Se há livros que querem ser lidos da primeira à última página - tal é a sucessão de acontecimentos que nos vai surgindo, capítulo a capítulo, ao ponto de só descansarmos quando chegamos ao fim -, há outros que pedem reflexão, quase que nos pedem para parar para pensar...
Normalmente estas obras são escritas com alma, quase sempre sobre temáticas sensíveis, onde o escritor quase que se despe por inteiro... conseguindo expressar o que sente através das palavras que nos oferece.
No meu caso pessoal, é raro sentir esta vontade de parar a leitura e ficar agarrado a uma frase ou um verso, capaz de transmitir tanto apenas com meia dúzia de palavras. Senti isso com a "Fortaleza" de António Borges Coelho.
É um pequeno livro de poemas, com uma introdução em prosa, onde o autor nos oferece a multiplicidade de sentimentos, sem nunca perder a autenticidade, que pode ser entendido como um "diário poético" do seu tempo de prisioneiro no Forte de Peniche...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)