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terça-feira, setembro 15, 2026

A honra suprema de uma má actriz de telenovelas que faz o papel de jornalista com grande êxito


Sei que tanto uma como a outra, não frequentam blogues. São adeptas de lugares mais populares, onde se pode representar, cantar, dançar, pescar, caçar, e claro, "pintar a manta", com mais descontração (e imaginação...).

Mas mesmo assim achei que não podia perder esta "caricatura" de bairro, desenhada com tanta perfeição.

Falava-se de qualquer coisa na mercearia, e uma das senhoras dizia, "fale com a Tânia, que ela sabe", repetiu isto umas três vezes até que uma senhora, que tal como eu, pertencia ao  clube dos "incautos" e "ignorantes" do lugar, curiosa, perguntou quem era essa tal de Tânia. A mulher que falava pelos cotovelos sorriu e esclareceu o assunto numa penada:

«E esta? Claro que sabe quem é a Tânia. Não conhece você outra coisa!» Sem que deixasse que alguém a interrompesse, virou-se para mim e disse: «É a loira que mora na rua deste senhor.» E depois concluiu, «Ela é a mulher mais bem informada do bairro. Como tem o cabelo amarelo e é avantajada de carnes, houve alguém com olho que a batizou, e muito bem, de Tânia Laranjo.»

Gargalhada geral. Até eu que não apreciava o estilo, conhecia esta "peça principal" do jornalismo de faz de conta do "Correio da Manhã"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, setembro 14, 2026

As perguntas que não sabemos responder...


Ele perguntou-me se existia algum ponto inteligível que conseguisse definir o que é arte e o que é um artista. Alguma coisa que fosse perceptível ao olhar, algo que mexesse com as emoções do espectador comum.

Lembro-me que no jornalismo com bola usava-se muito a expressão "perguntas de mil paus", quando alguém se silenciava e fechava a caixa de respostas a sete chaves.

Ali o caso ainda era mais complicado. O artista em causa, com a "estrela de famoso", por vezes, parecia brincar com a inteligência dos outros, ao fazer obras de arte que se confundiam, aqui e ali, com obras públicas manhosas.

Tal como ele, eu também não sabia quem é que tinha inventado as "instalações". Nem estava muito interessado em saber, diga-se de passagem.

Entre outras coisas falou-me do monte de tijolos que encontrou uma vez expostos em Tavira. Mas quis ir ainda mais longe e recordou-me o episódio polémico com as vigas de ferro que colocou numa rotunda de Leça de Palmeira. "Escultura" que acabou por ser vandalizada, porque alguns munícipes, além de se sentirem "gozados" pelo artista, acharam que havia coisas mais importantes no Concelho para se gastar dinheiro e manifestaram-se da pior maneira possível.

Quem percebe um pouco de arte, sabe que escrevo sobre Pedro Cabrita Reis.

O mais provável é que sejamos demasiados "incultos" para querer colocar limites na arte, que vive mais do nosso olhar, que das imposições exteriores..

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas - não sei se o "artista" que virou um dos contentores do lixo de pernas para o ar, teve a noção de que podia estar a criar uma "instalação artística"...)


quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Pode ser bom passar a vida a "mudar de vida"...


Nunca devia ser tempo de tomarmos conclusões, antes de sabermos (ou percebermos...) melhor o porquê das coisas. Mas isso era estar à espera que o melhor de nós, andasse mais vezes por aí à tona de água...

Eu estava ausente e assim continuei, embora ouvisse a conversa e me sentisse a espaços um privilegiado, por não ter ninguém da família que fosse actor de telenovelas ou vedeta dos "reality shows".

O "pseudo-drama" era um primo que não passava cartão à família, desde os pais aos avós, passando pelos primos e tios, mesmo não passando de um actor de terceira categoria, daqueles que fazem sempre o mesmo papel, a única coisa que muda é o nome da personagem. Parece que há dois ou três anos que não visita os pais, sem que existisse qualquer zanga...

Continuei em silêncio, mas senti que uma boa parte dos actores deviam ter uma existência estranha, não era por acaso que a sua profissão era ser "outras pessoas", passar o tempo a "mudar de vida", mesmo que isso acontecesse só na sua vidinha de ficção. Sabia que muitos, faziam quase tudo, para não ter de voltar a ser o "antoninho" da vida real...

Eu não era exemplo para ninguém, por gostar de ser "invísivel", mas estava farto de saber que o que há mais por aí, é gente que detesta a pessoa que encontram logo pela manhã, no lado de lá do espelho...

Ainda bem que não disse nada. O mais provável era dizerem que estava a "defender" o tal artista dos papeis menores, que tenta andar entretido nos teatros e nas televisões, para não ter de ser, o que não gosta de ser...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, julho 26, 2025

Os "artistas" que fazem parte do "cenário" dos políticos (quando estes estão à frente das câmaras)


Não sei como lhes chame. Na maior parte das vezes são personagens secundárias, embora também existam ministros a fazer esse papel. Por vezes parecem espantalhos, outras figurantes, mas se puderem, não falham a presença na "caixa mágica".

Ficam ao lado e atrás (mas quase encostados, para também aparecerem nas notícias da televisão...). As suas expressões são engraçadas e diversas. Uns ficam com os olhos a brilhar, como se "lambessem" todas as palavras de quem fala (ou então é a emoção de aparecer na televisão...), outros fazem cara séria, porque "aquilo não é uma brincadeira", outros sorriem, porque "tristezas não pagam dívidas", outros ainda, não conseguem estar quietos, talvez porque assim seja mais fácil centrar as atenções lá por casa, se bem que também podem ter essa coisa que chamam, "bicho de carpinteiro"...

A única coisa de que não tenho dúvidas, é que são todos bonecos, bonecos televisivos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, janeiro 26, 2025

«Eles escolhem quem faz fogueiras com mais fumo»


Os alentejanos têm uma maneira de comentar as coisas, quase sempre mais irónica e divertida, pelo menos quando comparados com os restantes nativos das várias regiões portuguesas.

E têm ainda outra virtude, conseguem dizer piadas sem se rirem. Algumas vezes nem se trata de piadas mas sim da forma descontraída como olham para este mundo com cada vez mais cores à nossa volta.

E depois há frases que ficam, como as do Chico, em relação aos "especialistas" que enchem as televisões: «Eles escolhem quem faz fogueiras com mais fumo.» E continuou: «Eles querem lá saber do lume. Querem é fumaça!»

Quando alguém é capaz de explicar, com apenas duas frases, qual é o critério de selecção na escolha dos comentadores televisivos, e logo de seguida conseguir que todos concordem com ele, transporta no mínimo, muita sabedoria dentro dele...

Mas o Chico estava imparável na manhã de sábado, que pedia chuva. 

Apostado em nos fazer sorrir, sem nos mostrar os dentes, continuou a oferecer-nos excelentes bonecos de alguns dos nossos comentadores. Fez um belo esboço do general careca que sonha com a Laica e tem um poster do Putin, em tronco nu, a caçar ursos no escritório. Inventou uma colagem com um almirante rodeado de barcos de papel e um anão com uns sapatos de tacão alto agulha, ambos com orelhas grandes a olharem espantados para o Palácio de Belém. Mas a quem ele ofereceu mais adjectivos foi ao Octávio dos "futebóis", que mesmo pequenino, consegue ser um gigante na inveja, na insinuação e na maledicência Foi para ele o melhor elogio: «O magano consegue bater o Zé Povinho aos pontos, em "filha da putice".»

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, janeiro 23, 2025

A estatura física e a outra, muito mais importante...


Às vezes penso que a minha antipatia por Marques Mendes, tem em parte a ver com a sua estatura física, de ele ser pequenino, ao ponto de dar a sensação de ter apenas metro e meio. E claro de ele ter sido o "Ganda Noia", desse inesquecível, "Contra Informação". 

Até pode parecer preconceituoso, mas não é. Acho quase cómico, que o agora comentador político, fale na televisão como se fosse um "gigante". Embora, depois de analisar as suas palavras, volte a ver apenas um "pigmeu".

Por muito que se esconda, eu vejo sempre ali o ministro cavaquista, que gostava de enviar recados à comunicação social ligada ao Estado.

Basta lembrar o que disse o insuspeito, José Rodrigues dos Santos, que está muito longe de ser um perigoso esquerdista, sobre as pressões exercidas pelo então ministro adjunto, que o acusou de ser "demasiado independente. Mas vamos lá às palavras do jornalista e escritor:

«Todas as verdades inconvenientes irritam algumas pessoas, mas não é por isso que nos devemos calar. A nossa função não é ser simpáticos, é dizer a verdade tal como a captamos. Não é por acaso que como diretor de Informação da RTP tive graves problemas com um Governo PS e com um Governo PSD/CDS e que em ambos os casos tive de me demitir, acusado por um ministro do PSD que tutelava a RTP do hediondo crime de ser “demasiado independente”.»

Pois é, embora se tenha esforçado bastante nos últimos anos, para ser a "voz da razão", no espaço litúrgico que a SIC lhe ofereceu aos domingos, a sua estatura moral, continua igual, não passa do tal metro e meio...

E sim, o problema é mais dele (do que "tenta vender aos domingos") do que meu. 

Nem mesmo um sapatinho de tacão alto o salva...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, março 02, 2021

Quatro Milhões no "Laréu"...


Não sei quem é que se deu ao trabalho de "descobrir" esse número redondo, e quase grande, dos quatro milhões de portugueses, que resolveram sair de casa, ao sábado ou ao domingo (não fixei, estou a ficar esquecido...).

Das duas uma (pois era, podiam ser três...):  estamos a ser mais vigiados do que pensamos... ou então há alguém que tem uma capacidade "paranormal" de contar pessoas que andam no "laréu", desde o Algarve até ao Minho, ao ponto de chegar a este belo número.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, setembro 19, 2020

A Vida Tonta de um Treinador do "Pontapé na Bola"...


Quando olho para a vida de um treinador de futebol, fico sempre com a sensação de que ele tem de ter dentro de si muitas coisas diferentes do sujeito que chamamos "cidadão comum". 

A maior de todas deve ser um amor desmedido, ao jogo do "pontapé na bola". Sim, uma paixão. E como costume acontecer com todas as paixões, acabam por se tornar doentias, ao ponto de poderem ser confundidas com qualquer uma das várias "dependências" fatalistas que nos cercam. 

Algumas pessoas mais materialistas, podem pensar que eles correm é atrás do dinheiro que ganham (e alguns ganham autênticas fortunas...), mas é muito mais que isso.

Acredito que não há dinheiro que pague a forma como vivem o seu dia-a-dia, Vivem quase perdidos num "carrossel" imparável. Sobem e descem; ganham e perdem; caem e levantam-se. São idolatrados quase ao mesmo ritmo que são insultados. E esta variação até pode ser inferior a uma semana. São colocados domingo no olimpo para na quinta-feira seguinte serem devolvidos  a qualquer "caixote do lixo". Sim, são sempre os primeiros a "cair". Se as vitórias costumam ser divididas por todos, jogadores, dirigentes, treinadores e até roupeiros, as derrotas só cabem no fato do treinador...

Talvez o treinador se sinta dentro de um filme ou de um livro... e nunca acredite que é o melhor do mundo, na mesma medida que também sabe que não é o pior treinador do planeta...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

quarta-feira, abril 22, 2020

Soltar o Reboque (das minorias)...


Graças à Liberdade de Abril, no nosso país podem fazer-se petições, por tudo e por nada. 

Se o papagaio que chamava nomes ao Salazar, numa taberna próxima dos "Prédios do Viola" (nas Caldas da Rainha, que fazia com que eu na infância pedisse à minha mãe para mudarmos de rua, só para ter o prazer de o ouvir...) ainda fosse vivo e desbocado, havia quem fizesse uma petição para o obrigar a recolher e a ser fechado em casa, como fizeram as autoridades de então. É por isso, que as petições valem o que valem...

Como o futebol também continua "fechado" em casa, a malta que tem a imaginação sempre à flor da pele, até foi capaz de inventar-se um novo "benfica-sporting", com as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República. Em vez de uma, criaram-se logo duas petições. Só não sei com que "cores" se vestem...

Mas como muito bem disse o seu Presidente, Ferro Rodrigues, o Parlamento não se rege pela vontade das minorias, por muito ruidosas que sejam nas redes sociais (ou noutros "cafés", "barbearias" ou "táxis", improvisados).

Com toda a certeza que as comemorações cumprirão todas as regras de segurança exigidas pela Direcção Geral de Saúde. E o senhor Silva não fará falta nenhuma, até porque ele sempre demonstrou ser alérgico a cravos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, outubro 12, 2019

A Paternidade do Acordo Ortográfico


Hoje o "Expresso" dá voz aos pais do acordo ortográfico, com Malaca Casteleiro, sua eminência parda, a dizer algo como:

«Não se pode voltar atrás, iríamos atraiçoar as novas gerações. Não é possível nem honesto nem justo», quando foi questionado sobre a possibilidade de uma eventual revogação do documento.

Eu diria, que a sua implementação escolar (as "criancinhas" das escolas continuam a ser o argumento mais utilizado na sua defesa, não a sua qualidade...) é que não foi honesta, nem justa. Embora tenha sido estrategicamente bem delineada...

Tudo isto é demasiado sério para se cair na tentação de recorrer ao humor de Ricardo Araújo Pereira, mas quando os "pais do acordo" se chamam Malaca Casteleiro e Evanildo Bechara, é difícil fugir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, julho 03, 2019

A Tentação de "Usar o Chinelo" para Fazer Festas...


Devo começar por vos dizer, para não ligarem muito ao título, e muito menos à imagem. Até por que as metáforas valem o que valem (depende sempre do uso que lhe damos...).

Embora gostasse que a justiça tivesse a arte de "desmontar" todos os "castelos de papel" que giram à volta de Joe Berardo, com mais ou menos budas, não acho muita piada que alguns políticos, jornalistas e até gente comum, troque o Joe por José, sempre que falam da personagem.

Até porque isso pode fazer confusão a pessoas menos avisadas, que até poderão pensar que se está a falar de um irmão ou de um primo deste nosso "artista pop".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

terça-feira, junho 12, 2018

«Não estejas à espera de ética no amor»


Há homens que fingem perceber mais de amor que o resto da "matilha", por terem aberto e fechado muitas portas a mulheres.

Era por isso que aquele "belo exemplar" insistia para com o Pedro: «Não estejas à espera de ética no amor, já tens idade suficiente para não ser passarinho». Com o seu ar experimentado acrescentou: «resume-se tudo ao desejo e à paixão, e quanto mais acesa melhor.»

Eu sabia que o amor era como tudo na vida. A falta de ética, ou não, resumia-se apenas ao carácter de cada um de nós, mas preferi ficar em silêncio...

Mas a Cristina, cansada das entradas do "galã sem ética", trouxe para a mesa uma sua investida frustrada, com mais de vinte anos, quando ainda namorava o companheiro e ele tentou pôr-se no meio, pintando a manta do "amigo" da pior maneira possível.

E a sorrir continuou, dizendo que o amor era demasiado cego para pensar em coisas como a ética. E contou que à medida que ele escurecia o esboço do agora marido, ela descobria-lhe novos encantos, borrifando-se para a sua "música de serrote"...

Acabámos todos a sorrir, por descobrirmos que a "crista de galo" estava a desaparecer e também por percebermos que um bocadinho de "falta de ética" (as mulheres são melhores que nós a descobrir "carecas"...) nas conversas pode dar cabo de "muitas certezas"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, maio 25, 2018

É Tão Bom Termos a Liberdade de Escolher...


O texto de ontem, assim como o de hoje, são fruto de uma conversa sobre este nosso país com dois amigos (e ainda não tínhamos visto a fraca figura do "morto-vivo", que foi primeiro-ministro e presidente da república, na televisão, a comentar a "gravidade" da aprovação da eutanásia...).

Estivemos de acordo, não só em relação ao "espelho salazarento", mas também na forma conservadora como a igreja católica tenta condicionar os nossos dias, como acontece agora com a Eutanásia e aconteceu com o Aborto, e com tantos outros temas, chamados "fracturantes".

Sabemos que, se há alguém com responsabilidades de ainda sermos o país do "caciquismo local" e das "virtudes públicas e dos vícios privados" é o catolicismo, que reina entre nós desde o principio da nacionalidade.

Desde a meninice que me faz confusão ver os cardeais, bispos, padres e sacristães, do lado dos mais fortes, ao contrário de Jesus, o seu mártir, que morreu crucificado. Ele sim, foi um exemplo para todos nós, pela forma como ajudava os mais necessitados e também os mais injustiçados, segundo rezam as lendas inscritas nos livros mais novos do testamento...

Voltando à nossa conversa, gostávamos que as pessoas pudessem escolher, livremente, e sem qualquer  tipo de condicionalismo: o direito de vivermos até ao fim... ou o direito a morrermos com a dignidade que desejarmos.

(Fotografia de uma campanha publicitária da Benneton, dos anos 1990, de autor desconhecido)

sábado, maio 05, 2018

Sorrir com o Nosso Jornalismo (Comprometido)...


Apetece-me começar por falar novamente do João Sousa, que voltou a ganhar hoje a um jovem grego e é finalista do Estoril-Open. Grande João! 

Mas não é sobre isso que me irei debruçar.

Vou escrever sim sobre uma crónica publicada ontem no diário "A Bola", assinada pelo Bonzinho (os nomes muitas vezes são enganadores...), cuja capa "despachava" o Rui Vitória para as Arábias - percebia-se nas entrelinhas que adivinhavam a derrota do Benfica no "derby", ainda antes dele se realizar -, onde o jornalista faz um verdadeiro "tratado" sobre a emoção, por gostar pouco da "indiferença" do treinador do Benfica (cuja normalidade do discurso e da postura chocam com o "jogo de emoções"...). Realmente Vitória é demasiado sóbrio, especialmente para quem gosta de vender jornais à custa de "vendedores de banha da cobra"...

Acho piada a estes jornalistas que acham ter o poder de "despedir treinadores", tal como outros colegas na política, pensam ser capazes de "demitir ministros"...

O mesmo diário tem outro jornalista engraçado (Guerra), que sempre que pode deita abaixo Jorge Jesus, como se o treinador não possuísse um passado suficientemente valioso para dele se orgulhar e ter vaidade...

O mais curioso é eu gostar dos dois treinadores. E estou convencido que nenhum deles depende do resultado de hoje. O seu presente fala por eles. E como ambos dizem, têm contratos com o Benfica e com o Sporting...

Voltando à sobriedade de Rui Vitória, conheço pelo menos uma dúzia de bons treinadores na história do futebol português, que nunca precisaram de "andar em cima" de frases bombásticas ou de serem polémicos com colegas de profissão, para triunfar nos clubes que treinaram. E o mais curioso é que uma boa parte deles até foram campeões nacionais (cá e lá fora...).

Falo de Cândido de Oliveira, Fernando Vaz, Mário Wilson, Artur Jorge, Manuel José, Jesualdo Ferreira, Carlos Queirós, Vitor Oliveira, José Couceiro, Paulo Bento, Leonardo Jardim ou Marco Silva.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, abril 13, 2018

A Familiaridade (Pública) Abusiva...


Hoje de manhã estava no talho à espera de ser atendido e comecei a ficar incomodado com a forma como um dos empregados falava com uma cliente, que mesmo sendo freguesa habitual (tratava-a pelo nome...), estava longe de se sentir à vontade com aquele quase "abuso" de lugares-comuns, em volta do facto de não ter cara de quem tinha acordado com boa disposição. Percebi pela forma como me olhou - e por evitar responder -,  que  só por educação (ou para não ser mal servida...), é que a senhora não disse ao homem do talho para se meter na sua vidinha.

Hoje é raro andar de táxi, mas houve uma altura que andava bastante. E se havia coisa que me chateava era estar sem vontade de conversar (normalmente sem paciência para aturar as suas "sindicâncias" e "ideias feitas"...) e o "xófer de praça" insistir, insistir. 

A meio do quase monólogo, lá acabava por desistir. Mas antes de desistir ainda era capaz de ter um dito daqueles "engraçados" sem graça nenhuma.

Sei que as pessoas têm de se entreter com qualquer coisa, mas não precisam de incomodar os outros (algo que fingem quase sempre não perceber)...

(Foto de Garcia Nunes)

sexta-feira, junho 16, 2017

«A mulher ideal é a mulher que não existe.»


Há muito tempo que não escutava um homem a falar com tanta sapiência das mulheres. Provavelmente ele pensa que os cabelos brancos de quem já passou os sessenta e o ar de galã de telenovela mexicana que faz questão de manter, lhe dão autoridade para nos oferecer tantas generalidades.

Houve um momento que não consegui conter o riso, quando ele disse que continuava a ser tão fácil apaixonar-se como desapaixonar-se. Pensei no bom do Vinicius de Moraes, que também tinha uma grande facilidade em saltitar de amor em amor. Mas ele era quase um "deus", graças ao bom uso que dava às palavras e, que depois oferecia às suas musas...

No meio da conversa o nosso homem ia olhando com alguma galhardia para as mulheres bonitas que passavam por nós.

Quando começámos a olhar para o relógio, quis ir ainda mais longe, quando disse: «Quanto mais mulheres conheço, mais fácil é apaixonar-me. Há sempre uma mulher capaz de me surpreender e de me ensinar coisas novas. É por isso que digo que a mulher ideal é a mulher que não existe. Existem dúzias e dúzias, todas diferentes, e ainda bem.»

A caminho da sala de reuniões, fomos conversando sobre o "charmoso" que nos tinham oferecido numa "rifa" (era dono de uma das empresas que nos "pagavam"...), fazendo aparecer vários animais no diálogo, desde o "tigre", ao "papagaio" passando pelo "leão" e acabando no "galo".

Antes de entrarmos, ainda olhamos uns para os outros, meio tristes, por sermos quase naturalmente, homens de uma só mulher, e cada vez mais distantes das histórias de mulheres ideais. Encarámos a realidade com desportivismo, pois se por um lado ainda estávamos a vários anos da idade do "balzaquiano", por outro também estávamos a vários zeros de distância da sua conta bancária...

(Fotografia de Tony Vaccaro)

sábado, fevereiro 25, 2017

O Difícil é Fugir...


Tenho alguns amigos funcionários públicos que conseguem fugir ao espírito da "coisa", mas são raros. 

Há um ritmo de trabalho (devagar, devagarinho, parado...) que com o tempo acaba por se apoderar de nós... Porque quem tem demasiada energia (essa enorme dificuldade em estar parado...) acaba por fazer o seu serviço e de uma boa parte da secção, sem que os outros se mostrem muito incomodados com isso...

Nunca esqueço o Nascimento, um "cromo" adepto da "paz e do amor", que era capaz de andar o dia inteiro com o mesmo papel na mão, a cirandar de secção em secção, sempre cheio de amabilidades e simpatias, a dar à língua, mas incapaz de "mexer uma palha", para desespero do chefe, que viu-se obrigado a declará-lo como um "caso perdido", o que na função  pública acaba por ser sempre uma "promoção"...

Dizem que as coisas estão a mudar. É provável, mas muito lentamente, no tal ritmo: devagar, devagarinho, parado...

(Ilustração de Robert Brault)

terça-feira, dezembro 13, 2016

O Poder, Essa "Droga" do Nosso Tempo...


Não é novidade para ninguém, que os outros são sempre o nosso espelho.

Claro que nem sempre pensamos nisso, porque é sempre mais fácil olhar para o lado, ou para cima, que para dentro de nós próprios...

Nestes últimos dias houve um acontecimento que me fez mais uma vez ter medo do poder (que é mesmo uma "droga", daquelas viciantes...). 

Sei que até agora nunca fiquei "agarrado", talvez por ter cuidado com as "doses" que tomo, e também por não precisar do "palco" para me realizar pessoalmente. Gosto muito mais de organizar e de criar coisas para os outros, que de ser a "vedeta" do que quer que seja. Claro que gosto que se lembrem de mim, que elogiem o meu trabalho, mas sem exageros. Sem se entrar na bajulice ou na hipocrisia, tão presentes no nosso tempo.

Espero conseguir "dosear" sempre esta "droga", que deixa tanta gente a fazer figuras tristes...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 24, 2015

A Dificuldade de se Dizer Não...


Embora continue a ter dificuldade em dizer não, quando me pedem apoio para qualquer iniciativa, sei que estou em mudança. Já vivi tempo suficiente para saber quem são as pessoas que só me telefonam para pedir alguma coisa e nunca para me brindarem com uma simples conversa de amizade, nem que seja só para dizer olá.

É por isso que já me vou habituando a inventar desculpas, para não ser completamente desagradável. É a tal história de que, para "cínico cínico e meio", A vida tem essa coisa boa, de nos dar "socos", mas também de nos permitir aprender alguns golpes, de "defesa e ataque".

Normalmente diz-se que os cinquenta anos nos dão a maturidade,  a "experiência de vida". É verdade. Mas também nos dão alguma matreirice, para lidarmos com os muitos "oportunistas" que nos cercam, na tal aprendizagem em que cada vez se vai tornando menos difícil dizer não.

O óleo é de Aka Mattas.

terça-feira, abril 21, 2015

A Vertigem da Fama


Ele passou rente às mesas e olhou de uma forma insinuante para quem por ali estava sentado, à espera de um olhar, e porque não, de um pedido de autógrafo.

Escondi os meus olhos dentro do jornal, ao perceber que a "vedeta" estava a passar de novo naquele "corredor", aparentemente indiferente à fama.

Acabou por se afastar e ir à procura de outra "passerelle" mais iludida pelas revistas "cor de rosa".

Não era a primeira vez que assistia a algo do género. E até me lembrei de uma história de um amigo que conseguiu fingir que não conhecia um actor  de parte nenhuma, depois de este lhe ter sido apresentado, desculpando-se que não tinha televisão em casa. Algo que acabou por embaraçar a "vedeta", que não lidava bem com o anonimato...

Embora muitas vezes digam que não, penso uma boa parte das figuras que passam a vida dentro da televisão sentem uma grande necessidade de exposição, de serem olhados, comentados e até falados na rua. 

O óleo é de Angela Bandurka.