheias de plásticas. A coisa até se tornou divertida, embora fugisse ao tom habitual.

Mas a melhor frase da convidada ainda estava para vir, quando ela salientou uma das nossas diferenças: os homens somam mulheres ao seu currículo e as mulheres subtraem homens da sua conta pessoal.

Acabámos todos a sorrir. 

Ela foi a última a chegar e a primeira a partir. E não deixou de ser uma agradável surpresa, por nos conseguir levar para outras conversas. 

O mais curioso foi o Rui começar a desculpá-la, tentando dizer-nos que ela normalmante não é assim, não diz aquelas coisas, etc. Como se isso tivesse alguma importância... Nós, normalmente também falamos de outras coisas. E nem soube mal de todo "mudarmos de rua" e fazermos quase uma vénia à Dona Lili...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, fevereiro 23, 2026

"Bilhete-postal" para um amigo...


Sei que devia conversar, olhar-te nos olhos, em vez de estar a escrever este "bilhete-postal".

Até porque não acredito que tenhas mudado assim tanto, ao ponto de teres viajado para o planeta do Trump e do Ventura, sem levares bilhete de regresso. Faz-me confusão que acredites que o mundo agora é uma mentira e que vale tudo para "lixar o próximo".

Por muito desiludido que possas estar com os nossos políticos incompetentes e corruptos (eu sei que são mais de meia dúzia...), não podes pensar em os substituir por uma coisa pior: populistas especialistas em "cantos da sereia" e "cantigas do bandido", que dizem sempre o que queres ouvir, em especial quando estás farto de tudo e de todos. Cansado de ser enganado e de ver gente que está interessada em tudo, menos em resolver os teus problemas.

Podia dizer-te para olhares para os Estados Unidos.

Mas já não é preciso atravessares o Atlântico, começas a ter muitos exemplos de que esse partido onde votas não passa de um "antro de bandidos". E nem é preciso colocar o foco nos ladrões de malas ou nos pedófilos. Agora que se chegaram ao poder, já começaram a oferecer "tachos" (e panelas), às namoradas, irmãs, tias e primas, porque seguem à letra a frase mestra dos políticos de sarjeta: "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

E depois há a parte que eles tentam esconder (mesmo que o seu "rabo gigante" fique sempre de fora...), a ideologia. De vez enquanto lá aparecem os "três salazares", assim como a tentativa de tapar "Abril" com "novembro", que é sempre demasiado pequeno e curto, para apagar esse dia inesquecível que nos devolveu a liberdade e a democracia.

Nota: texto publicado inicialmente nas "Viagens pelo Oeste", dirigido a um amigo caldense...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, fevereiro 22, 2026

O encurtamento da estrada da liberdade...


Nos últimos anos, mesmo os países que se dizem democráticos, têm tido o cuidado de ir colocando limites nos caminhos da liberdade.

É por isso que hoje temos de ter mais cuidado com o que dizemos e com o que escrevemos (as redes sociais e os anonimatos não contam, claro...).

Está sempre alguém escondido na esquina, preparado para retirar as nossas frases do contexto e fazer acerca delas "um filme" diferente, daquele que era nosso.

E se pensar de forma oposta, é mesmo capaz de ver coisas, que nós, autores dos textos ou palestrantes, nunca escrevemos ou dizemos.

Isto até se percebe, porque sempre foi mais fácil de levar pelos campos um "rebanho de carneiros", que um conjunto de "ovelhas tresmalhadas". Mas não explica que países que se dizem democráticos (EUA é o maior exemplo) governem cada vez mais como ditaduras...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, fevereiro 21, 2026

Claro que há sempre alguma coisa que se pode fazer...


A ideia quase inocente - e poética - de que tornar o mundo melhor só depende de nós, às vezes faz-me sorrir, outras dá-me cócegas.

Nem tudo é mau, até porque além de me fazer sorrir e coçar, também me faz pensar, e até escrever...

Ter dezoito ou dezanove anos é bom, entre outras coisas, por nos dar uma capacidade de sonhar, quase até ao infinito. 

E continua a ser boa ideia continuarmos a acreditar no poeta, que nos diz que "sonhar é uma constante da vida". Basta olhar para trás para perceber que muitas coisas boas que nos aconteceram, nasceram de sonhos...

Ao contrário do que os espertalhaços deste tempo pensam, ser inocente, nunca foi sinónimo de parvo.

E claro que sim, há sempre alguma coisa que se pode fazer, para tornar esta quase bola onde habitamos, numa coisa melhor, mesmo quando já se tem oitenta anos...

Talvez a mais importante seja olharmos para trás com olhos de ver, não termos medo do passado. É ele que nos ajuda a "ver melhor" e a não cometer o mesmo erro, mais que duas vezes... 

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)