sexta-feira, maio 22, 2026

Bom dia ingratidão...


Há mais de um ano que não encontrava um amigo.

Sabia que a maior parte do tempo iria falar dos seus problemas de saúde, das suas viagens aos hospitais, da recuperação e menos de livros ou de desenhos.

Claro que arranja-se sempre uns minutos para falarmos de arte (da sua e da dos outros) e também de exposições e de associações...

Foi graças ao último iten, que fiquei a saber da tentativa de "golpe de estado", que fizeram na sua colectividade, por quererem substituir a mulher, que tanto dera de si nos últimos anos aos outros (que preferem sempre a primeira fila dos bitaites à mesa de trabalho, onde é preciso arregaçar as mangas).

Ela não precisou de golpe de estado nenhum. De certa forma, estava à espera de um pretexto para se desligar daquele tempo em que tinha de ser uma "faz tudo".

Olhei para trás no tempo e vi-me no mesmo filme... Onde também não precisei de ser empurrado, sai pelos próprios pés da colectividade, que já começava a ser odiada pela minha mulher e pelos meus filhos...

Não só percebi o que ela sentiu, como sei que não existe volta a dar, neste e noutros filmes idênticos (a não ser que estejamos "colados aos lugares", o que nunca foi o caso...). 

A ingratidão vem sempre ao de cima. A memória das pessoas é sempre mais selectiva, do que deveria...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, maio 21, 2026

Quando pensar é uma chatice e o futuro parece ser uma maravilha...


Eu sei que, quem nem sequer usa "smartphone", nos tempos de hoje, é um homem do passado.

Assumo-o. Faço parte daquela esquerda conservadora, que não dá grande espaço às modernices, muitas vezes mais por teimosia que por outra coisa.

Embora não tenha qualquer problema em reconhecer que já uso a "inteligência artificial" há algum tempo, mesmo que nem sempre me aperceba. Os motores de busca são isso mesmo, assim como os "vigilantes", que assim que nos vêem a pesquisar alguma coisa, mesmo que seja só por curiosidade, passam a invadir-nos, diariamente, o ecrã do computador com a tal publicidade. E não me vale de nada ficar chateado, porque eles são insistentes...

Não espero ter de a tratar por tu, apenas porque sim, a mesma justificação que costumo dar por não ter "facebook" ou "instagram".

Foi por isso que fiquei espantado quando ouvi alguém a dizer, que uma das coisas boas da IA, era ajudar-nos a pensar e a tomar melhores decisões no futuro.

Não se pode dizer que estava a olhar para de um "convertido". Era mais que isso. Era alguém que vendia, voluntariamente, a "alma" ao tal futuro que já anda a rondar as nossas portas, entre outras coisas, por não gostar de pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


quarta-feira, maio 20, 2026

Escrever sempre foi diferente de falar...


Escrever sempre foi diferente de falar. 

(grande novidade, não é?)

As palavras não nos escapam com tanta facilidade, não nos enganamos tanto com o uso que damos ao português, pela falta de ponderação ou simplesmente de vocabulário...

Falei do livro que estou a ler, um quase diário, que não o chega a ser. Sim, é mais um livro de observações. É curioso, mas o autor só fala de nomes de gente quando escreve de uma forma positiva sobre essas ditas pessoas. Quando faz um comentário mais agreste, esconde-os atrás das palavras...

E não somos todos assim? Questionou muito bem a Carla.

Somos e não somos. Depende do que se diz e também a quem se diz. 

O Rui trouxe outra curiosidade para a mesa, o facto de nunca termos cultivado muito este género literário, As excepções que confirmavam a regra eram Vergílio Ferreira e Miguel Torga, e de uma forma mais disfarçada, Fernando Namora (o livro de que falo é dele, com um belo título, "Jornal sem Data"...) e mais um ou outro autor.

O Carlos acrescentou que lhes devia faltar "vidinha". Como nunca foram escritores de café nem de tertúlias, montavam as mesas e as cadeiras em casa e chamavam uma ou outra personagem, apenas para lhes fazerem companhia e "vingavam-se do mundo dos outros"...

Provavelmente estava certo. Era possível que lhes faltasse mais mundo, mais rua, mais conversa fiada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 19, 2026

As coisas que pensamos, enquanto o mundo vai passando por nós...


Uma das coisas que os anos fazem, ao passar por nós, é conseguirem com que acreditemos cada vez menos, na espécie humana.

A vida dá-nos demasiado "calo", assim como algumas "bofetadas" sem mãos, que nos vão "acordando para a vida" (tal como ela é e não como devia ser...).

Um dia cansamo-nos de fingir que não percebemos que nos estão a tentar enganar. Outro dia desistimos de ser nós a fechar a porta. Quando damos por ela, descobrimos que estamos cansados de tentar ser "boas pessoas" (o que quer que isso seja, que para muitas pessoas é ser-se parvo...).

Podemos pensar nestas coisas todas a ler um livro... Mas também, sentados num banco, a ver o mundo a passar por nós...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, maio 18, 2026

Eu sei que as pessoas são quase estranhas... e nós que escrevemos, ainda somos mais...


A palavra "remendar" apareceu na conversa, por causa da frase, «há coisas para a qual não existe remédio, nem tão pouco se podem remendar...»

Diz-se muitas vezes que só não há remédio para a morte, mesmo que a vida nos diga algumas vezes, que é mentira, que há mais duas ou três coisas sem solução...

Foi por isso que fomos atrás do "remendar", de uma forma literal, que mesmo que não seja algo definitivo, tem sempre como primeiro objectivo, resolver qualquer questão no momento. 

Ambos sabíamos que no nosso país é comum que os "remendos" se vão tornando definitivos... ou pelo menos que existam até que deixam de remendar coisa alguma.

Mas naquele caso a palavra "remendar" tinha a ver com pessoas. E pessoas não são bocados de tecido que se podem cozer a peças de roupa ou bocados de alcatrão que se colocam nos buracos das estradas...

Eu sei que as pessoas são quase estranhas... e nós que escrevemos, ainda somos mais...

Tudo por causa das palavras, que podem ser mais que uma coisa.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 17, 2026

O chavão de que "o que vem de fora é que é bom"...


Por vezes escrevemos um texto diferente, sem sairmos da sua "alma".

Isso acontece quase sempre, por terem ficado demasiadas pontas soltas no ar.

Continua a ser uma evidência, que o nosso país é uma maravilha para quem chega de fora, então se tiver a pele e o cabelo claro...

Podia aplicar aqui o bom e bonito, "vive e deixa viver", mas não é uma coisa assim tão simples e agradável.

Não se pode apagar todo um histórico, que se deve ao facto de termos sido sempre, um país pobre e pouco desenvolvido, que fixou a frase, de que "o que vinha de fora é que era bom" (com alguma lógica...) e que acabou por ficar gravada na cabeça dos portugueses.

Agora que se fala tanto em "reforma laboral", é importante falar dos ingleses que desenvolveram algumas das nossas indústrias no século XIX e sempre trataram os trabalhadores com mais dignidade e respeito que os patrões portugueses.

Todas estas coisas fizeram com que nos tornássemos hipócritas e subservientes (os políticos continuam a dar o exemplo nas relações com o EUA ou a Europa, ao quererem ser "bons alunos").

Embora seja um tema pertinente, e com opiniões diversas, acho que nunca nos conseguimos livrar do tal chavão, de que, "o que vem de fora é que é bom" (com a excepção das peles mais escuras, claro...).

Não é por acaso que em muitos lugares, se dá mais importância ao que dizem as pessoas de fora, que os da casa. Mas isso dá para mais um ou dois textos, escritos em jeito de crónica...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 16, 2026

«Acho que não ias perceber, com exemplos, mas o teu país é muito mais livre que o meu»


Lembrei-me da última conversa que tive com uma mulher de pele e cabelo claro, que vivia na Beira Baixa e nunca deixou de escrever para os jornais do seu país. Conheci-a por um mero acaso.

Alguém lhe dissera que eu também escrevia. Ela estava a investigar a história de uma família importante (já quase não se fala dela...) e a forma como beneficiou dos fundos europeus. Queria que eu lhe explicasse algumas coisas, por ainda não perceber as muitas virtudes da língua portuguesa. Ou seja, a nossa conversa foi mais sobre o português que sobre a dita família.

Quando ela se instalou no interior, no começo do século, ainda não estavam na moda os famosos "nómadas digitais", que vivem espalhados por todo o lado. Nem a vida era tão fácil para quem vem de fora, como é hoje...

Encontrei-a uns vinte anos depois, numa superfície comercial, acompanhada da filha adolescente. Acabámos por beber um café e gostei de ver que ela falava a nossa língua correctamente, apenas se notava um ligeiro sotaque.

A vida já estava pior para todos, inclusive para quem era de fora e vivia como nós. Mas ela nunca pensou em regressar para a Holanda com o companheiro e os dois filhos.

Embora eu não tivesse sido curioso ao ponto de perguntar o porquê, ela disse-me uma coisa, daquelas que nunca se esquecem: «Acho que não ias perceber, com exemplos. Mas o teu país é muito mais livre que o meu.»

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sexta-feira, maio 15, 2026

E esta? Portugal está pior e os portugueses vivem cada vez pior (não digam nada ao Montenegro, ao Soares ou ao Amaro)...


Apesar de nunca ter existido um governo em mais de 50 anos de democracia, que tenha usado e abusado, tanto, da propaganda e da "fumaça", a realidade já não dá muito mais espaço para encenações. 

A aposta em discutir "não problemas", como são os casos das alterações da Lei Laboral ou da Constituição, mesmo que sejam desejadas pelos patrões e pela direita, não resolvem qualquer problema dos portugueses.

A continuada tentação em culpar o PS dos "males" do país, também já não dá grandes hipóteses de se "sacudir o capote", quando tudo está pior que há dois anos. 

Sei que irão "cavalgar" na crise provocada por Trump, mas os problemas na saúde, na educação, na alimentação e na habitação, começaram a agravar-se antes da criação da "portagem do estreito de Ormuz"...

Luís Montenegro, por muito que finja viver num "país imaginário" e tenha conseguido transformar a comunicação social num feudo da direita (cada vez existem menos comentadores de esquerda nos canais televisivos...), já não pode dizer, com a "lata" que o caracteriza: que o país está melhor, mesmo que os portugueses vivam pior.

A realidade salta-nos aos olhos diariamente,, seja nos hospitais, nos mercados, nas escolas, nas bombas de gasolina, nos restaurantes ou nas imobiliárias...

Está tudo pior, se esquecermos a meia-dúzia de pessoas do costume (são tão egoístas, que querem tudo, até a tal lei laboral que põe fim ao pagamento das horas extraordinárias...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 14, 2026

A justiça, os justiceiros e os bandidos...


Há muito tempo que não falava sobre Sócrates e sobre a justiça. Talvez fosse por isso que desse mais importância à conversa que tive com um amigo, que não encontrava "há séculos", e que me foi capaz de me fazer ver o caso, numa outra perspectiva.

O facto de ele ter sido vítima da nossa justiça, morosa e tendenciosa, devido a um divórcio litigioso, povoado de mentiras pela parte da ex-mulher e família - só agora, com os filhos na idade adulta é que passou a ter uma relação normal com ambos -, faz com que olhe para tudo de forma diferente.

O mais curioso, foi ele dizer-me que José Sócrates continua preso, desde que o prenderam no aeroporto, como se fosse um "perigoso assassino". Acrescentou que a perseguição de que é alvo por parte dos tribunais, dos jornalistas e das polícias nunca mais lhe permitiu ter uma vida "normal" e em "liberdade".

É por isso que está convencido de que o Estado - ou seja, todos nós -, vai ter de o indemnizar, e que se ele for condenado, será por coisas ridículas, que apenas darão para uma pena suspensa. O que é muito pouco para quem está "preso há tanto tempo"...

Pelo meio ainda me falou das "famílias do actual regime" (PSD), ligadas à banca (sobretudo o BPN), que durante todos estes anos nunca deixaram de viver "à grande e à francesa". A única excepção tem sido o Salgado, cuja tentação de se fazer "passar por maluquinho", lhe deve ter mesmo afectado a cabecinha...

Claro que nada disto alterou o meu pensamento sobre o caso. Os bandidos, os justiceiros e os advogados de defesa, já estão há muito tempo identificados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 12, 2026

Uma boa maneira de se "gostar"...


Depois de deixar os meus amigos na mesa do café, fiquei a pensar em como somos condescendentes com as pessoas que gostamos...

E ainda bem que é assim. É apenas mais uma boa maneira de se "gostar", das muitas que existem, sem qualquer espécie de loucura.

São esses amigos que me fazem responder com sorrisos às suas provocações, e claro, com uma ou outra boca, mas sem nunca se perder o humor, que como se percebe, é tão importantes neste dias, em que se faz gala de se ser estúpido, agressivo e mal educado, mais vezes do que se devia, para quem não se conhece, apenas por que o dia nos está a correr mal...

Quando somos mesmo amigos, temos uma capacidade enorme de desculpar.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, maio 11, 2026

«O normal é sermos maus pais»


Às vezes há alguém que passa pelo "Largo" e aproveita para falar sobre isto e aquilo. Foi o que fez o Carlos, que resolveu iniciar as hostilidades à sua maneira com a frase: «O normal é sermos maus pais.»

Éramos quatro na mesa e deixámos o Carlos sozinho, por não querermos enfiar a carapuça de "maus pais". Se bem que eu me limitasse a sorrir e a dizer-lhe que ele não precisava de ser tão definitivo. Claro que eu estava farto de saber que o que ele era, era um "provocador". E que era graças às suas provocações que muitas vezes chegávamos a lugares interessantes dentro das conversas...

Naquele momento, lembrei-me do meu professor de rádio do curso de jornalismo, o Carlos Martins e de uma chamada de atenção que ele me fez, por eu com vinte e poucos anos, andar demasiado agarrado à palavra "objectividade", num mundo tão subjectivo... Ele em vez de me dizer que estava errado, sorriu e mostrou-me, com exemplos práticos, que o melhor que tinha a fazer era guardar a tal palavra, tão definitiva, no saco...

Pois é, nós aos vinte pensamos que sabemos tudo da vida e aos sessenta, ficamos algumas vezes com a sensação de que aprendemos menos do que devíamos com a vida.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)