sexta-feira, abril 16, 2021

Regresso às Origens...


Hoje foi o meu dia de regresso às Caldas, quase quatro meses depois.

Nunca perdemos o contacto. Partilhámos a cor dos nossos dias... E percebemos que era preferível esperar, gerir o tempo com toda a calma do mundo.

Curiosamente, nem sentimos que tínhamos estado tanto tempo sem nos vermos. Abraçámo-nos e beijámo-nos apenas com o olhar e com palavras ternas... E foi bom.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, abril 15, 2021

O Nome e a Cor dos Livros (dentro dos "jogos da sedução")


Penso que a escolha do título e da capa de um livro, nunca se revelaram tão importantes, como neste nosso tempo.

O autor e a editora sabem que é cada vez mais necessário (a bem do negócio...) chamar a atenção do "comprador aleatório", que se encanta com as primeiras palavras e a imagem que lhe surgem à frente e quase lhe piscam o olho nos escaparates mais apelativos.

Acho que eles sabem que alguns dos livros comprados vão directamente para a estante. Ou seja há muitos livros que não são comprados apenas com a finalidade da leitura...

Irene Vallejo, que escreveu esse livro extraordinário que é "O Infinito num Junco", fala sobre a sua crescente importância, acrescentando que o crescimento do jornalismo, o aumento da leitores, assim como o desenvolvimento do mercado, fizeram com que fosse cada vez maior a necessidade de chamar a atenção do leitor (e até de o seduzir...).

José Saramago, por exemplo, antes de começar a escrever um novo livro, já tinha o título escolhido...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


quarta-feira, abril 14, 2021

Ler e "Ouvir" Quem Escreveu (é capaz de ser coisa de malucos mas...)


Por vezes acontece-me estar a ler e conseguir, a espaços, "ouvir a voz" do autor do livro ou crónica de jornal. Não deixa de ser surpreendente e agradável (mesmo que só aconteça de longe a longe...).

Claro que isto só acontece quando a própria escrita parece ter "pronúncia", como foi o caso, e quando conhecemos a voz de quem escreve...

Para não deixar suspense no ar, eu conto. Estava a arrumar papeis e parei os olhos numa crónica antiga (e deliciosa...) de Júlio Machado Vaz. Quando deu por mim, estava a "ouvi-lo" contar a crónica, com o seu jeito especial de comunicar...

(Fotografia de Luís Eme - Quinta da Arealva)


terça-feira, abril 13, 2021

"Há Gente para Tudo..."


Nas minhas caminhadas costumo encontrar "lixeiras" nos lugares mais imprevisíveis.

Às vezes são lugares onde não é é possível circularem carros, e mesmo assim, há gente que consegue conspurcar a natureza, pura e dura.

Chego mesmo a perguntar aos "meus botões", quem é que se dá ao trabalho de transportar tanta porcaria, para lugares isolados, quando têm a possibilidade de a colocarem nos contentores do lixo...

Mas nem devia ficar muito surpreendido, a vida está sempre a dizer-me, que "há gente para tudo..."

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, abril 12, 2021

Sim, "Frágil" é a Palavra...


Ela continuava a regar as plantas que tinha na marquise, ao mesmo tempo que dizia não sentir saudades da rua. Talvez por a olhar todos os dias, por conhecer muitos dos passos da vizinhança, e claro, por sentir que por ali só aconteciam "normalidades".

Não dizia que era a dificuldade em andar que a "fechava em casa". Dificuldade que já chegara antes da pandemia. Às vezes dizia, sem perder o sorriso, que a velhice era uma chatice e um desconsolo. Mas nunca dizia que ninguém devia chegar a velho, por que ser velho queria dizer ser "vivo".

Fazia perguntas sobre pessoas, que lhe parecia terem desaparecido. Era como se tivessem ido morar para um país distante. Nunca fora muito de falar ao telefone. Sempre teve dificuldade em falar com as pessoas quando não tinha nada para dizer...

Foi então que me olhou nos olhos e disse, enquanto fazia uma festa a uma flor: «Somos tão frágeis...»

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, abril 10, 2021

"Cada pessoa é um livro"


É quase um lugar comum, dizer a frase que tanto encanta a Esther, de que "cada pessoa é um livro".

Mas acaba por ser verdade. Pode ser um "livro", mais ou menos aberto. Pode ser, bom, mau ou assim assim.

Até a temática pode retratar o melhor e o pior que existe dentro de nós...

Claro que a Esther é uma sonhadora. E ainda bem.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, abril 09, 2021

A Justiça e os "Justiceiros" do Costume...


A leitura do despacho de pronúncia da Operação Marquês pelo juiz Ivo Rosa, não deve surpreender ninguém, nem mesmo os "jornalistas-justiceiros" - que hoje e amanhã vão demonstrar a sua grande  "indignação" e "repúdio" pela decisão - e o próprio ministério público, que conseguiu construir um "mega-processo", com mais suposições que provas bem fundamentadas, conduzido ao fracasso do costume. 

Sei que José Sócrates é tudo menos uma pessoa recomendável, e que foi graças à sua "esperteza" (utilização de "dinheiro vivo" e da sua rede de amigos e familiares, para "branquear" vários crimes de corrupção...), que conseguiu sair quase "ileso" em todo este processo.

Faz-me confusão de que no meio de tantos "indignados", ninguém diga que a lei tem de ser alterada, que estes crimes de corrupção não podem continuar a prescrever, como aconteceu em mais um julgamento de "ricos", em que de 28 arguidos, apenas cinco se vão sentar no banco dos réus, e com acusações que nos deviam fazer corar de vergonha.

Acho que o mais importante continua a ser o "espectáculo". Bom, bom é conseguir prender um ex-primeiro-ministro em directo do aeroporto, dar voz a um procurador com ânsias de ser "xerife" como aqueles dos filmes norte-americanos ou fazer programas acusatórios com "jornalistas-justiceiros" de dedos em riste, também presos ao imaginário do Oeste americano...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, abril 08, 2021

A Força e a Beleza Primaveril...


Ontem e hoje fui mais "curto" que o costume, talvez por saber que nem sempre é necessário utilizar muitas palavras, quando a força reside sobretudo na imagem.

Não se trata apenas de "falta de assunto", é também gostar de uma fotografia (de ontem) e não saber muito bem o que fazer com ela...

Pois é, basta a legenda... escrever sobre o poder e  a força da natureza. Neste caso particular, das flores que conseguem crescer no meio da ferrugem e da poluição, que resiste ao tempo, nos velhos estaleiros da Lisnave...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, abril 07, 2021

Saudades de Ver "O Mundo a Passar"...


Estávamos todos a precisar das esplanadas.

O Sol, os donos dos cafés, e os outros, que neste caso particular, somos nós.

E não tem de ser necessariamente para estudar ou escrever. Pode ser apenas para ver "o mundo a passar"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, abril 06, 2021

A História Pode ser Outra Coisa?


O avanço dos "nacionalismos" e "populismos" acabou por ser o centro de uma conversa com amigos que têm como interesse comum, a História. 

A nossa grande questão, era se a história poderia ser interpretada e apresentada de forma diferente, sem tantas lendas e mitos (e mentiras também, claro...), puxando-nos a nós sempre para cima e aos outros para baixo.

Claro que a história hoje já não se baseia tanto em lendas e mitos, mesmo no primeiro e segundo ciclo (os tempos em que precisamos mais de heróis...). Mas todos estivemos de acordo, que ela tem sempre de ser positiva e puxar ao nosso orgulho nacional. Mas também concordámos que as "mentirinhas" e as "omissões", não fazem falta nenhuma.

Penso que o objectivo da história é transmitir uma mensagem positiva a todos nós, do que somos e fomos como povo. É por isso que o espírito de nação terá de estar sempre presente, tem de ser algo que nos mostre o que fizemos de grandioso noutros tempos, deixando sempre presente a tal pontinha de orgulho.

Uma coisa são os Descobrimentos, outra o comércio de escravos. Não podem nem devem ter a mesma leitura, por que são coisas diferentes.

Deve ter sido por isso que também estivemos todos de acordo, que o avanço dos "nacionalismos" e "populismos" não está directamente ligado com a nossa história. O exemplo que saltou para a mesa foi o de Salazar, que está longe de ser uma figura positiva do século XX, e mesmo assim é idolatrado por praticamente toda a extrema-direita.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 05, 2021

"Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa..."



Às vezes paro para pensar e fico no mundo onde cresci e percebo, um pouco melhor, tudo aquilo que me rodeia, e o porquê de muitas coisas... 

As coisas diferentes nunca podem ser iguais, dizia o meu avô, quando as minhas tias defendiam um mundo onde houvesse espaço mais para as mulheres. Claro que elas não se ficavam. E muito bem. Tal como o avô.

Claro que estas coisas passaram-se há mais de quarenta anos... felizmente, mudou muita coisa. Embora o avô estivesse certo que "as coisas diferentes nunca podem ser iguais", não é disso que quero falar. Quero falar sim, de um rapaz da minha geração, que não aceita, que para trabalho igual exista salário igual. Acha que as mulheres devem ganhar menos, mesmo que os seus argumentos tenham cada vez menos "pernas para andar" (as habituais diferenças biológicas...). Tenho a certeza que até o avô, estaria contra ele, porque "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa"...

Mas é difícil pensar em "igualdade", enquanto muitas mães continuarem a defender os seus filhos, homens, contra as suas "eternas inimigas", noras, com atitudes, tão ou mais machistas, como a deste amigo, que tem tanto orgulho no seu marialvismo ribatejano", herdado da família paterna...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 04, 2021

Primavera Pascal


A Primavera tem o poder de transformar, visualmente, qualquer espaço abandonado, oferecendo-lhe tantas vezes a beleza que falta, graças ao abandono e ao vandalismo que reinam...

(Fotografia de Luís Eme - Quinta da Arealva)