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sexta-feira, maio 08, 2026

Uma semana com exposições...


Esta semana visitei três exposições (uma delas era três...), diferentes. Uma de fotografia, uma de pintura e outra documental, na Capital.

Apetece-me falar das fotografias de Gérard Castello Lopes ("Fotografias 1956-2005"), Georges Dussaud ("De Lisboa para Ti") e Rita Barros ("Hyperosmia"), cada uma com o seu espaço e a sua narrativa, que estão nas paredes do Arquivo Municipal à espera de visitantes.

Claro que me identifico mais com o Gérard e com o Georges que com a Rita, o objecto da sua arte. Faz-me confusão nós sermos o centro da nossa forma de nos expressarmos artísticamente, como acontece com a Rita, que se especializou nos "auto-retratos", tal como Jorge Molder e antes Helena Almeida. Poderá ser falta de sensibilidade minha para a coisa...

Quando sai do Arquivo (Rua da Palma) vinha agradado com o que vira. Ainda antes de chegar ao Martim Moniz pensei que se havia duas pessoas ligadas a fotografia, que gostaria de ter conhecido, eram Gérard Castello Lopes e Augusto Cabrita, por razões diferentes. 

Sei que aprendia algumas coisas com eles (já aprendo bastante só quando olho as suas fotografias...), porque me identifico com o seu trabalho e também por gostar de comparar tempos...

Fala-se muito de censura, da escrita durante as ditaduras salazarista e marcelista, mas fala-se pouco da imagem, de como ela era recebida, tanto pelas pessoas (especialmente nas ruas), como pelos poderes, nesses tempos com poucas cores...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, abril 18, 2026

Abril com Arte e Liberdade nas paredes de Almada


Tinha lido que iriam ser colados cartazes feitos por alunos num dos muros exteriores da Casa da Cerca, em Abril, mas só quando me dirigia para a inauguração da exposição de pintura, "Os Amigos" (na sede da SCALA) é que reparei numa quase multidão que enchia a rua, na tarde de hoje.


Depois de ver a exposição passei por lá e percebi que se estava a montar a tal outra exposição de Abril, cheia de cartazes com palavras, rostos, memórias, história, arte e liberdade, a céu aberto.

E sim Abril é tudo aquilo... 

E que nunca tenhamos medo de festejar a Liberdade, a Democracia, a Igualdade, a Fraternidade, em Almada, nas Caldas da Rainha ou em Albufeira...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, março 21, 2026

"Ginjal: memórias que cabem dentro de retratos" (e de conversas)


Inauguro hoje em Almada na sede/ galeria da SCALA, uma exposição de fotografia sobre o Ginjal. Escolhi como título, "Ginjal: memórias que cabem dentro de retratos". Por a palavra memória ser um pouco "perigosa", normalmente anda em busca de coisas antigas, saliento o facto de todas as minhas fotografias expostas serem do século XXI.

Mas a palavra memória continua a fazer sentido, pelo menos para mim, porque as trinta imagens (são quase cinquenta, algumas foram transformadas em "mosaicos"...) que apresento foram tiradas ao longo de todo o século XXI e mostram um Ginjal, ainda com paredes e muita cor, o que já não existe, desde 2025, quando se resolveu terraplanar todo aquele espaço, cada vez mais povoado por habitantes clandestinos, que viviam em situações completamente indignas...

Há um movimento de antigos habitantes e gente que gosta do Ginjal, que tenta defender este espaço, para que ele não seja retirado a pessoas como eu, que tanto prazer têm em passear por ali, de mão dada com o Tejo. É por isso que depois da inauguração da exposição, decorrerá uma conversa, dinamizada por elementos deste movimento, intitulada: "Ginjal: memória e futuro".

Poderá parecer a muito boa gente que  estas conversas não fazem grande  sentido, por vivermos num tempo pouco receptivo à defesa de interesses colectivos. Como eu penso exactamente o contrário, acho que esta exposição é mais uma boa oportunidade para dizermos o que não queremos que transformem o Ginjal.

Penso que todos estão de acordo, em não querer que o Ginjal se torne numa espécie de Tróia (onde até as viagens de barco se tornaram quase um luxo...), com a invenção de vários condicionalismos que tentem limitar a passagem a todos aqueles que gostam de passear  pelo Cais rente ao rio e conversar com o Tejo.

Como os nossos políticos se distraem com facilidade, é preciso dizer isto aos governantes da nossa Cidade, de uma forma clara. 

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sábado, novembro 22, 2025

Quando a fotografia quer ser outra coisa...


A meio da tarde visitei a exposição de fotografia de um amigo e à medida que olhava as suas imagens, ia percebendo, com mais nitidez, que ele já está numa outra "galáxia".

A sua fotografia deixou de ser o mero retrato, caminha cada vez mais para um campo que se alimenta da diferença, da procura do que "ainda não existe", e onde a marca pessoal começa a ser o principal motivo de inspiração.

Quando vinha para casa, pensei que esta "mutação" acontece quando nos dedicamos em demasia a uma arte, quando ela começa a tomar conta de nós. Ou seja, quando o que fazemos não deixa dúvidas a quem vê, de que é aquilo o que faz correr os artistas. 

Sim, não é preciso ser-se crítico de arte para perceber que as fotografias do Modesto Viegas já são outra coisa, ao nosso olhar. Não são pinturas, mas parece que existe aqui e ali, uma "pincelada", que além de alterar as formas, lhes dá uma tonalidade especial.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, agosto 21, 2025

Uma boa notícia para Almada e para a Margem Sul


A notícia sobre a continuidade da exposição de fotografia, "Venham mais Cinco", até 23 de Novembro, nas instalações da Lisnave, é muito boa para Almada e para a Margem Sul, tantas vezes subalternizada.

Tenho poucas dúvidas de que esta continuidade se deve também ao pouco interesse desta mostra de fotografia memorável (não conheço nenhuma com tanta capacidade para contar apenas com imagens a história da Revolução e do PREC...), provavelmente por encher demasiadas paredes.

Sérgio Tréfaut já falou, mais que uma vez, na dificuldade que tiveram em fazer com que esta exposição passasse do papel para a parede, dos sonhadores para o público. Até o Presidente da República, normalmente tão solicito, lhes deu "sopa"...


Visitei a exposição três vezes, com a sua continuidade, é possível passar por lá, pelo menos mais uma vez. Desta última vez, gostei de me cruzar com dezenas de pessoas a olharem os bonitos retratos a preto e branco (a cor aparece para ser a excepção que confirma a regra).

Estou grato a Sérgio Trefaut e à Margarida Medeiros (que já não teve a possibilidade de assistir a este sonho que se tornou realidade...), pelo seu amor à história, pelo bom gosto e pela sua teimosia. 

Sim, tanta coisa que não se fazia neste país, se não existisse uma dúzia de teimosos, que quando mais os contrariam, mais eles lutam pelos seus objectivos (eu também já fui assim...).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 11, 2025

O Zé Povinho, as Caldas e o Grande Rafael


Não é habitual falar de duas exposições em dois dias, mas como passei pelas Caldas da Rainha, aproveitei para ver a mostra artística e histórica que está patente ao público no CCC, "Zé Povinho, uma História com 150 Anos", com curadoria de Jorge Silva.

Gostei muito do que vi. Já sabia que o Zé Povinho era a figura mais caricaturada no nosso país, ao longo do tempo, mas não imaginava que até tinha sido capa de revistas como a "Gaiola Aberta" ou o "Riso Mundial".

Tudo isto graças ao grande Rafael Bordalo Pinheiro, que, além de ser o pai de muitas coisas no nosso país, inclusive da Banda Desenhada, escolheu as Caldas para começar a trabalhar na indústria da cerâmica. O Artista acabou por oferecer um novo cunho artístico às faianças da ainda Vila, ao mesmo tempo que dava uma nova vida ao Zé, oferecendo-lhe a tridimensionalidade que não possuía.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, julho 10, 2025

"Munngano (1975-2025)" na Sociedade Nacional de Belas Artes


Marcámos encontro na Sociedade Nacional de Belas Artes, para ver a exposição "Munngano (1975-2025), 50 anos de história, arte e cultura de Moçambique Independente".

Não foi só uma bela surpresa (tanta coisa bonita...), descobrir tantos artistas moçambicanos de grande talento, foi bom olhar e conversar sobre muitas das pinturas, desenhos e esculturas em exposição.


E claro, ir ainda mais longe, falar ligeiramente das polémicas sobre o colonialismo e a arte africana (não tivemos dúvidas que todos os trabalhos artísticos feitos por moçambicanos, com um matriz cultural local, deverão regressar ao país de origem, desde que este tenha condições para a acolher em museus).

Como normalmente visito exposições a solo, já não me lembrava do bom que é ter companhia para conversar, criticar e sorrir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 25, 2025

O bonito olhar estrangeiro de Abril


Não sei dizer o que gostei mais da exposição "Venham Mais Cinco", que vi hoje, no Parque da Antiga Lisnave (ao lado da Escola Profissional da Lisnave, em Almada). 


Mas talvez tenha sido a diversidade, o que mais me espantou, das duzentas bonitas imagens que retratam muitas das aventuras que ilustram os anos luminosos de 1974 e 1975. Sim, são trinta olhares diferentes, atentos à nossa  memorável Revolução, que foi muito mais que um só dia.

Recomendo vivamente a visita à exposição a todos aqueles que gostam de fotografia e de Abril. 

Vale a pena!

(Fotografias de Luís Eme - Margueira)


sexta-feira, maio 09, 2025

"Diferentes de Todas as Outras"


Não fui à inauguração, no fim da tarde de quinta feira. E fiz bem.

Foi muito melhor visitar o Convento dos Capuchos na sexta feira de manhã e ter todo aquele espaço só para mim (pode parecer egoísta, mas adoro visitar exposições das quais ou o único visitante...) e ver se esta mostra de arte era mesmo: "Diferentes de Todas as Outras" (o título estranha-se mas depois "entranha-se").


Embora esperasse uma exposição maior, com mais obras, gostei sobretudo da homenagem que é feita ao grande Manuel Cargaleiro (o principal responsável pelas exposições de artes plásticas que se realizaram no Convento dos Capuchos entre 1955 e 1961), que por questões políticas, não teve o tratamento que merecia em Almada, nos tempos da governação da CDU (isso explica que não exista um único espaço museológico no Concelho onde sempre viveu e sim no Seixal e em Castelo Branco...).

(Fotografias de Luís Eme - Monte de Caparica)


segunda-feira, maio 05, 2025

Braga: Capital Portuguesa da Cultura


Andámos por Braga no dia 3 de Maio e descobrimos a cidade como Capital Portuguesa da Cultura.

Ficámos próximos do Campo da Vinha, o que nos facilitou as coisas, pois foi possível ver uma ou outra exposição e até assistir ao final de um concerto (a música chamou-nos a atenção...), sem estarmos à espera.

Encontrei muita juventude e também alguma ignorância, entre os voluntários que ali estavam a trabalhar. Quando falei da Ana Vieira, que tinha em exposição no edifício da Gnration (os seus "Cadernos de Montagem"), não faziam ideia de quem era a senhora...

Só me resta desejar que os bracarenses aceitem o desafio lançado pela organização e alinhem nas culturas oferecidas. O quase slogan é desafiante: "Abre a tua porta e vem para a rua."

(Fotografia de Luís Eme - Braga)


sexta-feira, abril 11, 2025

Ver o tempo a fugir por entre os dedos...


Este mês de Abril está ser de muito trabalho.

O curioso, foi a montagem da minha exposição de fotografia (que é inaugurada amanhã...), acabar por servir quase como um momento de distracção, e até descontração.

Há muito tempo que não sentia os dias tão curtos, mesmo que o Sol apareça cada vez mais cedo e vá-se embora mais tarde...

Até parece quase um título de livro ou filme, esta coisa de ver o tempo a fugir por entre os dedos...

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)


sexta-feira, fevereiro 14, 2025

Um mundo com mais diferenças que segredos...


Houve um tempo em que montava (ou ajudava a montar...) muitas exposições.

Isso fazia com que tivesse alguma proximidade com a gente que pintava e fotografava (com mais e menos talento). Foram tempos de aprendizagem e sobretudo de partilha.

Por saber que o artista é por natureza opinativo, e tem um ego com algum tamanho, nunca fui um impositor, nunca dizia "isto assim é fica bem", preferia perguntar, "acham que isto fica bem assim?". Ficava quase sempre...

Tentava também que percebessem que as exposições não são "mundos fechados". Embora não existam mil maneiras de as tornar quase num só "corpo", há com certeza, pelo menos uma dúzia de possibilidades diferentes de lhes oferecer harmonia. É por isso que eles ainda acham que os quadros devem ser nivelados por cima ou por baixo. Eu continuo a gostar mais da centralidade...

Hoje voltei a esses tempos, ajudei a montar a exposição de três amigos.

Falei com um deles sobre o seu percurso. Fui mais longe, disse-lhe que ele era um artista, porque foi à procura do seu caminho, nunca procurou copiar ninguém...

Ele não respondeu com palavras, abanou a cabeça afirmativamente.

Muitos nunca o chegam a descobrir, mas o mundo das artes, alimenta-se mais das diferenças, da procura do próprio caminho, que dos segredos, que faziam parte da "mitologia" de alguns mestres...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, janeiro 03, 2025

A arte com e sem "areia nos olhos"...


Continuo a visitar exposições, sempre que posso e quando os artistas me dizem alguma coisa. Às vezes também são possíveis reencontros com alguns artistas, que nos fazem a visita guiada e com que quem se fala sobre tudo e sobre nada, seja das artes ou das vidas...

Não falámos de uma forma concreta sobre a banana e a fita isoladora cinzenta, falámos sim dos "intrujas", que se têm intrometido em tudo o que possa dar dinheiro na sociedade, inflacionando, sempre que podem os valores reais de casas, carros, jogadores da bola e obras de arte, entre outras milhentas de coisas.

Mas o mais impressionante não é transformarem qualquer vulgaridade em arte, é terem a capacidade de lucrarem com ela. Sim, não é para todos comprarem uma "banana" por dez mil euros e depois conseguirem vendê-la por vinte mil...

Pois é, convém andar com óculos por aí, nem que sejam de sol, por que vai aparecer sempre alguém, a querer atirar-nos areia para os olhos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, novembro 14, 2024

Quando se "mostra (quase) tudo", fica sempre pouca coisa para esconder...


Basta andar na rua, para ver que um dos usos do smartphone é o "auto-retrato", é normal vermos as miúdas passarem o tempo a olharem-se ao "espelho", através das câmaras deste pequeno rectângulo, que tem sido ainda mais revolucionário, que a televisão quando apareceu, no final dos anos cinquenta.

Provavelmente, depois, enviam os seus "retratos" por esse mundo fora...

Foi esta imagem que me fez pensar, neste tempo em que se "mostra tudo", mas que também dá espaço para todo o género de "ficções". Sim, oferece a possibilidade de se jogar vezes demais às escondidas, mentir (aliás fugir da realidade, talvez seja mais certo...), é mais normal que nos tempos da minha adolescência.

Claro que é um tempo de riscos, destapa-se de um lado e tapa-se de outro. Claro que ao "tapar", há sempre algo que fica à vista, que fica de fora...

São os riscos da exposição excessiva, algo que antes só acontecia com as figuras públicas quer gostavam de ser capa das revistas "cor de rosa". Agora está a banalizar-se. 

E tudo indica que todas estas "ficções" irão piorar, com as inúmeras possibilidades oferecidas pela "inteligência artificial"...

(Fotografia de Luís Eme - Alcochete)


quinta-feira, novembro 07, 2024

Por causa de um sonho (quase lindo como o da canção)...


Por causa de um sonho (por acaso, quase lindo), lembrei-me que tenho de telefonar a uma pessoa especial, para que ela me faça uma visita guiada à última exposição em que esteve envolvida.

Gosto de todas as formas de ver exposições. Desde aquelas de apenas cinco minutos, em que passamos pelas coisas e fingimos não as ver, às outras, mais normais, sem tempo marcado, em que até nos podemos sentar (se existirem bancos, claro...) e ficar por ali, a descobrir pormenores e a associar a cor e os retratados a outras histórias. E até aquelas em que parecemos perdidos, andamos por aqui e por ali, a ver se percebemos "a coisa"...

Claro que as melhores são as visitas guiadas, feitas pelos autores das obras ou pelos responsáveis das exposições. Nem é tanto pela explicação de cada obra, que isso acontece, é mais pelas histórias que elas transportam. Sim, de onde vieram (algumas quase que chegam da lua...), juntamente com os acasos, as trocas e baldrocas (sim, às vezes troca-se a ordem às coisas, quase à última hora...), que só quem andou às voltas com cada peça, viveu...

Pois é, vou ter de telefonar...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, outubro 31, 2024

«Há muito tempo que não acredito em tudo o que oiço»


Falava-se de fotografia, das muitas questões técnicas, que por vezes se tornam chatas, pelo menos para quem, como eu, gosta da fotografia pela fotografia e aceita de bom grado as vantagens proporcionadas pela era digital.

Não sei se toda aquela gente que ali estava sabia, mas eu era daqueles que estavam farto de saber que não era uma boa máquina que fazia um bom fotógrafo, muito menos as facilidades técnicas oferecidas por máquinas que fingem fazer tudo e levam tanta gente ao engano... 

Sim, elas ainda não substituem o nosso olhar, mas que nos ajudam muito a sermos melhores fotógrafos, ajudam...

São tantas as vantagens...

Basta pensar que podemos "disparar indiscriminadamente" pelos lugares que queremos guardar só para nós (outro engano...). Eu não tenho grandes dúvidas de que a quantidade continua a ser o melhor "fabricante" de qualidade (não de genialidade, isso já nos remete para o território dos deuses...). E depois temos o "automático", que resolve com ligeireza qualquer problema. Felizmente, nem sempre deixa o "passarinho" fugir...

Enquanto bebíamos um café, depois daquela "aula técnica", o Chico ofereceu-nos algumas preciosidades, ligadas ao mundo da imagem, da sua vida feita nos jornais e também das exposições, que faz aqui e ali. 

Mas a frase dele que guardei, até foi dita sem ironia e humor: «Há muito tempo que não acredito em tudo o que oiço.»

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, julho 17, 2024

Este blogue podia ser apenas sobre livros...


Às vezes ponho-me a pensar que este "Largo" podia ser mais elitista e fazer referência apenas a coisas que gosto e que me fazem bem, como são os livros, as exposições, os teatros "da vida" e dos outros, e claro os filmes, até por existirem tantos que querem ser o "filme da minha vida"...

Pois, poder podia, mas não era a mesma coisa. 

Sei que exerço mais vezes do que queria a minha autocensura, para não falar dos "FDP" que enchem diariamente as notícias televisivas e inspiram os "donos da verdade" das redes sociais. 

Penso que faço isso por saber que o pior que pode acontecer a um lugar, é começar a ser mal frequentado...

Mas também não quero que o mundo de repente se transforme num lugar maravilhoso, onde se lêem livros, onde se visitam exposições, onde se vai ver teatro, para sorrir e pensar, ou ao cinema, tocar na mão da companheira ou companheiro naquela escuridão que também fala com os nossos sentidos, quando surge um plano que nos recorda a vida, como ela é, ou como ela deveria ser...

E como já me estou a "esticar", a conversa sobre livros vai ficar para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, maio 10, 2024

Voltar à arte e às montagens...


Enquanto activista cultural ajudei a montar centenas de exposições. Cada montagem era uma desafio, pelas diferenças temáticas e também pelas dimensões das obras.

Acho que tinha (ainda devo ter, isto não se perde de um dia para o outro) um certo jeito para complementar estas composições, oferecendo-lhes boas combinações, a partir das cores, sem descurar as respectivas medidas.

Foi por isso que aceitei o desafio de três amigos (que inauguram amanhã a exposição "Três Amigos, Três Estilos"), e lá apareci na galeria. 

Acabei por  "usar e abusar" do meu gosto pessoal, sem deixar de ouvir as duas pintoras e o pintor. No final fiquei com a sensação de ter feito um bom trabalho... 

E no final ainda apanhei uma das artistas sentada no pequeno escadote, distraída, a sorrir. E lá "roubei" mais uma fotografia. 

Sim, ela além de gostar de pintar, também gosta de sorrir...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, abril 19, 2024

A simpática Vila Franca de Xira


Hoje dei um "pulo" a Vila Franca de Xira, uma terra que me é simpática e onde me sinto bem. Penso que isso acontece por manter uma arquitectura tradicional, não se deixando "desfigurar" pelas partes novas da Cidade.

Claro que isto não tem nada a ver com o facto de ser uma "terra de touros e toureiros", embora José Júlio e Vitor Mendes (tive o grato prazer de conhecer ambos...), fossem óptimos anfitriões e mestres desta arte e tradição local.

Acho que é também por isso que gosto do Seixal. Tem uma personalidade muito própria, esforça-se por não se desligar da sua própria história.

Visitei o sempre  agradável "Museu do Neo-realismo", onde além das fotografias de Alfredo Cunha, vi uma bonita exposição de pintura de Amândio Silva, um pintor portuense que fez cem anos em 2023 (e claro, os quadros bonitos da sua colecção, em exposição permanente).

(Fotografias de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


sexta-feira, fevereiro 23, 2024

"Um (Belo) Olhar Inédito" do Mestre Augusto Cabrita


Hoje passei pelo Auditório Augusto Cabrita para ver a exposição de fotografia do patrono desta Casa da Cultura do Barreiro.


Sabia ao que ia, mas ainda fiquei mais satisfeito do que pensava, ao olhar as belas fotografias de um dos grandes fotógrafos portugueses do século XX, o Mestre Augusto Cabrita, neste ano em que se comemora o seu centenário.


E trata-se de certa maneira, mesmo de "Um Olhar Inédito", com belas surpresas e uma excelente diversidade de imagens, que não se ficam pelas nossas fronteiras.

Que bom voltar ao Barreiro, por uma excelente razão.

(Fotografias de Luís Eme - Barreiro)