(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
largo da memória
"Antigamente o Largo era o centro do Mundo." (Manuel da Fonseca)
terça-feira, abril 21, 2026
Abril é tudo isto, e muito mais...
segunda-feira, abril 20, 2026
Abril existe para todos (mesmo que algumas pessoas não achem muita piada)...
Sei que nem toda a gente gosta de Abril.
Também sei que isso tem pouco a ver com o que a sabedoria popular nos diz, das águas mil, até porque existem guarda-chuvas e a temperaturas é primaveril.
Tem sobretudo a ver com a "vidinha" e com a famosa "saudade", que não é apenas do fado. Continua a existir gente à nossa volta não consegue esquecer os privilégios que tiveram numa "outra vida", tanto na Metrópole como no Ultramar (mesmo que o tempo tenha ficcionado ligeiramente a realidade...).
Mas isso sempre foi o menos importante.
Importante é sentir que Abril existe para todos...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
domingo, abril 19, 2026
Abril também pode ser um sorriso (daqueles que ficam cravados na memória)...
Muito ao de leve falo de uma miúda amorosa, que conheci nesse dia 25 de 1981. Digo apenas: «E depois desci a Avenida da Liberdade de mão dada com uma miúda gira, a Esmeralda, que ainda gostava mais de liberdade que eu.»
Se hoje continuo tímido, com dezoito anos, era muito mais...
Lembro-me apenas de termos trocado um sorriso e de nos termos aproximado, de estarmos ao lado um do outro e de nos tocarmos, quase empurrados pela multidão.
E depois desfilámos os dois de mão dada. Sei que dissemos muitas vezes, "Abril Sempre! Fascismo nunca mais!"...
Parece ficção, mas aconteceu mesmo. Aos dezoito anos quase tudo nos é permitido.
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
sábado, abril 18, 2026
Abril com Arte e Liberdade nas paredes de Almada
E sim Abril é tudo aquilo...
E que nunca tenhamos medo de festejar a Liberdade, a Democracia, a Igualdade, a Fraternidade, em Almada, nas Caldas da Rainha ou em Albufeira...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
sexta-feira, abril 17, 2026
«Estão a obrigar-nos a todos a brincar aos pobrezinhos»
Só a meia dúzia de famílias do costume é que continuam a não contar neste hábito, que começa a ficar enraizado, de se brincar aos pobres, mesmo na quase desaparecida classe média.
Alguém se queixou na nossa mesa do valor da última factura da água, como se esta também tivesse atravessado o Estreito de Ormuz. Porque do gás, da electridade ou do petróleo, estamos conversados...
Quando o Carlos com o seu humor habitual disse que «estão a obrigar-nos a todos a brincar aos pobrezinhos», todos nós achámos que se tratava de tudo menos uma brincadeira.
À boa maneira portuguesa, sabíamos que a melhor solução para combater este dilema social, era não levar estas questões muito a sério.
Só que, como de costume, as coisas nunca são assim tão simples.
Há muitas pessoas que não têm qualquer vontade de esboçar um sorriso, quando é preciso colocar pão na mesa para os filhos...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
quinta-feira, abril 16, 2026
O regresso de um mundo a "preto e branco"...
Mas basta olhar com olhos de ver, para o se tem feito com o SNS e com a educação pública, com a não contratação dos profissionais necessários para que as coisas funcionem com alguma normalidade... ao mesmo tempo que crescem ao lado hospitais e as escolas privadas...
Mesmo esta lei laboral, que anda de reunião em reunião, até que seja aprovada, aposta num corte significativo nos direitos dos trabalhadores, que já passaram a colaboradores há algum tempo, e cuja precariedade vai passar a ser entendida como "liberdade de acção e de mudança"...
Mas nem era disto que queria falar. Era sim do sentimento de um amigo antigo, que mesmo sem nunca ter sido comunista, nem antes nem depois de Abril, voltou a ver os outros a quererem colar-lhe este rótulo, apenas por se continuar a sentir humanista e gostar de ser livre.
A coisa mais curiosa que ele me disse ontem, foi que não é por lhe voltarem a chamar "comunista", que vai passar a chamar aos bandidos, tiranos e assassinos, que estão à frente da Rússia, do Israel, do Irão ou dos Estados Unidos, fascistas...
Claro que é no mínimo triste e desolador, voltarmos a ver tanta gente com vontade de roubar as cores ao mundo e querer que ele volte a ser apenas a "preto e branco"...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
quarta-feira, abril 15, 2026
Isto de gostar de olhar para aquilo que se mexe nas ruas, com olhos de ver, acaba por ter uma ou outra coisa que se lhe diga...
Como a minha Sofia sabe que olho para todo o lado menos para o chão, e que sou um tipo "cheio de sorte" (houve alguém que inventou esta patranha, de que pisar "merda" dá sorte...), fez com que pensasse logo que: "isto de gostar de olhar para aquilo que se mexe nas ruas, com olhos de ver, acaba por ter uma ou outra coisa que se lhe diga..."
O mais curioso, é que nem me apetece catalogar a personagem que "educa" o seu "bebé" a preferir a pedra da calçada do passeio ao espaço verde meio abandonado que fica a menos vinte metros...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
terça-feira, abril 14, 2026
«Sou um escritor de livros invisíveis»
Talvez por nesse tempo ainda existirem bastantes leitores de livros...
Apesar dos todo o optimismo de alguns editores, de que hoje há mais leitores e que se vendem mais livros, sei que são apenas mais duas mentiras, para juntar a tantas outras, deste nosso tempo. Tempo que perdeu a capacidade de olhar para dentro e para fora de si, e de se interrogar sobre o seu verdadeiro papel nesta bola cada vez mais achatada...
Hoje percebo melhor este meu amigo, por também eu ser "escritor de livros invisíveis"...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
segunda-feira, abril 13, 2026
As guerras das mulheres são diferentes das guerras dos homens...
Estou farto das mulheres que quando chegam a cargos de poder se transformam em "homens", sem precisarem de fazer qualquer mudança de sexo. Simplesmente se limitam a continuar a seguir a cartilha masculina de sempre, a exercer o poder como se tivessem uma pila entre as pernas.
Sei que em muitos aspectos, o maior adversário das mulheres nas últimas décadas, têm sido as próprias mulheres, por não conseguirem (ou não quererem...) sair deste registo masculino.
Embora agora até tenhamos mulheres especialistas em guerra, que falam com a mesma desenvoltura dos homens sobre armas e tácticas, nas notícias que abordam a realidade como se ela fosse quase uma ficção, continuo a acreditar que as suas "guerras" são muito diferentes das dos homens...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
domingo, abril 12, 2026
A política caseira e as viagens até à Lua...
Estava enganado. Continuam a existir temas demasiado "quentes", tanto à esquerda como à direita...
A primeira discussão começou em relação ao Livre, que a minha filha chamou de um "partido capitalista", apenas por não ser contra a iniciativa privada. Claro que ninguém concordou. Confunde-se muito democracia com outras coisas...
Mas o pior estava para vir depois. Um tio disse que o Chega não era um partido de extrema-direita. Toda a gente o contrariou. Apenas eu o "defendi", dizendo que não sabia se este partido tinha ideologia, para além do populismo, de ser capaz de dizer uma coisa agora e cinco minutos o seu contrário.
Claro que houve alguém de cabelos cinzentos e sorriso fácil, que teve a habilidade de mudar de conversa, falando da "Lua". Até foi capaz de dizer que depois do homem ter chegado ao nosso satélite lunar, pensava que por esta altura já seria normal viajarmos até lá, de forma regular...
Felizmente não havia nenhum "negacionista" à mesa e a refeição continuou animada.
(Fotografia de Luís Eme - Céu)
sábado, abril 11, 2026
Achei delicioso alguém me contar que "lia para acordar"...
Estava farto de saber que quem vive sozinho pode fazer coisas diferentes de que quem partilha casa com outras pessoas.
Mas mesmo quando vivemos com os outros, podemos ter um quarto, que é quase como um de hotel, com a porta fechada para o exterior. Acho que hoje isso acaba por ser levado ao extremo pelos nossos filhos, que passam demasiado tempo fechados na sua "divisão de hotel"...
Mas não é sobre isso que quero falar. Até porque, como já perceberam pelo título, é de livros que se trata a conversa.
Livros e leitores. Às vezes lembro-me de ter passado a noite toda a ler (deve-me ter acontecido apenas duas ou três vezes...), quando vivia sozinho e quando um livro (desses que são cada vez mais raros...) me pedia para ser lido da primeira à última página.
Mas a história que vos vou contar é outra. A Zé costuma acordar demasiado cedo, a horas quase indecentes, como seis e meia da manhã. É então que resolve "ler para acordar"...
Sorri quando ouvi a expressão. Sei que todos os leitores que têm livros na cabeceira, já o fizeram, uma ou outra vez. Mas achei delicioso alguém me contar que "lia para acordar"...
(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)
sexta-feira, abril 10, 2026
As pessoas com quem me cruzo nas ruas de Almada...
Pessoas que chegaram de fora, que trazem normalmente os seus hábitos e as suas culturas coladas à pele. Muitos deles, se não forem pessoas curiosas, ficarão a saber poucas coisas da nossa história e cultura. Nem tão pouco irão alterar muitos dos seus hábitos, por viverem fechados nas suas comunidades.
Acredito que as mudanças só acontecerão com os seus filhos e netos, que ficarem... e que se sintam ligeiramente portugueses.
Se forem bem integrados (o que nem sempre acontece, porque as crianças estão longe de ser "a melhor coisa do mundo" e nem sempre tratam bem outras crianças... E se seguirem os maus exemplos dos adultos lá de casa, tudo piora...), poderão ser parte do nosso futuro...
Apesar de termos sido "colonizadores" diferentes dos ingleses, franceses ou holandeses, não foi por isso que fomos menos racistas que eles.
Nem sei se algum dia deixaremos de ser "racistas" ou outras coisas com esta terminologia... porque mesmo entre nós - a gente de pele cor de rosa -, nunca irão acabar as pessoas que pensam que "têm mais direitos e mais importância", que o vizinho do lado. Não lhes basta ter um carro ou uma casa melhor, querem sempre mais e mais...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)