segunda-feira, junho 01, 2026

Bom dia tristeza...


Sempre gostei de Marylin Monroe.

Há várias razões para que isso aconteça. A primeira delas, e a mais importante, é a sua beleza, única. A capacidade que ela tem de nos seduzir através das imagens, mesmo que nos aparecesse como outra mulher, a tal personagem que continuamos a amar através dos tempos...

Claro que o aparecimento de um "furacão", nos anos cinquenta do século passado, em forma de uma mulher bonita e atrevida,  tinha de virar muitas coisas de pernas para ar...

Isso explicará que tenha morrido cedo demais e com uma névoa à sua volta, que nunca se dissipou. 

E também explica o porquê de que nunca termos deixado de a amar, ao mesmo tempo que sentimos que não precisamos de a tentar compreender.

É isso que faz com que diga neste primeiro dia de Junho de 2026, BOM DIA TRISTEZA.

Esta é uma das fotografia que mais gosto da Marylin. Não consegui descobrir a sua autoria, embora ela tenha sido fotografada por todos os grandes fotógrafos da época...


domingo, maio 31, 2026

A vitória eleitoral dos "ausentes", que deve ter sempre sabor a derrota...


Falar de anarquismo e de surrealismo, leva-me quase sempre para discussões intermináveis com um ou outro amigo. Nem mesmo a minha costela libertária - herdada do meu pai e do meu avô - faz com que consiga compreender algumas das suas posições, que são no mínimo contraditórias.

A maior de todas, é a sua ausência eleitoral, a não participação na escolha democrática de governantes.

Claro que os cidadãos que compõem a tal metade que se furta ao único acto verdadeiramente democrático, e determinante, para o futuro de todos nós, estão longe de ser apenas anarquistas ou surrealistas. Uma boa parte é uma coisa pior, que nem me apetece classificar. Gostam que sejam os outros a resolver os seus problemas, bom bom é estar na "bancada" a "chamar nomes feios ao árbitro"...

Foi por isso que disse ao Luís que o crescimento de partidos como o Chega, também se deve em parte a ele. Claro que não aceitou o meu ponto de vista.

Até porque os anarquistas e os surrealistas, também estão cheios de razões que a razão desconhece...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 30, 2026

«Como é que podes estar a falar de dignidade num mundo completamente indigno?»


Tenho um ou dois amigos anarquistas, surrealistas nunca tive nenhum.

Um ou dois pintores que se inspiram nas formas, ideias e mundos, que parecem mais saturnianas que terrestres, não contam.

Pensei nisso ao ler o livro, de António Maria Lisboa, "Uma Poesia Extrema", que como todos os "verdadeiros artistas", morreu novo.

No quinto ponto do seu "Aviso a tempo por causa do tempo" ele diz ao que vem: 

«que não somos assim contra a ordem, o trabalho, o progresso, a família, a pátria, o conhecimento estabelecido (religioso, filosófico, científico) mas que na e pela Liberdade, Amor e Conhecimento que lhes preside preferimos estes.»

Falei sobre isto com um dos meus homónimos, que também conhece o bom gosto da colecção dos livros de bolso da Penguin.

Também acabei por pensar e falar em Luiz Pacheco e João de César Monteiro, que só devem ter sido anarquistas ou surrealistas, de apelido.

Lembrei-me deles porque sempre tive alguma dificuldade em os respeitar como gente, devido à sua prática quotidiana. Como artistas, reconheço-lhes talento, coragem (é mais lata...) e individualidade, mas a sua "alma de chupistas", o andar sempre à procura da rua "onde chove dinheiro", não me deixa morrer de amores pela sua forma de vida.

No decorrer da nossa conversa, o Luís desculpou-os. Falou-me de "adaptações", de "escolhas", de "provocações", para se conseguir sobreviver nesta autêntica selva, que é a nossa sociedade, que ainda está mais cheia de "leões e panteras" nas ruas da cultura...

Quando me armei em purista e falei na dignidade do individuo, ele voltou a desarmar-me e quase que me silenciou:

«Como é que podes estar a falar de dignidade num mundo completamente indigno?»

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, maio 29, 2026

O cinema português a filmar a história


O cinema português de vez em quando intromete-se com a nossa história e com os seus protagonistas. E ainda bem.

Foi o que fez José Filipe Costa, com o seu, Pai Nosso - Os últimos dias de Salazar. Estou curioso e quero vê-lo, por mais que uma razão.

A principal é abordar um período histórico, santificado na actualidade por uma direita imergente, mesmo que as suas virtudes maiores fossem a mentira, a ambiguidade, a corrupção, a hipocrisia e a repressão.

Se pensarmos que durante o tempo retratado no filme, existiam em simultâneo dois "presidentes do conselho", um a sério e outro a brincar, isto explica muito a seriedade do regime, apesar do tom cerimonioso dos governantes e da meía dúzia de famílias do regime, que dominavam todos os sectores do país. Sim, não devem existir muitos países que tenham alimentado uma farsa do género durante praticamente dois anos. 

Há muitos portugueses que desconhecem, este, e outros factos curiosos, da nossa história.

E nem vou falar da existência de pelo menos três versões da queda de Salazar (de duas cadeiras diferentes e da banheira...), além da oficial (caiu de cansaço quando estava a "trabalhar para o país" no seu escritório...), divulgada um mês depois do acidente caseiro.

Gosto quando o cinema mostra alguns lados da história, de que se fala pouco... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 28, 2026

Portas que se fecham e uma porta que se abriu...


Ia escrever, parece, mas não há nenhum parece na afirmação. As pessoas vão mesmo cada vez menos ao cinema (eu faço parte do lote...). Os números não enganam.

Até as salas de projecção dos centros comerciais estão a fechar, por míngua de espectadores... Embora aqui se perceba o encerramento, porque estas salas são "lojas", onde se vendem imagens com pipocas, o seu grande objectivo é ganhar dinheiro.

Tem acontecido o mesmo tem pelo interior fora (parece que já chegou ao litoral...), onde já existem várias cidades, com alguma importância social e cultural, sem um único auditório aberto para se verem filmes.

Curiosamente, cada vez há mais fitas portuguesas (sei disso porque ainda leio jornais...). Sei que isso se explica pela facilidade com que hoje qualquer pessoa pode fazer um filme, graças à evolução tecnológica e aos seus baixos custos).

Não sei qual é o verdadeiro objectivo desta "febre" de filmes que falam português. Pode ser a visita a festivais internacionais, ou então, a projecção para os amigos...

Não deixa de ser curioso, que se tenha criado em Almada no último mês um "cine-clube" municipal, no velho Salão das Carochas (esta sala já foi muita coisa e curiosamente foi "sala de cinema" logo depois do 25 de Abril, com a projecção de filmes infanto-juvenis). 

Ainda não me bem informei sobre o assunto, se tem público, embora perceba que o objectivo principal do "Cine-Carochas" é ser um espaço alternativo ao "comércio de filmes", ser uma casa aberta às fitas independentes (talvez as tais dos muitos realizadores portugueses...).

Como de costume não era para escrever nada disto, era para falar de história com cinema. Fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, maio 27, 2026

O caminho foge de nós e nós fugimos do caminho...


Talvez as pessoas só se sentissem tão perdidas durante a Segunda Guerra Mundial, como se sentem hoje. Talvez...

Claro que não eram todas as pessoas, eram só as dos países ocupados ou em guerra. Felizmente ou infelizmente, estavamos muito distantes da globalidade. Não era um coisa do outro mundo, num lugar afastado do mundo, não se fazer ideia de quem era o Hitler ou o Staline. Hoje é mais difícil passar ao lado de um Putin, um Trump ou um Netanyahu.

Pensei nisto ao ler uma passagem do Diário de Hélène Berr (escrito por uma judia em Paris, durante a ocupação nazi...): "Como se curará a humanidade de outra forma senão começando por descobrir a sua podridão? Como se purificará o mundo de uma forma, senão fazendo compreender a extensão do mal que angustia e me atormenta. Nâo é pela guerra que se vingarão os padecimentos: o sangue chama sangue, os homens ancoram-se na sua malvadez e cegueira."

O mais curioso é estas palavras terem sido escritas por uma judia, e hoje poderem ser transpostas para vários pontos do Mundo. É assim a vida dos palestinianos, dos libaneses, dos iranianos ou dos ucranianos, entre outros povos, especialmente do continente africano.

Sinto que nos estão a querer roubar todas as âncoras...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, maio 26, 2026

Algumas palavras para Miles Davis


Estive indeciso se devia escrever algo sobre o genial Miles Davis, que tornou o jazz ainda mais criativo e expontâneo, com o seu trompete, tal como Charlie Parker, John Coltrane ou Sonny Rollins (que nos deixou por estes dias), entre outras dezenas músicos, que deram outra cor musical ao  século XX.

É graças a eles que o Free Jazz se tornou verdadeiramente revolucionário e  nunca mais deixou de inspirar músicos de todas as cores e credos, por este mundo fora.

Não podemos nem devemos desligar este gosto pela liberdade à sua cor de pele, onde quebraram muitas barreiras, fazendo perceber que o seu génio e a sua liberdade artística não tinham cor, ao mesmo tempo que tentavam dar passos em direcção à sociedade onde viviam, demasiado clara e desigual...

Escolhi esta conhecida fotografia de Irving Penn, pela sua força e pelo seu simbolismo, no dia em que Miles faz cem anos. 


segunda-feira, maio 25, 2026

Dois livros, dois sentimentos distantes...


Desde o primeiro livro que li da Patti Smith, que me identifico com a sua escrita, com aquilo que ela nos transmite de autêntico da vida, sem usar qualquer tipo de cerimónia para falar de si, dos seus e do mundo. Até porque só conta o que tem de contar...

Foi por isso que adorei o seu "Pão de Anjos".

Sei que nem toda a gente consegue escrever de uma forma simples. O que não faltam por aí são escritores que adoram dar voltas às palavras e rodear os assuntos... Foi isso que senti com o livro que acabei de ler de Fernando Namora, "Jornal sem Data" (o que gostei mais da obra literária foi do título...).

Não é um diário, não é uma autobiografia, é outra coisa qualquer que fica no meio de coisa alguma. Talvez a melhor definição seja a de pequenos rabiscos do quotidiano que foi coleccionando e colando, para engrossar a "lista de títulos". Talvez...

Muitas vezes quer "atirar pedras" aos confrades, mas nem para isso tem coragem, prefere antes "filosofar" à sua volta.

Isso mostra também quem são as pessoas que escrevem, com quem nos apetece entrar no café e pedir licença para beber um chá e trocar algumas palavras, não é Patti?

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, maio 24, 2026

A quase "piscina-tanque municipal"...


Passei pelo jardim a meio da tarde e reparei em meia dúzia de jovens que aproveitavam o pequeno tanque com repuxo, rente aos azulejos de Manuel Cargaleiro, dos anos cinquenta, para se refrescarem, em mais um dia daqueles...

Como ando sempre com a minha "canon" à mão, tirei dois retratos, a alguma distância, para não quebrar a alegria daquele banho colectivo.

Felizmente não existem em Almada fiscais diligentes, polícias de rua ou cidadãos demasiado zelosos, com a coisa pública... e a ida a banhos deve ter continuado pela tarde fora...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, maio 23, 2026

Olhar para o mundo, no lado de dentro da janela do autocarro...


A vida é quase sempre mais complicada do que aquilo que parece.

O que nos vale (aos optimistas, claro), é agarrarmo-nos às coisas boas que vão aparecendo, ainda que cada vez mais espaçadas.

E não vale a pena insistir que o dinheiro está longe de ser uma "fábrica de felicidade".

Há tantos exemplos, que nem vale a pena falar, mesmo que as pessoas não desistam de tentar comprar "as melhores coisas do mundo", ou pelo menos, "melhores que as do vizinho do lado"...

É por isso que o título desta posta é apenas a legenda da fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 22, 2026

Bom dia ingratidão...


Há mais de um ano que não encontrava um amigo.

Sabia que a maior parte do tempo iria falar dos seus problemas de saúde, das suas viagens aos hospitais, da recuperação e menos de livros ou de desenhos.

Claro que arranja-se sempre uns minutos para falarmos de arte (da sua e da dos outros) e também de exposições e de associações...

Foi graças ao último iten, que fiquei a saber da tentativa de "golpe de estado", que fizeram na sua colectividade, por quererem substituir a mulher, que tanto dera de si nos últimos anos aos outros (que preferem sempre a primeira fila dos bitaites à mesa de trabalho, onde é preciso arregaçar as mangas).

Ela não precisou de golpe de estado nenhum. De certa forma, estava à espera de um pretexto para se desligar daquele tempo em que tinha de ser uma "faz tudo".

Olhei para trás no tempo e vi-me no mesmo filme... Onde também não precisei de ser empurrado, sai pelos próprios pés da colectividade, que já começava a ser odiada pela minha mulher e pelos meus filhos...

Não só percebi o que ela sentiu, como sei que não existe volta a dar, neste e noutros filmes idênticos (a não ser que estejamos "colados aos lugares", o que nunca foi o caso...). 

A ingratidão vem sempre ao de cima. A memória das pessoas é sempre mais selectiva, do que deveria...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, maio 21, 2026

Quando pensar é uma chatice e o futuro parece ser uma maravilha...


Eu sei que, quem nem sequer usa "smartphone", nos tempos de hoje, é um homem do passado.

Assumo-o. Faço parte daquela esquerda conservadora, que não dá grande espaço às modernices, muitas vezes mais por teimosia que por outra coisa.

Embora não tenha qualquer problema em reconhecer que já uso a "inteligência artificial" há algum tempo, mesmo que nem sempre me aperceba. Os motores de busca são isso mesmo, assim como os "vigilantes", que assim que nos vêem a pesquisar alguma coisa, mesmo que seja só por curiosidade, passam a invadir-nos, diariamente, o ecrã do computador com a tal publicidade. E não me vale de nada ficar chateado, porque eles são insistentes...

Não espero ter de a tratar por tu, apenas porque sim, a mesma justificação que costumo dar por não ter "facebook" ou "instagram".

Foi por isso que fiquei espantado quando ouvi alguém a dizer, que uma das coisas boas da IA, era ajudar-nos a pensar e a tomar melhores decisões no futuro.

Não se pode dizer que estava a olhar para de um "convertido". Era mais que isso. Era alguém que vendia, voluntariamente, a "alma" ao tal futuro que já anda a rondar as nossas portas, entre outras coisas, por não gostar de pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)