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quarta-feira, setembro 09, 2026

«Continua a falar-se pouco do país que queria ser uma "máquina de fotocópias humanas"»


Percebi de uma forma curiosa, que a liberdade estava longe de ter o mesmo valor para a quase dúzia de pessoas sentadas à mesa do jantar.

Sempre falámos de política de uma forma aberta, usando as divergências que surgiam aqui e ali, com algum humor.

Por ser o mais velho daquele convívio, fui sentindo com o decorrer da conversa que o meu mundo era diferente do deles. Mas não era só isso. Eu sempre fui pouco maleável a novas ideias e a novas tecnologias (era o único que não usava smartphone e isso podia explicar muita coisa...).

O mais estranho, era aquela gente achar-se mais bem informada que eu, por estarem a ler títulos de notícias quase minuto sim minuto não, ignorando que eu era assinante e leitor de jornais a sério...

Houve mesmo alguém que foi capaz de dizer que o país do Salazar não era assim tão mau como o pintavam. Foi quando eu disse que era muito pior.

A duas ou três coisas que foram ditas de forma leve, eu respondi com meia-dúzia de factos, que por si só, conseguiram silenciar aquela mesa, por alguns segundos.

Antes do ignorante atrevido meter a viola no saco, por perceber que estava sozinho, ainda lhes disse: «Percebo que não conheçam a realidade do país salazarento. Continua a falar-se pouco do país que queria ser "uma máquina de fotocópias humanas".»

Os sorrisos voltaram à mesa e começou-se a falar de futebol, pois tanto o Sporting como o Benfica tinham acabado de ganhar os seus jogos de "pontapé na bola"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, agosto 02, 2026

Os campos de futebol inclinados que nos roubam o sonho e a ilusão...


Talvez exista algo de quixotesco e sobretudo de "Robin Hood", no meu gosto de ver aqueles que são descritos como mais fracos e pequenos, fazerem frente aos grandes.

Claro que no mundo da política ou das empresas, tratam-se de meras impossibilidades. Não sobra quase espaço nenhum para o sonho. Vinga sempre a "lei do mais forte"...

O desporto é um dos poucos sectores que dão essa ilusão, especialmente o futebol. No começo de cada partida como jogam onze contra onze, é sempre possível acreditar na possibilidade da existência de uma surpresa, do "David conseguir derrotar o Golias".

Infelizmente - e para não escapar desta sociedade desigual em que vivemos -, os chamados grandes têm quase sempre um aliado de peso dentro das quatro linhas; o árbitro. É ele que decide, que tira toda e qualquer dúvida que exista... e que se quiser "inclina" o campo, como disse anteriormente, para o lado que quiser. Lado, que vá lá saber-se porquê, é quase sempre inclinado em benefício do mais forte...

Foi o que aconteceu ontem na final da Supertaça, disputada entre o FC Porto e o Torriense. Na primeira parte do jogo o árbitro teve o cuidado de "amarelar" dois ou três jogadores da equipa de Torres Vedras, que não se intimidaram e mostraram ao que vinham. Ao ponto de até ter jogado bem melhor que a equipa do Porto nos primeiros vinte minutos, sem que alguém notasse que fazia parte da segunda divisão...

E foi sempre assim durante os mais de noventa minutos, em casos de dúvida, o "juiz" apitava sempre contra o Torriense.

Claro que esta evidência não tem nada de fervor clubístico, se fosse o Benfica ou o Sporting que estivessem no lugar do FC Porto, o cobarde do árbitro, teria o mesmo comportamento...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, julho 06, 2026

No futebol e na vida, nem sempre uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa...


No futebol e na vida, nem sempre uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa...

Compreendo que Cristiano Ronaldo não pode, nem deve, ser olhado como um humano normal. Basta recordarmos que é um dos raros futebolistas, que ocupam várias páginas do capítulo do futebol do famoso "Livro dos Recordes". Aproximou-se como poucos do "território dos deuses".

Não é por acaso que continua a ser idolatrado no mundo inteiro como mais ninguém, no "desporto-rei" (o rival Messi nunca lhe chegou as calcanhares em popularidade...). 

Esta quase "cegueira" não ajuda nada a que Ronaldo coloque os pés no chão e entenda que o seu tempo já passou, que a partir de agora, será sempre uma pequena amostra do que realmente foi. E quando na própria selecção tem pessoas responsáveis a quererem ficar no começo da lista do seu "clube de fãs" (o selecionador e vários dirigentes), tudo piora...

Nem sei mesmo se existe alguém capaz de lhe dizer que desde o último Europeu, ele deixou de ser o jogador,  único, e imprescindível, que fora até aí. Ou seja, a idade fez com que passasse a ser um atleta comum, que regressasse ao "planeta terra". 

Penso que ninguém tem dúvidas de que a sua presença nos 26 jogadores presentes nos EUA é justissíma. Os problemas só começam quando a "equipa de todos nós" é formada pelo CR7 e mais dez, durante todo o jogo...

Gostava muito que Portugal ganhasse hoje e que o Cristiano marcasse pelo menos um golo. Mas também gostava que ele fosse substituído, a meio da segunda parte, a bem da selecção e de ele próprio.

Sei que estou a pedir muito, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 03, 2026

As coisas de que não se fala quando se ganha...


Só entendo a entrega do prémio "melhor em campo", a Cristiano Ronaldo, por a sua substituição ter sido decisiva para a vitória de Portugal (as quatro substituições anteriores de Martinez tinham desiquilibrado a equipa. Como de costume, o técnico continua a ter dificuldade em "ler" o jogo e a olhar para os seus jogadores como um todo...).

Como todos sabemos, a FIFA gosta de caminhar com demasiados rabos de palha atrás de si, pelo que nada disto é surpreendente. E já estou a léguas da atribuição do "prémio da paz" a Trump. Escrevo sim sobre a sua cobardia em relação ao que fizeram ao melhor árbitro africano, proibido de entrar em solo americano, ou ao tratamento desigual oferecido à selecção do Irão e aos seus adeptos, pelos norte-americanos.

Bonito, bonito, é vermos jogadores como Gonçalo Ramos darem lambadas de luva branca ao seleccionador ou Diogo Costa provar que é dos melhores guarda-redes do mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


domingo, junho 28, 2026

Ser seleccionador nacional devia ser outra coisa, além de se falar português, cantar o hino e ser amigo do Ronaldo...


Há qualquer coisa que nos prende à selecção, que não tem necessariamente que estar ligada aos patriotismos bacocos das camisolas, das bandeiras e das caricaturas humanas presentes nas bancadas dos estádios, vestidas de Portugal.

Essa qualquer coisa chama-se ser-se português (desde sempre, sem interesses ou tropeções na nacionalidade...).

Deve ser por estarmos distantes deste "bacoquismo", que temos cada vez mais dificuldade em encontrar algo de positivo no futebol praticado pela selecção. É muito poucachinho para um seleccionador estrangeiro falar português, cantar o hino nacional e ser um "grande amigo" de Cristiano Ronaldo.

Qualquer pessoa habituada a ver futebol, mesmo sem ser "catedrático do comentário desportivo", sabe que estas três virtudes não têm nada a ver com o futebol que se joga no relvado.

Há quatro anos que aturamos um treinador medíocre, que além de não ser capaz de escolher os onze melhores jogadores, ainda os coloca fora das posições onde habitualmente jogam nos seus clubes. E das substituições, nem é bom falar. Ontem até fiquei com a sensação de que a permanência em campo de um Cristiano Ronaldo ou de Bruno Fernandes,  durante 90 minutos arrastados, são mais um castigo que outra coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, junho 23, 2026

O Portugal do Correio da Manhã (e das imitações que se fingem mais "finas"...)


Portugal acabou de ganhar, cinco a zero, a um pedaço da velha Rússia e União Soviética, chamado Uzbequistão.

Como era de prever, Cristiano Ronaldo marcou dois golos e passou de besta a bestial. Alguns dos comentadores que o crucificaram nos últimos dias, devem estar a montar um altar nas suas televisões...

Lembrei-me das palavras de António Lobo Antunes, que fingia não se levar a sério como cronista. Não eram sobre futebol, eram sobre nós, sobre a televisão e sobre os políticos que andam vestidos com a camisola da selecção nas redes sociais:

«É extraordinário como gostamos de comer merda desde que seja açucarada, é extraordinário percorrer a lista dos best sellers nas livrarias. Isto, claro, não é um fenómeno português, é um fenómeno universal, e nem sequer é recente. Dura desde o século XIX pelo menos, e é fácil de explicar, como é fácil de explicar o sucesso do jornal Correio da Manhã, de certos programas de televisão, de certos políticos, dos espaços sobre futebol que encharcam os ecrãs, das telenovelas miseráveis.»

Estas palavras foram publicadas na "Visão" a 23 de Fevereiro de 2017, há mais de nove anos. Provavelmente, daqui a vinte anos continuarão actualizadas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, junho 21, 2026

Já nem é preciso chegar a amanhã para se mentir...


Se eu tivesse dúvidas da paixão que desperta o futebol, em que quase todos querem ter opinião, por mais diversas que sejam, elas dissipavam-se com o que se tem passado com o Mundial.

Nem se pode dizer que a "vox populi" esteja certa, mesmo que faça o mesmo que os comentadores televisivos, num contorcionismo diário, que se normalizou, dando razão a um certo dirigente desportivo que não teve qualquer problema em dizer que no futebol "o que hoje é verdade amanhã é mentira", como se tivesse uma "bola de cristal" para ver o futuro.

É por isso que o nosso "pior do mundo", se marcar um ou dois golos no próximo jogo, corre o risco de voltar a ter de vestir a pele de "salvador da pátria".

Noutros tempos podia-se falar de honestidade ou desonestidade intelectual, mas como estão a querer "matar" e a banir os intelectuais do Planeta, nem vale a pena pensar-se nisso.

A questão mais estranha nisto tudo, foi esta "futebolização televisiva" ter feito "rolar a bola" para todas as áreas, com relevo para a política. Aliás, ainda foi mais longe, nem é preciso chegar a amanhã, para se mentir, como percebemos com os discursos de Montenegro ou Ventura...

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


sexta-feira, junho 19, 2026

É tão fácil comparar o que não é comparável...


A coisa mais fácil de dizer e fazer, depois da primeira jornada do Mundial, é colocar Messi no Olimpo e Ronaldo nas catacumbas.

Fingem mais uma vez que se pode comparar o que não é comparável.

Muitos até dizem que Cristiano nunca foi um génio, que o seu talento é apenas fruto de muito trabalho e disciplina.

Se tivessem falado com os seus antigos companheiros das camadas jovens do Sporting, ou com os seus técnicos, percebiam que Ronaldo foi desde sempre, "o melhor de todos". Desde os iniciados até aos juniores.

Claro que foi sempre um jogador diferente de Messi, até na zona do terreno onde jogava. Por ser alto, forte e rápido, jogava nas alas, sem nunca perder de vista a baliza adversária. A velocidade, a força, a técnica e a inteligência, sempre foram as suas grandes armas. Messi, pequenino e franzino, valia-se da magia que tinha nos pés, para esconder a bola e ludibriar os adversários, ao mesmo tempo que era protegido (e bem) pelos árbitros, pela sua aparente fragilidade física.

É por isso natural que se note muito mais, a decadência futebolística de Cristiano. Além de ser mais velho dois anos e alguns meses, perdeu,  naturalmente, as suas principais armas. A velocidade e a força física não são as mesmas aos 41 anos, que eram aos 25, 30 ou 35 anos. É um problema com o qual Messi não se confronta de forma tão directa. A sua magia não se perde no tempo, porque faz parte da sua essência, sem estar dependente apenas da condição física, de mais ou menos velocidade.

É por isso que continuo a achar que não se pode comparar o que não é comparável.

Escrevi isto sem qualquer patriotismo bacoco. Para mim, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, são os melhores de sempre.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, junho 17, 2026

Nada disto é surpreeendente (nem a reacção dos portugueses)...


Como não tenho as expectativas muito elevadas em relação à nossa selecção de futebol no Mundial, não fiquei surpreendido com o empate, até por o Congo ser uma das melhores equipas africanas.

A verdadeira questão é a forma de jogar da selecção de Martinez, que  joga sempre "do meio-campo para trás", com aqueles passinhos inconsequentes, quase em género de "rabia". Mas há ainda um problema ainda grave, recorrente: a sensação de que os jogadores do meio-campo jogam em todo e lado e em sítio nenhum. Parece que jogam sempre fora dos lugares onde poderiam realmente render e dar espectáculo. Quando temos um Bernardo Silva (o mais desaproveitado), um Vitinha, um Bruno Fernandes ou um João Neves, na zona crucial do jogo, o mais natural era jogarmos de uma forma avassaladora e proporcionar situações de golo aos nossos avançados.

É por isso que espero que Jorge Jesus seja o próximo seleccionador. Com ele sei que a selecção passa a jogar do "meio-campo para a frente", sem medos, ao mesmo tempo que aproveita todas as potencialidades dos nossos melhores futebolistas.

Em relação aos habituais delírios portugueses, que vão da "besta ao bestial", de "melhores a piores do mundo", são isso mesmo, delírios...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


segunda-feira, junho 15, 2026

Uma camisola cheia de metáforas...


Caminhava na passagem metálica entre o cais de desembarque e a estação fluvial do Cais de Sodré, quando vi uma coisa curiosa à minha frente,  a fazer de "segunda pele", de um senhor com ar de mais velho que eu.

Como mediano fotógrafo de rua, não perdi a oportunidade de lhe "roubar" uma fotografia, sem que ele desse por isso e mostrasse qualquer incómodo.

Senti logo que estava ali à minha frente, um objecto antigo cheio de metáforas...

Começava no número. Cristiano tinha vestido a camisola número dezassete em 2004 (a sete ainda pertencia ao Figo...). Entretanto, tinham passado vinte e dois anos. O jovem que tinha vinte anos, tem agora quarenta e dois.

Por muitos chás que tome, disfarçados de "elixires da juventude", o tempo não perdoa, especialmente em desportos altamente competitivos, como é o futebol.

O senhor da camisola não deve pensar como eu. Deve estar mais próximo do selecionador nacional, que por razões que a razão finge desconhecer, pensa que a melhor equipa portuguesa continua a ser Cristiano mais dez...

Pode ser que a meio do Mundial, a outra "razão" (a verdadeira) lhe mostre, que há muito mais mundo, para lá do "planeta ronaldo".

Se isso acontecer, pode ser que consigamos ser felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, março 04, 2026

A caderneta de pontos de Vinicius Júnior contra o racismo...


Ainda não tinha escrito nada sobre o que aconteceu no Estádio da Luz, porque não quis ser traído, por qualquer fervor clubístico e por estar longe de olhar para o Vinicius Júnior como um "menino do coro".

Já se ouviu e escreveu quase tudo, mesmo sem se saber o que é realmente aconteceu no relvado.

Quem não gosta de José Mourinho e de Rui Costa (e do Benfica, claro...), aproveitou para soltar a "bílis", quando o que ambos fizeram foi defender o clube e um dos seus jogadores, até por não se saber  que palavras foram ditas (e há uma forte possibilidade de nunca se saber o que realmente se disse, porque o som de um Estádio não é o mesmo de uma Igreja...). Nem sempre foram felizes com as palavras usadas, algo que tem de ser encarado com alguma normalidade, porque foi a primeira vez que aconteceu algo do género no Benfica.

Mesmo que muitos desvalorizem, o Benfica é o clube do Guilherme Espírito Santo (em 1949 numa unidade hoteleira da Madeira os seus dois jogadores de origem africana, Guilherme Espírito Santo e Alfredo Melão, não foram autorizados a ficar nos quartos normais do Hotel, mas sim no anexo reservado aos empregados. Perante esta atitude racista, toda a equipa resolveu ficar instalada no anexo...) e de Eusébio da Silva Ferreira.

Sem pretender branquear o comportamento de Prestianni e as atitudes racistas que acontecem todos os fins de semana nos estádios (especialmente nas bancadas onde se diz tudo e ainda mais alguma coisa...), é muito fácil acontecerem atitudes irreflectidas no calor do momento e na derrota. É por isso que há jogadores expulsos do terreno de jogo...

Só não compreendo muito bem que um jogador, mal formado e provocador, seja usado como "bandeira" na luta contra o racismo (são tantos os casos em que está envolvido, que até parece que tem uma "caderneta de pontos" como "santo" protector da luta contra o racismo no futebol...).

Até porque há sempre coisas curiosas a acontecerem em seu redor, como a que aconteceu neste fim de semana. O Real Madrid perdeu com o Getafe e Nyom, o avançado camaronês  que marcou o único golo da partida, também fez uma "dança à vinicius" nos festejos. 

E sabem o que aconteceu de seguida? Vinicius, useiro e vezeiro nestas "danças" (como a  da Luz...), foi o primeiro a manifestar-se contra a forma provocadora como o companheiro de profissão festejou o golo...

(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)


segunda-feira, março 02, 2026

A decadência do nosso futebol enquanto modalidade e espectáculo desportivo


Uma das coisas positivas que me têm acontecido nos últimos tempos, é o afastamento gradual do "mundo dos futebóis". Já nem sequer consigo ver qualquer programa onde surgem comentadores assanhados (muitos quase que espumam pela boca, como é o caso do Rodolfo ou do Octávio...) ou "camaleões", que são capazes de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário (a televisão está cheia deles e delas, seja no desporto, na política, na actualidade ou no entretenimento).

Penso que este afastamento se deve a dois pontos. O primeiro é a postura dos presidentes dos três grandes, cujo passado desportivo prometia no mínimo mais respeito pelo futebol, pelos adversários e pela verdade desportiva (o que quer que isso seja...). Nada disso aconteceu. Até se fica com a sensação de que se joga cada vez mais sujo (o que se tem passado nos últimos tempos nas instalações do FC Porto, tem sido uma vergonha...), dentro e e fora das quatro linhas...

O segundo é a sua transformação num "espectáculo" cada vez mais fraquinho. Não é por acaso que a maior parte dos estádios estão quase vazios (os jogos do Benfica, do Sporting e do Porto não contam...)...

Apesar de sermos um dos melhores países do mundo nas camadas jovens, há equipas da primeira divisão sem qualquer português no onze titular... Isto diz quase tudo sobre o "negócio" e a "mentira" que é o nosso futebol, com a complacência da Liga e da Federação...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, janeiro 05, 2026

Crescer muito em pouco tempo...


Parecia inevitável, há meses.

Agora, nem por isso. As coisas até estavam a correr relativamente bem.

Continuo a pensar a mesma coisa sobre Ruben Amorim: é um grande treinador!

E cresceu muito neste último ano, onde se debateu com adversidades que valem a experiência de meia dúzia de anos, num outro qualquer clube...

Nem sei quem se seguirá no Manchester United, nem tão pouco se conseguirá fazer melhor, se consegue inverter o rumo do clube nos últimos anos, como "cemitério de treinadores". Ninguém sabe. 

É por isso que se diz que o futebol é uma "caixinha de surpresas"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, novembro 13, 2025

Ser simpático deveria ser a décima primeira qualidade de um treinador...


A selecção de futebol portuguesa está longe de ser a "melhor do mundo", como muitos comentadores e jornalistas a "pintam".

Quanto muito, tem alguns jogadores de nível mundial.

E não vai ser com "sonhos" e "palavras simpáticas" que se chega lá. É preciso muito trabalho, porque isto de se ser capaz de fazer uma grande equipa, com grandes jogadores, não é para todos.

Já percebi há algum tempo, que este seleccionador - apesar de ser muito simpático, falar português e tratar o Cristiano Ronaldo como "sua alteza" -, está longe de ter a qualidade técnica necessária, para construir a tal "equipa de sonho", capaz de desafiar qualquer outra selecção por esse mundo fora.

Embora se trate de uma mera opinião pessoal, não tenho grandes dúvidas que na actualidade, os únicos treinadores portugueses com capacidade para construírem a tal "grande equipa", seriam Jorge Jesus, Abel Ferreira ou Leonardo Jardim.

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


terça-feira, novembro 11, 2025

A memória de Eusébio que vai desaparecendo...


Eusébio, o nosso primeiro grande ídolo planetário do desporto português nasceu em Moçambique, com um tom de pele ligeiramente mais escuro que o comum dos portugueses.

Começou a dar nas vistas bastante cedo, graças à sua qualidade como "jogador da bola", despertando o interesse dos dois grandes clubes lisboetas, com o Benfica a conseguir levar a melhor (embora ele tivesse de se esconder e de viajar como "Rute"...) e a trazê-lo para a Metrópole.

Eusébio era de tal forma talentoso, que em pouco tempo a equipa do Benfica, Campeão Europeu, passou a ser composta por ele e mais dez.

Embora hoje se fale pouco nisso, o facto de Eusébio ser o "melhor de todos", foi muito importante para se esbater a diferença de cor de pele na sociedade de então, ao ponto de muitos dos seus patrícios do Continente, se tornarem um bocadinho menos racistas e  quase fingirem que ele era "branco".

Até mesmo o ditador Oliveira Salazar se enchia de orgulho quando cumprimentava o "King", ao ponto de o ter classificado como "património de Portugal".

Escrevo sobre isto, porque fico com a sensação de que hoje há quase uma urgência no nosso país, em se arranjar um novo craque, de pele mais escura, com dimensão planetária. 

Talvez assim deixassem de mandar as pessoas de cor mais acastanhada, para a "sua terra", mesmo que estas tenham nascido em Portugal e tenham os mesmos direitos e deveres de qualquer cidadão português...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 25, 2025

Cada vez mais espectáculo e menos informação


Não sei se fale no poder do futebol, se no poder do Benfica, para este dia, quase integralmente dedicado ao "glorioso" (que já se sabe que bateu o recorde do mundo em número de votantes em eleições para clubes desportivos).

Ou talvez deva falar de uma forma de fazer televisão, cada vez mais virada para o espectáculo e menos para a informação, dando quase sempre mais atenção aos "casos e casinhos", que ao que realmente importa para todos nós.

Quem se tem aproveitado bem destas novas linhas editoriais são os partidos políticos que estão no poder, que também preferem apostar mais no "entretinimento" que na "arte de governar"...

Curiosamente, encontrei uma crónica de Vasco Pulido Valente (que estava longe de ser o meu cronista preferido...), datadas de 8 de Março de 2015, que nos oferece um retrato demasiado real dos canais televisivos - com a excepção do agora RTP Notícias - dez anos depois...

Eis as palavras do Vasco, no "Público": «Basta ligar a televisão para se perceber o estado de indigência intelectual e política a que chegou o país. A informação, que já foi sofrivelmente sensata, embora parcial e sumária, tem hoje o critério editorial do antigo semanário O Crime e da imprensa cor-de-rosa e desportiva.
Para começar, os portugueses são presenteados com horas do que antigamente se chamava “casos crapulosos”: a facada, o tiro, o roubo, a violência doméstica, histórias de tribunal, considerações de réus, de testemunhas, de advogados, de “populares”, da polícia e de um ou outro comentador de serviço. Depois do “crapuloso” vem o “acidente” e a catástrofe: desastres de avião e de automóvel, incêndios, tempestades de vento ou neve, inundações, tudo o que meta feridos, mortos, miséria e sangue.»

Não se trata apenas dos "retratos" do CMTV ou do NOW, a CNN e a SIC Notícias estão logo ali, depois da esquina...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, outubro 18, 2025

A tentativa de fuga do "mundo normal"...


O sinal mais óbvio da aproximação da política ao pior que existe no futebol e nas religiões - a "clubite" e a "crença cega" -, foi termos voltado a ouvir, a ler (e a conhecer...), notícias sobre zangas familiares por causa da política, aliás, partidos políticos.

Quando as coisas se tornam pouco racionais e as pessoas nem sequer querem "ouvir o outro", preferindo ficar agarradas à "cegueira ideológica", é muito difícil trazer esta gente de volta ao "mundo normal".

Sim, "mundo normal", esse lugar onde ainda é possível pensar-se pela própria cabeça, sem se responder com provocações ou insultos a quem pensa de forma diferente...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, setembro 18, 2025

Dias de "São Mourinho"...


Ontem e hoje o país foi quase só "José Mourinho", que regressou a Portugal, para treinar o Benfica.

Confesso que depois dos dois últimos jogos dirigidos por Bruno Lage, pensei que era boa ideia começar a  deixar de gostar do Benfica. Como se isso fosse possível...

Pensei nisso, mais a pensar nas exibições que nos resultados, mesmo que as derrotas do Caldas e do Benfica, normalmente me deixem triste. Sabia que o treinador tinha os dias contados, por falar de mais e a equipa jogar de menos, e claro, por estarmos cada vez mais perto das eleições.

Eleições com uma mão cheia de candidatos. Não compreendo o regresso de Vieira, que é passado. Embora goste de Rui Costa, sei que tem cometido demasiados erros como presidente. Penso que uma mudança era bem vinda, para acabar de vez com hábitos antigos.

No campo técnico acredito que o Benfica vai mudar para melhor, mas também sei que o futebol de Mourinho não vai rivalizar com o de Jorge Jesus, que mostrou a todos os benfiquistas que era possível ganhar e dar espectáculo para as bancadas, distanciando-se em qualidade do vulgar jogo do "chuto na bola".

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, setembro 14, 2025

«Não. O futebol não é uma arte. É apenas um jogo, que por vezes é jogado por um ou outro artista.»


Por ter feito jornalismo desportivo e por nunca ter sido um adepto ferrenho (tanto do Caldas como do Benfica...), normalmente, discuto futebol sem grandes estados de alma.

Foi por isso que não me manifestei muito no começo da discussão sobre se esta modalidade era um arte ou um simples jogo. Só depois de uma acesa troca de palavras entre os meus amigos Jorge e Gonçalo, é que resolvi "desempatar"...

Claro que lhe faltam vários parâmetros para entrar no mundo das artes. O principal talvez seja o facto de ter um número muito reduzido de artistas, a maior parte dos jogadores limitam-se a ser bons profissionais, cumprindo a sua missão sem terem a preocupação de "fazer arte". 

Foi por isso que disse: «Não. O futebol não é uma arte. É apenas um jogo, que por vezes é jogado por um ou outro artista.»

Depois falámos dos ordenados obscenos que se pagam aos futebolístas, tal como da desculpa, quase esfarrapada, de que é um negócio que movimenta milhões. De facto o futebol movimenta muito dinheiro, só que este está longe de ser bem distribuído. A maior parte dos clubes têm de inventar mais do que deviam, entrando inclusive em alguns negócios no mínimo pouco claros, para conseguirem equilibrar as contas. E mesmo assim, os  passivos são quase sempre superiores aos activos...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)