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sexta-feira, julho 10, 2026

É bom recordar que a presidência do SMAS nos últimos anos tem funcionado como "moeda de troca" em Almada...


Tudo o que acontece - de mau e de bom - no Concelho de Almada, está directamente ligado à governação do PS, e à presidência de Inês de Medeiros. São mais de oito anos e meio de poder. Os socialistas não têm qualquer espaço para o habitual "passa culpas".

Existe sim, alguma cumplicidade com os partidos com que se coligou ao longo dos mandatos.

É por isso que se trata de uma piada de mau gosto, o PSD ter vindo a terreiro, afirmar que "não tem nada a ver com assunto". Os factos falam por si, foi um vereador do PSD que presidiu os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) entre os anos de 2017 e 2024.

O mesmo se passou na coligação seguinte, feita com a CDU. Mais uma vez, Inês Medeiros "ofereceu" a presidência do SMAS ao partido com que acordara governar Almada, neste seu último mandato (desde Outubro de 2025).

Isto prova duas coisas. O pouco interesse que o SMAS sempre despertou ao PS e à presidente de Câmara (que também se comprova com a redução de investimento durante os dois primeiros mandatos, com a cumplicidade do companheiro de coligação, o PSD). E a ligação dos partidos com que se coligou a todo este problema (bem podem tentar "sacudir a água do capote", como o fez  apressadamente o vereador do PSD...), por terem aceitado a presidência do SMAS, mesmo que fossem apenas uma espécie de "rainha da inglaterra"...

Nota: Texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 08, 2026

A falta de água em Almada é uma grande ironia (há mais de oito anos que a CMA "mete água" em Almada)...


De vez enquanto escrevo sobre o mau serviço que é prestado pelo Munícipio de Almada, aos almadenses. Tento não ser muito insistente, embora os problemas se mantenham - e em alguns casos até se agravem -, ano após ano.

O meu espanto é que, no meio de tanta incompetência, as pessoas continuam a votar no partido do poder. Nunca percebi o porquê. Mas também não perco muito a tentar perceber, até por se passar o mesmo a nível nacional... 

O que eu posso dizer, como morador do Concelho de Almada há mais de trinta e nove anos, é que a forma como se olha para a coisa pública, a começar pelas ruas, nunca foi tão displicente. Lixo, buracos e vegetação, são o "pão nosso de cada dia" em todo o Concelho.

É muito triste sermos notícia nacional devido à falta de água, apenas porque não se "fez o trabalho de casa", como foi dito pela Ministra do Ambiente. Até porque o nosso subsolo possui um dos maiores aquíferos do distrito de Setúbal...

Pessoas ligadas à CDU garantem-me que em 2017 já existia um plano de renovação de toda a rede pública, assim como um projecto para a realização de novos furos de água. Mas como o costume é ignorar as iniciativas feitas pelos outros partidos, mesmo que sejam boas para a população, não vale a pena fazer grandes comentários.

Por todas estas razões, não tenho qualquer dúvida, de que a falta de água em Almada, é uma grande ironia em relação à governação local (ou não se desse o caso de se andar a "meter água" no Município, há mais de oito anos...).

Nota: texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, junho 16, 2026

"Atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir..."


A frase que escolhi para título deste pequeno texto faz parte de uma das canções do Fausto. Escolhi-a porque é um retrato do mundo, andamos praticamente desde a nossa existência a cometer os mesmos erros (por pior que sejam...), que acabam por voltar sempre, de tempos a tempos...

Aparece sempre alguém, capaz de inventar uma guerra qualquer, com um único objectivo, servir os seus interesses pessoais, pouco preocupado com o rasto que deixa atrás de si, tanto de gente assassinada ou mutilada como de cidades completamente destruídas...

Nem a invenção dos deuses e das religiões apaziguaram esta ambição desmedida dos humanos...

Tenho à cabeceira um livro há mais de dois meses, o "Diário" de Hélene Berr (escrito de 1942 a 1944), escrito em Paris durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, por uma jovem judia francesa, que morreu pouco tempo antes da libertação, em Auschwitz. 

Não o leio todos os dias, porque está longe de ser um testemunho agradável, por razões óbvias.

Há muitas partes do seu testemunho que podiam ser transpostas para os dias de hoje, onde a indiferença, se vai tornando reinante. Transcrevemos um exemplo sobre a actividade policial em duas frases:

«Polícias que obedecem a ordens expressas de ir prender uma bebé de dois anos, a casa da ama, para a internar! Eis a prova mais pungente do estado de embrutecimento, da perda absoluta de consciência moral em que caímos. É isto que é desesperante.»

E umas linhas mais abaixo: «Que se tenha chegado a conceber o dever como uma coisa independente da consciência, independente da justiça, da bondade, da caridade, eis a prova da inanidade da nossa pretensa civilização.»

E não são precisas mais palavras...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, junho 08, 2026

Os "donos das praias", com e sem chapéus de sol...


Já tinha pensado falar do mar e da praia, sem saber que hoje era o dia dos Oceanos.

Curiosamente, ou não, tinha pensado fazer uma abordagem de como muitas pessoas olham para o mundo. O mundo que querem que seja mais delas que dos outros. E nem estava a pensar em falar de chapéus de sol, queria sim, ficar à beira-mar. 

E fiquei por ali, a escutar a voz do Oceano, sem perder de vista a nossa costa... A dar graças pela sua força natural, que acaba por provocar mais medo que respeito a muito boa gente...  

Essa força acaba por ser o nosso maior aliado na luta contra todos aqueles que querem ter uma praia só para eles.

Voltando aos Oceanos, eles hoje acabaram por ser "mais notícia", pelo menos para todos que gostamos de andar informados. Ficámos a saber que ele está a subir muito mais do que se previa, graças à forma displicente como continuamos a olhar para as alterações climáticas (especialmente as grandes potências mundiais...).

Voltando às nossas praias, a primeira imagem que me veio à memória nas muitas histórias com "donos da praia", foi um casarão construído a poucos metros do mar na parte superior de um rochedo, na praia dos Salgados, do Sul (sei que não é uma coisa original, existem dezenas exemplos parecidos em toda a nossa costa, e legais...).

Como não vou  para aquela zona algarvia há vários anos, não faço ideia se a casa em causa ainda por lá está. Se está, de Inverno deve transformar-se quase numa "ilha" e ficar desabitada.

Volto a falar dos chapéus de sol, apenas por saber que esta temática não passa de mais um "fair-divers", para esconder discussões mais importantes, com a das praias da Arrábida com portão, ou as da Comporta e de outras praias algarvias, "com muros", em que meia-dúzia de pessoas se julgam os seus "donos" e querem aquele pedaço do Oceano só para eles...

(Fotografia de Luís Eme - Meco)


domingo, maio 31, 2026

A vitória eleitoral dos "ausentes", que deve ter sempre sabor a derrota...


Falar de anarquismo e de surrealismo, leva-me quase sempre para discussões intermináveis com um ou outro amigo. Nem mesmo a minha costela libertária - herdada do meu pai e do meu avô - faz com que consiga compreender algumas das suas posições, que são no mínimo contraditórias.

A maior de todas, é a sua ausência eleitoral, a não participação na escolha democrática de governantes.

Claro que os cidadãos que compõem a tal metade que se furta ao único acto verdadeiramente democrático, e determinante, para o futuro de todos nós, estão longe de ser apenas anarquistas ou surrealistas. Uma boa parte é uma coisa pior, que nem me apetece classificar. Gostam que sejam os outros a resolver os seus problemas, bom bom é estar na "bancada" a "chamar nomes feios ao árbitro"...

Foi por isso que disse ao Luís que o crescimento de partidos como o Chega, também se deve em parte a ele. Claro que não aceitou o meu ponto de vista.

Até porque os anarquistas e os surrealistas, também estão cheios de razões que a razão desconhece...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 14, 2026

A justiça, os justiceiros e os bandidos...


Há muito tempo que não falava sobre Sócrates e sobre a justiça. Talvez fosse por isso que desse mais importância à conversa que tive com um amigo, que não encontrava "há séculos", e que me foi capaz de me fazer ver o caso, numa outra perspectiva.

O facto de ele ter sido vítima da nossa justiça, morosa e tendenciosa, devido a um divórcio litigioso, povoado de mentiras pela parte da ex-mulher e família - só agora, com os filhos na idade adulta é que passou a ter uma relação normal com ambos -, faz com que olhe para tudo de forma diferente.

O mais curioso, foi ele dizer-me que José Sócrates continua preso, desde que o prenderam no aeroporto, como se fosse um "perigoso assassino". Acrescentou que a perseguição de que é alvo por parte dos tribunais, dos jornalistas e das polícias nunca mais lhe permitiu ter uma vida "normal" e em "liberdade".

É por isso que está convencido de que o Estado - ou seja, todos nós -, vai ter de o indemnizar, e que se ele for condenado, será por coisas ridículas, que apenas darão para uma pena suspensa. O que é muito pouco para quem está "preso há tanto tempo"...

Pelo meio ainda me falou das "famílias do actual regime" (PSD), ligadas à banca (sobretudo o BPN), que durante todos estes anos nunca deixaram de viver "à grande e à francesa". A única excepção tem sido o Salgado, cuja tentação de se fazer "passar por maluquinho", lhe deve ter mesmo afectado a cabecinha...

Claro que nada disto alterou o meu pensamento sobre o caso. Os bandidos, os justiceiros e os advogados de defesa, já estão há muito tempo identificados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 13, 2026

As guerras das mulheres são diferentes das guerras dos homens...


Continuo à espera de um  mundo onde as mulheres consigam alcançar o poder, de uma forma natural, propensas a cometer erros, mas erros diferentes dos que são cometidos pelos homens...

Estou farto das mulheres que quando chegam a cargos de poder se transformam em "homens", sem precisarem de fazer qualquer mudança de sexo. Simplesmente se limitam a continuar a seguir a cartilha masculina de sempre, a exercer o poder como se tivessem uma pila entre as pernas.

Sei que em muitos aspectos, o maior adversário das mulheres nas últimas décadas, têm sido as próprias mulheres, por não conseguirem (ou não quererem...) sair deste registo masculino.

Embora agora até tenhamos mulheres especialistas em guerra, que falam com a mesma desenvoltura dos homens sobre armas e tácticas, nas notícias que abordam a realidade como se ela fosse quase uma ficção, continuo a acreditar que as suas "guerras" são muito diferentes das dos homens...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 09, 2026

A perda do sentido de comunidade e a precariedade reinante...


A sociedade está organizada de uma forma que valoriza cada vez menos o sentido comunitário, a importância do outro, seja na escola, no bairro ou no trabalho.

Penso que isso tem muito a ver com o sistema político e económico que "comanda", cada vez mais, as nossas vidas. 

O capitalismo tem conseguido "capturar", de uma forma inteligente, muitos dos valores que lhes podiam fazer frente, sobretudo os colectivos. É também por isso que tem conseguido "secar" instituições como os sindicatos, que normalmente funcionam como um obstáculo aos seus objectivos, já que a sua função primordial deve ser a defesa os interesses dos trabalhadores.

Isto deve-se muito à precariedade do trabalho. Estares a prazo em qualquer lugar faz com que a tua adesão a qualquer tipo de protesto, por muito justo que seja, possa conduzir ao teu despedimento. 

É esta mesma precariedade que faz com que as pessoas sejam educadas e vivam neste sistema que alimenta o "cada um por si", fazendo com que se acredite cada vez menos na importância dos valores colectivos. Quem entra no mercado de trabalho, rapidamente percebe que a maior parte das pessoas que estão à sua volta, estão mais preocupados com o seu umbigo e a sua vidinha, que em ser solidário ou combater o sistema injusto que está instituído...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 03, 2026

A decência não tem cor, sexo ou ideologia


A vitória de António José Seguro nas nossas eleições presidenciais é o nosso melhor exemplo, de que a decência não tem cor, sexo ou ideologia.

Embora possa haver muitas "interpretações" e "percepções", os mais de 65% de portugueses que votaram em Seguro, votaram sobretudo na democracia.

Esta primeira reacção dos portugueses contra o populismo faz com que acredite que o líder do Chega nunca chegará ao poder, pelo menos como primeiro-ministro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Parece que a mentira deixou de ter perna curta...


Não sei até onde se chegará, com todo este o movimento social e político crescente, em que se banaliza a verdade, ao ponto de deixar as pessoas cada vez mais divididas, entre a realidade e as percepções interesseiras deste ou daquele (Montenegro é bom nisso, quem o topa é o Passos...).

Sei que é um trunfo usado por todos aqueles que querem chegar ou permanecer "eternamente" no poder. E está longe de ser uma novidade.

Salazar sempre o fez, embora mentisse com o ar mais cândido do mundo e não se servisse do poder para enriquecer (só quem o rodeava é que "enriquecia", dizem...), mas apenas para se perpetuar como "dono do país".

Acontece que hoje, quando vemos e ouvimos Trump ou Ventura a mentirem com os dentes todos (se for preciso ainda pedem alguns emprestados...) e sem qualquer tipo de pudor, ficamos com a quase certeza de que a mentira deixou de ter a perna curta.

No meio disto tudo, há um coisa que ainda não percebi bem, foi se estamos mais estúpidos, ou se apenas fingimos ter as "orelhas maiores"... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O regresso da regionalização...


Com tudo o que está a acontecer no país, aparecem adeptos da regionalização, por todos os cantos. Há de tudo, desde independentes a gente ligada aos partidos, que falam desta divisão política do território, como se ela fosse a salvação de todos os problemas que existem neste portugal de letra pequena, desde a centralização do poder ao ordenamento do território.

É importante ter memória. O medo que existia em relação à regionalização devia-se sobretudo ao mau exemplo dado por muitos autarcas, que deixaram os seus Municípios quase falidos e com graves suspeitas de corrupção. Isso só acabou quando as contas das Autarquias passaram a ser controladas pelo Tribunal de Contas.

Há outra coisa que se deve ter em conta. Se a qualidade dos políticos tem decrescido a nível nacional, a nível local nota-se a presença de gente mais responsável e melhor preparada tecnicamente para as funções que exerce.

E sim, agora talvez faça sentido pensar-se na regionalização, mesmo que continue a ser demasiado apetecida por quem adora o poder, como é o caso dos políticos que abandonaram os Municípios, depois de atingirem o limite mandatos, como é o caso de Rui Moreira...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


terça-feira, janeiro 27, 2026

A violência e a intimidação na América de Trump...


Mesmo que Donald Trump nos dê mostras diárias de não passar de uma "besta humana", desta vez teve de se render aos abusos da sua querida policia de imigração (ICE) e demitir o chefe (com um ar e um discurso a fazer recordar as tenebrosas "SS"...).

A televisão mostrou ao Mundo as agressões que roubaram a vida a um enfermeiro, Alex Pretti, que tinha como única arma na mão, um telemóvel, desmentindo as primeiras informações de que se tratava de um "terrorista perigoso" ou de um "bandido ilegal"...

Nem mesmo a neve que tem caído no Estado de Minnesota, inibiu os habitantes de Mineápolis de sairem para a rua para protestar contra o que chamam de uma "ocupação da cidade por forças hostis", tal é o uso e abuso da ICE...

Quem tem dado nas vistas como opositor de Trump, é o governador Tim Waltz. Será que finalmente os democratas têm um líder para enfrentar os republicanos?

Uma das coisas mais estranhas a que temos assistido - quando sabemos que os EUA são um país partido ao meio (tal como o Brasil...) -, é o quase silêncio dos democratas, inclusive figuras públicas ligadas à cultura. As únicas notícias que se ouvem, é da chegada à Europa de actores e realizadores, em sentido inverso ao que aconteceu quando Hitler começou a ocupar a Europa e a perseguir os judeus...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


segunda-feira, janeiro 12, 2026

Esconder a realidade "debaixo do tapete"...


Há um problema muito mais grave, que os "50 anos de corrupção" dos cartazes do senhor Ventura, é a forma como se nomeia e demite gente dos cargos públicos que dizem ser de "confiança política".

Isso explica em grande parte o que se passa na saúde, em que parece que a única coisa para a qual a ministra tem capacidade, é demitir os responsáveis de hospitais ou de outra coisa qualquer, apenas por não terem o cartão de militante do PSD.

Ou seja, são retiradas pessoas de cargos de responsabilidade, muitas vezes com provas dadas nesses lugares, para se colocar no seu lugar gente que nem como doentes visitavam os hospitais públicos, porque davam preferência às clínicas privadas (Talvez a sua missão seja mesma essa, continuar a preferir a fazer o "jogo" das clínicas privadas e "destruir" o SNS...).

O curioso da questão, é perceber que apesar das palavras e dos cartazes do senhor Ventura, o Chega é exactamente igual aos outros, como se percebeu na Câmara de Lisboa (e provavelmente em outros Municípios...), onde o partido se "vendeu" ao Moedas, por meia dúzia de "tachos", pouco relevantes mas bem remunerados...

E também percebo, cada vez com mais nitidez, o porquê da manutenção no poder de uma ministra tão incompetente: nunca houve um primeiro-ministro com um discurso tão distante da realidade. É capaz de chamar azul ao verde.

Podem existir mais de 20 horas de espera nas urgências dos principais hospitais, que Montenegro vai continuar a dizer que as coisas na saúde estão melhor que no "tempo dos socialistas"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, janeiro 11, 2026

As memória de Alegre com o Guterres do "pantanal"...


Estou quase a acabar de ler as "Memórias Minhas" de Manuel Alegre e continuo a gostar do ritmo e da qualidade da escrita (nunca é chata...), mas também pela forma como relata os muitos acontecimentos que viveu no interior do PS.

Uma das partes mais curiosas desta obra é a explicação factual da deriva do PS para o "centrão", a caminho do liberalismo (abrindo a porta ao capitalismo e aos interesses económicos...), ainda nos anos oitenta, que teve como protagonistas Vitor Constâncio e António Guterres, a chamada "terceira via". 

Embora Alegre possa dar a sua visão pessoal, sem erguer qualquer bandeira a favor dos seus adversários dentro do partido, concordo com ela. Isto foi possível porque Mário Soares, queria muito ser presidente da República e afastou-se da direcção do Partido...

Foi neste período que as "raízes" de esquerda do PS começaram a "secar" nos corredores do Rato, graças ao sempre muito católico Guterres...

Há ainda outra coisa curiosa (não vem no livro...), é com Guterres que emerge Sócrates, que começara por ser militante do PSD lá nas Beiras, com os resultados que todos sabemos...

Todos falam da "grande inteligência" de Guterres. Não duvido dela. Mas com tudo o que se têm passado na ONU, percebe-se que ela está longe de ser a melhor qualidade de um político. Falta-lhe a coragem (sempre faltou, era mais de conspirar no sótão...) que os grandes políticos devem ter (que Soares e Sá Carneiro por exemplo tinham...), de ir contra tudo e contra todos, na defesa do que acha ser o melhor para todos, de dar murros na mesa na hora certa...

Muitos políticos limitam-se a perseguir sonhos, sem conseguirem "ler nas estrelas" e perceber que estão longe de ser os melhores para exercer as tais funções sonhadas (Marques Mendes é o nosso último grande exemplo...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, novembro 09, 2025

Necessidades, oportunismos e "passa culpas"...


Estava a ler a notícia sobre o "passa culpa" entre a Câmara de Almada e o IHRU, tutelado pelo Governo sobre os bairros clandestinos do Concelho e percebi a mensagem de ambos.

Como de costume, sei que não irão fazer coisa nenhuma, a não ser que aconteça algo de grave, uma morte ou um acidente que coloque os vários poderes em causa. 

Se isso acontecer, a GNR ou a PSP serão enviadas de imeadiato para o local, tal como as máquinas para deitar abaixo algumas das barracas, que entretanto podem começar a ser construídas nas "terras de alguém" (até agora segundo se diz estes bairros estão eregidos em "terra de ninguém")...

Claro que este crescimento dos bairros da Penajóia, Raposo e companhia, deve-se a dois factores, que dificilmente se conseguem separar: os vários oportunismos de quem se habituou a "viver do nada" e dos "rendimentos mínimos" (até há quem já se dedique a "alugar barracas"...) e a necessidade de muitas famílias, que apesar de trabalharem, não conseguem ter dinheiro suficiente para alimentar o agregado familiar e alugar uma casa com condições mínimas de habitabilidade.

Nota: Texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


quinta-feira, outubro 23, 2025

A forma dúbia (e estúpida) como tratamos quem chega de fora...


De uma forma geral sempre fomos assim, o caráter nunca foi um traço muito forte da personalidade dos portugueses.

As mitologias que por vezes tentam transportar Viriato ou Afonso Henriques, para o nosso tempo, não passam disso mesmo, mitologias...

É por isso que o normal, especialmente nos pequenos poderes, foi sempre ser fraco com os fortes e forte com os fracos. Ainda hoje é assim, especialmente nas mentes mais conservadoras e retrógadas, que atravessam todas as classes sociais. Talvez a ditadura salazarista tenha sido demasiado impositiva neste aspecto, mas está muito longe de explicar tudo...

Esta forma de estar, explica em parte a forma como recebemos os emigrantes. Se for gente, aparentemente endinheirada (mesmo que sejam bandidos da pior espécie...), que compram "palacetes, carros de 100 mil euros, quem mora na sua rua, até é capaz de lhes fazer uma vénia. Se foram simples trabalhadores, que vieram fazer aquilo que já nos achamos demasiado importantes para fazer, seja na hotelaria, restauração ou serviços de limpeza, são olhados de lado e apontados a dedo, se faltar alguma galinha na capoeira da vizinha (por ela não saber contar muito bem)...

Esquecemos que é graças a estes "endinheirados" (os "traficantes" que tiveram a porta aberta graças aos "vistos de ouro", mas também a gente famosa do cinema, da moda, os reformados das europas e das américas, e ainda, essa profissão estranha e vasta, como o nome de "nómadas digitais"), que se está a tornar um "luxo" viver no nosso país, especialmente nos grande centros urbanos. 

É graças a eles que o preço das casas sobe a níveis quase de Paris, Londres ou Nova Iorque, assim como as diárias de hotéis, as ementas de restaurantes e até os preços das batatas, dos tomates e das cenouras nos mercados.

Mas bom é seguirmos a "lenga-lenga" da direita e culpar quem vem para cá trabalhar e tem uns tons de pele ligeiramente mais escuros que nós. Gente que além de ser mal paga, é mal tratada e olhada de lado, por uma população cada vez mais incapaz de pensar pela sua própria cabeça, que engole todas as "percepções" que vão dando jeito a quem nos governa e que vão tornando o nosso país cada vez mais miserável e desigual.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, outubro 10, 2025

A moda de governar para "ganhar eleições"...


Nem se pode dizer que a moda de governar para ganhar eleições, tenha começado com o PSD.

António Costa, por exemplo, foi bom a governar desta forma. Embora fosse menos descarado que o "conde monteverde", foi desta forma que se conseguiu manter tanto tempo no poder...

Olhando para a actualidade, os reformados são o "público-alvo" das maiores atenções do primeiro-ministro, que se habituou a criar, um mês ou dois antes das eleições, um qualquer suplemento que faz as delicias dos mais idosos. Acredita que, mesmo que a memória já não seja a mesma, eles não o esquecem quando vão votar. 

Foi por isso que voltou a repetir a façanha, agora, mesmo que estas eleições não o elejam, sejam apenas para as autarquias. Revela-se um bom amigo dos autarcas sociais democratas, mesmo que estes (e os outros, como os socialistas em Almada...) também insistam em colocar novos tapetes de alcatrão, para tapar os buracos de quatro anos, na semana das eleições...

Mas as benesses não se ficam por aqui, até se corta a erva dos jardins, o que nos faz pensar muitas vezes que não era má ideia existirem eleições anuais nos lugares onde habitamos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, setembro 27, 2025

O número político do PSD à volta de outro número "moderado"...


Os jogos do poder do Governo que está em funções, são cada vez mais estranhos, abrindo espaço  à provocação, à loucura e também à recreação, onde se nota um prazer especial em se "atirar barro à parede".

Lançam coisas absurdas para a opinião pública, cum um único objectivo: confundir as pessoas, com a cumplicidade de um jornalismo cada vez menos livre e independente.

Eles sabem que enquanto se fala de "amamentação" ou de "rendas milionárias moderadas", a atenção das pessoas é desviada do que realmente importa, tanto no mundos do trabalho como no mercado habitacional. 

O passo seguinte é aproveitar a "distracção" e continuar a política de direita, que defende o patronato e os proprietários, tornando a vida das pessoas mais difícil e o país cada vez mais pobre e desigual...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, setembro 21, 2025

«O que é um mau autarca?»


Deverão existir dezenas de definições e explicações do que é um mau autarca.

Claro que a pergunta que me fizeram, trazia "água no bico", queriam que eu concretizasse as críticas que faço, de vez em quando (são menos do que as que devia, reconheço...), à autarca cá do burgo.

Foi por isso que resolvi não pessoalizar a questão.

Disse apenas que um mau autarca é alguém que consegue, quando comparado com o seu antecessor, fazer pior em praticamente todos os domínios, desde a higiene (contentores cheios de lixo e ruas sujas e mal cheirosas...) às artérias (mau estado do piso e mau fluxo de viaturas...), passando depois por os outros sectores mais sensíveis, como são a melhoria dos espaços verdes (sem os tornarem uma "selva", fazendo com que sejam agradáveis para todos...) ou ainda a oferta social, cultural ou desportiva.

Ou seja, alguém, que em vez de melhorar, piora a qualidade de vida dos seus concidadãos.

E nem falei dos dinheiros, de quem gosta de gastar mais do que tem e mal, muito menos dos compadrios, demasiado visíveis, quando se tem o desplante de arranjar empregos para a família e para os amigos...

Claro que depois houve "retratos" para todos os gostos, onde não poderia faltar o sorriso cínico do alcaide de Lisboa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)