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domingo, julho 12, 2026

O comboio continua a ser o melhor transporte do mundo...


Quem como eu percorreu parte do fim da adolescência e começo da idade adulta a viajar de comboio, mesmo com os atrasos tradicionais, sabe que ele é o melhor transporte do mundo, especialmente ao nível da segurança.

É por isso que nunca perdoarei aos políticos que andaram durante décadas a tentar destruir (destruindo muitas linhas e fechando muitas estações de Norte a Sul), em nome de um progresso e de um "mundo novo" que nunca chegou a esses lugares...

Mas nem é sobre isso que pretendo escrever.

Quero escrever sim, sobre a tal sensação de segurança que é transmitida pelo comboio, ao ponto de se mostrar capaz de "levar toda a gente", mesmo que viaje superlotado (tanto posso olhar para as imagens da Índia como as da Linha de Sintra) e de uma forma completamente desconfortável.

Mesmo com estes exageros, não há o perigo de "ir ao fundo" como as embarcações navais, ou vir parar cá abaixo como os aviões (por muito que nos digam que este sim, é que é "o melhor e o transporte mais seguro do mundo").

Até agora tem resistido a todas as "avarias", "boicotes", "desinvestimentos" ou "incumprimento de horários"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, julho 10, 2026

É bom recordar que a presidência do SMAS nos últimos anos tem funcionado como "moeda de troca" em Almada...


Tudo o que acontece - de mau e de bom - no Concelho de Almada, está directamente ligado à governação do PS, e à presidência de Inês de Medeiros. São mais de oito anos e meio de poder. Os socialistas não têm qualquer espaço para o habitual "passa culpas".

Existe sim, alguma cumplicidade com os partidos com que se coligou ao longo dos mandatos.

É por isso que se trata de uma piada de mau gosto, o PSD ter vindo a terreiro, afirmar que "não tem nada a ver com assunto". Os factos falam por si, foi um vereador do PSD que presidiu os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) entre os anos de 2017 e 2024.

O mesmo se passou na coligação seguinte, feita com a CDU. Mais uma vez, Inês Medeiros "ofereceu" a presidência do SMAS ao partido com que acordara governar Almada, neste seu último mandato (desde Outubro de 2025).

Isto prova duas coisas. O pouco interesse que o SMAS sempre despertou ao PS e à presidente de Câmara (que também se comprova com a redução de investimento durante os dois primeiros mandatos, com a cumplicidade do companheiro de coligação, o PSD). E a ligação dos partidos com que se coligou a todo este problema (bem podem tentar "sacudir a água do capote", como o fez  apressadamente o vereador do PSD...), por terem aceitado a presidência do SMAS, mesmo que fossem apenas uma espécie de "rainha da inglaterra"...

Nota: Texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, junho 27, 2026

Eu tenho uma ideia, mas...


As coisas funcionam tão mal no nosso país, que quase todos nós, "temos uma ideia", de como era possível melhorar as coisas...

Isso tanto pode ser na repartição pública onde uma coisa que podiam fazer em menos de cinco minutos, obriga a um "circuito burocrático", que só nos permite receber a "tal coisa", na melhor das hipóteses, daí a quinze dias... Como no SNS, onde além das dores que as pessoas têm e as levam às urgências, ficam a perceber que a vida e a morte nunca é uma urgência no nosso país...

Podia continuar a desenrolar o rolo de papel higiénico, onde estão descritos problemas similares, na justiça, na educação, no emprego, no clube da nossa terra que nunca sobe de divisão ou até na tal selecção, que tem os "melhores jogadores do mundo", que ninguém consegue encontrar nos relvados americanos...

Sei que as coisas melhoravam, muito, se em vez de termos tantos "comentadores", tivéssemos mais "fazedores"...

Mas onde é que eles estão? Onde é que eles andam?

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sábado, junho 20, 2026

Festa operária em Lisboa na sexta-feira...


Tinha de ser alguém de fora, a dizer que exagerávamos, cada vez mais, na nossa forma de sermos "porreiros" para com os políticos. Disse inclusive que depois do que Hugo Soares e André Ventura tinham dito na quinta-feira e depois do que aconteceu na sexta (chumbo da Reforma Laboral), não havia mais espaço para eles na "câmara dos comuns".

Claro que o Peter - que adora que lhe chamemos Pedro  - estava a exagerar, embora o parlamentarismo do seu país nos oferecesse vários exemplos, de que nós éramos de facto demasiado permissivos.

Se estivermos virados para o humor, somos capazes de achar engraçada a reacção de ambos, no dia em que a proposta de Reforma Laboral foi votada e deitada para o lixo em São Bento. Ventura cantou vitória e até foi capaz de se virar para as bancadas onde estavam os representantes da CGTP e erguer o punho fechado como se fosse o grande defensor da classe operária.

Já o líder parlamentar do PSD, depois de levar mais um "bailinho populista" do Ventura, foi capaz de dizer, com um ar sério, que "com o PSD ninguém brinca"... E depois ainda teve coragem (ou cobardia, depende do ponto de vista...) para tentar colar o PS ao Chega e falar de uma "coligação"...

Tudo isto é realmente triste e mau de mais para ser verdade. 

É por isso, que a única coisa que interessa mesmo, é que esta Reforma Laboral, feita à medida dos patrões, foi chumbada. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 15, 2026

E esta? Portugal está pior e os portugueses vivem cada vez pior (não digam nada ao Montenegro, ao Soares ou ao Amaro)...


Apesar de nunca ter existido um governo em mais de 50 anos de democracia, que tenha usado e abusado, tanto, da propaganda e da "fumaça", a realidade já não dá muito mais espaço para encenações. 

A aposta em discutir "não problemas", como são os casos das alterações da Lei Laboral ou da Constituição, mesmo que sejam desejadas pelos patrões e pela direita, não resolvem qualquer problema dos portugueses.

A continuada tentação em culpar o PS dos "males" do país, também já não dá grandes hipóteses de se "sacudir o capote", quando tudo está pior que há dois anos. 

Sei que irão "cavalgar" na crise provocada por Trump, mas os problemas na saúde, na educação, na alimentação e na habitação, começaram a agravar-se antes da criação da "portagem do estreito de Ormuz"...

Luís Montenegro, por muito que finja viver num "país imaginário" e tenha conseguido transformar a comunicação social num feudo da direita (cada vez existem menos comentadores de esquerda nos canais televisivos...), já não pode dizer, com a "lata" que o caracteriza: que o país está melhor, mesmo que os portugueses vivam pior.

A realidade salta-nos aos olhos diariamente,, seja nos hospitais, nos mercados, nas escolas, nas bombas de gasolina, nos restaurantes ou nas imobiliárias...

Está tudo pior, se esquecermos a meia-dúzia de pessoas do costume (são tão egoístas, que querem tudo, até a tal lei laboral que põe fim ao pagamento das horas extraordinárias...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, abril 28, 2026

Um pequeno pormenor que distingue um bom de um mau político...


Não sabemos exactamente como se continua a viver na região de Leiria, mas fazemos uma pequena ideia, graças às notícias televisivas...

Milhares de pessoas, apesar dos apoios, continuam a fazer contas à vida, logo que se levantam. Nem quero imaginar o que passa pela cabeça dos pequenos empresários...

Foi por isso que achei curioso o aviso de Montenegro, quando disse, literalmente, que não havia dinheiro para toda a gente. Quem sabe como a "corrente" de apoios se processa, ficou esclarecido. Ele informou as  gentes de Leiria e arredores para se fazerem à vida, porque só ia apoiar a selecção de pessoas do costume, construída normalmente através de cunhas e simpatias políticas.

Sei que Costa não fez as coisas de forma diferente. Não foi por acaso que, quando foi preciso reconstruir as zonas de incêndios, alguns autarcas tiveram de responder em tribunal pela sua dualidade de critérios e aproveitamento financeiro na distribuição de apoios. 

Mas o que ele nunca disse às pessoas, foi a verdade crua. Nunca as deixou ainda mais abandonadas e solitárias do que já se encontram...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


sexta-feira, abril 03, 2026

Fingimos quase todos, que isto é normal...


É verdade, praticamente desde que chegámos ao século vinte e um, que deixou de haver um rumo, do que quer que seja, tanto no nosso país, como no Mundo, começando na Europa e acabando nas Américas.

Quase nunca pensamos nisso. São as conversas mais profundas, mais doridas, que nos fazem pensar de como era a vida no final do século passado e como é agora. 

E nem sequer estou a pensar nas guerras...

Estou a pensar nas mudanças que se deram dentro e fora de nós. Passo a passo, os governantes em quem votamos, vão-nos roubando qualidade de vida, fazendo da "mentira uma nação".

Depois de um século de conquistas, de ganhos em dignidade e valor do trabalho, eis que a exploração capitalista volta a surgir como uma inevitabilidade, como se tivéssemos quase todos de ser explorados porque há um fulano que gosta de ter na sua garagem uma colecção de ferraris, outro sonha viajar até à Lua, e por aí em diante. 

Para tornar tudo mais legal, há uma lei laboral (que acabará por ser aprovada, com mais ou menos pontos...), que promete numerar, cada vez mais  os "colaboradores" e tratando-os quase como se estivessem no final do século XIX, princípios do século XX, em que se ia diariamente para a entrada das fábricas, ver se havia algum trabalho para nós...

O mais curioso, é que fingimos quase todos, que isto é normal...

(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)


segunda-feira, março 23, 2026

Saudosismos & relatoriozinhos...


Apetecia-me falar da Eva Cruzeiro a quem os deputados do Chega mandaram ir para "a terra dela", que penso que seja o nosso país (talvez por isso não seja entendido como uma frase racista...), e do deputado do PSD Hugo Carneiro,  que assinou um relatório, a repreender a deputada socialista, porque parece que no nosso Parlamento não "existem racistas"...

O que sei é que o "programa" começa a quer ir longe demais, na aproximação desejada ao dia 24 de Abril de 1974 (e se possível, ainda mais para trás...). Nessa altura parece que só havia "comunistas" e "fascistas", hoje mantém-se a dicotomia, "esquerda", "direita", ao ponto dos extremistas do lado direito já começarem a reivindicar uma "cultura de direita" e a tentar correr com os "perigosos esquerdistas", que ocupam lugares de destaque (a Rita e o Francisco são o começo de qualquer coisa...).

Talvez queiram voltar à "cultura de salão", com um ou dois músicos do regime, dois escritores, dois pintores... e por aí diante, deixando bem claro, que se vai acabar o regabofe da "cultura para todos".

Quem aplaude sem mexer as mãos são os "moedinhas", os "leitõezinhos" e os "carneirinhos", que gostam de se fingir democratas, nem que seja para a fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sábado, março 21, 2026

"Ginjal: memórias que cabem dentro de retratos" (e de conversas)


Inauguro hoje em Almada na sede/ galeria da SCALA, uma exposição de fotografia sobre o Ginjal. Escolhi como título, "Ginjal: memórias que cabem dentro de retratos". Por a palavra memória ser um pouco "perigosa", normalmente anda em busca de coisas antigas, saliento o facto de todas as minhas fotografias expostas serem do século XXI.

Mas a palavra memória continua a fazer sentido, pelo menos para mim, porque as trinta imagens (são quase cinquenta, algumas foram transformadas em "mosaicos"...) que apresento foram tiradas ao longo de todo o século XXI e mostram um Ginjal, ainda com paredes e muita cor, o que já não existe, desde 2025, quando se resolveu terraplanar todo aquele espaço, cada vez mais povoado por habitantes clandestinos, que viviam em situações completamente indignas...

Há um movimento de antigos habitantes e gente que gosta do Ginjal, que tenta defender este espaço, para que ele não seja retirado a pessoas como eu, que tanto prazer têm em passear por ali, de mão dada com o Tejo. É por isso que depois da inauguração da exposição, decorrerá uma conversa, dinamizada por elementos deste movimento, intitulada: "Ginjal: memória e futuro".

Poderá parecer a muito boa gente que  estas conversas não fazem grande  sentido, por vivermos num tempo pouco receptivo à defesa de interesses colectivos. Como eu penso exactamente o contrário, acho que esta exposição é mais uma boa oportunidade para dizermos o que não queremos que transformem o Ginjal.

Penso que todos estão de acordo, em não querer que o Ginjal se torne numa espécie de Tróia (onde até as viagens de barco se tornaram quase um luxo...), com a invenção de vários condicionalismos que tentem limitar a passagem a todos aqueles que gostam de passear  pelo Cais rente ao rio e conversar com o Tejo.

Como os nossos políticos se distraem com facilidade, é preciso dizer isto aos governantes da nossa Cidade, de uma forma clara. 

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, fevereiro 22, 2026

O encurtamento da estrada da liberdade...


Nos últimos anos, mesmo os países que se dizem democráticos, têm tido o cuidado de ir colocando limites nos caminhos da liberdade.

É por isso que hoje temos de ter mais cuidado com o que dizemos e com o que escrevemos (as redes sociais e os anonimatos não contam, claro...).

Está sempre alguém escondido na esquina, preparado para retirar as nossas frases do contexto e fazer acerca delas "um filme" diferente, daquele que era nosso.

E se pensar de forma oposta, é mesmo capaz de ver coisas, que nós, autores dos textos ou palestrantes, nunca escrevemos ou dizemos.

Isto até se percebe, porque sempre foi mais fácil de levar pelos campos um "rebanho de carneiros", que um conjunto de "ovelhas tresmalhadas". Mas não explica que países que se dizem democráticos (EUA é o maior exemplo) governem cada vez mais como ditaduras...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Cartazes quase bonitos...


É fácil dizer que tudo pode começar com simples gestos, como aquele de deixar o lixo bem acondicionado nos caixotes e não do lado de fora. E se for através de papeis e imagens, ainda custa menos...

Penso sempre que todas estas "mensagens" deviam ter um antes, com as pessoas que têm o poder de mudar alguma coisa, a descerem do "andar mais alto" para a rua. Não há nada como olhar de perto para tudo aquilo que nos cerca, a panorâmica muda imediatamente. Ver  "lá de cima" (mesmo as desgraças alheias, é sempre diferente...). 

E há imagens terríveis, que conseguem oferecer poesia ao trágico, mesmo quando não devem...

Talvez este seja o tempo de a maior parte dos políticos, deixarem de o ser, a "fingir", de pensarem que a sua verdadeira função é tentar resolver os problemas dos seus concidadãos, que vai muito para além da afixação de cartazes por toda a cidade, que normalmente não resolvem "porra nenhuma".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, fevereiro 17, 2026

Quando a lucidez não tem ideologia...


A lucidez não tem ideologia, tal como uma outra palavra, que por acaso até rima (essa mesmo, a estupidez)...

A 24 de Julho de 2008, uma senhora escrevia no "Diário de Notícias" o seguinte:

«Em Portugal, a classe política foi a primeira a iniciar uma relação assente numa videodependência assustadora. Grande parte dos políticos convenceu-se de que só existe se a sua imagem e a sua palavra forem difundidas pelos média.»

Dezassete anos e alguns meses depois, as coisas pioraram, muito.

As palavras são de Maria José Nogueira Pinto, que não devia achar muito piada a que a sua filha andasse em 2026 com tão más companhias (nada mais, nada menos, que o "rei das videodependências"...).  

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O regresso da regionalização...


Com tudo o que está a acontecer no país, aparecem adeptos da regionalização, por todos os cantos. Há de tudo, desde independentes a gente ligada aos partidos, que falam desta divisão política do território, como se ela fosse a salvação de todos os problemas que existem neste portugal de letra pequena, desde a centralização do poder ao ordenamento do território.

É importante ter memória. O medo que existia em relação à regionalização devia-se sobretudo ao mau exemplo dado por muitos autarcas, que deixaram os seus Municípios quase falidos e com graves suspeitas de corrupção. Isso só acabou quando as contas das Autarquias passaram a ser controladas pelo Tribunal de Contas.

Há outra coisa que se deve ter em conta. Se a qualidade dos políticos tem decrescido a nível nacional, a nível local nota-se a presença de gente mais responsável e melhor preparada tecnicamente para as funções que exerce.

E sim, agora talvez faça sentido pensar-se na regionalização, mesmo que continue a ser demasiado apetecida por quem adora o poder, como é o caso dos políticos que abandonaram os Municípios, depois de atingirem o limite mandatos, como é o caso de Rui Moreira...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


domingo, fevereiro 08, 2026

Chuva, votos e populismos...


Apesar do dia chuvoso, não estou nada apreensivo com o resultado das presidenciais.

Não acho que seja possível a vitória do "populista de serviço", embora saiba que, seja qual for o resultado que tiver, ele gritará sempre como um vencedor.

É muito provável que tenha um resultado superior aos 30%, o que fará que cole na lapela do casaco ou num chapéu de fiscal de jardins, as palavras: "líder da direita" (para desespero do "conde de monteverde"...).

Mas se for abaixo dos 30%, continuará vencedor. Veste o fato de "calimero" (que também lhe assenta que nem uma luva...) e diz que teve de lutar contra tudo e contra todos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, janeiro 31, 2026

Quando a realidade supera a ficção...


Apesar dos muitos esforços dos repórteres no terreno, desta vez a televisão não conseguiu suplantar toda a tragédia que assolou a Região Centro, mesmo com transmissões de quase 24 horas diárias. Foi das poucas vezes que a realidade conseguiu superar a ficção.

Infelizmente, o que se passa no terreno, é muito pior do que o que poderemos imaginar...

Não deixa de ser curioso, percebermos que há mais apoio de voluntários que do Estado (que como é costume reage tarde e sempre de forma insuficiente...), até mesmo nas coisas mais básicas, como é a alimentação, com as pessoas comuns a oferecerem e a distribuírem alimentos essenciais a quem mais precisa.

Outro pormenor que nunca falha, é a presença dos "palhaços" do costume, mesmo sem circo. Além dos números habituais do senhor Ventura, há sempre alguém do Governo, que também dá um ar da sua graça. Desta vez foi o senhor Amaro...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, janeiro 20, 2026

Não sei quem fechou primeiro...


Não sei quem fechou primeiro, se foram os tribunais ou as finanças. Depois foram os bancos a decidirem transformar-se em caixas de multibanco. É esta a história de demasiadas cidades e vilas do interior...

Agora é a vez de fecharem restaurantes e salas de cinema, nos mesmos sítios onde já não existem os tribunais e outras coisas que tais... 

É normal. Sem pessoas, não há negócio que resista...

É também por isso que este mesmo interior, corre o risco de deixar de ter à venda jornais diários em papel...

Quem não parece muito preocupado com este estado de coisas, é o Estado do país (que temos a mania de dizer que somos todos nós, mesmo que seja mentira...).

Talvez os governantes que têm como apelido "estado" gostem destes vazios. 

Talvez gostem que quase toda a gente viva com a possibilidade de ver o mar...

 (Fotografia de Luís Eme - Castelo Branco)



sábado, dezembro 06, 2025

O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda...


O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda.

Primeiro foram os políticos, agora é a vez dos comentadores dos debates televisivos entre os candidatos a "marcelo", usarem esta palavra enganadora.

Adoram dar notas e fingir que são professores. E tal como estes, "chumbam" os rapazes e as raparigas com quem não "vão à bola".

E nós não devíamos ser tão inocentes. 

Claro que eles não foram, nem são, escolhidos ao acaso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 28, 2025

«Tiraram o lugar a quem? Você vai fazer o que eles fazem, por esses campos fora?»


Sei que estou melhor, mas estou longe de estar curado.

Ainda falo muitas vezes em situações, em que o o bom senso aconselhava o silêncio.

Tudo isto que aconteceu no Alentejo e que reflecte uma realidade que não é apenas do Sul, mas que nos devia envergonhar, a todos, fez-me recordar um episódio. 

Realidade que é quase sempre conhecida e aceite pelos habitantes locais, por razões que continuo sem entender. A única coisa que sei, é que são estas mesmas razões que levaram as pessoas a fazer uma viragem de quase 360 graus, passando a votantes do Chega, depois de andarem  décadas a votar na CDU, por essas planícies fora.

Sei que os seus níveis de instrução são baixos, mas daí a não conseguirem perceber a realidade que lhe entra pelos olhos dentro, é outra coisa... 

Compreendo que não olhem para os sujeitos que trespassaram o café e o mini-mercado, como as melhores pessoas do mundo, até por estarem ali para ganhar dinheiro à custa deles. 

Mas o problema nem é esse, nunca foi. 

É aquela cor de pele, aquele olhar escuro e em desconfiança permanente, que não lhe garante nada de bom. E depois vêm as palavras de ordem que lhes entram pela cabeça dentro, sempre que o "rei dos aldrabões" aparece na televisão. Palavras que ainda os fazem acreditar mais, que aqueles estranhos só vieram para cá para lhes "roubar trabalho".

Foi num destes cafés, perdidos por esse interior fora, quase sem gente, que escutei esta frase sacramental enquanto bebia uma mini na companhia de dois familiares afastados, à passagem pela rua de três "indianos".

Não consegui falar calado e perguntei-lhes, sem qualquer rodeio: «Tiraram o lugar a quem? Você vai fazer o que eles fazem, por esses campos fora?» Olharam um para o outro e não me responderam. 

Só uns dois minutos depois e que um deles disse qualquer coisa como: «Também não é bem assim...»

Nada era bem assim, mesmo que eles fingissem não perceber.

Não disse mais nada mas fiquei a pensar, que a trabalharem desta forma e ser recebidos desta maneira, de Norte a Sul, talvez a melhor coisa que esta gente fizesse, fosse mesmo "ir para a (tal) terra deles"...

(Fotografia de Luís Eme - Beira  Baixa)


quinta-feira, novembro 20, 2025

Quando estranhamos a civilidade, está tudo ao contrário...


Os debates entre candidatos para a presidência da República (como o que agora terminou entre Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo), demonstram que é possível debater com civilidade, sem se estar constantemente a interromper o adversário, ou a falar mais alto que ele (como se essa fosse uma das permissas de se ganhar ou perder debates...).

Muitas pessoas estranham este comportamento, inclusive uma boa parte dos comentadores, que até dizem "isto não foi um debate, foi uma conversa". Percebe-se que eles querem mais "sangue" que esclarecimentos.

Provavelmente, só os debates onde está o candidato que não quer discutir coisa nenhuma, que só quer falar de corrupção e dos "bandidos" dos imigrantes e dos ciganos - as principais bandeiras erguidas pela sua "seita" -, é que irão ter palavras mais gritadas e as interrupções ao interlocutor do costume...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, novembro 19, 2025

Tudo isto é tão estranho (mesmo que seja comum no nosso país)...


Não vou falar em particular das buscas de ontem, ligadas à privatização da TAP (feita à pressa pelo governo de Passos Coelho, de uma forma no mínimo duvidosa, com o envolvimento do actual ministro, então secretário de Estado) e à gestão dos dois grupos que geriram a empresa até à pandemia.

Vou falar sim da espera habitual, de anos, da nossa justiça para entrar em campo e fazer buscas. Parece que tanto a Polícia Judiciária como o Ministério Público, gostam sempre de dar tempo aos possíveis arguidos (colectivos ou individuais), para que consigam fazer desaparecer todos os documentos que poderiam servir como provas de crime ou de gestão danosa.

Aconteceu o mesmo com a Operação Marquês, com a venda do Novo Banco ou com os casos de promiscuidade e possível corrupção entre os principais grupos económicos da Madeira e o seu Governo Regional.

Mesmo que seja uma prática comum no nosso país, tudo isto é estranho e pouco normal.

Não é por acaso que quase "todas estas montanhas" na nossa justiça, acabem sempre por "parir (apenas) ratos"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)