sexta-feira, agosto 07, 2026

O parque que é campo e arte no centro da cidade...


O Parque D. Carlos das Caldas é um lugar já secular, de beleza única, pelo seu ordenamento que nos parece natural, ao qual nem falta um lago, onde é possível passear de barco e fazer a estreia a remar, quase a sério (não é a brincar como fizeram os noruegueses no Mundial de futebol...), durante 30 ou 60 minutos.

Foi o que aconteceu comigo. Foi naquelas águas demasiado verdes que remei pela primeira vez, no começo da adolescência, quando fazíamos "batalhas navais" com amigos que se disfarçavam de inimigos por meia-hora...

E depois existe a parte artística, com estátuas espalhadas por quase todo o Parque, que aumentam quando nos aproximamos do Museu José Malhoa, quase a piscarem-nos o olho e a fazerem-nos um convite para entrarmos naquele espaço, que aposta sobretudo na pintura naturalista de Malhoa e amigos, embora também possua muitas esculturas, e até uma original "Via Sacra", criada por Rafael Bordalo Pinheiro, com figuras de barro pintadas, em tamanho real.

Não tenho qualquer dúvida de que é um dos lugares mais agradáveis das Caldas, com árvores, relva, sombras e muitos bancos de jardim... sobretudo num Verão farto como o que estamos a viver.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, agosto 06, 2026

"A Ponte é (mais que) uma Miragem" há 60 anos...

 


a ponte é uma miragem

a ponte é uma miragem
que ultrapassa a exposição
pois é também uma viagem
do olhar e dos sentidos
que buscam inspiração
e querem que a ponte seja mais
que uma simples passagem.
 
olhar que se cruza
com um Rio de “visões”
tanto a norte como a sul
e que se deixa levar
em todas as direcções
 
sentidos explorados
pelo som que se confunde com o vento
de um tabuleiro povoado de carros
suspenso pelos cabos do tempo
 
sentidos encantados
pelas cores de um Tejo radiante
que pinta toda a paisagem
de uma forma contagiante
e transforma a ponte na tal miragem
 
Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, agosto 05, 2026

Um ar campestre no centro da cidade


Estou a passar quatro dias nas Caldas da Rainha.

Hoje, logo pelo começo da manhã fui às compras à Praça da Fruta, que é, provavelmente, a única praça diária que funciona ao ar livre no nosso país.

É uma delicia passar no meio dos vendedores e perguntar o preço dos legumes e da fruta, ao mesmo tempo que é possível "escolher" a peça que queremos no meio daquela variedade.

É por tudo isto, que me faz confusão, que seja sequer levantada a possibilidade, de fazer uma "cobertura para a praça, de se acabar com este ar campestre no centro da cidade, tão importante em termos turísticos...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, agosto 03, 2026

Tinha-me esquecido, por breves momentos, de que o mundo era dos espertos...


Não sei se faziam uma escala diária, mas às sete da manhã havia alguém que saía de casa com o chapéu de sol, duas cadeiras e duas toalhas, para "reservar" uma parte do areal da praia de Armação de Pêra.

Com um sorriso maroto, disse-me que aquela hora estavam longe de ser os primeiros ou segundos a "marcar território".

Tudo aquilo me pareceu estranho, por na minha praia haver espaço suficiente a qualquer hora do dia, para montar um "mini acampamento de índios". O mais curioso, é que para ele, aquela "ocupação" era a coisa mais normal do mundo...

Tinha-me esquecido, por breves momentos, de que o mundo era dos espertos...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


domingo, agosto 02, 2026

Os campos de futebol inclinados que nos roubam o sonho e a ilusão...


Talvez exista algo de quixotesco e sobretudo de "Robin Hood", no meu gosto de ver aqueles que são descritos como mais fracos e pequenos, fazerem frente aos grandes.

Claro que no mundo da política ou das empresas, tratam-se de meras impossibilidades. Não sobra quase espaço nenhum para o sonho. Vinga sempre a "lei do mais forte"...

O desporto é um dos poucos sectores que dão essa ilusão, especialmente o futebol. No começo de cada partida como jogam onze contra onze, é sempre possível acreditar na possibilidade da existência de uma surpresa, do "David conseguir derrotar o Golias".

Infelizmente - e para não escapar desta sociedade desigual em que vivemos -, os chamados grandes têm quase sempre um aliado de peso dentro das quatro linhas; o árbitro. É ele que decide, que tira toda e qualquer dúvida que exista... e que se quiser "inclina" o campo, como disse anteriormente, para o lado que quiser. Lado, que vá lá saber-se porquê, é quase sempre inclinado em benefício do mais forte...

Foi o que aconteceu ontem na final da Supertaça, disputada entre o FC Porto e o Torriense. Na primeira parte do jogo o árbitro teve o cuidado de "amarelar" dois ou três jogadores da equipa de Torres Vedras, que não se intimidaram e mostraram ao que vinham. Ao ponto de até ter jogado bem melhor que a equipa do Porto nos primeiros vinte minutos, sem que alguém notasse que fazia parte da segunda divisão...

E foi sempre assim durante os mais de noventa minutos, em casos de dúvida, o "juiz" apitava sempre contra o Torriense.

Claro que esta evidência não tem nada de fervor clubístico, se fosse o Benfica ou o Sporting que estivessem no lugar do FC Porto, o cobarde do árbitro, teria o mesmo comportamento...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, agosto 01, 2026

Largos que se deixam ficar apenas pela memória...


Há textos que nos deixam a pensar, porque o mundo está longe de ser o que queremos ou imaginamos. As pessoas de hoje são diferentes das de ontem, porque as respostas que temos de dar a tudo aquilo que nos rodeia, também são diferentes... E isso altera tudo, até a paisagem com que estávamos habituados a conviver diariamente.

Foi o que aconteceu com as primeiras palavras da crónica de Ana Cristina Leonardo no "Ípsilon" de sexta-feira:

«Desde que fechou o café do largo junto à estrada que serpenteia até à vila, a vida no monte foi estreitando. Foi-se a caminhada diária que exercitava as pernas e os sentidos, incluindo o sentido comunitário, e não há tai chi walking que nos valha.
Para muitos, tratava-se de um hábito de décadas, ponto de encontro das mulheres pela manhã bem cedo, dos homens pela tarde para o petisco, posta-restante, central de notícias, posto avançado onde paravam obrigatoriamente o padeiro e o peixeiro, o “marroquino”, o homem dos queijos e chouriços, até, esporadicamente, o vendedor de conquilhas.
O largo passou a apresentar-se deserto, rendido ao silêncio que pesa sobre as duas únicas casas que restam. Além destas e do edifício do café encerrado, apenas uma charneca abandonada onde as chuvas se afundam no Inverno e no Verão se contorcem plantas rasteiras ressequidas pelo Sol.»

Não tem nada de premonitório, porque aqui o "Largo" continua com gente, mesmo que falem pouco ou quase nada (a Rosa é a excepção que confirma a regra), gostam de ficar por aqui, sentados nos velhos bancos de jardim, a ler, a olhar ou simplesmente a ver o tempo passar...

Mesmo assim, não deixa de ser uma boa maneira de começar Agosto. Até porque a realidade fez menos mal do que parece...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, julho 31, 2026

Nunca percebi (ou nunca quis perceber...)




Nunca percebi porque é que as férias parecem sempre tão curtas, em especial quando se aproxima o seu final...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, julho 29, 2026

Não faz mal, não é importante...


Fomos a uma livraria a Vila Real de Santo António e fizemos o que é costume fazer-se nestes lugares, comprar livros.

Houve dois que se colaram logo às minhas mãos, "As Cartas de Berlim" e a "Aguarela de Paris", de Katherine Reay e João Pinto Coelho. Disse-lhes que sim...

Estava já em casa, de regresso às leituras, quando pensei na "perigosidade" de se lerem livros. Acabei por escrever estas palavras no "caderno de desabafos":

«Ler muitos livros é mais perigoso do que parece. Sem te aperceberes vais-te apropriando das palavras dos outros e começas a misturá-las com as tuas... e uns dias depois, olhas-te ao espelho e chamas-te escritor...»

Sei que há tanto de exagero como de realidade nesta frase... 

Não faz mal, não é importante...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


terça-feira, julho 28, 2026

Leitores e gostos diferentes para livros iguais...


Trago sempre pelo menos meia-dúzia de livros para ler nas férias. 

Voltei a perceber, mais uma vez que nem sempre são as melhores escolhas porque desta vez a minha companheira não trouxe nenhum livro e teve de ficar com as "minhas escolhas" e já torceu o nariz duas vezes...

Começou por ler "A Sala Magenta" de Mário de Carvalho, que leu até ao fim mas não gostou (eu também já acabei de ler e gostei, mesmo que não se trate de uma grande história, fala dos "desencontros" das pessoas nos meios das culturas, através do insucesso de um cineasta...). Mas com a segunda leitura é que se "estragou" tudo, graças aos contos de Charles Bukowski, do livro, "A Mulher mais bonita da cidade". E abandonou-o logo às primeiras páginas...

Além de estar cheio de sexo (ao vivo e a cores...), a linguagem sem travões do Charles não deixa de chocar alguns leitores. Quando um dos seus contos tem como título, "A Máquina de Foder", está tudo dito...

Comecei a ler o Charles com conhecimento de que ele escrevia sem qualquer cerimónia, sobre o mundo e sobre as pessoas (li um dos seus livros mais populares, embora não me lembre do título...). Não era do seu estilo substituir as palavras que acha certas para ilustrarem as suas histórias. Claro que há sexo e álcool a mais neste livro. É provável que tenham escolhido os seus contos mais vadios e marginais para esta antologia...

Imagino que não haja espaço para Bukowski, nesta nova América tão purista e adepta das "aparências". O mais certo é ele ter sido banido das bibliotecas públicas e até de algumas livrarias de "lacinho"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, julho 27, 2026

Quando um simples marcador de livros, se torna quase inseparável...


Uma das poucas colecções que tenho, é de marcadores de livros. Mesmo sem nunca os ter contado, devo ter mais de um milhar, guardados em várias caixas que já foram de sapatos.

Há um deles que me acompanha há meses, já marcou mais de duas dezenas de livros. Começou por ser o "marcador de mesa de cabeceira". Revelou-se de tal forma inseparável, que até veio de férias comigo e com os meus livros.

E agora cheguei a um conclusão. Uma das minha próximas aquisições literárias será "As Cartas de Berlim" da desconhecida (para mim, claro), Katherine Reay...

E apenas porque sim.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


domingo, julho 26, 2026

Malvados preconceitos (e logo a "triplicar")...


Uma das formas que continuo a gostar de "passar tempo" é dentro de livrarias, enquanto as meninas andam a passear dentro das lojas de peças de roupa.

Foi numa dessas passeatas que fui surpreendido ao olhar para uma estante por um título "daqueles", que fazem furor na chamada "literatura de cordel". Quando li o nome do autor (com a fotografia do próprio escarrapachada na capa...), um actor ainda jovem, que aparece nas telenovelas, pensei ter ficado esclarecido.

Aquele título, "Tudo o que nunca te disse, meu amor", percebia-se à légua, que piscava o olho a jovens adolescentes ou pré-adultas (e porque não tias solteironas?). A fotografia na capa, idem idem aspas aspas. E depois a escolha de um actor jovem como escritor romântico (que até pode ter jeitinho para a escrita, mas...), indicava que havia por ali mais comércio que literatura.

Depois de virar as costas, percebi que no que tocava a livros, a minha crítica de capa continuava cheia de preconceitos. E desta vez a "triplicar"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, julho 25, 2026

Uma televisão que gosta de se lembrar das pessoas fora de tempo...


É no mínimo estranha esta moda, das televisões só se lembrarem das pessoas, depois delas partirem. 

Não estou contra as muitas homenagens que foram prestadas a Luís Represas  pelos canais generalistas, quer com a repetição de concertos como de outros programas. 

Gostava sim, era de assistir aos sábados ou domingos, a programas de música com a presença dos nossos melhores cantores e músicos. E não desta "misturada" de gente que finge que sabe cantar, mas que não passava das eliminatórias dos concursos que procuram novos talentos musicais...

Essa sim, era a melhor homenagem que se poderia prestar a Luís Represas...

(Fotografia de Hugo Delgado)