Mostrar mensagens com a etiqueta Revoluções. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Revoluções. Mostrar todas as mensagens

sábado, maio 02, 2026

O 25 de Abril não tem donos, mas tem pais e guardiões orgulhosos...


Felizmente o 25 de Abril não nasceu de um parto difícil, muito menos teve "pais incógnitos".

A sua história continua a ser demasiado bonita e real, ao ponto de alguns a continuarem a achar mais próxima dos filmes e dos sonhos, que da realidade.

O único sangue derramado foi pela polícia política, que não gostou de ver o povo a encher as ruas, muito menos a dar vivas à liberdade.

Foi o seu último gesto, cobarde e assassino, que felizmente não conseguiu retirar a beleza ao vermelho dos cravos.

Embora a direita goste de encher a boca e dizer que o "25 de Abril não tem donos", por questões dúbias, têm razão.

Abril não tem donos. Tem sim "pais" e "guardiões". Gente de todas as idades que vai gritar sempre, com orgulho: «25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, abril 24, 2026

terça-feira, novembro 25, 2025

«O problema não é a festa, é quererem fazer do 25 de Novembro, o que ele nunca foi.»


Sei que "ainda não chegámos à américa", basta falarmos claro e conhecer a história recente, para desmontar as duas ou três mentiras, que tentam passar por cima dos factos.
 
Mais uma vez, socorro-me de uma frase do meu amigo Carlos, que diz tudo sobre o dia de hoje: «O problema não é a festa, é quererem fazer do 25 de Novembro o que ele nunca foi.»

O único partido que poderia acenar a "bandeira da vitória" nos vários episódios que antecederam o 25 de Novembro de 1975, é o PS liderado por Mário Soares. Nem mesmo o PSD, teve voz activa, em todo este processo, provavelmente por o seu líder ter passado quase todo o Verão Quente", em Londres, onde foi operado e fez a sua recuperação.

Mas os socialistas têm consciência que se trata de uma data importante, mas fracturante, especialmente no seio do MFA, onde camaradas tiveram de prender outros camaradas, apenas por pensarem de forma diferente. Foi por isso que os socialistas, tal como o "grupo dos nove", nunca quiseram que o 25 de Novembro fosse o que nunca foi.
 
De uma forma simplista, pode-se dizer que o 25 de Novembro foi uma tentativa, bem sucedida, de voltar a colocar o país no rumo certo, com o regresso daquela democracia, onde se procura que exista espaço para todos.

É por isso que não há um único "militar de Abril", ou de "Novembro", com vontade de participar nesta festa, com ar de farsa, onde a direita mais reacionária, quer sobretudo diminuir o simbolísmo e a verdade histórica do dia 25 de Abril de 1974.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, junho 18, 2025

"Talvez um dia te encontre"...


Sei que o titulo deste pequeno texto parece retirado de uma canção. 

Mas não, surgiu a partir de uma conversa, sobre o PREC, que, 50 anos depois, ainda não acalmou todas as almas.

Estou a fazer um trabalho sobre uma pessoa especial e tenho falado com algumas pessoas que se cruzaram com ele pelo caminho.

Uma das pessoas com quem conversei, disse-me que a última vez que tinha estado com ele, fora no final de 1975. Nunca mais se encontraram. Começou por se desculpar com a vida, que é uma coisa estranha, muito estranha. Mas depois confessou que embora nunca tenha deixado de ir aos sítios que quis, não fez qualquer esforço para se voltarem a encontrar. 

Não ficou nenhuma mágoa, mas tomaram opções diferentes e acabaram por seguir também caminhos diferentes. O homem que estava à minha frente, com um ar de avozinho simpático, disse-me meio a sorrir meio a sério, que em 1976 e 1977 era um "perigoso esquerdista" e o Zé era um "pacifista"... 

Felizmente houve dois acontecimentos que mudaram o rumo da sua vida: foi trabalhar para a Gulbenkian de Paris e conheceu a mulher da sua vida. Como qualquer emigrante, só voltou ao nosso país de férias, até se reformar.

Acrescentou ainda que houve pessoas amigas e até da mesma família, que não se voltaram a relacionar com ele, meramente por questões ideológicas e partidárias. Com algum humor disse que era uma maçada termos braços, pernas e mãos direccionados de forma diferente, uns no lado direito e outros no lado esquerdo.

Contou-me também que durante todo este tempo teve saudades de dois ou três amigos, de quem era mais próximo. Foi sabendo coisas deles pelos jornais, pelo menos dos mais bem sucedidos profissionalmente, como foram os "manos nuno". Mas, apesar disso, nunca fez nada para os encontrar. E era fácil, até por serem todos pessoas das culturas.

Meio a sorrir, meio a sério, disse-me que foi um erro ter-se fiado no "destino" e ter-se escondido atrás da tal frase, "talvez um dia te encontre"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, dezembro 14, 2024

«As revoluções são campos de pasto, do melhor, para os oportunistas.»

 


Todos sabíamos que ele estava certo.

«As revoluções são campos de pasto, do melhor, para os oportunistas.»

A publicidade dera-lhe ginástica mental para dizer muito em poucas palavras. Sem falar do poeta, escondido, apenas de gaveta...

A maioria de nós tinha exemplos na família de gente que até ao dia 25, eram "perigosos comunistas", e que a partir de 26, passaram a ser "burgueses" ( e algumas vezes, em surdina, "fascistas"...).

A Síria não vai ser diferente das outras revoluções, por muito que inventem os  "leitores de cartas" e de "mãos"...

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)


terça-feira, novembro 26, 2024

Continuar o vinte cinco no dia vinte seis...


Por tudo o que tenho lido e ouvido (as conferências a que assisti na sede da Associação 25 de Abril, com alguns dos protagonistas, convidado pelo meu saudoso amigo, Carlos Guilherme, foram muito importantes...), existiu mesmo a possibilidade de se desencadear uma "guerra civil", no dia 25 de Novembro de 1975, de consequências imprevisíveis, até porque existiam demasiadas armas na posse de civis (distribuídas pelo exército)...

Há três factores, decisivos, para que só existissem três mortes, e de militares, nesta operação.

Aquilo que nos nossos dias, ainda pode ser entendido como um "acto de cobardia", também pode, e deve, ser olhado numa outra perspectiva, completamente oposta. 

Foi preciso ter muita coragem, para colocar os interesses do país acima de todos os outros (militares, partidários e pessoais). Refiro-me às "ausências" responsáveis de Otelo Saraiva de Carvalho, de Álvaro Cunhal e dos Fuzileiros (que não saíram da sua unidade, para "desempatar" a batalha entre Comandos e Paraquedistas...), decisivas que que este golpe militar fosse controlado por todos aqueles que defendiam a democracia.

Isto só foi possível, porque o Presidente da República era o general Costa Gomes, uma das pessoas mais ponderadas e inteligentes, do "Verão Quente". Foi ele que conseguiu que o Otelo, o Cunhal e os Fuzileiros, ficassem em casa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 26, 2024

"Abril nunca será Novembro"...


Passei a tarde de hoje no Salão de Festas da Incrível Almadense, onde me coube o papel de moderador de uma "Tertúlia de Abril", que procurava visitar o antes e o depois de Abril, em Almada, organizada pela Incrível.

Os convidados eram do melhor que se poderia encontrar no Concelho (Mário Araújo, José Manuel Maia, Joaquim Judas, Augusto Flor e António Matos), em conhecimento e experiência política. Isso muitas vezes complica a função do moderador. Não foi o caso, porque eu limitei-me a deixar esta gente da história de Almada, falar. Falar do muito que viveram, para as duas dezenas de pessoas presentes, sempre atentas, que saíram dali muito mais ricas (tal como eu...), sem arredar pé, nas quase três horas em que se "tertuliou" e visitou a história recente de Almada e de Portugal.

Foi uma pena não se ter filmado a sessão (nem fotografado.. .), porque se disseram coisas extremamente importantes e sentidas (foi uma boa ideia pedir-lhes na segunda ronda de intervenções, que nos contassem aquilo que mais os marcou durante esse tempo verdadeiramente revolucionário e progressista).

Também se falou do presente, dos avanços da direita à tentativa dessas mesmas forças em "compararem o que não é comparável": a Revolução de Abril com um Movimento Militar democrático (o mais curioso é que esta direita nem sequer teve nenhum papel activo neste movimento, protagonizado pelo "Grupo dos Nove" e pelo PS...), que tentou cortar com os extremismos que estavam a dividir o País (tanto à esquerda como à direita...).

(Fotografia de Júlio Diniz - Almada, 27 de Abril de 1974, sábado)


quarta-feira, maio 01, 2024

É preciso ter memória e lutar contra os "vampiros", todos os dias...


Os 50 anos da Revolução de Abril acabaram por banalizar o Primeiro de Maio, cuja comemoração em Liberdade também faz 50 anos e foi festejada em Lisboa de uma forma única, no Estádio que seria baptizado posteriormente, "1.º de Maio" e também em praticamente todas as ruas e avenidas da Capital.

Todos os que a viveram falam de uma "jornada única".

E 50 anos depois desta Festa dos Trabalhadores, é bom recordá-la, por vários motivos, até porque os donos das grandes superfícies comerciais continuam a apostar em levar as pessoas para as suas lojas, retirando-as das ruas festivas, com a oferta de pechinchas, que podem ir das "batatas", passando pelos "sabonetes" e parando no "papel higiénico".

Mas há coisas mais importantes para falar. Provavelmente nunca existiu tanto trabalho precário como nos nossos dias. Sem esquecer a aproximação à "escravidão", se olharmos para as condições que são oferecidas aos estrangeiros que trabalham na agricultura, na pesca, na hotelaria e restauração (com os patrões a serem capazes de dizer que "os portugueses não querem trabalhar", por não aceitarem estas condições miseráveis...). 

Mas como este governo (e o anterior...) preocupa-se mais em andar atrás das "empregadas domésticas" clandestinas, que em acabar com as condições de exploração e miséria em que se vive e trabalha em Portugal. Está tudo dito.

Do que ninguém terá dúvidas, é que é preciso continuar a lutar, até porque se há coisa que sabemos (ou pelo menos devíamos saber...), é que a direita nunca deu nada aos trabalhadores, se esquecermos as migalhas do costume.

Basta recordar que o tão falado "choque fiscal" do Montenegro vai beneficiar sobretudo as grandes empresas, ou seja quem mais tem lucrado nos últimos anos, primeiro com a pandemia depois com as guerras. 

É por isso que é importante não esquecer que, desde Abril de 1974 que os lucros do trabalho nunca estiveram tão mal divididos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 22, 2024

As revoluções e os saneamentos costumeiros...


Uma das questões mais controversas em qualquer Revolução, são os saneamentos que se seguem, nos meses seguintes, envolvendo praticamente todos os sectores da sociedade.

Mesmo pessoas que eram olhadas como progressistas a 24 de Abril, que ocupavam cargos com alguma notoriedade, graças à sua competência, acabaram vítimas desta transformação social, a 26 de Abril...

Foi facílimo passar-se de "comunista" a "fascista", em apenas meia-dúzia de dias no nosso País.

Como de costume, quem tinha mais peso mediático, foi quem sofreu mais na pele estas mudanças. As grandes figuras da televisão, da rádio e do espectáculo, foram aquelas que mais sentiram a diferença no tratamento, ao ponto de muitos terem de "fugir" para Espanha ou para o Brasil.  Na música e no teatro, houve mesmo quem mudasse de país (para o Brasil...), para continuar a trabalhar...

O fado foi sem qualquer dúvida o género musical que mais foi perseguido durante o PREC, fazer parte da mítica trilogia dos três éfes, "Fátima, Fado e Futebol", não ajudou nada. A sua grande diva, Amália Rodrigues, também foi perseguida (e até "abandonada" e "desprezada" por amigos próximos, estupidamente...). Como se ela tivesse alguma culpa por ter sido usada como "símbolo" da pátria (tal como Eusébio, embora este não fosse vítima de qualquer acto de menorização, provavelmente a sua cor de pele ajudou...)...

Algumas injustiças foram repostas, outras nem por isso. Houve gente que nunca mais teve qualquer oportunidade profissional, para se "levantar", socialmente. Um desses casos foi o excelente fotógrafo, Artur Pastor, cuja obra tem sido popularizada nos últimos anos. Mas existem dezenas de casos, desde o ensino superior ao jornalismo televisivo. Neste último caso, Henrique Mendes foi a excepção que confirmou a regra, tendo sido "recuperado" profissionalmente, alguns anos depois, com o aparecimento das televisões privadas (na SIC)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 14, 2024

«Não foi para isto que fiz o 25 de Abril!»


O meu único amigo, que foi "Capitão de Abril", era especial. Conversámos sobre muitos episódios que continuavam mal explicadas e outros que não nos deixavam qualquer dúvida, sobre todo o processo revolucionário.

Uma das coisas que mais o irritava, era ouvir, um ou outro camarada de armas, em momentos mais polémicos do nosso país, dizerem: «Não foi para isto que fiz o 25 de Abril!» 

Irritava-o por duas razões, pela exploração do "eu", quando a Revolução foi um Movimento Colectivo, mas sobretudo por saber que as questões mais importante tinham sido resolvidas com o 25 de Abril de 1974.

Ele dizia com um sorriso, que o MFA, além da democracia (que nem sempre é muito palpável), devolveu-nos a Liberdade e a Paz. E só por isso, a tarefa dos Capitães ficou cumprida. 

50 anos depois não tenho dúvidas, de que o Carlos, estava mais que certo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 01, 2024

Bom dia Abril!


Há meses que achamos que são melhores que os outros, por razões várias. A escolha prende-se quase sempre com o clima. Depois há um ou outro caso, que se prende com acontecimentos, com memórias, e até mesmo com o mês em que nascemos.

É por isso que se eu dizer que Abril e Maio são os meus meses preferidos, é quase um lugar comum. Quem gosta de vida, de cor, de cheiros, dos campos, tem de gostar destes dois meses únicos (nem as alterações climáticas ainda lhe conseguiram roubaram algumas características muito próprias).

Abril tem ainda o atractivo de ser o mês da nossa Revolução mais recente, que comemora 50 anos daqui a pouco mais de vinte dias. É por essa razão que lhe irei dar uma atenção especial, com regressos ao passado, comparações que poderão ser uteis para quem "tem pouca memória" e passa o tempo a dizer mal de tudo (sem se preocupar muito em dar a sua pequena contribuição para que sejamos um País melhor...).

E é por isso que digo: bom dia Abril!

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


domingo, novembro 26, 2023

A véspera e o dia seguinte...


Li a entrevista de Mário Tomé no "Expresso" e embora seja de esquerda, não comungo de uma boa parte dos seus pontos de vista sobre o 25 de Novembro. 

Hoje digo, felizmente, que tinha apenas 13 anos no final de 1975. Isso permite-me ter o distanciamento necessário para fazer uma leitura e análise, mais profunda,  e também mais livre, sobre este dia, difícil de classificar.

Um dos meus melhores amigos nos últimos vinte anos era um "Capitão de Abril" (Carlos Guilherme), que embora pertencesse ao Movimento dos Capitães, no dia 25 de Abril de 1974 estava a terminar mais uma comissão, em Angola (que se prolongou no tempo, graças aos gritos revolucionários que se seguiram depois do 26 de Abril, de "nem mais um soldado para Angola"...). Mas no 25 de Novembro já estava entre nós e fez parte do comando de operações. Conversámos muito sobre os momentos mais importantes da Revolução (do 16 de Março ao 25 de Novembro).

Mas o que quero destacar é o testemunho que recebi dos principais intervenientes nestas duas datas histórias, durante os almoços promovidos pela Associação 25 de Abril, que tinham um convidado especial (Carlos Guilherme fazia questão de me convidar e estive presente em mais de meia-dúzia deles...), que depois nos brindava com uma palestra - normalmente era um "Capitão de Abril". Como devem calcular, os temas apresentados eram sempre pertinentes,  e tinham a vantagem de no final, serem debatidos e contrariados (se fosse caso disso...) pelos presentes, que também tinham sido "actores" nos mesmos "teatros de guerra".

Sobre o 25 de Novembro, escutei mais que uma intervenção. Não esqueço o testemunho do responsável pelo Forte de Almada, que na época era uma unidade militar. Ele pertencia à facção mais esquerdista dos militares, mas mesmo assim, obedeceu às ordens que recebeu de Otelo, para não distribuir armas a ninguém, nem que para fosse necessário colocá-las em celas fechadas e fazer desaparecer a respectiva chave. Nesses dias quentes houve várias manifestações populares no exterior do quartel (com tentativas de invasão do Forte...), organizadas pela extrema-esquerda.

Percebi através do testemunho de Otelo que, o que estava verdadeiramente em causa era a eclosão de uma guerra civil. O que os militares queriam evitar a todo o custo (tal como acontecera com a Revolução de Abril...), era o derramamento de sangue de gente inocente.  Foi por isso que ele acatou as ordens do Presidente da República, o general Costa Gomes, ordenando às  unidades que ainda lhe eram fiéis, para que não saíssem para a rua (com relevo para os fuzileiros...) , os únicos com capacidade para derrotar os comandos...) nem reagissem a provocações.

Há muito quem chame cobarde ao Otelo (especialmente as pessoas da extrema-esquerda). Eu tenho cada vez mais dúvidas de que o seu posicionamento no 25 de Novembro, seja o de um homem cobarde.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, novembro 25, 2023

25 de Novembro: o corte com os excessos da esquerda e da direita (que acabou por ditar também o regresso a "velhos hábitos"...)


Só as pessoas que não têm conhecimento da nossa história recente (ou que têm outros interesses, mais obscuros, como parece ser o caso do "alcaide" de Lisboa), é que podem querer comparar o 25 de Abril de 1974 com o 25 de Novembro de 1975.

O 25 de Abril é único. É o dia da revolução que devolveu a liberdade ao povo português, após quase 48 anos de ditadura. O 25 de Novembro é um movimento militar que procurou redireccionar o rumo da revolução, acabando com os excessos da extrema-esquerda (começaram a confundir liberdade com libertinagem) e da extrema direita (tentava dividir o país em dois, com acções violentas, especialmente na Região Norte).

O 25 de Novembro nunca foi festejado porque as pessoas que comandaram este movimento tinham consciência que a única vitória que conseguiram foi travar os excessos que se faziam sentir de Norte a Sul, ao mesmo tempo que colocaram o país de novo no rumo da democracia. Foi por que Vasco Lourenço,  Ramalho Eanes ou Melo Antunes, quiseram a ser apenas "Capitães de Abril" e nunca "Capitães de Novembro".

Infelizmente este novo caminho acabou também por ser aproveitado pelos meios mais conservadores (com a complacência do PS e do PSD...), com as grandes empresas e a banca a voltar, a pouco e pouco, para o controle das mesmas famílias que dominavam o país no Estado Novo, sem que Portugal obtivesse qualquer benefício com esta mudança. Sim, estas "famílias monopolistas", nunca se preocuparam com o crescimento e a modernização do país. A sua grande preocupação foi sempre o aumento do seu património e das suas contas bancárias...

São eles os principais responsáveis - a par dos muitos políticos medíocres do bloco central -, da nossa continuidade na cauda da Europa.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, outubro 04, 2023

A rua também é dos jovens...


Pode ser a minha "costela" anarquista" a fazer das suas, ou até alguma nostalgia da rebeldia da juventude, mas prefiro ver os jovens a fazer disparates nas ruas (e até a atirarem tinta a ministros, mesmo que esta seja mal empregue, bosta de vaca fresquinha tem mais a ver com eles...), que vê-los ausentes, fechados nos quartos a jogarem no computador aos gritos ou demasiado silenciosos, a darem "voltas ao mundo" com o telemóvel.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, junho 12, 2023

A Nova "Idade Média " e a "Era da Desigualdade"...


Há sempre meia-dúzia de pessoas que conseguem ver mais longe. Normalmente são ajudadas pela desconfiança e também por algum pessimismo, em relação a quem governa no País, na Europa e no Mundo.

Mesmo assim, fiquei surpreendido pela "pontaria" de Fernando Dacosta, que a 10 de Novembro de 2005, já escrevia assim, na "Visão":

«Uma nova Idade Média emerge trazendo consigo uma nova Era de Desigualdade que, desapiedadamente, provocará a eliminação dos que não poderão viver mesmo trabalhando.
A mentalidade de mendigo faz-se pandemia propagada (veja-se o que sucede connosco) por políticas fiscais que tiraram aos que “têm pouco” para salvaguardar os que “têm muito”. Isso apesar de a Europa produzir três vezes mais do que há 40 anos utilizando menos 30% da mão-de-obra.»

Esta revelação está longe de ser uma surpresa, na actualidade, onde as várias crises que se viveram, em vez de "acalmarem" o capitalismo, ainda o tornaram mais "selvagem". O curioso é contarem habitualmente com cumplicidade dos governos, que adoram fazer-lhes as vontades, fingindo não perceber que os  "ricos" estão cada vez mais gananciosos, encaixando perfeitamente nos "Vampiros" do nosso Zeca Afonso.

Até parece que estão a preparar o terreno para o regresso da "luta das classes" e da "revolta popular"...

(Fotografia de Luís Eme - Arealva)


terça-feira, abril 25, 2023

O 25 de Abril continua a ser um Sonho...


O 25 de Abril continua a ser um sonho, como todas as revoluções.

Fez-se muito, da mesma forma que muito ficou por fazer...

Apesar de existirem "Capitães de Abril" de todas as sensibilidades políticas, da extrema esquerda à direita (os spinolistas...), o MFA lá foi conseguindo conter os muitos excessos e as tentativas de golpes (11 de Março e 25 de Novembro são os que ficaram na história...).

O PREC para muitos foi esse tal tempo de sonho, em que foi possível sonhar com uma sociedade mais igualitária, mas nem tudo foi perfeito. Segundo contam os historiadores, o país chega aos últimos meses do ano de 1975, praticamente dividido em dois, com o Tejo como fronteira natural...

Foi pena termos ido longe demais, dando oportunidade a que a burguesia voltasse a tomar conta do poder, após o tal 25 de Novembro. E que nos anos que se seguiram, em muitos casos, se destruísse mais do que se construísse, e que esse tal País sonhado voltasse a ser adiado...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, junho 15, 2022

É Mais que uma Tendência, é uma Certeza...


Não sei se faz parte da nossa natureza, se é mais uma defesa, das muitas que criamos com o passar dos tempos... sei que é algo que me desgosta, embora faça parte das nossas vidas.

Mas é um facto que nos sentimos mais protegidos ao lado de qualquer "poder", que fora dele. É por isso que não deve haver nenhuma área da nossa sociedade que resista a esse velho hábito de viver, umas vezes "encostado ao poder", outras debaixo da "sombra do poder".

Também não sei se isso acontece por segurança, comodismo, oportunismo ou outra coisa qualquer. Sei apenas que acontece.

E quem foge destes "encostos" e destas "sombras", a sete pés, é quase sempre apelidado de "parvo" ou "louco".

Isto até poderia ter alguma coisa de positivo, se não nos habituasse a funcionar em "rebanho", com todas as influências e manipulações que partem de quem detém o poder, e que não nos deixam ver as coisas com clareza e justiça.

Pensei nisto, depois de ter estado ao telefone com um amigo, com quem troquei alguns desabafos sobre injustiças que quase nos entram pelos olhos dentro. Como gostamos muito de futebol, acabámos por falar dos problemas que existem desde sempre e que parece que ninguém tem vontade de resolver. 

Quando eu disse que ainda não tinha chegado um "25 de Abril" a este desporto, ele acrescentou às contas a justiça e a igreja, onde também já era mais que necessária, uma "Revolução"... 

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, novembro 11, 2021

A Revolta Já não Cabe Dentro dos Hospitais


Provavelmente as várias demissões e manifestações de descontentamento de médicos, enfermeiros e restantes funcionários dos hospitais, não estão a acontecer neste período, que se pode considerar pré-eleitoral, por acaso.

Até porque os bastonários das respectivas ordens pertencem ao lado direito da política.

Mas não são eles os culpados do "reboliço" que está a virar quase todos os hospitais de pernas para o ar. Os grandes culpados são os ministros das finanças socialistas dos últimos anos e as suas celebres cativações, que foram depauperando o SNS, ao ponto de ele estar quase a "dar o estoiro". 

E claro que tudo isto só pode ter acontecido com a conivência do primeiro-ministro...

É caso para dizer que a sorte do espertalhaço do Costa é a "guerra" de poder no PSD. Mesmo assim não dou a sua vitória por garantida, muito menos a maioria sonhada, à custa dos seus dois bodes espiatórios preferidos (PCP e BE)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, outubro 20, 2021

Abusos & Dependências


Há vários anos que os impostos sobre os combustíveis são dos mais apetecíveis para os governantes (os consumos de tabaco e de álcool deixam mais a desejar...), porque eles sabem que se há coisa que os portugueses gostam, é de passear na sua "carripana", sempre que podem (as estradas que ficam entupidas ao fim de semana com o famoso "passeio dos tristes"...).

É por isso que os doidos pelas estatísticas, dizem que no último ano já houve mais de trinta e muitos aumentos de gasolina e gasóleo.

É costume dizer-se que se "tivéssemos dois dedos de testa", fazíamos o famoso gesto do Zé Povinho às gasolineiras e só pegávamos no automóvel, quando não fosse possível utilizar outro meio de transporte.

Penso mesmo que a única maneira de travar estes "abusos" é conseguirmos reduzir as nossas "dependências" e deixarmos as bombas de gasolina às moscas...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)


domingo, julho 25, 2021

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021)


Otelo Saraiva de Carvalho é - a par de Salgueiro Maia -, a grande figura da Revolução de Abril.

Como todos os verdadeiros revolucionários, nunca foi uma personagem a "preto e branco", é por isso que sempre gerou grandes paixões e grandes ódios.

O Capitão de Abril deixou-nos hoje. 

Talvez passe a partir de amanhã, a ser mais compreendido, como costuma acontecer com todos os heróis desaparecidos...

(Fotografia de Autor Desconhecido - o Zeca  esteve sempre com Otelo...)