segunda-feira, outubro 14, 2019

uma bela memória dos dias de sal...


Tinha pensado escrever algo sobre o "rastilho" que se acendeu hoje na Catalunha... Mas ao chegar a casa tinha um recado, um vizinho tinha recebido uma encomenda para mim.

Era um livro. Belíssimo. Com mais preto que branco, todo ele poesia, das imagens às palavras...

Sim,  este é o meu primeiro olhar, só de folhear, embebecido, as suas páginas.

O marcador estava preso no poema, que quis ficar na fotografia, também ela com as cores que tanto gostas... e que melhor ilustram "a permanência da memória dos dias de sal".

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, outubro 13, 2019

O Espaço Público (cada vez mais aberto)


Li no mês passado uma frase sobre a fotografia nos nossos dias, com a qual concordei.

Sérgio C. Andrade escreveu no Público que: «Com a popularidade (e problematização estética) da fotografia anónima há cada vez menos uma sensação de voyeurismo no acto de "entrar" no quotidiano alheio sem ser convidado.»

Pois é, por muito que procuremos defender a nossa imagem no espaço público, isso começa a ser uma coisa praticamente impossível, tantas são as máquinas e os telemóveis (muito mais que as máquinas...) a quererem fixar o espaço por onde circulamos... 

A coisa mais fácil que temos de fazer é virar a cara para o lado, parar (até para não "estragarmos a fotografia"), quando percebemos que estão a querer retratar algo próximo de nós.

Por mais "legalistas" que queiramos ser, o direito à privacidade no espaço público é algo que se pode dar como perdido, principalmente nas grandes cidades...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, outubro 12, 2019

A Paternidade do Acordo Ortográfico


Hoje o "Expresso" dá voz aos pais do acordo ortográfico, com Malaca Casteleiro, sua eminência parda, a dizer algo como:

«Não se pode voltar atrás, iríamos atraiçoar as novas gerações. Não é possível nem honesto nem justo», quando foi questionado sobre a possibilidade de uma eventual revogação do documento.

Eu diria, que a sua implementação escolar (as "criancinhas" das escolas continuam a ser o argumento mais utilizado na sua defesa, não a sua qualidade...) é que não foi honesta, nem justa. Embora tenha sido estrategicamente bem delineada...

Tudo isto é demasiado sério para se cair na tentação de recorrer ao humor de Ricardo Araújo Pereira, mas quando os "pais do acordo" se chamam Malaca Casteleiro e Evanildo Bechara, é difícil fugir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, outubro 11, 2019

Um Outro Olhar (cru)...


O que mais sobressai da minha margem, vista de Lisboa, são os montes, mais castanhos que verdes. Montes que escondem a cidade... 

Cacilhas é a única coisa visível... o Ginjal são ruínas, também elas descoloridas. Junto ao elevador há um "rasgo" na montanha, que permite ver o casario lá no alto...

O Cristo-Rei é o único "arranha-céus" que se aproxima do céu...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, outubro 10, 2019

«Ler? Não! Só passeio os livros.»


Sempre que me cruzava com aquele homem bem vestido e perfumado (como quase todos os homens que gostam de outros homens...), interrogava-me se ele lia mesmo todos os livros que trazia numa das mãos, encostado ao peito.

Interrogava-me, embora soubesse a resposta. Não acreditava que alguém andasse todos os dias a passear um livro, sem o ler... E que não amasse os livros.

E também sabia que se alguma vez lhe fizesse essa pergunta ele me responderia: «Ler? Não! Só passeio os livros.»

Porque há perguntas parvas que só merecem ter respostas parvas...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quarta-feira, outubro 09, 2019

Estão Mesmo a "Roubar-nos" Lisboa...


Ontem estive a beber café com uma amiga, que mora num dos bairros históricos da Capital (que nem sequer fica nas imediações da Baixa...), e que se queixou de tudo, inclusive da "invasão silenciosa", que se vai fazendo, com alguns investidores a comprarem tudo o que pode ser comprado (no bairro dela os franceses são os reis do investimento...).

Já lhe fizeram uma proposta milionária para comprarem a sua casa. O problema é que ela não só gosta da sua casa, como do bairro onde vive há décadas. Embora cada vez tenha mais dificuldade em apanhar autocarros ou eléctricos, vai resistindo...

Mas muitos não resistem, principalmente ao poder do dinheiro. Houve quem comprasse o seu apartamento ao senhorio por 20.000 euros e agora surgem-lhe as imobiliárias a acenar-lhe com meio milhão... E quem já está quase na idade da reforma, vende mesmo. Aluga uma casa nos subúrbios e sonha voltar, um dia destes, às suas origens, porque Lisboa deixou de ser para lisboetas, está transformar-se num "pesadelo diário" para quem lá vive e trabalha...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, outubro 08, 2019

Esta Coisa de "Roubar Rostos" nas Ruas...


A minha sorte é que a maior parte dos "rostos que roubo" são de países distantes, tanto no Ginjal (foto) como na Capital.

Mas durante muito tempo não tirava fotografias a pessoas. Chegava a estar minutos à espera que as pessoas resolvessem dar "corda aos sapatos" para me deixarem a paisagem limpa de humanos.

Depois percebi que esse era um negócio quase impossível e que os humanos faziam parte das geografias das cidades. Comecei a dar preferência às pessoas de costas e de lado (pessoas que podiam ser outras, pois só eram identificáveis pelas roupas...). De vez em quando as pessoas viravam-se e ficavam com o rosto nas minhas fotografias.... Isso fez com que a partir de certa altura deixasse de me preocupar (as pessoas hoje "roubam" todas as paisagens...) muitas percebem que estão a ser fotografadas, outras nem por isso, mas nunca nenhuma me importunou. 

Até que na passada sexta-feira, no começo do Campo Grande, estava parado nos sinais e tirei uma fotografia à estátua (continuo a fotografar tudo o que são estátuas, manias...), com a paisagem humana que por ali estava. Um dos fulanos, de bicicleta, aproximou-se e começou a disparatar comigo que não podia fazer aquilo, tirara fotografias às pessoas sem lhe pedir autorização, etc. Informei-o que tinha tirado uma fotografia à estátua e que não me era possível tirar as pessoas da rua... Ele insistiu e eu acabei a conversa com um "chame as polícia", e virei-lhe costas.

Mas depois lembrei-me que lhe devia ter dito que ele era demasiado feio, para ficar nas minhas fotografias (eu sei que não devia, só ia aumentar a fúria do fulano)...

Mas não me admiro nada, que neste tempo de "falsas liberdades", a gente que deixa que lhe vigiem todos os passos (através dos telemóveis, cartões de débito, facturas, etc),  comecem a andar nas ruas com folhas de "papel selado" e a empunhar cartazes "não quero ficar na fotografia"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

domingo, outubro 06, 2019

Pequenas Surpresas Eleitorais


As primeiras sondagens das eleições legislativas têm algumas surpresas. A principal é a possibilidade de entrarem mais dois partidos (pelo menos...) para o parlamento, o Livre e a Iniciativa Liberal.

Quando se falava na possibilidade do "desaparecimento" da CDU, quem fica muito por baixo é o CDS de Assunção Cristas. Estou curioso pelo conteúdo do seu discurso (não sei se desta vez haverá alguma possibilidade de se sentir "vitoriosa"...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, outubro 04, 2019

Uma Campanha (quase) Vazia de Ideias


Não me lembro de assistir a uma campanha eleitoral tão pouco esclarecedora como a que termina hoje (amanhã é dia de reflexão...).

Todos aqueles que estavam indecisos, ou que não sabiam mesmo em quem deveriam votar, ainda devem ter ficado com mais dúvidas, depois de assistirem a uma campanha com mais "golpes baixos" (especialmente da direita, que ficou de cabeça perdida por ver as sondagens a "roubarem-lhe o chão"...) que ideias...

Felizmente não é o meu caso.

Depois queixem-se com o habitual aumento da abstenção...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, outubro 03, 2019

"Vai Tu!"


Há sempre alguém a querer mandar-nos para qualquer parte, mesmo que o faça cheio de "salamaleques"...

É também por causa desta gente que existe este bar em Lisboa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, outubro 02, 2019

Museus e História


Se pedirmos definições da palavra museu, pode ser quase uma aventura. Corremos mesmo o risco de receber respostas surpreendentes e distantes do verdadeiro conceito (que não tem de ser único nem fechado...).

João Fernandes, que passou de Serralves para Espanha, numa entrevista à revista "E", ofereceu-nos uma definição simples: «O que diferencia um centro de arte de um museu é este último ter uma colecção. Um museu relaciona-se com a história e constrói uma interpretação sobre ela, porque uma colecção é sempre um exercício de reflexão e a construção de um ponto de vista sobre a história. Construir essa colecção obriga-nos a criar relações entre as obras de arte numa perspectiva histórica.»

Concordo com ele...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

terça-feira, outubro 01, 2019

A "Troika" e a Ausência de Rissóis e Croquetes...


Uma conversa durante a inauguração de uma exposição passou pela nossa mesa de café, com "bocas" para quase todos os gostos.

Tudo porque em 2019 ainda há quem culpe a "troika" pela ausência de rissóis e croquetes nas inaugurações de algumas exposições, e claro do imprescindível moscatel de Setúbal. 

O Carlos com a sua ironia, lamentou que os organizadores se tivessem tornado forretas, que nem ofereçam um bolinho seco ou uma miniatura, acompanhados por sumos instantâneos...

A conversa mudou de rumo, quando o Jorge disse que as galerias não são pastelarias ou bares, onde as pessoas aparecem apenas para lanchar.

O Rui abanou a cabeça de forma negativa e recordou que as inaugurações são lugares onde se aparece mais para se ser visto, que para ver as obras de arte expostas. E é normal que esta parte mais social (as revistas é que se esquecem de aparecer, para as fotografias...) tenha dificuldade em passar sem os croquetes da ordem.

Como de costume não se chegou a lado nenhum, mas rimos bastante, especialmente com alguns ditos, daqueles que não cabem nos blogues...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, setembro 30, 2019

Há Coisas que Não se Explicam...


Gosto de museus.
Acho que sempre gostei.

Gosto deles com gente e sem gente.

Se não estiver ninguém (Acontece mais vezes do que gostaria. Quando visito os museus da minha cidade natal, sou quase sempre o único visitante...), sinto-me quase dono de tudo aquilo. Às vezes sento-me e fico por ali a descobrir uma ou outra novidade (nem sempre olhamos para as coisas com olhos de ver...).


É curioso, mesmo que esteja sozinho, nunca me sinto só.

Gosto de andar por ali, a várias velocidades. para olhar, sentir, parar, descobrir...

Sei que não é dia de nenhum museu, mas apeteceu-me escrever sobre estes lugares, onde me costumo sentir "da casa"...

(Fotografias de Luís Eme - Caldas da Rainha)

domingo, setembro 29, 2019

A Tradição e o Protesto Silencioso...


Durante a tarde acabei por passar pela Rua Cândido dos Reis e assisti ao protesto silencioso de alguns anarquistas e defensores de animais, ao habitual movimento festivo, que enche a rua de gente, às bancas de venda de artesanato... E à quase invisibilidade das burricadas...


Quase que diria que o anúncio de protesto resultou, pois verificaram-se várias alterações, inclusive  o percurso habitual dos passeios de burro (ficaram-se pelo Largo de Cacilhas...).

(Fotografias de Luís Eme - Cacilhas)

sábado, setembro 28, 2019

Quase Posto de Sentinela...


Se há lugar que normalmente é poiso de uma gaivota no Ginjal, é este pequeno guindaste, já desativado.

É quase o equivalente ao cais da colunas (também têm quase sempre duas gaivotas "de sentinela" ao rio)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal, a preto e branco para "rivalizar" com as gaivotas da Isabel...)

sexta-feira, setembro 27, 2019

Ser "Bom Samaritano" Tem que se lhe Diga...


Hoje tentei ser simpático para um italiano que mora no meu prédio, informando-o que tinha uma encomenda na caixa das revistas (onde imagino que nunca vai à procura de correspondência...). Ele pura e simplesmente manteve o discurso patético de que não falava português e nunca fez um esforço para me perceber, mesmo quando eu falava quase em câmara lenta...

Acabei por desistir.  E fiquei com um certeza, não lhe vou oferecer mais nenhum "rebuçado".

Esta coisa de querermos ser "bons samaritanos" tem sempre que se lhe diga...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, setembro 26, 2019

As Burricadas de Cacilhas (e a protecção dos animais...)


No dia 29 de Setembro (domingo) realizam-se as já habituais "Burricadas", uma tradição antiga transportada para os dias de hoje pelos escuteiros de Cacilhas.

Quando ainda não se sabia a data do evento, o Centro de Cultura Libertária (anarquistas), com sede na rua Cândido dos Reis, onde se realiza o habitual percurso das "Burricadas", divulgou no seu blogue que iria organizar uma "jornada de protesto" silenciosa, junto ao seu espaço:

«Junto com o VOE (Veganismo de Oposição à Exploração), iremos realizar um protesto (silencioso) contra as Burricadas que se realiza anualmente na Rua Cândido dos Reis, ainda que nos tem sido recusada a informação sobre a data, estamos já com o protesto e evento preparado. Pormenores finais em breve.»

O CCL irá colocar uma faixa com estas palavras: "Os animais não são um brinquedo" e farão uma pequena performance "O burro triste".

Claro que tudo isto contraria o uso que tradicionalmente se dá a estes animais domésticos (mesmo nos lugares onde existem associações de protecção dos Burros, é normal serem realizados passeios no seu dorso, quase sempre por crianças...). 

Mas todos os "radicalismos" fazem pensar... E neste caso particular o protesto também se realiza contra a entidade organizadora (os Escuteiros), que por serem defensores da natureza, deviam proteger todas as espécies animais...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, setembro 25, 2019

Esconder o Sorriso numa Rua do Bairro Alto...


Quando me cruzava com um senhor de meia-idade, numa das ruas do Bairro Alto (segundos depois de ter tirado esta fotografia...), fui surpreendido pela sua voz irritada e pelo seu olhar em direcção ao céu:

«Olha o cabrão do pombo! Não tinha outro sítio para cagar, senão em cima de mim!»

Antes de entrar numa tasca ainda atirou mais uma pérola:

«Toda a merda me cai em cima.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, setembro 24, 2019

A Habitual "Venda de Banha da Cobra" Eleitoral...


Hoje foi um dia bom para ouvir Assunção Cristas falar da "liberalização" dos transportes do Barreiro, abrindo as travessias à "iniciativa privada".

Infelizmente quando isso acontece, as pessoas ficam quase sempre a perder: o normal é aumentarem os preços e piorarem os serviços...

Um bom exemplo destas perdas foi a privatização dos CTT (com o objectivo de passar a banco e colocar em segundo plano o serviço de correio...), degradando os seus serviços propositadamente, colocando na "gaveta" o caderno de encargos. 

Um dos resultados desta degradação são as reclamações diárias, por causa das cartas e encomendas que não chegam ao destino...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, setembro 23, 2019

Belenenses Centenário


Embora seja benfiquista, sempre gostei do "Belém", talvez pelo Azul, pela Cruz de Cristo e também por ter uma excelente equipa de futebol. A par da Académica e do Vitória de Setúbal, o Belenenses era das poucas equipas que jogava de igual para igual com os grandes na minha meninice... E isso não se esquece.

E depois também fiz atletismo nesta "grande casa desportiva", em 1981/82...

O único reparo, é que na comemoração do primeiro centenário, continuem a existir "dois belenenses"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

Esconder (e fugir) a Realidade...


Estes tempos estão cada vez mais perigosos, porque esconder a realidade tornou-se o "jogo" preferido dos vários políticos irresponsáveis, que chefiam alguns dos países mais importantes no Mundo.

Já nem se trata de negar a ida do homem à Lua ou a existência do holocausto, é muito mais grave que isso. 

Não sei por quanto tempo mais irão continuar a fechar os olhos a todas as evidências sobre as mudanças climáticas e  a fazer de conta que o futuro não faz parte do presente...

(Fotografia de Luís Eme - Lua)

domingo, setembro 22, 2019

«Eles não falam, só ouvem música clássica, baixinho»


Alguns relatórios de agentes e colaboradores da PIDE/DGS, conseguem ter alguma graça e explicar que a inteligência nem sempre era o seu forte...

O filho de um amigo de um dos meus primos contou-me um episódio, que se passou no começo dos anos setenta do século, passado na "casa da liberdade" (era o nome que davam à casa deste meu familiar, por estar sempre aberta a quem vinha por bem...). Sabiam que lhes observavam os passos, quanto mais não fosse pelo corrupio de gente que entrava e saía do prédio. Mas não tinham pensado na hipótese de terem sido colocadas "escutas" nas divisões da casa, durante as suas visitas de surpresa, feitas quase sempre no começo do dia. Além de virarem a casa do avesso, eram especialistas em levar papeis e livros insignificantes. Embora tivessem cuidado com as palavras, só  começaram a desconfiar que estavam a ser "escutados", quando ouviram uns ruídos estranhos que vinham da parede onde estava a estante, quase da família dos "cliques" esquisitos do telefone...

Continuaram a conversar, com os mesmos cuidados, embora uma vez ou outra inventassem umas coisas "para ver se pegava"...

Mas o que eu queria era falar do relatório... que dá um relevo especial ao dois oposicionistas que se encontravam ao fim da tarde, para ouvir música clássica, sem abusarem dos decibéis... 

Durante a hora e meia que duravam estes encontros semanais o único diálogo audível entre os dois, eram pequenos apontamentos musicais sobre os títulos das músicas e algumas histórias sobre os seus compositores.

Se já existissem câmaras de filmar minúsculas tinham tornado tudo mais fácil, perceberiam que estes dois companheiros passavam os encontros a trocarem mensagens de papel... E não tinham escrito esta pérola: "Eles não falam, só ouvem música clássica, baixinho".

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos)

sábado, setembro 21, 2019

As Pessoas que Contam...


Apesar da chuva da tarde, o lançamento do caderno, "25, uma experiência associativa em almada (1994-2019)", correu bem.

Além dos mimos do prof. Américo Morgado, que apresentou a obra (mesmo que exista exagero, gostamos sempre que falem bem de nós...), foi muito bom contar com a presença de tantos amigos, do clube das "Pessoas que Contam"...

E a conversa até esteve animada, o associativismo é mesmo assim...

Tenho de fazer uma referência especial a três pessoas especiais, a quem nem mesmo as contrariedades da vida (e a chuva...), desviaram  da Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia. Falo da Clara, do Orlando e do Américo...

(Fotografia de João Miguel - Almada)

quinta-feira, setembro 19, 2019

A Importância das Tertúlias e dos Cafés...


Hoje tudo mudou. Fala-se menos cara a cara, há mesmo quem deteste estar próximo das mesas animadas dos cafés, onde ainda se fala alto e se gesticula (adoro este "parlar à italiana"...).

Das três "tertúlias" que frequentava, só uma continua activa. Isso acontece por que os anos levam alguns bons animadores, outros são forçados a mudar de cidade (outras até de país, como foi o Gui...), devido às contingências da vida...

Falo sobre as minhas "tertúlias" de Almada no meu caderno "25" e na respectiva exposição.

Até aproveito duas frases que esboçam muito bem a importância e o porquê das "tertúlias" nos cafés:

«A ideia do café é latina, ligada às discussões intelectuais e a uma certa classe média pobre que, em vez de convidar pessoas para as suas casas modestas, ia para os cafés. Onde havia tertúlias, algumas revolucionárias.» (Maria Filomena Mónica, socióloga)

«Passávamos todos a vida no café, que é uma espécie de Universidade ambulante, um espaço muito importante no desenvolvimento cultural de um país.» (Eugénio Granell, pintor)

(Fotografia de Luís Eme - Viseu)

quarta-feira, setembro 18, 2019

"25 - uma experiência associativa em Almada (1994-2019)"


Já há algum tempo que não preparava nenhuma exposição.

Esta ainda por cima é diferente, e acaba por ser mais tocante, por que aborda uma viagem de duas décadas e meia, rodeado "DA GENTE QUE CONTA..."

Olho fotografias, recordo sorrisos, gestos, palavras, olhares...


terça-feira, setembro 17, 2019

(directamente do Brasil via e-mail...)


«Não te iludas, vai estar sempre um censor à espreita, atrás da porta, da janela ou à esquina.»

(Frase extraída do e-mail que recebi hoje de manhã, do Gui, que me vai lendo do Brasil...)

Não me iludo, nem deixo de iludir. Mas nesse campo, ainda estamos bem, a liberdade de expressão continua a ser um direito de todos nós...

Embora eu compreenda o que o Gui quer dizer.  O que não falta por aí, é gente com vocação para agente de qualquer coisa "pidesca"...

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)

segunda-feira, setembro 16, 2019

A Importância das Palavras...


Apesar de estarmos em ambiente de "tertúlia", houve alguém, que se mostrou incomodado com as minhas palavras (sem que tivesse dito alguma coisa extraordinária...), como se eu não tivesse direito a ter opinião, e muito menos a discuti-la em público...

Os dois amigos que estavam à minha frente, ficaram tão surpreendidos como eu. Foi por isso que tentámos ultrapassar o desconforto, com outras conversas, desta vez apenas a três...

Eu sei que os extremos tocam-se... mas não estava à espera de encontrar na nossa mesa, alguém com  tanto medo das palavras, e ainda mais grave, medo da liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, setembro 15, 2019

Educação, Filhos, Cadilhos, etc.


Há pequenos problemas que nos acontecem no dia-a-dia, que nos fazem perceber (se quisermos, claro...) a importância da educação. E as diferenças que existem, entre o sermos preparados para só ter direitos e o sermos preparados, para ter direitos e deveres...

E quando os pais não estão de acordo, por coisas que nem sequer são das mais discutíveis nas nossas vidas, só irão tornar a vida dos filhos "mais  difícil e fantasiosa", porque os problemas nunca se resolveram sozinhos, nem mesmo para as pessoas que dão preferência às orações à Senhora de Fátima...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, setembro 14, 2019

A "Geometria" (curvilínea) e a Nudez da Mulher


Acho curioso, e ao mesmo tempo estranho, que o crescimento do "#metoo", esteja associado à época em que a mulher mais se despe e mostra as curvas do seu corpo, publicamente, em especial nas redes sociais. 

Sei que isso pode indiciar uma maior liberdade da mulher, que se sente bem com o seu corpo e que o gosta de o exibir.  

Também acredito que deve ser difícil às defensoras de "novos puritanismos", assistirem a tudo isto em silêncio. Mas têm-no conseguido, em nome de causas que falam mais alto (assédios, violações e abusos de poder...).

Embora sinta que existe um abuso de nudez e de exibição de curvas (muitas vezes fabricadas por cirurgiões plásticos...), também estou longe de defender o corpo da mulher como o "local sagrado e secreto" de outros tempos...

(Fotografia de Luís Eme - Proença-a-Nova)

sexta-feira, setembro 13, 2019

A Hora de Ponta no Tejo...


A hora de ponta no Tejo acontece quase sempre ao fim da tarde.

Além das carreiras normais dos cacilheiros, juntam-se as barcas dos "cruzeiros fluviais" - há modelos para todos os gostos, desde os iates, passando pelos antigos barcos de carreira, continuando nos semi-rígidos rápidos e aventurosos, terminando nos calmos antigos barcos  de rio, fragatas e varinos e outros de menor dimensão... -, alguns cargueiros e também os verdadeiros cruzeiros, as "cidades ambulantes" que depois de passaram o dia em Lisboa, levantam ferro e vão passar a noite ao Atlântico...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quinta-feira, setembro 12, 2019

A Gente que Transformam em Pedra...


Um dos meus amigos detesta bustos e estátuas.

Já me disse mais que uma vez, que uma das coisas boas da sua aparente "vulgaridade", é não correr o risco de ficar "preso" para a posterioridade, num pedaço de pedra...

E eu que acho as estátuas e os bustos tão fotogénicos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
  

quarta-feira, setembro 11, 2019

A Falta (de assunto) das Ruas...


Como passei alguns dias fora, tenho ficado mais tempo do que devia em casa, a trabalhar.

Quando penso que devia escrever sobre qualquer coisa diferente, reparo que há um vazio de palavras e de assuntos dentro de mim. 

O mais curioso, é que sei o que me falta.

Falta-me andar por aí, no meio da multidão, a olhar rostos e a apanhar desabafos ou outras palavras, mesmo das simples, com um "camaroeiro invisível"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, setembro 09, 2019

Uma Viagem no Tempo com João Bénard da Costa...


No meu trabalho de pesquisa, descobri uma crónica diferente, de João Bénard da Costa (até do seu próprio registo, normalmente muito mais artístico), datada de 3 de Outubro de 2003, no "Público".

Foi a referência a Cacilhas que me chamou a atenção das suas palavras, para esta viagem no tempo...

«Os quilómetros não encolheram com o tempo, mas sem pontes sobre o Tejo (travessia em “ferry-boat”), camioneta de Cacilhas para Azeitão e mais camioneta de Azeitão para a Arrábida, o percurso era coisa para quatro, cinco horas a que se somavam as horas de espera pelas mencionadas carripanas, exclusivo de João Cândido Bello. Cedo erguer em Lisboa e pôr do sol na Arrábida, onde, felizmente, havíamos sido precedidos pelas criadas, que já tinham posto a casa mais ou menos em condições.
Tudo era diferente, nos rituais do quotidiano. Não havia luz eléctrica, a água provinha de uma cisterna e era levada em jarros para os quartos e respectivos lavatórios. Não havia cinemas nem lojas. Havia a praia e os banhos, os passeios na serra. Um silêncio total.»

Era outro tempo, outro país...

                                                         
(Fotografia de Luís Eme - Arrábida)

domingo, setembro 08, 2019

Os Domingos das Cores Feias


Sei que os domingos são dias para fazer muitas coisas... 

De entre essas imensas práticas, há pelo menos uma que detesto, e sempre que me é possível, evito-a... Falo da visita aos "santuários do consumismo", sempre muito frequentados por gente que deve adorar as quase cotoveladas nas lojas e a falsa mansidão das filas de espera para se pagarem as compras.

Mas hoje não consegui escapar.

Talvez isso tenha acontecido, para voltar a sentir na pele, o quando detesto estar quase parado numa fila de supermercado, enorme, ao domingo, quando podia estar num lugar mais agradável (há tantos...), sem filas e sem pessoas a discutirem e a insultar-se, por causa de um pacote de batatas fritas...

(Fotografia de Luís Eme -Caldas da Rainha)

sábado, setembro 07, 2019

Quase ao Lado do Museu (do outro senhor...)


Utilizar os "uber's" como táxis oferece várias vantagens.

A mais saliente é percebermos que quase todos tiveram umas aulas de correspondência em qualquer escola francesa ou suiça, onde lhes ensinaram, que o cliente tem sempre razão.

A outra, não menos importante, é serem incapazes de falar connosco de uma forma mais calorosa e sonora, utilizando o discurso populista, que também dá alma aos donos de algumas barbearias, mercearias e drogarias, que continuam com os pincéis, as tesouras, as batatas, o papel higiénico, a potassa e a criolina, nos mesmos lugares de há cinquenta anos. 

É um alívio não nos tentarem vender a balela, de que no "tempo do outro senhor" é que era bom (sim esse, que lhe querem fazer um museu lá na terrinha, quase em jeito de homenagem...). 

(Fotografia de Luís Eme - Caramulo)