terça-feira, fevereiro 10, 2026

Durante...


Durante muito tempo não iremos ouvir falar de "seca".

Durante algum tempo não iremos poder circular em várias estradas deste país, que muitas vezes parece de brincar.

Durante uns dias não iremos falar de outra coisa nas televisões, a não ser que surja por aí uma outra "tragédia de substituição"...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


segunda-feira, fevereiro 09, 2026

As vozes de papagaio que tentam "chegar ao céu"...


Dando um pouco mais de atenção à onda "anti-esquerdista" que por aí anda (ao ponto do Presidente da República agora eleito, num primeiro momento, não querer assumir-se como socialista, mesmo no plano democrático...), percebe-se que há uma tentativa de criar uma nova narrativa política e histórica, culpando os "esquerdistas" de todos os males do país.

Mas a história é o que é. As mentiras que lhe tentam colar, normalmente ficam caídas no chão.

É também por isso que é importante dizer que tanto o 25 de Abril como o 25 de Novembro, mesmo sendo diferentes, foram protagonizados por democratas. E o último, mesmo que a direita queira agora agarrá-lo com as duas mãos, pode e deve-se afirmar, que os seus principais intervenientes pertenciam à área do socialismo democrático. Se na sociedade civil, Mário Soares é a grande figura, no campo militar, tanto Melo Antunes como Vasco Lourenço (os seus principais estrategos) sempre estiveram próximos do Partido Socialista.

E poderia continuar a falar de outras grandes transformações sociais no nosso país, como foram a criação do SNS (de António Arnaut) ou a assinatura do Tratado de Adesão na União Europeia (assinado por Mário Soares).

Mesmo que este seja o tempo dos "papagaios", estou certo de que as suas vozes não vão "chegar ao céu"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 08, 2026

Chuva, votos e populismos...


Apesar do dia chuvoso, não estou nada apreensivo com o resultado das presidenciais.

Não acho que seja possível a vitória do "populista de serviço", embora saiba que, seja qual for o resultado que tiver, ele gritará sempre como um vencedor.

É muito provável que tenha um resultado superior aos 30%, o que fará que cole na lapela do casaco ou num chapéu de fiscal de jardins, as palavras: "líder da direita" (para desespero do "conde de monteverde"...).

Mas se for abaixo dos 30%, continuará vencedor. Veste o fato de "calimero" (que também lhe assenta que nem uma luva...) e diz que teve de lutar contra tudo e contra todos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, fevereiro 06, 2026

O adeus da Joana...


Há blogues que visitamos diariamente, porque além de serem informativos,  nos transmitem conhecimento, sem precisarem de andar por aí a "inventar rodas".

Acaba por ser normal que estas visitas diárias criem empatia, mesmo sem conhecermos pessoalmente quem está do outro lado. 

É curioso percebermos que isso acontece porque nos revemos nas suas palavras e nos pensamentos que exprime (às vezes até podem ser diferentes dos nossos...).

Foi o que aconteceu nos últimos dezoito anos com "Entre as Brumas da Memória", de Joana Lopes, que nos deixou ontem e que interrompera as suas publicações a 17 de Janeiro, por doença...

Vou sentir falta da Mulher que oferecia provas, dia sim dia sim, de que a esquerda continuava viva, e que apesar dos avanços de uma direita agressiva e mentirosa, continua a ser o que faz mais sentido, pelo menos para quem acredita na Liberdade, na Igualdade e na Fraternidade.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 05, 2026

As pessoas e o desordenamento do território...


Embora as cheias desta semana sejam históricas, isso não muda o meu pensamento em relação às pessoas que constroem as suas casas onde não devem (às vezes de forma estranha, "furando" a lei...) e quem o tem permitido.

No tempo das cheias cíclicas no distrito de Santarém, chegámos a falar disso em casa dos meus pais. Eu tinha muita dificuldade em perceber aquela gente, que ano após ano enfrentava os mesmos problemas, os mesmos dramas. Eles percebiam e desculpavam-nos com frases do género, "aquela é a sua terra, foi ali que sempre viveram..."

Passados todos estes anos, continuo sem perceber a localização de muitas casas (meto aqui também aquelas de gente que quer ter o mar só para elas...). Claro que não me estou a referir às cidades, como Alcácer do Sal ou Coruche. O normal sempre foi as localidades crescerem próximas de rios, devido à sua própria sobrevivência económica e social. Mas mesmo nestes lugares, há zonas ribeirinhas que são demasiado perigosas para serem utilizadas como espaços habitacionais.

Espero que estas alterações climáticas - é disso que se trata, por muito que se assobie para o ar -, façam toda a gente repensar o que se tem feito ao longo dos anos em relação às linhas de água e leitos de cheia (há rios que foram "condenados" a circular dentro das cidades em ribeiras artificiais, demasiado estreitas e curtas para invernos mais rigorosos...).

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Pode ser bom passar a vida a "mudar de vida"...


Nunca devia ser tempo de tomarmos conclusões, antes de sabermos (ou percebermos...) melhor o porquê das coisas. Mas isso era estar à espera que o melhor de nós, andasse mais vezes por aí à tona de água...

Eu estava ausente e assim continuei, embora ouvisse a conversa e me sentisse a espaços um privilegiado, por não ter ninguém da família que fosse actor de telenovelas ou vedeta dos "reality shows".

O "pseudo-drama" era um primo que não passava cartão à família, desde os pais aos avós, passando pelos primos e tios, mesmo não passando de um actor de terceira categoria, daqueles que fazem sempre o mesmo papel, a única coisa que muda é o nome da personagem. Parece que há dois ou três anos que não visita os pais, sem que existisse qualquer zanga...

Continuei em silêncio, mas senti que uma boa parte dos actores deviam ter uma existência estranha, não era por acaso que a sua profissão era ser "outras pessoas", passar o tempo a "mudar de vida", mesmo que isso acontecesse só na sua vidinha de ficção. Sabia que muitos, faziam quase tudo, para não ter de voltar a ser o "antoninho" da vida real...

Eu não era exemplo para ninguém, por gostar de ser "invísivel", mas estava farto de saber que o que há mais por aí, é gente que detesta a pessoa que encontram logo pela manhã, no lado de lá do espelho...

Ainda bem que não disse nada. O mais provável era dizerem que estava a "defender" o tal artista dos papeis menores, que tenta andar entretido nos teatros e nas televisões, para não ter de ser, o que não gosta de ser...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, fevereiro 03, 2026

«Ó pai vai chover o ano inteiro?»


Vinha a subir a Emília Pomar e cruzei-me com um pai e uma filha que vinham da Escola dos Cata Ventos e entretanto começaram a cair uns pingos a convidarem-me a acelerar a marcha até casa.

Ainda tive tempo de ouvir a miúda de cinco ou seis anos perguntar ao pai: «Ó pai vai chover o ano inteiro?»

Ele não disse nada. Estava entretido a abrir o chapéu e farto de chuva, como todos nós...

Pensei que a minha filha era mais de fazer perguntas que o meu filho. E sempre foi assim pela vida fora. Talvez seja essa a norma, as mulheres são mais curiosas e gostam mais de perguntar...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Estava ali no cais à espera e reparei que...


Estava parado no cais de embarque dos cacilheiros, à espera que chegasse uma barca, que atravessasse o Tejo e me levasse até Cacilhas, quando reparei num "pequeno-grande" pormenor...

Um dos barcos atracados preparava-se para partir e tinha o nome de "Jorge de Sena".

Isso fez com que começasse a pensar, em qual seria a reacção do escritor, ao saber que agora era "nome de barco", que andava a atravessar o Tejo, entre Lisboa e o Seixal...

E logo ele, que sempre fora um grande crítico do nosso país, que sempre se sentiu mal amado, e até injustiçado... 

Em parte tinha razão, havia uma certa mediocridade intelectual, que não o podia ver à frente, mesmo que tentassem disfarçar... 

Mas o mais curioso, foi achar que o Jorge de Sena era capaz de gostar...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 01, 2026

O "jornalixo" e uma comunicação social que não mostra tudo...


Não vou escrever sobre a tragédia na região Centro, mas sim sobre um acontecimento que não vi ser notícia em lado nenhum, ligado à tentativa de colher dividendos eleitorais com a desgraça dos outros, com o artista da "tv e da cassete pirata" de sempre... 

Uma das pessoas que conheço natural de Leiria é a Isabel, que além do retrato indescritível que encontrou no terreno (até me falou do Japão dos terramotos, como termo de comparação...), também me falou do "aparecimento e desaparecimento" de Ventura, numa das zonas mais atingidas pela "Kristin". O jeitoso assim que foi visto pela população, rodeado pelos seus "muchachos", foi de tal forma insultado e vaiado, que desapareceu em segundos, sem que ninguém lhe pusesse mais a vista em cima. Estava acompanhado de pelo menos duas câmaras de televisão...

Como ela não viu nenhuma reportagem a mostrar estes enxovalhos (aconteceram pelo menos dois, que foram do seu conhecimento e quem o insultava não eram "ciganos"...), concluiu que há mesmo cumplicidade entre o Chega e as televisões.

Como eu esta semana tinha lido o artigo de opinião de Filipe Luís na "Visão" que também diz muito sobre a relação do senhor com a comunicação social, transcrevo-o com a devida vénia: «Se há alguém que não tem nenhuma razão de queixa dos jornalistas é o candidato apoiado pelo Chega. Pelo contrário: com sete dezenas de entrevistas, nos últimos cinco anos, em horário nobre, em todas as televisões, ele teve mais do dobro de tempo de antena de dois líderes, juntos, do PSD, um dos quais primeiro-ministro, e é o campeão político da nossa democracia em exposição mediática favorável, isto é, com presença constante, não apenas em entrevistas, mas também em declarações avulsas – nomeadamente, nos Passos Perdidos, no Parlamento – quase sempre em regime de “pé de microfone” (sem contraditório) com questionamentos “fofinhos” de entrevistadores que, muitas vezes, e sem cerimónia, em certos canais, trata publicamente por tu. Seguro ganhou a primeira volta, mas, três dias depois, era Ventura quem já tinha sido entrevistado três vezes, nas televisões. Duas conclusões: primeira, o “jornalixo” existe mesmo. Segunda, se Ventura é o que é, aos jornalistas o deve.»

Falar de cumplicidade, talvez seja ir longe demais, mas que há muito boa gente que escreve nos jornais e faz reportagens televisivas que está na profissão errada, está. Ou então não, sente-se bem, atolada no "jornalixo"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, janeiro 31, 2026

Quando a realidade supera a ficção...


Apesar dos muitos esforços dos repórteres no terreno, desta vez a televisão não conseguiu suplantar toda a tragédia que assolou a Região Centro, mesmo com transmissões de quase 24 horas diárias. Foi das poucas vezes que a realidade conseguiu superar a ficção.

Infelizmente, o que se passa no terreno, é muito pior do que o que poderemos imaginar...

Não deixa de ser curioso, percebermos que há mais apoio de voluntários que do Estado (que como é costume reage tarde e sempre de forma insuficiente...), até mesmo nas coisas mais básicas, como é a alimentação, com as pessoas comuns a oferecerem e a distribuírem alimentos essenciais a quem mais precisa.

Outro pormenor que nunca falha, é a presença dos "palhaços" do costume, mesmo sem circo. Além dos números habituais do senhor Ventura, há sempre alguém do Governo, que também dá um ar da sua graça. Desta vez foi o senhor Amaro...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sexta-feira, janeiro 30, 2026

O quase mestre da "escola de mulheres"...


Só estive uma vez com João Canijo, e foi por um mero acaso, estava com um amigo comum ligado ao mundo dos filmes e acabámos por conversar durante alguns minutos.

Isto já foi há uns anitos, foi pouco tempo depois dele acabar as filmagens de "Fátima". Ainda devíamos estar em 2016.

Acabámos por falar da "legião de mulheres" que o seguia, algumas das quais chegaram a ser suas companheiras. O Nuno disse que devia ser do "mel" que ele tinha lá em casa, como se o João não estivesse ali. Acabámos os três a sorrir, sem que o realizador abrisse muito o jogo. 

Pensei nisso ontem, quando li a notícia, de que tinha sido encontrado na sua casa, em Vila Viçosa, sem vida, pela empregada doméstica.

Sim, as mulheres são muitas vezes um enigma para nós, homens, porque fazem questão de fazer as coisas ao contrário do que estamos à espera. Digo isto sem qualquer onda de machismo ou feminismo. Somos diferentes, ponto final.

Elas têm muitas coisas em doses superiores a nós, como seja a força (de viver, não é a física...), a sensibilidade, a visão e a manha...

Provavelmente o João Canijo "viu mais longe" (como elas...),  que a maioria de nós, as pequenas e grandes coisas sobre a natureza feminina. Isso poderá explicar a relação que tinha com a Rita Blanco, a Anabela Moreira, a Beatriz Batarda ou a Cleia Almeida e os excelentes filmes que realizou com elas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, janeiro 29, 2026

Depois da Ingrid chegou a Kristin...


Não sei se os ventos chegaram aos 140 quilómetros (em alguns lugares parece ter ultrapassado...) da mensagem divulgada pela Protecção Civil nos nossos telemóveis, com a chegada da "Kristin".

Mas pelos estragos divulgados pela televisão (em quase todo o país...), a depressão acabou por fazer mais estragos do que aqueles a que estamos habituados a assistir, ao qual se somam a perda de vidas humanas na zona Centro e no Sul.

Este começo de Inverno é um aviso para todos nós, com frio, chuva, o regresso das cheias, depois de anos a queixarmo-nos da falta de água e de barragens vazias. Só faltavam mesmo as tempestades com vendavais com esta expressão...

Claro que a tendência vai ser para os desiquilíbrios serem cada vez maiores.

Com o que estão a fazer as grandes potências mundiais em relação às alterações climáticas, usando mais carvão que inteligência, o nosso normal será começarmos a ter queda de neve de Norte a Sul e no Verão temperaturas normais a rondarem os 45 graus, também do Minho ao Algarve...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)