Claro que podia - e devia - ter mudado mais, muito mas...
As notícias diárias informam-nos de que o que não faltam por aí, são homens - devia dizer bestas, eu sei - que não aceitam as mudanças, nem conseguem olhar para a mulher como uma igual (muitos nem os outros homens, por isso é que se refugiam nos partidos de direita, mesmo que não passem de uns "pobretanas"...). Entre outras coisas, é sua "propriedade", ponto final.
O pai desta amiga era movido a álcool, desde quase que se levantava, tal como a maior parte destes cobardes. Era pequena e já conhecia todos os nomes feios que existiam. E quase todos os dias via o pai ameaçar a mãe de morte, de formas diferentes (era isto que mais a assustava e fazia com que passasse alguns começos da noite, quase se sentinela à porta do quarto dos pais...).
Embora estes "cães" fossem mais de ladrar que de morder, o álcool consegue dar-lhes a força que não têm, para destruir a sua vida e a dos outros...
De vez em quanto interrompia-a, dizendo coisas como porque não "saíam de casa", etc., esquecido da dependência económica e da sociedade de então, que em casos de infidelidade (ou apenas suposições...), tratava sempre a mulher como "puta" e o homem como "justiceiro"...
Poucas horas depois desta conversa somos informados da morte de uma jovem de 16 anos, barbaramente assassinada pelo namorado de vinte anos.
Ficamos sem palavras.
Apesar das muitas mudanças que se verificaram, continuam a existir demasiadas "bestas" e "odivelas" à nossa volta...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
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