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quinta-feira, maio 15, 2025

As pessoas que gostam que tenhamos medo delas...



O texto que escrevi aqui foi ainda "mais falado", no dia seguinte.

Porque houve alguém que disse que não são só os ciganos que gostam que tenhamos medo delas. Referiu-se depois às forças de autoridade, que segundo a sua opinião, 51 anos depois de Abril, ainda não perderem alguns dos tiques fascistas que as caracterizam.

Quando quisemos saber desses tiques, o Pedro voltou à adolescência, à única vez que levou uns empurrões e uns pontapés da polícia, sem que tivesse feito alguma coisa de errado, além de estar no Bairro Alto com amigos sentado à beira do passeio a beber umas cervejas. Nunca esqueceu esta mania do "bater antes e perguntar depois", que pelo que se lê e ouve, ainda se mantém activa, especialmente se tivermos a pele mais escura.

A questão que veio a seguir, foi se é necessário esta cultura do medo, se é preciso termos medo dos agentes de autoridade. Todos dissemos que não. Até porque medo, apesar de alguma confusão que anda na cabeça das pessoas, nunca foi sinónimo de respeito...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa) 


quarta-feira, maio 14, 2025

O medo, entre a "percepção" e a "realidade"...


As ruas da "percepção" e da "realidade", ficam quase sempre ao lado uma da outra.

Quase todos contribuímos para se faça alguma confusão entre as duas, especialmente os políticos do lado direito, que sentem saudades de um estado mais repressivo. E claro, as polícias, que têm sempre alguma dificuldade em fazer cumprir a lei nos regimes democráticos, onde não se pode, nem deve, "bater" apenas porque sim.

Falámos disso ontem. A conversa foi alimentada por alguns de nós sentirmos que o "medo", continua a crescer, quase todos os dias, à nossa volta. 

As guerras que matam gentes de todas as idades, diariamente, devem ter alguma influência, mesmo que nós não nos apercebamos bem destas "percepções" (todos achámos que sim).

O curioso foi na viagem de regresso a casa, de metro, ter reparado em três indivíduos orientais, que entraram na Alameda, com mochilas grandes (deviam ter chegado há pouco tempo...), além de falarem as suas línguas estranhas, olharem para quem os rodeava, com desconfiança. Eu sei que é difícil olhar de outra forma, para um mundo que nos trata como cidadãos de segunda ou terceira, que nos gosta de apontar o dedo, mas...

Aquela reacção fez com que recordasse uma boa parte dos ciganos que fui conhecendo ao longo da minha vida. Eles tinham como sua principal defesa, fazerem-nos sentir medo, pensarmos que eles eram capazes de fazer as coisas horríveis que nos ameaçavam, aqui e ali.

Pois é, temos quase sempre "medo" do que é diferente de nós. E quanto mais "fechados" e "nacionalistas" formos, pior...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 25, 2024

O medo que as pessoas parecem ter, em serem "iguais aos outros"...


Não é um problema de agora, talvez até faça parte da essência humana. 

Talvez até seja eu que esteja errado (tal como o meu avô paterno parece que esteve a vida toda...). Mas como fui educado, entre outras coisas, com uma frase muito simples, de que não era mais nem menos que ninguém, esse foi um dos valores que procurei transmitir aos meus filhos.

Não é por alguém ganhar 100 vezes mais que eu, que têm mais direitos como cidadão, que eu. Tem sim, quanto muito, demasiados meios para combater a tal "igualdade" que faz parte da nossa Constituição...

Mas nem sequer vou falar destas pessoas. Vou sim, falar de quem vive pior que eu, ganha menos dinheiro que eu. E mesmo assim, tem medo da palavra "igualdade"... 

São estas contradições humanas que nunca irei perceber. Tal como o meu avô não percebia, muito menos o meu pai...

Esta é também uma das explicações para que um país demasiado desigual, em que a maior parte das pessoas recebem salários inferiores a mil e quinhentos euros, tenha colocado no poder um partido do centro-direita, que se puder, não têm qualquer problema em privatizar uma boa parte da saúde e da educação, privilegiando os seus filhos (é o que se passa com o IRS jovem...), que querem que sejam mais "iguais" que os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, maio 24, 2024

A cultura da guerra é mais importante que a cultura de paz


Há coisas que algumas pessoas nunca irão perceber, porque a vida é o que é. Nem sei se serve de desculpa a não existência de nenhum teatro no bairro onde cresceram ou de uma biblioteca acessível a todos. Acho que não...

Mas que soa a estranho, que um país que nunca se esforçou para atingir o desejado um por cento para a Cultura, esteja agora disposto a chegar aos dois por cento para a defesa (mais para armamento...), como o primeiro-ministro prometeu na sua visita à Alemanha, até 2030.

Faz-me também confusão que toda esta gente que nos governa queira ter o rótulo de "bom aluno" e de "cumpridor". Querem mostrar que são tudo menos a caricatura holandesa, do povo que "gosta de sol, mulheres e cerveja" (algo que essa gente até parece gostar mais que nós, se excluirmos as mulheres, pois quando nos visitam bebem quase até à "coma alcoólica" e ficam ao sol até parecerem "tomates"...).

O que parece ser óbvio, é que todos os nossos governantes continuam a ter medo da Cultura (incluindo os "xocialistas"), tal como acontecia durante o salazarismo e o marcelismo. Também não é de admirar, até porque muita desta gente da direita portuguesa, que chega ao poder, descende da dúzia de famílias que eram "donas" do nosso país antes de Abril (dos governantes nacionais aos caciques locais...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, abril 24, 2024

Um medo generalizado, bem vivo no dia 24 de Abril de 1974...


Havia um medo comum, em quase todas as famílias, fossem elas muito, pouco ou nada politizadas, que se chamava Guerra Colonial. Guerra que se travava na Guiné, em Angola e Moçambique.

As mães eram quem mais sofria... porque raramente se escondiam atrás da honra ou do dever de todos (que nunca eram bem todos...) em defenderem a pátria. E quando viam os filhos aproximarem-se da idade maior, a dor aumentava, porque sabiam que existia uma forte possibilidade, deles terem de cumprir o serviço militar obrigatório no Portugal Ultramarino... que se estendia até Timor (foi para onde foi o Henrique, irmão do Fernando, um dos nossos melhores amigos de infância).

Nunca falei disto com a minha mãe. Mas nós éramos demasiado novos, para que ela começasse a antecipar o futuro. Eu tinha apenas onze anos e o meu irmão treze, em Abril de 1974.

Claro que este medo não desapareceu logo no dia 25 de Abril, porque até pelo menos, ao final de 1975, os nossos soldados continuaram a viajar para África (e a "morrer pela pátria")...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, julho 02, 2022

As "Sociedades do Medo"...


Uma das coisas mais importantes da globalização tem sido a aproximação entre todos os continentes, com um conhecimento geográfico e social (mesmo que continue a ser demasiado "leve"...) de praticamente todos os povos que habitam o nosso planeta.

Talvez por isso, tenhamos percebido que não somos assim tão diferentes dos outros, por muito que estejamos afastados, geograficamente.

Após o lançamento do seu livro, "Portugal, Hoje, o Medo de Existir", o filósofo José Gil deu uma entrevista ao "Jornal de Letras" (Janeiro de 2005), em que demonstrou conhecer-nos como mais que "visitas da sua casa":

«Este novo medo é o que temos uns dos outros. Tememos que o Outro nos critique, que não estejamos à altura da ideia que ele supostamente tem de nós, e tudo isto trava a coragem do pensamento e da acção. Isto significa que somos uma sociedade suavemente paranóica. Temos medo de enfrentar os outros, temos medo de dizer o que pensamos. Como se a expressão do que pensamos se voltasse contra nós. E assim, em nome de estratégias que visam proteger a nossa vida, fazer a nossa carreira, etc., não avançamos. O que não impede que, aproveitando-se deste medo, haja em toda a parte pequeninos déspotas.»

Sim, somos muito isto.

Mas voltando à globalização, talvez ela nos tenha feito perceber que não estamos assim tão sós, nestes "medos". Ou seja, há muitas mais "sociedades do medo" espalhadas pelo mundo... 

E por outro lado, talvez a pandemia ainda tenha agravado ainda mais estes "medos".

Claro que esta nossa aproximação do tal "espelho quase universal", está longe de ser positiva, porque em vez de nos ajudar a enfrentar - e desafiar - o nosso "medo", pode sim, ajudar a que ele seja aceite como uma coisa normal.

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


terça-feira, dezembro 21, 2021

"A Memória das Palavras" (02)


No "universo" largo das ideias nós mudamos muito lentamente, ou então nem sequer mudamos. O mais curioso, é que nem sempre nos incomodamos por continuarmos a cometer os mesmos erros. Talvez seja por isso que ainda continuam a circular à nossa volta tantas citações de Eça de Queirós... que fingem ser actuais.

Um dos problemas mais graves do nosso tempo, é o medo e a desconfiança em relação ao outro, por ter uma pele de cor diferente, professar outra religião, ou simplesmente, por ser alguém que veio "de fora".

A chamada globalização mundial faz com que cada vez as pessoas aceitem menos um futuro de fome ou de guerra nos seus países e continentes e, partam para outros continentes, onde tudo parece ser melhor.

Manuel António Pina escreveu muito bem, sobre o "medo", na revista "Visão", de 19 de Outubro de 2006. Intitulou a sua crónica com um elucidativo "Vêm aí os mouros". Transcrevemos com a devida vénia os dois primeiros parágrafos:

«Contou-me quem assistiu que, um dia destes, numa igreja do Porto, quando o novo padre (de origem guineense) fez, na homilia, um apelo à paz e à tolerância religiosa e, para ilustrar as piedosas palavras, revelou aos crentes que toda a sua família era muçulmana, estes, na maioria mulheres e idosos, ouvindo pronunciar a palavra "islão", lembraram-se de repente que tinham deixado o jantar ao lume ou haviam ficado de ir buscar os netos ao infantário e, um a um, persignando-se, puseram-se rapidamente a milhas, não fosse o homem trazer alguma bomba debaixo da batina.
O episódio é revelador do medo que por aí vai, alimentado não só pelas imagens na TV da fúria da "rua" islâmica contra tudo o que mexe, Papa incluído, mas também pelos exemplos de cobardia que vão chegando da Europa "civilizada".»

Quinze anos depois pouco mudou. E houve coisas que até aumentaram, como a tal cobardia da Europa "civilizada", na forma como lida com as migrações e os migrantes...

(Fotografia de Luís Eme - Idanha-a-Velha)


domingo, janeiro 17, 2021

"Já não se trata de ter medo, mas sim de respeitar os outros"


Sei que o primeiro confinamento resultou porque existia bastante "medo". O covid 19 era uma doença nova e se no nosso país não existiam casos muitos dramáticos, as imagens que chegavam de Espanha e de Itália, eram mais que suficientes para nos assustar... Até por todos sabermos que o nosso Serviço Nacional de Saúde não nos oferecia mais garantias que o destes dois países europeus...

Dez meses depois voltamos a um novo confinamento, num cenário completamente diferente. Se por um lado há mais conhecimento e mais protecção (as máscaras existentes eram diminutas e por isso não eram obrigatórias no começo da pandemia assim como o álcool desinfectante...), por outro, o convívio com esta pandemia - e com várias medidas contraditórias das autoridades -, provocou cansaço e indiferença na população.

Nem mesmo os números assustadores dos últimos dias têm evitado comportamentos demasiado descontraídos, como os que foram notícia nos telejornais com demasiadas pessoas a passearem de manhã e de tarde no paredão de Cascais rente ao mar, muitas delas sem máscara e sem cumprirem o distanciamento obrigatório (pratica que deve ter sido comum a mais zonas costeiras...). 

Mas temos mesmo de mudar o nosso comportamento. "Já não se trata de ter medo, mas sim de respeitar os outros".

Se não conseguimos respeitar todos aqueles que estão diariamente na "linha da frente", confrontados com cada vez mais casos e piores condições de trabalho, que tenhamos pelo menos respeito por todos aqueles que convivem connosco, diariamente.

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)


sábado, janeiro 16, 2021

Será que a Cultura é Olhada quase como um Vírus?


Eu sei que somos um país com poucos leitores, mas isso por si só, era uma boa razão para que as livrarias se mantivessem abertas (era apenas mais uma excepção...).

Mas pela forma como as coisas e as pessoas da culturas têm sido tratados durante estes longos meses, talvez ela tenha mesmo algum "vírus", que pode fazer mal a muita gente...

Eu sei que não é preciso ler livros, para saber que sempre foi mais fácil governar um país de ignorantes que de gente esclarecida, mas...


terça-feira, maio 26, 2020

As Máscaras é que Estragam o "Filme"...


Não é preciso ninguém contar, sente-se...

Quase todas as pessoas precisavam de rua, precisavam de olhar os outros nos olhos, de se sentirem vivas.

Claro que ainda há muito medo... 

Há quem ande sempre de máscara, mal sai de casa. Há quem encha as mãos de desinfectante, de cinco em cinco minutos.

E também há mentirosos.  Sim, gente que diz com orgulho, que nunca usou máscara.  Se isso acontece, é por que neste século XXI ainda há tenha uma "criada" lá em casa, que faz as compras todas...

Claro que as máscaras são uma chatice. Com este calor de praia, só mesmo as máscaras é que estragam o "filme"...  

E também acabam por ser elas, que nos recordam que estamos a "viver outra vida"...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, dezembro 17, 2018

O Nome do Pai (ou não)


O nome quase grande de uma deputada que também escreve em jornais, filha de um antigo dirigente do PS, já desaparecido, fez com que se falasse do uso (e abuso, segundo algumas opiniões...), ou não, do apelido dos nossos pais (quase sempre do pai, numa sociedade masculina como ainda é a nossa...).

Sem fugir do jornalismo, o mundo onde nos movimentamos melhor, conseguimos descobrir mais de uma dúzia de nomes de homens e mulheres, que escolheram o nome da mãe, para escaparem à "perseguição" do apelido familiar mais conhecido. E, naturalmente, também encontrámos outros tantos, que assumiram, sem qualquer problema, o nome do pai.

Como estava junto de nós alguém que escolhera o "nome da mãe", não foi preciso sairmos da mesa, para sabermos o porquê daquela opção. Confessou-nos que houve mais que uma razão. A tentativa de "fugir" do peso do apelido, no mundo dos jornais (o pai era um dos nossos bons jornalistas...), e também o não querer ser olhado como o filho de fulano, que só era jornalista por razões óbvias. E também quase como uma prova de emancipação, de querer caminhar pelos seus próprios pés (na época até pediu ao pai para não fazer publicidade...). Mas, curiosamente, a razão que teve mais peso na época, foi uma quase vingança. Naquele tempo ainda não tinha superado a separação dos pais, que aconteceu quando tinha apenas 13 anos (foi o pai que abandonou o lar e deixou de aparecer, com a regularidade que um filho precisa, praticamente todos os dias...). Quis muito ser o "filho da sua Mãe".

Hoje as coisas estão serenas. Mas não se arrepende nem um pouco da opção que tomou.

Soubemos por alguns exemplos dados que há quem decida ficar com o nome do pai, com orgulho e sem medos.

Percebemos que este tema será sempre pouco consensual. Porque quem escolhe o nome do pai, pode ser olhado como alguém que se está a colocar-se ao seu lado, não por uma questão de orgulho, mas sim de interesse profissional.  E quem não o escolhe, pode ser interpretado como alguém que se esconde e não assume as suas origens. E não como a tentativa  normal de querer caminhar pelos seus próprios pés...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 03, 2018

Medalhas & Tiros nos Pés...


O assalto a um dos paióis de armamento de Tancos, é de tal forma caricato e inverosímil - em todos os seus episódios - que a realidade ultrapassa mais uma vez a ficção.

Mesmo assim é importante perceber que nada disto aconteceu por acaso, que foi um dos "preços a pagar" pelos muitos anos de desinvestimento nas Forças Armadas e na degradação da condição militar (provavelmente chegou-se a um ponto em que já existem mais oficiais e sargentos que praças na Marinha, Força Aérea e Exército...). Os principais responsáveis por se ter chegado a este ponto, são os três partidos do "arco governativo", quase sempre com a complacência das chefias militares, mais preocupadas com as suas estrelas e louvores, que com os homens e mulheres que comandavam.

Mas o que ainda me deixa mais apreensivo em todo este "filme", é a falta de cooperação que existiu entre as polícias (neste caso particular entre a PJ e a PJM...), desde o começo de todo o processo. 

Parece que a "coroa de louros" é sempre mais importante que o trabalho em equipa, para a resolução rápida e séria dos vários casos de polícia, que envolvem mais que uma força de segurança ou polícia de investigação...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 12, 2017

Tão Diferentes e tão Iguais...


A complexidade feminina não é muito diferente da complexidade masculina.

A mulher de cabelos brancos, sabia que o seu género não era muito de gostar de gente boa, dava quase sempre preferência a quem fosse capaz de quase lhe "fritar" o sangue.

Foi buscar um exemplo dos piores, a fadista que morava no antigo palacete dos Mantas, que já não ia para nova e continuava a coleccionar "filhos da puta", homens capazes de viverem à sua custa e como "prova de amor", ainda a tratavam mal e andavam com outras.

Mas também os homens não podiam nem queriam ter muita rédea solta, pois eram capazes de ir até ao fim do mundo, atrás de uma das chamadas "mulheres fatais"... 

Parece que ninguém gosta de gente boa, homens e mulheres preferem sempre um bom desafio, alguém que lhes dê luta e que não lhe faça a vida parecer um "mar chão"...

(Fotografia de Édouard Boubat)

terça-feira, maio 23, 2017

Um Mundo Sem Conserto...

Nada do que possa dizer faz muito sentido, neste mundo farto em lugares onde se vive um dia de cada vez...

E se há coisa que não quero hoje, é armar-me em moralista, até por saber que cada vez devemos esperar menos dos "animais inteligentes", que sempre preferiram o lado errado da vida, mesmo quando saiam à rua com uma auréola em cima da cabeça e enchiam a boca de palavras bonitas.

Bem diz o povo sábio, que de bons intenções está o inferno cheio.

Alguns portugueses continuam a assobiar para o ar, fingem acreditar na Senhora dos milagres de Fátima e esquecem-se que o "cerco a Lisboa" também há-de chegar, mais tarde ou mais cedo...

(Óleo de John Bowen)

quarta-feira, abril 26, 2017

Sim. Porque não um Leão?


As crianças querem ser sempre muitas coisas. Desde astronauta a bombeiro, até que um dia crescem e são empurradas para a nem sempre agradável, realidade...

E às vezes também pedem coisas estranhas, como o Rui que gostava de ter um leão como animal de estimação...

Os pais um dia explicaram-lhe que os animais da selva eram perigosos e que só podiam viver no seu habitat natural ou nos jardins zoológicos.

Foi então que ele falou no cão de um dos vizinhos, que não só era mau, como também era feio. E ele  tinha toda a razão, um leão é muito mais bonito que qualquer pitbull ou rottweiller, que são notícia sempre pelos piores motivos e fazem a felicidade de tantos humanos.

E sem querer levantou uma questão, que devia no mínimo pôr os adultos a pensar. Eu pelo menos continuo a não perceber porque razão é que algumas pessoas têm algumas raças de cães em casa, que parecem ser tão ou mais ferozes que os bichos da selva.

(Fotografia de Eládio Begega)

quarta-feira, novembro 09, 2016

Ora Aqui Está uma Quarta-Feira, Farta em Conversas e Emoções...


Ao cair da noite de ontem fomos surpreendidos pela notícia inesperada da rendição às autoridades de Pedro Dias, conhecido como o "Piloto", o suspeito de dois homicídios que andava a monte há quatro semanas.

E para colocar os especialistas do crime da TVI e CM a "roerem meias de sem abrigo", teve ainda a  lata de oferecer o exclusivo da sua entrega à RTP.

Apesar de se ter tornado quase num "herói" cinéfilo de filmes de acção (provavelmente sem ter saído muitas vezes do "quentinho" de algum lar amigo...), e ser suspeito de todas as peripécias que aconteceram por aqueles lados e descoberto por essa Europa fora, não consigo sentir qualquer simpatia pela personagem.

Compreendo o seu medo de ser apanhado pela GNR e fico à espera das "versões" que se seguem (ele para já diz-se inocente...), em mais uma daquelas "séries" que prometem durar várias temporadas...

Ao começo da manhã outra surpresa (pelo menos para mim...), a vitória de Donald Trump nas presidenciais americanas. A primeira coisa que me apetece dizer é que os americanos só têm o que merecem, que foi nada mais nada menos que aquilo que a maioria dos votantes escolheram.

Claro que gostava de ser surpreendido pela positiva, perceber que afinal ele não é tão "maluquinho" como gosta de mostrar na televisão e descobrir alguém mais inteligente e sensato que o último presidente eleito pelos republicanos...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 25, 2016

Este Medo de ter Dúvidas...

De vez em quanto apanhamos erros alheios, que só acontecem porque as pessoas têm medo de perguntar qual é o porquê das coisas. E hoje como "falar com o outro" ainda está mais em desuso, errar acaba por entrar na normalidade dos nossos dias.

Como eu sempre fui um "perguntador" tenho dificuldades em perceber esta gente que prefere navegar no erro a fazer a pergunta normal, de como se faz ou de como é.

Às vezes questiono-me se se trata de orgulho, estupidez natural ou outra coisa qualquer. E concluo que além da "estupidez natural", há por aqui uma dose de "chico-espertice" e outra de falta de humildade (nota-se tanto isto, todos sabem tudo, até nas nossas casas sentimos que os nossos filhos são tão diferentes de nós...). 

Embora estejamos sempre a evoluir, ninguém nasce ensinado. Desta realidade ninguém escapa.

E eu continuo a pensar que é melhor ter dúvidas, perguntar, que falhar... 

Sei que se olharmos para o "topo da pirâmide" descobrimos um país de "falhadores" por excelência, desde o primeiro-ministro ao presidente da junta mais escondida do mapa. Só que isso não devia servir de desculpa ou de consolo para ninguém...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, setembro 12, 2016

A Liberdade não Tem Muros nem Gaiolas...

Há duas coisas que sempre me irritaram e que espero nunca ter ou fazer.

Falo de muros e de gaiolas.

Desce criança que sempre que incomodaram os muros altos (muitos ainda estavam revestidos na parte superior com pedaços de vidro...), que é algo que pouco resolve, já que normalmente desperta ainda mais a curiosidade de quem passa, pois fica-se sempre com a sensação de que alguém está a esconder alguma coisa...

Das gaiolas nem é bom falar... nunca gostei de ver pássaros presos (no Velho Continente é o mais usual, se esquecermos os jardins zoológicos...), sempre me apeteceu abrir-lhe a pequenina portada e convidá-los a voar, porque é para isso que têm asas.

Sei que o muro francês e inglês projectado para Calais não irá resolver nenhum problema humano, quando muito aguçará o engenho de quem não tem quase nada a perder, arriscando ainda mais a vida, fazendo do atlântico um "cemitério de gente", tal como acontece nos nossos dias no Mediterrâneo.

Como já perceberam os cravos da fotografia são só para disfarçar. Não é por usarmos um cravo na lapela que nos tornamos mais livres ou democratas...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 13, 2016

«Quando foi que deixámos de falar?»


Um casal estava sentado frente a frente numa esplanada, quando o homem perguntou: «quando foi que deixámos de falar?». A mulher olhou-o meio espantada e sem dizer nada, voltou a baixar os olhos.

Estava ali ao lado escondido atrás da revista do "Expresso" e senti o peso daquele silêncio na atmosfera. Silêncio que não se voltou a quebrar, nem mesmo quando o homem se levantou para pagar a conta e desaparecer, sem que a mulher tirasse os olhos do telemóvel.

Não consegui perceber se eram casados ou apenas namorados, embora já tivessem ultrapassado os trinta anos. Embora isso nem fosse importante.

Fiquei a pensar que é um problema ficarmos cativos do silêncio, ficarmos cada vez mais palavras no bolso, aparentemente inúteis. Depois à medida que o tempo vai passando, sem se apercebermos, elas deixam de se soltar, é como se ficassem aprisionadas...

Talvez esteja mesmo a mudar a linguagem entre humanos. Talvez as pessoas deixem de comunicar verbalmente num futuro próximo. Talvez apenas o façam por mensagens, por muito estranho que nos pareça...

Por muito que isto me pareça uma espécie de "morte" nas relações humanas, tenho de dizer que já vi acontecerem coisas ainda mais estranhas nas últimas décadas.

(Fotografia de Luís Eme - Arte Urbana de Almada)