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sexta-feira, julho 17, 2026

O outro lado da coisa, ou seja, quando a televisão parece que se vira de pernas para o ar...


Talvez fosse dia de falar do ministro da Educação. Talvez...

O problema é que o ministro da Administração Interna gosta muito mais de ser notícia e de falar para os microfones que o professor Fernando...

Isso já se notava quando estava à frente da PJ e não perdia uma oportunidade de aparecer à frente das câmaras, a fazer um número, pequeno ou grande, de "super-herói". 

Já se percebia que aspirava a mais. Como bom comunicador que era, devia sonhar ter ainda mais televisões à sua volta... 

E um dia lá conseguiu chegar a ministro.

Talvez ninguém lhe tenha dito, que havia um outro lado, mais chato, nessa coisa de se ser governante. Sim, iria ser confrontado com os especialistas em "sacar esqueletos do armário", que também adoram saber coisas através de chamadas falsamente anónimas.

Mas nem era preciso. Como director da nossa principal polícia de investigação, sabia bem demais como é que as coisas funcionavam tanto nos corredores do poder como nas redacções.

É por isso que é demasiado estranho que ele não se tenha libertado dos vários "rabos de palha", que aparecem, cada vez que alguém abre uma porta num dos seus montes alentejanos...

E alguns são enormes. Segundo consta, um deles é  do tamanho do reboque de um camião tir...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, junho 28, 2026

Ser seleccionador nacional devia ser outra coisa, além de se falar português, cantar o hino e ser amigo do Ronaldo...


Há qualquer coisa que nos prende à selecção, que não tem necessariamente que estar ligada aos patriotismos bacocos das camisolas, das bandeiras e das caricaturas humanas presentes nas bancadas dos estádios, vestidas de Portugal.

Essa qualquer coisa chama-se ser-se português (desde sempre, sem interesses ou tropeções na nacionalidade...).

Deve ser por estarmos distantes deste "bacoquismo", que temos cada vez mais dificuldade em encontrar algo de positivo no futebol praticado pela selecção. É muito poucachinho para um seleccionador estrangeiro falar português, cantar o hino nacional e ser um "grande amigo" de Cristiano Ronaldo.

Qualquer pessoa habituada a ver futebol, mesmo sem ser "catedrático do comentário desportivo", sabe que estas três virtudes não têm nada a ver com o futebol que se joga no relvado.

Há quatro anos que aturamos um treinador medíocre, que além de não ser capaz de escolher os onze melhores jogadores, ainda os coloca fora das posições onde habitualmente jogam nos seus clubes. E das substituições, nem é bom falar. Ontem até fiquei com a sensação de que a permanência em campo de um Cristiano Ronaldo ou de Bruno Fernandes,  durante 90 minutos arrastados, são mais um castigo que outra coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, junho 25, 2026

Um "sapinho" que se tornou (mais) feio...


Está quase a terminar o tempo de  "vida" dos blogues do Sapo.

Todos (até os bons, que sigo diariamente...), têm de escolher outro endereço, a partir do próximo mês. A não ser que aproveitem esta oportunidade para dizerem adeus à blogosfera...

Lembrei-me que, quando somos conservadores, há sempre coisas boas e más à nossa espera... por termos ficado parados ou por termos dado um passo em frente.  

Não registei a data, mas deve ter sido há mais de quinze anos (o tempo tem asas, cada vez mais velozes...), que me convidaram para me mudar para o "clube dos sapos". Deram-me um nome feminino e um número de telemóvel de contacto, para o qual nunca liguei.

Segundo o convite, eles estavam apostados em ter os melhores blogues nacionais e o meu "Largo" fazia parte da lista... As pessoas  gostam sempre de exagerar, vá lá saber-se porquê.

Não perdi muito tempo a pensar no assunto. Não tinha nada a apontar ao "blogspot". Sentia-me bem e livre (só uma vez é que entraram em contacto comigo por causa dos direitos de autor de uma imagem, mas até isso foi positivo, porque fez com que passasse a utilizar apenas as minhas imagens em mais de 99% dos textos...).

O mais curioso nisto tudo, é que, vinte anos depois (sim o "Casario" já fez vinte anos...) os blogues continuam, velhos e antiquados, mas vivinhos da silva. Apenas o "sapo" é que está a morrer...

Há outro dado curioso. Se o número de visitantes e de visualizações está certo, 2026 tem sido o ano de todos recordes, tanto no "Largo" como no "Casario".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, junho 23, 2026

O Portugal do Correio da Manhã (e das imitações que se fingem mais "finas"...)


Portugal acabou de ganhar, cinco a zero, a um pedaço da velha Rússia e União Soviética, chamado Uzbequistão.

Como era de prever, Cristiano Ronaldo marcou dois golos e passou de besta a bestial. Alguns dos comentadores que o crucificaram nos últimos dias, devem estar a montar um altar nas suas televisões...

Lembrei-me das palavras de António Lobo Antunes, que fingia não se levar a sério como cronista. Não eram sobre futebol, eram sobre nós, sobre a televisão e sobre os políticos que andam vestidos com a camisola da selecção nas redes sociais:

«É extraordinário como gostamos de comer merda desde que seja açucarada, é extraordinário percorrer a lista dos best sellers nas livrarias. Isto, claro, não é um fenómeno português, é um fenómeno universal, e nem sequer é recente. Dura desde o século XIX pelo menos, e é fácil de explicar, como é fácil de explicar o sucesso do jornal Correio da Manhã, de certos programas de televisão, de certos políticos, dos espaços sobre futebol que encharcam os ecrãs, das telenovelas miseráveis.»

Estas palavras foram publicadas na "Visão" a 23 de Fevereiro de 2017, há mais de nove anos. Provavelmente, daqui a vinte anos continuarão actualizadas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, junho 21, 2026

Já nem é preciso chegar a amanhã para se mentir...


Se eu tivesse dúvidas da paixão que desperta o futebol, em que quase todos querem ter opinião, por mais diversas que sejam, elas dissipavam-se com o que se tem passado com o Mundial.

Nem se pode dizer que a "vox populi" esteja certa, mesmo que faça o mesmo que os comentadores televisivos, num contorcionismo diário, que se normalizou, dando razão a um certo dirigente desportivo que não teve qualquer problema em dizer que no futebol "o que hoje é verdade amanhã é mentira", como se tivesse uma "bola de cristal" para ver o futuro.

É por isso que o nosso "pior do mundo", se marcar um ou dois golos no próximo jogo, corre o risco de voltar a ter de vestir a pele de "salvador da pátria".

Noutros tempos podia-se falar de honestidade ou desonestidade intelectual, mas como estão a querer "matar" e a banir os intelectuais do Planeta, nem vale a pena pensar-se nisso.

A questão mais estranha nisto tudo, foi esta "futebolização televisiva" ter feito "rolar a bola" para todas as áreas, com relevo para a política. Aliás, ainda foi mais longe, nem é preciso chegar a amanhã, para se mentir, como percebemos com os discursos de Montenegro ou Ventura...

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


sexta-feira, maio 15, 2026

E esta? Portugal está pior e os portugueses vivem cada vez pior (não digam nada ao Montenegro, ao Soares ou ao Amaro)...


Apesar de nunca ter existido um governo em mais de 50 anos de democracia, que tenha usado e abusado, tanto, da propaganda e da "fumaça", a realidade já não dá muito mais espaço para encenações. 

A aposta em discutir "não problemas", como são os casos das alterações da Lei Laboral ou da Constituição, mesmo que sejam desejadas pelos patrões e pela direita, não resolvem qualquer problema dos portugueses.

A continuada tentação em culpar o PS dos "males" do país, também já não dá grandes hipóteses de se "sacudir o capote", quando tudo está pior que há dois anos. 

Sei que irão "cavalgar" na crise provocada por Trump, mas os problemas na saúde, na educação, na alimentação e na habitação, começaram a agravar-se antes da criação da "portagem do estreito de Ormuz"...

Luís Montenegro, por muito que finja viver num "país imaginário" e tenha conseguido transformar a comunicação social num feudo da direita (cada vez existem menos comentadores de esquerda nos canais televisivos...), já não pode dizer, com a "lata" que o caracteriza: que o país está melhor, mesmo que os portugueses vivam pior.

A realidade salta-nos aos olhos diariamente,, seja nos hospitais, nos mercados, nas escolas, nas bombas de gasolina, nos restaurantes ou nas imobiliárias...

Está tudo pior, se esquecermos a meia-dúzia de pessoas do costume (são tão egoístas, que querem tudo, até a tal lei laboral que põe fim ao pagamento das horas extraordinárias...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 10, 2026

O Miguel e a "pirâmide invertida" da Segurança Social...


Embora o Miguel Sousa Tavares seja "excessivo", gosto de o ler, de o ouvir e ver, porque mesmo quando diz disparates, faz-me ficar a pensar em muitos dos temas que trás para a discussão pública.

Nem sempre me lembro que ele uma vez por semana (às quintas) comenta os casos mais pertinentes da semana, no Jornal Nacional da TVI. Esta sexta-feira, ao fim do dia, cansado das mesmas notícias e dos mesmos comentadores diários, lembrei-me e andei para trás no tempo e fui ouvir os seus comentários.

Acabei por ficar surpreendido com as suas palavras sobre as reformas e sobre as pessoas que não têm filhos. O que é mais curioso, é que eu nunca tinha pensado nesta questão como ela foi colocada pelo Miguel, ao dizer que quem não faz filhos e não deixa descendentes - para alimentar a "pirâmide" da Segurança Social (cada vez mais invertida), devia ser penalizado.

Mesmo sabendo que não há forma nenhuma de penalizar as pessoas que decidem, por isto ou aquilo, não ter filhos, ele não deixa de ter razão. Estas pessoas estão a contribuir para que a "pirâmide" fique cada vez mais invertida e embora tenham descontado, as suas reformas acabam por ser pagas com os descontos dos filhos dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, março 29, 2026

A solidariedade humana não tem segredos


Houve uma reportagem da CNN no sábado, que me chamou mais a atenção, pela forma como o jornalista em causa (António Gonçalves), faz aqueles perguntas, que no meu entender, fazem parte de uma nova forma de dar notícias, mais primária e infantil (segue-se cada vez mais a cartilha básica e telenovelesca do CMTV...).

Estávamos na região de Leiria, na Marinha Grande, onde a televisão transmitiu um grande exemplo do apoio e de solidariedade, tanto do povo anónimo como de muitas empresas, através da reconstrução de uma casa. As pessoas fizeram o contrário do Governo, apareceram logo, para ajudar quem precisava de ajuda. E respondeu sem palavras à pergunta do jornalista (que estava longe de ser um jovem...). Não, não existem segredos, na solidariedade humana.

Aliás, será muito mau quando passarem a existir segredos na solidariedade. Existe sim, muito companheirismo, muita vontade de ajudar o próximo, que continuam a aparecer nos momentos de maior dificuldade ou de destruição no seio da sociedade.

Apesar dos esforços que existem nestes tempos em nos moldar com um "barro diferente", sinto que o humanismo que reside dentro de nós, é muito difícil de destruir e "emerge" nos momentos mais importantes e difíceis das nossas vidas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 17, 2026

Os maus hábitos nunca se combateram com outros maus hábitos...


Apetece-me escrever, mas nem sei bem como relatar a situação, pouco normal...

(Por serem coisas que não fazem parte da tua maneira de ser, por sempre dares valor a pelo menos meia dúzia de exemplos na educação dos teus filhos, olhaste para tudo aquilo como algo no mínimo absurdo...)

A minha filha também achou tudo aquilo estranho. Embora nunca trocássemos palavras sobre o assunto durante a refeição, trocámos demasiados olhares cúmplices.

Estávamos sentados à mesa com pessoas amigas e uma delas, ainda antes de começarmos a comer, recebeu uma chamada telefónica. Poderia ter despachado a conversa ou simplesmente ter dito que estava a começar a jantar. Mas não, a conversa com a amiga (escutada por todos nós) era mais importante...

Conversa que continuou durante toda a refeição, sobremesa e café incluídos...

O mais curioso naquilo tudo, foi sermos todos pessoas demasiado educadas, que nem sequer lhe chamámos a atenção para acabar com aquele "diálogo mole" e começar outro connosco, com bons modos claro...

Isto explica quase tudo sobre nós. Coisas que achamos importantes, para outras pessoas não têm importância nenhuma.

Mas depois deste retrato, acho que continua a ser muito bom tomarmos as refeições sem a presença dos telemóveis ao lado dos talheres...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, março 01, 2026

Um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias...


Estávamos a ver o "Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer" (cá por casa tornou-se um programa familiar e é visto quase sempre ao almoço de sábado) e a minha filha chamou-me a atenção que digo sempre a mesma coisa do João Miguel Tavares, que parece um "cordeirinho" na companhia do Pedro Mexia, do Ricardo Araújo Pereira e do Carlos Vaz Marques.

Normalmente não concordo com as coisas que escreve no "Público", porque faz questão de ver e escrever coisas diferentes das outras pessoas (é mais uma imitação rasca de Vasco Pulido Valente...), fazendo notar bem de quem lado é que está e os ódios de estimação que mantém (não é apenas Sócrates), assim como a complacência que tem com a direita, mesmo a populista.

Na televisão o JMT transfigura-se, torna-se um democrata, até quase que parece um "gajo porreiro" (coisa que não é, de certeza...) no convívio com os três amigos. É aqui que surge o motivo das minhas palavras. Ele é um bom exemplo do que nos podem fazer as boas influências e as boas companhias. No mínimo, fazem-nos parecer melhores pessoas.

Isso também acontece nos nossos grupos de amigos, onde surge sempre um "torcido", que obrigamos a andar na linha, dizendo-lhe, mais que uma vez, que o que ele diz não faz qualquer sentido.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 01, 2026

O "jornalixo" e uma comunicação social que não mostra tudo...


Não vou escrever sobre a tragédia na região Centro, mas sim sobre um acontecimento que não vi ser notícia em lado nenhum, ligado à tentativa de colher dividendos eleitorais com a desgraça dos outros, com o artista da "tv e da cassete pirata" de sempre... 

Uma das pessoas que conheço natural de Leiria é a Isabel, que além do retrato indescritível que encontrou no terreno (até me falou do Japão dos terramotos, como termo de comparação...), também me falou do "aparecimento e desaparecimento" de Ventura, numa das zonas mais atingidas pela "Kristin". O jeitoso assim que foi visto pela população, rodeado pelos seus "muchachos", foi de tal forma insultado e vaiado, que desapareceu em segundos, sem que ninguém lhe pusesse mais a vista em cima. Estava acompanhado de pelo menos duas câmaras de televisão...

Como ela não viu nenhuma reportagem a mostrar estes enxovalhos (aconteceram pelo menos dois, que foram do seu conhecimento e quem o insultava não eram "ciganos"...), concluiu que há mesmo cumplicidade entre o Chega e as televisões.

Como eu esta semana tinha lido o artigo de opinião de Filipe Luís na "Visão" que também diz muito sobre a relação do senhor com a comunicação social, transcrevo-o com a devida vénia: «Se há alguém que não tem nenhuma razão de queixa dos jornalistas é o candidato apoiado pelo Chega. Pelo contrário: com sete dezenas de entrevistas, nos últimos cinco anos, em horário nobre, em todas as televisões, ele teve mais do dobro de tempo de antena de dois líderes, juntos, do PSD, um dos quais primeiro-ministro, e é o campeão político da nossa democracia em exposição mediática favorável, isto é, com presença constante, não apenas em entrevistas, mas também em declarações avulsas – nomeadamente, nos Passos Perdidos, no Parlamento – quase sempre em regime de “pé de microfone” (sem contraditório) com questionamentos “fofinhos” de entrevistadores que, muitas vezes, e sem cerimónia, em certos canais, trata publicamente por tu. Seguro ganhou a primeira volta, mas, três dias depois, era Ventura quem já tinha sido entrevistado três vezes, nas televisões. Duas conclusões: primeira, o “jornalixo” existe mesmo. Segunda, se Ventura é o que é, aos jornalistas o deve.»

Falar de cumplicidade, talvez seja ir longe demais, mas que há muito boa gente que escreve nos jornais e faz reportagens televisivas que está na profissão errada, está. Ou então não, sente-se bem, atolada no "jornalixo"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, janeiro 19, 2026

A televisão que finge ter ideias...


A televisão dos comentadores é um mundo à parte, quase parecido com o das marionetas. É por isso que entram e saem dos programas, com gravatas, vestidos e ideias diferentes. 

Às vezes só são precisos alguns minutos para darem um salto até ao "circo" e fazerem o pino (mesmo que seja mal feito...) ou vestirem-se de palhaços para fazerem daquelas piadas que não são para rir.


O curioso é  esta profissão para alguns comentadores já ter guião, uns vão "discordar" e outros vão "concordar". Não interesse com o quê. Isso é apenas um pormenor...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, janeiro 15, 2026

Três parágrafos com três dedicatórias


Nunca o discurso contra a esquerda esteve tão ruidoso. Em alguns casos, além de mentiroso, começa a ser doentio.

Normalmente vão buscar o Stalin e o Lenine (esquecem-se quase sempre do Marx, não sei porquê... espero que não o confundam com os "irmãos", de outros filmes bem mais alegres), como se todas as pessoas com um pensamento humanista, que se preocupam com quem vive à sua volta, fossem comunistas...

Como as coisas estão a avançar, começo a acreditar que, num tempo não muito distante, vão começar a culpar os "comunistas" por todos os problemas que aconteceram na Primeira República e também pela chegada ao poder de Oliveira Salazar (que na sua opinião até deve ter sido "um gajo porreiro" - espera, gajo não, isso é coisa dos esquerdalhos, é melhor escrever "senhor gajo")...

Notas: A dedicatória vai para João Miguel Tavares, João Vieira Pereira e Ricardo Simões Ferreira.

Em relação à escolha da imagem, já o bom do Vasco Santana dizia: "Chapéus há muitos, seus palermas!"

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


sábado, dezembro 06, 2025

O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda...


O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda.

Primeiro foram os políticos, agora é a vez dos comentadores dos debates televisivos entre os candidatos a "marcelo", usarem esta palavra enganadora.

Adoram dar notas e fingir que são professores. E tal como estes, "chumbam" os rapazes e as raparigas com quem não "vão à bola".

E nós não devíamos ser tão inocentes. 

Claro que eles não foram, nem são, escolhidos ao acaso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 25, 2025

Cada vez mais espectáculo e menos informação


Não sei se fale no poder do futebol, se no poder do Benfica, para este dia, quase integralmente dedicado ao "glorioso" (que já se sabe que bateu o recorde do mundo em número de votantes em eleições para clubes desportivos).

Ou talvez deva falar de uma forma de fazer televisão, cada vez mais virada para o espectáculo e menos para a informação, dando quase sempre mais atenção aos "casos e casinhos", que ao que realmente importa para todos nós.

Quem se tem aproveitado bem destas novas linhas editoriais são os partidos políticos que estão no poder, que também preferem apostar mais no "entretinimento" que na "arte de governar"...

Curiosamente, encontrei uma crónica de Vasco Pulido Valente (que estava longe de ser o meu cronista preferido...), datadas de 8 de Março de 2015, que nos oferece um retrato demasiado real dos canais televisivos - com a excepção do agora RTP Notícias - dez anos depois...

Eis as palavras do Vasco, no "Público": «Basta ligar a televisão para se perceber o estado de indigência intelectual e política a que chegou o país. A informação, que já foi sofrivelmente sensata, embora parcial e sumária, tem hoje o critério editorial do antigo semanário O Crime e da imprensa cor-de-rosa e desportiva.
Para começar, os portugueses são presenteados com horas do que antigamente se chamava “casos crapulosos”: a facada, o tiro, o roubo, a violência doméstica, histórias de tribunal, considerações de réus, de testemunhas, de advogados, de “populares”, da polícia e de um ou outro comentador de serviço. Depois do “crapuloso” vem o “acidente” e a catástrofe: desastres de avião e de automóvel, incêndios, tempestades de vento ou neve, inundações, tudo o que meta feridos, mortos, miséria e sangue.»

Não se trata apenas dos "retratos" do CMTV ou do NOW, a CNN e a SIC Notícias estão logo ali, depois da esquina...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, outubro 19, 2025

«Eles continuam burros, mas não sabem...»


O mundo avançava levando-nos de viagem numa das carruagens do metro. Éramos os únicos que conversávamos. O resto da malta, novos, velhos e assim assim, estava presa ao quadrado que as ligava a um outro mundo, distante do nosso. A única excepção que confirmava a regra era uma senhora de idade, de ar triste, que olhava para o seu reflexo no vidro. Devia fazer contas à vida, cada vez mais difícil, especialmente para quem sonhava ter um final de vida diferente...

O Carlos começou a falar das pessoas que nunca leram um livro na vida ou uma reportagem a sério de jornal. Sempre deram preferências aos cabeçalhos e às notícias de mexericos ou crimes. A maior parte nem estranhou passar das páginas do Correio da Manhã para as notícias oferecidas pelos manipuladores do mundo virtual.

Eu sabia que ele estava certo, mesmo que raramente usasse "travões" e adorasse ser politicamente incorrecto, Mas estávamos no metro e não no nosso café... Foi por isso que as pessoas que estavam ao nosso lado, mostraram algum desconforto pelas suas palavras, embora continuassem presas aos smartphones.

Saímos na nossa estação e enquanto caminhávamos ele resolveu acabar com o assunto da melhor maneira, com uma frase que era toda ela um poema: «Eles continuam burros, mas não sabem...»

Era uma daquelas frases que também podia ser dita pelos nossos queridos José Gomes Ferreira ou Alexandre O'Neill, para caracterizar o "bom povo português"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, agosto 04, 2025

Todos querem entrar e ficar na "caixinha mágica"


Faz-me alguma confusão o fascínio que a televisão exerce numa boa parte das pessoas, ao ponto de muitas fazerem fila para entrar, e depois, tentam ficar por lá, nem que seja num cantinho. 

Sei que noutros tempos a "caixinha mágica" era mais selectiva e muito menos democrática, estava longe de ser para todos, como finge ser nos nossos dias. Havia dois aspectos importantes para se conseguir entrar pela porta da frente: ter uma boa imagem e possuir uma voz clara e convincente.

Hoje há espaço para quase todos, sejam eles (e elas) gordos, magros, feios, bonitos, bem falantes, mal falantes.

De todos estes pormenores, o que mais me incomoda é ver e ouvir alguém que não sabe falar, que mastiga as palavras ou as esconde debaixo da língua.

Há vários exemplos. Mas o caso mais gritante (para mim, claro...), é o jornalista do "Observador", Luís Rosa, que quando abre a boca na CNN, lembra-me de imediato o Pato Donald...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, julho 02, 2025

«A verdadeira crítica não tem de ser feliz ou infeliz, tem de ser honesta.»


O mais curioso na conversa, foi aquele que continua a ser um dos nossos "escribas de eleição", o MEC (Miguel Esteves Cardoso), que mantém uma coluna diária no "Público", ser alvo de algum escárnio e mal dizer, por duas ou três pessoas.

Todos sabíamos que «a verdadeira crítica não tem de ser feliz ou infeliz, tem de ser honesta», como a Carla afirmou. Mas quando se escreve nos jornais há quase 50 anos (é o caso do MEC, que passou pelo "O Jornal", "Sete", "Expresso", "O Independente" e agora o "Público"), é difícil escrever de uma "forma azeda", ainda por cima quando se gosta das palavras, das pessoas e das coisas.

Acabei por ficar a pensar no assunto, entre as viagens de metro e cacilheiro, para a minha margem. Até me recordei das palavras do Miguel, numa entrevista, já com alguns anos, em que ele admitia que a melhor maneira de criticar alguém, era não o conhecer, nunca ter falado com ele. Porque depois descobre-se que as pessoas até são simpáticas e torna-se tudo mais difícil...

Fiquei em silêncio durante a conversa. Poderia ter dito que o Miguel conquistou o direito a escrever sobre coisas que lhe agradam, mas que deixara de ser "crítico" (pelo menos como se entende a função).

E há ainda outra coisa. Mesmo sem nunca ter falado com o Miguel, nem tão pouco o conhecer, apenas de vista, não tenho grandes dúvidas de que ele é boa pessoa. É o que mais se destaca das suas palavras diárias.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa) 


quinta-feira, junho 26, 2025

Gente que pensa ter mais poder do que o que realmente tem...


Irrita-me ligeiramente a gente que pensa (e finge) ter mais poder do que o que realmente tem.

Um dos lugares onde isso se nota mais é na televisão, no submundo dos comentadores que dizem uma coisa hoje e amanhã o contrário, com o mesmo ar de "entendidos", tanto nos mundos da política como no futebol. 

Parece uma piada mas não é, os comentadores políticos pensam que "podem" demitir ministros, os comentadores desportivos pensam que "podem" despedir treinadores. 

Esquecem-se é que há um primeiro-ministro e que existem presidentes de clubes...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)