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sexta-feira, outubro 23, 2026

O lucro fácil e rápido (como de costume) é o "pai e a mãe" da crise da habitação


Não deixa de ser curioso, tenho lido e ouvido tanta gente a falar sobre a "crise da habitação", sem que falem dos verdadeiros responsáveis (que entretanto se transformaram nos famosos "fundos", mesmo que estes sejam dirigidos pelas mesmas pessoas de sempre...).

Há quem viva e trabalhe sempre com a cabeça fixa no dinheiro, ou seja no lucro fácil e rápido. Esta gente quando percebeu que estava a nascer um novo mercado, virado para o exterior, graças ao aumento do turismo, conseguiu direccionar a construção de novas habitações para este novo nicho de mercado, aumentando de uma forma substancial o seu valor.

Ou seja, nos últimos dez anos, praticamente só se construíram "casas de luxo", apenas ao alcance da classe média alta e de estrangeiros com dinheiro (bem ditos vistos dourados...), num acordo tácito entre as agências imobiliárias, empresas de construção e a banca (muitas vezes pertencem aos mesmos accionistas).

A classe média baixa e os pobres ficaram fora do mercado, ao mesmo tempo que viam subir as rendas das suas casas, nos bairros lisboetas (com a ajuda da "lei cristas"). 

Quem conseguiu arranjar casa em zonas mais afastadas, com rendas acessíveis, mudou-se. Quem não tinha ordenado suficiente, foi ajudar ao ressurgimento dos bairros de lata (que se pensava ter sido extinguido começo da década de 90 do século passado), nos concelhos próximos de Lisboa (com particular incidência em Almada, Amadora e Loures...).

Embora os governantes locais e nacionais sejam bons no habitual jogo do "passa culpas", têm grandes responsabilidades no que se tem passado, O PSD, o PS e o CDS (que ainda tem o desplante de chamar arruaceiros aos jovens que "abriram os olhos" a muita gente, que fingia que não se passava nada...) estão directamente ligados ao problema. Até porque muitos deles lucraram com tudo isto nas autarquias, sem gastarem um tostão, graças às licenças de construção e ao IMI...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, outubro 22, 2026

Misturar as coisas e confundir tudo é a solução do costume para que não se resolva coisa nenhuma...


Além do "passa culpa" do costume, faz-me muita confusão que se tente misturar e confundir tudo, ao ponto dos partidos da direita (Chega e CDS) até se aproveitarem de quem fala português do Brasil nas manifestações, para meterem os estrangeiros como protagonistas de todo este ruído...

Basta andar pelos bairros antigos de Lisboa, para perceber o que mudou nos últimos anos na sua caracterização habitacional. Na sexta feira passei pela Lapa e depois desci pela Madragoa. Quando passei por algumas ruas, porta sim porta não, descobria residências de alojamento local. Em Alfama e Castelo, passa-se a mesma coisa.

Mesmo bairros com a Graça ou Campo de Ourique, embora não tenham enfrentado esta "pandemia" do negócio residencial, cresce cada vez o número de habitantes naturais de outros países, porque são os únicos que conseguem alugar ou comprar casas...

Como nos concelhos limítrofes da Capital, que têm acolhido a maior parte das pessoas que trabalham, mas não conseguem viver em Lisboa, não se tem construído as casas necessárias,  para fazer face a este aumento de população, o problema foi-se agravando ano após ano.

Espero que desta vez os autarcas de Almada, Amadora, Odivelas ou Loures, sigam o exemplo do Isaltino (mesmo que ele exagere no autoelogio...), invistam nos seus concelhos e construam casas de rendas acessíveis, em vez de assobiarem para o ar - ou ficarem à espera que o governo central lhes resolva os problemas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, outubro 08, 2026

"O homem dos pés de barro dourado"

 

O homem dos pés de barro dourado 

Olho para ti e fico a pensar:
“tantas coisas que se esqueceram
de te dizer e de te ensinar”.
Não sei se cresceste antes do tempo ou
se foi o tempo que não te deixou crescer
 
Sei sim, que logo no começo de tudo
surgiu o dinheiro. Muito dinheiro!
Eram muitos, muitos tostões!
Descobriste que ele servia
para comprar mais coisas,
além do pão, da manteiga e do leite…
 
Depois empurraram-te
para o território dos deuses
e tu deixaste que pensassem
que eras muito mais
que um simples mortal
 
Mas ainda não estavas satisfeito.
Nunca estavas.
Querias sempre mais, mais…
 
E quem circulava à tua volta
em vez de te trazer de regresso à Terra
continuava a alimentar o teu ego
e a chamar-te “deus maior”.
 
Fingiam-se esquecidos
de que eras apenas um ser humano,
que os bonecos de cera estavam no 
 museu da madame qualquer coisa.
E a tua estátua na Madeira,
era apenas isso, uma estátua…
 
Esqueceram-te de dizer
que ninguém é maior que o mundo,
por mais talento que tenha…
 
Luís [Alves] Milheiro

(Recorte da capa do "Público" de 2 de Outubro)

Nota: não era para publicar este poema, mas depois de pensar um pouco, disse para os meus botões "porque não?". E ele aqui está. Foi a minha primeira reacção a tudo o que se passou...


domingo, outubro 04, 2026

Os deputados da vergonha (mesmo no interior das suas famílias)...


Eu estou farto de saber que o mundo nunca foi a apenas "preto e branco". Há toda uma paleta de cores, que faz com que o mundo seja muito mais coisas, do que aquelas que imaginamos.

E ainda fico algumas vezes surpreendido com as histórias que me contam. É por isso que me apetece usar o slogan comercial mais popular do Pessoa sobre a bebida pela qual Salazar nunca morreu de amores: "primeiro estranha-se, depois entranha-se"...

Não fazia ideia que no interior de algumas das chamadas "boas famílias", se dizia o pior possível do Chega, por estas saberem "o que a casa gastava". O partido tinha imergido no seu seio, com os seus piores elementos, ou seja, com os filhos que eles nunca escolheriam para gerir as suas empresas ou os seus interesses. O que lhes faltava em competência, sobrava em esperteza e isso nunca foi bom para os negócios. Aquele "vale tudo" assustava-os, por saberem que normalmente era isso que os levava à ruína.

Alguns mais desbocados, nem sequer escondiam a vergonha que sentiam pelas tristes figuras que os seus familiares faziam no Parlamento.

Claro que também sei que há muitas outras famílias do "antigo regime", que se sentem orgulhosas do crescimento do Chega, por terem a sensação de que o 24 de Abril já esteve mais longe...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 03, 2026

Tem de existir um terceiro caminho...


Olhando à nossa volta, fico com a sensação de que o mundo está condenado a tornar-se, cada vez mais, um "campo de idiotas". 

Não é difícil de perceber que o espaço público está, cada vez mais, dominado por gente burra e espertalhaça, que usa tudo aquilo que choca e abana com os chamados valores e regras sociais, para ganhar poder e subir mais um passo na chamada "fama", para pertencer ao "clube dos famosos". 

Invadem os vários canais da internet, assim como a televisão e a rádio (os jornais tentam escapar, mas também já têm os "idiotas" que merecem...) e mentem, manipulam, desprezam, apontam dedos, soltam gargalhadas, tentam ditar leis, contrariando tudo aquilo que nos tem caracterizado como seres humanos.

O pior de tudo, é que parece que só temos dois caminhos à escolha: sermos uma "sociedade de idiotas" livres, ou um "rebanho de idiotas" teleguiado por um "idiota-rei", que no consumo externo se assemelha com Trump, e no interno com um Ventura, ambos capazes de tudo para atingirem os seus fins.

Continuo convencido que existe um terceiro caminho. Mesmo sabendo que é cada vez mais difícil lutar contra este modelo de sociedade, que glorifica a estupidez e alimenta o pensamento único.

Os próximos tempos vão ditar muito do nosso futuro. Para já, o Brasil e a França estão no meio do "furacão"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, setembro 26, 2026

Um mundo de enganos à medida de cada um de nós...


Quase todos os políticos são peritos no jogo do "passa culpas", desde o senhor da Educação à dona da Saúde, passando pelo "conde de monteverde". Conseguem culpar os outros pelos seus erros, e não satisfeitos, ainda são capazes de dizer que as coisas estão melhor à sua volta, mesmo que tudo ameace ruir, desde os hospitais às escolas...

Podia falar também da dona Inês, que manda aqui neste nosso burgo, que também adora culpar os outros e pensa ser possível passar pelos intervalos da chuva, mas não vale a pena.

Até porque há "espécies" ainda piores nestes teatros de poder, que gostam de vestir capas de "super-heróis", mesmo que não passem de bandidos de terceira classe, como são os casos de Carlos Moedas ou André Ventura. Embora os seus talentos pareçam estar mais vocacionados para os enredos de ficção ou para a venda de banha da cobra nas feiras, não iriam conseguir ter tanto palco à sua volta, muito menos enganar tanta gente ao mesmo tempo, como o fazem nos seus "púlpitos".

Aquilo que era uma velha questão deixou de ser questão. Sabemos há já algum tempo como é que eles conseguem ludibriar tantas pessoas ao mesmo tempo, nos seus jogos de palavras manhosos, povoados de mentiras e alvos. Conhecem ambos a cartilha do "populismo" como mais ninguém no nosso país.

Como sabem que as pessoas pouco cultas são facilmente enganadas, tanto por quem fala alto, como quem finge falar-lhes ao ouvido, oferecem-lhes dúzias de "histórias da carochinha". Não satisfeitos ainda apontam dedos e chamam "bandidos", aos que também se deixam seduzir pelo poder, esquecidos dos seus "rabos de palha", com um cardápio completo de insinuações e mentiras.

O Carlos quase que já nos convenceu, que o que gostamos mesmo é de ser embalados com "canções do bandido". Desta vez ainda foi mais longe e afirmou, que se há tantas histórias à nossa volta de gente a cair nos "contos do vigário" modernos - ainda melhores que a "dona branca", com ofertas de negócios com juros malucos que rendem 50 e 100 por cento -, é porque o nosso cérebro está a ser invadido, cada vez mais, por massa castanha.

Só ele mesmo, para nos fazer rir com coisas cada vez mais sérias...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 24, 2026

Parece que o futebol é só para "fanfarrões"...


Podia começar por falar de André Vilas Boas, que fingia ser um "gentleman", durante as eleições que ganhou, nem sequer queria ter alguma coisa a ver com o portismo do Sérgio Conceição, que apesar de este ser o treinador mais vitorioso do FC Porto, despachou-o assim que pôde. Além de o colocar num "embrulho", tentou humilhá-lo, substituindo-o pelo seu adjunto. 

Curiosamente (ou não), Vilas Boas, acha que só consegue ser um presidente vitorioso, trazendo de volta o passado regionalista do clube, criando a personagem "Pinto2",  inventando inimigos em toda a parte, assim que chega a Vila Nova de Gaia. O problema é que a sua "personagem", além de não saber perder nem ganhar,  vai perder a graça, rapidamente, pois falta-lhe a ironia e a "escola" do antecessor...

Mas o que eu queria mesmo era escrever sobre Jesus, que já deve estar a pensar que voltou a falar demais, quando espalhou a boa nova, de que com ele, a selecção ia jogar "o dobro..." 

Claro que se percebe à légua, que este futebol é muito mais dos Mourinhos e dos Jesus, que dos Ruis Borges, dos Ruis Vitória ou dos Leonardos Jardim, por mais campeonatos que ganhem. Como não precisam de andar no futebol em bicos de pés nem a passar o tempo a insultar os adversários e a inteligência de quem gosta do "Desporto-Rei", não são bons para programas televisivos e para jornais...

Mesmo assim, espero que  este futebol seja para o Marco Silva, que parece ser superior a todos estes "joguinhos". Era bom que ele conseguisse vencer e fazer entender, de uma vez por todas, que o futebol joga-se nos relvados e não nos bancos dos suplentes ou nos repastos combinados, com e sem leitão à bairrada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 10, 2026

A liberdade tem sempre custos...


Não é só na rua que gosto de parar e ficar a olhar para trás, para ver as coisas de um ângulo diferente, para ver o mundo que caminha em direcção contrária...

Sempre gostei de pensar, de olhar o mundo, de querer saber e descobrir coisas, consultando apenas a minha cabecinha.

Foi por isso que tive os meus primeiros dissabores logo na infância, porque para algumas pessoas não passava de um "refilão" e um "chato", que nunca estava bem com nada...

Não percebi logo que as pessoas não gostam que sejas diferente delas, que queiras ter uma cabeça só tua, os teus pensamentos, as tuas ideias, os teus sonhos...

Muitos anos depois, sinto que só não incomodava verdadeiramente os meus pais.

Nunca tinha pensado, a sério, que para algumas pessoas (são capazes de ser muitas...), gostares de pensar pela tua própria cabeça, está longe de ser a "melhor coisa do mundo". 

Sempre soube que podia ser um incómodo para políticos, patrões e outra gente que vive embrulhada em "papel de poder". Nada que me incomodasse por aí além. Para lhes escapar, nunca pertenci a partidos e trabalhei a maior parte das vezes sem ter patrões com rosto.

Claro que viver desta forma tem custos. Sabes desde cedo que nunca vais ser rico. O que, diga-se de passagem, também está longe de ser a coisa mais importante do mundo, porque sabes que continuas a gostar mais de liberdade que de dinheiro...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, agosto 02, 2026

Os campos de futebol inclinados que nos roubam o sonho e a ilusão...


Talvez exista algo de quixotesco e sobretudo de "Robin Hood", no meu gosto de ver aqueles que são descritos como mais fracos e pequenos, fazerem frente aos grandes.

Claro que no mundo da política ou das empresas, tratam-se de meras impossibilidades. Não sobra quase espaço nenhum para o sonho. Vinga sempre a "lei do mais forte"...

O desporto é um dos poucos sectores que dão essa ilusão, especialmente o futebol. No começo de cada partida como jogam onze contra onze, é sempre possível acreditar na possibilidade da existência de uma surpresa, do "David conseguir derrotar o Golias".

Infelizmente - e para não escapar desta sociedade desigual em que vivemos -, os chamados grandes têm quase sempre um aliado de peso dentro das quatro linhas; o árbitro. É ele que decide, que tira toda e qualquer dúvida que exista... e que se quiser "inclina" o campo, como disse anteriormente, para o lado que quiser. Lado, que vá lá saber-se porquê, é quase sempre inclinado em benefício do mais forte...

Foi o que aconteceu ontem na final da Supertaça, disputada entre o FC Porto e o Torriense. Na primeira parte do jogo o árbitro teve o cuidado de "amarelar" dois ou três jogadores da equipa de Torres Vedras, que não se intimidaram e mostraram ao que vinham. Ao ponto de até ter jogado bem melhor que a equipa do Porto nos primeiros vinte minutos, sem que alguém notasse que fazia parte da segunda divisão...

E foi sempre assim durante os mais de noventa minutos, em casos de dúvida, o "juiz" apitava sempre contra o Torriense.

Claro que esta evidência não tem nada de fervor clubístico, se fosse o Benfica ou o Sporting que estivessem no lugar do FC Porto, o cobarde do árbitro, teria o mesmo comportamento...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, julho 10, 2026

É bom recordar que a presidência do SMAS nos últimos anos tem funcionado como "moeda de troca" em Almada...


Tudo o que acontece - de mau e de bom - no Concelho de Almada, está directamente ligado à governação do PS, e à presidência de Inês de Medeiros. São mais de oito anos e meio de poder. Os socialistas não têm qualquer espaço para o habitual "passa culpas".

Existe sim, alguma cumplicidade com os partidos com que se coligou ao longo dos mandatos.

É por isso que se trata de uma piada de mau gosto, o PSD ter vindo a terreiro, afirmar que "não tem nada a ver com assunto". Os factos falam por si, foi um vereador do PSD que presidiu os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) entre os anos de 2017 e 2024.

O mesmo se passou na coligação seguinte, feita com a CDU. Mais uma vez, Inês Medeiros "ofereceu" a presidência do SMAS ao partido com que acordara governar Almada, neste seu último mandato (desde Outubro de 2025).

Isto prova duas coisas. O pouco interesse que o SMAS sempre despertou ao PS e à presidente de Câmara (que também se comprova com a redução de investimento durante os dois primeiros mandatos, com a cumplicidade do companheiro de coligação, o PSD). E a ligação dos partidos com que se coligou a todo este problema (bem podem tentar "sacudir a água do capote", como o fez  apressadamente o vereador do PSD...), por terem aceitado a presidência do SMAS, mesmo que fossem apenas uma espécie de "rainha da inglaterra"...

Nota: Texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 08, 2026

A falta de água em Almada é uma grande ironia (há mais de oito anos que a CMA "mete água" em Almada)...


De vez enquanto escrevo sobre o mau serviço que é prestado pelo Munícipio de Almada, aos almadenses. Tento não ser muito insistente, embora os problemas se mantenham - e em alguns casos até se agravem -, ano após ano.

O meu espanto é que, no meio de tanta incompetência, as pessoas continuam a votar no partido do poder. Nunca percebi o porquê. Mas também não perco muito a tentar perceber, até por se passar o mesmo a nível nacional... 

O que eu posso dizer, como morador do Concelho de Almada há mais de trinta e nove anos, é que a forma como se olha para a coisa pública, a começar pelas ruas, nunca foi tão displicente. Lixo, buracos e vegetação, são o "pão nosso de cada dia" em todo o Concelho.

É muito triste sermos notícia nacional devido à falta de água, apenas porque não se "fez o trabalho de casa", como foi dito pela Ministra do Ambiente. Até porque o nosso subsolo possui um dos maiores aquíferos do distrito de Setúbal...

Pessoas ligadas à CDU garantem-me que em 2017 já existia um plano de renovação de toda a rede pública, assim como um projecto para a realização de novos furos de água. Mas como o costume é ignorar as iniciativas feitas pelos outros partidos, mesmo que sejam boas para a população, não vale a pena fazer grandes comentários.

Por todas estas razões, não tenho qualquer dúvida, de que a falta de água em Almada, é uma grande ironia em relação à governação local (ou não se desse o caso de se andar a "meter água" no Município, há mais de oito anos...).

Nota: texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, junho 16, 2026

"Atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir..."


A frase que escolhi para título deste pequeno texto faz parte de uma das canções do Fausto. Escolhi-a porque é um retrato do mundo, andamos praticamente desde a nossa existência a cometer os mesmos erros (por pior que sejam...), que acabam por voltar sempre, de tempos a tempos...

Aparece sempre alguém, capaz de inventar uma guerra qualquer, com um único objectivo, servir os seus interesses pessoais, pouco preocupado com o rasto que deixa atrás de si, tanto de gente assassinada ou mutilada como de cidades completamente destruídas...

Nem a invenção dos deuses e das religiões apaziguaram esta ambição desmedida dos humanos...

Tenho à cabeceira um livro há mais de dois meses, o "Diário" de Hélene Berr (escrito de 1942 a 1944), escrito em Paris durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, por uma jovem judia francesa, que morreu pouco tempo antes da libertação, em Auschwitz. 

Não o leio todos os dias, porque está longe de ser um testemunho agradável, por razões óbvias.

Há muitas partes do seu testemunho que podiam ser transpostas para os dias de hoje, onde a indiferença, se vai tornando reinante. Transcrevemos um exemplo sobre a actividade policial em duas frases:

«Polícias que obedecem a ordens expressas de ir prender uma bebé de dois anos, a casa da ama, para a internar! Eis a prova mais pungente do estado de embrutecimento, da perda absoluta de consciência moral em que caímos. É isto que é desesperante.»

E umas linhas mais abaixo: «Que se tenha chegado a conceber o dever como uma coisa independente da consciência, independente da justiça, da bondade, da caridade, eis a prova da inanidade da nossa pretensa civilização.»

E não são precisas mais palavras...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, junho 08, 2026

Os "donos das praias", com e sem chapéus de sol...


Já tinha pensado falar do mar e da praia, sem saber que hoje era o dia dos Oceanos.

Curiosamente, ou não, tinha pensado fazer uma abordagem de como muitas pessoas olham para o mundo. O mundo que querem que seja mais delas que dos outros. E nem estava a pensar em falar de chapéus de sol, queria sim, ficar à beira-mar. 

E fiquei por ali, a escutar a voz do Oceano, sem perder de vista a nossa costa... A dar graças pela sua força natural, que acaba por provocar mais medo que respeito a muito boa gente...  

Essa força acaba por ser o nosso maior aliado na luta contra todos aqueles que querem ter uma praia só para eles.

Voltando aos Oceanos, eles hoje acabaram por ser "mais notícia", pelo menos para todos que gostamos de andar informados. Ficámos a saber que ele está a subir muito mais do que se previa, graças à forma displicente como continuamos a olhar para as alterações climáticas (especialmente as grandes potências mundiais...).

Voltando às nossas praias, a primeira imagem que me veio à memória nas muitas histórias com "donos da praia", foi um casarão construído a poucos metros do mar na parte superior de um rochedo, na praia dos Salgados, do Sul (sei que não é uma coisa original, existem dezenas exemplos parecidos em toda a nossa costa, e legais...).

Como não vou  para aquela zona algarvia há vários anos, não faço ideia se a casa em causa ainda por lá está. Se está, de Inverno deve transformar-se quase numa "ilha" e ficar desabitada.

Volto a falar dos chapéus de sol, apenas por saber que esta temática não passa de mais um "fair-divers", para esconder discussões mais importantes, com a das praias da Arrábida com portão, ou as da Comporta e de outras praias algarvias, "com muros", em que meia-dúzia de pessoas se julgam os seus "donos" e querem aquele pedaço do Oceano só para eles...

(Fotografia de Luís Eme - Meco)


domingo, maio 31, 2026

A vitória eleitoral dos "ausentes", que deve ter sempre sabor a derrota...


Falar de anarquismo e de surrealismo, leva-me quase sempre para discussões intermináveis com um ou outro amigo. Nem mesmo a minha costela libertária - herdada do meu pai e do meu avô - faz com que consiga compreender algumas das suas posições, que são no mínimo contraditórias.

A maior de todas, é a sua ausência eleitoral, a não participação na escolha democrática de governantes.

Claro que os cidadãos que compõem a tal metade que se furta ao único acto verdadeiramente democrático, e determinante, para o futuro de todos nós, estão longe de ser apenas anarquistas ou surrealistas. Uma boa parte é uma coisa pior, que nem me apetece classificar. Gostam que sejam os outros a resolver os seus problemas, bom bom é estar na "bancada" a "chamar nomes feios ao árbitro"...

Foi por isso que disse ao Luís que o crescimento de partidos como o Chega, também se deve em parte a ele. Claro que não aceitou o meu ponto de vista.

Até porque os anarquistas e os surrealistas, também estão cheios de razões que a razão desconhece...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 14, 2026

A justiça, os justiceiros e os bandidos...


Há muito tempo que não falava sobre Sócrates e sobre a justiça. Talvez fosse por isso que desse mais importância à conversa que tive com um amigo, que não encontrava "há séculos", e que me foi capaz de me fazer ver o caso, numa outra perspectiva.

O facto de ele ter sido vítima da nossa justiça, morosa e tendenciosa, devido a um divórcio litigioso, povoado de mentiras pela parte da ex-mulher e família - só agora, com os filhos na idade adulta é que passou a ter uma relação normal com ambos -, faz com que olhe para tudo de forma diferente.

O mais curioso, foi ele dizer-me que José Sócrates continua preso, desde que o prenderam no aeroporto, como se fosse um "perigoso assassino". Acrescentou que a perseguição de que é alvo por parte dos tribunais, dos jornalistas e das polícias nunca mais lhe permitiu ter uma vida "normal" e em "liberdade".

É por isso que está convencido de que o Estado - ou seja, todos nós -, vai ter de o indemnizar, e que se ele for condenado, será por coisas ridículas, que apenas darão para uma pena suspensa. O que é muito pouco para quem está "preso há tanto tempo"...

Pelo meio ainda me falou das "famílias do actual regime" (PSD), ligadas à banca (sobretudo o BPN), que durante todos estes anos nunca deixaram de viver "à grande e à francesa". A única excepção tem sido o Salgado, cuja tentação de se fazer "passar por maluquinho", lhe deve ter mesmo afectado a cabecinha...

Claro que nada disto alterou o meu pensamento sobre o caso. Os bandidos, os justiceiros e os advogados de defesa, já estão há muito tempo identificados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 13, 2026

As guerras das mulheres são diferentes das guerras dos homens...


Continuo à espera de um  mundo onde as mulheres consigam alcançar o poder, de uma forma natural, propensas a cometer erros, mas erros diferentes dos que são cometidos pelos homens...

Estou farto das mulheres que quando chegam a cargos de poder se transformam em "homens", sem precisarem de fazer qualquer mudança de sexo. Simplesmente se limitam a continuar a seguir a cartilha masculina de sempre, a exercer o poder como se tivessem uma pila entre as pernas.

Sei que em muitos aspectos, o maior adversário das mulheres nas últimas décadas, têm sido as próprias mulheres, por não conseguirem (ou não quererem...) sair deste registo masculino.

Embora agora até tenhamos mulheres especialistas em guerra, que falam com a mesma desenvoltura dos homens sobre armas e tácticas, nas notícias que abordam a realidade como se ela fosse quase uma ficção, continuo a acreditar que as suas "guerras" são muito diferentes das dos homens...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 09, 2026

A perda do sentido de comunidade e a precariedade reinante...


A sociedade está organizada de uma forma que valoriza cada vez menos o sentido comunitário, a importância do outro, seja na escola, no bairro ou no trabalho.

Penso que isso tem muito a ver com o sistema político e económico que "comanda", cada vez mais, as nossas vidas. 

O capitalismo tem conseguido "capturar", de uma forma inteligente, muitos dos valores que lhes podiam fazer frente, sobretudo os colectivos. É também por isso que tem conseguido "secar" instituições como os sindicatos, que normalmente funcionam como um obstáculo aos seus objectivos, já que a sua função primordial deve ser a defesa os interesses dos trabalhadores.

Isto deve-se muito à precariedade do trabalho. Estares a prazo em qualquer lugar faz com que a tua adesão a qualquer tipo de protesto, por muito justo que seja, possa conduzir ao teu despedimento. 

É esta mesma precariedade que faz com que as pessoas sejam educadas e vivam neste sistema que alimenta o "cada um por si", fazendo com que se acredite cada vez menos na importância dos valores colectivos. Quem entra no mercado de trabalho, rapidamente percebe que a maior parte das pessoas que estão à sua volta, estão mais preocupados com o seu umbigo e a sua vidinha, que em ser solidário ou combater o sistema injusto que está instituído...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 03, 2026

A decência não tem cor, sexo ou ideologia


A vitória de António José Seguro nas nossas eleições presidenciais é o nosso melhor exemplo, de que a decência não tem cor, sexo ou ideologia.

Embora possa haver muitas "interpretações" e "percepções", os mais de 65% de portugueses que votaram em Seguro, votaram sobretudo na democracia.

Esta primeira reacção dos portugueses contra o populismo faz com que acredite que o líder do Chega nunca chegará ao poder, pelo menos como primeiro-ministro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Parece que a mentira deixou de ter perna curta...


Não sei até onde se chegará, com todo este o movimento social e político crescente, em que se banaliza a verdade, ao ponto de deixar as pessoas cada vez mais divididas, entre a realidade e as percepções interesseiras deste ou daquele (Montenegro é bom nisso, quem o topa é o Passos...).

Sei que é um trunfo usado por todos aqueles que querem chegar ou permanecer "eternamente" no poder. E está longe de ser uma novidade.

Salazar sempre o fez, embora mentisse com o ar mais cândido do mundo e não se servisse do poder para enriquecer (só quem o rodeava é que "enriquecia", dizem...), mas apenas para se perpetuar como "dono do país".

Acontece que hoje, quando vemos e ouvimos Trump ou Ventura a mentirem com os dentes todos (se for preciso ainda pedem alguns emprestados...) e sem qualquer tipo de pudor, ficamos com a quase certeza de que a mentira deixou de ter a perna curta.

No meio disto tudo, há um coisa que ainda não percebi bem, foi se estamos mais estúpidos, ou se apenas fingimos ter as "orelhas maiores"... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)