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terça-feira, julho 14, 2026

A gente pequenina dos vales de 10 cêntimos e a nossa facilidade em deitar fora oportunidades...


Não fazia ideia que havia tanta gente, no mínimo estranha (não me estou a referir aos sem abrigo, como é óbvio), que embora andem nas ruas limpinhos e bem vestidos (as pessoas com quem me tenho cruzado são quase sempre homens e mulheres reformados que talvez não tenham mais nada de "útil" que fazer nas suas vidas, além de coleccionarem "inutilidades com preço"...), andam por aí à procura de um "novo lixo". 

Percorrem durante o dia os pequenos caixotes distribuídos cidade, munidos de sacos de plástico, em busca de garrafas e latas vazias, para trocarem nas máquinas de marca "volta". Pensam que são discretos, quando olham para o lado, a tentar perceber se estão a ser observados. Como vêm a maior parte dos transeuntes presos aos "smartphones", enfiam as mãos nos pequenos caixotes rente às paragens de transportes, como quem não quer a coisa... e de vez enquanto "ficam mais ricos".

Já me cruzei com mais de uma dúzia deles pelas ruas de Almada. Apetece-me quase sempre dizer alguma coisa, mas acabo por ficar em silêncio, limitando-me a abanar a cabeça...

Não sei se são estas mesmas pessoas que assim que o dia escurece, saltitam de contentor em contentor, desta vez com muito menos cuidado, ao ponto de revirarem o lixo e deixarem atrás de si um rasto de imundice por onde passam, pela merda de um vale de dez cêntimos. Provavelmente não, porque não olham para a noite como sua companheira...

Acredito que quem teve esta ideia pretendia mesmo que se fizesse um melhor aproveitamento da reciclagem e que as ruas ficassem mais limpas. Mas o ser humano é o que é... e bem podem meter a viola do saco, porque o resultado parece ser exactamente o contrário do pretendido.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Cartazes quase bonitos...


É fácil dizer que tudo pode começar com simples gestos, como aquele de deixar o lixo bem acondicionado nos caixotes e não do lado de fora. E se for através de papeis e imagens, ainda custa menos...

Penso sempre que todas estas "mensagens" deviam ter um antes, com as pessoas que têm o poder de mudar alguma coisa, a descerem do "andar mais alto" para a rua. Não há nada como olhar de perto para tudo aquilo que nos cerca, a panorâmica muda imediatamente. Ver  "lá de cima" (mesmo as desgraças alheias, é sempre diferente...). 

E há imagens terríveis, que conseguem oferecer poesia ao trágico, mesmo quando não devem...

Talvez este seja o tempo de a maior parte dos políticos, deixarem de o ser, a "fingir", de pensarem que a sua verdadeira função é tentar resolver os problemas dos seus concidadãos, que vai muito para além da afixação de cartazes por toda a cidade, que normalmente não resolvem "porra nenhuma".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, janeiro 02, 2026

A diferença entre leitores de jornais e leitores de títulos de jornais acentuou-se muito nos últimos anos...


"As pessoas não querem saber..." É já quase uma frase batida, pela mistura que se faz entre ficção e realidade, no dia a dia, mesmo ao mais alto nível.

Fala-se do líder do Chega, mas temos um primeiro-ministro que vive num mundo só dele, rodeado de cinderelas e de cristianos ronaldos, cada vez mais distante do "mundo dos outros"...

Mas o que eu quero mesmo é falar de jornais e de leituras.

Há bastantes anos que o "pasquim" mais vendido no burgo, raramente fazia coincidir os títulos de primeira página com as notícias publicadas no interior. Isso criava um problema - na época ainda menor - porque conseguia enganar as pessoas que tinham por hábito ler apenas os títulos de jornais e as "letras gordas".

Hoje existem mais seguidores da "fórmula" na imprensa, mas de pouco lhes vale, porque o leitor de jornais de papel, é "uma espécie em vias de extinção"...

Curiosamente, estes "leitores" das letras grandes foram os que mais facilmente deram o "pinote" para o mundo das redes sociais, que usa a mesma "técnica informativa", com uma diferença: quando mente, mente a valer, tanto nos títulos como no conteúdo.

Este fenómeno que tem pouco do entroncamento, é seguido pelo partido que também adora "desinformar" e é um caso de estudo pelo seu sucesso eleitoral, mesmo com ladrões de malas, pedófilos, agressores, violadores, etc.

Isto faz com que acabe o texto com a frase inicial: "As pessoas não querem saber..."

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, outubro 25, 2025

Cada vez mais espectáculo e menos informação


Não sei se fale no poder do futebol, se no poder do Benfica, para este dia, quase integralmente dedicado ao "glorioso" (que já se sabe que bateu o recorde do mundo em número de votantes em eleições para clubes desportivos).

Ou talvez deva falar de uma forma de fazer televisão, cada vez mais virada para o espectáculo e menos para a informação, dando quase sempre mais atenção aos "casos e casinhos", que ao que realmente importa para todos nós.

Quem se tem aproveitado bem destas novas linhas editoriais são os partidos políticos que estão no poder, que também preferem apostar mais no "entretinimento" que na "arte de governar"...

Curiosamente, encontrei uma crónica de Vasco Pulido Valente (que estava longe de ser o meu cronista preferido...), datadas de 8 de Março de 2015, que nos oferece um retrato demasiado real dos canais televisivos - com a excepção do agora RTP Notícias - dez anos depois...

Eis as palavras do Vasco, no "Público": «Basta ligar a televisão para se perceber o estado de indigência intelectual e política a que chegou o país. A informação, que já foi sofrivelmente sensata, embora parcial e sumária, tem hoje o critério editorial do antigo semanário O Crime e da imprensa cor-de-rosa e desportiva.
Para começar, os portugueses são presenteados com horas do que antigamente se chamava “casos crapulosos”: a facada, o tiro, o roubo, a violência doméstica, histórias de tribunal, considerações de réus, de testemunhas, de advogados, de “populares”, da polícia e de um ou outro comentador de serviço. Depois do “crapuloso” vem o “acidente” e a catástrofe: desastres de avião e de automóvel, incêndios, tempestades de vento ou neve, inundações, tudo o que meta feridos, mortos, miséria e sangue.»

Não se trata apenas dos "retratos" do CMTV ou do NOW, a CNN e a SIC Notícias estão logo ali, depois da esquina...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, agosto 31, 2025

O mundo (e eu) a girar à volta das minhas palavras


Quando se escreve por tudo e por nada, o normal é andarmos rodeados de papelinhos. A maioria acaba por ir para o lixo, porque as boas ideias têm um prazo curtíssimo de validade. Sim, o que "ontem era engraçado, hoje perdeu a graça". São tantos anos a lidar com isto, que passou a ser o normal.

O curioso, é que, nem mesmo assim desisto de encher talões de compras de palavras... 

Claro que há papeis mais insistentes, que tentam-nos convencer que até têm "boas ideias", que podem ser transcritos para o caderno A5 do ano. 

Pobres palavras, pensam que passaram a ter "outro estatuto" (é apenas mais uma ilusão). Depois de cheios os "cadernos de palavras" são guardados em qualquer caixa e por lá ficam, esquecidos...

Estou a escrever estas insignificâncias, porque aproveitei este final de Agosto para "destruir" dois pequenos cadernos (acho que aquele tamanho é A6...), que já andavam a saltar de gaveta em gaveta há algum tempo (um deles tinha apontamentos de 2017...). Aproveitei algumas coisas, umas por estarem datadas e referirem-se a acontecimentos que tiveram alguma importância na época, outras por me dizerem alguma coisa. Sabia que havia coisas escritas sobre "os outros", que não fazia ideia de quem fossem. Mas isso nem era importante.

Aliás nada disto é importante, é apenas o mundo a girar à volta das minhas palavras...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, julho 23, 2025

O "lixo televisivo" e os seus vários cúmplices...


Uma das ultimas conversas que tive com amigos antes de vir de férias, foi sobre "lixo televisivo", inclusive o noticioso.

Houve quem utilizasse até a palavra "cumplicidade", quando falava de uma Clara de Sousa, de um Rodrigo Guedes de Carvalho ou de João Adelino Faria, que deviam fazer a diferença (o mesmo já não esperavam de Sandra Felgueiras ou do jeitoso do Rodrigues dos Santos...).

Não estive de acordo. Eles são apenas os "mensageiros", e provavelmente até alteram os textos de algumas notícias (pelo menos eu penso que têm estatuto para isso...), que lhes dão para lerem.

É todo um sistema informativo que está mal, cada vez mais "populista", assim como a forma como se interpretam as audiências.

Também se falou da manipulação que se faz das emoções humanas. Faz-nos confusão a todos, que os programas da manhã e da tarde, não consigam passar um dia, sem descerem mais um degrau e explorarem os sentimentos e as desgraças alheias.

O mais curioso é todos olharem para o CMTV de cima para baixo, mas depois acabam todos por ir atrás daquele modelo populista de fazer televisão, porque além de estar virado para o espectáculo, repete-se e repete-se (são capazes de "matar" a mesma pessoa cem vezes por dia...), e claro, adora as "meias-verdades" e as "meias-mentiras".

Claro que todos temos a alternativa de desligar o botão ou de mudar de canal. Mas isso não muda nada no "aterro televisivo" nacional...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, junho 23, 2025

Tanta confusão que se faz com a palavra Liberdade...


O caso que chegou, estupidamente, a tribunal, entre a humorista Joana Marques e os irmãos Rosado, do grupo musical "Anjos", é um pequeno exemplo do que se faz e entende com a palavra liberdade.

Há mais de um ano falou-se deste caso num jantar de família, fui o único que compreendeu a posição dos "Anjos" e os defendeu, com base num princípio simples, de que não vale tudo no humor. Sei que as pessoas que vivem das piadas não concordam com este ponto de vista, nem as que se gostam de rir com as cenas patéticas do quotidiano, protagonizadas pelos outros (o prato forte servido nas redes sociais...).

Agora que o caso chegou a tribunal, tudo se torna ainda mais ridículo. É uma estupidez a justiça estar a perder tempo com esta diferença de entendimento da liberdade de expressão e da publicação de graçolas sobre terceiros.

A indemnização pedida pelos cantores de mais de um milhão, é ela própria uma piada de mau gosto. Assim como alguns dos seus argumentos em tribunal. O facto da humorista nunca se ter mostrado disponível para retirar o vídeo, que fez e publicou, ou sequer falar com o dueto, diz também muito sobre ela.

Este é mais um daqueles casos, em que se "está a gozar com a justiça" e com a nossa inteligência, por muito que alegrem as redes sociais e aumentem as vendas das revistas castanhas.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, setembro 04, 2024

Uma cidade suja gerida por governantes cheios de nódoas e (no mínimo) incompetentes...


Um dos problemas mais graves da gestão autárquica em Almada é à falta de limpeza e higiene das ruas.

Além desta coligação contra natura (PS/ PSD) nunca ter resolvido o problema, apesar das promessas eleitorais - logo no primeiro mandado - conseguiu piorar tudo nas ruas e fazer com que a gestão anterior da CDU, se tornasse um bom exemplo (a todos os níveis).

O lixo não se limita aos contentores, ocupa o espaço público que os rodeia. Fica assim dias seguidos, sem que exista qualquer recolha. E o mais grave, é que não se sente a preocupação de resolver o problema com a população (que também está cada vez menos sensibilizada e acha que pode deitar tudo para a rua...). Este "deixa andar", além de ser grave em termos de saúde pública, é preocupante também ao nível da responsabilidade (que não existe...) política. Teoricamente, o pelouro é da responsabilidade do PSD, mas todo o executivo é responsável pelo que se passa nas ruas de Almada.

E nem vale a pena falar da vegetação que cresce por todo lado, meses seguidos, ou dos buracos nos passeios e nas estradas, que são companhia diária dos Almadenses, em praticamente todas as artérias do Concelho.

Tenho alguma curiosidade em saber o que é que esta gente pensa da sua acção governativa (e nem vou falar da cultura e do associativismo, áreas que me são queridas, onde nunca houve tanta falta de apoio ou de iniciativa...). Provavelmente estão preparados para cumprir mais um mandato e deixar tudo ainda pior, do que está, na actualidade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, maio 22, 2024

Essa coisa que parece boa, de se fingir "que não se passa nada"...


Nunca senti tanto as mudanças de tempo no corpo como agora.

Sei que é sinal de velhice e de perda de qualidades físicas. Mas também sei que é sinal destes tempos estranhos, em que somos brindados com as quatro estações num só dia, porque continua a ser mais fácil e agradável (por enquanto...) fingir que está tudo bem.

Ontem, numa viagem relativamente curta, de apenas 100 quilómetros de carro, fez muito sol, choveu, fez frio, voltou a fazer sol e depois as nuvens ganharam o céu, por um bom bocado, até darem de novo espaço ao sol.

A parte que me é mais desagradável são as enxaquecas. Antes só aconteciam quando arrefecia muito e a minha sinusite dizia presente. Mas aconteciam apenas uma meia-dúzia de vezes por ano...

Mas o que queria dizer, é que me incomoda bastante que as alterações climáticas continuem a ser tratadas como um "fair diver", quase como uma diversão de estudantes rebeldes que pintam montras, cortam estradas, etc.

Basta olhar para o lixo que floresce ao lado dos contentores, diariamente, próximo da minha casa, para perceber estes humanos que me rodeiam. É colocado duas vezes no sítio errado. Fora dos ecopontos e fora dos contentores do lixo geral. 

Não ando a ver quem faz isto, mas calculo que seja gente de todas as gerações, ou seja, há demasiadas pessoas a fingir "que não se passa nada", mesmo que de um momento para o outro, o vento se faça ouvir, irado, e ameace levar tudo à frente...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, agosto 16, 2022

Não Basta Dizer (ou mesmo gritar), que as "Ruas não São Lixeiras!"


Neste século XXI, o nosso retrocesso civilizacional começa a ser evidente, em quase todos os sectores da sociedade.

Se tivesse dúvidas, bastava-me olhar para as ruas, para este espaço comum por excelência, que devia ser preservado por todos, pensando no nosso bem estar. Mas infelizmente não é isso que acontece, cada vez mais as pessoas acham que podem deixar tudo o que não querem e não precisam, nas ruas.

Só não estava à espera que agora até "lixo industrial" aparecesse rente aos contentores de lixo doméstico. Foi o que aconteceu hoje, nos  dois locais de depósito de lixo mais próximos da minha casa.

Claro que este "crime ambiental" não acontece por acaso. O constante "fechar de olhos", de quem tem responsabilidades, faz com que cada vez mais se desrespeite o que é de todos, ao ponto de qualquer dia, se terem perdido de vez as ruas, como espaços de convívio, partilha e liberdade.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, junho 14, 2022

O Poder dos "Vendedores de Sabonetes" da Televisão


Embora tenha o poder de mudar de canal, sempre que me apetece, incomoda-me ver no que se transformaram os canais generalistas portugueses, sempre com as mesmas caras, a saltitar de canal em canal, para fingirem que cantam ou para ficcionarem a história das suas vidas, naqueles programas apresentados pelos "vendedores de sabonetes" do costume, que se têm em tal conta, que se vangloriam de  de serem capazes de tudo, até de fazer "chorar as pedras da calçada".

Faz-me confusão que nos programas de fins de semana sejam promovidas tantas pessoas, que além de não terem vozes melódicas e afinadas, cantam sempre a mesma canção, sem som ao vivo.

Gostava de saber o que pensa um Sérgio Godinho, um Rui Veloso, um Camané, um João Gil, um Pedro Ayres de Magalhães, um Rodrigo Leão, um Samuel Úria,  uma Dulce Pontes, uma Aldina Duarte, uma Capicua, uma Manuela Azevedo, uma Sónia Tavares, uma Márcia ou uma Ana Bacalhau, sobre o protagonismo que hoje é dado a Marco Paulo (até tem um programa nas tardes de sábado), que andou toda a vida a cantar versões de músicas cantadas por outros artistas...

Infelizmente, este "triunfo da mediocridade", retrata a época em que vivemos, e acaba por se reflectir em quase tudo na sociedade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, março 27, 2022

Talvez...


Talvez seja um sintoma de "velhice", mas sinto que cada vez se respeitam menos as pessoas (de todas as idades) e as coisas (mesmo as bonitas)...

Tal como sinto que não há "remédio" que cure quem salta de vandalismo em vandalismo, apenas porque sim.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, fevereiro 23, 2022

A "Autopromoção" Televisiva Cada vez mais "Abusiva"...


Como se não bastasse a "autopromoção" dos principais canais televisivos (SIC e TVI), sempre a colocarem-se "às cavalitas" das audiências, para se autoelogiarem como os "maiores da cantadeira" televisiva, agora foi a vez da Vodafone, "lamber as feridas", com um "orgulho" e uma "vaidade", publicitários, que devia ser outra coisa.

Para mim este anúncio é das coisas mais estranhas que tenho visto, mesmo em televisão. 

Mas pelos vistos neste mundo tudo é possível, até alguém sentir "orgulho e vaidade", por ter deixado de prestar um serviço - pago pelos seus clientes - durante vários dias (mesmo que involuntariamente)...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


domingo, dezembro 05, 2021

A Porcaria Reinante


Sei que a televisão tem feito um esforço para "endeusar" a música pimba, que ao contrário de alguns estudiosos como o cantor Emanuel defendem, se resume a uma palavra: porcaria.

O facto dos seus interpretes cantarem de borla e andaram aos fins de semana a animar os arraiais improvisados pelas antenas de televisão generalistas, em muitas das nossa vilas e cidades (eu sei que o negócio dos "telefonemas macacos" que dão carros e etc., são uma das partes principais desta vidinha feirante...), pode-lhes aumentar a popularidade, mas não aumenta a qualidade.

Alguns sabem cantar, outros nem isso. Mesmo sem voz e afinação, conseguem construir carreiras musicais, domingo a domingo, porque o que é realmente importante para eles é o palco. É por isso que nem sequer se importam de cantar sempre a mesma canção, anos a fio...

Claro que o exemplo da música pode ser passado para quase todas as áreas da sociedade, onde reina a mediocridade. E metermos a poesia no meio do caminho, também não é solução, porque na vida não é "tudo é possível" nem "podemos ser tudo o que quisermos", por muito que "vendam" estas frases em livros, filmes e programas televisivos. O mundo real é muito diferente do mundo dos sonhos. Sem talento natural devíamos ser os primeiros a perceber que a música, a literatura e as outras artes, são sobretudo para os predestinados.

É por isso que Pedro Gonçalves, Jorge Palma, Sónia Tavares, Paulo de Carvalho, Rui Reininho, Dulce Pontes, José Cid, António Zambujo, Manuela Azevedo, Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão, Cristina Branco, Rui Veloso, Sérgio Godinho ou Capicua, entre dezenas de excelentes interpretes nacionais, farão sempre a diferença, porque reinventam-se de disco a disco, de espectáculo em espectáculo.

Queria continuar a homenagear o Pedro e todos os nossos músicos de qualidade, mas como de costume, as palavras foram-se agarrando umas às outras e lá se foi a "síntese". Até porque a primeira frase, diz tudo. Talvez em vez de porcaria devesse colocar um outro sinónimo. mas...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


terça-feira, abril 13, 2021

"Há Gente para Tudo..."


Nas minhas caminhadas costumo encontrar "lixeiras" nos lugares mais imprevisíveis.

Às vezes são lugares onde não é é possível circularem carros, e mesmo assim, há gente que consegue conspurcar a natureza, pura e dura.

Chego mesmo a perguntar aos "meus botões", quem é que se dá ao trabalho de transportar tanta porcaria, para lugares isolados, quando têm a possibilidade de a colocarem nos contentores do lixo...

Mas nem devia ficar muito surpreendido, a vida está sempre a dizer-me, que "há gente para tudo..."

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, fevereiro 11, 2021

Passeio (clandestino) ao Lado do Tejo Sujo


Hoje, no meu pequeno momento de "exercício físico e mental", fui até ao Largo de Cacilhas.

Cruzei-me com mais gente do que o costume na rua. Talvez estivessem a aproveitar a "aberta", o breve momento que a chuva se deixou substituir pelo Sol, para fazer compras...

Já no Largo, estranhei que a fita azul, colocada pela polícia marítima para cortar o acesso ao Ginjal, tivesse desaparecido (só lá estavam as pontas, presas aos postes). 

Interesseiro, achei que a ausência de qualquer fita era um convite para continuar a marcha à beira do rio, sem ter a sensação de estar a fazer algo proibido. Foi agradável passear ao lado do Tejo, mesmo que o encontrasse mais sujo que o costume (demasiados plásticos para o meu gosto...).

Quando subi para Almada e dei de caras com as outras fitas, que cortavam a passagem, em sentido contrário, intactas, percebi que sempre fora uma mão humana, clandestina,  que fizera desaparecer a fita em Cacilhas...

Entretanto o Sol ficou sem tempo e a chuva acompanhou-me no regresso a casa.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, setembro 17, 2020

Uma Televisão Cada Vez Mais de "Autor" (mas de gosto muito duvidoso...)


Os chamados canais generalistas, com a excepção da RTP, por razões óbvias, seguem os "caprichos" e as vontades de duas ou três pessoas, que acham que o "seu gosto é o gosto de toda a gente".

Para o meu gosto (que vale o que vale, embora tenha o poder de mudar de canal, sempre que me apetece...), a televisão nunca teve a fasquia da qualidade tão baixa. Limita-se a fazer o mais fácil, seguindo a linha do popularucho, ao mesmo tempo que usa e abusa da publicidade, até mesmo dentro das suas telenovelas ou séries (já não é "encapotada"...). E nem vale a pena falar do "auto-elogio" descarado e bacoco, por serem "os primeiros".

Não tenho qualquer dúvida, que merecíamos muito mais, mas este é o tempo das "cristinas" e dos "daniéis"... O que vale é que o cabo - com toda a panóplia de canais -, ajuda-nos a esquecer toda esta nossa mediocridade.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, julho 12, 2020

Hoje Lê-se Muito Mais (mas sem se ter tempo para pensar...)


Nunca digo que hoje se lê menos que ontem, porque é mentira.

As pessoas, de todas as gerações, passam horas e horas, com os olhos presos aos ecrãs curtos dos "smartphones" (sim, poucas pessoas têm apenas um telemóvel, como é o meu caso...), a consumir imagens e palavras, que lhes chegam de todos os lados, em segundos.

Esta "inundação" de informação dos nossos dias quase que nos faz viver "atolados" quase até ao pescoço, com notícias, mesmo que estas não sejam mais que "fair-divers" (a maioria são volúveis, e até fantasiosas, acabando por nos afastar das coisas que são realmente importantes...).

Como as pessoas cada vez pensam menos (a informação não nos dá tempo nem descanso para isso...), nem sequer se dão ao trabalho de perceber essa coisa simples, de que receber informação não é a mesma coisa que receber conhecimento. 

Aliás, o conhecimento não é algo que se recebe, sem se ter qualquer reacção. O conhecimento só se adquire depois de "digerirmos" bem a informação que recebemos, de a pensarmos, de a questionarmos, e claro, de a percebermos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, junho 08, 2019

«Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»


Não sei se é coisa com mais de quarenta anos, mas acho que sim. Até por que já ouvi histórias sobre as escolhas e nomeações de ministros e secretários de estado dos governos provisórios  - nem vale a pena falar de outros cargos menores -, que cabem que nem uma luva no anedotário nacional. Do género de telefonaram para a casa de alguém às duas da manhã a perguntarem se queriam ser isto e aquilo, e que tinham de dar uma resposta às nove da manhã (muitas vezes eram cargos com pastas sobre as quais não tinham perdido mais de cinco minutos da vida...). A maioria refugiava-se na tese de que "era a oportunidade de uma vida" e não queriam saber de mais nada...

Sei sim, que foram raros os homens e mulheres que tiveram a coragem de dizer, não, por saberem que não "cabiam naqueles fatos"...

Infelizmente esta história não se ficou pelo "país provisório" do Verão Quente, continuou a repetir-se até actualidade. 

A coisa mais fácil de fazer na política é uma lista de ministros, secretários de estado, presidentes de câmaras, e vereadores, medíocres e incompetentes (alguns ainda acrescentaram ao currículo adjectivos ainda menos abonatórios, e só não estão na prisão porque a nossa justiça é o que é...).

Do que não faço ideia, é se essas pessoas alguma vez se questionam, sobre o mal que fazem ao país, quando deixam que os seus interesses pessoais, do partido e dos amigos,  se sobreponham aos interesses de todos nós...

Comecei a escrever e como de costume fui andando... quando na conversa que tive com dois amigos, apenas falámos dos ministros da administração interna, da educação e da saúde.

E o Pedro numa frase disse tudo: «Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, abril 08, 2019

As Lixeiras Urbanas...


Faz-me muita confusão esta nossa capacidade de criar lixeiras. Basta encontrar um lugar meio escondido, e é logo utilizado para deitar todo o género de porcarias que já não nos fazem volta.

Embora reconheça que algumas delas sejam criadas por romenos (como a da fotografia), mendigos profissionais, facilmente reconhecidos pela sua falta de higiene e por viverem de mão estendida à porta de superfícies comerciais.

A roupa que usam é quase sempre retirada dos recolectores de instituições, espalhados pelas cidades. Roupa que depois de usada, é deitada fora, a poucos metros de casas abandonadas, em ruínas, que vão transformando em habitações provisórias de curta duração...

Do que eu não tenho dúvidas, é que se as Câmaras  e as Juntas de Freguesia estivessem mais atentas, limpando estes espaços, assim que começam a ser utilizados da pior forma, eliminavam-se muitas destas lixeiras a céu aberto...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)