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quarta-feira, dezembro 24, 2025

Porque é Natal...


Porque é Natal…
 
Esta quadra festiva é de muitas coisas,
quase todas de apenas um só dia.
sejam elas a solidariedade
(que nunca se gasta, pelo menos nos discursos…)
seja a própria reflexão “cristã”
(que muitos católicos querem que seja só deles…)
sobre este tempo que hoje nos divide mais do que nos aproxima.
 
Todos nós caímos na “esparrela”
porque o Natal continua longe de ser quando um “homem quer”…
e festeja-se num só dia do ano.
Parece-nos quase sempre pouco, mas é apenas isso, uma aparência…
é suficiente para juntarmos a família,
é suficiente para oferecermos presentes
é suficiente para nos sentirmos melhores pessoas…
 
E chega de conversa, senão ainda começo a usar as palavras
obrigatórias para se conseguir ser “miss mundo”…
 
Claro que vos desejo BOAS FESTAS,
Mas não limito os votos de SAÚDE, PAZ,
a um só dia, mas sim a todos os dias do ano.

Mas o que realmente todos precisamos
é de uma grande dose de paciência para conseguirmos
sobreviver a este tempo que contraria
os valores humanistas, que nos foram deixados pelo
verdadeiro causador do Natal, Jesus de Nazaré.
(mas até isso os Americanos nos roubaram, ao imporem-nos o gordo das barbas brancas, que se veste como se fosse do Benfica e tem umas renas voadoras que lhe puxam a carroça…)
 
(Fotografia de Luís Eme - Seixal)

 

domingo, abril 20, 2025

O pouco peso da religiosidade nas nossas vidas...


Ano após ano, sente-se que o peso da religiosidade vai diminuindo nas nossas vidas.

O mais importante dos dias memoráveis já não é o seu simbolismo religioso e a história, mas a sua transformação em datas meramente festivas. Pouco interessa que o Natal festeje o nascimento de Jesus da Nazaré, e agora aa Páscoa, a sua ressureição, o importante é estas datas se terem transformado nas grandes referências do consumismo. Usa-se e abusa-se do poder económico e também da gastronomia.

Não deixa de ser curioso, que tanto o Pai Natal como os Coelhos e os Ovos, sejam hoje mais populares e festejados que Jesus...

Claro que é apenas mais um registo do nosso retrocesso civilizacional, da deturpação que se faz da própria história.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, dezembro 22, 2024

O Natal já foi outra coisa...


Nunca percebi como é que a igreja (se calhar devia escrever "igrejas"...) entrou neste "logro" que é o Natal do senhor das barbas brancas e das roupas vermelhas, que não deixa de ser uma boa história vinda da Lapónia, mesmo que esteja muito longe de se aproximar, quanto mais de suplantar, a que todos conhecemos sobre o nascimento de Jesus de Nazaré. 

Mas em termos práticos, suplantou. E há já uns anos valentes. 

Na minha infância ainda existia o Menino Jesus e o célebre sapatinho, que se colocava na chaminé. Não me recordo se já existia a "parceria" com o Pai Natal (talvez já fosse uma espécie de funcionário de Deus, ou de Jesus, também com superpoderes...), que com o seu carro e as suas renas chegava a todo lado. E embora fosse anafado, conseguia encolher o corpo e descer por todas as chaminés e deixar os presentes...

Estas histórias estão sempre repletas da palavra "talvez"... E insistindo nela, talvez o Papa e os seus conselheiros tenham achado graça à figura e achassem que podiam utilizá-la, para proveito próprio (mesmo que acabassem por perder o "fio à meada", a meio do caminho)...

Vejam lá, que até fiquei a pensar, que, talvez tenha sido também por causa do Pai Natal que o Salazar, proibiu a "coca-cola" no nosso país. Ele, como qualquer ditador que se prezasse,  era "muito religioso" e não embarcava muito em "americanices"...


sexta-feira, dezembro 20, 2024

Um Natal com cada vez mais dificuldades em esconder as "misérias humanas"...


Não sei se lhe chame uma coisa curiosa, até porque pode ser mais comum do que aquilo que eu possa imaginar.

À medida que os anos vão passando,  tenho cada vez menos paciência para o Natal.

Sei que em parte isso deve-se a este mundo que nos rodeia, ter cada vez menos ares natalícios (as luzes e as montras não contam...). Gaza, Beirute, Damasco ou Kiev, são os maiores exemplos...

Por outro lado, como tenho os filhos já adultos (ainda não há netos...), perdeu-se um pouco o encanto e a sua alegria contagiante (mesmo que passageira...) em receber presentes...

Tenho vários defeitos, mas a hipocrisia, o cinismo e a inveja, não estão no "pacote" (e ainda bem, são das coisas mais miseráveis e vulgares dos seres humanos...). E esta época traz todas essas coisas - em "tamanho xl" - para as casas, para as ruas, para as igrejas e sobretudo para as lojas.

E se há coisa que nós vamos perdendo com os anos, é a paciência para fazermos fretes.

Claro que isto não tem nada a ver, por exemplo, com a reunião natalícias das famílias. Numa época em que este núcleo especial tem sido tão desvalorizado, é bom que as pessoas que se encontrem, nem que seja, na tal "uma vez por ano"...

É com gosto que janto a 24 com a minha sogra, passo ceia com os meus cunhados e mais família (onde até costuma aparecer o "pai natal"...). Ou almoço a 25 com a minha mãe e o meu irmão...

Mas não consigo suportar este regresso ao passado, ao tempo dos "coitadinhos", com os ricos a voltarem a "escolher" o seu pobrezinho, para a sua ceia (voltou-se a isto, com mais visibilidade, porque os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres...) ou a ver o presidente da república a servir refeições aos sem abrigo (ele bem podia fazer com que o natal para esta gente não fosse apenas um dia. Até lhe dou a ideia de, quando sair do cargo, fomentar estes encontros, mensalmente...).

Nota: Este texto começou por ser publicado no "Casario", depois passou para as "Viagens" e agora fica aqui no "Largo"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, dezembro 01, 2024

«Toda a gente quer receber e ninguém quer dar»


«Toda a gente quer receber e ninguém quer dar.»

Esta é uma das frase que não devem ser ditas, pelo menos nesta época do Natal.

Ligas a televisão, vês as notícias sobre toda a gente que doou toneladas alimentos ao Banco Alimentar, e pensas de imediato que quem diz uma frase destas, anda "a brincar com a malta".

Talvez seja necessário colocar os "pobrezinhos" de lado, e olhar para a sociedade com alguma frieza. E até para a nossa casa...

Perceber a indiferença crescente em relação ao outro. Pior que este esquecimento do outro, é o egoísmo, também crescente. Talvez ele até se note mais nas famílias, como me disse a Rita, com quem não me encontrava à meses.

Falou-me das dificuldades que tem em compreender a filha, de dezoito anos. Sabe que o problema é da miúda sempre ter tido tudo, não sonha sequer o que é viver com dificuldades. Se soubesse o que é querer comprar uma peça de roupa, um creme ou um perfume (só para falar dos "pequenos luxos"), e não ter dinheiro para isso... Talvez pensasse duas vezes em vez de dizer coisas parvas.

Por muito que se ande por aí a tentar fugir da realidade (os governos de propaganda, tanto do Costa como de Montenegro, ajudam mais do que parece...), não consigo deixar de dar razão à Rita...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, novembro 30, 2024

A necessidade de antecipar o Natal...


Percebo que o comércio queira antecipar o Natal, que sejamos massacrados diariamente com as suas "black friday" (que podiam perder o "friday", embora também perdesse a graça...) e que nem mesmo assim se verifiquem as enchentes tão desejadas, no chamado comércio tradicional (fora dos centros comerciais)...

Talvez seja esse mesmo comércio que faça pressão junto das Autarquias, para que se comecem a iluminar as ruas cada vez mais cedo e a instalar as árvores de Natal, quase gigantes, nos seus lugares mais centrais.

Talvez sejam essas árvores gigantes que fazem com que muitas casas já tenham as árvores de Natal montadas e se preparem as iluminações particulares neste último dia de Novembro, mesmo que não se faça qualquer "black friday" no preço da eletricidade...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


domingo, dezembro 24, 2023

«E se for uma gaivota?»


«Vê lá se hoje não falas dos sem-abrigo. Sabes tão bem como eu, que eles nesta época, estão um bocadinho melhor que no ano inteiro, fazem parte das ceias de Natal que dão na televisão. São um bocado o presépio vivo daqueles que estão acima dos remediados.»

Antes que eu dissesse alguma coisa, insistiu em continuar a ser bom "conselheiro": «Coloca a fotografia de um gatinho, com um laçarote, com umas palavras bonitas. Tem mais a ver com o Natal.»

Quando nos servem ironia em doses capazes de alimentar um urso, não nos restam muitas palavras. Foi por isso que eu respondi: «E se for uma gaivota?»

Um pouco fora de propósito, deixo-vos votos de Boas Festas, com mais esperança que ironia para o ano, que já está ali mesmo à porta.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, dezembro 17, 2023

Um Natal mais estranho que todos os outros...


Não me lembro de sentir o Natal tão estranho como neste nosso tempo.

Os miúdos cresceram e já não ligam muito a estas coisas...

Mas sei que não é isso. 

Cada vez suporto menos este mundo que nos rodeia, que é para tudo, menos para natais.

Incomoda-me cada vez mais a normalização do egoísmo, da mentira e do roubo da vida...

Deve ser também por isso, que não me apetece, quase nada, receber ou dar presentes. Prefiro ficar mais fora que dentro desta "febre consumista"...

Mas o que preferia mesmo, era que toda a hipocrisia deste tempo passasse depressa, mesmo percebendo que um dia não são dias, pelo menos para quem vive na rua, que tem a possibilidade de ter roupa lavada e comida quente, durante a época festiva. 

E até pode ser que um ou outro seja "sorteado", para passar a consoada com uma daquelas famílias ricas, que gostam de manter as tradições...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, abril 08, 2023

Mesmo que Deus não Exista, nota-se mais "a sua presença na Páscoa e no Natal"


Mesmo que Deus não exista, nota-se mais a sua presença nas quadras festivas religiosas, como são o caso da Páscoa e do Natal.

Além de ele ser mais evocado um pouco por todo o lado, com a televisão a escolher uma ou outra fita que recorde a figura de Jesus Cristo e a abrir portas à publicidade, que nunca perde uma oportunidade de usar "alguém" para vender mais, mesmo que sejam apenas ovos e coelhinhos da Páscoa...

As pessoas também mudam o seu comportamento, sorriem mais e até param os carros nas passadeiras. É uma hipocrisia que não faz mal a ninguém. Até nos faz pensar que nem era má ideia existirem mais "páscoas" e "natais" durante o ano...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, dezembro 24, 2022

Um Dia não são Dias...


Embora a história destes últimos tempos os tenha reduzido, uma das melhores coisas do mundo continuam a ser os amigos, com quem se pode falar de tudo. Até é possível troçar do Pai Natal e tudo, nestes tempos já de si apressados em que se corre um pouco mais, pelo menos durante um dia ou dois...

De Jesus todos sabíamos a história, da fuga, do nascimento quase acidental num curral, daí a companhia do burro e vaca... Também imaginávamos que a estrela e os reis magos apareceram depois, graças a um contador de histórias, dos bons, que quis aproximar ainda mais este nascimento dos céus.

Agora sobre o velho das barbas brancas e da corrida às compras, acabámos por chegar a acordo que tinha sido uma criação de algum capitalista espertalhaço, daqueles que até quando dão pontapés nas pedras, descobrem uma oportunidade de negócio. 

Mas andámos por outros lados, esquecidos do vermelho da coca-cola, inspirados nas pessoas que quase corriam à nossa volta, e que sim, até tinha sido uma criação feliz. Nem sequer parámos na patranha de que devia ser natal todos os dias. Se o fosse, deixava de ser Natal...

Apaziguados pela época, nem sequer criticámos o presidente da República, que nesta quadra gosta de servir refeições àqueles que a única coisa que têm é a rua. Estávamos tão embebidos pelo espírito natalício, que se ele aparecesse por ali, até éramos capaz de tirar uma "selfie" para a sua colecção. 

Como o Carlos disse, se perguntássemos a todos estes rapazes e raparigas que vivem ao deus dará, se estão de acordo com estas refeições natalícias, a maioria dizia que sim, porque um dia não são dias... Eles sabem que é melhor um que nada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, dezembro 18, 2022

Fingir Desconhecer a Palavra Civismo...


Nestes dias que antecedem o Natal é normal existir mais confusão de trânsito que no resto do ano. Mesmo com a inflacção, a correria tonta à procura de prendas é a mesma de sempre.

E foi por causa das compras, que eu estava ali parado, dentro do carro, bem estacionado, porque entretanto alguém deixara um lugar vago. Esperava e desesperava para que "ela chegasse" com as mãos cheias de sacos...

Quase a meu lado uma mulher jovem buzinava há já um par de minutos, porque alguém a encurralara com o carro e fora às compras, com a maior desfaçatez. Algum tempo antes houve outro alguém que também me tentou "prender", mas eu buzinei, e ele lá foi "tapar outro carro" nas redondezas, de preferência sem condutor...

Entretanto o homem chegou e em vez de pedir desculpa à jovem pelo incómodo, começou a insultá-la, por esta ter demonstrado o seu desagrado, educadamente, por ter de ficar ali presa, há já uns bons cinco minutos. 

Eu achei tudo aquilo surrealista, embora fosse mais normal do que poderia parecer, vindo de quem vinha o insulto.  O sujeito era de etnia cigana e devia passar o tempo fingir que desconhecia o significado da palavra civismo, quando circulava pelas ruas da cidade.

Acabei por ficar a pensar, que ainda bem que era uma mulher que estava ali, a afastar-se com o carro. Ela não só não voltou a dirigir a palavra ao "selvagem", como foi capaz de fingir que ele não existia. 

Se fosse um homem não ia reagir assim e acabaria por haver confusão, com toda a certeza pouco natalícia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, dezembro 01, 2022

Este Começo de Dezembro e o Natal (mais distante)...


Este começo de Dezembro, com o frio a começar a forçar o uso de roupa quente, a publicidade a cheirar a Natal, tanto nas ruas como na televisão, está longe de me convencer... Até já começaram a "plantar" as árvores da época aqui e ali. Mesmo assim, nunca me senti tão distante do Natal.

É provável que isso aconteça em parte porque os meus filhos já são adultos (e a vida ainda não "chegou a netos"...). Por outro lado, a pandemia conseguiu quebrar com uma série de hábitos, como eram as reuniões familiares quase grandes. Mas não é só isso...

Sei que a razão principal é este nosso regresso forçado a uma vida cada vez mais difícil, graças a esta inflacção galopante, que nos lembra todos os dias, que vivemos tempos de guerra, como se a Ucrânia ficasse logo ali, ao virar da esquina... E nem é preciso ter muita imaginação para nos colocarmos no lugar dos milhões de pessoas que, além de morrer assassinadas pelas bombas russas, também têm de lutar diariamente para conseguirem suportar o frio excessivo e até a fome...

E esta conversa está longe de ser coisa do "discurso das misses". É uma realidade que nos persegue há já quase um ano. 

Sentimos que é tempo para tudo, menos para festas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, dezembro 24, 2021

Feliz Natal


Se retirarmos as habituais doses de hipocrisia, daqueles que até "escolhem" um pobrezinho para sentar na sua noite de Natal (quase como "personagem" de presépio), esta festa cada vez menos religiosa, continua a ser sobretudo da família e das crianças.

Se há data do ano que consegue reunir a família é o Natal. Esquecem-se quezílias, mesmo que seja só por uma noite...

E não há nada como o ar expectante e a alegria das crianças, de cada vez que recebem um presente (embora o "excesso" quebre a espontaneidade...).

É também por isso que desejo um Feliz Natal para todos os que passam por aqui, de uma forma visível e de uma forma invisível.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, dezembro 02, 2020

«Felizes são os que acreditam. Mas podem seguir viagem, que eu não passo de um infeliz»


O Natal sempre foi a época do ano em que se fazem mais apelos ao consumismo e também à boa vontade das mulheres e dos homens. Este ano existe ainda uma ajuda extra, a pandemia, para  tentar explorar, ainda mais, o nosso lado sensível.

Não nos custa muito dizer sim ao empregado da loja que nos diz se queremos ajudar com um euro uma associação que ajuda criancinhas, que precisam de um lar, ou de outra coisa qualquer. Agora quando nos querem impingir umas bugigangas em troca de uma doação mínima de cinco euros, para ajudar uma daquelas associações de que nunca ouvimos falar, sentimos que estão a abusar de tudo, até da sorte. 

Quando o Rui disse, com um ar sério: «Eu sei que felizes são os que acreditam. Mas podem seguir viagem, que eu não passo de um infeliz», as duas jovens olharam uma para a outra com cara de caso, em silêncio. Quando perceberam que dali não levavam nada, seguiram viagem com a cestinha cheia de bonecos, à procura de melhor sorte na sua caminhada natalícia, lançando-nos algo parecido com um "mau olhar".

Embora eu soubesse que o Rui estava certo, aqueles que acreditam são sempre mais felizes, nestes casos com demasiadas pontas soltas, também prefiro ser "infeliz"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, dezembro 24, 2019

Boas Festas para Todos



(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, dezembro 02, 2019

«O mundo é dos espertos, mas também dos outros...»


Todos aqueles que passam a vida a "descobrir a pólvora" deviam lembrar-se, de vez em quanto, que já andamos por cá há muito tempo, desde que "deixámos de ser macacos"...

É por isso que não lhes fazia mal nenhum, em respeitarem um pouco mais a "espécie humana".

Algés acolhe este ano uma coisa chamada "Capital do Natal", cujos preços de entrada estão ao nível de uma "Disneyland" ou "Isla Mágica". Segundo os testemunhos de quem por lá esteve (especialmente turistas espanhóis...), esta iniciativa não passa de uma fraude. Queixam-se de publicidade enganosa, pois não há neve, só existem três atracções, os animais não estão a ser tratados com o mínimo de dignidade, longas filas, comida péssima, casa de banho mal preparadas, etc.

Se é verdade tudo o que se diz (não estou a pensar passar por lá para me certificar...), espero que tenham o que merecem, quando fizerem as contas, depois do Natal...

Porque deviam lembrar-se, que, "o mundo é dos espertos, mas também dos outros..."

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, dezembro 24, 2018

"Natal à Beira-Rio"


Natal à Beira-Rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado...
É noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem se perdeu na terra.
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem agora conduzir-me
à Beira deste cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 10, 2018

O Homem que Finge que Não Gosta do Natal...


Olham para ele, como o homem que não gosta do Natal. É o único do armazém que nunca foi ao jantar pago pelos patrões na noite de 23 de Dezembro. Se não janta, ainda menos leva os filhos à festa que se segue, para receberem os presentes, comprados por atacado aos chineses.

A questão é mais grave do que parece. Ele nunca suportou os "filantrópicos" que andam a vida inteira a explorar os seus empregados, pouco preocupados, como sobrevivem todos os meses com ordenados miseráveis. 

E como nunca gostou de "esmolas", mesmo que venham embrulhadas em papeis brilhantes, finge que detesta a época natalícia...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 01, 2018

A Boa da Sabedoria Popular...


A sabedoria popular ajuda-nos, não a encontrar explicações para o inexplicável, mas a relativizar o nosso quotidiano, quase sempre de uma forma irónica e metafórica.

Claro que quando diz que "não há mal que sempre dure", esquece-se de muita gente, que vive "num autêntico calvário" diário, gente que nem sequer consegue fingir-se feliz, se esquecermos esse turbilhão a que chamam Natal (nesta quadra surgem sempre uns milhares de beneméritos, inesperados, inclusive as senhoras das revistas, que colocam aventais para a fotografia e para a televisão, quando estão a "cozinhar" ou a "servir" os pobrezinhos...).

Natal que já anda por aí nas montras, nos anúncios publicitários e nas cabecinhas de muitas pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 25, 2017

O Natal é uma Lupa










O Natal é uma Lupa

De onde é que chegou tanta gente?
Pergunta o poeta cínico e curioso
habituado a uma cidade diferente,
mas ninguém responde ao seu tom jocoso

Todos querem agarrar a felicidade
inventada dentro de sacos de presentes
e nas luzes das casas e ruas da cidade
até prometem ser ligeiramente diferentes

Eles querem lá saber de quem nasceu
em Belém embrulhado em palhinhas
se ele era Jesus ou apenas um Judeu
querem sim é o Pai Natal das prendinhas

Até disseram que os pobres da rua
tinham sido contratados, eram actores
que tinham grande intimidade com a lua
cheiravam bem e não mostravam as dores

Parece que todos dão amor de graça
debaixo do rótulo de uma data especial
até ignoram os poetas da desgraça 
que não sorriem nem dizem Feliz Natal


Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de autor desconhecido)