Mostrar mensagens com a etiqueta Vaidades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vaidades. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, julho 17, 2026

O outro lado da coisa, ou seja, quando a televisão parece que se vira de pernas para o ar...


Talvez fosse dia de falar do ministro da Educação. Talvez...

O problema é que o ministro da Administração Interna gosta muito mais de ser notícia e de falar para os microfones que o professor Fernando...

Isso já se notava quando estava à frente da PJ e não perdia uma oportunidade de aparecer à frente das câmaras, a fazer um número, pequeno ou grande, de "super-herói". 

Já se percebia que aspirava a mais. Como bom comunicador que era, devia sonhar ter ainda mais televisões à sua volta... 

E um dia lá conseguiu chegar a ministro.

Talvez ninguém lhe tenha dito, que havia um outro lado, mais chato, nessa coisa de se ser governante. Sim, iria ser confrontado com os especialistas em "sacar esqueletos do armário", que também adoram saber coisas através de chamadas falsamente anónimas.

Mas nem era preciso. Como director da nossa principal polícia de investigação, sabia bem demais como é que as coisas funcionavam tanto nos corredores do poder como nas redacções.

É por isso que é demasiado estranho que ele não se tenha libertado dos vários "rabos de palha", que aparecem, cada vez que alguém abre uma porta num dos seus montes alentejanos...

E alguns são enormes. Segundo consta, um deles é  do tamanho do reboque de um camião tir...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, novembro 04, 2025

A forma como julgamos os outros...


Julgamos tantas vezes os outros, partindo apenas das nossas convicções e da nossa experiência de vida...

Pensei nisso depois de ouvir um desconhecido a divulgar, alto e bom som, numa rua movimentada de Lisboa (o senhor queria muito ser ouvido por quem passava por ali, naquela "encenação"...), que «podia haver igual, mas mais honesto que ele, não havia ninguém na terra». 

Sorri sem parar e sem perceber muito bem se o alcance daquele "terra" era mesmo planetário. Provavelmente era...

Nunca fui capaz de dizer algo do género, talvez por ter sido educado a nunca dizer algo do género. São conclusões que devem ser tiradas por terceiros e nunca por nós próprios.

Lembrei-me logo de duas pessoas: um primeiro-ministro, que transformou o país de uma forma miserável (continuamos a pagar por isso, sobretudo na forma egoísta como olhamos para o dinheiro e para as coisas do mundo...), que se vangloriou que "estava para nascer a pessoa mais séria que ele", mesmo que tivesse atrás de si, pelo menos dois ou três rabos de palha... A outra personagem que me veio à cabeça foi  João Noronha Lopes. Quando o vi na televisão a mostrar publicamente as suas declarações de rendimentos e a gabar-se dos milhões que ganhara como empresário, deixei de sentir confiança nele, deixou de ser o tal "candidato da mudança"...

É possível que exista algum preconceito nesta forma de olhar e julgar os outros. Mas somos o que somos, muito pelo que nos ensinaram e pelo que vivemos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, setembro 30, 2025

Gente que tem a profissão errada (e nem sequer desconfia...)


Penso que vai acontecer ao "conde monteverde" o que aconteceu à "múmia paralítica", mesmo que esta tenha exercido funções de Estado durante mais de duas décadas.

Nunca irão perceber qual é (e foi) o seu papel, pelo menos enquanto primeiros-ministros do País, por mais ficções que inventem. 

Era preferível terem escolhido outra profissão, porque lhes falta a inteligência,  a humildade, o sentido de Estado e a percepção (palavra tão ao seu gosto...) de que nas suas funções, estão a representar 10 milhões de pessoas.

É no mínimo triste (e até ultrajante...), ver um primeiro-ministro a reclamar, e a achar, que só deve responder às questões que lhes apetece e não às perguntas legítimas que lhe são feitas sobre a actualidade política, pelos jornalistas - oferecendo antes o seu sorriso cínico, que ficará, decerto, como a sua imagem de marca, num país, que todos sentimos, que já teve dias melhores...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, agosto 04, 2025

Todos querem entrar e ficar na "caixinha mágica"


Faz-me alguma confusão o fascínio que a televisão exerce numa boa parte das pessoas, ao ponto de muitas fazerem fila para entrar, e depois, tentam ficar por lá, nem que seja num cantinho. 

Sei que noutros tempos a "caixinha mágica" era mais selectiva e muito menos democrática, estava longe de ser para todos, como finge ser nos nossos dias. Havia dois aspectos importantes para se conseguir entrar pela porta da frente: ter uma boa imagem e possuir uma voz clara e convincente.

Hoje há espaço para quase todos, sejam eles (e elas) gordos, magros, feios, bonitos, bem falantes, mal falantes.

De todos estes pormenores, o que mais me incomoda é ver e ouvir alguém que não sabe falar, que mastiga as palavras ou as esconde debaixo da língua.

Há vários exemplos. Mas o caso mais gritante (para mim, claro...), é o jornalista do "Observador", Luís Rosa, que quando abre a boca na CNN, lembra-me de imediato o Pato Donald...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, junho 23, 2025

Tanta confusão que se faz com a palavra Liberdade...


O caso que chegou, estupidamente, a tribunal, entre a humorista Joana Marques e os irmãos Rosado, do grupo musical "Anjos", é um pequeno exemplo do que se faz e entende com a palavra liberdade.

Há mais de um ano falou-se deste caso num jantar de família, fui o único que compreendeu a posição dos "Anjos" e os defendeu, com base num princípio simples, de que não vale tudo no humor. Sei que as pessoas que vivem das piadas não concordam com este ponto de vista, nem as que se gostam de rir com as cenas patéticas do quotidiano, protagonizadas pelos outros (o prato forte servido nas redes sociais...).

Agora que o caso chegou a tribunal, tudo se torna ainda mais ridículo. É uma estupidez a justiça estar a perder tempo com esta diferença de entendimento da liberdade de expressão e da publicação de graçolas sobre terceiros.

A indemnização pedida pelos cantores de mais de um milhão, é ela própria uma piada de mau gosto. Assim como alguns dos seus argumentos em tribunal. O facto da humorista nunca se ter mostrado disponível para retirar o vídeo, que fez e publicou, ou sequer falar com o dueto, diz também muito sobre ela.

Este é mais um daqueles casos, em que se "está a gozar com a justiça" e com a nossa inteligência, por muito que alegrem as redes sociais e aumentem as vendas das revistas castanhas.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, janeiro 20, 2025

Provavelmente, eu é que sou o estranho nesta história...


Não consigo perceber o porquê de tantas horas de emissão televisiva, em directo e em deferido, da tomada de posse de Trump, nos canais noticiosos portugueses.

Sei que não temos tantas notícias como isso no nosso país, muitas vezes por ausência de trabalho de campo e de reportagens próprias. É a explicação que encontro para a tentativa de nos oferecerem informação seguindo as técnicas das telenovela (com "repetições" e "cenas dos próximos episódios...), que começou por ser ensaiada com êxito pelo CMTV, e depois foi copiada por todos aqueles que se fingem "sérios" a transmitir notícias no nosso país.

Também poderá existir alguma subserviência, e até admiração excessiva, ao tal "sonho americano", que só é para alguns. Curiosamente, ou não, o novo governo norte-americano é dominado por multimilionários, que olham o mundo, a partir dos seus investimentos e das suas contas bancárias, e claro, alimentam o "sonho"...

Provavelmente, devo ser eu o estranho nesta história americana, cheia de adjectivos, como o "melhor", o "maior",  o "excepcional", o "único", etc.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, dezembro 04, 2024

Eles não sabem, mas o teatro é o exagero da realidade...


A maior parte da gente que o conhece, não percebe nem olha com bons olhos para a sua paixão pelo palco.

As conversas quase de ouvido, têm quase sempre apenas um sentido, a sua vaidade pessoal, o querer exibir-se, o querer mostrar-se, em qualquer palco.

Esquecem a sua vontade de ajudar, o querer estar, o querer fazer, a aceitação de qualquer papel mesmo que seja de um simples figurante, como o de um actor amador menor, que ficou no "anedotário local", por causa da mulher. Falo do Tó da Mutela, que também gostava de tudo aquilo, de estar ali ao lado de todos aqueles homens e mulheres com muito mais jeito que ele para a arte de talma.

Quando me contaram a história da "queda em palco", sorri e lembrei-me logo do Tó...

Sim, é histórica a frase da sua mulher após a estreia. Depois de lhe fazer o jantar mais cedo, vê-lo sair de casa e passar os serões a ensaiar a nova peça do grupo cénico, meses seguidos, disse: «Tanta merda para isto? Para atravessares o palco, três vezes, de um lado ao outro, e dizeres apenas boa noite?», insistindo, irritada, «para dizeres uma merda de um boa noite, não era preciso ensaio nenhum.»

Claro que era preciso ensaio. Mas eles não sabem, nem sonham... 

O Tó tinha de conhecer a deixa, tinha de saber o caminho que iria percorrer, de um lado para o outro, no palco. Bastava um precalço para tornar o drama numa comédia...

O que ela nunca percebeu, foi a paixão do seu homem pelo palco, o querer estar ali, participar, nem que fosse apenas para ver os outros. 

Talvez preferisse que ele passasse os serões na taberna (lá não havia mulheres) e não no ensaio...

Foi por isso que percebi a frase do encenador, quando dois ou três elementos do grupo, o criticavam: «Dêem-lhe espaço, deixem-no ter o seu momento, deixem-no cair, sozinho...» 

O papel que fazia, era de um amante, que acabava assassinado em palco. Achavam que ele não caia com naturalidade, fazia um espectáculo dentro de um espectáculo. 

Eles fingiam não perceber que o teatro é isso, é o exagero da realidade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, novembro 02, 2023

Políticos que são cada vez mais actores do "fingimento" e da "mentira"...


Eu sei que não devia, mas continua a fazer-me alguma confusão que ainda existam pessoas em fila - algumas em bicos de pés - à espera de um convite para qualquer cargo político.

Dando o salto para o governo central, o que espera esta gente é "cumprir ordens" e ser a "voz do dono" do primeiro-ministro. Se alguns não têm competência para mais nada (percebe-se à légua que não dizem o que sabem nem sabem o que dizem...), outros não são tão maus como os pintam.

Além de serem cargos bem remunerados (já não se ouve um ministro a dizer na televisão e nos jornais que "perde dinheiro" como o doutor "pintelho"...), se pensarmos no vencimento médio de um cidadão português, oferecem-lhe visibilidade e mordomias que valem "mais que tudo". Sim, não se podemos esquecer que algures, há uma terra, onde vive um "pai do ministro", um "tio do ministro", a "sobrinha do ministro", e claro, "a prima do ministro"...

O resto é o menos importante. Governar na visão de António Costa é "entreter", jogar com as palavras (mesmo que possa existir algures um Pedro Nuno Santos que o deixa "possesso", por não lhe dar muito espaço para a fabulação...).

É a única explicação que encontro, por exemplo, para que este governo não chegue a qualquer entendimento com os professores e os médicos. Até porque estamos a falar de ministros que conhecem bem os dossiers, os corredores dos ministérios e até os sindicalistas, porque antes de serem os responsáveis máximos destas pastas, já foram secretários de Estado da Educação e da Saúde...

O que é grave, é perceber-se que a alternativa política que existe, não oferece nada de novo às pessoas. Olha-se para Montenegro e percebe-se que é mais um artista da arte do "fingimento" e da "mentira"...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


terça-feira, fevereiro 21, 2023

Mudar o nome às coisas, apenas porque sim...


Este título é enganador, porque ninguém muda o nome às coisas apenas porque sim. Pelo menos aqueles de quem quero falar: os presidentes de qualquer coisa, que até pode ser apenas da junta de freguesia ou do clube de chinquilho com cerveja e vinhos de várias cores.

Muitos políticos poderiam mesmo dizer, no dia das inaugurações ou da mudança de placas, "eu te baptizo, em nome da minha vaidade e fingimento" (sim, finge-se muito que se muda, quando apenas se altera o nome disto ou daquilo...). O desconhecimento da história e da identidade local  faz com que em muitas dessas mudanças se "roube" alguma coisa ao passado, sem que se dê ou acrescente algo ao presente e ao futuro.

Claro que nem sempre esta ânsia de protagonismo e de querer ficar na história, é bem sucedida. O melhor exemplo são os largos e ruas que já tiveram quatro ou cinco donos e mesmo assim, nenhum se consegue agarrar ao espaço. A maior parte das vezes a simplicidade vence... 

É por isso que o Largo de Cacilhas, será sempre o Largo de Cacilhas, mesmo que se goste da história de resistência do Alex Dinis ou se pense que o Costa Pinto nunca de lá devia ter saído...

Já quase no final do texto, lembrei-me de um certo político (ainda bem que não sou bom em nomes e não faço ideia se o sujeito era josé ou manuel...), que foi presidente de câmara em Elvas e "baptizou" quase tudo que tinha alguma relevância local com o seu nome. 

Será que a sua "vaidade" tem resistido ao tempo? Gostaria muito que não, mas todos sabemos que no nosso país não é muito difícil o impossível ser possível...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, janeiro 05, 2023

É a Vaidade que leva esta Gente a aceitar cargos de Secretário de Estado ou Ministro? (só pode...)


Provavelmente,   o primeiro-ministro (apesar de responsável máximo do Governo...) é o menos culpado pelo que está a acontecer a vários membros do Governo (escrutinados como nunca por um jornalismo que se alimenta cada vez mais das fontes maldizentes - mas muito atentas - do centro-direita...). É gente que, mesmo sem ter condições políticas para aceitar estes cargos de grande responsabilidade, metem-se em bicos de pés e dizem logo que sim ao convite, escondendo o melhor que podem os seus "rabos de palha". 

"Rabos de palha", que mais tarde ou mais cedo, acabarão por ser descobertos, e claro, notícia nos jornais, nas rádios e nas televisões...

Só pode ser a vaidade, o que leva esta gente a aceitar ser secretário de estado ou ministro. E é uma vaidade cega, que não lhes permite ver que, mais dia menos dia, acabarão por sair pela porta pequena do Governo, apontados a dedo por todos aqueles que os conhecem, e também pelos que os passam a conhecer, pelos piores motivos.

Enfim, manias e tristezas da nossa terra...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, julho 03, 2022

A Procura Incessante da "Estrela de Famoso" (pelos próprios)


De vez em quando estou num lugar público e reparo em alguém (homem ou mulher) que passa a olhar para os lados, como se estivesse a passar por alguma passadeira, de qualquer cor. Não é difícil perceber que em algum momento das suas vidas, estiveram quase, quase, a agarrar a tão ambicionada estrela de "famoso". Tanto podem ter participado em qualquer programa manhoso da televisão, como serem cantores da "cassete pirata" ou actores de terceira categoria.

Normalmente não os conheço, mas mesmo assim, finjo não perceber ao que vêm, por achar desolador  aquele "espectáculo" em busca do reconhecimento. 

Mas depois fico a pensar, que esta gente precisa mesmo disto, de mesas de autógrafos em qualquer centro comercial, de "estar" numa festa qualquer com um rissol na mão e um copo com palhinha na outra a promover cuecas ou cremes. 

Graças aos "engodos" lançados diariamente nas televisões, esta gente quer simplesmente ser "famoso", sem saberem muito bem o que isso significa. Para eles ser famoso é "aparecer", "ser visto", mesmo que não saibam fazer nada. O simples facto de serem figurantes de qualquer programa intromissivo (daqueles que segundo os entendidos dá "audiências"), faz com que sejam "felizes" e se sintam "importantes".

Claro que também sei que são muito poucos os actores ou músicos, com talento e popularidade, que se sentem incomodados com estas coisas. Mesmo os que saem à rua de óculos escuros ou passam a vida a queixarem-se nas revistas mexeriqueiras que "deixaram de ter "vida pessoal", adoram este jogos de rua, em são apontados  e olhados de alto a baixo pela gentinha que passa e adora passar ao lado do actor ou actriz da telenovela das nove.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, abril 20, 2022

Uma Guerra que Serve para Tudo (por cá alimenta a "feira de vaidades" e o "enriquecimento curricular")...


Sei que este título ficou ligeiramente comprido, mas teve se ser mesmo assim... Até porque a Guerra na Ucrânia tem alimentado uma série de coisas curiosas, no jornalismo televisivo do nosso burgo.

Não me lembro de ter visto tantos "especialistas" sobre o que quer que seja, a desfilarem pelos vários canais noticiosos, quase minuto a minuto. São centenas de pessoas, homens e mulheres, com mais e menos idade. Não fazia ideia que existiam tantas mulheres com conhecimentos bélicos (sei que o mundo mudou, mas...). E também pensava que já não havia tantos generais nas nossas forças armadas (parecem ser mais que os soldados, actualmente existentes nos quarteis...). Mas nota-se que estão bem sintonizados com o mundo actual, são capazes de dizer uma coisa hoje e amanhã o contrário...

Outro aspecto que não me tem passado ao lado, é o desfile diário de "repórteres-de-guerra", em todos os canais com notícias. Quase todos os jornalistas e apresentadores de telejornais, se devem ter voluntariado para viajarem para a Ucrânia ou Polónia, pois querem muito "colar" ao seu currículo a passagem por este "cenário de guerra". Não os somei todos, mas no conjunto, entre RTP, SIC, TVI e CMTV, os enviados especiais já se devem aproximar da centena (ou até ultrapassar)...

Infelizmente, as guerras servem para tudo...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


domingo, fevereiro 20, 2022

«Não existem mentiras na nossa profissão»


Eu já sabia da generosidade do Pedro, o actor com quem falei, por ser um "faz tudo" na companhia, profissional, onde trabalha.

Quando tinha funções executivas numa associação, recebi várias vezes o seu telefonema, para nos disponibilizar bilhetes para assistirmos à peça em exibição nos "dias mortos" (meio da semana...). Fazia questão de nos oferecer bilhetes por saber que "éramos das culturas" e gostarmos de teatro. E quando não podia oferecer, fazia preços de grupo convidativos.

Numa das poucas vezes que conversámos, no bar do teatro, ele explicou-me o porquê daquelas "ofertas". Algumas empresas patrocinadoras recebiam bilhetes como contrapartida dos apoios, mas raramente os levantavam. E como o mais importante era ter gente na sala, a companhia tinha uma lista de associações e de escolas, que aceitavam os convites de bom grado, e que até poderiam, mais tarde ou mais cedo, tornarem-se espectadores assíduos (gostei deste seu argumento...).

Lá estou eu a "esticar-me"... Só queria escrever uma frase que ele me disse, e que diz quase tudo desta arte. Quando me falou da "feira de vaidades" que reina nos palcos, deixou bem claro, que essa é uma das características da profissão: «Aqui, ninguém esconde ao que vem.» E continuou, «ninguém esconde que o que quer é brilhar no palco. Não existem mentiras na nossa profissão.»

E como ele está certo... A maior parte dos actores de teatro (não estou a falar dos das telenovelas...) só quer aquele palco. Nem sequer participa no "jogo" das revistas castanhas, que alguém resolveu "pintar cor de rosa"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, fevereiro 19, 2022

O Teatro Continua a ser um Enigma (para mim)


O teatro continua a ser, em parte, um enigma para mim. Uma das coisas que me faz mais confusão é a escolha dos textos por parte dos encenadores. Muitos até são capazes de escolher textos que não têm nada a ver com o teatro (desde poemas a ensaios, desde que tenham sido escritos por alguém conhecido...), apostados na parte mais "absurda" da arte de talma e na sua reinvenção.

Como tenho dificuldade em perceber, em pleno século XXI, a "paixão" de tantos actores e encenadores pelo rei dos clássicos: o eterno William Shakespeare (passam a vida a sonhar com Otelo, Rei Lear, Hamlet ou McBeth...), aproveitei a oportunidade de estar na mesma mesa com um actor, para falar com ele sobre esta "fixação", entre outras coisas.

Com um sorriso disse-me ser imprescindível que Shakespeare conste na "ficha curricular" de qualquer actor ou encenador que se preze.

Mas foi ainda mais longe: confessou que não existe outra arte, com tantos "jogos de espelhos" e "feiras de vaidades", como o mundo da representação. Mas que se não fosse assim, não teria tanta magia e tanta beleza, nem existiria tanta gente a sonhar com a possibilidade de viver "outras vidas" nos palcos.

Ou seja, o teatro continuou a ser, em parte, um enigma para mim...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, agosto 31, 2021

Os Melhores da Rua Deles na "Casa de Espelhos"


Nunca me pareceu que a televisão fosse reflexo da sociedade (nossa ou de outra...). Parece-me sim, que é o espelho de meia dúzia de farsantes com poder, que se acham os "maiores de qualquer cantadeira", mesmo que apenas consigam brilhar em "play-back".

Percebo perfeitamente todos aqueles que escolhem viver sem televisão. Quase todos os dias a programação nos diz, que o fundo afinal "não tem mesmo fundo". E sim, é sempre possível descer ainda mais baixo.

Embora a "feira de vaidades" social se tenha transferido em peso, altura e largura, para as democráticas redes sociais, que conseguem fazer de qualquer anónimo um "famoso", pelo menos no quarteirão virtual por onde se passeia, as antenas televisivas não querem "perder a corrida" e colocaram cada vez mais espelhos à sua volta.

Nem devia estranhar, a SIC e a TVI sempre se alimentaram da autopromoção - com dezenas de programas no ar para promover e bajular os seus produtos, de carne e de plástico -, desde o seu começo.  Percebo que a concorrência (mesmo em ponto mais pequeno...) tenha de fazer pela vida, por isso nem estranho o que ouvi hoje, que o CMTV "tem a maior redacção do país". A única coisa que estranhei, foi que não tenham dito que "tinham a melhor"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 15, 2020

«Podemos gostar e não gostar, quase ao mesmo tempo, de coisas, de pessoas...»


«Podemos gostar e não gostar, quase ao mesmo tempo, de coisas, de pessoas...»

Eu sabia. Mas acho que nunca o tinha dito, com tanta nitidez. Foi preciso a conversa ficar mais densa, mais profunda, para aceitar, mais uma vez, as contradições que vivem dentro de nós...

Falávamos de livros e de escritores. Saramago e Lobo Antunes acabaram por centrar a nossa conversa. Ambos estávamos de acordo no essencial: Saramago era um "escritor da planície" e Antunes "um escritor das colinas". Sim, Saramago ou se gosta ou não se gosta. Não há meio termo. A sua biografia não engana. Já Lobo Antunes, tem muitas mais nuances. E foi por isso que, mesmo sem o Nobel, foi ele o centro da nossa conversa...

Quando eu disse que gostava do escritor que fala das correcções que faz, do muito que corta, por as suas primeiras versões serem distantes daquilo que imagina que será o livro, ao mesmo tempo que detestava o escritor que se sente o "melhor do mundo", ou que é capaz de reduzir as suas crónicas a mero divertimento, sem qualquer qualidade literária. Tu dissestes que gostavas disso tudo... de ele não ser um escritor a "preto e branco". E não é mesmo...

Perguntei-te se não te irritava ele se afirmar como o "melhor escritor do mundo"... tu sorriste e abanaste a cabeça a dizer que não. E depois disseste que ele era um brincalhão, especialmente nas entrevistas.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, maio 27, 2020

Jornalismo & Espectáculo


O jornalismo quando se transforma em espectáculo fica sempre a perder, porque as opções editoriais têm tendência a desvalorizar a importância da informação, optando pelo lado mais especulativo da notícia, entrando facilmente em algo que deixa de ser jornalismo e começa a ser outra coisa, mais teatral e polémica. Quase que se pode dizer que o jornalista passa a ser "actor" e a notícia uma "encenação".

Há um jornal e canal por cabo - da mesma família -, que são "useiros e vezeiros" em tornar tóxica qualquer notícia, explorando o seu lado mais sensacionalista, através do uso habitual de "meias-verdades" e "meias-mentiras", com a ajuda dos "comentadores-tudólogos", que percebem tanto de futebol como de justiça, educação ou de saúde...

Infelizmente a RTP e a TVI também têm tido os seus "teatrinhos noticiosos", com as "actrizes" Sandra Felgueiras e Ana Leal. Se a primeira conseguiu "correr" com a directora de informação (Maria Flor Pedroso), não acredito que a segunda consiga fazer o mesmo com o director de informação da TVI (Sérgio Figueiredo). Embora ainda seja cedo para se saber o que acontecerá no final desta "telenovela"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, janeiro 09, 2020

A Exploração (Abusiva) das Emoções...


Sei que o jogo das emoções faz parte dos muitos teatros de vida que nos cercam, mas também sei que a televisão não precisava de "abusar", explorando cada vez mais as nossas fragilidades. 

As notícias são o que são, e já não descuram a componente do espectáculo... Mas pior são os programas diários, de entretenimento, onde até se "oferecem uns trocados", a quem não tiver qualquer pudor em exibir publicamente as suas fragilidades humanas. E se conseguirem chorar sem cebola, ainda é melhor, para as audiências...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, novembro 28, 2019

O Deslumbramento...


Mesmo quando pensamos estar preparados, para exercer determinados cargos ou funções, ao sentirmos quase todos os holofotes a incidirem por cima de nós, e à nossa frente, pode acontecer o inexplicável. Como por exemplo, fazer com que nos "espalhemos ao comprido".

É mesmo muito difícil resistir ao deslumbramento, sem se ficar com marcas (internas e externas)...

Nem todos transportamos dentro de nós a "estrela" e o "brilho" do nosso chefe de Estado (eu diria mesmo, que são raros...), que lhe dá o à vontade, para ser ele a perseguir os "holofotes", se necessário for...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, novembro 13, 2019

A Vida Pública e a Vida Privada...


Percebe-se através das chamadas "notícias mundanas", que é cada vez mais difícil separar a vida pública da vida privada.

Há quem diga que o problema está em abrir a "porta de casa ao mundo", mesmo que isso apenas aconteça  uma vez... Mas percebe-se que o problema é bem mais complexo que isso...

O último caso mediático que nos fala da dificuldade que existe em se "separarem as águas", teve como protagonistas quatro jogadores de futebol sul-americanos, do FC Porto, suspensos pelo clube, por estarem presentes na festa de aniversário da mulher de um deles, a horas impróprias.

O mais curioso, foi este caso ter-se tornado público graças à aniversariante, que colocou as imagens e videos da festa nas suas contas das redes sociais. Ou seja, nem foi preciso os jornalistas das revistas coloridas "fabricarem a notícia", ela saiu directamente da fonte...

Tudo isto só me merece um comentário: a vaidade é terrível. E pode sair cara (o que aconteceu neste caso particular, aos quatro futebolistas...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)