Vou ver se consigo contar o episódio de uma forma simples, sintética e sem soltar pontas...
Estou a fazer um trabalho de investigação e existem várias pessoas com quem devo falar. Num dos telefonemas que fiz, uma senhora fez-me uma série de perguntas, que me deixaram com a "pulga atrás da orelha", por não ser habitual (fiquei a pensar que a culpa devia ser dos "vendedores de banhas de outras cobras", cada vez mais hábeis e enganadores, no seu "jogo de caça" para os seus negócios, cheios de promessas que não são para cumprir...).
Quando finalmente nos conhecemos e falámos, a meio da conversa, sem que eu tocasse no assunto, ela resolveu contar o que lhe acontecera meia dúzia de anos antes:
«Apareceu-me uma senhora loura, mais ou menos com a sua idade, que queria saber coisas sobre a minha aldeia. Abri-lhe logo a porta. Pouco tempo depois já me estava a falar das pessoas da Terra. Quis saber quem eram as minhas amigas de infância. Quando lhe falei de um nome, quis saber se tinham posses, como é que viviam... foi quando comecei a achar a conversa esquisita. Depois queria saber se eu conhecia os filhos... Até que me falou de um Carlos. Foi quando percebi tudo e mandei-a ir dar uma volta...»
(Para não deixar ficar qualquer suspense no ar, este Carlos é o amigo que todos gostávamos de ter nesta e na outra vida, que até tem um apartamento à nossa disposição em Paris...)
E depois voltámos à nossa conversa, que era mais sobre acontecimentos que sobre pessoas e tinha pouco que ver com os jornalismo rasteiro das donas Felícia, Sandra e Tânia...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)




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