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sexta-feira, agosto 28, 2026

A chamada "lei de retorno" e o nosso habitual assobiar para o ar...


É normal que cidades como Lisboa ou o Porto, ao duplicarem (sei que são mais...) o seu número de habitantes - mesmo que estes sejam apenas de ocasião - passem também a registar o dobro de crimes, com a tendência de que estes se tornem mais violentos, se os bandidos perceberem que existe uma forte possibilidade de escaparem impunes.

É que isto de se receber todos os dias dezenas de milhares de turistas, não significa apenas mais receitas em taxas turísticas ou mais gente a largar dinheiro nos monumentos, nas lojas, nos cafés ou nos restaurantes... há também a chamada "lei de retorno", que inclui sempre algumas chatices, como a apetência para o "gamanço" dos "amigos do alheio" (alguns parece que também chegam de fora...).

E por isso mesmo devia existir um reforço policial condizente com o aumento de pessoas nas ruas. Reforço que tem sido constantemente adiado.

Isso explica que no percurso que fiz ontem a meio da tarde, entre o Cais Sodré e o Rossio, só me tenha cruzado com uma agente da polícia, e já nesta praça larga, povoada de gente.

Por muito que nos agarremos à estatística e que continuemos a assobiar para o ar, é óbvio que o Governo não está a levar a sério a questão da segurança nas duas principais cidades do país. 

É provavelmente o único ponto em que o "alcaide calimero" da Capital, sempre estridente, tem razão. 

A presença de mais polícia nas ruas, além de transmitir segurança às pessoas, faz com que alguns larápios pensem duas vezes, antes de "atacarem"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, agosto 07, 2026

O parque que é campo e arte no centro da cidade...


O Parque D. Carlos das Caldas é um lugar já secular, de beleza única, pelo seu ordenamento que nos parece natural, ao qual nem falta um lago, onde é possível passear de barco e fazer a estreia a remar, quase a sério (não é a brincar como fizeram os noruegueses no Mundial de futebol...), durante 30 ou 60 minutos.

Foi o que aconteceu comigo. Foi naquelas águas demasiado verdes que remei pela primeira vez, no começo da adolescência, quando fazíamos "batalhas navais" com amigos que se disfarçavam de inimigos por meia-hora...

E depois existe a parte artística, com estátuas espalhadas por quase todo o Parque, que aumentam quando nos aproximamos do Museu José Malhoa, quase a piscarem-nos o olho e a fazerem-nos um convite para entrarmos naquele espaço, que aposta sobretudo na pintura naturalista de Malhoa e amigos, embora também possua muitas esculturas, e até uma original "Via Sacra", criada por Rafael Bordalo Pinheiro, com figuras de barro pintadas, em tamanho real.

Não tenho qualquer dúvida de que é um dos lugares mais agradáveis das Caldas, com árvores, relva, sombras e muitos bancos de jardim... sobretudo num Verão farto como o que estamos a viver.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, agosto 05, 2026

Um ar campestre no centro da cidade


Estou a passar quatro dias nas Caldas da Rainha.

Hoje, logo pelo começo da manhã fui às compras à Praça da Fruta, que é, provavelmente, a única praça diária que funciona ao ar livre no nosso país.

É uma delicia passar no meio dos vendedores e perguntar o preço dos legumes e da fruta, ao mesmo tempo que é possível "escolher" a peça que queremos no meio daquela variedade.

É por tudo isto, que me faz confusão, que seja sequer levantada a possibilidade, de fazer uma "cobertura para a praça, de se acabar com este ar campestre no centro da cidade, tão importante em termos turísticos...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, janeiro 14, 2026

Parece que estou num país diferente...


Quem é mais assíduo no meu "Largo", sabe que o meu transporte preferido para vir de Almada a Lisboa e depois voltar, é o cacilheiro.

A principal razão é o Tejo, mas não é a única.

Hoje, por estar com pressa, acabei por apanhar o metro e depois o comboio. Cheguei mais rápido mas a viagem é muito diferente. Tudo começa e acaba nas pessoas. Quem como eu gosta de "olhar", sente que tudo se torna mais cinzento, mais pesado à nossa volta...

Mas basta pensar um pouco, para perceber o porquê desta mudança. Mudança que por vezes até me faz sentir que estou num país diferente...

O comboio é um transporte de trabalhadores, de gente que já sai de casa angustiada, só de pensar no que a espera nas próximas oito horas... O cacilheiro é uma "zona mista", composta maioritariamente por turistas de todos os mundos. Além de sorrirem mais, também passam o tempo a olhar para as janelas e a deliciarem-se com o Rio.

Esta energia acaba por chegar aos restantes viajantes, que até são capazes de sorrir. 

É como se se deixassem aprisionar pela leveza do sorriso dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quinta-feira, outubro 09, 2025

As "mulheres-turistas"...


Não sei explicar porquê, mas cruzo-me com mais "mulheres-turistas" (duas a duas, três a três ou mais), que com "homens-turistas", pelas várias avenidas das duas margens do Tejo.

Fico com a sensação que elas viajam mais que os homens, pelo menos para o nosso país.

Posso estar enganado. Podem ser os meus olhos que se fixam mais nas mulheres.

A única certeza que tenho, é que, pelo menos o Ginjal e o Jardim do Rio são mais visitados pelas mulheres que pelos homens que chegam do mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, julho 28, 2025

Uma sociedade cada vez mais "classificada" e classicista


Nem todos damos por isso, mas realidade é o que é, e diz-nos que os nativos de qualquer cidade com manias de grandeza, há já algum tempo que são tratados como cidadãos de segunda.

E se estiverem na "base" deste grupo, correm o risco de serem empurrados para os subúrbios da cidade com cada vez "menos sonhos", para que algum espertalhaço lhes surrupie a casa e ganhe mais uns tostões (antes que a "galinha" decida não colocar mais "ovos"...). 

A tal primeira linha está reservada para o grupo que vem de fora, a que chamamos turistas, não de pé descalço, mas de "sandália e meinha" (desde que tragam dinheiro para gastar em comida, dormida, "recuerdos" e museus, todo o mau gosto é permitido...) e para as gentes como o "conde monteverde", os alcaides de Lisboa e de Grândola, ou ainda a senhora que finge que governa Almada. Todos eles fazem questão de ir "vendendo o país a retalho".

E depois há a terceira linha, que agora está na moda "desancar" e fingir "correr para fora", que são o suporte económico de toda esta "fantasia". Têm muitos mais deveres que direitos, trabalham muito e recebem pouco e chegam ao nosso país quase sempre com uma mão à frente e outra atrás, sem o conforto e a liberdade dos donos dos "vistos de ouro" (que até podem ter a mesma cor e o mesmo cheiro deles, mas usam carteiras diferentes). 

Não era para escrever sobre isto, mas os dedos decidiram ir para aqui, talvez a pensar nos "turcos" que nos servem o café, e que devem estar alojados num qualquer "galinheiro" das traseiras do edifício comercial... ou então, chateado por ver a "idade média" a aproximar-se, mesmo que parecesse uma daquelas coisas inimagináveis.

A conversa interessante que escutei (sem querer, até me apeteceu tapar os ouvidos...) fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, julho 18, 2025

O turismo, sempre ele (justifica todos os crescimentos)...


O turismo (a galinha que "põe" ovos de cor amarela para os governos...) fez crescer muitas coisas, ao ponto de tornar a vida dos habitantes fixos das cidades maiores, um pesadelo cada vez maior.

Há outras coisas que também crescem, quase em paralelo, umas quase "invisíveis", como são os carteiristas e outras demasiado visíveis, como são os pedintes.

Tanto uma como outra, tornaram-se quase uma profissão (até "indústria"), graças aos romenos, que devem ser uma chatice para os mendigos portugueses...

Lá estou eu a "esticar-me"... Só queria falar do facto de nenhum dos meus companheiros da "indústria das palavras", dar esmolas (a excepção são os cegos do metro, quando temos moedas nos bolsos...) a esta gente "profissional".

Mas eles continuam espalhados pelas ruas, nas esquinas e à entrada de casas comerciais. Ou seja, devem garantir o seu "rendimento" diário.

E lá vieram os turistas, que segundo o nosso ponto de vista, não são apenas a salvação do governo de "Monteverde" (como foram do Costa), chegam a todo o lado e dão a mão a quase todas as actividades económicas do país, até a quem trabalha com a mão esticada nas ruas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 07, 2025

A arte de Nadir Afonso nos museus (em Chaves e Boticas)


Em Chaves, ao contrário dos quatro companheiros ciclistas, tive tempo suficiente para visitar a cidade.

Como gosto de museus, assim que cheguei à cidade, estacionei o carro rente ao espaço artístico dedicado à arte de Nadir Afonso. Uma chuvada imprevista e forte fez com que mudasse de ideias e voltasse à estrada, preocupado com os aventureiros de duas rodas.

Mas eles, como de costume, estão habituados a todos os tipos de intempéries e limitei-me a segui-los de perto, até Chaves.

Depois do almoço bebemos uma água das Caldas de Chaves e despedimo-nos, rente à Ponte Romana de Trajano. 

E além de deambular pelas ruas estreitas e agradáveis do cenro histórico, visitei o castelo e a sua torre de menagem, transformada num pequeno museu militar. Depois voltei ao Museu de Nadir Afonso.

Claro que me limitei a ficar à entrada (a senhora da recepção, simpática, disse que poderia ver as vistas dali e até ir à biblioteca). O preço de entrada era cinco euros. Achei-o proibitivo para uma cidade como Chaves e para um espaço que era apenas dedicado à obra de um pintor e arquitecto.


Felizmente, fiz um desvio para Boticas e encontrei outro espaço cultural e artistico de Nadir Afonso. As entradas eram gratuitas e estava ali o essencial da obra do pintor. Por curiosidade perguntei que relação existia entre Nadir e Boticas, disseram-me que a sua Mãe nascera lá...

(Fotografias de Luís Eme - Chaves e Boticas)


domingo, maio 04, 2025

Começar Maio entre Trás-os-Montes e o Minho


Andei por estes primeiros dias de Maio, por Trás-os-Montes e Minho, a conduzir o "carro de apoio" de uma grupo de amigos que gostam de desporto, aventura e descoberta.

A propósito do que já escrevera no Primeiro de Maio, estava longe de pensar que a Estrada Nacional 103 estava em obras (Concelho de Bragança) e que havia operários a trabalhar neste dia especial, cada vez mais desvalorizado por quem olha para as pessoas apenas como "números" e fonte de enriquecimento...



Como se costuma dizer, "não há bela sem senão"... 

Mas foi muito bom estar quatro dias "fora do mundo", sem saber do país, para além do que ia encontrando nesta viagem entre Bragança e Viana de Castelo, com excelentes companheiros de jornada.

(Fotografia de Luís Eme - Trás-os-Montes) 


sábado, abril 19, 2025

Um espaço turístico de eleição no Oeste


Hoje fui às Caldas almoçar com a família e como de costume deu uma volta pela cidade, com as passagens obrigatórias pelo Parque - que festejava a Páscoa -  e pela Praça da Fruta. 

Talvez fosse por ser uma época festiva, mas havia bastante movimento, nas estradas e nas ruas, numa cidade bonita, que antes de se apostar neste turismo quase desenfreado, já ela aproveitava a sua situação geográfica (bem podia ser a "capital do Oeste"...) e o facto de possuir das melhores termas do país, para ser um espaço turístico de eleição no nosso país.

Nem mesmo a incompetência autárquica - fruto dos muitos anos de poder "laranja" - conseguiu deitar abaixo, esta cidade única, que vai recuperando as suas melhores valias, graças a uma Câmara, quase "independente dos partidos"...

Também aproveitámos a companhia do meu irmão, para irmos ver o mar à Foz do Arelho, que estava cheia de gente, a aproveitar aquele Sol do momento, por saber que a chuva também andava por ali, escondida nas nuvens com várias tonalidades de cinzento.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, março 03, 2025

Uma visão e uma memória, dentro e fora de um bairro antigo...


Estava a passar por uma ruela estreita, com roupas estendidas em quase todas as varandas, quando comecei a ouvir uma voz feminina, que cantava um fado. Ainda olhei para cima para ver se a voz tinha dona, mas não descobri ninguém. 

Por alguns instantes, fiquei deliciado com aquele retrato de uma Lisboa antiga, e pus-me a imaginar uma cidade que já não existe...

Foi quando me cruzei com dois casais de gente de fora, que anda de calções num dia de Março com nuvens. Foi como se me dissessem, "acorda!"

E acordei, mas por pouco tempo.

De repente já não estava em Madragoa. Foi quando viajei pela minha meninice e ouvi a minha mãe a cantar, e o pai, com voz de desdém, a dizer que ela estava a adivinhar chuva. Não percebia quase nada da conversa mas gostava de ouvir a minha mãe a cantar, mesmo que ela fosse fiel à sabedoria popular, e acreditasse que "quem canta seus males espanta"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, dezembro 09, 2024

A arte de "roubar" rostos e corpos de pessoas dentro das fotografias...


Um amigo chamou-me a atenção para o "excessivo" cuidado que eu tive com a publicação da imagem de ontem.

Disse-lhe que não houve nada de excessivo. Embora o "direito à imagem" proteja as crianças (cortei o bebé que estava no carrinho...) e as pessoas que estejam no espaço público em situações de fragilidade (e muito bem), que não era o caso. 

Tirei três fotografias a este grupo de mães e filhos. Esta era a mais discreta, mas também a que se via bem, as senhoras com a cana de pesca na mão. Achei este o aspecto mais curioso, elas estarem à pesca mesmo junto ao cais dos cacilheiros (que até é um dos lugares mais poluídos de Cacilhas à beira rio...), onde existem tainhas aos magotes.

Há muita gente que não gosta de ser fotografado, mas é impossível que isso não aconteça, nos dias de hoje. Quando estamos a querer tirar uma fotografia a qualquer monumento ou lugar especial, há sempre alguém que nos diz que os humanos também fazem parte da paisagem... 

Acho que foi "esta realidade" que me fez perder qualquer pudor, em relação ao tirar fotografias a pessoas no espaço público, mesmo que as tente apanhar de lado ou detrás, para que possam ser uma pessoa qualquer...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, novembro 05, 2024

A globalidade e a "estranheza humana" (para não lhe chamar uma coisa pior)...


A história sempre nos disse que o "animal" mais estranho que vivia na Terra era o homem (e a mulher, claro). 

Isso acontece, porque, apesar de termos uma coisa que chamamos inteligência, que nos diferencia dos restantes animais, nem sempre a usamos da melhor maneira...

Nem vou falar das guerras - a coisa mais estúpida e animalesca que fazemos -, que nos coloca quase no fim da fila, em relação aos outros animais, que matam quase sempre apenas por uma questão de sobrevivência, e não por mera ambição pessoal ou conquista de poder.

Falo sim de toda a "globalidade" virtual conquistada, da forma como o mundo se aproximou, como os continentes mais afastados passaram a estar quase logo ali, depois da fronteira de Vale Formoso. 

Curiosamente, ou não, esta "globalidade", só é bem aceite, virtualmente. Todos aqueles que chegam de fora, de outros continentes (a excepção são os turistas, que são olhados não como pessoas, mas sim como "galinhas que cagam ouro"), não são bem aceites, são olhados de lado. E se tiverem a pele mais escura, ainda pior...

Ou seja, queremos o mundo já ali, depois da esquina, mas apenas dentro dos computadores e smartphones...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, outubro 18, 2024

As palavras, os lugares e os amigos...


Estar com amigos é sempre um bom programa.

Foi o que aconteceu hoje. 

Como o "Lisboa Livro de Bordo" do José Cardoso Pires se tinha intrometido numa das nossas conversas sobre livros e lugares, acabámos por marcar encontro no Cais do Sodré, no "British Bar", onde iniciámos o nosso diálogo com livros, editores e escritores, com a companhia de  um aperitivo. Não fizéssemos nós também parte  deste mundo das palavras impressas, mesmo que raramente tenhamos feito as delícias dos críticos literários.

Depois seguiu-se o almoço num lugar agradável, onde o Tejo se mostra com todo o seu esplendor, tal como a Lisboa cheia de colinas. Nem mesmo o dia ligeiramente cinzento quebrou a beleza deste "miradouro".

A conversa continuou, viva e agradável, algumas pessoas apareciam, quase metediças, por causa disto ou daquilo. O primeiro a surgir foi o bom do Fernando Alves, que enche a rádio de poesia, que esteve ali com o meu companheiro de aventuras e deliciou-se com as vistas. Depois apareceram, quase em simultâneo, o José Gomes Ferreira e a Maria Judite de Carvalho, que tão bem descreveram esta Cidade, onde se fala cada vez menos português (que belas crónicas eles escreveriam sobre esta temática, se descessem do lugar onde estão e nos oferecessem o seu singular "olhar com palavras"...).

E depois a despedida, na Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, onde o Rei e seu Cavalo, repartem a imponência do monumento central, cujas escadas são lugar de repouso passageiro, para esta gente de todas as idades, que se diz perdida de amores por Lisboa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, outubro 14, 2024

Esta Lisboa, que está cada vez mais presa ao mapa das "cidades-cinema" e das cidades-museu"...


Ontem, quando regressava a casa, de cacilheiro, pensei que Lisboa era cada vez mais, uma das várias "cidades-cinema" europeias,  vocacionadas para se fazerem filmes, tirarem fotografias, enquanto se saboreia um pastel de nata, tudo coisas que fazem as maravilhas dos asiáticos, dos americanos, e claro, também dos europeus, de várias latitudes. 

A Europa está cheia de cidades apetecíveis para estes "realizadores" e fotógrafos" amadores, como Paris, Roma, Barcelona, Veneza, Florença, Berlim ou Londres. Mas estes lugares (se excluirmos Veneza e Florença...) além de estarem organizados para  continuarem a receber turistas, esforçam-se por ter vida própria, com os seus habitantes a quererem ser muito mais que meros figurantes, como estão a querer transformar os lisboetas, não deixam de estar em perigo.

É perigoso deixarmo-nos "prender" pelos nossos passados, por muito gloriosos que eles sejam, fazer com que as nossas vidas fiquem cada vez mais dependentes das "cidades-museu", o lado A das "cidades-cinema"...

E entretanto chegámos a Cacilhas.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


domingo, outubro 13, 2024

Um domingo à tarde na Capital...


Raramente saímos de casa, num domingo à tarde, depois do almoço, para passearmos pela Baixa da Capital.

Hoje foi um desses dias...

Mal entrámos no cacilheiro, ficámos logo com a sensação que éramos nós que estávamos num país estrangeiro. Nada que não soubéssemos muito menos nos incomodasse, nesta nossa "viagem (também) turística". 

Quase que só nós e os "barqueiros" é que falávamos a língua lusitana...

Em Lisboa as coisas ainda se tornaram mais "internacionalistas", com um amontoar de gente em quase todos os lados. 

Nem é de todo desagradável, se formos também "turistas", a ver as vistas num domingo à tarde.

Mas é impossível não termos um olhar crítico. Até por vermos filas em todo o lado, seja para o "pastel de nata" ou para o "sorvete"...

A minha companheira acha que já perdemos a Cidade grande. E pensa que só uma "grande crise" ou um "gigante fartar colectivo" de quem nos visita é que pode esvaziar as ruas e esplanadas. Até porque este país está longe de ser o paraíso que vende lá para fora.

Sabemos que é uma possibilidade. Até porque quem viaja gostar de variar, gosta de conhecer sítios diferentes.

Só os governantes das "taxas" e das "taxinhas" é que  esfregam as mãos, à medida que os cofres se vão enchendo, evitando cruzarem-se com o futuro por aí, em qualquer esquina...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 05, 2024

O País "Folheto-Turístico"...


O turismo quando chegou às duas principais cidades do país (Lisboa e Porto), teve o condão de "restaurar" a sua edificação mais antiga, praticamente abandonada pelos seus proprietários (muitas vezes mais por falta de vontade que de dinheiro...).

Esta foi a parte melhor desta "invasão turística", mesmo que trouxesse "colada" a especulação imobiliária, que nunca mais abandonou estas duas cidades, provocando, a pouco e pouco, a mesma "febre do dinheiro" na maior parte dos centros urbanos, e até nas aldeias mais recônditas deste nosso Portugal. Bastava que existisse algo para ser explorado para fins turísticos...

E de repente, "toda a gente" quer ganhar dinheiro com este "turismo intensivo" (que é um pouco como a agricultura com o mesmo nome, só serve o presente), nem que seja para alugar camas a imigrantes em lugares decrépitos.

Ou seja, nota-se que este País "Folheto-Turístico", está mesmo talhado para as pessoas que querem ficar ricas hoje, sem vontade ou paciência para esperar para amanhã. Vou ainda mais longe: foi "desenhado" mesmo à medida do empresário "chico-esperto" português...

Não deixa de ser curioso, que sejam os próprios governantes (com as taxas e as taxinhas...), também a não esperarem por amanhã, com uma vontade imensa de matar todas as "galinhas com ovos de ouro" que apanharem por aí...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 04, 2024

Problemas velhos que parecem novos...


Nem sempre nos apetece recuar no tempo, até porque não nos surgem apenas surpresas agradáveis, dentro das nossas memórias.

Pois é, de repente descobrimos uma Lisboa que sempre teve problemas de habitação...

Quando viemos viver para a Cruz Quebrada, em 1981, nas viagens de ida e de volta para as Caldas, éramos obrigados a reparar nas suas entradas (rodoviárias e ferroviárias...), povoadas de bairros de lata. Bairros que floresciam graças aos problemas que parecem ser "de sempre": falta de casas para alugar, a preços acessíveis, pelo menos para quem recebia "ordenados de miséria" (também não é um problema apenas de hoje...).

Só com a entrada na União Europeia e com a boa utilização dos fundos por parte da autarquia de Lisboa (penso que nos mandatos de Jorge Sampaio e de João Soares), foi possível acabar com este flagelo social.

Claro que existiam ainda outros problemas na Capital, como uma baixa pombalina praticamente desabitada, com os interiores dos seus prédios quase em ruínas,  com o perigo de derrocadas latente... 

Este só seria resolvido com o "paraíso turístico", que chegaria alguns anos depois. Mas isso fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, agosto 20, 2024

Contradições de um país pequenino...


As notícias deste nosso pequeno país além de serem contraditórias andam em sentido contrário das dos países europeus mais desenvolvidos.

Continuam a nascer hotéis, hostels e restaurantes quase diariamente, um pouco por todo o lado, com a benção deste Governo (ou de outro qualquer que por lá estivesse...), como se o turismo nunca mais parasse de "pôr ovos de ouro".

Curiosamente, ou não, também apareceram nos notíciários uns donos de restaurantes a falarem de "crise", de quebra de receitas, de menos clientes. E esta? 

O normal é que as curvas ascendentes se tornem rectas, e depois comecem a descer. Ainda por cima o nosso país está longe de ser o paraíso com que é vendido lá fora...

Colado a este crescimento, está também o aumento da "imigração maldita", ao ponto do partido da extrema-direita, querer impor quotas de entrada a esta pobre gente, que tem quase o "selo de escravo" na testa, e que se limita a fazer o que uma boa parte dos portugueses não estão dispostos a fazer (trabalho que é pago, quase sempre abaixo do ordenado mínimo)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, agosto 18, 2024

«As pessoas são mais bonitas ao longe»


A minha companhia ocasional durante a nossa caminhada à beira Tejo, além de não perceber o fascínio que o nosso país exerce sobre estas gentes de fora, de múltiplas nacionalidades, ainda menos percebe as filas enormes que elas fazem à beira dos dois únicos restaurantes do Ginjal.

Falei de exotismo. Ela sorriu. Acrescentei também que há sempre o Tejo, logo ali à mão...

Ela voltou a sorrir e a lembrar-me que ele não é muito simpático, ao cair do dia, junta-se ao vento e fazem "miséria". Respondi-lhe que isso era um refresco nestas noites quentes.

Quando regressávamos a Cacilhas ela sai-se com outra boa: «As pessoas são mais bonitas ao longe.»

Voltei a sorrir. Algumas sim, mas quem é bonito, é bonito a qualquer distância. Acrescentei.

Mas percebi o que ela queria dizer. Ao longe, não conseguimos ver os traços dos rostos das pessoas, que parecem mais jovens e bonitas à distância, porque a sua indumentária leve e o sol, são bons a fazer quase milagres...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)