quinta-feira, novembro 05, 2026

Frederico Varandas e o habitual poço de contradições futeboleiro


Quando sentimos que as pessoas estão certas no que dizem, mas depois na sua prática, cometem os mesmos erros, que passam a vida a apontar aos adversários, lá se vai a sua aura de diferença que tentaram "semear". E entra-se com o corpo todo na premissa futeboleira, de que o que hoje é verdade, amanhã é mentira, que na actualidade está presente em praticamente todos as áreas da sociedade.

É uma pena que Frederico Varandas se torne um dirigente banal e siga um dos provérbios populares mais usados pelas pessoas: "faz o que eu digo, não faças o que eu faço."

Para se ser diferente, não basta chamar "bandidos" aos adversários, quando lhe dá jeito ou apontar o dedo aos árbitros quando nos sentimos prejudicados. 

Mas eu sempre soube que era pedir muito a um dirigente de futebol, que não mergulhasse no "poço das contradições"...

(Fotografia de Luís Eme - )


quarta-feira, novembro 04, 2026

Ora aqui está uma boa ideia: imitar os EUA


É normal confundirmos os Estados Unidos da América com o mundo, graças às suas interferências em todos os continentes, como os "donos disto tudo".

Deve ser por isso que me sinto satisfeito por os habitantes dos EUA, que podem votar, terem dado um aviso sério a Donald Trump e à sua corte de chupistas milionários, nas suas eleições intercalares, dando a vitória aos democratas nas suas duas câmaras.

É bom que as pessoas se cansem de serem governadas por vigaristas e mentirosos com tiques fascistas... e que o senhor Ventura veja o seu sonho tornar-se um pesadelo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, novembro 03, 2026

A luta apenas com cartazes, palavras e canções com o cheiro a revolução, ainda irrita mais os "cães raivosos" (de gravata e de bastão)...


Estes últimos tempos de "Acampadas", no Porto e em Lisboa, dizem-nos que a luta apenas com cartazes, palavras e canções com o cheiro a revolução, ainda irrita mais os "cães raivosos", que gostam mesmo é de bater em tudo o que mexe...

Fácil é enfrentar quem lhes faz frente com pedras da calçada e se atira de punhos fechados para o seu colo.

A Paz é sempre desarmante, mesmo que se viva num tempo em que se finge que não existe a ONU ou o Tribunal Penal Internacional, com vários países a violarem constantemente o Direito Internacional Humanitário.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)



A tentativa de reduzir tudo a apenas uma tenda...


Quando os políticos são do clube dos homens que se acham providenciais, "que estão certos e nunca se enganam", acabarão por cair no ridículo, não uma, mas muitas vezes, por mais bem montada que seja a sua máquina de propaganda.

Mesmo que apostem em não demitir ministros sem jeito para a coisa, por saberem que podem ser o seu escudo e também a sua "marionete", e sobretudo, um bom desvio dos problemas que realmente contam e passam uma boa parte do tempo longe das televisões e jornais.

É por isso que agora o Luís "operário" e o Luis "justiceiro", vão tentar reduzir a sentença do tribunal, a um acampamento de apenas uma tenda...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, novembro 01, 2026

A nova e a velha pobreza nas ruas de Almada...


A manhã de hoje foi um pouco atípica.

Apetecia-me beber um café e conversar um pouco, mas o único sobrevivente da "tertúlia do repuxo" já estava de partida. Fui atrás dele só para o cumprimentar e pedir-lhe desculpa por me ter atrasado (mesmo que não tivéssemos nada combinado...).

Poucos minutos depois, cruzei-me com um senhor que me dá sempre os bons dias quando nos cruzamos. Tem com toda a certeza mais de oitenta anos, anda de bengala e com uma mochila às costas.

Por não andar muito "desarranjado" e sujo, fico na dúvida se será mais um idoso a engrossar a equipa cada vez maior dos "sem abrigo" de Almada.

Curiosamente, hoje foi a primeira vez que me pediu uma "ajudinha para comer qualquer coisa". A moeda maior  que tinha no bolso era de cinquenta cêntimos e foi a que lhe dei.

A questão que ficou a pairar na minha cabeça, foi porquê hoje, porque só agora é que me pediu ajuda, quando nos temos cruzado dezenas de vezes pelas principais avenidas de Almada...

Eu sei que cada vez há mais "pobreza envergonhada". Cada vez há mais gente a esconder as dificuldades em que vivem, mas...

O "exército de coitadinhos" não conta, porque esses escolheram, desde sempre, a profissão de "pobrezinho". Querem lá saber de trabalho, querem é "tetas para mamar". Basta saberem onde é que existe uma "vaca a dar leite" de borla, e aí estão eles, caidinhos, vestidos com a roupita que tem mais buracos e que nunca é lavada...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, outubro 31, 2026

As acampadas do Porto e de Lisboa, entre a festa da democracia e a tragédia grega...


As acampadas são sobretudo jornadas de protesto, festivas, quando decorrem a horas normais. A presença da polícia é pouco mais que um adereço, pelo menos até às primeiras horas da madrugada.

Quando estão milhares de pessoas nas praças D. João I e D. Pedro IV, a polícia limita-se a manter a segurança num largo perímetro. Embora digam que as pessoas têm de desmontar as tendas e ficar em silêncio a partir das  zero horas e trinta minutos. Só depois das três da manhã, quando em vez de milhares de pessoas, já são apenas centenas, ou até de dezenas, os manifestantes presentes, é que a polícia resolve avançar e reprimir (e agredir., claro..).

É aqui que começa a "tragédia grega", com a cobardia normal das forças, de tudo menos de segurança, que se sentem mais confortáveis quando têm como desafio enfrentar menos gente, porque os milhares de pessoas presentes entre as 19 e as zero horas, já estão em casa a dormir no começo da madrugada, ao contrário dos jovens resistentes, que as forças de direita gostam de chamar de "arruaceiros".

Não deixa de ser curioso que os jovens se preparem para o confronto. Não com armas, mas com capacetes, cotoveleiras, caneleiras e outras protecções corporais. Sim, fazem o papel de "mártires", mas sem abusos.

Outra curiosidade em todas estas manifestações pacíficas, é que até aqui os derrotados têm sido os governantes (as sondagens falam por si...), que dão ordens e se escudam atrás da PSP, ao mesmo tempo que tentam que estes movimentos sejam o que não são: acções violentas de extremistas e arruaceiros...

Pois é, tudo indica que a habitual cobardia e o cinismo "montenegrino" estão a perder mais uma guerra, batalha após batalha, porque hoje os manifestantes contra a politica de habitação são pessoas de todas as idades, dos oito aos oitenta anos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 30, 2026

Será que as pessoas estão mesmo fartas de viver em liberdade?


Pensava que nunca iria chegar esse dia, mas com o aconteceu esta semana com um jogador da bola francês (e dos multimilionários...), que ao dizer uma piadola sobre o "camarada Mau", causou uma onda de indignação nunca vista entre os países que olham de lado para a democracia. O menos estranho em tudo isto, foi o presidente da liga de futebol espanhola "pôr-se de cócoras" e fazer pedidos aos anjinhos chineses (a pensar nos cifrões chineses que se podiam perder...). Como se sabe, no "jogo do pontapé na bola" quase tudo é permitido...

Quando se começaram a erguer os alicerces do "museu do estado novo", em Santa Comba Dão, o nosso "velho do restelo mor", disse-nos que estávamos cada vez mais perto do senhor ventura se tornar primeiro-ministro. Sorrimos, mesmo sem grande vontade.

Talvez ele esteja mais certo do que nós... e um dia destes, as estátuas de Salazar (o museu já está...), Franco, Hitler e Staline, que conseguiram escaparam à ira popular e devem estar escondidas nas arrecadações dos museus, voltem ao espaço público (pelos vistos as de Mao Tsé Tung continuam nas praças e museus da China...). 

O problema é que os ecos do trump, da meloni, dos bolsonaros, da le pen, do ventura, do milei, do abascal, do orbán, de que a democracia é o pior dos regimes (ate já devem ter apagado o resto da frase de Winston Churchill...), parecem querer transformar-se, cada vez mais, em realidade.

E eu faço a pergunta de muitos números: será que as pessoas estão mesmo a ficar fartas de viver em liberdade?

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, outubro 29, 2026

O "velho, o rapaz e o burro" nunca nos largam (e ainda bem)...


Não vale a pena continuar a falar da crítica e dos críticos, porque ela depende mais de gostos que de democracias.

Ontem "ganhei a aposta" porque os meus três amigos de discussão, achavam que eu não era capaz de escrever nada sobre a conversa, aqui no "Largo". Embora não tenha ido tão longe como no café (até porque os blogues não são o "facebook"...), não falei do "lambebotismo" militante, nem da "voz do dono", embora ambas as coisas estivessem implícidas no texto.

O que nos vale, é refugiarmo-nos sempre na "sorte". Conhecemos um ou outro "craque" que joga na terceira divisão, com valor mais que suficiente para ombrear com os nossos melhores, mas a "puta da sorte" nunca quis nada com ele... Com o teatro e com a música passa-se a mesma coisa. Embora aqui a coisa seja ainda mais "pornográfica" que no futebol...

A única coisa em que todos estivemos de acordo, foi que o aproveitamento do talento e a meritocracia são coisas que  nunca abundaram na sociedade portuguesa. Isso explica, em parte, o presidente da república e o primeiro-ministro que temos.

E claro que gostamos, que o "velho, o rapaz e o burro" não nos desamparem a loja...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, outubro 28, 2026

Cerejas, palavras, poetas e críticos menores...


Estou a ficar menos contido. Estou a deixar-me levar mais pelos meus amigos que adoram ser "velhos do restelo" e defendem que o papel do crítico é "descascar laranjas", sem estar com rodriguinhos. É por isso que lhes agrada tanto a forma de escrever do João Miguel Tavares, que tantas vezes me leva a apelidá-lo de "fascista", tal é o jeitinho com que se vai encostando ao Chega e ao senhor Coelho.

Foi por isso que soltaram os cães todos e tentaram morder nas canelas dos "críticos com coração de manteiga" (Luís Osório foi o primeiro a levar para "assar" assim como o melhor "amigo dos amigos", que enche as sua crónicas sempre com dois ou três comparsas "excepcionais", do qual Oliveira Martins é o seu melhor protótipo...).

Pouco satisfeitos deram vivas ao fim do "Jornal de Letras", com anos de atraso, porque este dava abrigo à "capelinha" da meia dúzia de poetas e ensaístas com obra publicada, que criticavam (com palavras "bonitas"), à vez, os livros uns dos outros. 

Também disseram mal do "Ípsilon" e da "E". E se mais suplementos existissem de cultura, maior teria sido a lata de tinta aberta e vertida sobre a manta da crítica das culturas...

(E eu ganhei a aposta...)

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 27, 2026

A pergunta que me apetece fazer: "Não somos todos poetas menores?"


Foi esta a pergunta que sobrou, depois de ler o livrinho de poemas, "O Menino que via passar os comboios - e outros poemas menores", de Manuel Alberto Valente.

Comprei o livro porque achei o título delicioso. Depois de o ler, em parte, sinto-me enganado. Pensava que ia ver mais comboios a passar pela vida do Manuel dentro das suas palavras...

Mas enganado não é arrependido. Este pequeno livrinho (o tamanho é estranho...) tem poemas muito bonitos, especialmente os de e com amor (não os contei, mas são muitos).

O título deste pequeno texto é provocatório, porque se há alguém que sabe como se constroem "escritores e poetas imortais", é um editor com provas dadas, como é o Manuel Valente. Aposto que ajudou muitos escrevinhadores a tornarem-se grandes, apenas com o uso de sapatos com tacões de meio metro...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


segunda-feira, outubro 26, 2026

O país das falsas questões e das não decisões...


No futebol há uma expressão que diz muito sobre sermos melhores a destruir que a construir, que é o vulgar "chutar para canto".

Também é muito normal discutirmos o acessório e deixarmos o importante quase sempre para trás, como se vê com os problemas da habitação, que acabam por ter interferência em quase tudo das nossas vidas. Em vez de se falar da nova lei do arrendamento (que espero que seja metida na gaveta pelo governo...) e da falta de casas, fala-se do direito à manifestação, da violência policial ou da pernoita em tendas...

Pior é sermos o país em que os governos (quase todos são bons a não tomar decisões e a culpar os outros pelos seus próprios erros...) adiam a resolução dos problemas mais prementes, até estes se tornaram verdadeiros obstáculos ao desenvolvimento do país ou mesmo dramas sociais...

A construção de um aeroporto arrasta-se há pelo menos quatro décadas. O mesmo se passa com o comboio de alta velocidade. E nem vale a pena falar dos hospitais públicos necessários que não se construíram próximo dos principais centros urbanos... e que em alguns casos já foram substituídos por unidades de saúde privadas.

O nosso normal dos políticos é prometer e não fazer.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, outubro 25, 2026

Coisas que não são normais (por muito que as tentem normalizar...)


Não é normal é que uma boa parte dos nossos políticos com funções executivas, continuem a pensar que a sua função é sobretudo teatral, é mais de falar a fingir, que de resolver os problemas das suas terras e das gentes. Ser presidente de Câmara ou Ministro é muito diferente de ser deputado, para quem basta (muitas vezes) esconder-se atrás da oratória.

Não é normal que as polícias não percebam qual é o seu principal dever, mesmo que a "segurança" esteja na sua sigla. Sim, o primeiro dever de um agente da autoridade é proteger e garantir a segurança das pessoas e não intimidá-las ou agredi-las, como parece ser a vocação e vontade de muitos polícias na actualidade.

É urgente que, tanto os políticos como os polícias, percebam de uma vez por todas as razões da sua existência, qual é a sua verdadeira função social e política.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)