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sexta-feira, setembro 18, 2026

Um governo povoado de ministros que gostam de "pintar" a realidade com cores berrantes...


Ouvir o ministro da Economia dizer, com cara séria, que os portugueses apesar da crise mundial, vivem hoje melhor, graças aos aumentos proporcionados pelo seu Governo, vai ao encontro da narrativa oficial da AD, contrariada pela realidade e até pelo prof. Coelho, que finge que é líder da oposição.

Mesmo que tivéssemos sido aumentados nos ordenados com valores entre os 10 e os 15 por cento, a maior parte dos considerados bens essenciais, sofrem aumentos semanais, que se se fizerem  as contas ao ano, andam entre os 20 e os 50 por cento (alguns mais...), mesmo que os grandes retalhistas nos tenham habituado às embalagens de meio quilo, que parecem ficar mais em conta...

O senhor Almeida é apenas mais um governante, que gosta de "pintar" a realidade com cores berrantes, mas sem a arte e a qualidade de Bordalo II...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, setembro 10, 2026

A liberdade tem sempre custos...


Não é só na rua que gosto de parar e ficar a olhar para trás, para ver as coisas de um ângulo diferente, para ver o mundo que caminha em direcção contrária...

Sempre gostei de pensar, de olhar o mundo, de querer saber e descobrir coisas, consultando apenas a minha cabecinha.

Foi por isso que tive os meus primeiros dissabores logo na infância, porque para algumas pessoas não passava de um "refilão" e um "chato", que nunca estava bem com nada...

Não percebi logo que as pessoas não gostam que sejas diferente delas, que queiras ter uma cabeça só tua, os teus pensamentos, as tuas ideias, os teus sonhos...

Muitos anos depois, sinto que só não incomodava verdadeiramente os meus pais.

Nunca tinha pensado, a sério, que para algumas pessoas (são capazes de ser muitas...), gostares de pensar pela tua própria cabeça, está longe de ser a "melhor coisa do mundo". 

Sempre soube que podia ser um incómodo para políticos, patrões e outra gente que vive embrulhada em "papel de poder". Nada que me incomodasse por aí além. Para lhes escapar, nunca pertenci a partidos e trabalhei a maior parte das vezes sem ter patrões com rosto.

Claro que viver desta forma tem custos. Sabes desde cedo que nunca vais ser rico. O que, diga-se de passagem, também está longe de ser a coisa mais importante do mundo, porque sabes que continuas a gostar mais de liberdade que de dinheiro...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, setembro 01, 2026

«Quem é que te disse que os livros são vendidos para ser lidos?»


Alguns leitores, assumidamente, não comentadores do "Largo" gostam de dizer coisas sobre o que escrevo, como foi o caso do "anónimo" da camisola azul que frequenta o café da praça. Não só teve o descaramento de acrescentar palavras sobre os livros, como o disse de uma perspectiva sobretudo comercial: «Quem é que te disse que os livros são vendidos para ser lidos?»

Pois foi... ninguém me disse. Mas é o que acontece, mais vezes do que pensamos. 

O "anónimo" da camisola azul, está cheio de razão... Desde que a Feira do Livro se tornou um "hiper-mercado", até mesmo os leitores de livros acabam por comprar ainda mais livros, que sabem que nunca irão ler. 

São apenas os livros que gostavam de ler um dia...

A "febre" do consumismo é isto... leva-nos sempre a comprar coisas, que não nos fazem falta, nem mesmo na nossa cabeça. 

Pois é, nada escapa a esta vontade de vender e de comprar destes tempos, nem mesmo os livros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, agosto 29, 2026

Quando capitalista rima com vigarista...


Embora estivesse longe de ser uma exclusividade nossa, era impossível negar que capitalista rimava vezes de mais com vigarista, mesmo que fossem palavras demasiado compridas para caber em qualquer poema-canção, mesmo de intervenção.

Mas a realidade é o que é.

Há mais de cem anos já havia quem pensasse dessa maneira, mesmo que usasse palavras diferentes. Era um tempo em que não se usavam muito as palavras acabadas em "ismo", desde comunismo, passando por capitalismo e acabando em fascismo...

Voltando à actualidade, naquele caso particular tratava-se apenas de um negócio, em que alguém, por avançar com a totalidade do dinheiro, queria ficar com 90% das acções e dos lucros da empresa, mesmo que para isso não precisasse de "mexer uma palha" em relação ao negócio...

Como o protagonista da história estava longe de ser alguém desesperado ou sem trabalho, pôde dizer ao fulano com alma de "agiota", para escolher outro "otário".

Claro que sabíamos que não havia nada a fazer. Este é um exemplo, simples e cru de um adepto do capitalismo selvagem, que tenta sempre usar, explorar, enganar, e até escravizar o outro, para maximizar o seu lucro...

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)


sexta-feira, agosto 28, 2026

A chamada "lei de retorno" e o nosso habitual assobiar para o ar...


É normal que cidades como Lisboa ou o Porto, ao duplicarem (sei que são mais...) o seu número de habitantes - mesmo que estes sejam apenas de ocasião - passem também a registar o dobro de crimes, com a tendência de que estes se tornem mais violentos, se os bandidos perceberem que existe uma forte possibilidade de escaparem impunes.

É que isto de se receber todos os dias dezenas de milhares de turistas, não significa apenas mais receitas em taxas turísticas ou mais gente a largar dinheiro nos monumentos, nas lojas, nos cafés ou nos restaurantes... há também a chamada "lei de retorno", que inclui sempre algumas chatices, como a apetência para o "gamanço" dos "amigos do alheio" (alguns parece que também chegam de fora...).

E por isso mesmo devia existir um reforço policial condizente com o aumento de pessoas nas ruas. Reforço que tem sido constantemente adiado.

Isso explica que no percurso que fiz ontem a meio da tarde, entre o Cais Sodré e o Rossio, só me tenha cruzado com uma agente da polícia, e já nesta praça larga, povoada de gente.

Por muito que nos agarremos à estatística e que continuemos a assobiar para o ar, é óbvio que o Governo não está a levar a sério a questão da segurança nas duas principais cidades do país. 

É provavelmente o único ponto em que o "alcaide calimero" da Capital, sempre estridente, tem razão. 

A presença de mais polícia nas ruas, além de transmitir segurança às pessoas, faz com que alguns larápios pensem duas vezes, antes de "atacarem"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, agosto 27, 2026

Um "mundo perfeito", com pessoas constantemente em saldo (e patos, claro)...


Uma das coisas mais curiosas do mercado de trabalho actual, é estarmos a viver um dos períodos em que existe mais emprego e também a época em que se pagam ordenados mais baixos aos trabalhadores.

Esta prática, além de contrariar toda a lógica social, consegue virar de "pernas para o ar" a relação normal que devia existir entre a oferta e a procura. 

Mas os absurdos não se ficam por aí. Basta ler os jornais para se saber que tanto os patrões (CIP) como o Governo (através da ministra do Trabalho), continuam apostados, não só  em criar uma nova Lei Laboral, como também em alterar as regras da Segurança Social...

Para esta gente um "mundo perfeito", é povoado com pessoas curvadas e constantemente em saldo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, agosto 02, 2026

Os campos de futebol inclinados que nos roubam o sonho e a ilusão...


Talvez exista algo de quixotesco e sobretudo de "Robin Hood", no meu gosto de ver aqueles que são descritos como mais fracos e pequenos, fazerem frente aos grandes.

Claro que no mundo da política ou das empresas, tratam-se de meras impossibilidades. Não sobra quase espaço nenhum para o sonho. Vinga sempre a "lei do mais forte"...

O desporto é um dos poucos sectores que dão essa ilusão, especialmente o futebol. No começo de cada partida como jogam onze contra onze, é sempre possível acreditar na possibilidade da existência de uma surpresa, do "David conseguir derrotar o Golias".

Infelizmente - e para não escapar desta sociedade desigual em que vivemos -, os chamados grandes têm quase sempre um aliado de peso dentro das quatro linhas; o árbitro. É ele que decide, que tira toda e qualquer dúvida que exista... e que se quiser "inclina" o campo, como disse anteriormente, para o lado que quiser. Lado, que vá lá saber-se porquê, é quase sempre inclinado em benefício do mais forte...

Foi o que aconteceu ontem na final da Supertaça, disputada entre o FC Porto e o Torriense. Na primeira parte do jogo o árbitro teve o cuidado de "amarelar" dois ou três jogadores da equipa de Torres Vedras, que não se intimidaram e mostraram ao que vinham. Ao ponto de até ter jogado bem melhor que a equipa do Porto nos primeiros vinte minutos, sem que alguém notasse que fazia parte da segunda divisão...

E foi sempre assim durante os mais de noventa minutos, em casos de dúvida, o "juiz" apitava sempre contra o Torriense.

Claro que esta evidência não tem nada de fervor clubístico, se fosse o Benfica ou o Sporting que estivessem no lugar do FC Porto, o cobarde do árbitro, teria o mesmo comportamento...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, julho 14, 2026

A gente pequenina dos vales de 10 cêntimos e a nossa facilidade em deitar fora oportunidades...


Não fazia ideia que havia tanta gente, no mínimo estranha (não me estou a referir aos sem abrigo, como é óbvio), que embora andem nas ruas limpinhos e bem vestidos (as pessoas com quem me tenho cruzado são quase sempre homens e mulheres reformados que talvez não tenham mais nada de "útil" que fazer nas suas vidas, além de coleccionarem "inutilidades com preço"...), andam por aí à procura de um "novo lixo". 

Percorrem durante o dia os pequenos caixotes distribuídos cidade, munidos de sacos de plástico, em busca de garrafas e latas vazias, para trocarem nas máquinas de marca "volta". Pensam que são discretos, quando olham para o lado, a tentar perceber se estão a ser observados. Como vêm a maior parte dos transeuntes presos aos "smartphones", enfiam as mãos nos pequenos caixotes rente às paragens de transportes, como quem não quer a coisa... e de vez enquanto "ficam mais ricos".

Já me cruzei com mais de uma dúzia deles pelas ruas de Almada. Apetece-me quase sempre dizer alguma coisa, mas acabo por ficar em silêncio, limitando-me a abanar a cabeça...

Não sei se são estas mesmas pessoas que assim que o dia escurece, saltitam de contentor em contentor, desta vez com muito menos cuidado, ao ponto de revirarem o lixo e deixarem atrás de si um rasto de imundice por onde passam, pela merda de um vale de dez cêntimos. Provavelmente não, porque não olham para a noite como sua companheira...

Acredito que quem teve esta ideia pretendia mesmo que se fizesse um melhor aproveitamento da reciclagem e que as ruas ficassem mais limpas. Mas o ser humano é o que é... e bem podem meter a viola do saco, porque o resultado parece ser exactamente o contrário do pretendido.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, julho 12, 2026

O comboio continua a ser o melhor transporte do mundo...


Quem como eu percorreu parte do fim da adolescência e começo da idade adulta a viajar de comboio, mesmo com os atrasos tradicionais, sabe que ele é o melhor transporte do mundo, especialmente ao nível da segurança.

É por isso que nunca perdoarei aos políticos que andaram durante décadas a tentar destruir (destruindo muitas linhas e fechando muitas estações de Norte a Sul), em nome de um progresso e de um "mundo novo" que nunca chegou a esses lugares...

Mas nem é sobre isso que pretendo escrever.

Quero escrever sim, sobre a tal sensação de segurança que é transmitida pelo comboio, ao ponto de se mostrar capaz de "levar toda a gente", mesmo que viaje superlotado (tanto posso olhar para as imagens da Índia como as da Linha de Sintra) e de uma forma completamente desconfortável.

Mesmo com estes exageros, não há o perigo de "ir ao fundo" como as embarcações navais, ou vir parar cá abaixo como os aviões (por muito que nos digam que este sim, é que é "o melhor e o transporte mais seguro do mundo").

Até agora tem resistido a todas as "avarias", "boicotes", "desinvestimentos" ou "incumprimento de horários"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, julho 09, 2026

Pois é, parece que afinal "o dinheiro não paga tudo"...


O facto de ainda não ter sentido falta de água canalizada na minha casa, fez com que fosse alvo de algumas "bocas", de quem gosta de se informar através das redes sociais, sem sequer se dar ao trabalho de pensar um pouco, de saber como funcionam as coisas.

Penso que a abastecimento de água  nas cidades não tem grandes segredos. Há vários reservatórios, distribuídos por áreas geográficas, que na maior parte dos casos devem coincidir com os mapas das juntas de freguesia.

Se existir uma zona que consome o dobro ou o triplo da água das restantes, é óbvio que o seu reservatório, acabará por se esvaziar de uma forma mais rápida. E, em casos extremos (como o que está a acontecer no Concelho de Almada...), poderá condicionar mesmo a distribuição normal de água pelas populações.

Isso faz com que a palavra "solidariedade" não faça muito sentido, porque o consumo depende das próprias pessoas. Embora tudo indique que ela até esteja a ser feita em Almada, através do uso de camiões cisternas, que devem ir buscar água aos reservatórios que estão a funcionar normalmente, para a distribuir junto dos almadenses que estão mais necessitados deste bem essencial.

Além das grandes responsabilidades do Município, que não se preocupou em fazer as obras necessárias para evitar este problema, é importante dizer, que os moradores das freguesias mais afectadas, não deixam de ter alguma culpa, no agravar desta situação.

Fala-se de desperdício, e até de roubo de água. Mas existe ainda outro problema: a Charneca de Caparica é a freguesia com mais vivendas, e naturalmente, com mais jardins e piscinas do Concelho. Isso faz com que algumas pessoas usem a água como se esta fosse um bem infinito. E ainda sejam capazes de argumentar: "Se pago, uso a água que quiser..."

E o resultado está à vista...

Nota: As notícias televisivas continuam a não reflectir a realidade. Há uma histeria e um exagero, que levam as pessoas a ver o problema com "lentes de aumentar" e a pensar que todo o Concelho de Almada está sem água.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, julho 05, 2026

As boas das esplanadas, as conversas e o uso e abuso do "clube dos amigos disney" na televisão...


O calor não dá tréguas, nem mesmo nas esplanadas lisboetas. Ou seja, as horas do café neste Verão são menos conversadas que noutros tempos.

Espero que as línguas não enferrujem e não se perca este bom hábito tertuliano, de se "dizer mal de toda a gente", cara a cara, com sorrisos, caretas e rostos fechados, ou seja, com emoções para todos os gostos.

Recordo que a última conversa com alguma polémica e desacordo que tivemos foi sobre a televisão e o velho hábito de se convidarem os amigos para tudo e mais alguma coisa.

Todos nós sabíamos que é necessária alguma cumplicidade - e até amizade - para que as coisas corram bem em qualquer projecto. Quando conhecemos alguém que já trabalhou connosco, e é bom nessa área, o normal é falarmos com ele e não com um desconhecido...

Claro que a televisão abusa do amiguismo. Houve mesmo quem desse exemplos do que se passa na escolha de actores para as telenovelas. Há exageros claros e gente que quase que é "banida", por pequenas coisas que acontecem (às vezes apenas por deixarem de namorar alguém influente...).

Todos sabemos que há outras formas mais saudáveis de trabalhar, só que  muitas vezes, os amigos são  as únicas pessoas que acreditam e estão disponíveis para colaborar nos nossos projectos (é normal não estarem excessivamente preocupados com o dinheiro que irão ganhar...).

Espero que no máximo, Setembro nos traga os sorrisos e as línguas afiadas de volta... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, junho 18, 2026

Eles não sabem, mas o Humanismo não cabe nos caixotes do lixo...


O que mais me tem chocado na governação falsamente democrática de Montenegro, é a quase ausência de humanismo, na maior parte das suas medidas de cariz social.

Eu sei que esta maltinha da direita sempre gostou mais de dar esmolas, que de criar condições para que as pessoas pudessem viver com mais dignidade... e não se limitarem a olhar para o chão.

Até iam à missa (muitos ainda devem ir e até comungam e tudo...) e fingiam-se cristãos, mesmo que não soubessem muito bem o que era isso. O que eram mesmo, era católicos...

Mas vamos lá ao assunto que interessa. Não satisfeita com a tentativa de aprovação da PSU, a AD resolveu alterar também as regras do SMC (Subsídio de Mérito Cultural). Pelo que li na reportagem da Joana (Amaral Cardoso) nas páginas do "Público", fizeram-no de uma forma cobarde e silenciosa. Ou seja, simplesmente decidiram reduzir e cortar os subsídios, que eram atribuídos a antigos homens e mulheres das artes e letras, que viviam com dificuldades, sem qualquer aviso ou informação.

Perante este drama, houve mesmo uma tentativa de suicídio de um velho fotógrafo, que viu o seu subsídio ser reduzido de 470 para 128 euros. Já vivia mal e esta alteração fez com que se sentisse quase "condenado à morte".

Faz-me ainda mais confusão que sejam ministras a estarem ligadas a todas estas polémicas de tostões (e o dinheiro nem é delas, é de todos nós...), quando sempre se reconheceu uma maior sensibilidade social às mulheres...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, junho 11, 2026

O país dos políticos que são fracos com os fortes e fortes com os fracos...


Quando os políticos decidem fazer quase uma "caça ao pobre", como se este fosse o maior dos males do nosso país, além de estarem convencidos de que somos todos estúpidos e invejosos (da miséria alheia...), desceram ainda mais fundo no poço da  desfaçatez e da falta de vergonha.

Já não conseguem esconder mais o cinismo, a hipocrisia, a arrogância, o classicismo e a cobardia, com que regem a sua governação.

É a única explicação que encontro para a sua habitual recusa a taxar os muitos milhões que  entram todos os dias como lucro, nos bancos, nas gasolineiras e nas grandes superfícies comerciais, ao mesmo tempo que "ameaçam" os pobres, com novas regras nos apoios dados, além de trabalho não remunerado, a troco da "esmola" do costume, que querem condensar na PSU.

Ou seja, preferem poupar tostões, com os pobres, a lucrar milhões, com os ricos.

O que este exemplo nos diz, é que é impossível sairmos da habitual "cepa torta", com governantes que são fracos com os fortes e fortes com os fracos...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade) 


segunda-feira, junho 08, 2026

Os "donos das praias", com e sem chapéus de sol...


Já tinha pensado falar do mar e da praia, sem saber que hoje era o dia dos Oceanos.

Curiosamente, ou não, tinha pensado fazer uma abordagem de como muitas pessoas olham para o mundo. O mundo que querem que seja mais delas que dos outros. E nem estava a pensar em falar de chapéus de sol, queria sim, ficar à beira-mar. 

E fiquei por ali, a escutar a voz do Oceano, sem perder de vista a nossa costa... A dar graças pela sua força natural, que acaba por provocar mais medo que respeito a muito boa gente...  

Essa força acaba por ser o nosso maior aliado na luta contra todos aqueles que querem ter uma praia só para eles.

Voltando aos Oceanos, eles hoje acabaram por ser "mais notícia", pelo menos para todos que gostamos de andar informados. Ficámos a saber que ele está a subir muito mais do que se previa, graças à forma displicente como continuamos a olhar para as alterações climáticas (especialmente as grandes potências mundiais...).

Voltando às nossas praias, a primeira imagem que me veio à memória nas muitas histórias com "donos da praia", foi um casarão construído a poucos metros do mar na parte superior de um rochedo, na praia dos Salgados, do Sul (sei que não é uma coisa original, existem dezenas exemplos parecidos em toda a nossa costa, e legais...).

Como não vou  para aquela zona algarvia há vários anos, não faço ideia se a casa em causa ainda por lá está. Se está, de Inverno deve transformar-se quase numa "ilha" e ficar desabitada.

Volto a falar dos chapéus de sol, apenas por saber que esta temática não passa de mais um "fair-divers", para esconder discussões mais importantes, com a das praias da Arrábida com portão, ou as da Comporta e de outras praias algarvias, "com muros", em que meia-dúzia de pessoas se julgam os seus "donos" e querem aquele pedaço do Oceano só para eles...

(Fotografia de Luís Eme - Meco)


terça-feira, junho 02, 2026

A cultura continua a ser olhada (e entendida) como um mero acessório social


Estava a ler um dos meus cadernos (que são quase diários...), com palavras escritas em 2014 e dei atenção a uma frase sobre a desvalorização da cultura como actividade profissional, na nossa sociedade.

Dava como exemplo a profissão de canalizador, que ninguém tem dúvida de que tem de pagar os seus serviços. O curioso é que esta questão tinha sido levantada por uma professora, de uma escola que visitei, que falou abertamente com os alunos, por não existir qualquer fundo para as visitas de agentes culturais às escolas, como se estivéssemos no século XIX e os convidados fossem pessoas que escreviam, pintavam ou cantavam apenas nas horas vagas...

Seguiu-se uma conversa muito animada e útil com os alunos, que perceberam que pouca gente podia viver apenas do trabalho artístico. Para viver de uma forma normal tinha de ter um emprego certo, o que normalmente só acontecia em poucas actividades culturais, como eram as orquestras, as companhias de teatro ou de dança. 

Lembro-me de ter dito que a culpa em parte era nossa, de quem também não olhava para estas actividades como profissão (como era o meu caso...).

Doze anos depois, pouco ou nada mudou.

Os principais responsáveis por esta situação continuam a ser os governantes, que continuam a gostar de usar a cultura e os agentes culturais para tirarem dividendos pessoais e políticos (as eleições e a manutenção no poder estão sempre na fila da frente...), e não para o interesse de todos e do país.

Os políticos continuam a não estar muito interessados em apostar no desenvolvimento cultural -  mantêm os mesmos tiques, medos e hábitos dos tempos da ditadura -, porque quase todos os seus agentes têm o defeito de gostarem de pensar pela sua própria cabeça...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, maio 28, 2026

Portas que se fecham e uma porta que se abriu...


Ia escrever, parece, mas não há nenhum parece na afirmação. As pessoas vão mesmo cada vez menos ao cinema (eu faço parte do lote...). Os números não enganam.

Até as salas de projecção dos centros comerciais estão a fechar, por míngua de espectadores... Embora aqui se perceba o encerramento, porque estas salas são "lojas", onde se vendem imagens com pipocas, o seu grande objectivo é ganhar dinheiro.

Tem acontecido o mesmo tem pelo interior fora (parece que já chegou ao litoral...), onde já existem várias cidades, com alguma importância social e cultural, sem um único auditório aberto para se verem filmes.

Curiosamente, cada vez há mais fitas portuguesas (sei disso porque ainda leio jornais...). Sei que isso se explica pela facilidade com que hoje qualquer pessoa pode fazer um filme, graças à evolução tecnológica e aos seus baixos custos).

Não sei qual é o verdadeiro objectivo desta "febre" de filmes que falam português. Pode ser a visita a festivais internacionais, ou então, a projecção para os amigos...

Não deixa de ser curioso, que se tenha criado em Almada no último mês um "cine-clube" municipal, no velho Salão das Carochas (esta sala já foi muita coisa e curiosamente foi "sala de cinema" logo depois do 25 de Abril, com a projecção de filmes infanto-juvenis). 

Ainda não me bem informei sobre o assunto, se tem público, embora perceba que o objectivo principal do "Cine-Carochas" é ser um espaço alternativo ao "comércio de filmes", ser uma casa aberta às fitas independentes (talvez as tais dos muitos realizadores portugueses...).

Como de costume não era para escrever nada disto, era para falar de história com cinema. Fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, maio 23, 2026

Olhar para o mundo, no lado de dentro da janela do autocarro...


A vida é quase sempre mais complicada do que aquilo que parece.

O que nos vale (aos optimistas, claro), é agarrarmo-nos às coisas boas que vão aparecendo, ainda que cada vez mais espaçadas.

E não vale a pena insistir que o dinheiro está longe de ser uma "fábrica de felicidade".

Há tantos exemplos, que nem vale a pena falar, mesmo que as pessoas não desistam de tentar comprar "as melhores coisas do mundo", ou pelo menos, "melhores que as do vizinho do lado"...

É por isso que o título desta posta é apenas a legenda da fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 14, 2026

A justiça, os justiceiros e os bandidos...


Há muito tempo que não falava sobre Sócrates e sobre a justiça. Talvez fosse por isso que desse mais importância à conversa que tive com um amigo, que não encontrava "há séculos", e que me foi capaz de me fazer ver o caso, numa outra perspectiva.

O facto de ele ter sido vítima da nossa justiça, morosa e tendenciosa, devido a um divórcio litigioso, povoado de mentiras pela parte da ex-mulher e família - só agora, com os filhos na idade adulta é que passou a ter uma relação normal com ambos -, faz com que olhe para tudo de forma diferente.

O mais curioso, foi ele dizer-me que José Sócrates continua preso, desde que o prenderam no aeroporto, como se fosse um "perigoso assassino". Acrescentou que a perseguição de que é alvo por parte dos tribunais, dos jornalistas e das polícias nunca mais lhe permitiu ter uma vida "normal" e em "liberdade".

É por isso que está convencido de que o Estado - ou seja, todos nós -, vai ter de o indemnizar, e que se ele for condenado, será por coisas ridículas, que apenas darão para uma pena suspensa. O que é muito pouco para quem está "preso há tanto tempo"...

Pelo meio ainda me falou das "famílias do actual regime" (PSD), ligadas à banca (sobretudo o BPN), que durante todos estes anos nunca deixaram de viver "à grande e à francesa". A única excepção tem sido o Salgado, cuja tentação de se fazer "passar por maluquinho", lhe deve ter mesmo afectado a cabecinha...

Claro que nada disto alterou o meu pensamento sobre o caso. Os bandidos, os justiceiros e os advogados de defesa, já estão há muito tempo identificados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, maio 10, 2026

O Miguel e a "pirâmide invertida" da Segurança Social...


Embora o Miguel Sousa Tavares seja "excessivo", gosto de o ler, de o ouvir e ver, porque mesmo quando diz disparates, faz-me ficar a pensar em muitos dos temas que trás para a discussão pública.

Nem sempre me lembro que ele uma vez por semana (às quintas) comenta os casos mais pertinentes da semana, no Jornal Nacional da TVI. Esta sexta-feira, ao fim do dia, cansado das mesmas notícias e dos mesmos comentadores diários, lembrei-me e andei para trás no tempo e fui ouvir os seus comentários.

Acabei por ficar surpreendido com as suas palavras sobre as reformas e sobre as pessoas que não têm filhos. O que é mais curioso, é que eu nunca tinha pensado nesta questão como ela foi colocada pelo Miguel, ao dizer que quem não faz filhos e não deixa descendentes - para alimentar a "pirâmide" da Segurança Social (cada vez mais invertida), devia ser penalizado.

Mesmo sabendo que não há forma nenhuma de penalizar as pessoas que decidem, por isto ou aquilo, não ter filhos, ele não deixa de ter razão. Estas pessoas estão a contribuir para que a "pirâmide" fique cada vez mais invertida e embora tenham descontado, as suas reformas acabam por ser pagas com os descontos dos filhos dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, abril 28, 2026

Um pequeno pormenor que distingue um bom de um mau político...


Não sabemos exactamente como se continua a viver na região de Leiria, mas fazemos uma pequena ideia, graças às notícias televisivas...

Milhares de pessoas, apesar dos apoios, continuam a fazer contas à vida, logo que se levantam. Nem quero imaginar o que passa pela cabeça dos pequenos empresários...

Foi por isso que achei curioso o aviso de Montenegro, quando disse, literalmente, que não havia dinheiro para toda a gente. Quem sabe como a "corrente" de apoios se processa, ficou esclarecido. Ele informou as  gentes de Leiria e arredores para se fazerem à vida, porque só ia apoiar a selecção de pessoas do costume, construída normalmente através de cunhas e simpatias políticas.

Sei que Costa não fez as coisas de forma diferente. Não foi por acaso que, quando foi preciso reconstruir as zonas de incêndios, alguns autarcas tiveram de responder em tribunal pela sua dualidade de critérios e aproveitamento financeiro na distribuição de apoios. 

Mas o que ele nunca disse às pessoas, foi a verdade crua. Nunca as deixou ainda mais abandonadas e solitárias do que já se encontram...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)