sábado, junho 27, 2026

Eu tenho uma ideia, mas...


As coisas funcionam tão mal no nosso país, que quase todos nós, "temos uma ideia", de como era possível melhorar as coisas...

Isso tanto pode ser na repartição pública onde uma coisa que podiam fazer em menos de cinco minutos, obriga a um "circuito burocrático", que só nos permite receber a "tal coisa", na melhor das hipóteses, daí a quinze dias... Como no SNS, onde além das dores que as pessoas têm e as levam às urgências, ficam a perceber que a vida e a morte nunca é uma urgência no nosso país...

Podia continuar a desenrolar o rolo de papel higiénico, onde estão descritos problemas similares, na justiça, na educação, no emprego, no clube da nossa terra que nunca sobe de divisão ou até na tal selecção, que tem os "melhores jogadores do mundo", que ninguém consegue encontrar nos relvados americanos...

Sei que as coisas melhoravam, muito, se em vez de termos tantos "comentadores", tivéssemos mais "fazedores"...

Mas onde é que eles estão? Onde é que eles andam?

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sexta-feira, junho 26, 2026

«Há pessoas que só dizem o que pensam, com uma máscara, como se fossem outras pessoas...»


Olhava para o Tejo, em mais uma travessia, na companhia da gente de fora, que não perdia uma viagem até Cacilhas, como se no outro lado existisse um ponto turístico, para lhes carimbarem o seu "encontro com o rio", dentro e fora do Cacilheiro.

Desta vez estava longe, não me conseguia desligar do desabafo de um amigo, que acabara de se separar. Disse-me muitas coisas, mas a que me fez mais confusão, foi a confidência de que nunca conseguiu conhecer bem a mulher, nunca conseguiu ter com ela uma daquelas conversas, em que sentimos que entramos dentro do outro... 

O que mais estranhava era ser extremamente activa nas redes sociais, onde usava um outro nome. Era como se fosse outra pessoa...

Confrontou-a mais que uma vez com isso, mas nunca conseguiu chegar a sítio nenhum. Nem mesmo quando foi colocado em uma ou outra situação embaraçosa, na família e no grupo de amigos, sem ser "ouvido e achado"...

Disse-me outra coisa, a que não liguei tanto, por ser mais comum do que o que parece: «Hoje sinto um grande alívio, por não termos tido filhos.»

Mas o que não me saía da cabeça era a frase: «Há pessoas que só dizem o que pensam, com uma máscara, como se fossem outras pessoas...»

Eu estava farto de saber que a maneira mais fácil de olharmos para o mundo, é com os nossos olhos, sem pensarmos que os outros olham para o mesmo lugar e vêm outras coisas... 

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, junho 25, 2026

Um "sapinho" que se tornou (mais) feio...


Está quase a terminar o tempo de  "vida" dos blogues do Sapo.

Todos (até os bons, que sigo diariamente...), têm de escolher outro endereço, a partir do próximo mês. A não ser que aproveitem esta oportunidade para dizerem adeus à blogosfera...

Lembrei-me que, quando somos conservadores, há sempre coisas boas e más à nossa espera... por termos ficado parados ou por termos dado um passo em frente.  

Não registei a data, mas deve ter sido há mais de quinze anos (o tempo tem asas, cada vez mais velozes...), que me convidaram para me mudar para o "clube dos sapos". Deram-me um nome feminino e um número de telemóvel de contacto, para o qual nunca liguei.

Segundo o convite, eles estavam apostados em ter os melhores blogues nacionais e o meu "Largo" fazia parte da lista... As pessoas sempre gostam de exagerar, vá lá saber-se porquê.

Não perdi muito tempo a pensar no assunto. Não tinha nada a apontar ao "blogspot". Sentia-me bem e livre (só uma vez é que entraram em contacto comigo por causa dos direitos de autor de uma imagem, mas até isso foi positivo, porque fez com que passasse a utilizar apenas as minhas imagens em mais de 99% dos textos...).

O mais curioso nisto tudo, é que, vinte anos depois (sim o "Casario" já fez vinte anos...) os blogues continuam, velhos e antiquados, mas vivinhos da silva. Apenas o "sapo" é que está a morrer...

Há outro dado curioso. Se o número de visitantes e de visualizações está certo, 2026 tem sido o ano de todos recordes, tanto no "Largo" como no "Casario".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, junho 24, 2026

Nunca tinha pensado nisso, mas basta olharmos para o mundo, com olhos de ver...


Estava quase a chegar a casa, quando me cruzei com uma vizinha (daqueles com quem nunca trocámos qualquer palavras, nem mesmo um simples bom dia ou boa tarde...).

Ela falava com o seu pequeno cão (quase de bolso), como se fosse uma pessoa. Depois de lhe dar uma reprimenda quase a brincar, fez-lhe uma festa.

Estou farto de ouvir falar da "transferência familiar", dos animais que são tratados como filhos pelos seus donos, quase sempre com mil cuidados. Além das conversas diárias, como a que assisti, vivem no interior das casas, são regulares visitas ao veterinário, e os seus "pais" até os costumam "vestir", especialmente no tempo frio.

Mas desta vez pensei na "transferência de afectos"... Nunca vi esta senhora com um homem ou com uma criança. A sua solidão é igual à de milhares de pessoas, especialmente mulheres, que marcadas por más experiência de amor (nós homens somos bons como "bestas humanas"...), dentro e fora da família  nunca mais nos dão qualquer possibilidade de aproximação, pelo menos intima e afectiva.

Nem se trata de uma "solidão invisível", como por vezes se gosta de dizer. Ela é bem visível, está bem presente aos olhos de todos...

Basta olharmos para o mundo que existe à nossa volta.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, junho 23, 2026

O Portugal do Correio da Manhã (e das imitações que se fingem mais "finas"...)


Portugal acabou de ganhar, cinco a zero, a um pedaço da velha Rússia e União Soviética, chamado Uzbequistão.

Como era de prever, Cristiano Ronaldo marcou dois golos e passou de besta a bestial. Alguns dos comentadores que o crucificaram nos últimos dias, devem estar a montar um altar nas suas televisões...

Lembrei-me das palavras de António Lobo Antunes, que fingia não se levar a sério como cronista. Não eram sobre futebol, eram sobre nós, sobre a televisão e sobre os políticos que andam vestidos com a camisola da selecção nas redes sociais:

«É extraordinário como gostamos de comer merda desde que seja açucarada, é extraordinário percorrer a lista dos best sellers nas livrarias. Isto, claro, não é um fenómeno português, é um fenómeno universal, e nem sequer é recente. Dura desde o século XIX pelo menos, e é fácil de explicar, como é fácil de explicar o sucesso do jornal Correio da Manhã, de certos programas de televisão, de certos políticos, dos espaços sobre futebol que encharcam os ecrãs, das telenovelas miseráveis.»

Estas palavras foram publicadas na "Visão" a 23 de Fevereiro de 2017, há mais de nove anos. Provavelmente, daqui a vinte anos continuarão actualizadas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 22, 2026

Quase "certificados (ou atestados) de sexualidade"...


Uns familiares afastados, quase que nos obrigaram a entrar na sua casa, com o argumento de tomarmos o café, que íamos beber à Associação Cultural local, quando passámos pela sua rua. Acabou por ser uma visita de médico agradável.

Um dos aspectos curiosos que mereceu a atenção dos meus filhos, foram duas fotografias, de nus, de bebés, dos dois filhos do casal, que são da minha geração, expostas em cima de um dos móveis da sala.

Começaram por "gozar" o prato, afirmando que eu e o meu irmão também devíamos ter fotos daquelas na casa da avó. Acabámos os quatro a sorrir. Argumentei que foi um pormenor que escapou à nossa família, e ainda bem. Isso fez com que nós também não explorássemos a sua nudez em bebés...

Quase em coro, os meus filhos disseram, "que pena". E nova gargalhada geral.

O mais curioso, é que a maior parte destes retratos eram tirados no atelier de fotografia. Sem encontramos uma justificação, achámos devia ser uma moda geracional, que ajudava as lojas de fotografia a sobreviverem.

A conversa ainda avançou mais, ao ponto de se falar em "certificados (e atestados) de sexualidade", a prova de que éramos meninos ou meninas... 

Algo que hoje não prova grande coisa (a não ser para o "toureiro"do CDS...), pois há quem tenha pilinha e se ache mulher e quem tenha pipi e se sinta homem...

(Fotografia de Luís Eme - A Foto Franco é uma boa resistente, que continua com a sua loja história aberta, na Rua das Montras das Caldas. E tem exposta, com orgulho, uma fotografia do  actual Presidente da República).


domingo, junho 21, 2026

Já nem é preciso chegar a amanhã para se mentir...


Se eu tivesse dúvidas da paixão que desperta o futebol, em que quase todos querem ter opinião, por mais diversas que sejam, elas dissipavam-se com o que se tem passado com o Mundial.

Nem se pode dizer que a "vox populi" esteja certa, mesmo que faça o mesmo que os comentadores televisivos, num contorcionismo diário, que se normalizou, dando razão a um certo dirigente desportivo que não teve qualquer problema em dizer que no futebol "o que hoje é verdade amanhã é mentira", como se tivesse uma "bola de cristal" para ver o futuro.

É por isso que o nosso "pior do mundo", se marcar um ou dois golos no próximo jogo, corre o risco de voltar a ter de vestir a pele de "salvador da pátria".

Noutros tempos podia-se falar de honestidade ou desonestidade intelectual, mas como estão a querer "matar" e a banir os intelectuais do Planeta, nem vale a pena pensar-se nisso.

A questão mais estranha nisto tudo, foi esta "futebolização televisiva" ter feito "rolar a bola" para todas as áreas, com relevo para a política. Aliás, ainda foi mais longe, nem é preciso chegar a amanhã, para se mentir, como percebemos com os discursos de Montenegro ou Ventura...

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


sábado, junho 20, 2026

Festa operária em Lisboa na sexta-feira...


Tinha de ser alguém de fora, a dizer que exagerávamos, cada vez mais, na nossa forma de sermos "porreiros" para com os políticos. Disse inclusive que depois do que Hugo Soares e André Ventura tinham dito na quinta-feira e depois do que aconteceu na sexta (chumbo da Reforma Laboral), não havia mais espaço para eles na "câmara dos comuns".

Claro que o Peter - que adora que lhe chamemos Pedro  - estava a exagerar, embora o parlamentarismo do seu país nos oferecesse vários exemplos, de que nós éramos de facto demasiado permissivos.

Se estivermos virados para o humor, somos capazes de achar engraçada a reacção de ambos, no dia em que a proposta de Reforma Laboral foi votada e deitada para o lixo em São Bento. Ventura cantou vitória e até foi capaz de se virar para as bancadas onde estavam os representantes da CGTP e erguer o punho fechado como se fosse o grande defensor da classe operária.

Já o líder parlamentar do PSD, depois de levar mais um "bailinho populista" do Ventura, foi capaz de dizer, com um ar sério, que "com o PSD ninguém brinca"... E depois ainda teve coragem (ou cobardia, depende do ponto de vista...) para tentar colar o PS ao Chega e falar de uma "coligação"...

Tudo isto é realmente triste e mau de mais para ser verdade. 

É por isso, que a única coisa que interessa mesmo, é que esta Reforma Laboral, feita à medida dos patrões, foi chumbada. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, junho 19, 2026

É tão fácil comparar o que não é comparável...


A coisa mais fácil de dizer e fazer, depois da primeira jornada do Mundial, é colocar Messi no Olimpo e Ronaldo nas catacumbas.

Fingem mais uma vez que se pode comparar o que não é comparável.

Muitos até dizem que Cristiano nunca foi um génio, que o seu talento é apenas fruto de muito trabalho e disciplina.

Se tivessem falado com os seus antigos companheiros das camadas jovens do Sporting, ou com os seus técnicos, percebiam que Ronaldo foi desde sempre, "o melhor de todos". Desde os iniciados até aos juniores.

Claro que foi sempre um jogador diferente de Messi, até na zona do terreno onde jogava. Por ser alto, forte e rápido, jogava nas alas, sem nunca perder de vista a baliza adversária. A velocidade, a força, a técnica e a inteligência, sempre foram as suas grandes armas. Messi, pequenino e franzino, valia-se da magia que tinha nos pés, para esconder a bola e ludibriar os adversários, ao mesmo tempo que era protegido (e bem) pelos árbitros, pela sua aparente fragilidade física.

É por isso natural que se note muito mais, a decadência futebolística de Cristiano. Além de ser mais velho dois anos e alguns meses, perdeu,  naturalmente, as suas principais armas. A velocidade e a força física não são as mesmas aos 42 anos, que eram aos 25, 30 ou 35 anos. É um problema com o qual Messi não se confronta de forma tão directa. A sua magia não se perde no tempo, porque faz parte da sua essência, sem estar dependente apenas da condição física, de mais ou menos velocidade.

É por isso que continuo a achar que não se pode comparar o que não é comparável.

Escrevi isto sem qualquer patriotismo bacoco. Para mim, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, são os melhores de sempre.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quinta-feira, junho 18, 2026

Eles não sabem, mas o Humanismo não cabe nos caixotes do lixo...


O que mais me tem chocado na governação falsamente democrática de Montenegro, é a quase ausência de humanismo, na maior parte das suas medidas de cariz social.

Eu sei que esta maltinha da direita sempre gostou mais de dar esmolas, que de criar condições para que as pessoas pudessem viver com mais dignidade... e não se limitarem a olhar para o chão.

Até iam à missa (muitos ainda devem ir e até comungam e tudo...) e fingiam-se cristãos, mesmo que não soubessem muito bem o que era isso. O que eram mesmo, era católicos...

Mas vamos lá ao assunto que interessa. Não satisfeita com a tentativa de aprovação da PSU, a AD resolveu alterar também as regras do SMC (Subsídio de Mérito Cultural). Pelo que li na reportagem da Joana (Amaral Cardoso) nas páginas do "Público", fizeram-no de uma forma cobarde e silenciosa. Ou seja, simplesmente decidiram reduzir e cortar os subsídios, que eram atribuídos a antigos homens e mulheres das artes e letras, que viviam com dificuldades, sem qualquer aviso ou informação.

Perante este drama, houve mesmo uma tentativa de suicídio de um velho fotógrafo, que viu o seu subsídio ser reduzido de 470 para 128 euros. Já vivia mal e esta alteração fez com que se sentisse quase "condenado à morte".

Faz-me ainda mais confusão que sejam ministras a estarem ligadas a todas estas polémicas de tostões (e o dinheiro nem é delas, é de todos nós...), quando sempre se reconheceu uma maior sensibilidade social às mulheres...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, junho 17, 2026

Nada disto é surpreeendente (nem a reacção dos portugueses)...


Como não tenho as expectativas muito elevadas em relação à nossa selecção de futebol no Mundial, não fiquei surpreendido com o empate, até por o Congo ser uma das melhores equipas africanas.

A verdadeira questão é a forma de jogar da selecção de Martinez, que  joga sempre "do meio-campo para trás", com aqueles passinhos inconsequentes, quase em género de "rabia". Mas há ainda um problema ainda grave, recorrente: a sensação de que os jogadores do meio-campo jogam em todo e lado e em sítio nenhum. Parece que jogam sempre fora dos lugares onde poderiam realmente render e dar espectáculo. Quando temos um Bernardo Silva (o mais desaproveitado), um Vitinha, um Bruno Fernandes ou um João Neves, na zona crucial do jogo, o mais natural era jogarmos de uma forma avassaladora e proporcionar situações de golo aos nossos avançados.

É por isso que espero que Jorge Jesus seja o próximo seleccionador. Com ele sei que a selecção passa a jogar do "meio-campo para a frente", sem medos, ao mesmo tempo que aproveita todas as potencialidades dos nossos melhores futebolistas.

Em relação aos habituais delírios portugueses, que vão da "besta ao bestial", de "melhores a piores do mundo", são isso mesmo, delírios...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


terça-feira, junho 16, 2026

"Atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir..."


A frase que escolhi para título deste pequeno texto faz parte de uma das canções do Fausto. Escolhi-a porque é um retrato do mundo, andamos praticamente desde a nossa existência a cometer os mesmos erros (por pior que sejam...), que acabam por voltar sempre, de tempos a tempos...

Aparece sempre alguém, capaz de inventar uma guerra qualquer, com um único objectivo, servir os seus interesses pessoais, pouco preocupado com o rasto que deixa atrás de si, tanto de gente assassinada ou mutilada como de cidades completamente destruídas...

Nem a invenção dos deuses e das religiões apaziguaram esta ambição desmedida dos humanos...

Tenho à cabeceira um livro há mais de dois meses, o "Diário" de Hélene Berr (escrito de 1942 a 1944), escrito em Paris durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, por uma jovem judia francesa, que morreu pouco tempo antes da libertação, em Auschwitz. 

Não o leio todos os dias, porque está longe de ser um testemunho agradável, por razões óbvias.

Há muitas partes do seu testemunho que podiam ser transpostas para os dias de hoje, onde a indiferença, se vai tornando reinante. Transcrevemos um exemplo sobre a actividade policial em duas frases:

«Polícias que obedecem a ordens expressas de ir prender uma bebé de dois anos, a casa da ama, para a internar! Eis a prova mais pungente do estado de embrutecimento, da perda absoluta de consciência moral em que caímos. É isto que é desesperante.»

E umas linhas mais abaixo: «Que se tenha chegado a conceber o dever como uma coisa independente da consciência, independente da justiça, da bondade, da caridade, eis a prova da inanidade da nossa pretensa civilização.»

E não são precisas mais palavras...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)