segunda-feira, julho 20, 2026

"De vez em quando"...


De vez em quando
 
De vez em quando
Acontecem-nos coisas estranhas
Daquelas que surgem com mais frequência
Aos poetas e aos malucos.
Eu começo já a contar:
Sentei-me num dos bancos de uma carruagem de metro,
Quando olhei para a frente,
Descobri uma jovem mulher de pele castanha
Enquanto a olhava
Comecei a escutar uma música longínqua
Um blues que ecoava na parte interior dos meus ouvidos
Olhei à volta e percebi que a música era só minha
 
A mulher de pele castanha era jovem
Podia ser minha filha.
Tinha um vestido negro com listas com espigas
cremes e uma mala de viagem
De quem parte ou de quem acaba de chegar
Por mais de meia-dúzia de dias…
 
A música só acabou quando ela saiu
na estação do Marquês.
 
Fiquei sem perceber se tive
Um laivo de loucura ou de poesia…
 
Luís Alves Milheiro

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, julho 18, 2026

Ao encontro do Sul quase paradisíaco...


Já não sinto falta de férias de praia.

Mas o resto da família continua a não prescindir do descanso no nosso canto algarvio, onde continua a ser possível passar duas semanas, sem as variedades e as variantes da Costa de Caparica.

Pode parecer um gosto egoísta (ou até milionário, nos tempos que correm...), mas a minha praia ideal, é um areal espaçoso, onde existe a opção de escutares o mar e não apenas os gritos, a música e as conversas dos outros... Além, claro, de dispensares  a areia das suas toalhas...

Felizmente, ainda é possível encontrar algumas praias em estado quase natural, de Norte a Sul. Oferecem-nos a vantagem de deixar o carro a alguma distância e usufruir durante pelo menos uma dezena de minutos, de uma caminhada daquelas que nos "dão saúde e fazem crescer"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, julho 17, 2026

O outro lado da coisa, ou seja, quando a televisão parece que se vira de pernas para o ar...


Talvez fosse dia de falar do ministro da Educação. Talvez...

O problema é que o ministro da Administração Interna gosta muito mais de ser notícia e de falar para os microfones que o professor Fernando...

Isso já se notava quando estava à frente da PJ e não perdia uma oportunidade de aparecer à frente das câmaras, a fazer um número, pequeno ou grande, de "super-herói". 

Já se percebia que aspirava a mais. Como bom comunicador que era, devia sonhar ter ainda mais televisões à sua volta... 

E um dia lá conseguiu chegar a ministro.

Talvez ninguém lhe tenha dito, que havia um outro lado, mais chato, nessa coisa de se ser governante. Sim, iria ser confrontado com os especialistas em "sacar esqueletos do armário", que também adoram saber coisas através de chamadas falsamente anónimas.

Mas nem era preciso. Como director da nossa principal polícia de investigação, sabia bem demais como é que as coisas funcionavam tanto nos corredores do poder como nas redacções.

É por isso que é demasiado estranho que ele não se tenha libertado dos vários "rabos de palha", que aparecem, cada vez que alguém abre uma porta num dos seus montes alentejanos...

E alguns são enormes. Segundo consta, um deles é  do tamanho do reboque de um camião tir...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, julho 16, 2026

«Se não os consegues vencer, juntas-te a eles...»


Sabia que o descontentamento das pessoas era a principal razão para o crescimento do populismo (continuo a ter dificuldade em chamar-lhe "extrema-direita"...), mas nunca tinha olhado para ele, numa outra perspectiva. É por isso que as conversas são importantes e duas cabeças pensam quase sempre melhor que uma...

Há quem não consiga (nem queira...) "lutar contra". E então juntam-se aos "reis da confusão", que passam o tempo de dedo em riste, a culpar alguém do que está a acontecer. Com eles a culpa nunca morre solteira, ao contrário do que acontece no país.  Até mesmo a "cagadela de pombo" que lhe calhou por sorte, é culpa de alguém...

Com toda esta obsessão - parecida com a popular "lavagem ao cérebro" - em querer "justiça", nem se preocupam que estejam a acusar as pessoas erradas. Eles querem é culpados, querem é apontar dedos, querem é  ver alguém no "cadafalso", mesmo que seja alguém inocente...

Quase no fim desta conversa, que começou com a tentativa de dividir a questão da segurança e da acção policial, em "esquerda" e "direita". Com um simplismo que até meteu dó: os esquerdistas defendem os bandidos, a direita defende os polícias.

Ou seja, eu e o meu amigo Orlando, éramos os únicos na mesa, com o "emblema" de perigosos esquerdistas, apenas por defendermos o estado de direito, por acharmos que a principal função das polícias é garantir a segurança das pessoas e não andar a agredi-las...

Houve alguém que teve a feliz ideia de mudar de assunto. Mas só mudou a temática, a "fome de justiça" continuava bem viva. Já não disse mais nada.

O meu amigo Orlando simplificou tudo aquilo que acabara de acontecer com uma simples frase: «se não os consegues vencer, juntas-te a eles...»

Não sei o que vem aí. Sei apenas não é nada de bom, quando percebemos que há cada vez mais "carneiros" à nossa volta, que em vez de pensarem pela sua cabeça, preferem o caminho mais fácil, ir atrás do rebanho...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, julho 15, 2026

A simplicidade e os bons truques dos policiais


Graças à quase secular "colecção Vampiro", tenho lido Georges Simenon e as suas curiosas aventuras do comissário Maigret.

Já não me lembrava da simplicidade desta escrita, nem dos "truques" usados pelos escritores de policiais, que nos vão lançando pistas  e bandidos pelo caminho, para que continuemos presos às suas páginas, até chegarmos ao fim. 

Está a fazer-me bem, ajuda-me a escrever outras coisas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, julho 14, 2026

A gente pequenina dos vales de 10 cêntimos e a nossa facilidade em deitar fora oportunidades...


Não fazia ideia que havia tanta gente, no mínimo estranha (não me estou a referir aos sem abrigo, como é óbvio), que embora andem nas ruas limpinhos e bem vestidos (as pessoas com quem me tenho cruzado são quase sempre homens e mulheres reformados que talvez não tenham mais nada de "útil" que fazer nas suas vidas, além de coleccionarem "inutilidades com preço"...), andam por aí à procura de um "novo lixo". 

Percorrem durante o dia os pequenos caixotes distribuídos cidade, munidos de sacos de plástico, em busca de garrafas e latas vazias, para trocarem nas máquinas de marca "volta". Pensam que são discretos, quando olham para o lado, a tentar perceber se estão a ser observados. Como vêm a maior parte dos transeuntes presos aos "smartphones", enfiam as mãos nos pequenos caixotes rente às paragens de transportes, como quem não quer a coisa... e de vez enquanto "ficam mais ricos".

Já me cruzei com mais de uma dúzia deles pelas ruas de Almada. Apetece-me quase sempre dizer alguma coisa, mas acabo por ficar em silêncio, limitando-me a abanar a cabeça...

Não sei se são estas mesmas pessoas que assim que o dia escurece, saltitam de contentor em contentor, desta vez com muito menos cuidado, ao ponto de revirarem o lixo e deixarem atrás de si um rasto de imundice por onde passam, pela merda de um vale de dez cêntimos. Provavelmente não, porque não olham para a noite como sua companheira...

Acredito que quem teve esta ideia pretendia mesmo que se fizesse um melhor aproveitamento da reciclagem e que as ruas ficassem mais limpas. Mas o ser humano é o que é... e bem podem meter a viola do saco, porque o resultado parece ser exactamente o contrário do pretendido.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, julho 13, 2026

um incidente bem explicativo sobre o comportamento de algumas minorias...


O meu barbeiro dos últimos vinte e muitos anos, finalmente arrumou o "pente e a tesoura", já com oitenta e alguns anos.

Fiquei sem saber a que porta ir bater, enquanto o meu cabelo continuava a crescer. Durante o almoço o meu amigo Chico disse-me que passara a ir a uns paquistaneses dos famosos "cinco euros" e que estava satisfeito, quase na nossa rua. Pouco convencido, resolvi passar por lá. Um dos rapazes percebeu a minha indecisão e convidou-me a entrar e dizendo que estava quase a acabar...

Sentei-me sem suspeitar da "cena" que iria assistir nos minutos seguintes. Um dos dois clientes começou a queixar-se que o bigode estava torto, partindo pouco depois para o insulto ao jovem barbeiro. Pelo jeito de falar percebi que era de étnia cigana. E nunca mais parou de insultar o rapaz que lhe cortara o cabelo e aparara o bigode, ao mesmo tempo que acusava o outro, que era quem lhe cortava o cabelo normalmente, e como tal "era o culpado de tudo".

Quando se levantou disse, alto e a bom som, que não pagava e saiu pela porta fora. Os dois jovens ficaram parados a olhar um para o outro, desabafando na sua língua.

Antes, no meio daquela discussão, apeteceu-me levantar e sair pela porta fora, sem dizer "água vai, água vem", duas ou três vezes. Mas ainda bem que não o fiz, pois acabei por ficar satisfeito com o corte de cabelo e com a simpatia e simplicidade dos dois rapazes. E também foi o corte mais barato dos últimos trinta anos...

Depois de sair fiquei a pensar na diferença de comportamentos destas duas minorias, tantas vezes metidas no mesmo saco, pelo partido do costume, quando têm comportamentos tão diferentes. 

E talvez seja por estas e por outras que a gente do Oriente está a dar, cada vez mais, o salto para o "nosso país vizinho"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa, homenagem ao António, o "Rei dos Barbeiros" e da "Música Moderna")


domingo, julho 12, 2026

O comboio continua a ser o melhor transporte do mundo...


Quem como eu percorreu parte do fim da adolescência e começo da idade adulta a viajar de comboio, mesmo com os atrasos tradicionais, sabe que ele é o melhor transporte do mundo, especialmente ao nível da segurança.

É por isso que nunca perdoarei aos políticos que andaram durante décadas a tentar destruir (destruindo muitas linhas e fechando muitas estações de Norte a Sul), em nome de um progresso e de um "mundo novo" que nunca chegou a esses lugares...

Mas nem é sobre isso que pretendo escrever.

Quero escrever sim, sobre a tal sensação de segurança que é transmitida pelo comboio, ao ponto de se mostrar capaz de "levar toda a gente", mesmo que viaje superlotado (tanto posso olhar para as imagens da Índia como as da Linha de Sintra) e de uma forma completamente desconfortável.

Mesmo com estes exageros, não há o perigo de "ir ao fundo" como as embarcações navais, ou vir parar cá abaixo como os aviões (por muito que nos digam que este sim, é que é "o melhor e o transporte mais seguro do mundo").

Até agora tem resistido a todas as "avarias", "boicotes", "desinvestimentos" ou "incumprimento de horários"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sábado, julho 11, 2026

Memórias (boas) das praias do Alentejo...


Conheci as praias do Alentejo, quando ainda não estavam muito na moda e era possível fazer "campismo selvagem".

Acho mesmo que só Vila Nova de Milfontes e o Porto Covo é que se começavam a aproximar da Costa de Caparica. Zambujeira do Mar ainda era outra coisa...

A Comporta era uma aldeia, onde era difícil escapar à melga e ao mosquito, por causa dos arrozais e das margens lodosas dos canais do Sado, que ficavam próximas. O mar era parecido com o da "praia da minha vida", com ondas sonoras e quase selvagens... Era quase só para quem tratava o Oceano com bastante familiaridade, como era o nosso caso...

Tudo isto se passou há mais de quarenta anos... no começo dos anos oitenta do século passado. Os únicos estrangeiros que se encontravam na zona eram "hippies", donos de carripanas velhas, que acampavam em qualquer lugar calmo, onde não fossem incomodados...

Até cheguei a conhecer uma ou outra praia perto do Presídio do Pinheiro da Cruz, assim como alguns dos seus guardiões, que acabávamos por descobrir que eram velhos presos, que cumpriam parte das suas penas em regime aberto...

Lembrei-me de tudo isto, apenas porque sim. Mas ainda fui capaz de pensar: "O que será que os milionários fizeram às colónias de melgas e mosquitos, que também escolhiam a zona da Comporta como lugar de férias?"

(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova de Milfontes)


sexta-feira, julho 10, 2026

É bom recordar que a presidência do SMAS nos últimos anos tem funcionado como "moeda de troca" em Almada...


Tudo o que acontece - de mau e de bom - no Concelho de Almada, está directamente ligado à governação do PS, e à presidência de Inês de Medeiros. São mais de oito anos e meio de poder. Os socialistas não têm qualquer espaço para o habitual "passa culpas".

Existe sim, alguma cumplicidade com os partidos com que se coligou ao longo dos mandatos.

É por isso que se trata de uma piada de mau gosto, o PSD ter vindo a terreiro, afirmar que "não tem nada a ver com assunto". Os factos falam por si, foi um vereador do PSD que presidiu os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) entre os anos de 2017 e 2024.

O mesmo se passou na coligação seguinte, feita com a CDU. Mais uma vez, Inês Medeiros "ofereceu" a presidência do SMAS ao partido com que acordara governar Almada, neste seu último mandato (desde Outubro de 2025).

Isto prova duas coisas. O pouco interesse que o SMAS sempre despertou ao PS e à presidente de Câmara (que também se comprova com a redução de investimento durante os dois primeiros mandatos, com a cumplicidade do companheiro de coligação, o PSD). E a ligação dos partidos com que se coligou a todo este problema (bem podem tentar "sacudir a água do capote", como o fez  apressadamente o vereador do PSD...), por terem aceitado a presidência do SMAS, mesmo que fossem apenas uma espécie de "rainha da inglaterra"...

Nota: Texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, julho 09, 2026

Pois é, parece que afinal "o dinheiro não paga tudo"...


O facto de ainda não ter sentido falta de água canalizada na minha casa, fez com que fosse alvo de algumas "bocas", de quem gosta de se informar através das redes sociais, sem sequer se dar ao trabalho de pensar um pouco, de saber como funcionam as coisas.

Penso que a abastecimento de água  nas cidades não tem grandes segredos. Há vários reservatórios, distribuídos por áreas geográficas, que na maior parte dos casos devem coincidir com os mapas das juntas de freguesia.

Se existir uma zona que consome o dobro ou o triplo da água das restantes, é óbvio que o seu reservatório, acabará por se esvaziar de uma forma mais rápida. E, em casos extremos (como o que está a acontecer no Concelho de Almada...), poderá condicionar mesmo a distribuição normal de água pelas populações.

Isso faz com que a palavra "solidariedade" não faça muito sentido, porque o consumo depende das próprias pessoas. Embora tudo indique que ela até esteja a ser feita em Almada, através do uso de camiões cisternas, que devem ir buscar água aos reservatórios que estão a funcionar normalmente, para a distribuir junto dos almadenses que estão mais necessitados deste bem essencial.

Além das grandes responsabilidades do Município, que não se preocupou em fazer as obras necessárias para evitar este problema, é importante dizer, que os moradores das freguesias mais afectadas, não deixam de ter alguma culpa, no agravar desta situação.

Fala-se de desperdício, e até de roubo de água. Mas existe ainda outro problema: a Charneca de Caparica é a freguesia com mais vivendas, e naturalmente, com mais jardins e piscinas do Concelho. Isso faz com que algumas pessoas usem a água como se esta fosse um bem infinito. E ainda sejam capazes de argumentar: "Se pago, uso a água que quiser..."

E o resultado está à vista...

Nota: As notícias televisivas continuam a não reflectir a realidade. Há uma histeria e um exagero, que levam as pessoas a ver o problema com "lentes de aumentar" e a pensar que todo o Concelho de Almada está sem água.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 08, 2026

A falta de água em Almada é uma grande ironia (há mais de oito anos que a CMA "mete água" em Almada)...


De vez enquanto escrevo sobre o mau serviço que é prestado pelo Munícipio de Almada, aos almadenses. Tento não ser muito insistente, embora os problemas se mantenham - e em alguns casos até se agravem -, ano após ano.

O meu espanto é que, no meio de tanta incompetência, as pessoas continuam a votar no partido do poder. Nunca percebi o porquê. Mas também não perco muito a tentar perceber, até por se passar o mesmo a nível nacional... 

O que eu posso dizer, como morador do Concelho de Almada há mais de trinta e nove anos, é que a forma como se olha para a coisa pública, a começar pelas ruas, nunca foi tão displicente. Lixo, buracos e vegetação, são o "pão nosso de cada dia" em todo o Concelho.

É muito triste sermos notícia nacional devido à falta de água, apenas porque não se "fez o trabalho de casa", como foi dito pela Ministra do Ambiente. Até porque o nosso subsolo possui um dos maiores aquíferos do distrito de Setúbal...

Pessoas ligadas à CDU garantem-me que em 2017 já existia um plano de renovação de toda a rede pública, assim como um projecto para a realização de novos furos de água. Mas como o costume é ignorar as iniciativas feitas pelos outros partidos, mesmo que sejam boas para a população, não vale a pena fazer grandes comentários.

Por todas estas razões, não tenho qualquer dúvida, de que a falta de água em Almada, é uma grande ironia em relação à governação local (ou não se desse o caso de se andar a "meter água" no Município, há mais de oito anos...).

Nota: texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, julho 07, 2026

O hábito (quase institucionalizado) do "passa culpa" dos políticos


O PSD por ser o partido em que os seus dirigentes continuam a gostar de "encher a boca" com o nome de Francisco Sá Carneiro, devia lembrar-se da sua prática governativa e de um aviso que ele fazia aos seus ministros e secretários de estado, de que só tinham seis meses para denunciar ou desculparem-se com os erros dos seus antecessores.

Muita coisa mudou na política e nos partidos do poder dos primeiros anos da democracia até aos nossos dias. 

É a explicação óbvia que encontro para a forma como a ministra da Saúde, a ministra do Trabalho e agora o ministro da Educação,  dois anos e alguns meses depois de serem poder, continuarem a apontar o dedo e a culpar o PS do muito que funciona mal nos seus ministérios...

Curiosamente, quando inauguram algo feito pelos antecessores, esquecem-se de falar deles...

Estes exemplos dizem quase tudo sobre os políticos do século XXI, que nunca se serviram tanto das meias verdades e das meias mentiras, para justificar os seus actos.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, julho 06, 2026

No futebol e na vida, nem sempre uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa...


No futebol e na vida, nem sempre uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa...

Compreendo que Cristiano Ronaldo não pode, nem deve, ser olhado como um humano normal. Basta recordarmos que é um dos raros futebolistas, que ocupam várias páginas do capítulo do futebol do famoso "Livro dos Recordes". Aproximou-se como poucos do "território dos deuses".

Não é por acaso que continua a ser idolatrado no mundo inteiro como mais ninguém, no "desporto-rei" (o rival Messi nunca lhe chegou as calcanhares em popularidade...). 

Esta quase "cegueira" não ajuda nada a que Ronaldo coloque os pés no chão e entenda que o seu tempo já passou, que a partir de agora, será sempre uma pequena amostra do que realmente foi. E quando na própria selecção tem pessoas responsáveis a quererem ficar no começo da lista do seu "clube de fãs" (o selecionador e vários dirigentes), tudo piora...

Nem sei mesmo se existe alguém capaz de lhe dizer que desde o último Europeu, ele deixou de ser o jogador,  único, e imprescindível, que fora até aí. Ou seja, a idade fez com que passasse a ser um atleta comum, que regressasse ao "planeta terra". 

Penso que ninguém tem dúvidas de que a sua presença nos 26 jogadores presentes nos EUA é justissíma. Os problemas só começam quando a "equipa de todos nós" é formada pelo CR7 e mais dez, durante todo o jogo...

Gostava muito que Portugal ganhasse hoje e que o Cristiano marcasse pelo menos um golo. Mas também gostava que ele fosse substituído, a meio da segunda parte, a bem da selecção e de ele próprio.

Sei que estou a pedir muito, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, julho 05, 2026

As boas das esplanadas, as conversas e o uso e abuso do "clube dos amigos disney" na televisão...


O calor não dá tréguas, nem mesmo nas esplanadas lisboetas. Ou seja, as horas do café neste Verão são menos conversadas que noutros tempos.

Espero que as línguas não enferrujem e não se perca este bom hábito tertuliano, de se "dizer mal de toda a gente", cara a cara, com sorrisos, caretas e rostos fechados, ou seja, com emoções para todos os gostos.

Recordo que a última conversa com alguma polémica e desacordo que tivemos foi sobre a televisão e o velho hábito de se convidarem os amigos para tudo e mais alguma coisa.

Todos nós sabíamos que é necessária alguma cumplicidade - e até amizade - para que as coisas corram bem em qualquer projecto. Quando conhecemos alguém que já trabalhou connosco, e é bom nessa área, o normal é falarmos com ele e não com um desconhecido...

Claro que a televisão abusa do amiguismo. Houve mesmo quem desse exemplos do que se passa na escolha de actores para as telenovelas. Há exageros claros e gente que quase que é "banida", por pequenas coisas que acontecem (às vezes apenas por deixarem de namorar alguém influente...).

Todos sabemos que há outras formas mais saudáveis de trabalhar, só que  muitas vezes, os amigos são  as únicas pessoas que acreditam e estão disponíveis para colaborar nos nossos projectos (é normal não estarem excessivamente preocupados com o dinheiro que irão ganhar...).

Espero que no máximo, Setembro nos traga os sorrisos e as línguas afiadas de volta... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, julho 04, 2026

Com o mundo na ponta dos dedos...


Comecei a ler a biografia, "Com o Mundo nos Punhos - elementos para uma biografia de José Santa Camarão", de Luís Filipe Maçarico, mais por curiosidade que por outra coisa.

Publicada pelo Município de Lisboa num curto espaço de tempo, devido à comemoração do centenário do boxeur de Ovar (1902-2002), teve logo à partida um problema, que só quem escreve sente: não existir tempo para deixar o "livro respirar". Muitas vezes esta "pausa", faz com que exista a possibilidade de perguntar à personagem principal, duas ou três coisas que consideramos essenciais, que nos foram deixando com "a pulga atrás da orelha".

Estas questões e estas dificuldades (que o autor não teve qualquer problema em assinalar nas suas "considerações finais"), por que passam todos os investigadores, fizeram com que percebesse muito bem o trabalho hercúleo que foi realizado em apenas quatro meses, o que ainda faz com que esta biografia - de um dos nossos primeiros grandes atletas do nosso país com projecção internacional - seja mais relevante. 

O confronto com testemunhos contraditórios, está longe de ser uma novidade para quem escreve (tanto no jornalismo como na literatura...), e por isso mesmo, é bom que o leitor tenha noção das dificuldades por que passam os biógrafos...

E é aqui que vem ao de cima o bom senso, matéria essencial para qualquer autor, conseguir chegar a um resultado satisfatório, como aconteceu nesta obra de Luís Maçarico.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, julho 03, 2026

As coisas de que não se fala quando se ganha...


Só entendo a entrega do prémio "melhor em campo", a Cristiano Ronaldo, por a sua substituição ter sido decisiva para a vitória de Portugal (as quatro substituições anteriores de Martinez tinham desiquilibrado a equipa. Como de costume, o técnico continua a ter dificuldade em "ler" o jogo e a olhar para os seus jogadores como um todo...).

Como todos sabemos, a FIFA gosta de caminhar com demasiados rabos de palha atrás de si, pelo que nada disto é surpreendente. E já estou a léguas da atribuição do "prémio da paz" a Trump. Escrevo sim sobre a sua cobardia em relação ao que fizeram ao melhor árbitro africano, proibido de entrar em solo americano, ou ao tratamento desigual oferecido à selecção do Irão e aos seus adeptos, pelos norte-americanos.

Bonito, bonito, é vermos jogadores como Gonçalo Ramos darem lambadas de luva branca ao seleccionador ou Diogo Costa provar que é dos melhores guarda-redes do mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


quinta-feira, julho 02, 2026

"Sempre que te encontro"...


Sempre que te encontro

Sabes, 
agora, sempre que te encontro, 
sinto que o tempo está contra nós.
Olhas vezes demais para o relógio, que não usas.
Fico sempre com a sensação que digo demasiadas coisas, 
sem te dar tempo para contrapores,
para me falares de ti.

Esqueço-me que sou um tolo,
que te visita no horário de trabalho. 
Esqueço-me de que és uma excelente profissional.
E não menos importante,
esqueço-me de que não és minha...

E sim, o cabelo mais curto, 
fica-te bem e oferece-te outra leveza
para suportares este calor das arábias...

Luís Alves Milheiro


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, julho 01, 2026

Bom é continuar a seguir a estrada que finge que nos afastar dos problemas...


Pois é... nestas coisa do ambiente, por muito que se tente inventar, não há melhores previsões.

Todos estamos a sentir que o desiquilíbrio é maior do que o que se esperava, ao ponto de começar a silenciar os negacionistas, que usavam mentiras de "perna curta", para se enganarem a eles próprios. 

E o sobe e desce não vai parar. O trágico que acontecia quando "o rei fazia anos", quer passar a ser "o nosso normal".

Não vai ser preciso fazer mais leis, para que não se façam "casas de papel" ou "palácios rente à praia", a natureza resolverá o problema de uma penada.

O curioso, é que para muto boa gente, a solução não está em "acordarmos de vez" para o problema, em mudarmos de atitude, em perdermos o hábito de assobiar para o ar e afagar o nosso umbigo.

Bom bom, era alguém inventar um chapéu com "ar condicionado" para cada um de nós, nestes dias em que os termómetros se querem chamar "cristianos ronaldos" e bater recordes...

E, claro, continuarmos a seguir a estrada com setas e placas, que finge que nos afasta dos problemas (no nosso país temos várias, com mais ou menos buracos...).

(Fotografia de Luís Eme - São Martinho do Porto)


terça-feira, junho 30, 2026

Uma boa e memorável espera...


Só teve de esperar 50 minutos, para embarcar num cacilheiro autêntico, ainda cor de laranja e com motor diesel.

Não tem nada contra as energias mais limpas, é apenas um problema de cor, de daltonismo. 

Como acha que os eléctricos de Lisboa devem ser sempre amarelos, também pensa que os cacilheiros deviam ficar sempre com os bonitos tons da laranja, com que têm ficado imortalizados por tantos pintores e fotógrafos, com bom gosto...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, junho 29, 2026

O esboço de um novo ser humano, mais "panfleto" que "panfletário" (ou as duas coisas)...


Como hoje tudo é comerciável, não devia achar estranha, a abordagem feita por um potencial autor, que mesmo sem "saber escrever", disse-me que uma editora o andava a chatear, para que contasse a história da sua vida, ser o "autor" da sua "autobiografia".

No início fiquei sem perceber muito bem o que estava a ouvir. Ate cheguei a pensar que se tratava apenas de mais uma forma que alguém arranjara para enganar incautos e ganhar uns trocos. 

Quando senti que o meu interlocutor não conseguia esconder o seu orgulho, em poder passar para o lado de cá dos escritores, mesmo que se até então se revelasse incapaz de escrever uma história, por mais simples que fosse, fiquei com a sensação de que era mesmo possível que estivesse prestes a ser enganado.

Quando me vim embora, pensei que esta nova aventura literária devia ter o dedo, da cada vez mais popular, inteligência artificial. Só ela é que seria capaz de fazer a magia de transformar um cidadão sem qualquer talento literário num escritor...

É apenas mais um exemplo do esboço de um novo ser humano, mais "panfleto" que "panfletário", que também se prepara para ser um criativo a fingir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, junho 28, 2026

Ser seleccionador nacional devia ser outra coisa, além de se falar português, cantar o hino e ser amigo do Ronaldo...


Há qualquer coisa que nos prende à selecção, que não tem necessariamente que estar ligada aos patriotismos bacocos das camisolas, das bandeiras e das caricaturas humanas presentes nas bancadas dos estádios, vestidas de Portugal.

Essa qualquer coisa chama-se ser-se português (desde sempre, sem interesses ou tropeções na nacionalidade...).

Deve ser por estarmos distantes deste "bacoquismo", que temos cada vez mais dificuldade em encontrar algo de positivo no futebol praticado pela selecção. É muito poucachinho para um seleccionador estrangeiro falar português, cantar o hino nacional e ser um "grande amigo" de Cristiano Ronaldo.

Qualquer pessoa habituada a ver futebol, mesmo sem ser "catedrático do comentário desportivo", sabe que estas três virtudes não têm nada a ver com o futebol que se joga no relvado.

Há quatro anos que aturamos um treinador medíocre, que além de não ser capaz de escolher os onze melhores jogadores, ainda os coloca fora das posições onde habitualmente jogam nos seus clubes. E das substituições, nem é bom falar. Ontem até fiquei com a sensação de que a permanência em campo de um Cristiano Ronaldo ou de Bruno Fernandes,  durante 90 minutos arrastados, são mais um castigo que outra coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, junho 27, 2026

Eu tenho uma ideia, mas...


As coisas funcionam tão mal no nosso país, que quase todos nós, "temos uma ideia", de como era possível melhorar as coisas...

Isso tanto pode ser na repartição pública onde uma coisa que podiam fazer em menos de cinco minutos, obriga a um "circuito burocrático", que só nos permite receber a "tal coisa", na melhor das hipóteses, daí a quinze dias... Como no SNS, onde além das dores que as pessoas têm e as levam às urgências, ficam a perceber que a vida e a morte nunca é uma urgência no nosso país...

Podia continuar a desenrolar o rolo de papel higiénico, onde estão descritos problemas similares, na justiça, na educação, no emprego, no clube da nossa terra que nunca sobe de divisão ou até na tal selecção, que tem os "melhores jogadores do mundo", que ninguém consegue encontrar nos relvados americanos...

Sei que as coisas melhoravam, muito, se em vez de termos tantos "comentadores", tivéssemos mais "fazedores"...

Mas onde é que eles estão? Onde é que eles andam?

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sexta-feira, junho 26, 2026

«Há pessoas que só dizem o que pensam, com uma máscara, como se fossem outras pessoas...»


Olhava para o Tejo, em mais uma travessia, na companhia da gente de fora, que não perdia uma viagem até Cacilhas, como se no outro lado existisse um ponto turístico, para lhes carimbarem o seu "encontro com o rio", dentro e fora do Cacilheiro.

Desta vez estava longe, não me conseguia desligar do desabafo de um amigo, que acabara de se separar. Disse-me muitas coisas, mas a que me fez mais confusão, foi a confidência de que nunca conseguiu conhecer bem a mulher, nunca conseguiu ter com ela uma daquelas conversas, em que sentimos que entramos dentro do outro... 

O que mais estranhava era ser extremamente activa nas redes sociais, onde usava um outro nome. Era como se fosse outra pessoa...

Confrontou-a mais que uma vez com isso, mas nunca conseguiu chegar a sítio nenhum. Nem mesmo quando foi colocado em uma ou outra situação embaraçosa, na família e no grupo de amigos, sem ser "ouvido e achado"...

Disse-me outra coisa, a que não liguei tanto, por ser mais comum do que o que parece: «Hoje sinto um grande alívio, por não termos tido filhos.»

Mas o que não me saía da cabeça era a frase: «Há pessoas que só dizem o que pensam, com uma máscara, como se fossem outras pessoas...»

Eu estava farto de saber que a maneira mais fácil de olharmos para o mundo, é com os nossos olhos, sem pensarmos que os outros olham para o mesmo lugar e vêm outras coisas... 

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, junho 25, 2026

Um "sapinho" que se tornou (mais) feio...


Está quase a terminar o tempo de  "vida" dos blogues do Sapo.

Todos (até os bons, que sigo diariamente...), têm de escolher outro endereço, a partir do próximo mês. A não ser que aproveitem esta oportunidade para dizerem adeus à blogosfera...

Lembrei-me que, quando somos conservadores, há sempre coisas boas e más à nossa espera... por termos ficado parados ou por termos dado um passo em frente.  

Não registei a data, mas deve ter sido há mais de quinze anos (o tempo tem asas, cada vez mais velozes...), que me convidaram para me mudar para o "clube dos sapos". Deram-me um nome feminino e um número de telemóvel de contacto, para o qual nunca liguei.

Segundo o convite, eles estavam apostados em ter os melhores blogues nacionais e o meu "Largo" fazia parte da lista... As pessoas  gostam sempre de exagerar, vá lá saber-se porquê.

Não perdi muito tempo a pensar no assunto. Não tinha nada a apontar ao "blogspot". Sentia-me bem e livre (só uma vez é que entraram em contacto comigo por causa dos direitos de autor de uma imagem, mas até isso foi positivo, porque fez com que passasse a utilizar apenas as minhas imagens em mais de 99% dos textos...).

O mais curioso nisto tudo, é que, vinte anos depois (sim o "Casario" já fez vinte anos...) os blogues continuam, velhos e antiquados, mas vivinhos da silva. Apenas o "sapo" é que está a morrer...

Há outro dado curioso. Se o número de visitantes e de visualizações está certo, 2026 tem sido o ano de todos recordes, tanto no "Largo" como no "Casario".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, junho 24, 2026

Nunca tinha pensado nisso, mas basta olharmos para o mundo, com olhos de ver...


Estava quase a chegar a casa, quando me cruzei com uma vizinha (daqueles com quem nunca trocámos qualquer palavras, nem mesmo um simples bom dia ou boa tarde...).

Ela falava com o seu pequeno cão (quase de bolso), como se fosse uma pessoa. Depois de lhe dar uma reprimenda quase a brincar, fez-lhe uma festa.

Estou farto de ouvir falar da "transferência familiar", dos animais que são tratados como filhos pelos seus donos, quase sempre com mil cuidados. Além das conversas diárias, como a que assisti, vivem no interior das casas, são regulares visitas ao veterinário, e os seus "pais" até os costumam "vestir", especialmente no tempo frio.

Mas desta vez pensei na "transferência de afectos"... Nunca vi esta senhora com um homem ou com uma criança. A sua solidão é igual à de milhares de pessoas, especialmente mulheres, que marcadas por más experiência de amor (nós homens somos bons como "bestas humanas"...), dentro e fora da família  nunca mais nos dão qualquer possibilidade de aproximação, pelo menos intima e afectiva.

Nem se trata de uma "solidão invisível", como por vezes se gosta de dizer. Ela é bem visível, está bem presente aos olhos de todos...

Basta olharmos para o mundo que existe à nossa volta.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, junho 23, 2026

O Portugal do Correio da Manhã (e das imitações que se fingem mais "finas"...)


Portugal acabou de ganhar, cinco a zero, a um pedaço da velha Rússia e União Soviética, chamado Uzbequistão.

Como era de prever, Cristiano Ronaldo marcou dois golos e passou de besta a bestial. Alguns dos comentadores que o crucificaram nos últimos dias, devem estar a montar um altar nas suas televisões...

Lembrei-me das palavras de António Lobo Antunes, que fingia não se levar a sério como cronista. Não eram sobre futebol, eram sobre nós, sobre a televisão e sobre os políticos que andam vestidos com a camisola da selecção nas redes sociais:

«É extraordinário como gostamos de comer merda desde que seja açucarada, é extraordinário percorrer a lista dos best sellers nas livrarias. Isto, claro, não é um fenómeno português, é um fenómeno universal, e nem sequer é recente. Dura desde o século XIX pelo menos, e é fácil de explicar, como é fácil de explicar o sucesso do jornal Correio da Manhã, de certos programas de televisão, de certos políticos, dos espaços sobre futebol que encharcam os ecrãs, das telenovelas miseráveis.»

Estas palavras foram publicadas na "Visão" a 23 de Fevereiro de 2017, há mais de nove anos. Provavelmente, daqui a vinte anos continuarão actualizadas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 22, 2026

Quase "certificados (ou atestados) de sexualidade"...


Uns familiares afastados, quase que nos obrigaram a entrar na sua casa, com o argumento de tomarmos o café, que íamos beber à Associação Cultural local, quando passámos pela sua rua. Acabou por ser uma visita de médico agradável.

Um dos aspectos curiosos que mereceu a atenção dos meus filhos, foram duas fotografias, de nus, de bebés, dos dois filhos do casal, que são da minha geração, expostas em cima de um dos móveis da sala.

Começaram por "gozar" o prato, afirmando que eu e o meu irmão também devíamos ter fotos daquelas na casa da avó. Acabámos os quatro a sorrir. Argumentei que foi um pormenor que escapou à nossa família, e ainda bem. Isso fez com que nós também não explorássemos a sua nudez em bebés...

Quase em coro, os meus filhos disseram, "que pena". E nova gargalhada geral.

O mais curioso, é que a maior parte destes retratos eram tirados no atelier de fotografia. Sem encontramos uma justificação, achámos devia ser uma moda geracional, que ajudava as lojas de fotografia a sobreviverem.

A conversa ainda avançou mais, ao ponto de se falar em "certificados (e atestados) de sexualidade", a prova de que éramos meninos ou meninas... 

Algo que hoje não prova grande coisa (a não ser para o "toureiro"do CDS...), pois há quem tenha pilinha e se ache mulher e quem tenha pipi e se sinta homem...

(Fotografia de Luís Eme - A Foto Franco é uma boa resistente, que continua com a sua loja história aberta, na Rua das Montras das Caldas. E tem exposta, com orgulho, uma fotografia do  actual Presidente da República).


domingo, junho 21, 2026

Já nem é preciso chegar a amanhã para se mentir...


Se eu tivesse dúvidas da paixão que desperta o futebol, em que quase todos querem ter opinião, por mais diversas que sejam, elas dissipavam-se com o que se tem passado com o Mundial.

Nem se pode dizer que a "vox populi" esteja certa, mesmo que faça o mesmo que os comentadores televisivos, num contorcionismo diário, que se normalizou, dando razão a um certo dirigente desportivo que não teve qualquer problema em dizer que no futebol "o que hoje é verdade amanhã é mentira", como se tivesse uma "bola de cristal" para ver o futuro.

É por isso que o nosso "pior do mundo", se marcar um ou dois golos no próximo jogo, corre o risco de voltar a ter de vestir a pele de "salvador da pátria".

Noutros tempos podia-se falar de honestidade ou desonestidade intelectual, mas como estão a querer "matar" e a banir os intelectuais do Planeta, nem vale a pena pensar-se nisso.

A questão mais estranha nisto tudo, foi esta "futebolização televisiva" ter feito "rolar a bola" para todas as áreas, com relevo para a política. Aliás, ainda foi mais longe, nem é preciso chegar a amanhã, para se mentir, como percebemos com os discursos de Montenegro ou Ventura...

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


sábado, junho 20, 2026

Festa operária em Lisboa na sexta-feira...


Tinha de ser alguém de fora, a dizer que exagerávamos, cada vez mais, na nossa forma de sermos "porreiros" para com os políticos. Disse inclusive que depois do que Hugo Soares e André Ventura tinham dito na quinta-feira e depois do que aconteceu na sexta (chumbo da Reforma Laboral), não havia mais espaço para eles na "câmara dos comuns".

Claro que o Peter - que adora que lhe chamemos Pedro  - estava a exagerar, embora o parlamentarismo do seu país nos oferecesse vários exemplos, de que nós éramos de facto demasiado permissivos.

Se estivermos virados para o humor, somos capazes de achar engraçada a reacção de ambos, no dia em que a proposta de Reforma Laboral foi votada e deitada para o lixo em São Bento. Ventura cantou vitória e até foi capaz de se virar para as bancadas onde estavam os representantes da CGTP e erguer o punho fechado como se fosse o grande defensor da classe operária.

Já o líder parlamentar do PSD, depois de levar mais um "bailinho populista" do Ventura, foi capaz de dizer, com um ar sério, que "com o PSD ninguém brinca"... E depois ainda teve coragem (ou cobardia, depende do ponto de vista...) para tentar colar o PS ao Chega e falar de uma "coligação"...

Tudo isto é realmente triste e mau de mais para ser verdade. 

É por isso, que a única coisa que interessa mesmo, é que esta Reforma Laboral, feita à medida dos patrões, foi chumbada. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, junho 19, 2026

É tão fácil comparar o que não é comparável...


A coisa mais fácil de dizer e fazer, depois da primeira jornada do Mundial, é colocar Messi no Olimpo e Ronaldo nas catacumbas.

Fingem mais uma vez que se pode comparar o que não é comparável.

Muitos até dizem que Cristiano nunca foi um génio, que o seu talento é apenas fruto de muito trabalho e disciplina.

Se tivessem falado com os seus antigos companheiros das camadas jovens do Sporting, ou com os seus técnicos, percebiam que Ronaldo foi desde sempre, "o melhor de todos". Desde os iniciados até aos juniores.

Claro que foi sempre um jogador diferente de Messi, até na zona do terreno onde jogava. Por ser alto, forte e rápido, jogava nas alas, sem nunca perder de vista a baliza adversária. A velocidade, a força, a técnica e a inteligência, sempre foram as suas grandes armas. Messi, pequenino e franzino, valia-se da magia que tinha nos pés, para esconder a bola e ludibriar os adversários, ao mesmo tempo que era protegido (e bem) pelos árbitros, pela sua aparente fragilidade física.

É por isso natural que se note muito mais, a decadência futebolística de Cristiano. Além de ser mais velho dois anos e alguns meses, perdeu,  naturalmente, as suas principais armas. A velocidade e a força física não são as mesmas aos 41 anos, que eram aos 25, 30 ou 35 anos. É um problema com o qual Messi não se confronta de forma tão directa. A sua magia não se perde no tempo, porque faz parte da sua essência, sem estar dependente apenas da condição física, de mais ou menos velocidade.

É por isso que continuo a achar que não se pode comparar o que não é comparável.

Escrevi isto sem qualquer patriotismo bacoco. Para mim, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, são os melhores de sempre.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quinta-feira, junho 18, 2026

Eles não sabem, mas o Humanismo não cabe nos caixotes do lixo...


O que mais me tem chocado na governação falsamente democrática de Montenegro, é a quase ausência de humanismo, na maior parte das suas medidas de cariz social.

Eu sei que esta maltinha da direita sempre gostou mais de dar esmolas, que de criar condições para que as pessoas pudessem viver com mais dignidade... e não se limitarem a olhar para o chão.

Até iam à missa (muitos ainda devem ir e até comungam e tudo...) e fingiam-se cristãos, mesmo que não soubessem muito bem o que era isso. O que eram mesmo, era católicos...

Mas vamos lá ao assunto que interessa. Não satisfeita com a tentativa de aprovação da PSU, a AD resolveu alterar também as regras do SMC (Subsídio de Mérito Cultural). Pelo que li na reportagem da Joana (Amaral Cardoso) nas páginas do "Público", fizeram-no de uma forma cobarde e silenciosa. Ou seja, simplesmente decidiram reduzir e cortar os subsídios, que eram atribuídos a antigos homens e mulheres das artes e letras, que viviam com dificuldades, sem qualquer aviso ou informação.

Perante este drama, houve mesmo uma tentativa de suicídio de um velho fotógrafo, que viu o seu subsídio ser reduzido de 470 para 128 euros. Já vivia mal e esta alteração fez com que se sentisse quase "condenado à morte".

Faz-me ainda mais confusão que sejam ministras a estarem ligadas a todas estas polémicas de tostões (e o dinheiro nem é delas, é de todos nós...), quando sempre se reconheceu uma maior sensibilidade social às mulheres...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)