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segunda-feira, junho 22, 2026

Quase "certificados (ou atestados) de sexualidade"...


Uns familiares afastados, quase que nos obrigaram a entrar na sua casa, com o argumento de tomarmos o café, que íamos beber à Associação Cultural local, quando passámos pela sua rua. Acabou por ser uma visita de médico agradável.

Um dos aspectos curiosos que mereceu a atenção dos meus filhos, foram duas fotografias, de nus, de bebés, dos dois filhos do casal, que são da minha geração, expostas em cima de um dos móveis da sala.

Começaram por "gozar" o prato, afirmando que eu e o meu irmão também devíamos ter fotos daquelas na casa da avó. Acabámos os quatro a sorrir. Argumentei que foi um pormenor que escapou à nossa família, e ainda bem. Isso fez com que nós também não explorássemos a sua nudez em bebés...

Quase em coro, os meus filhos disseram, "que pena". E nova gargalhada geral.

O mais curioso, é que a maior parte destes retratos eram tirados no atelier de fotografia. Sem encontramos uma justificação, achámos devia ser uma moda geracional, que ajudava as lojas de fotografia a sobreviverem.

A conversa ainda avançou mais, ao ponto de se falar em "certificados (e atestados) de sexualidade", a prova de que éramos meninos ou meninas... 

Algo que hoje não prova grande coisa (a não ser para o "toureiro"do CDS...), pois há quem tenha pilinha e se ache mulher e quem tenha pipi e se sinta homem...

(Fotografia de Luís Eme - A Foto Franco é uma boa resistente, que continua com a sua loja história aberta, na Rua das Montras das Caldas. E tem exposta, com orgulho, uma fotografia do  actual Presidente da República).


domingo, junho 14, 2026

Passar o domingo (de Verão) nas Caldas...


O calor convidava uma visita às praias do Oeste, à minha Foz do Arelho, por exemplo.

Mas o domingo há muitos anos que não é o meu "dia de praia". Se nunca gostei muito de confusões, com o avançar da idade, ainda fujo mais delas...


Foi mais agradável passar pela Praça da Fruta ao final da manhã e visitar o Museu José Malhoa depois do almoço (mais uma vez a ser quase "guia turístico" na cidade...), que mesmo depois da centésima visita, é sempre memorável...

E depois é sempre bom encontrar uma casa cheia de gente à nossa espera e meter a conversa em dia...

(Fotografias de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, janeiro 23, 2026

A "Alma do Povo", a pequena e a (quase) grande burguesia...


Nos meios pequenos a cultura parece funcionar, quase em circuito fechado, por uma pequena elite que normalmente faz o dois em um, é produtora e espectadora. 

É assim na cidade onde nasci (Caldas da Rainha), como será em tantos outros lugares em que são quase sempre os mesmos a aparecer, a escrever, a pintar ou a tocar...

Fui espectador em duas ou três inaugurações de exposições artísticas e também em um ou dois lançamentos de livros. E lá estavam os mesmos "doutores", cheios de sorrisos e salamaleques, com um sentido crítico enviesado, logo à partida, porque a amizade é o que é... (continuo a pensar da mesma forma que o Miguel Esteves Cardoso, só conseguimos escrever uma crítica honesta, quando não conhecemos o escritor ou o artista cuja obra avaliamos...). 

Sabia que aquele não era o meu mundo...

O mais curioso, é que não era sobre isso que queria escrever. Aconteceu-me mais uma vez, entrar no "comboio" errado e ser obrigado a sair na próxima paragem...

Estou a  acabar de ler um livro datado de 1949, "Alma do Povo", da autoria de Leonel Cardoso (só pode ser o dono da rua onde mora a minha mãe, nas Caldas...), de "glosas de cantigas". Embora os poemas sigam todos o mesmo caminho, prontos a entrar em qualquer casa de fados onde ainda se valorize a "desgraçadinha", têm muita musicalidade. A espaços fui capaz de ouvir tanto o Marceneiro como a Aldina, a cantar aquelas coisas onde António pode rimar com demónio ou ciúme com lume.

Não tenho dúvidas que Leonel Cardoso fazia parte da tal elite de que falo, nesses anos quarenta e cinquenta, ainda mais reduzida...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 11, 2025

O Zé Povinho, as Caldas e o Grande Rafael


Não é habitual falar de duas exposições em dois dias, mas como passei pelas Caldas da Rainha, aproveitei para ver a mostra artística e histórica que está patente ao público no CCC, "Zé Povinho, uma História com 150 Anos", com curadoria de Jorge Silva.

Gostei muito do que vi. Já sabia que o Zé Povinho era a figura mais caricaturada no nosso país, ao longo do tempo, mas não imaginava que até tinha sido capa de revistas como a "Gaiola Aberta" ou o "Riso Mundial".

Tudo isto graças ao grande Rafael Bordalo Pinheiro, que, além de ser o pai de muitas coisas no nosso país, inclusive da Banda Desenhada, escolheu as Caldas para começar a trabalhar na indústria da cerâmica. O Artista acabou por oferecer um novo cunho artístico às faianças da ainda Vila, ao mesmo tempo que dava uma nova vida ao Zé, oferecendo-lhe a tridimensionalidade que não possuía.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sábado, abril 19, 2025

Um espaço turístico de eleição no Oeste


Hoje fui às Caldas almoçar com a família e como de costume deu uma volta pela cidade, com as passagens obrigatórias pelo Parque - que festejava a Páscoa -  e pela Praça da Fruta. 

Talvez fosse por ser uma época festiva, mas havia bastante movimento, nas estradas e nas ruas, numa cidade bonita, que antes de se apostar neste turismo quase desenfreado, já ela aproveitava a sua situação geográfica (bem podia ser a "capital do Oeste"...) e o facto de possuir das melhores termas do país, para ser um espaço turístico de eleição no nosso país.

Nem mesmo a incompetência autárquica - fruto dos muitos anos de poder "laranja" - conseguiu deitar abaixo, esta cidade única, que vai recuperando as suas melhores valias, graças a uma Câmara, quase "independente dos partidos"...

Também aproveitámos a companhia do meu irmão, para irmos ver o mar à Foz do Arelho, que estava cheia de gente, a aproveitar aquele Sol do momento, por saber que a chuva também andava por ali, escondida nas nuvens com várias tonalidades de cinzento.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, fevereiro 21, 2025

Deve acontecer com toda a gente (ou talvez não)...


Estávamos à mesa e como sempre o passado estava ali, junto a nós, mesmo que não existisse nenhuma cadeira vazia.

O meu irmão fala-me sempre dos amigos que perguntam por mim e que não vejo, na maior dos casos, há mais de quarenta anos. 

Apetecia-me estar com eles, acenar-lhes, sorrir-lhes e trocar algumas palavras...

Não sei o que é que a minha filhota pensa disso, não falámos muito na viagem de regresso na companhia da chuva. Ela passou o tempo todo a cantar por cima das canções da sua "lista" de preferências.

Já em casa, depois de ter ficado quase uma hora na fila de carros antes da Ponte (felizmente parara de chover...), decidi ir andar, ir a Cacilhas ver o Tejo e as barcas.

Foi quando voltei a recordar alguns amigos, além do Paulo e do Quim, de quem o meu irmão falou, lembrei-me do Chico, do Rui, do Duarte, do Borga, do Buiça, do Luís, do Lemos, do Nuno... 

Pensei em várias coisas, até no facto de só me aparecerem memórias masculinas da infância e começo da adolescência. Pois, eu cresci num tempo em que o mundo estava muito mais dividido, entre homens e mulheres... as miúdas nem sequer jogavam à bola connosco (a Cristina devia ser a excepção, mas ela era uma "maria-rapaz"...).

Foi quando achei que isto devia acontecer com toda a gente... Mas veio-me logo outra ideia, não, não devia acontecer a toda a gente, só "aos que partiam".

Sim, só quem parte para outra cidade, para estudar ou trabalhar, e nunca mais regressa para ficar (apenas para visitar...), vai perdendo o rasto às pessoas, que o ajudaram a crescer e a pensar que era feliz...

Apenas os lugares ficam, e mesmo esses, vão mudando, não conseguem resistir ao presente e ao futuro...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, outubro 20, 2024

Somos, mas já não somos...


Hoje foi um dia. quase passado integralmente no Oeste, para estarmos com o nosso tio da América.

Com um almoço da família à antiga, com múltiplas viagens pelo passado, com o regresso dos avós, do pai, e claro, de muitos lugares onde fomos felizes, em quase mil aventuras, tanto em Salir de Matos, como no Bairro da nossa meninice, ou em espaços especiais, como o Parque ou o nosso Mar...

Parque que nos levou a uma revisitação do Museu do nosso Malhoa, um lugar especial na nossa infância (pensava que era só eu que o recordava com um olhar ternurento, mas o meu irmão ao almoço, quando falámos que íamos passar por lá, também nos disse que era um sítio especial, desde sempre...).

E claro, aquele espaço não nos desilude, mesmo que a sua arte tenha pouco de moderna. Talvez até seja por causa dele que sou tão "conservador" nos meus gostos artísticos...

Depois fomos ver o Mar, aquele que tem uma cara séria e uma voz de trovão. Esse mesmo, o da Foz do Arelho. Antes ainda passámos pela Lagoa de Óbidos, que nos sorriu agradada com a visita.

E depois fomos pela estrada Atlântica, até Salir do Porto e depois São Martinho do Porto.

Contei que Salir era a praia da nossa infância. Íamos no "Comboio-Correio", quase sempre lotado de veraneantes, nesses longínquos anos sessenta. Claro que mal crescemos um palmo, tanto eu como o meu irmão e os amigos do bairro, elegemos a Foz do Arelho, como a "praia da nossa vida"...

Já em São Martinho do Porto fui contando à nossa "estreante" no Oeste, que esta praia além de ser a "banheira das duquesas", era o espaço de eleição dos "betinhos", tanto do Oeste como da Capital. Além deste pormenor, eles perceberam que aquele Mar era mais "sujo". Acrescentei que também era mais sonso, não tinha nada a ver com a Foz do Arelho...

E depois foi o regresso a casa.

Quando comecei a escrever estas notas de viagem, pensava que "somos, mas já não somos", destes lugares, mesmo que eles fiquem para sempre, dentro de nós...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, agosto 15, 2024

O meu querido 15 de Agosto...


O feriado do 15 de Agosto, contínua - e continuará - associado a um Portugal que já não existe, onde não existiam supermercados, apenas mercearias e pequenos minimercados, e as feiras que se realizavam nas localidades, adquiriam uma importância primordial, tanto social como económica.

Na cidade da minha meninice a "Feira Anual do 15 de Agosto" realizava-se na Mata da Rainha (das Caldas). Aos meus olhos de criança, era um acontecimento memorável, que ocupava todo o espaço que rodeada o Campo da Mata, que pela sua dimensão e equilíbrio do terreno, era ocupado pelas principais diversões.

Parece que ainda oiço os vendedores de "banha da cobra" (que vendiam tudo menos este produto), à medida que ia andando de mão dada com a mãe ou o pai, para não me perder no meio da multidão...

É por isso que tiro o chapéu (que não uso) à Feira de São Mateus, de Viseu, que vai conseguindo resistir a todas as mudanças que se dão a nível planetário.

(Fotografia de Luís Eme - Viseu)


terça-feira, abril 02, 2024

A Gente Boa de Abril e de Almada


Cresci numa cidade conservadora, que nunca se livrou (por vontade da maioria das pessoas que votavam...) do domínio da chamada direita democrática (PSD). Mesmo hoje é governada por um movimento independente, cujo presidente é um "dissidente" dos sociais democratas. Embora tenha sido uma "lufada de ar fresco" não se podem esperar rasgos demasiado revolucionários na sua governação.

Falo de Caldas da Rainha. A minha ligação à prática desportiva desde cedo fez com que passasse ao lado de muitas coisas. Mas aquela mania de querer "mostrar aos outros", o que se tinha e não tinha, sempre me fez confusão à cabeça. Sim, ter vontade de fazer uma casa com mais um divisão ou comprar um carro mais caro, que o familiar, vizinho ou até amigo (é uma maneira estranha de se ser amigo, mas acontece...), só para mostrar que tinha subido mais um degrau da tal "escadaria social", como se isso fosse a coisa mais importante do mundo.

Felizmente foi possível partir aos dezoito anos para a Cidade Grande, viver os meus primeiros tempos com um casal solidário e amigo, cuja formação superior não os desviou das preocupações sociais, de olhar os outros, nem de sentir que o País se começava a desviar de uma forma significativa do sonho de Abril...

O Zé e a Elisete foram muito importantes para uma ainda maior consciencialização política, e para o bom uso que se devia fazer da liberdade individual. Embora os meus pais fossem de esquerda (tal como eu perdiam as eleições todas nas Caldas...), não tinham a cultura social e política dos primos.

Mas a grande mudança deu-se quando eu tinha 24 anos e escolhi Almada como o meu porto de abrigo. Em pouco tempo, senti logo que pertencia aquela gente, sem preconceitos e manias de grandeza. Por ser governada pela CDU, a cidade tentava resistir (e conseguiu por alguns anos...) ao cavaquismo e ao mundo dos "novos-ricos", que essa figura tão bem caricaturada como "múmia", trouxe para o poder.

Apesar das muitas transformações do País, a gente de Almada que tive o prazer de conhecer, era a minha gente. As pessoas que trato orgulhosamente pela "Gente Boa de Abril".

Não as vou enumerar, até porque são bastantes as pessoas que me ajudaram a ser um melhor ser humano e cidadão. Gentes que valorizavam sobretudo os valores colectivos e que continuavam (e continuam...) a sonhar com o "País de Abril"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, agosto 15, 2023

Regresso ao meu 15 de Agosto da infância...


A minha primeira memória do 15 de Agosto é a Feira das Caldas, que na minha infância se realizava na Mata da Rainha.

Eu sei que era pequeno, mas tudo aquilo continua enorme dentro da minha memória ...

As ruas várias cheias de barracas onde se vendia um pouco de tudo. Lembro-me do vendedor de roupa, a novidade da época eram os "cobertores eléctricos". Eles faziam leilões, parece que ainda os estou a ouvir, "aí vai uma, vão duas, duas e meio e três (mas numa versão mais lenta). E o cobertor vai para o senhor de chapéu e gravata azul. Parabéns amigo, fez uma óptima compra". E assim que mudava de artigo começava novo leilão... Lembro-me também das farturas. A mãe comprava sempre uma dúzia, que comíamos quando chegávamos a casa com chá ou café.

Mas a parte que gostava mais era o local onde se concentravam as diversões que se instalavam no campo de futebol do Caldas (a equipa tinha de treinar noutro lugar...), o circo, os carros de choque, o carrocel, o poço da morte. Foi ali, com toda a certeza, que vi os primeiros palhaços, os primeiros trapezistas e afins...

Podia ter-me dado para pior, mesmo que a Mata da Rainha continue a ser um lugar cheio de memórias.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sábado, julho 29, 2023

A última das minhas preocupações quando tiro retratos...


Estava a passar pelo largo do Bairro da Ponte (Caldas), onde ficava a velha sede dos "Pimpões" e se organizavam os bailes dos Santos Populares (há anos que já lá vão...), quando reparei num velho sentado a uma mesa da pequena esplanada de um café de supermercado, entretido a ler banda desenhada. Lia um dos clássicos de Walt Disney, que eram a "oitava maravilha" das leituras da minha infância. Nesse tempo eram escritos em brasileiro (importados do Brasil...). Penso que só depois do 25 de Abril é que se começaram a fazer edições em Portugal.

Vendo que o homem estava completamente absorvido pela leitura, não resisti a tirar "um boneco" (meio à pressa nem ficou com a nitidez desejada, não fosse ele olhar para mim  e "estragar a fotografia"...).

Só depois, quando olhei o retrato com "olhos de ver", é que verifiquei que estava a fazer publicidade ao grupo de supermercados. Nada que me preocupasse, até porque eu sempre gostei de publicidade (sou até coleccionador, tenho centenas de recortes da imprensa...) e faço-a por aqui de forma ocasional e gratuita.

Este pequeno episódio lembrou-me uma chamada de atenção de um dos responsáveis pela Oficina de Cultura de Almada, quando lá fiz a minha última grande exposição. Uma das minhas fotografias com um plano geral da Praça da Fruta das Caldas tinha ao fundo, em letras muito pequeninas, o nome de uma instituição bancária. O senhor começou por me dizer que aquilo era publicidade e que não podia constar no folheto. Claro que lhe disse que era uma fotografia de um lugar e que não podia "apagar" as coisas que por lá existiam. Ou seja, se estava a fazer publicidade, era à Praça da Fruta. E claro que fui intransigente. A exposição era minha, era eu que mandava nas minhas fotografias. Um pouco a contragosto, o funcionário da Autarquia lá meteu a "viola no saco" e foi dar música para outra freguesia.

Continuo a pensar da mesma forma. Não vou "apagar" a publicidade por estar atrás da pessoa ou do objecto que quero fotografar. 

E lá acontece, fazer mais uma vez publicidade, de borla, por aqui no "Largo"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, julho 28, 2023

A Minha Cidade e as Pessoas (desaparecidas)...


Ontem passei uma boa parte do dia com  a minha Mãe nas Caldas. 

Além de almoçar também jantei. Conversámos sobre as pequenas e as grandes coisas da vida, como de costume, com várias pessoas e lugares a surgirem nas nossas memórias e no nosso diálogo tão natural como feliz.

Passar mais tempo do que costumo nas Caldas, fez com que passeasse de manhã e também à tarde pelas ruas da cidade, onde encontrei muitos motivos de interesse para "olhar" e tirar as chamadas "fotografias de momento".

Passou-se também uma coisa curiosa e estranha. Apesar do passeio ser mais longo do que o costume, não encontrei uma única pessoa conhecida, nem mesmo de vista. Foi como se todas as pessoas que conheço tivessem mudado de lugar ou então se tivessem escondido à minha passagem...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, outubro 16, 2022

O Futebol-Espectáculo é Isto...


Fiquei muito orgulhoso por o "meu Caldas", quase ter ganho ao "meu Benfica", na noite de ontem. O jogo acabou por ser decidido na "lotaria" das grandes penalidades, depois de mais de 120 minutos de futebol-espectáculo, mesmo quando os jogadores do Caldas estavam de rastos, fisicamente, nunca perderam o discernimento e continuaram a jogar com a bolinha no chão. 

A equipa treinada por José Vala pede meças a muitas equipas profissionais, pois mesmo a jogar com a primeira classificada da Primeira Liga, invicta (que tinha acabado de empatar com o Paris SG, uma das equipas mais poderosas do mundo...), jogou sempre, de igual para igual, sem medo e complexos em relação às "prima-donas" da Luz.

Felizmente, o "autocarro" do Caldas só serve mesmo para o transporte de jogadores...

(Fotografia de Luís Eme - a partir da televisão)


sábado, outubro 15, 2022

A Festa da Taça nas Caldas


O Caldas está a menos de uma hora de defrontar o Benfica, no velho Campo da Mata, para a Taça de Portugal.

Embora chegasse a pensar ir às Caldas ver o Benfica, percebi que dificilmente arranjaria bilhetes e também não me quis "fazer convidado". Além disso, gosto mais de ver futebol na televisão. Nos campos de futebol distraio-me com grande facilidade, porque há "outros jogos" que se jogam nas bancadas. 

Isso aconteceu quando o Caldas chegou à meias-finais da Taça e fui ao Campo da Mata ver o Caldas eliminar o Farense. Com as bancadas cheias de gente a puxar o nosso clube para cima, mas sempre num ambiente de festa (até a claque era um exemplo...), olhava para todos os lados, satisfeito pela forma como a equipa caldense trocava a bola e transmitia serenidade e esperança ao público.

E agora só me resta esperar, sem esconder um desejo de benfiquista caldense: querer que aconteça Taça nas Caldas, com os Alvinegros a derrotarem o Benfica, proeza que nem a Juventus e o Paris Saint-Germain conseguiram esta época...

(Fotografia de João Miguel - Almada)


segunda-feira, setembro 19, 2022

Aquilo que nos Parece Óbvio, nem Sempre o é para os Outros...


O Rafael e o Zé ao terem sido "imortalizados" com a bonita estátua da fotografia, ficaram ainda mais ligados às Caldas da Rainha. Quase que me apetece escrever que são uma atracção próxima da de Pessoa na Capital, sem me esquecer das devidas distâncias que existem entre o número de pessoas que circula nas Rua das Montras das Caldas e no Chiado de Lisboa...). 

Mas o curioso da questão, é que a minha filha não fazia ideia que o Zé Povinho era "filho" de Rafael Bordalo Pinheiro. Conhecia toda a sua história ligada à cerâmica, mas desconhecia o excelente caricaturista (e provavelmente o nosso primeiro criador de banda desenhada...) que ele foi. Nem nunca tinha pensado que o Zé já conhecia muito mundo, pois já tinha ultrapassado o centenário há uns anitos...

Conclusão? Aquilo que nos parece óbvio, nem sempre o é, para os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, agosto 04, 2022

O Regresso da Chuva no Microclima do Oeste...


Ontem fui almoçar com a minha mãe às Caldas. 

Parti de Almada com o dia cinzento, mas depois de Loures, a tonalidade dos cinzentos começou a escurecer... E quando estava a chegar a Óbidos começou mesmo a chover. Durante dois ou três minutos as escovas do limpa vidros dançaram com alguma velocidade... Mas quando cheguei às Caldas a chuva já tinha sido substituída por uma "cacimba" que quase parecia maresia...

Normalmente estaciono o carro perto do Parque e dou uma volta pelo Centro da Cidade. Desta vez fui directamente para a casa da minha mãe. Mas quando percebi que a "cacimba" desaparecera e os cinzentos  clarearam ligeiramente, fui fazer o habitual giro, com passagens pelo Parque, Praça da Fruta, Rua das Montras, Borlão e Largo da Estação.

E fiquei a pensar que gosto muito mais dos dias de Verão do Oeste, mesmo com nevoeiro matinal, que nos dias com mais de quarenta graus ao sol e à sombra...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, julho 29, 2022

O Teatro de Sala e o Teatro de Rua


Quando um amigo actor se lamentou da ausência das pessoas na sala onde representa, dizendo que «As noites de teatro parecem apenas ensaios. A única diferença é que vestimos a "pele verdadeira das personagens". Agora a plateia, essa continua às moscas.»

Foi quando lhe perguntei, porque razão não vinham para a rua representar, ao encontro das pessoas. Ele disse que se fosse assim tão fácil já há muito tempo que representavam peças ao ar livre no centro da Cidade. Depois falou da burocracia e das autorizações e apoios que são necessários, das juntas de freguesia, à Polícia...

Entretanto soube que o "Teatro da Rainha" tinha feito quatro representações de uma das suas peças ("Mandrágora"), ao ar livre, num dos largos das Caldas da Rainha e que fora um sucesso, com todos os lugares sentados esgotados durante os quatro dias.

Pois é, parece-me que não faz mal nenhum ir atrás das pessoas, se eles não vêm atrás de nós...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


terça-feira, junho 07, 2022

Um País que não se Reforma e o Poeta que não Escreve apenas Poemas...


Vou voltar ao livro "A Essência do Comércio" de Fernando Pessoa, desta vez por uma questão mais laboral que comercial.

Fernando Pessoa neste pequeno livro também aborda a forma como a sociedade está organizada. Quem o ler, pensa que ele defende as ideias da "Iniciativa Liberal", mas não é bem assim... Ele está sim, farto de país que parece ingovernável. É por isso que é muito importante situarmo-nos no seu tempo (o texto foi escrito em Fevereiro de 1926, ainda na Primeira República, onde se assistiu a quase um "PREC", que foi aquecendo em lume brando, ao longo dos quase 16 anos de "desnorte" governativo, com cada vez mais descontentamento popular, que acabaria por gerar uma ditadura que durou 48 anos...).

Farto de assistir a todo o género de "oportunismos", no seio da administração pública, Pessoa defende uma sociedade com pouco Estado. Claro que ele não lidou com o "capitalismo selvagem" dos nossos dias...

Lá estou eu "a fugir" ao que queria escrever...

Hoje fui às Caldas e numa das artérias da cidade, estavam a arranjar um passeio. Eram dois funcionários que ali estavam a trabalhar (aliás, a fingir...). Como sempre, ainda de manhã, dou uma volta pela cidade. Quase uma hora depois, quando voltei a passar rente ao passeio, vi que estava tudo igual: as ferramentas continuavam encostadas a um muro e os dois trabalhadores também se mantinham na conversa. Voltei a ter de passar pela estrada (tal como todas as pessoas que passavam por ali...) e pensei que estas pessoas, como normalmente não são muito bem pagas, acham que também têm de trabalhar pouco...

Há quase cem anos, Fernando Pessoa, escreveu: «Nenhum homem de verdadeira energia e ambição entra para o serviço fixo do Estado. Não entra porque não há ali caminho para a energia, e muito menos para a ambição.»

Infelizmente não se aprendeu nada em um século. Muitos dos impostos que pagamos são para pagar ordenados na função pública, onde como muito bem diz o Poeta, não há ali caminho para a energia nem para a ambição (eu acrescentava exigência...) e é por isso que continuamos a ser tão mal atendidos em dezenas de serviços públicos. Além de estarem com  cara de quem "precisa de ir ao WC", informam-nos muitas vezes de forma deficiente, obrigando-nos a ter de voltar aos seus serviços... E nem vou falar da saúde, onde os serviços públicos estão muito piores que antes da pandemia. Os médicos e os enfermeiros continuam a achar que temos de esperar pelo menos uma hora, até sermos atendidos...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

 

sexta-feira, abril 16, 2021

Regresso às Origens...


Hoje foi o meu dia de regresso às Caldas, quase quatro meses depois.

Nunca perdemos o contacto. Partilhámos a cor dos nossos dias... E percebemos que era preferível esperar, gerir o tempo com toda a calma do mundo.

Curiosamente, nem sentimos que tínhamos estado tanto tempo sem nos vermos. Abraçámo-nos e beijámo-nos apenas com o olhar e com palavras ternas... E foi bom.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


terça-feira, março 23, 2021

Nem Isso é Vantagem (pelo menos no nosso país)


Nestes tempos "amarelos", passo os dias rodeado de papéis, alguns também já de cor amarelada (os jornais gostam de ir mudando de cor...). Vou lendo, arquivando e deitando fora, mas há sempre um ou outro pormenor que fica. Embora a política seja o que menos me desperta interesse, acabo por fazer algumas ligações, que parecem ter ficado mais óbvias, à distância de vinte e mais anos.

Tenho bastantes recortes do jornal da minha cidade natal (Gazeta das Caldas), que me fazem perceber o quanto foi nefasta a perpetuação no poder de um senhor com o mesmo apelido do nosso primeiro-ministro como presidente de Câmara. O quanto se perdeu por teimosia, burrice e arrogância política...

Nem a situação geográfica das Caldas, bem no centro do Oeste - com as cidades de Peniche, Nazaré, Alcobaça e Bombarral a pouco mais de vinte quilómetros e as praias da Foz do Arelho e São Martinho do Porto a pouco mais de dez e Óbidos a cinco (manteve com este Município e com o seu presidente uma "guerra" aberrante, desbaratando o muito que foi feito pelo desenvolvimento da Vila, e eram da mesma força política...) -, foi aproveitada para manter e desenvolver a sua notória importância comercial, turística e cultural.

Se fôssemos um país normal, pessoas como este senhor, que se perpetuavam no poder entre os vinte e os trinta anos (abençoada lei que fixou o número máximo de mandatos autárquicos...), não poderiam fugir das suas responsabilidades, do muito mal que fizeram às suas terras. Ou seja, era impossível "empurrarem" a culpa para os outros, porque muitos dos erros cometidos estão fixados no tempo e na história.

Mas como todos sabemos, nem o facto de se conhecer os responsáveis pelos muitos "desmandos", que se fizeram de Norte a Sul, é uma vantagem no nosso país, onde continua a reinar a impunidade (muito graças à nossa justiça e ao nosso poder político...).

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)