segunda-feira, setembro 27, 2021

A Imprevisibilidade Eleitoral a Fazer Mais uma Vez das Suas


Não posso dizer que não me lembro de umas eleições com resultados tão "imprevisíveis", porque de longe a longe isso costuma acontecer entre nós, como se o povo quisesse lançar um grito de alerta aos políticos: "Tenham atenção! É bom que abram os olhos! Não somos tão estúpidos como vocês nos passam o tempo a 'pintar' e 'desenhar'".

Não sei se o primeiro-ministro continua hoje a falar de vitória. Mas como político hábil que é, é capaz de fazer contas de somar com o número de câmaras conquistadas, esquecendo o que se perdeu, mesmo que Lisboa esteja à frente dos seus olhos.

Rui Rio ainda não deve saber bem o que lhe aconteceu. Mas uma vez foi salvo pelo "gong", quase no final do último assalto. Rangel e companhia devem passar o dia de hoje a "morder meias usadas".

A CDU continua em queda. Ainda tinha algumas ilusões que fosse possível conquistar Almada, depois de quatro anos péssimos do PS, que andou mais entretido em destruir que em construir (infelizmente vai ser o que irá acontecer em Lisboa nos próximos quatro anos...). Mas a maioria dos almadenses (pelo menos os que votam) fechou o ciclo comunista...

Digam o que disserem de Santana Lopes, ele é muito mais que um "menino guerreiro". Voltou a reerguer-se, contra tudo e contra todos. Não é "imortal", mas bate qualquer gato em "vidas políticas".

E as minhas últimas palavras vão para o "Vamos Mudar", o movimento independente que conseguiu "roubar" o Município das Caldas ao PSD (37 anos de governação laranja de tão má memória, sem tirar qualquer partido da beleza da Cidade e das suas potencialidades comerciais e turísticas, especialmente das termas, que foram em tempos tão afamadas). Só desejo que consigam fazer das Caldas da Rainha um lugar mais agradável para se viver e para se visitar.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, setembro 25, 2021

Quando a Boca lhes Foge para a "Verdade"...


As palavras de um político, que é tudo menos "brilhante", talvez estejam mais fiéis ao pensamento socialista, do que aquilo que imaginamos.

Ninguém tem dúvidas de que o País perdeu com a "covid 19". Perdeu do ponto de vista humano com o desaparecimento de milhares de pessoas (imagino como deve ter ficado alguém que perdeu um ou mais familiares durante a pandemia...) e também do ponto de vista económico e social, com o fecho de dezenas de pequenas empresas, que não mais voltarão a abrir, assim como com o desemprego dos seus funcionários.

Agora o PS e os socialistas, com a famosa "bazuca", há muito que devem andar  a fazer contas de cabeça e a planear a "distribuição" dos ditos milhões (viu-se isso durante a campanha eleitoral...). E na sua cabeça, "ganharam". 

Infelizmente (para quase todos nós...) a maioria dos políticos, além de mentirosos, são mesquinhos, cínicos e egoístas. Acredito, que muitas vezes pensem mais no seu umbigo e nos seus bolsos, que no País e nas pessoas que governam...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, setembro 24, 2021

"Torrão", "Jamaica" e "Outros Paraísos" da Margem Sul...


Eu que gosto de passear pelo Seixal, às vezes pergunto-me porque razão nunca me aproximei do "Jamaica"... Posso dizer o mesmo do "Torrão", que fica entre a Trafaria e a Cova do Vapor. Logo que me é possível mudo de pensamento, por saber que a pergunta é no mínimo hipócrita, pois sei qual é a sua resposta, bem demais... 

A primeira desculpa que me ocorre fixa-se quase sempre nos episódios de violência, comuns a todos os "guettos", para a possibilidade de sairmos de um lugar destes apenas em roupa interior. Mesmo que a maior parte das vezes, estas "cenas", pertençam mais à mais ficção que realidade.

A verdade é outra. Ninguém no seu juízo, gosta de ser  confrontado com a vida difícil, com gente de todas as idades, que consegue sobreviver, dia após dia, em condições degradantes, muito abaixo, daquilo que pensávamos existir no século XXI.

Sei que há muitas pessoas que culpam os próprios moradores, por viverem em autênticas barracas, onde falta de tudo um pouco, menos a raiva e o ódio, por se viver e crescer desta forma. Embora tenham ido morar para ali voluntariamente (com o nosso empurrão invisível...) , culpam tudo e todos, por não conseguirem ter uma vida minimamente decente.

A sua grande reivindicação é ter uma "casinha". Para eles, ter uma casa, mudava tudo nas suas vidas. É apenas mais uma ilusão, que juntam a tantas outras nas suas vidas...

Eles sabem que nada mudará nas suas vidas, enquanto ganharem ordenados miseráveis, que em alguns meses nem sequer são suficientes para alimentarem e vestir os filhos.

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


quinta-feira, setembro 23, 2021

A Campanha dos "Uns mais Iguais que Outros" (agora ainda com mais lata)


A campanha eleitoral socialista, com a presença do primeiro-ministro, tem sido das coisas mais escandalosas a que tenho assistido nos últimos anos.

Sempre que discursa António Costa consegue deixar escapar a mensagem que os "socialistas são mais iguais que os outros", acenando com o dinheiro das europas para obras locais, ao mesmo tempo que pisca o olho aos seus candidatos. Estes além de se deixarem levar na mesma onda, quando podem, ainda tentam ir mais longe nas suas promessas, que o seu "mais que tudo".

A oposição tem aproveitado para denunciar algumas destas promessas de "favorecimento" aos candidatos rosa, apontando o dedo ao primeiro-ministro e ao PS. Mas estes assobiam para o ar e as pessoas também não parecem muito chocadas.

Penso que isto só acontece porque andamos todos aparvalhados, com a pandemia, mas também com a estupidez humana dos negacionistas e dos fascistas.

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


quarta-feira, setembro 22, 2021

As Pessoas Estão sempre em Segundo ou Terceiro Lugar...



Não deixa de ser curioso, que a maior parte das obras que se fazem antes das eleições pelos autarcas, tenham como objectivo "mudar", para que "tudo fique na mesma".

São capazes de colocar pisos novos em praças, mais uma ou outra árvore, mas nem sequer pensam, por exemplo, nas pessoas que têm problemas de mobilidade. Em pleno século XXI, continua a ser um "inferno" andar pela maior parte das artérias das cidades de cadeira de rodas ou de carrinho de bebé.

E mesmo os projectos de habitação anunciados, continuam a ter poucas preocupações sociais (Em Lisboa e no Porto, até se evita falar dos bairros históricos e das pessoas que foram "corridas" das suas casas...). 

Neste caso particular, vou olhar para a minha cidade, Almada, como referência. O Município fez um grande aparato comunicacional com a apresentação do "Inovation District", a nossa "Silicon Valley", no Monte de Caparica, numas das encostas do Tejo (que é dirigido sobretudo à classe média alta...). Curiosamente não se ouve uma palavra em relação ao "Bairro Amarelo", o tal a que presidente invejou as vistas,  numa das suas várias "pérolas" memoráveis (devia ter visitado as casas, que é onde as pessoas vivem, e não nas suas janelas...) ou ao Torrão, onde as pessoas vivem em situações miseráveis.

Mas a vida é isto mesmo, as pessoas estão sempre em segundo ou terceiro lugar, nas prioridades dos políticos, até mesmo nas promessas eleitorais. O importante é a chamada "obra de encher o olho"...

(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)


segunda-feira, setembro 20, 2021

A Montanha dos Espelhos Mentirosos que Querem "Tapar o Céu"...


Embora não tenha nenhuma bola de cristal, estou convicto que a nossa extrema direita será derrotada, mais ano menos ano, pelas muitas mentiras com que tenta tapar a realidade e pela apologia que faz da estupidez.

Se por um lado somos tolerantes a muitas das "chico-espertices", que continuam a ser protagonizadas pelos principais líderes dos partidos do poder, por outro, não achamos muita piada quando tentam insultar a nossa inteligência (embora isto também também possa ser colado na pele do Costa e do Cabrita, por exemplo...).

Os exemplos oferecidos por Ricardo Araújo Pereira no seu programa de ontem à noite, de alguns candidatos do Chega, deve ser mais que suficiente para percebermos quem é esta gente, que entre outras coisas, parece ter saído de qualquer hospício.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, setembro 19, 2021

Um Dia Mais "Igual que os Outros"...


Hoje foi apenas mais um dia, em que tive a sensação de que ao escolher esta margem do Rio para viver, escolhi o lado certo da vida.

Sei que a espaços esta minha frase até pode parecer um "slogan" eleitoral, mas não, é mesmo o que sinto.

Mesmo que isso até possa acontecer por sorte, ou por um simples acerto do relógio, que nos fez estar à hora certa no sítio certo, o mais importante é a sensação de que "esta é a nossa Terra".

Até porque os olhos e o coração não vêm sempre as mesmas coisas. A Cidade onde vivi desde o começo da gravidez da minha mãe até aos dezoito anos (só houve uma pequena interrupção, para ir nascer à casa da avó, a maternidade da família...), é muito mais bonita que Almada.

O meu pai, por exemplo, detestava a Margem Sul. Habituado a paisagens mais bucólicas, detestava as "florestas de betão" que rodeavam a Capital. Mas compreendia e acreditava, quando eu lhe dizia que as pessoas de Almada eram muito mais autênticas que as das Caldas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, setembro 17, 2021

Regressos (felizmente) Mais Lentos...


Hoje  a meio da tarde descobri um paquete a despedir-se de Lisboa.

E percebi mais uma vez que à beira-rio é difícil não ter pensamentos "utópicos"...

Se pudesse escolher, preferia o regresso dos golfinhos à visita destas "cidades flutuantes", que deixam uma mancha nas águas do Tejo.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, setembro 16, 2021

O Quase Normal não é o Normal... e "Telefona-me"...


Como antes da pandemia já andava ligeiramente afastado das coisas do associativismo e da cultura, mais de dois anos depois da pandemia, participei numa homenagem a um amigo e à apresentação de um opúsculo biográfico, escrito por outro amigo.

Por muito normal que queiramos que as coisas sejam, as máscaras e a redução da presença humana nos auditórios (aquele, segundo as novas regras da DGS, poderia e deveria levar mais pessoas, até por ser arejado) causaram-me mais estranheza do que estava à espera. 

A coisa melhor foi reencontrar pessoas que não via "há séculos" (pois é, parece que esta coisa já dura há tanto tempo...). Como acontece sempre, algumas são mais especiais que outras. Foi por isso que depois do lançamento eu e uma amiga saímos juntos e ficámos a conversar sentados no pequeno muro da Praça da Liberdade. E como não moramos muito longe um do outro fomos juntos até à Praça Gil Vicente (com obras e mais obras, cujo o objectivo principal é gastar dinheiro para que "fique quase tudo na mesma")...

Mas não foi apenas a conversa que foi boa, tinha também "dois presentes" da Clara (um ainda era do Natal passado...). Gostei particularmente do seu caderno "Ironias", onde ela mistura as suas palavras poéticas com imagens que recorta daqui e dali (um excelente exemplo de "poesia ilustrada"). É por isso que publico aqui o seu poema "Telefona-me", que tem tanto que ver com este tempo:

Telefona-me, não te esqueças
P'ra não nos sentirmos sós
Não quero mensagens nem emails
Quero ouvir a tua voz
Ouvindo a voz dos amigos
É totalmente diferente
Tudo o resto que inventaram
Não é bem cá para a gente
E aqui botei a sentença
"Que me andava a incomodar"
Estou achando impessoal
"As maneiras de falar"

Tantas pessoas de quem nos esquecemos de ir telefonando (eu esqueci-me tantas vezes, até de meter a conversa em dia com a Clara...), nestes tempos estranhos. Sim, todos temos amigos e familiares que vivem sozinhos, que precisam tanto de receber palavras com sabor a "mel"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, setembro 15, 2021

Dúvidas (quase) Permanentes...


Incomoda-me bastante que alguns jornalistas e comentadores desportivos  - cá dentro e lá fora -, tenham como passatempo preferido, colocar alguns futebolistas no fio da navalha. Por mais que estes defendam ou façam golos, a dúvida é uma constante nas suas análises, escritas e faladas.

Exemplos? Aí vão dois.

Não sei o que é preciso que Vlachodimos faça mais, na baliza do Benfica, para deixar de ser constantemente considerado apenas um bom guarda-redes e não um excelente guardião (que é o que ele é, de facto).

Mais gritante é que se começa a dizer de Cristiano Ronaldo, antes de cada época... Só que ele obriga, ano após ano, uma boa parte de comentadores (muitos deles antigos jogadores, cheios de dores na articulação do braço...) por esse mundo fora, a engolir as palavras, porque tanto ele como o Messi, continuam únicos, não têm ninguém que lhes faça sombra.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, setembro 14, 2021

As Minorias a Liberdade e a Autoridade


Não é o país que está a ficar maluco, são meia-dúzia de pessoas, que acham que o "facebook" é uma nação e que podem fazer vingar a vontade de minorias, sobretudo por fazerem muito barulho nas redes sociais e nas ruas. 

O mais estranho tem sido a complacência da polícia na maior parte destes protestos, quando saltam dos computadores para a rua. Num deles, um bandalho qualquer, até se armou em "autoridade judicial" e enfrentou a PSP, de frente, por sentir as "costas quentes" pelas câmaras de televisão que o rodeavam e testemunharam e divulgaram o acontecimento. Só faltou mesmo ter enfiado um dedo num dos olhos do agente da polícia ou no intendente, que foram estranhamente calmos, vá-se lá saber porquê...

Se já havia um problema de justiça, agora parece haver de autoridade (se tivermos a pele clara...).

E a Liberdade de Expressão é outra coisa, muito diferente de insultar, caluniar ou mentir.

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)


segunda-feira, setembro 13, 2021

"Há pessoas que mesmo sem terem nada de importante para dizer, andam a vida toda a dizer coisas"


A pandemia parou quase tudo aquilo que continua a ser "acessório" à sociedade, ou seja, quase tudo o que tem pouco peso na economia do país.

A cultura e os seus agentes talvez tenham sido as maiores vítimas deste tempo estranho, que ainda tornou mais difícil, aquilo que já era difícil. Não sei quem se segue na lista. Talvez seja o desporto amador e de lazer (o futebol profissional deixou de ter público mas esteve parado muito pouco tempo, por ser uma "indústria de milhões"...), com o encerramento prolongado de pavilhões, piscinas, ginásios, sedes de clubes desportivos e muitas outras instalações ao ar livre.

Antes da pandemia tinha feito uma pausa voluntária na minha participação associativa e cultural. Isso fez com que não sentisse tanto na "pele" o fecho das bibliotecas, teatros, auditórios, galerias, sedes de associações, etc. Provavelmente é por isso que só esta semana é que vou participar em dois eventos culturais (lançamentos de livros...).

Pensei nestas coisas porque um dos meus amigos, que é uma mistura de "António Aleixo" e de "Alberto Caeiro", cuja quarta classe somada aos muitos anos de café e de associativismo, vale mais que alguns cursos universitários, fez-me uma pergunta curiosa.

Ele perguntou-me há dias, qual seria a vidinha, neste último ano e meio, de algumas pessoas que nós conhecemos que passavam o tempo a correr atrás de um microfone. Eu disse-lhe que se deviam socorrer dos espelhos de casa, para não perderem o "palco". Havia também a possibilidade de terem descoberto o "youtube"...

Muito tempo antes ele tinha caracterizado esta gente de uma forma exemplar, depois de saber que eu enquanto moderador de uma sessão literária tinha somado mais um inimigo, ao recusar dar-lhe o microfone (havia pessoas convidadas para falar e não estava prevista a participação do público, por falta de tempo... e abrir uma excepção era o mesmo que abrir a famosa  "caixa de pandora"). 

Ele disse-me: "Há pessoas que mesmo sem terem nada de importante para dizer, andam a vida toda a dizer coisas." 

A simplicidade da frase tocou-me bastante e faz-me sempre pensar duas vezes quando sou convidado para falar sobre isto ou aquilo em qualquer lugar público...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)