Há muito tempo que sei que se lê mais, mas muito pior. Basta andar nas ruas e ver gente de todas as idades (sim, dos oito aos oitenta anos...), com os olhos presos aos smartphones, a lerem o "lixo diário" que lhes enviam, minuto a minuto, disfarçado de notícias.
Os cérebros de plástico dos fazedores de notícias e e da inteligência artificial passam o tempo a oferecer-lhes cabeçalhos sumarentos de apenas duas ou três linhas - usam a mesma técnica dos "tablóides", que têm sempre duas ou três notícias de capa, capazes de chamar a atenção de quem passa na rua, mesmo que depois a notícia seja ligeiramente diferente do título - pintando a realidade com as cores que lhes dão jeito.
Quem não tem hábitos de leitura (a maioria da nossa população...), além de "comer" facilmente gato por lebre, sente-se muito bem informado e capaz de discutir qualquer assunto, do país e do mundo, numa mesa de café ou na mercearia de bairro.
Vale quase sempre pouco, dizermos que não foi bem assim que as coisas se passaram. Ainda somos capazes de passar por mentirosos, por estarmos feitos com os jornais e as televisões, que ainda se esforçam por serem "fábricas de notícias" e não de entretenimento...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)







