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terça-feira, novembro 19, 2024

Conseguir resistir ao fascínio da televisão...


Conheci duas ou três pessoas que nunca tiveram televisão em casa. E estavam longe de ser aparentados com "marcianos". Era apenas uma questão de opções, de escolhas. Preferiam conversar uns com os outros, ler, ouvir música ou dar uma volta ao quarteirão, que  ficarem presos às notícias ou à telenovela da noite. E também tinham uma apetência especial por ver teatro e cinema.

O curioso era os filhos crescerem (falei com alguns...), sem sentir a falta do "pequeno ecrã", que nos influencia, muito mais do que pensamos.

Mas por alguma razão elas eram tão poucas...

É muito difícil resistir ao fascínio da "caixa mágica". E quem vive sozinho ainda terá mais dificuldade em deixar de fazer esse gesto simples, de carregar no botão e ficar com o "mundo em casa"... 

A não ser que não goste de companhia, de "ouvir outras vozes" à sua volta.

(E mais uma vez, não era bem sobre isto que queria escrever, mas agora já está...)

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, junho 24, 2024

«Sempre se mentiu muito. Ajuda a viver.»


Como é que eu podia desmontar uma frase como esta? Não podia...

O Carlos estava certo, tal como o seu cigarro, que emergia de um mundo já quase sem fumadores clássicos.

Eu sabia que a mentira é como aquelas facas que se usam apenas nas conversas e que têm dois gumes. Tanto ajuda como desajuda a viver. Depende sempre da forma e do método com que é usada.

Foi por isso que não disse nada. Ele fingiu não perceber e mudou de assunto. E ainda bem, falou-me de um escritor que eu desconhecia, Nelson Aldren. Era americano. Havia um ou dois realizadores que adaptaram os seus romances para o cinema. Adiantou-me que ele escrevia sobre as pessoas que não contavam, os pobres, os desgraçados, os marginais. E ainda me disse que ele era de Chicago...

E rematou a conversa, dizendo que o Aldren era incapaz de mentir, nos livros e, provavelmente, na vida.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, setembro 20, 2023

As pessoas que nos aparecem nas paragens de autocarros...


Estava numa daquelas paragens em que passa um autocarro por hora, quando se aproximou um homem que vinha agarrado a um cigarro. Ficou a dois três metros de mim, mantendo a "distância humana" que nos ficou da pandemia.

Também estava ao lado da paragem, onde o respectivo banco estava ocupado por três mulheres maduras que conversavam, provavelmente sobre os nadas da nossas vidas. Também mantive a tal distância. 

Sei que quando cheguei disse bom dia e que ninguém respondeu ao cumprimento. E aquele subúrbio até tinha qualquer coisa de aldeia... Talvez não tivesse um bom ar (não me apeteceu fazer a barba nessa manhã...). 

Nada de preocupante. Sabia que as pessoas nunca economizaram tanto as palavras como hoje...

Entretanto o cheiro do cigarro foi-se aproximando e não foi a melhor coisa do mundo, provavelmente por falta de hábito. Foi quando me lembrei da primeira "tertúlia" a que pertenci em Almada, do Victor, que fumava muito, mas que não me incomodava nada como fumador. Era como se ele engolisse todo aquele fumo que se torna desagradável e só nos deixasse aquele cheiro, que a par do café, eram "perfumes" destas casas onde as pessoas se encontravam para conversar...

(Na semana passada também me lembrei do Victor, porque ele deixou-nos vitima da mesma doença da Natália Correia. Deixou de fumar de repente e o organismo não aguentou a falta daquele fumo que lhe pintara os pulmões de negro... Ou então foi um problema psicológico, a falta daquele "amigo" de todas as horas, que o ajudava a descontrair e a enfrentar o mundo... Tal como poderá ter acontecido com a Natália...).

E entretanto chegou o autocarro...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)