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quinta-feira, maio 21, 2026

Quando pensar é uma chatice e o futuro parece ser uma maravilha...


Eu sei que, quem nem sequer usa "smartphone", nos tempos de hoje, é um homem do passado.

Assumo-o. Faço parte daquela esquerda conservadora, que não dá grande espaço às modernices, muitas vezes mais por teimosia que por outra coisa.

Embora não tenha qualquer problema em reconhecer que já uso a "inteligência artificial" há algum tempo, mesmo que nem sempre me aperceba. Os motores de busca são isso mesmo, assim como os "vigilantes", que assim que nos vêem a pesquisar alguma coisa, mesmo que seja só por curiosidade, passam a invadir-nos, diariamente, o ecrã do computador com a tal publicidade. E não me vale de nada ficar chateado, porque eles são insistentes...

Não espero ter de a tratar por tu, apenas porque sim, a mesma justificação que costumo dar por não ter "facebook" ou "instagram".

Foi por isso que fiquei espantado quando ouvi alguém a dizer, que uma das coisas boas da IA, era ajudar-nos a pensar e a tomar melhores decisões no futuro.

Não se pode dizer que estava a olhar para de um "convertido". Era mais que isso. Era alguém que vendia, voluntariamente, a "alma" ao tal futuro que já anda a rondar as nossas portas, entre outras coisas, por não gostar de pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


segunda-feira, março 02, 2026

A decadência do nosso futebol enquanto modalidade e espectáculo desportivo


Uma das coisas positivas que me têm acontecido nos últimos tempos, é o afastamento gradual do "mundo dos futebóis". Já nem sequer consigo ver qualquer programa onde surgem comentadores assanhados (muitos quase que espumam pela boca, como é o caso do Rodolfo ou do Octávio...) ou "camaleões", que são capazes de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário (a televisão está cheia deles e delas, seja no desporto, na política, na actualidade ou no entretenimento).

Penso que este afastamento se deve a dois pontos. O primeiro é a postura dos presidentes dos três grandes, cujo passado desportivo prometia no mínimo mais respeito pelo futebol, pelos adversários e pela verdade desportiva (o que quer que isso seja...). Nada disso aconteceu. Até se fica com a sensação de que se joga cada vez mais sujo (o que se tem passado nos últimos tempos nas instalações do FC Porto, tem sido uma vergonha...), dentro e e fora das quatro linhas...

O segundo é a sua transformação num "espectáculo" cada vez mais fraquinho. Não é por acaso que a maior parte dos estádios estão quase vazios (os jogos do Benfica, do Sporting e do Porto não contam...)...

Apesar de sermos um dos melhores países do mundo nas camadas jovens, há equipas da primeira divisão sem qualquer português no onze titular... Isto diz quase tudo sobre o "negócio" e a "mentira" que é o nosso futebol, com a complacência da Liga e da Federação...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, dezembro 01, 2025

«Somos tantos...»


Ela não estava na fila para as escolhas de mais um desses concursos televisivos, em que se percebe que  existe tanta gente que sabe cantar e devia fazer corar de vergonha esses fulanos (as) que em sociedade com as televisões e com os programadores, enchem os fins de semana de música parola. Mas podia estar...

Deu-me vontade rir, ouvi-la dizer, "somos tantos...»

Até porque não estava ninguém à nossa volta.

Embora eu estivesse farto de saber que o mundo não começava e acabava ali, que as multidões estão sempre ao virar da esquina...

Só não percebi se ela estava a querer desistir, antes de conseguir ser qualquer coisa, ou se queria ir à luta e estava ali, a querer ganhar balanço.

Depois disse-me que estava com receio. Questionei-a sem palavras, apenas com o olhar.

E ela levantou-se do chão, mostrou-me um sorriso enigmático, para me contar o seu dilema: «Às tantas começamos a querer muito ser isto e aquilo, perdemos o medo e começamos a andar em frente, sem receio de pisar os outros que já estão à espera de vez, sentados ou deitados...»

Podia dizer-lhe, "bem vinda à selva urbana", mas não ia adiantar muito. Até porque ela já encontrara pelo caminho várias espécies de "animais", capazes de se "transvestir" de leões, zebras, ursos, gazelas, macacos ou serpentes...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sábado, novembro 15, 2025

O mundo que gostamos de virar contra nós...


Não somos muito bons a aproveitar as coisas boas que inventamos para nos melhorarem o dia a dia. Nunca fomos.

O outro "lado da moeda", a coroa,  revela-se quase sempre mais poderoso, ignorando as "boas intenções" da cara... É por isso que raramente conseguimos manter a ideia inicial, do que quer que seja, que tinha como principal objectivo, tornar o "futuro" numa coisa melhor para todos, e não apenas para alguns.

Não só acabamos por escolher o caminho mais fácil, como também gostamos de olhar para as "novidades" como uma coisa nossa e para nós. É por isso que não é preciso esperar muito tempo, para vermos o tal "futuro" a ser direccionado  para o benefício próprio de alguém, sem que este ignore as possibilidades que lhe são oferecidas, para "lixar" o próximo. 

Outra coisa engraçada - sem ter graça nenhuma -, é  verificarmos que são as pessoas com mais limitações, que aderem de imediato às "modas novas". Além de não se questionarem se estão ir no caminho certo, banalizam o erro com a maior das naturalidades, porque o que querem mesmo, é ser "modernos"...

Isso já está acontecer com a Inteligência Artificial, que se percebe que só irá substituir as mentes humanas que não gostam muito de pensar (parece que começam a estar em maioria à nossa volta...) e tomam qualquer coisa como certa, mesmo que "cheire" a "maior asneira do mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, outubro 27, 2025

Talvez a maldade humana não tenha limites...


Uma das lições que o progresso nos dá, é a facilidade que temos em utilizar a maior parte das coisas que são pensadas e criadas para melhorar as nossas vidas, da pior maneira.

Ainda não sabemos muito bem, quais são os sectores onde podemos usar de uma forma mais eficiente a Inteligência Artificial, para nos facilitar o dia a dia, já ela anda nas "bocas do mundo", pelas piores razões. 

A "chico-espertice" do costume, de mão dada com a maldade humana, já a começaram a usar em todos os géneros de burlas e roubos de identidade, ao ponto de já ser olhada de lado, por uma grande parte da população mundial... 

Somos o que somos. 

Provavelmente, a maldade humana não tem limites...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, julho 12, 2025

Há mudanças de ciclo que não têm de passar pela mudança de treinadores


A selecção feminina de futebol com alguma sorte (às vezes, muita...), foi ultrapassando metas, cedo demais, ao ponto de algumas pessoas já pensarem que estavam quase ao lado das melhores equipas do mundo, e que dentro de pouco tempo, até poderíamos disputar títulos.

Só que os "quase milagres", são sempre enganadores... 

Basta olhar para o panorama futebolístico nacional, onde o futebol feminino, ainda esta longe de ser uma realidade de Norte a Sul, com um campo de recrutamento demasiado escasso a nível clubístico e associativo. 

A aposta da Federação no futebol feminino, com um profissionalismo digno de destaque, próximo das melhores selecções, acabou por dar uma perspectiva errada do futebol feminino no nosso país.

E tudo isto graças a Mónica Jorge e à equipa técnica comandada por Francisco Neto.

Agora o normal é começar-se a falar do fim de ciclo (como já se fez com a selecção masculina de sub 21 de Rui Jorge). E já devem existir vários técnicos "gulosos" preparados para o "render da guarda" do Francisco...

Mas olhando para todo o percurso destas duas selecções, onde a imagem que ficou, foi da existência de equipas técnicas de grande qualidade, técnica e humana, o normal (isto, se fossemos um país normal....) seria que fossem Francisco Neto e Rui Jorge a decidir o seu futuro e não terceiros, como acontece no futebol. Futebol que faz gala em ser "traiçoeiro" e "ingrato" (tal como as dezenas de jornalistas e comentadores deste tempo, com lata para dizer uma coisa hoje e o seu contrário amanhã...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 21, 2025

O risco do insucesso aumenta sempre que um treinador começa a época a meio...


Ruben Amorim e Sérgio Conceição continuam a ser dois dos nossos melhores treinadores (para mim estão no pódio, juntamente com Jorge Jesus...), apesar de terem tido uma época para esquecer (pela primeira vez...), com demasiadas derrotas e classificações muito abaixo do nível dos clubes e deles próprios.

Ambos cometeram o mesmo erro: entraram a "meio da época" nos seus  actuais clubes para comandar atletas que foram escolhidos por outros técnicos...

Mas tanto Ruben como Sérgio, não podiam dizer não ao Manchester United ou ao Milão, dois dos melhores clubes do mundo.

Deve ter sido um ano de grande aprendizagem para ambos. Apesar do insucesso (a provável vitória do Manchester na Liga Europa não muda quase nada...), viveram situações novas, que os tornaram mais fortes e mais preparados para enfrentar o futuro, em qualquer campeonato, em qualquer país.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, abril 04, 2025

«O mundo sempre gostou de nos passar por cima»



Sinto-me muitas vezes um "espectador" deste viver, cada vez mais estranho e difícil, mas o David é tudo isso em maior.

Ser ligeiramente mais velho e viver sozinho faz com que ainda seja mais da "idade da pedra".

Ele acha graça à nossa mania de inventar coisas para nos facilitarem a vida, especialmente àquelas que acabam por nos tramar, quase sempre.

E eu acho graça a forma como fala do mundo, de uma forma quase abstracta, como se ainda fosse povoado por deuses, quase todos gregos e ilhéus e ele se limitasse a estar sentado numa sala de cinema a assistir à "fita".

Nunca gostou de coisas que escapam à ordem natural das coisas, é por isso que olha com um sorriso matreiro para a "inteligência artificial", que como de costume, irá dar-nos grandes dores de cabeça e provavelmente muitas ordens...

É também por isso que diz que «o mundo sempre gostou de nos passar por cima.»

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


sábado, dezembro 14, 2024

«As revoluções são campos de pasto, do melhor, para os oportunistas.»

 


Todos sabíamos que ele estava certo.

«As revoluções são campos de pasto, do melhor, para os oportunistas.»

A publicidade dera-lhe ginástica mental para dizer muito em poucas palavras. Sem falar do poeta, escondido, apenas de gaveta...

A maioria de nós tinha exemplos na família de gente que até ao dia 25, eram "perigosos comunistas", e que a partir de 26, passaram a ser "burgueses" ( e algumas vezes, em surdina, "fascistas"...).

A Síria não vai ser diferente das outras revoluções, por muito que inventem os  "leitores de cartas" e de "mãos"...

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)


sábado, novembro 16, 2024

Fingimos que não, mas já anda por aí um mundo diferente...


Penso que é a primeira vez que escolho a resposta a um comentário, como título de um texto por aqui, no "Largo".

Isso aconteceu por estar a pensar em coisas próximas, que acabaram por me levar a comentar desta forma: «Fingimos que não, mas já anda por aí um mundo diferente...»

Muitas vezes, estamos tão próximos das transições, que passamos por elas sem olhar para elas, mesmo quando quase "nos tocam"...

Do que não tenho qualquer dúvida, é que, o que vem aí, em vez de nos facilitar a vida, só a irá complicar mais. E não estou apenas a falar da "inteligência artificial" (que será de grande utilidade para quem não gosta de pensar e criar, pela sua própria cabeça...). 

O que é mais incompreensível, para mim, é reparar que há demasiados países na europa a suspirarem por "salazares", "hitleres" e "stalines"...

Será que esta gente anda toda com medo da liberdade (dos outros, claro)? Ou será que estão cansados desta (falsa) democracia?

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, novembro 14, 2024

Quando se "mostra (quase) tudo", fica sempre pouca coisa para esconder...


Basta andar na rua, para ver que um dos usos do smartphone é o "auto-retrato", é normal vermos as miúdas passarem o tempo a olharem-se ao "espelho", através das câmaras deste pequeno rectângulo, que tem sido ainda mais revolucionário, que a televisão quando apareceu, no final dos anos cinquenta.

Provavelmente, depois, enviam os seus "retratos" por esse mundo fora...

Foi esta imagem que me fez pensar, neste tempo em que se "mostra tudo", mas que também dá espaço para todo o género de "ficções". Sim, oferece a possibilidade de se jogar vezes demais às escondidas, mentir (aliás fugir da realidade, talvez seja mais certo...), é mais normal que nos tempos da minha adolescência.

Claro que é um tempo de riscos, destapa-se de um lado e tapa-se de outro. Claro que ao "tapar", há sempre algo que fica à vista, que fica de fora...

São os riscos da exposição excessiva, algo que antes só acontecia com as figuras públicas quer gostavam de ser capa das revistas "cor de rosa". Agora está a banalizar-se. 

E tudo indica que todas estas "ficções" irão piorar, com as inúmeras possibilidades oferecidas pela "inteligência artificial"...

(Fotografia de Luís Eme - Alcochete)


sexta-feira, junho 07, 2024

A medida pessoal do tempo...


Sei que é um exagero dizer que cada um de nós tem uma medida do tempo, mas não deixa de ser verdade, que não vivemos todos no mesmo tempo...

E não estou apenas a referir-me à vizinha que sempre que se cruza comigo na rua, pergunta pelos meninos, "como estão os meninos". E entretanto já passaram quase vinte anos... já estão uma mulher e um homem.

Passa-se o mesmo com os acontecimentos. Se não estivermos a lidar com cronologias, facilmente temos a noção que o tempo é mais lento do que realmente é... Facilmente dizemos que algo que se passou há vinte anos, passou-se há apenas dez.

Ou seja, trata-se de uma imprecisão natural, que faz parte do facto de sermos seres imperfeitos, que à medida que o tempo passa (sempre o tempo), perdemos qualidades, a todos os níveis.

Talvez seja por isso que alguns espertalhaços continuem a pensar que o futuro é a inteligência artificial...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, dezembro 27, 2023

Ainda não me considero um desistente...


Alguns anos passam por nós, de uma forma estranha, sem que seja possível concretizar alguns projectos que considerávamos importantes. Isto acontece por várias razões, que tanto podem depender de nós como de terceiros.

Posso dizer que o meu 2023 foi assim. Foi um ano demasiado "insonso", com muitas coisas adiadas e outras até abandonadas. Não foi nenhuma novidade descobrir que uma boa parte das pessoas que estão à frente das instituições, não percebem que as coisas não se fazem de um dia para o outro, que há projectos que precisam de maturação, precisam de respirar... e até de "falarem" connosco, para serem melhorados.

Sei que mudaram várias coisas, em relação a outros tempos. Encontram-se mais portas fechadas por essas culturas fora. Mas eu também sou diferente. Já não tenho a "vontade de fazer coisas", que tinha com trinta e quarenta anos. Às vezes penso que me faz falta a "teimosia" que tinha, que me levava a saltar, um a um, os obstáculos que me iam colocando à frente (obrigava alguns fulanos a desistirem de "boicotar" o nosso trabalho por cansaço...). Outras nem por isso. Até por saber que é um desperdício dar "pérolas a porcos".

Mas ainda não me considero um desistente. É também por isso que espero que o 2024 seja diferente. Acredito que será, até por algumas coisas já terem sido iniciadas e vão transitar de um ano para o outro.

 (Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, novembro 24, 2023

A Marinha entre a realidade e a ficção...


Quando finalmente foram feitas reportagens sérias sobre os efectivos existentes nas nossas forças armadas e se diz o que se calculava há bastante tempo, que a pirâmide estava invertida, que existiam mais oficiais e sargentos que praças, eis que surge hoje o CEMA, radiante, com o futuro nas suas mãos.

Quando ele disse ao "D. Notícias" «Estamos a construir uma nova Marinha. Uma Marinha que assegura a defesa do país, o exercício da soberania e da jurisdição nacional, a preservação dos nossos recursos e a proteção do ambiental.» E não satisfeito, comunica que: «Também modernizaremos os laboratórios da Escola Naval, que vão permitir uma formação de excelência dos nossos oficiais, preparando-os para a era digital e um novo paradigma de atuação.»

Talvez esteja aqui a "chave do futuro", a nova marinha seja só com oficiais, os tais da formação de excelência... Que ao mesmo tempo, também são incapazes de fazer o que alguns sargentos e praças fizeram nas ilhas, por um navio não estar em condições de navegar... (abanando ligeiramente o sonho do CEMA de um dia "ser presidente da república", com mais ou menos bananas).

Pois é, talvez os navios do futuro só tenham oficiais nas suas guarnições. Talvez... 

Nessa altura já devem existir "robots" para fazer o trabalho mais duro e chato dos navios, normalmente destinado às praças...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, agosto 10, 2023

Livros, escritores e livrarias (com e sem futuro...)


Passei por uma "Bertrand" lisboeta e descobri esta pergunta-mensagem na montra.

Minutos antes tinha estado a beber um café e a conversar com um velho professor, que entre outras coisas, me disse que os livros dos grandes autores tinham os dias contados.

Para explicar melhor o seu ponto de vista usou o "escritor-apresentador de telejornais", provavelmente o único autor português próximo dessa coisa que se chama "best-seller". «Não posso "receitar" a leitores do Rodrigues dos Santos livros chatos e complicados, capazes de provocar insónias e fazer pensar em coisas estranhas.»

E depois disse-me, em jeito de conclusão: «Uma escrita quase lisa, evita muitas quedas e tropeções nos "buracos da vida".»

O mais curioso foi não ter ficado nada convencido com este ponto de vista. E minutos depois, aí estou eu a esbarrar com esta "Bertrand", a caminho da nossa Roma...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, agosto 05, 2023

A natureza tudo vence, até o nosso egoísmo...


Fala-se muitas vezes dos jovens, quase sempre de forma injusta.

Devíamos pensar sim, no mundo que lhes estamos a deixar, até onde fomos capazes de levar o nosso egoísmo, onde se torna demasiado óbvio que as nossas preocupações sobre o bem estar  e o futuro de todos, continuam a não se distanciar mais de um passo do presente e do nosso olhar. 

Claro que generalizo. Mas é a única forma de falar sobre o amanhã. A maior parte das pessoas se puderem estar em casa com o ar condicionado ligado, para esquecerem os 40 graus que estão lá fora, não têm qualquer problema existencial em carregar no botão. E ainda menos em tomar dois duches diários, mesmo que nas áfricas crianças, adultos e idosos, não tenham água potável para beber...

O resultado desde "viver atrás do espelho", apenas para nos pentearmos e tornar o nosso rosto mas agradável, é visível diariamente. Se numa ponta do Planeta chove a rodos, provocando cheias, no outro há incêndios que destroem parques naturais agradáveis e grandes zonas florestais que contribuíam para o equilíbrio ambiental...

Apesar dos cientistas colocarem muitas vezes em cima da mesa o ano 2050 como limite (não sei porquê...), à velocidade com que tudo se transforma e a temperatura sobe, é melhor alterarem as contas, porque serão cada vez menos, os que lá irão chegar. E em situações de vida bastante complicadas, a todos os níveis.

Muitos de nós, com mais de cinquenta anos, em vez de alterarmos os nossos hábitos, dizemos que já cá não estaremos, quando tudo começar a ruir. 

E está tudo dito...

(Fotografia de Luís Eme - Fratel)


domingo, maio 28, 2023

Ultrapassagem do e pelo Tempo...


Claro que sim.

Acontece a todos.

Mais tarde ou mais cedo, acabamos ultrapassados pelo "tempo", esse bom e mau conselheiro...

Apesar de ser ideologicamente progressista, reconheço-me conservador em muitas outras coisas, como na arte, por exemplo. Há "instalações" e "abstrações", que não me entram na cabeça, por mais que me esforce...

E dessa coisa chamada "inteligência artificial", também espero continuar a léguas de distância por mais "promoções" que façam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 13, 2023

Coisas Estranhas (ou nem por isso)


Parece que ninguém se anima (nem acredita...) com os bons resultados da nossa economia.

Mas não é assim tão estranho. Já todos percebemos que além de se mentir muito, também se inventa outro tanto.

E talvez até possa ser assim, à nossa custa. Quando a realidade  nos mostra o preço dos legumes, da fruta, da carne ou do peixe (até já publicitam o valor de cem gramas disto e daquilo), sabemos que uma fatia do que pagamos vai para o "estadão". 

Como diz o Carlos, é o que acontece quando se vive num país com um passado duvidoso, um presente incerto e um futuro inexistente...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, abril 02, 2023

A "Suspensão" da Inteligência Artificial...


Segundo as notícias de hoje, há uma lista de figuras e figurões do Mundo a pedirem a "suspensão" por seis meses das grandes experiências da "inteligência artificial" (ou seja do seu uso e abuso...), algo que me parece impossível, nestes dias quase sem regras, cada vez menos virados para o humanismo.

Acabei por falar com o meu filho sobre isto e ambos concluímos que, entre outras coisas, vão destruir o mundo das artes (quase todas...), pelo menos como as conhecemos e entendemos. 

Claro que quem gostar da "imperfeição humana", vai continuar a gostar de ver coisas que nascem a partir da nossa imaginação e não do "coração" de máquinas, que como sabemos, desde quem bem ensinadas, fazem tudo mais certinho e perfeitinho que as nossas mãos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, março 23, 2023

A Verdade que está Dentro do Olhar...


Passei por Lisboa e encontrei-me com um amigo das fotografias, com quem aprendo sempre qualquer coisa, nas nossas conversas animadas.

Desta vez até andámos pelo futuro. Como se tem inventado tanta coisa, ele falou-me de um daqueles inventos, que acabava com a dificuldade cada vez maior que existe em "roubar fotografias" aos rostos das pessoas com quem nos cruzamos.

Quando  ele me disse, «Sabes, gostava de ainda cá estar, quando alguém resolver inventar algo que torne possível que, apenas com o nosso olhar, sem o uso de qualquer máquina fotográfica, seja possível retratar uma pessoa ou um objecto, tornando-a muito mais próxima daquilo que realmente queremos transferir para o mundo das imagens», eu limitei-me a sorrir.

E depois contei-lhe que tinha encontrado no cacilheiro uma jovem extremamente bonita, muçulmana, que trazia a cabeça coberta, com uma espécie de lenço azul. Tive uma grande vontade de a fotografar, mas era impossível fazê-lo, sem que ela desse por isso. Mesmo que os meus olhos a tivessem "fotografado", mais que uma vez...

Voltámos a sorrir, até por sabermos que o futuro estava sempre pronto a surpreender-nos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)