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segunda-feira, junho 08, 2026

Os "donos das praias", com e sem chapéus de sol...


Já tinha pensado falar do mar e da praia, sem saber que hoje era o dia dos Oceanos.

Curiosamente, ou não, tinha pensado fazer uma abordagem de como muitas pessoas olham para o mundo. O mundo que querem que seja mais delas que dos outros. E nem estava a pensar em falar de chapéus de sol, queria sim, ficar à beira-mar. 

E fiquei por ali, a escutar a voz do Oceano, sem perder de vista a nossa costa... A dar graças pela sua força natural, que acaba por provocar mais medo que respeito a muito boa gente...  

Essa força acaba por ser o nosso maior aliado na luta contra todos aqueles que querem ter uma praia só para eles.

Voltando aos Oceanos, eles hoje acabaram por ser "mais notícia", pelo menos para todos que gostamos de andar informados. Ficámos a saber que ele está a subir muito mais do que se previa, graças à forma displicente como continuamos a olhar para as alterações climáticas (especialmente as grandes potências mundiais...).

Voltando às nossas praias, a primeira imagem que me veio à memória nas muitas histórias com "donos da praia", foi um casarão construído a poucos metros do mar na parte superior de um rochedo, na praia dos Salgados, do Sul (sei que não é uma coisa original, existem dezenas exemplos parecidos em toda a nossa costa, e legais...).

Como não vou  para aquela zona algarvia há vários anos, não faço ideia se a casa em causa ainda por lá está. Se está, de Inverno deve transformar-se quase numa "ilha" e ficar desabitada.

Volto a falar dos chapéus de sol, apenas por saber que esta temática não passa de mais um "fair-divers", para esconder discussões mais importantes, com a das praias da Arrábida com portão, ou as da Comporta e de outras praias algarvias, "com muros", em que meia-dúzia de pessoas se julgam os seus "donos" e querem aquele pedaço do Oceano só para eles...

(Fotografia de Luís Eme - Meco)


sábado, janeiro 17, 2026

Cada um por si...


Não deixa de ser curioso, que quem se afirma através dos valores colectivistas e da solidariedade, nestas eleições presidenciais, tenha agido no sentido contrário.

Falo do PCP, do Livre e do BE, que em vez de se unirem numa única candidatura de esquerda, quiseram levar os seus candidatos até ao fim, apenas para fazer propaganda às suas ideias,  já a pensar em futuros dividendos políticos.

Claro que António José Seguro nunca foi o candidato de esquerda desejado (em especial pelo seu partido...), mas mesmo assim era, e é, o mais forte, o único que poderá ter aspirações a chegar à segunda volta.

O mais curioso, é que se o conseguir, o mérito será quase todo seu. Mas não precisava de ter começado a campanha, quase como medo de se afirmar como "socialista democrático" (o que quer que isso seja...), ao ponto de até merecer o apoio de "passistas"...

Esperemos que este "cada um por si" não dê maus resultados amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, abril 29, 2025

Pois foi, a Luz veio e o "Mundo não acabou"...


Não é difícil explicar o que aconteceu ontem.

O "apagão" de 12 horas (em Almada, foi assim, das 11.30 às 23.30 horas...), que nos deixou quase sem Mundo, esteve longe de ser o aspecto mais elucidativo sobre a qualidade humana.

Mais uma vez, em nome do egoísmo e do individualismo,  num  verdadeiro "salve-se quem puder", a gente precavida do costume, voltou a abastecer-se de água, papel higiénico e latas de conserva, deixando para os mais distraídos, o pequeno prazer de fecharem as portas e pouparem algum dinheiro.

Mesmo que se finjam, aqui e ali, "solidários", já percebi, há algum tempo, que é com esta gente que a direita cresce...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, abril 28, 2025

Um dia estranho que deixou mais uma vez a descoberto a nossa (grande) vulnerabilidade...


Não queria falar do abanar de asas da borboletita espanhola, com força suficiente para parar dois países, ao mesmo tempo que dava espaço a todo o tipo de conjecturas, mas...

Felizmente, enquanto o mundo já andava demasiado preocupado com o que poderia estar a acontecer, eu andava ocupado a arrumar coisas e a pensar que se tratara de uma avaria local, mesmo que durasse mais que os cinco minutos normais. Sabia que estávamos mal habituados. Nos últimos anos  raramente faltava a "luz", e quando ela desaparecia, voltava quase sem nos dar tempo para acender uma velinha.

Passava das treze horas quando me sentei no nosso espaço reservado do "Olivença" e o Carlos me contou que havia numa série de países europeus sem electricidade. Percebi que já existiam primeiro várias "teorias " à solta, e não foi por acaso que o primeiro nome a vir a baila foi o de Putin, um dos bandidos mais "encartados" do Planeta...

Recebi um telefonema que me dava conta das "faltas de comparência" dos meus companheiros de tertúlia gastronómica. Se há coisa que detesto é tomar uma refeição sozinho num restaurante, mas não me podia ir embora, até pela amizade com o Carlos. 

E lá almocei o "bacalhau com grão", quase a seco, sem a falta das palavras e dos sorrisos do Chico, do Carlos III e do Tomás...

Já em casa, fui sentindo o vazio de estar a "viver" sem televisão e internet. E claro, há muito tempo que não subia tantas vezes as escadas até ao quarto andar. 

Precisava de um rádio e de pilhas para voltar a estar no mundo". Encontrei-os...

Por ter tudo "eléctrico" em casa, até o fogão, fui a mercearia comprar carvão. Falavam no mínimo de seis horas para repor a normalidade, pelo que os grelhados eram a única ementa possível para o jantar. Foi na loja local que descobri um país em alvoroço, com as pessoas a quererem esgotar a água existente assim como as conservas (estava gente à minha frente com mais de uma dúzia de latas de atum e outras tantas de feijão...). Como só precisava do carvão, consegui pagar e ir embora, "furando a fila", mas fiquei ligeiramente alarmado com a já normal prevalência do "eu" e do "salve-se quem puder", com a ânsia daquela gente em levar para casa coisas a mais, à espera da "guerra", sem pararem para pensar que o mundo tem mais pessoas...

O rádio não ia dizendo muitas coisas, mas pelo menos serviu para desmontar uma série de "teorias da conspiração", colocadas a circular pelos mentirosos do costume...

Ao jantar conversámos bastante (há sempre coisa boas nestas "aventuras"...), na nossa varanda, bem iluminada graças às engenhocas do meu filho. Ao ponto de parecermos a única casa com gerador na nossa rua (uma bela mentira)...

Graças à vista larga do nosso "miradouro" pelo Mar da Palha, fomos assistindo ao regresso da energia pelas terras que nos rodeavam. O coração de Lisboa foi o primeiro a acordar, depois foi a Ponte Vasco da Gama, o Montijo, Palmela (mais longinqua...), Seixal e quase às vinte e três horas e meia, foi a vez de Almada regressar à "normalidade"...

Ao fim de um dia estranho, a única coisa em que pensei, foi na nossa pequenez, no quanto somos vulneráveis. Não queria voltar a pensar no que pode acontecer com um simples abanar de asas de uma borboleta em qualquer lugar afastado, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, agosto 21, 2024

O problema do nosso País não é o de não se querer trabalhar, mas sim o de existir trabalho a mais...


Já escrevi sobre isso mais que uma vez.

Talvez  a clareza não fosse a desejada...

No nosso país não existe mão de obra disponível para as necessidades da hotelaria, da restauração e da agricultura (mesmo que esta seja sazonal e deixe bastante gente sem fazer nada durante uns meses...). 

Utilizem os "fascistas" o discurso que quiserem (eu sei que é só conversa...), para ganharem os votos das pessoas pequeninas, que não só têm medo de "quem vem de fora", como os culpam de "todos os males do país".

Os capitalistas que alimentam os partidos de direita, são os primeiros a preferirem a "gente de fora" para as suas empresas, porque são sinónimo de mais exploração e mais lucro.

Quem enche a boca com a frase de que "os portugueses não querem trabalhar", devia olhar com olhos de ver para a realidade do nosso País, com uma população cada vez mais envelhecida. Pior que isso, é a relação cada vez mais desigual entre empregador e empregado, empurrando os nossos jovens mais qualificados para fora de Portugal, onde encontram trabalho mais bem pago e com melhores condições, e não a precaridade e a exploração, que são a marca deste país, cada vez mais miserável, que tem tudo para acabar mal, como de costume...

Só não vê quem não quer, que o problema actual do nosso país não é o de não se querer trabalhar, mais sim, o de existir trabalho a mais (em todos os sectores, da saúde à educação, passando pelos serviços...).

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)


domingo, dezembro 17, 2023

Um Natal mais estranho que todos os outros...


Não me lembro de sentir o Natal tão estranho como neste nosso tempo.

Os miúdos cresceram e já não ligam muito a estas coisas...

Mas sei que não é isso. 

Cada vez suporto menos este mundo que nos rodeia, que é para tudo, menos para natais.

Incomoda-me cada vez mais a normalização do egoísmo, da mentira e do roubo da vida...

Deve ser também por isso, que não me apetece, quase nada, receber ou dar presentes. Prefiro ficar mais fora que dentro desta "febre consumista"...

Mas o que preferia mesmo, era que toda a hipocrisia deste tempo passasse depressa, mesmo percebendo que um dia não são dias, pelo menos para quem vive na rua, que tem a possibilidade de ter roupa lavada e comida quente, durante a época festiva. 

E até pode ser que um ou outro seja "sorteado", para passar a consoada com uma daquelas famílias ricas, que gostam de manter as tradições...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, dezembro 02, 2023

«Não. Não temos de ser cada vez mais pobres, para meia-dúzia de pessoas serem cada vez mais ricas.»


Enquanto escrevia o texto que publiquei ontem no blogue, a RTP1 estava a transmitir uma reportagem sobre a rede de supermercados "Mercadona", denunciando o assédio laboral, e ainda questões  mais preocupantes (que se metem com a nossa liberdade individual, como a proibição das chefias - mesmo intermédias - de terem relações de amizade com subordinados, ao ponto de ter "montado" um sistema de vigilância pós-laboral). 

Nem de propósito...

É triste ver que este nosso Portugal continua a ser para cada vez para menos gente (os turistas estão obviamente fora desta equação). Dos jovens já escrevi o suficiente ontem. Em relação às pessoas com mais idade, as coisas ainda se tornam mais graves. Graças ao egoísmo e à falta de humanidade, quando começam a necessitar de mais atenção são "depositadas" em lares. Através de reportagens televisivas temo-nos apercebido do dia a dia de muitos lares, que não passam de  "asilos", onde se tenta roubar às pessoas a pouca dignidade que lhes resta...

Mas quem está na chamada "idade produtiva (e contributiva)", também enfrenta cada vez mais dificuldades no seu dia a dia. Tem de lutar contra o aumento diário dos bens essenciais de consumo, a que se somam o das rendas ou empréstimos  das casas e também o dos combustíveis. Curiosamente, ou não, todos sabemos que enquanto pagamos estes aumentos, os bancos, as gasolineiras e as grandes empresas de distribuição alimentar têm lucros diários de milhões.

Pode ser populista, mas trata-se de um "roubo" diário, com a complacência de quem governa (que também lucra milhões...).

É por todas estas razões que sou contra o "liberalismo", tão defendido pelos nossos governantes, especialmente de direita. Só cria, dia após dia, mais diferenças sociais, os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e em maior número...

E é por isso que digo: «Não. Não temos de ser cada vez mais pobres, para meia-dúzia de pessoas serem cada vez mais ricas.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, setembro 08, 2023

Bater de frente com a realidade e ficar a "chover no molhado"...


Noto que as pessoas "normais" cada vez gostam menos de falar de política e de futebol. Isso acontece porque não lhes apetece nada pensar em coisas tristes, muitos menos conversar sobre coisas que só lhes dão aborrecimentos.

No fundo sabem, que por muito que falem e votem, os problemas vão manter-se, porque as pessoas que fazem parte dos principais partidos sempre se preocuparam mais com os seus interesses particulares que com o que é realmente importante para todos nós.

O curioso é ainda haver gente que fica surpreendida por cada vez votarem menos pessoas.

Quem não se parece preocupar minimamente com isso são os políticos. Desde que se mantenham no poder, fingem que está tudo bem.

Com o futebol acontece a mesma coisa. Os seus dirigentes não se preocupam se as suas atitudes pouco desportivas estão a destruir a "indústria" que os ajuda a nadarem em milhões, se cada vez vai menos gente aos estádios, ou se os canais desportivos pagos têm menos assinantes. Mas gostam muito de falar de "verdade desportiva". Apenas isso. Falar...

Lá estou eu a "chover no molhado", mas entristece-me viver num país assim, onde se finge diariamente que tudo está bem e vão-se empurrando os problemas para o buraco (que parece não ter fundo...) que se esconde debaixo do tapete...

Se Santa Marta nos valesse, apanhávamos todos este autocarro...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, agosto 05, 2023

A natureza tudo vence, até o nosso egoísmo...


Fala-se muitas vezes dos jovens, quase sempre de forma injusta.

Devíamos pensar sim, no mundo que lhes estamos a deixar, até onde fomos capazes de levar o nosso egoísmo, onde se torna demasiado óbvio que as nossas preocupações sobre o bem estar  e o futuro de todos, continuam a não se distanciar mais de um passo do presente e do nosso olhar. 

Claro que generalizo. Mas é a única forma de falar sobre o amanhã. A maior parte das pessoas se puderem estar em casa com o ar condicionado ligado, para esquecerem os 40 graus que estão lá fora, não têm qualquer problema existencial em carregar no botão. E ainda menos em tomar dois duches diários, mesmo que nas áfricas crianças, adultos e idosos, não tenham água potável para beber...

O resultado desde "viver atrás do espelho", apenas para nos pentearmos e tornar o nosso rosto mas agradável, é visível diariamente. Se numa ponta do Planeta chove a rodos, provocando cheias, no outro há incêndios que destroem parques naturais agradáveis e grandes zonas florestais que contribuíam para o equilíbrio ambiental...

Apesar dos cientistas colocarem muitas vezes em cima da mesa o ano 2050 como limite (não sei porquê...), à velocidade com que tudo se transforma e a temperatura sobe, é melhor alterarem as contas, porque serão cada vez menos, os que lá irão chegar. E em situações de vida bastante complicadas, a todos os níveis.

Muitos de nós, com mais de cinquenta anos, em vez de alterarmos os nossos hábitos, dizemos que já cá não estaremos, quando tudo começar a ruir. 

E está tudo dito...

(Fotografia de Luís Eme - Fratel)