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quinta-feira, setembro 17, 2026

Mais um adepto do "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"...


Assistir à presença de Nuno Crato em mais que um debate sobre educação nas televisões, armado em "salvador da pátria", vai ao encontro da falta de memória dos portugueses (inclusive jornalistas que não gostam muito de fazer o trabalho de casa...) e da vaidade pessoal de quem se acha muito melhor do que realmente é...

Crato é apenas mais um político da "escola do cavaco", daqueles que nunca se enganam e gostam de apontar dedos aos outros. E logo ele, que cometeu erros como ministro em toda a linha, desde a pré-primária à universidade... 

Por saber que foi dos ministros da Educação mais contestados - e considerado por muito boa gente o pior ministro desde a Revolução de Abril - resolvi fazer alguma pesquisa e encontrei um belo resumo do muito que se fez de mal às escolas e aos professores no seu mandato. Embora a minha escolha siga a direcção do quadrante político oposto, achei esta frase da socialista Alexandra Leitão (publicada no "Diário de Notícias de 22 de Maio do corrente ano...) a mais completa sobre a sua passagem como responsável pela educação:

«Em 2011, o Ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou que o Ministério era “uma máquina gigantesca que se acha dona da Educação em Portugal. Eu quero acabar com isso”. E, na verdade, durante o período em que Nuno Crato foi ministro, que correspondeu ao período de intervenção da Troika, desapareceram quase três mil estabelecimentos escolares, aumentou-se o número de alunos por turma, cortaram-se apoios educativos, incluindo na educação especial, e retiraram-se 30.000 professores das escolas. Detenhamo-nos neste último ponto. Quando já era previsível, atendendo ao perfil etário dos professores, que num futuro próximo haveria falta de docentes por causa das saídas para a reforma, o Ministério tirou do sistema dezenas de milhares de professores, essencialmente contratados, ou seja, os mais jovens. Estes professores foram até convidados a emigrar pelo Primeiro-Ministro Passos Coelho.»

 Mais palavras para quê, é um governante português, e está tudo dito...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 16, 2026

De repente parece que se descobriu a pólvora: " hoje lê-se mais mas lê-se pior"


Sei que uma semana destas, aparece outro assunto qualquer, e deixa-se de falar do relatório com nome de terra italiana, como se o remédio para a resolução dos problemas fosse substituí-los por outros...

Há muito tempo que sei que se lê mais, mas muito pior. Basta andar nas ruas e ver gente de todas as idades (sim, dos oito aos oitenta anos...), com os olhos presos aos smartphones, a lerem o "lixo diário" que lhes enviam, minuto a minuto, disfarçado de notícias. 

Os cérebros de plástico dos fazedores de notícias e e da inteligência artificial passam o tempo a oferecer-lhes cabeçalhos sumarentos de apenas duas ou três linhas - usam a mesma técnica dos "tablóides", que têm sempre duas ou três notícias de capa, capazes de chamar a atenção de quem passa na rua, mesmo que depois a notícia seja ligeiramente diferente do título - pintando a realidade com as cores que lhes dão jeito.

Quem não tem hábitos de leitura (a maioria da nossa população...), além de "comer" facilmente gato por lebre, sente-se muito bem informado e capaz de discutir qualquer assunto, do país e do mundo, numa mesa de café ou na mercearia de bairro. 

Vale quase sempre pouco, dizermos que não foi bem assim que as coisas se passaram. Ainda somos capazes de passar por mentirosos, por estarmos feitos com os jornais e as televisões, que ainda se esforçam por serem "fábricas de notícias" e não de entretenimento...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, setembro 15, 2026

A honra suprema de uma má actriz de telenovelas que faz o papel de jornalista com grande êxito


Sei que tanto uma como a outra, não frequentam blogues. São adeptas de lugares mais populares, onde se pode representar, cantar, dançar, pescar, caçar, e claro, "pintar a manta", com mais descontração (e imaginação...).

Mas mesmo assim achei que não podia perder esta "caricatura" de bairro, desenhada com tanta perfeição.

Falava-se de qualquer coisa na mercearia, e uma das senhoras dizia, "fale com a Tânia, que ela sabe", repetiu isto umas três vezes até que uma senhora, que tal como eu, pertencia ao  clube dos "incautos" e "ignorantes" do lugar, curiosa, perguntou quem era essa tal de Tânia. A mulher que falava pelos cotovelos sorriu e esclareceu o assunto numa penada:

«E esta? Claro que sabe quem é a Tânia. Não conhece você outra coisa!» Sem que deixasse que alguém a interrompesse, virou-se para mim e disse: «É a loira que mora na rua deste senhor.» E depois concluiu, «Ela é a mulher mais bem informada do bairro. Como tem o cabelo amarelo e é avantajada de carnes, houve alguém com olho que a batizou, e muito bem, de Tânia Laranjo.»

Gargalhada geral. Até eu que não apreciava o estilo, conhecia esta "peça principal" do jornalismo de faz de conta do "Correio da Manhã"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, setembro 09, 2026

«Continua a falar-se pouco do país que queria ser uma "máquina de fotocópias humanas"»


Percebi de uma forma curiosa, que a liberdade estava longe de ter o mesmo valor para a quase dúzia de pessoas sentadas à mesa do jantar.

Sempre falámos de política de uma forma aberta, usando as divergências que surgiam aqui e ali, com algum humor.

Por ser o mais velho daquele convívio, fui sentindo com o decorrer da conversa que o meu mundo era diferente do deles. Mas não era só isso. Eu sempre fui pouco maleável a novas ideias e a novas tecnologias (era o único que não usava smartphone e isso podia explicar muita coisa...).

O mais estranho, era aquela gente achar-se mais bem informada que eu, por estarem a ler títulos de notícias quase minuto sim minuto não, ignorando que eu era assinante e leitor de jornais a sério...

Houve mesmo alguém que foi capaz de dizer que o país do Salazar não era assim tão mau como o pintavam. Foi quando eu disse que era muito pior.

A duas ou três coisas que foram ditas de forma leve, eu respondi com meia-dúzia de factos, que por si só, conseguiram silenciar aquela mesa, por alguns segundos.

Antes do ignorante atrevido meter a viola no saco, por perceber que estava sozinho, ainda lhes disse: «Percebo que não conheçam a realidade do país salazarento. Continua a falar-se pouco do país que queria ser "uma máquina de fotocópias humanas".»

Os sorrisos voltaram à mesa e começou-se a falar de futebol, pois tanto o Sporting como o Benfica tinham acabado de ganhar os seus jogos de "pontapé na bola"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, agosto 19, 2026

«Somos afinal de onde? Dos lugares para onde vamos ou dos lugares de onde vimos?»


As conversas de café sempre se alimentaram muito dos jornais e revistas que se liam, quase em equipa, com comentários frescos e para todos os gostos. Curiosamente, no nosso grupo, mesmo que seja tudo gente com ligações próximas do jornalismo, é raro aparecer alguém com "notícias de papel".  Claro que nos ocupamos da actualidade, mas usando os computadores e os smartphones...

A pandemia quase que nos forçou a abandonar a leitura física e a rendermo-nos ao digital. E já não conseguimos voltar para trás... por muito que gostássemos de folhear e ler  as notícias, do princípio para o fim ou do princípio para o fim...

Tudo isto, porque a Manuela escreveu mais uma crónica feliz na sua revista, sobre os emigrantes. E nós acabámos por falar da forma como usávamos (ou não) a memória.

É de facto muito estranho, que um país de emigrantes receba mal quem chega de fora. Gente que acaba por enfrentar os mesmos problemas vividos por muitos portugueses, há sessenta e até mais anos... A maior parte das pessoas que partiam, iam "a salto" (pelo menos para França, talvez por ficar logo a seguir a Espanha e já existir a "gente" que vivia destas viagens com percursos previamente estabelecidos, mais rurais que citadinos...) sem documentos e sem saberem muito bem o que os esperava. E é bom que se diga, que fugiam mais da vida de miséria que da guerra colonial...

Voltámos à Manela, porque a Rita quis ler uma das suas frases, que mesmo sem ser a mais importante, era a que tinha ficado presa nos seus pensamentos e queria ser tema de conversa: 

«Muitos dos que regressam carregam uma sensação persistente: já não pertencem inteiramente a França, mas também já não pertencem inteiramente a Portugal. Lá são “os portugueses”; cá são “os franceses”. Vivem entre duas línguas, duas memórias, duas formas de estar. E esta condição não desaparece necessariamente com o tempo. Passa para os filhos e, em certos casos, para os netos.»

Ficámos quase sem palavras. Fomos salvos pelo Carlos, que interrogou, muito bem, a gente que passava por nós, sem nos ver, cuja cor e roupagem nos diziam que tinham chegado de fora.

«Somos afinal de onde? Dos lugares para onde vamos ou dos lugares de onde vimos?»

Não sei se foi por ser Agosto, mas desta vez não divergimos, nem mesmo nas vírgulas. Concluímos que que somos dos sítios onde nos recebem bem e onde nos sentimos "em casa", mesmo que estejamos a milhares de quilómetros do lugar onde nascemos e crescemos...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 17, 2026

O outro lado da coisa, ou seja, quando a televisão parece que se vira de pernas para o ar...


Talvez fosse dia de falar do ministro da Educação. Talvez...

O problema é que o ministro da Administração Interna gosta muito mais de ser notícia e de falar para os microfones que o professor Fernando...

Isso já se notava quando estava à frente da PJ e não perdia uma oportunidade de aparecer à frente das câmaras, a fazer um número, pequeno ou grande, de "super-herói". 

Já se percebia que aspirava a mais. Como bom comunicador que era, devia sonhar ter ainda mais televisões à sua volta... 

E um dia lá conseguiu chegar a ministro.

Talvez ninguém lhe tenha dito, que havia um outro lado, mais chato, nessa coisa de se ser governante. Sim, iria ser confrontado com os especialistas em "sacar esqueletos do armário", que também adoram saber coisas através de chamadas falsamente anónimas.

Mas nem era preciso. Como director da nossa principal polícia de investigação, sabia bem demais como é que as coisas funcionavam tanto nos corredores do poder como nas redacções.

É por isso que é demasiado estranho que ele não se tenha libertado dos vários "rabos de palha", que aparecem, cada vez que alguém abre uma porta num dos seus montes alentejanos...

E alguns são enormes. Segundo consta, um deles é  do tamanho do reboque de um camião tir...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 10, 2026

É bom recordar que a presidência do SMAS nos últimos anos tem funcionado como "moeda de troca" em Almada...


Tudo o que acontece - de mau e de bom - no Concelho de Almada, está directamente ligado à governação do PS, e à presidência de Inês de Medeiros. São mais de oito anos e meio de poder. Os socialistas não têm qualquer espaço para o habitual "passa culpas".

Existe sim, alguma cumplicidade com os partidos com que se coligou ao longo dos mandatos.

É por isso que se trata de uma piada de mau gosto, o PSD ter vindo a terreiro, afirmar que "não tem nada a ver com assunto". Os factos falam por si, foi um vereador do PSD que presidiu os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) entre os anos de 2017 e 2024.

O mesmo se passou na coligação seguinte, feita com a CDU. Mais uma vez, Inês Medeiros "ofereceu" a presidência do SMAS ao partido com que acordara governar Almada, neste seu último mandato (desde Outubro de 2025).

Isto prova duas coisas. O pouco interesse que o SMAS sempre despertou ao PS e à presidente de Câmara (que também se comprova com a redução de investimento durante os dois primeiros mandatos, com a cumplicidade do companheiro de coligação, o PSD). E a ligação dos partidos com que se coligou a todo este problema (bem podem tentar "sacudir a água do capote", como o fez  apressadamente o vereador do PSD...), por terem aceitado a presidência do SMAS, mesmo que fossem apenas uma espécie de "rainha da inglaterra"...

Nota: Texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, julho 09, 2026

Pois é, parece que afinal "o dinheiro não paga tudo"...


O facto de ainda não ter sentido falta de água canalizada na minha casa, fez com que fosse alvo de algumas "bocas", de quem gosta de se informar através das redes sociais, sem sequer se dar ao trabalho de pensar um pouco, de saber como funcionam as coisas.

Penso que a abastecimento de água  nas cidades não tem grandes segredos. Há vários reservatórios, distribuídos por áreas geográficas, que na maior parte dos casos devem coincidir com os mapas das juntas de freguesia.

Se existir uma zona que consome o dobro ou o triplo da água das restantes, é óbvio que o seu reservatório, acabará por se esvaziar de uma forma mais rápida. E, em casos extremos (como o que está a acontecer no Concelho de Almada...), poderá condicionar mesmo a distribuição normal de água pelas populações.

Isso faz com que a palavra "solidariedade" não faça muito sentido, porque o consumo depende das próprias pessoas. Embora tudo indique que ela até esteja a ser feita em Almada, através do uso de camiões cisternas, que devem ir buscar água aos reservatórios que estão a funcionar normalmente, para a distribuir junto dos almadenses que estão mais necessitados deste bem essencial.

Além das grandes responsabilidades do Município, que não se preocupou em fazer as obras necessárias para evitar este problema, é importante dizer, que os moradores das freguesias mais afectadas, não deixam de ter alguma culpa, no agravar desta situação.

Fala-se de desperdício, e até de roubo de água. Mas existe ainda outro problema: a Charneca de Caparica é a freguesia com mais vivendas, e naturalmente, com mais jardins e piscinas do Concelho. Isso faz com que algumas pessoas usem a água como se esta fosse um bem infinito. E ainda sejam capazes de argumentar: "Se pago, uso a água que quiser..."

E o resultado está à vista...

Nota: As notícias televisivas continuam a não reflectir a realidade. Há uma histeria e um exagero, que levam as pessoas a ver o problema com "lentes de aumentar" e a pensar que todo o Concelho de Almada está sem água.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 08, 2026

A falta de água em Almada é uma grande ironia (há mais de oito anos que a CMA "mete água" em Almada)...


De vez enquanto escrevo sobre o mau serviço que é prestado pelo Munícipio de Almada, aos almadenses. Tento não ser muito insistente, embora os problemas se mantenham - e em alguns casos até se agravem -, ano após ano.

O meu espanto é que, no meio de tanta incompetência, as pessoas continuam a votar no partido do poder. Nunca percebi o porquê. Mas também não perco muito a tentar perceber, até por se passar o mesmo a nível nacional... 

O que eu posso dizer, como morador do Concelho de Almada há mais de trinta e nove anos, é que a forma como se olha para a coisa pública, a começar pelas ruas, nunca foi tão displicente. Lixo, buracos e vegetação, são o "pão nosso de cada dia" em todo o Concelho.

É muito triste sermos notícia nacional devido à falta de água, apenas porque não se "fez o trabalho de casa", como foi dito pela Ministra do Ambiente. Até porque o nosso subsolo possui um dos maiores aquíferos do distrito de Setúbal...

Pessoas ligadas à CDU garantem-me que em 2017 já existia um plano de renovação de toda a rede pública, assim como um projecto para a realização de novos furos de água. Mas como o costume é ignorar as iniciativas feitas pelos outros partidos, mesmo que sejam boas para a população, não vale a pena fazer grandes comentários.

Por todas estas razões, não tenho qualquer dúvida, de que a falta de água em Almada, é uma grande ironia em relação à governação local (ou não se desse o caso de se andar a "meter água" no Município, há mais de oito anos...).

Nota: texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, junho 23, 2026

O Portugal do Correio da Manhã (e das imitações que se fingem mais "finas"...)


Portugal acabou de ganhar, cinco a zero, a um pedaço da velha Rússia e União Soviética, chamado Uzbequistão.

Como era de prever, Cristiano Ronaldo marcou dois golos e passou de besta a bestial. Alguns dos comentadores que o crucificaram nos últimos dias, devem estar a montar um altar nas suas televisões...

Lembrei-me das palavras de António Lobo Antunes, que fingia não se levar a sério como cronista. Não eram sobre futebol, eram sobre nós, sobre a televisão e sobre os políticos que andam vestidos com a camisola da selecção nas redes sociais:

«É extraordinário como gostamos de comer merda desde que seja açucarada, é extraordinário percorrer a lista dos best sellers nas livrarias. Isto, claro, não é um fenómeno português, é um fenómeno universal, e nem sequer é recente. Dura desde o século XIX pelo menos, e é fácil de explicar, como é fácil de explicar o sucesso do jornal Correio da Manhã, de certos programas de televisão, de certos políticos, dos espaços sobre futebol que encharcam os ecrãs, das telenovelas miseráveis.»

Estas palavras foram publicadas na "Visão" a 23 de Fevereiro de 2017, há mais de nove anos. Provavelmente, daqui a vinte anos continuarão actualizadas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 16, 2026

«Acho que não ias perceber, com exemplos, mas o teu país é muito mais livre que o meu»


Lembrei-me da última conversa que tive com uma mulher de pele e cabelo claro, que vivia na Beira Baixa e nunca deixou de escrever para os jornais do seu país. Conheci-a por um mero acaso.

Alguém lhe dissera que eu também escrevia. Ela estava a investigar a história de uma família importante (já quase não se fala dela...) e a forma como beneficiou dos fundos europeus. Queria que eu lhe explicasse algumas coisas, por ainda não perceber as muitas virtudes da língua portuguesa. Ou seja, a nossa conversa foi mais sobre o português que sobre a dita família.

Quando ela se instalou no interior, no começo do século, ainda não estavam na moda os famosos "nómadas digitais", que vivem espalhados por todo o lado. Nem a vida era tão fácil para quem vem de fora, como é hoje...

Encontrei-a uns vinte anos depois, numa superfície comercial, acompanhada da filha adolescente. Acabámos por beber um café e gostei de ver que ela falava a nossa língua correctamente, apenas se notava um ligeiro sotaque.

A vida já estava pior para todos, inclusive para quem era de fora e vivia como nós. Mas ela nunca pensou em regressar para a Holanda com o companheiro e os dois filhos.

Embora eu não tivesse sido curioso ao ponto de perguntar o porquê, ela disse-me uma coisa, daquelas que nunca se esquecem: «Acho que não ias perceber, com exemplos. Mas o teu país é muito mais livre que o meu.»

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


quinta-feira, maio 14, 2026

A justiça, os justiceiros e os bandidos...


Há muito tempo que não falava sobre Sócrates e sobre a justiça. Talvez fosse por isso que desse mais importância à conversa que tive com um amigo, que não encontrava "há séculos", e que me foi capaz de me fazer ver o caso, numa outra perspectiva.

O facto de ele ter sido vítima da nossa justiça, morosa e tendenciosa, devido a um divórcio litigioso, povoado de mentiras pela parte da ex-mulher e família - só agora, com os filhos na idade adulta é que passou a ter uma relação normal com ambos -, faz com que olhe para tudo de forma diferente.

O mais curioso, foi ele dizer-me que José Sócrates continua preso, desde que o prenderam no aeroporto, como se fosse um "perigoso assassino". Acrescentou que a perseguição de que é alvo por parte dos tribunais, dos jornalistas e das polícias nunca mais lhe permitiu ter uma vida "normal" e em "liberdade".

É por isso que está convencido de que o Estado - ou seja, todos nós -, vai ter de o indemnizar, e que se ele for condenado, será por coisas ridículas, que apenas darão para uma pena suspensa. O que é muito pouco para quem está "preso há tanto tempo"...

Pelo meio ainda me falou das "famílias do actual regime" (PSD), ligadas à banca (sobretudo o BPN), que durante todos estes anos nunca deixaram de viver "à grande e à francesa". A única excepção tem sido o Salgado, cuja tentação de se fazer "passar por maluquinho", lhe deve ter mesmo afectado a cabecinha...

Claro que nada disto alterou o meu pensamento sobre o caso. Os bandidos, os justiceiros e os advogados de defesa, já estão há muito tempo identificados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 30, 2026

A deturpação diária da realidade...


A deturpação da realidade é uma constante diária da sociedade actual.

As pessoas que vivem alheadas da realidade e que gostam de criar narrativas paralelas, nunca tiveram um tempo tão propício às suas "invenções", como este em que vivemos.

Não podemos culpar apenas o partido populista, que gosta de normalizar a mentira, a indecência e a falta de respeito pelo próximo. Até porque existe pelo menos um canal de televisão que se alimenta das ficções noticiosas que cria.

O que aconteceu nos balneários do FC Porto, antes da realização do jogo de andebol entre a equipa da casa e o Sporting, diz quase tudo sobre este tempo em que vivemos. 

O cheiro tóxico existente nas instalações portistas quer fizeram com que a equipa leonina se equipasse nos corredores, conseguiu que os dirigentes portistas colocassem a possibilidade de terem sido os sportinguistas a levarem substâncias abrasivas para o balneário, em vez de fazerem um pedido de desculpas público, mais que justificável, aos adversários...

Mesmo que o desporto goste de se afirmar como "um mundo à parte" da sociedade, é uma vergonha o que se passou no Porto. 

Pior que o episódio que fez com que o treinador e um atletas recebessem assistência médica, foi a tentativa do FC Porto de branquear a situação, com as tais narrativas paralelas, que se estão a normalizar, dia após dia.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, março 29, 2026

A solidariedade humana não tem segredos


Houve uma reportagem da CNN no sábado, que me chamou mais a atenção, pela forma como o jornalista em causa (António Gonçalves), faz aqueles perguntas, que no meu entender, fazem parte de uma nova forma de dar notícias, mais primária e infantil (segue-se cada vez mais a cartilha básica e telenovelesca do CMTV...).

Estávamos na região de Leiria, na Marinha Grande, onde a televisão transmitiu um grande exemplo do apoio e de solidariedade, tanto do povo anónimo como de muitas empresas, através da reconstrução de uma casa. As pessoas fizeram o contrário do Governo, apareceram logo, para ajudar quem precisava de ajuda. E respondeu sem palavras à pergunta do jornalista (que estava longe de ser um jovem...). Não, não existem segredos, na solidariedade humana.

Aliás, será muito mau quando passarem a existir segredos na solidariedade. Existe sim, muito companheirismo, muita vontade de ajudar o próximo, que continuam a aparecer nos momentos de maior dificuldade ou de destruição no seio da sociedade.

Apesar dos esforços que existem nestes tempos em nos moldar com um "barro diferente", sinto que o humanismo que reside dentro de nós, é muito difícil de destruir e "emerge" nos momentos mais importantes e difíceis das nossas vidas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 23, 2026

Saudosismos & relatoriozinhos...


Apetecia-me falar da Eva Cruzeiro a quem os deputados do Chega mandaram ir para "a terra dela", que penso que seja o nosso país (talvez por isso não seja entendido como uma frase racista...), e do deputado do PSD Hugo Carneiro,  que assinou um relatório, a repreender a deputada socialista, porque parece que no nosso Parlamento não "existem racistas"...

O que sei é que o "programa" começa a quer ir longe demais, na aproximação desejada ao dia 24 de Abril de 1974 (e se possível, ainda mais para trás...). Nessa altura parece que só havia "comunistas" e "fascistas", hoje mantém-se a dicotomia, "esquerda", "direita", ao ponto dos extremistas do lado direito já começarem a reivindicar uma "cultura de direita" e a tentar correr com os "perigosos esquerdistas", que ocupam lugares de destaque (a Rita e o Francisco são o começo de qualquer coisa...).

Talvez queiram voltar à "cultura de salão", com um ou dois músicos do regime, dois escritores, dois pintores... e por aí diante, deixando bem claro, que se vai acabar o regabofe da "cultura para todos".

Quem aplaude sem mexer as mãos são os "moedinhas", os "leitõezinhos" e os "carneirinhos", que gostam de se fingir democratas, nem que seja para a fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, março 01, 2026

Um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias...


Estávamos a ver o "Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer" (cá por casa tornou-se um programa familiar e é visto quase sempre ao almoço de sábado) e a minha filha chamou-me a atenção que digo sempre a mesma coisa do João Miguel Tavares, que parece um "cordeirinho" na companhia do Pedro Mexia, do Ricardo Araújo Pereira e do Carlos Vaz Marques.

Normalmente não concordo com as coisas que escreve no "Público", porque faz questão de ver e escrever coisas diferentes das outras pessoas (é mais uma imitação rasca de Vasco Pulido Valente...), fazendo notar bem de quem lado é que está e os ódios de estimação que mantém (não é apenas Sócrates), assim como a complacência que tem com a direita, mesmo a populista.

Na televisão o JMT transfigura-se, torna-se um democrata, até quase que parece um "gajo porreiro" (coisa que não é, de certeza...) no convívio com os três amigos. É aqui que surge o motivo das minhas palavras. Ele é um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias. No mínimo, fazem-nos parecer melhores pessoas.

Isso também acontece nos nossos grupos de amigos, onde surge sempre um "torcido", que obrigamos a andar na linha, dizendo-lhe, mais que uma vez, que o que ele diz não faz qualquer sentido.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 01, 2026

O "jornalixo" e uma comunicação social que não mostra tudo...


Não vou escrever sobre a tragédia na região Centro, mas sim sobre um acontecimento que não vi ser notícia em lado nenhum, ligado à tentativa de colher dividendos eleitorais com a desgraça dos outros, com o artista da "tv e da cassete pirata" de sempre... 

Uma das pessoas que conheço natural de Leiria é a Isabel, que além do retrato indescritível que encontrou no terreno (até me falou do Japão dos terramotos, como termo de comparação...), também me falou do "aparecimento e desaparecimento" de Ventura, numa das zonas mais atingidas pela "Kristin". O jeitoso assim que foi visto pela população, rodeado pelos seus "muchachos", foi de tal forma insultado e vaiado, que desapareceu em segundos, sem que ninguém lhe pusesse mais a vista em cima. Estava acompanhado de pelo menos duas câmaras de televisão...

Como ela não viu nenhuma reportagem a mostrar estes enxovalhos (aconteceram pelo menos dois, que foram do seu conhecimento e quem o insultava não eram "ciganos"...), concluiu que há mesmo cumplicidade entre o Chega e as televisões.

Como eu esta semana tinha lido o artigo de opinião de Filipe Luís na "Visão" que também diz muito sobre a relação do senhor com a comunicação social, transcrevo-o com a devida vénia: «Se há alguém que não tem nenhuma razão de queixa dos jornalistas é o candidato apoiado pelo Chega. Pelo contrário: com sete dezenas de entrevistas, nos últimos cinco anos, em horário nobre, em todas as televisões, ele teve mais do dobro de tempo de antena de dois líderes, juntos, do PSD, um dos quais primeiro-ministro, e é o campeão político da nossa democracia em exposição mediática favorável, isto é, com presença constante, não apenas em entrevistas, mas também em declarações avulsas – nomeadamente, nos Passos Perdidos, no Parlamento – quase sempre em regime de “pé de microfone” (sem contraditório) com questionamentos “fofinhos” de entrevistadores que, muitas vezes, e sem cerimónia, em certos canais, trata publicamente por tu. Seguro ganhou a primeira volta, mas, três dias depois, era Ventura quem já tinha sido entrevistado três vezes, nas televisões. Duas conclusões: primeira, o “jornalixo” existe mesmo. Segunda, se Ventura é o que é, aos jornalistas o deve.»

Falar de cumplicidade, talvez seja ir longe demais, mas que há muito boa gente que escreve nos jornais e faz reportagens televisivas que está na profissão errada, está. Ou então não, sente-se bem, atolada no "jornalixo"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, janeiro 15, 2026

Três parágrafos com três dedicatórias


Nunca o discurso contra a esquerda esteve tão ruidoso. Em alguns casos, além de mentiroso, começa a ser doentio.

Normalmente vão buscar o Stalin e o Lenine (esquecem-se quase sempre do Marx, não sei porquê... espero que não o confundam com os "irmãos", de outros filmes bem mais alegres), como se todas as pessoas com um pensamento humanista, que se preocupam com quem vive à sua volta, fossem comunistas...

Como as coisas estão a avançar, começo a acreditar que, num tempo não muito distante, vão começar a culpar os "comunistas" por todos os problemas que aconteceram na Primeira República e também pela chegada ao poder de Oliveira Salazar (que na sua opinião até deve ter sido "um gajo porreiro" - espera, gajo não, isso é coisa dos esquerdalhos, é melhor escrever "senhor gajo")...

Notas: A dedicatória vai para João Miguel Tavares, João Vieira Pereira e Ricardo Simões Ferreira.

Em relação à escolha da imagem, já o bom do Vasco Santana dizia: "Chapéus há muitos, seus palermas!"

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


sexta-feira, janeiro 02, 2026

A diferença entre leitores de jornais e leitores de títulos de jornais acentuou-se muito nos últimos anos...


"As pessoas não querem saber..." É já quase uma frase batida, pela mistura que se faz entre ficção e realidade, no dia a dia, mesmo ao mais alto nível.

Fala-se do líder do Chega, mas temos um primeiro-ministro que vive num mundo só dele, rodeado de cinderelas e de cristianos ronaldos, cada vez mais distante do "mundo dos outros"...

Mas o que eu quero mesmo é falar de jornais e de leituras.

Há bastantes anos que o "pasquim" mais vendido no burgo, raramente fazia coincidir os títulos de primeira página com as notícias publicadas no interior. Isso criava um problema - na época ainda menor - porque conseguia enganar as pessoas que tinham por hábito ler apenas os títulos de jornais e as "letras gordas".

Hoje existem mais seguidores da "fórmula" na imprensa, mas de pouco lhes vale, porque o leitor de jornais de papel, é "uma espécie em vias de extinção"...

Curiosamente, estes "leitores" das letras grandes foram os que mais facilmente deram o "pinote" para o mundo das redes sociais, que usa a mesma "técnica informativa", com uma diferença: quando mente, mente a valer, tanto nos títulos como no conteúdo.

Este fenómeno que tem pouco do entroncamento, é seguido pelo partido que também adora "desinformar" e é um caso de estudo pelo seu sucesso eleitoral, mesmo com ladrões de malas, pedófilos, agressores, violadores, etc.

Isto faz com que acabe o texto com a frase inicial: "As pessoas não querem saber..."

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)