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terça-feira, agosto 05, 2025

Um mundo que nos escapa, cada vez mais (quase sempre por vontade humana)...


Nunca irei perceber a cobardia de quem é capaz de destruir um bom comum, como é um parque natural, que devia ser partilhado e defendido por todos, da mesma forma que não entendo o uso da força, através da guerra, por ditadores, que destroem países, quase sempre por meros interesses pessoais.

Aquilo que nos devia definir, e fazer toda a diferença, o humanismo, é ignorado por quase todos. Somos cada vez mais, "bestas humanas", preparados para levar tudo à frente. 

Nem mesmo a própria natureza, que se vai vingando, pela forma egoísta e brutal com que é tratada, através de tempestades,  tsunamis, tornados, terramotos ou vulcões, nos faz mudar de vida.

E depois, acontecem mortes completamente inesperadas, como a de hoje, de Jorge Costa, que por ser uma figura pública, vai merecer horas e horas de atenção na televisão, com muita gente a interrogar-se, "porquê?". 

Porque somos de facto pequeninos. Fingimo-nos muito poderosos (mesmo ditadores como  Putin, Trump ou Nethanyau, não conseguem escapar ao "destino"...), mas não passamos de simples seres mortais, cada vez mais insignificantes e autodestruitivos...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, junho 03, 2025

«Já faltou mais, para que o humanismo volte a ser crime»


Ele podia utilizar outras palavras para falar destes tempos, onde começam a crescer sombras por todo o lado, mas usou Humanismo, talvez a mais sensata, mais profunda, mais abrangente, e por isso, também a melhor.

É muitas vezes usado quase como "emblema" de um tempo em que os homens que lutavam pela liberdade, aliás nem era preciso lutar, às vezes bastava "pensar"... Não se chateia nada, nem tem problemas em falar desses tempos, da prisão em Caxias e em Peniche, ou de quando percebeu que o único Deus que existe, está na cabeça de alguns homens, demasiado crédulos, pelo menos para as coisas que lhes convêm...

Tudo isto, porque o "profeta" do partido fascista, que agora que tem sessenta deputados e passou a ser apenas de "direita", já começou a falar do fim do regime, anunciando para breve o começo de uma "nova coisa", que os que espalham a tal palavra de Deus, chamam "novos tempos"...

Mas nem precisamos de falar do nosso "vendedor de ilusões", basta olhar para Gaza, para várias regiões africanas ou para a Ucrânia, para percebermos que o Humanismo é cada vez mais "uma treta"... 

E sim, ele tem razão, o Humanismo está quase, quase a ser crime...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, fevereiro 18, 2025

Ter e não ter memória, gostar e não gostar de liberdade...


Talvez quem tenha a memória mais fresca, quem nunca conseguiu deitar fora as piores coisas que lhe aconteceram durante as ditaduras salazarista e marcelista, se sinta mais chocado, e até envergonhado, com o que se está a passar à nossa volta. 

Talvez.

É por isso que o Mário, por muito que se esforce, não consegue perceber como é que se chegou até aqui, como é que as pessoas têm sido capazes de eleger quem lhes quer dar cabo da vida e roubar direitos, que ofendem a dignidade de todos nós como humanos.

Não entende, sobretudo as mulheres. Elas que deviam fazer toda a diferença e que são pelo menos metade da população do planeta. Como eu o percebi quando ele disse que, talvez muitas sonhem com o regresso à sua vidinha de donas de casa e a voltarem a ter um "dono"...

Não disse quase nada. O Mário disse quase tudo. Quem ama a liberdade e têm a mania que somos todos iguais tem ainda mais dificuldade em perceber tudo isto que se está a passar à nossa volta...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 08, 2024

A única estatística que tenho é o meu olhar, mas...


Embora não tenha nenhum dado estatístico sobre qual é o animal doméstico mais popular na actualidade em Almada, noto um grande crescimento de cães. E isso acontece desde a pandemia.

Antes, o que se via mais em Almada, eram gatos. Muitos deles "vadios", mas como tinham sempre várias distribuidoras de comida e de água, pelas ruas da Cidade, sobreviviam sem grandes dificuldades.

Depois veio a pandemia e quase que se deu ouvidos à sabedoria popular (sempre ela...), e quem "tinha medo", acabou mesmo por comprar um cão, nem que fosse para ter uma desculpa para andar na rua, nesses tempos de quase reclusão...

Alguns deles devem-se ter afeiçoado aos animais, outros habituaram-se a estes passeios, como momentos de evasão familiar, outros mais estranhos, perceberam que os cães nunca refilam com os donos, nem quando levam um ou outro pontapé...

A única coisa de que tenho a certeza, é que nunca vi tanto cão a passear na cidade, atrelado a seres humanos...

Também sei que antes da pandemia, havia mais humanidade pelas ruas. Claro que se há alguém que não tem nenhuma culpa disso, são os cães e os gatos...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, novembro 05, 2024

A globalidade e a "estranheza humana" (para não lhe chamar uma coisa pior)...


A história sempre nos disse que o "animal" mais estranho que vivia na Terra era o homem (e a mulher, claro). 

Isso acontece, porque, apesar de termos uma coisa que chamamos inteligência, que nos diferencia dos restantes animais, nem sempre a usamos da melhor maneira...

Nem vou falar das guerras - a coisa mais estúpida e animalesca que fazemos -, que nos coloca quase no fim da fila, em relação aos outros animais, que matam quase sempre apenas por uma questão de sobrevivência, e não por mera ambição pessoal ou conquista de poder.

Falo sim de toda a "globalidade" virtual conquistada, da forma como o mundo se aproximou, como os continentes mais afastados passaram a estar quase logo ali, depois da fronteira de Vale Formoso. 

Curiosamente, ou não, esta "globalidade", só é bem aceite, virtualmente. Todos aqueles que chegam de fora, de outros continentes (a excepção são os turistas, que são olhados não como pessoas, mas sim como "galinhas que cagam ouro"), não são bem aceites, são olhados de lado. E se tiverem a pele mais escura, ainda pior...

Ou seja, queremos o mundo já ali, depois da esquina, mas apenas dentro dos computadores e smartphones...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, outubro 22, 2024

O cinema a ajudar-nos a reflectir sobre a loucura, a arte e a humanidade...


Um dia destes, acendi a televisão (é curioso, que tanto posso acender a televisão mal me levanto como deixá-la quietinha e em silêncio até às notícias da noite...) e fui surpreendido, pela positiva.

O canal que apareceu era um de filmes (é uma pena repetirem tanto os filmes quando existem milhares e milhares de clássicos de qualidade...) e a primeira imagem que vi foram os olhos azuis de Willem Dafoe, que fazia o papel de Vincent Van Gogh, esse extraordinário pintor dos Paises Baixos.

O filme já ia a meio e eu fui vendo, enquanto preparava o pequeno almoço e a mesa de trabalho.

Provavelmente já tinha visto o filme, mas nunca com esta intensidade. Tanta reflexão sobre a loucura, a arte e a humanidade, que ía aparecendo nas imagens, graças ao talento de Dafoe, que faz mais um dos seus vários "papéis de uma vida" (há actores que são assim, não estão logo na primeira fila de Holywood, mas são essenciais para os filmes graças à forma como dão vida às personagens). 

Fiquei com a sensação que só ele era capaz de nos oferecer tanta sensibilidade e intensidade, neste filme sobre os últimos anos de vida de um pintor que tinha tanto de genial como de problemático, devido à sua débil saúde mental.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, outubro 15, 2024

O melhor do mundo continuam a ser as pessoas (as boas, claro)


Apesar de sentir que existem aqui e ali, algumas mudanças, gente que gosta de meter o humanismo no bolso, continuo a acreditar que o melhor do mundo, continuam a ser as pessoas...

Pode haver aqui alguma poesia, e claro, um olhar sobre a melhor da nossa natureza. Continuo a ser do clube dos optimistas, mesmo que os ventos soprem cada vez mais forte, no sentido contrário.

Tudo isto porque a minha filhota está na fase estágios, que a preparam para a profissão. A mãe insistia que havia um lugar mais moderno, com melhores condições. Ela, muito bem, disse que era ela que escolhia onde queria estar. Nestas escolhas, o que ela dava mais importância era às pessoas que ia encontrar e não à modernidade dos espaços.

Normalmente não me meto nestas discussões, até por saber que ela vai crescer com o "bom" e o "mau", que apanhar à frente.

Não lhe disse, mas eu também continuo a dar preferência às pessoas, em detrimento dos lugares...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, outubro 08, 2024

O esquecimento e o facilitismo que habitam nos nossos dias...


Não tenho dúvidas que uma das missões que temos enquanto pais, é tornar (ou pelo menos tentar...) a vida dos nossos filhos mais fácil e melhor que a nossa. Nem sempre conseguimos chegar a uma delas, muito menos às duas. 

Isso acontece porque nós, humanos, temos o condão de tornar o que é fácil difícil, optando por caminhos cada vez mais manhosos e estranhos para o outro (estamos cada vez mais cercados pela tentação da violência e até da exterminação da diferença...).

Embora às vezes falemos nisso, nem sempre sei se eles estão mais capacitados que nós, para lidar com os "filhos da mãe", que crescem à nossa volta como "cogumelos no bosque"...  Provavelmente estão. Já levaram com eles nas escolas...

Pensei nisto ao ver os meus dois filhos saírem de casa, quando amanhecia.

Também pensei que, são sobretudo essas pessoas - que se alimentam diariamente do poder - que mais esquecem que têm dentro deles, várias coisas que os distinguem dos outros animais. 

Sem lirismos, pensei que um pouco mais de humanismo, não lhes fazia mal nenhum, mesmo que corressem o risco de deixarem de ser olhados como "filhos da mãe"...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)