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domingo, julho 12, 2026

O comboio continua a ser o melhor transporte do mundo...


Quem como eu percorreu parte do fim da adolescência e começo da idade adulta a viajar de comboio, mesmo com os atrasos tradicionais, sabe que ele é o melhor transporte do mundo, especialmente ao nível da segurança.

É por isso que nunca perdoarei aos políticos que andaram durante décadas a tentar destruir (destruindo muitas linhas e fechando muitas estações de Norte a Sul), em nome de um progresso e de um "mundo novo" que nunca chegou a esses lugares...

Mas nem é sobre isso que pretendo escrever.

Quero escrever sim, sobre a tal sensação de segurança que é transmitida pelo comboio, ao ponto de se mostrar capaz de "levar toda a gente", mesmo que viaje superlotado (tanto posso olhar para as imagens da Índia como as da Linha de Sintra) e de uma forma completamente desconfortável.

Mesmo com estes exageros, não há o perigo de "ir ao fundo" como as embarcações navais, ou vir parar cá abaixo como os aviões (por muito que nos digam que este sim, é que é "o melhor e o transporte mais seguro do mundo").

Até agora tem resistido a todas as "avarias", "boicotes", "desinvestimentos" ou "incumprimento de horários"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, junho 03, 2026

Um dia menos igual que os outros...


É possível que fora de Lisboa e Porto, a greve geral não se tenha sentido, pelo menos de uma forma que alterasse o dia a dia das pessoas.

Focando-me apenas na Capital, com os dois transportes que mais utilizo (cacilheiro e metropolitano...), completamente parados, o melhor mesmo foi deixar a  "cidade grande" entregue às moscas e aos turistas (para quem pode, claro...).

Imagino que os "serviçais" - que moram na Margem Sul - desta gente que chega de fora e desembarcam das barcas gigantes e dos aviões, não tivessem desculpa para não aparecerem. Só devem ter desistido de ir e vir a nado porque o Tejo é mesmo parecido com um mar...

A educação e a saúde também causam sempre constrangimentos, embora estes, como de costume,  sejam desvalorizados pelos governantes, clientes e defensores da oferta privada, cada vez mais vasta de Norte a Sul...

Não deixa de ser curioso, que as atenções televisivas se tenham focado sobretudo nos "piquetes de greve" (cada vez menos influentes...) e nos "malucos" (de ambos os sexos...), cujo masoquismo, faz com que escolham estes dias para experimentarem a qualidade dos cacetetes dos polícias...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, março 10, 2026

Coisas curiosas do "melhor transporte do mundo"...


O comboio já não faz "pouca-terra", "pouca-terra". As janelas das carruagens também já não abrem, muito menos deixam os cabelos a esvoaçar ao vento...

Mesmo assim, continua a ser o melhor transporte do mundo.

No seu interior, as pessoas quase que não falam umas com as outras, preferem comunicar com os seus "rectângulos mágicos", que lhes oferecem notícias, mesmo sem pedirem.

Foi por isso que estranhei as duas miúdas que estavam mesmo à minha frente, que falavam pelos cotovelos e sorriam como se estivessem em casa.

Quando se levantaram para sair, pensei que podia ter dito uma daquelas coisas que nunca se devem dizer: «As coisas que fiquei a saber sobre ti, miúda! Até me contaste que não gostas de azeitonas.»

Falando mais a sério, foi por serem tão raras estas animações humanas, que ofereci estas palavras às duas meninas que têm um mundo à sua frente. Provavelmente muito mais complicado que este em que temos vivido...

(Fotografia se Luís Eme - Lisboa)


sábado, março 07, 2026

A quase "arte" de mostrar e esconder as nossas fragilidades...


Este tempo em que se vive entre o oito e o oitenta como se estas oscilações fossem o normal, faz com que por vezes se pare e se tenham conversas mais intimas e com menos leveza. Estranhamos sempre que se contem coisas que devem passar a vida escondidas em qualquer parte do nosso cérebro, a parte do corpo onde cabe quase tudo das nossas vidas.

Depois entrei no metro, cheio de gente (devem andar a espaçar os horários, para que as pessoas fiquem mais "unidas"...) e fiquei por ali a pensar, até porque entretanto passou um ceguinho com garrafa de plástico numa das mãos, cortada ao meio, a pedir moedas ou notas.

Para conseguir sobreviver neste mundo, tinha de andar nos transportes e nas ruas a expor a sua fragilidade maior, em busca de almas sensíveis, que lhe enchessem a bolsa que trazia a tiracolo de moedas...

A ideia que se colou a mim, foi a aparente dualidade que surge em quase tudo, quando queremos simplificar demasiado as coisas: branco, preto, verdade, mentira, gordo, magro, alto, baixo, triste, alegre, e poderia continuar, quase numa lengalenga, sem aprofundar qualquer questão.

Muitas vezes escondemos as nossas fragilidades, porque queremos mostrar que somos pessoas iguais às outras, preparadas para andar por aí, nas "batalhas urbanas". Ou seja, somos o contrário dos "coitadinhos", que se alimentam das suas aparentes dificuldades (muitas vezes postiças, a televisão hoje vive muito disso...). 

Claro que não estou a meter neste plano o ceguinho, que para comer uma sopa, tem de andar de mão esticada, porque sei que as coisas nunca são assim tão simples, com apenas dois lados, como as moedas...

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)


quarta-feira, janeiro 14, 2026

Parece que estou num país diferente...


Quem é mais assíduo no meu "Largo", sabe que o meu transporte preferido para vir de Almada a Lisboa e depois voltar, é o cacilheiro.

A principal razão é o Tejo, mas não é a única.

Hoje, por estar com pressa, acabei por apanhar o metro e depois o comboio. Cheguei mais rápido mas a viagem é muito diferente. Tudo começa e acaba nas pessoas. Quem como eu gosta de "olhar", sente que tudo se torna mais cinzento, mais pesado à nossa volta...

Mas basta pensar um pouco, para perceber o porquê desta mudança. Mudança que por vezes até me faz sentir que estou num país diferente...

O comboio é um transporte de trabalhadores, de gente que já sai de casa angustiada, só de pensar no que a espera nas próximas oito horas... O cacilheiro é uma "zona mista", composta maioritariamente por turistas de todos os mundos. Além de sorrirem mais, também passam o tempo a olhar para as janelas e a deliciarem-se com o Rio.

Esta energia acaba por chegar aos restantes viajantes, que até são capazes de sorrir. 

É como se se deixassem aprisionar pela leveza do sorriso dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, dezembro 09, 2025

Não foi apenas o mau tempo no canal...


Não é a primeira vez que os funcionários da maior parte dos transportes públicos (comboio, cacilheiro e metro de superfície...) decidem fazer pequenos ensaios da greve geral (que apoio...), dois dias antes, com a supressão de horários e paragens em alguns estações, apenas porque sim. Ou então, estão com vontade de empatar (e chatear) as pessoas, obrigando-as a chegar fora de horas aos seus trabalhos.

Por não querer descer ao mesmo nível deles, digo apenas que se trata de uma grande falta de respeito por todos nós.

Até por que sei que isto não aconteceu por estar mau tempo no canal.

Talvez eles gostem de ter a maior parte das pessoas contra eles, mesmo as que também estão a pensar fazer greve no dia onze...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, outubro 21, 2025

As palavras ditas e as palavras escritas...


As palavras saem quase sempre com mais normalidade e espontaneidade da nossa boca que quando são escritas. Quando escrevemos, pensamos nas palavras que usamos e também há uma quase "encenação" no texto, para lhe darmos mais sentido, e até beleza.

Pensei nisto a ouvir uma mulher a falar da sua vidinha, no interior do cacilheiro. Queixava-se de que a sua vida era uma porcaria (com outra palavra...). E só não era pior, porque contava, aqui e ali, com a ajuda de Deus. 

Houve duas coisas que me chamaram a atenção, o uso da tal palavra, que quase que deixou de ser palavrão e a sua fé.

Hoje vou falar apenas do uso das palavras. a Fé fica para amanhã... Aliás, palavra.

Como não tinha mais nada em que pensar, convenci-me que na actualidade o uso da palavra "porcaria", começada por um eme, era mais usada nas nossas conversas que nos nossos textos. 

O tempo foi lhe dando espaço e normalidade, ao mesmo tempo que lhe retirava a ordinarice e maldade.

Provavelmente, isso sempre aconteceu, com uma ou outra palavra, ao longo dos tempos. Só que nem sempre pensamos nisso...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


domingo, outubro 19, 2025

«Eles continuam burros, mas não sabem...»


O mundo avançava levando-nos de viagem numa das carruagens do metro. Éramos os únicos que conversávamos. O resto da malta, novos, velhos e assim assim, estava presa ao quadrado que as ligava a um outro mundo, distante do nosso. A única excepção que confirmava a regra era uma senhora de idade, de ar triste, que olhava para o seu reflexo no vidro. Devia fazer contas à vida, cada vez mais difícil, especialmente para quem sonhava ter um final de vida diferente...

O Carlos começou a falar das pessoas que nunca leram um livro na vida ou uma reportagem a sério de jornal. Sempre deram preferências aos cabeçalhos e às notícias de mexericos ou crimes. A maior parte nem estranhou passar das páginas do Correio da Manhã para as notícias oferecidas pelos manipuladores do mundo virtual.

Eu sabia que ele estava certo, mesmo que raramente usasse "travões" e adorasse ser politicamente incorrecto, Mas estávamos no metro e não no nosso café... Foi por isso que as pessoas que estavam ao nosso lado, mostraram algum desconforto pelas suas palavras, embora continuassem presas aos smartphones.

Saímos na nossa estação e enquanto caminhávamos ele resolveu acabar com o assunto da melhor maneira, com uma frase que era toda ela um poema: «Eles continuam burros, mas não sabem...»

Era uma daquelas frases que também podia ser dita pelos nossos queridos José Gomes Ferreira ou Alexandre O'Neill, para caracterizar o "bom povo português"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 11, 2025

As greves pouco inteligentes da CP


Mesmo sendo de esquerda, no historial dos movimentos grevistas portuguesas, sempre me fez confusão a forma como eram (e são...) organizadas as paralizações, por parte dos sindicatos ferroviários.

São sempre greves que prejudicam praticamente só os utentes deste transporte, e deve ser por isso que muitas das reivindicações não são atendidas pelas administrações (desta vez até foram aproveitadas pelos "populistas" da AD, para lhes apontarem o dedo e prometer "mudanças"...).

Praticamente desde Abril, que não se vê uma única medida defendida pelos sindicatos que procure corresponder aos anseios das populações, melhorando a sua oferta, ao ponto dos sindicalistas se preocuparem cada vez menos em cumprir os serviços mínimos (como se viu nos últimos dias).

É por isso que se perguntarmos a alguém que utilize diariamente as linhas de Sintra, Azambuja ou de Cascais, se concorda com estas greves, recebemos quase sempre um não bem redondo e coisas bem piores que "eles não querem trabalhar e não respeitam quem trabalha".

Apesar das críticas que se ouvem aqui e ali ao Pedro Nuno, o único sinal de esperança que se sentiu, naquele que continuo a considerar "o melhor transporte do mundo", foi quando ele teve a tutela da ferrovia como ministro...

No regresso do Norte da "aventura de quatro dias" por Trás-os-Montes e o Minho, os meus companheiros deixaram-me em Santarém, para apanhar o regional para o Oriente. O comboio vinha lotado e cheio de jovens, com ar de estudantes universitários. Ou seja, apesar deste transporte continuar a ser tão maltratado (o "inter-cidades" que devia ter passado meia-hora antes do regional em Santarém, só nos passou quase a meio da viagem, obrigando-nos à ficar à sua espera em Setil...), continua a ter clientes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, setembro 15, 2024

A ausência dos livros nas conversas de café e nas viagens de transporte diárias...


Reparo que falo cada vez menos sobre livros, nos cafés. Há várias razões para que isso aconteça. A maior de todas, é o facto de se lerem menos livros neste mundo, tão cheio e vazio, que nos rodeia.

Embora não duvide dos resultados das feiras do livro (falam em recordes de vendas...), sei que nunca devem ter existido tantos livros à espera de serem lidos, nas nossas casas. Falo por mim. Embora seja leitor, tenho sempre mais de meia dúzia de livros, em cima uns dos outros, à espera de um oportunidade. Pelo caminho, oferecem-me mais um livro ou outro, capazes de fazerem ultrapassagens pela direita e pela esquerda (foi o que agora aconteceu com "Um Milionário em Lisboa" do sempre discutível, Rodrigues dos Santos).

Ainda por cima hoje existe o hábito de escrever livros com mais de quinhentas páginas (o que refiro, ultrapassa as seiscentas...), que se tornam um verdadeiro incomodo para levar na mala e ler nos transportes públicos (é onde noto mais a ausência de leitores, de livros e de jornais...).

Sei que me estou a repetir (escrever todos os dias num blogue também é isso...), mas os problemas são os mesmos de sempre em relação aos livros. E a tendência é sempre para piorar...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, junho 20, 2024

Os cheiros e outras coisas parvas que fazem parte das conversas


Há dias que falamos sobre coisas parvas. Sei que isso acontece porque este mundo que nos rodeia, também está cada vez mais parvo...

Não vou ao exagero de dizer que está tudo mal nessa coisa que dizem ser a mais inteligente que habita neste planeta quase redondo. Mas o normal é encontrarmos mais caras sisudas que caras sorridentes nas ruas e nos transportes públicos.

Não sei quem foi que começou a falar de "cheiros", mas acho que foi a senhora que disse que teve de fingir que estava com alergia logo de manhã e tapar o nariz, e logo às oito e alguns minutos da manhã, porque um dos companheiros de viagem não devia gastar dinheiro em desodorizantes e também devia evitar tomar banho para poupar água...

Claro que depois a Capital quase que veio abaixo, porque Lisboa há muito que não cheira bem. E diziam eles, que era por causa de quem vinha de fora, não de férias mas em trabalho...

Estavam certos. Se em muitas casas vivem mais de uma dezena de pessoas, deve ser complicado ter condições para dormir, quanto mais para um banhito... E nem vale a pena falar de quem vive em tendas.

Vá lá que só se falou do cheiro do sovaco, não se falou do cheiro dos lugares mais recatados, que fazem as vezes de urinol público...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, março 06, 2024

A leitora misteriosa do metro


Ontem aconteceram duas coisas curiosas, enquanto esperava o metro no Cais de Sodré.

Primeiro: olhei para o lado e vejo três pessoas a lerem três livros, enquanto as carruagens não apareciam. Nunca altura que se lê menos, foi bastante agradável esta visão.

Foi por isso que tirei uma fotografia, tentando ser o menos intrusivo possível (é a explicação para que os livros não estejam mais visíveis...).

Segundo: por um mero acaso fiquei sentado em frente da leitora (do casaco comprido). À medida que ela ia lendo ia anotando e marcando o livro. Fiquei com a sensação de que ela escrevia. E tanto podia ser prosa como poesia.

Mais uma vez não quis ser intrusivo e não meti conversa. Não fiz a pergunta certa.

Acho que foi melhor assim. Posso inventar a história que quiser sobre esta leitora misteriosa.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, dezembro 06, 2023

Um exemplo de transparência e outro da falta dela...


Ontem a Comissão Técnica Independente apresentou aquela, que achou ser, a melhor localização para o futuro aeroporto. À partida pareceu ser uma escolha honesta e consensual, para a maior parte dos políticos, opinadores e técnicos (praticamente não existiram críticas...). Claro que não se estava à espera que as gentes de Santarém ficassem satisfeitas por a escolha ser Alcochete...

Desta vez parece que a Comissão Técnica foi mesmo independente e esclareceu todas as dúvidas (se é que elas existiam...) a quem assistiu ao vivo a esta apresentação. Posso mesmo acrescentar, que se tratou de um exemplo raro de transparência, no nosso País.

Num campo completamente oposto está o caso das "meninas gémeas". Não vou falar da questão médica nem do "milagre da nacionalidade" em 14 dias. Vou falar sim de toda a trapalhada que foi criada à sua volta. Da gente com grandes responsabilidades políticas, que em vez de falar verdade, resolveu dar a desculpa do costume: "já foi há quatro anos, não me lembro sequer de ouvir falar disso". Foi o que fizeram tanto o Presidente da República como a antiga Ministra da Saúde, acabando por ter de dar o dito pelo não dito (houve um momento em que Marcelo até ameaçou os jornalistas com os tribunais...), porque é impossível esquecer um caso destes, que envolve uma doença rara e um medicamento com o custo de quatro milhões...

Como escrevi no título, são dois bons exemplos da transparência, que devia existir em todos os investimentos públicos, e da falta dela, quando as pessoas pensam que estão "acima da lei", ou que os cargos que exercem lhes permitem passar pelos "intervalos da chuva"...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


segunda-feira, outubro 23, 2023

A ciência de se saber sair e de se saber entrar...


O Metro já circula em Almada há demasiados anos, tempo mais que suficiente para que as pessoas percebessem que, só depois de toda a gente sair das carruagens, é que se deve entrar.

Mas continua a ser sempre a mesma "cegada", com choques perfeitamente evitáveis e algumas "bocas" desnecessárias de parte a parte.

Talvez estes utentes precisassem de ser "educados" como as pessoas que em Lisboa apanham o Metro, diariamente, e que nunca se colocam em frente da porta, ocupam sim, os espaços laterais. 

Provavelmente sabem o que é ser-se levado numa "enxurrada de pessoas", que é o que acontece nas saídas das carruagens nas estações mais movimentadas, em hora de ponta (sim, em hora de ponta é impossível alguém entrar antes das pessoas sairem...).

Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, setembro 29, 2023

Chove (muito) em Nova Iorque e faz Sol (muito) em Lisboa...



Não sei se toda a água que está a cair e a inundar Nova Iorque, contribuirá para que os Estados Unidos da América, percebam que o caminho não é o "continuar a poluir", como se as alterações climáticas fossem apenas uma coisa de "maluquinhos"...

Tal como não sei se todo este Sol, de tudo menos de Outono, que pinta Lisboa com cores suaves, faz com que se volte a retirar os carros da Baixa, por muito que o "mayor" da Capital goste de andar de "cu tremido"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 12, 2023

As Filas Intermináveis Aqui e Ali...


Ontem falei do turismo e da possibilidade de existir um "prazo de validade", nesta avalanche, que continua a ser bem recebida por quem enche os bolsos e olhada de lado, por quem viu piorar a sua qualidade de vida.

Já li em mais que uma reportagem, que um dos aspectos que mais chateia os nossos visitantes são as filas intermináveis para visitar alguns dos nossos monumentos mais característicos, ou ainda, para dar uma volta por Lisboa de eléctrico (faz-me sempre confusão ver o monte de gente que aguarda a chegada do "amarelo" na praça do Martim Moniz)...

E vai continuar a chatear, porque não vejo ninguém a preocupar-se muito com este pormenor, que para gente oriunda de países mais organizados que nós, é um "pormaior"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 06, 2023

Quase todas as Palavras começaram por Dê...


O que se passa no Governo da Nação não deixa ninguém indiferente. Mesmo que em tempos possa ter sido uma "criação" das oposições, hoje é muito mais que isso. A mentira de perna curta e a incompetência não são invenções, são uma realidade com que somos confrontados diariamente.

Acredito que não seja a causa principal para que as ruas de Almada estejam cada vez mais imundas, para que as pessoas encham o espaço rente aos contentores de inutilidades ou de restos de casas (talvez aconteçam mais despejos do que se pensa...). Mas anda por lá perto...

Onde se nota "o seu dedo", é no mau serviço prestado por quase todos os meios de transporte que temos de utilizar na Grande Lisboa (cacilheiros, autocarros, comboios ou metro...).

Mas onde encontramos as suas "duas mãos" é nas manifestações de protesto, cada vez mais generalizadas. Quando os governantes fingem que resolvem os problemas, mas não resolvem nada, não se pode esperar outra coisa...

É praticamente impossível sentarmo-nos numa esplanada a beber o café e passarmos ao lado de todo este "western" político. Se as "balas" com que eles "brincam" não fossem de pólvora seca, seriam muito poucos os ministros e secretários de estado, que ainda tinham pés...

Falámos algumas vezes de "desgoverno", outras de "desleixo", menos de "desprezo", quase nunca de "democracia". Mas a palavra que mais vezes ecoou na mesa, foi "desrespeito"... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, outubro 30, 2022

O Realismo, o Tempo e os Preconceitos Ideológicos...


Quando ele disse: «Não me importava muito se os bilhetes  de avião fossem mais caros, se eles começassem a voar a horas», despertou uma série de preconceitos ideológicos, de quem está habituado a viver em "crises" quase permanentes, construídas muitas vezes de forma artificial.

Foi um simples desabafo de quem passa horas e horas em aeroportos e chega atrasado a todo o lado, até a casa... de quem sabe que o "tempo" é mesmo "dinheiro"...

Trouxeram o "terceiro mundo" para a mesa, porque é lá que todos os problemas se resolvem com dinheiro, juntamente com a "santa corrupção" dentro de envelopes.

Santa ingenuidade, pensei eu, sem vontade de me meter na conversa, mas sabedor que também é assim que se resolvem as coisas no "primeiro mundo" (a única diferença é que as malas substituem os envelopes e também não deixam rasto)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 07, 2022

"Reservados", "Inícios de Serviço" e "Plenários"...


Cada vez sinto menos respeito pelos funcionários das empresas de transportes, que escolhem, quase sempre, formas de luta que só têm como único objectivo: prejudicar os utentes.

Ontem precisei de me deslocar ao Laranjeiro e como tenho o passe decidi ir de transportes e não de carro. Só não estava à espera era que uma viagem que de carro fazia em menos de meia-hora, demorasse mais de hora e meia...

Para lá, as coisas correram normalmente, agora o regresso, foi desesperante.

Comecei por esperar na paragem do metro, mas depois de ter visto passar cinco conjuntos de carruagens, que passaram sem parar, que ostentavam no nome do destino "Início de Serviço", percebi que o "surrealismo" andava por ali. E entretanto passou mais de meia-hora, com a estação a ficar cada vez com mais gente... Farto destas "brincadeiras" desloquei-me para a paragem dos autocarros, ali ao lado. E aqui comecei a ser brindado com o "Reservado" como destino (três autocarros "reservados" - sabe-se lá por quem - e dois que iam para Lisboa...).

É uma vergonha a forma desrespeitosa que estas transportadoras tratam os passageiros, suprimindo horários, apenas porque sim. 

A somar a estes "reservados" e "inícios de serviço", só faltava mesmo precisar de ir a Lisboa e levar com um dos famosos "plenários", quase semanais, da Transtejo...

É por estas e por outras, que só pode ser uma brincadeira (mais uma...), a "legalenga" dos governantes, sempre expeditos a convidar as pessoas a deixarem os carros em casa e andarem de transportes públicos.

Era bom que experimentassem esta "trilogia"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 08, 2022

Aconteceu o que se Previa (espero que os governantes tenham percebido e voltem a colocar autocarros de onde foram retirados)


Já toda a gente esperava que a Carris Metropolitana não viesse melhorar nem resolver coisíssima nenhuma, aqui na Margem Sul, a nível de transportes (é cada vez mais difícil acreditar neste Governo).

Na primeira semana a única coisa que se nota é a supressão de autocarros (várias linhas desapareceram e onde fazem mais falta, nas zonas suburbanas...) e os que circulam como "passam por todo o lado", fazem com um volta de trinta minutos passe a demorar o dobro...

Isto faz lembrar os tempos da "troika" onde a existência de escolas, de hospitais de tribunais e de transportes,  começaram a funcionar consoante o número de utentes existentes e não segundo as necessidades locais...

Em relação à Carris Metropolitana não estou a falar "de cor". Na terça-feira como não tinha carro (o meu filho precisou dele...) e tinha de ir à Vale Figueira (Sobreda) resolvi ir à aventura. Descobri que o autocarro que passava pelo local para onde ia, tinha mudado a rota e agora ia para a Charneca de Caparica e já não passava ali. Para não apanhar dissabores maiores fui de metro até Corroios e a partir daqui dei "corda aos sapatos" (o que vale é que gosto de andar...). Ou seja fiz duas caminhadas de 45 minutos (ida e volta) e durante este espaço de tempo só passou por mim um autocarro, quando já estava quase em Corroios, e ia na direcção de Paio Pires...

Sei que os moradores têm protestado, e com razão. E para variar, lá apareceu a presidente do Município de Almada, a colocar "paninhos quentes" no problema, não deixando de abreviar a questão com uma frase  que mais parece um slogan eleitoral (só que não há eleições próximas): "Contamos com todos para melhorar os transportes públicos rodoviários em Almada".

Gostava que este PS "fosse mais trabalho e menos propaganda". Que as coisas bonitas que registam em papel e espalham pela comunicação social se tornassem práticas quotidianas e deixassem de ser promessas... 

Era bom para o país e para todos nós.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)