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segunda-feira, agosto 24, 2026

Mudamos sempre, mesmo sem nos apercebermos...


O espelho diz-nos muitas vezes que estamos diferentes. Muitas vezes apetece-nos "não ver", "não olhar", especialmente quando não achamos muita piada às mudanças.

Mais problemático é quando passamos ao lado daquelas mudanças, que nenhum espelho detecta... Sim, quando passamos a olhar para as coisas de uma forma diferente e fingimos não o perceber. Talvez aconteça por aqui o mesmo que a sempre útil Sabedoria Popular nos diz sobre o que o tempo faz ao "bom vinho": se for bom ganha qualidade, se for mauzito, tem tendência para azedar... 

Sessenta e poucos anos de vida são suficientes para percebermos, que sim, somos exactamente como o bom vinho. De uma forma simplista, percebemos que todos os "filhos da puta" se tornam piores com o passar dos anos, ao passo que as pessoas mais bem formadas, têm tendência a relativizar tudo aquilo que se passa à sua volta...

Onde se nota muito estas diferenças é no comentário político. Os casos de Pacheco Pereira ou de António Barreto, são paradigmáticos, ambos foram ganhando racionalidade, ao mesmo tempo que se iam curando da "febre ideológica". Algo que com toda a certeza nunca acontecerá com João Miguel Tavares, tal como nunca aconteceu com Vasco Pulido Valente, e muito menos acontecerá com Cavaco ou Sócrates...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, agosto 21, 2026

«Não me gozes, conheci demasiadas pessoas cujo seu primeiro nome era doutor. Paz às suas alminhas.»


Quem tem mais de cinquenta anos, ainda conheceu o país em que um simples licenciado de qualquer coisa, colava a palavra doutor antes do seu primeiro nome, mesmo que estivesse a falsear os seus cartões de identificação.

A chamada "pobreza franciscana" tinha destas coisas, gente que queria ser "importante à força" e que foi sempre muito bem caracterizada pela sabedoria popular, que gostava de dizer que um doutor, não passava de um "burro carregado de livros"...

Embora a mediocridade nunca se tenha afastado muito dos poderes, foi graças ao Sócrates e ao Relvas e aos seus diplomas domingueiros, que algumas pessoas começaram a ter vergonha de serem do clube dos "doutores da mula russa"...

Apesar de muitas coisas estarem a voltar atrás no tempo, esta é daquelas que dificilmente voltará a ser usada como sobranceria social, porque hoje deve existir um grande equilíbrio entre os jovens que tiram um curso superior e os que ficam pelo caminho.

E isso explica a memória das palavras do bom do Orlando: «Não me gozes, conheci demasiadas pessoas cujo primeiro nome era doutor. Paz às suas alminhas.»

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


quinta-feira, julho 16, 2026

«Se não os consegues vencer, juntas-te a eles...»


Sabia que o descontentamento das pessoas era a principal razão para o crescimento do populismo (continuo a ter dificuldade em chamar-lhe "extrema-direita"...), mas nunca tinha olhado para ele, numa outra perspectiva. É por isso que as conversas são importantes e duas cabeças pensam quase sempre melhor que uma...

Há quem não consiga (nem queira...) "lutar contra". E então juntam-se aos "reis da confusão", que passam o tempo de dedo em riste, a culpar alguém do que está a acontecer. Com eles a culpa nunca morre solteira, ao contrário do que acontece no país.  Até mesmo a "cagadela de pombo" que lhe calhou por sorte, é culpa de alguém...

Com toda esta obsessão - parecida com a popular "lavagem ao cérebro" - em querer "justiça", nem se preocupam que estejam a acusar as pessoas erradas. Eles querem é culpados, querem é apontar dedos, querem é  ver alguém no "cadafalso", mesmo que seja alguém inocente...

Quase no fim desta conversa, que começou com a tentativa de dividir a questão da segurança e da acção policial, em "esquerda" e "direita". Com um simplismo que até meteu dó: os esquerdistas defendem os bandidos, a direita defende os polícias.

Ou seja, eu e o meu amigo Orlando, éramos os únicos na mesa, com o "emblema" de perigosos esquerdistas, apenas por defendermos o estado de direito, por acharmos que a principal função das polícias é garantir a segurança das pessoas e não andar a agredi-las...

Houve alguém que teve a feliz ideia de mudar de assunto. Mas só mudou a temática, a "fome de justiça" continuava bem viva. Já não disse mais nada.

O meu amigo Orlando simplificou tudo aquilo que acabara de acontecer com uma simples frase: «se não os consegues vencer, juntas-te a eles...»

Não sei o que vem aí. Sei apenas não é nada de bom, quando percebemos que há cada vez mais "carneiros" à nossa volta, que em vez de pensarem pela sua cabeça, preferem o caminho mais fácil, ir atrás do rebanho...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, junho 06, 2026

Livros, poesia e comércio...


O nosso poeta mais alto sabia mesmo das coisas do comércio, a frase "primeiro estranha-se, depois entranha-se", diz quase tudo sobre a forma como reagimos às novas formas de mercado.

Ou seja, este ano a Feira do Livro, pareceu-me mais "normal", talvez pelas cores e por não a ter visitado em "hora de ponta", mesmo que tenha tudo de grande centro comercial a céu aberto.

Isso também deve ter acontecido por ter levado um lista com meia dúzia de títulos (para depois trazer uma dúzia...) e os ter encontrado praticamente todos.

Pelo que tenho lido, esta novo modelo é um êxito, para os escritores, para os leitores, e sobretudo para os editores. Também gostei de ver por lá o "Lobo de olhos azuis".



Tenho a sensação de que ter uma "biblioteca" na sala voltou a estar na moda. E se por lá estiverem livros autografados, tanto melhor. Sempre fomos melhor a mostrar que a fazer.  E como agora os livros são mais bonitinhos (grandes criativos gráficos)...

E além disso sabemos que a sabedoria popular poucas vezes se engana, pelo menos no nosso país: "um burro carregado de livros continua a ser um doutor..."

(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 02, 2026

«Sabes tão bem como eu, que viver é tudo menos uma teoria...»


Quando apareceu uma questão mais difícil, na nossa conversa, lá apareceu a simplicidade a querer meter-se com a ciência...

«Sabes tão bem como eu, que viver é tudo menos uma teoria...»

Sabia mesmo...

E depois a conversa continuou, ainda mais para lá das coisas simples, ao encontro da sempre sapiente "sabedoria popular"...

Ela deu-me dois exemplos, apenas dois, que nos levaram para outros lados, como acontece sempre. É verdade, o que não falta nas casas dos ferreiros, são espetos de pau (é uma profissão em extinção, mais dia menos dia, este ditado perde a validade...). E depois lá surgiu aquilo que se pratica cada vez mais, "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

E depois lá chegámos à conclusão, que as pessoas preocupam-se cada vez mais em "sobreviver" e menos em "viver" (e nem sequer fomos para Gaza ou para o Irão...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, fevereiro 21, 2026

Claro que há sempre alguma coisa que se pode fazer...


A ideia quase inocente - e poética - de que tornar o mundo melhor só depende de nós, às vezes faz-me sorrir, outras dá-me cócegas.

Nem tudo é mau, até porque além de me fazer sorrir e coçar, também me faz pensar, e até escrever...

Ter dezoito ou dezanove anos é bom, entre outras coisas, por nos dar uma capacidade de sonhar, quase até ao infinito. 

E continua a ser boa ideia continuarmos a acreditar no poeta, que nos diz que "sonhar é uma constante da vida". Basta olhar para trás para perceber que muitas coisas boas que nos aconteceram, nasceram de sonhos...

Ao contrário do que os espertalhaços deste tempo pensam, ser inocente, nunca foi sinónimo de parvo.

E claro que sim, há sempre alguma coisa que se pode fazer, para tornar esta quase bola onde habitamos, numa coisa melhor, mesmo quando já se tem oitenta anos...

Talvez a mais importante seja olharmos para trás com olhos de ver, não termos medo do passado. É ele que nos ajuda a "ver melhor" e a não cometer o mesmo erro, mais que duas vezes... 

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, novembro 12, 2025

O tempo vai passando, mas é impossível fechar os olhos a um primeiro-ministro manhoso e a duas ministras vingativas...


Provavelmente devem existir alguns ministros competentes no governo do "conde de monteverde". Não serão com toda a certeza as ministras da Saúde e do Trabalho, cujas primeiras acções políticas que tiveram foi criarem condições para as demissões de Fernando Araújo e Ana Jorge.

Normalmente a sabedoria popular não se engana, e o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita...

Isso explica o estado da nossa Saúde e a contestação que está a merecer a proposta da nova "lei do Trabalho".

Também não deixa de ser curiosa a reacção do "conde de monteverde", que continua a assobiar para o ar em relação à empresa que continua a ter dentro de casa, mas que não teve qualquer dúvida a apontar o dedo aos malvados comunistas, que ainda mandam na CGTP e querem "parar" o país, por causa de uma lei, que só quer facilitar as relações laborais.

E tem razão. Se se tornar mais fácil despedir trabalhadores, isso facilita, e de que maneira, as relações laborais. Então para os patrões...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 06, 2025

Talvez já nem nos preocupamos assim tanto, com as coisas grandes, que agora parecem pequenas...


O dia está no início e pensas no monte de coisas que te espera, para fazeres... ou que se podem avolumar. 

É um problema diário, que começa quando te habituas a deixar para amanhã, o que devias fazer hoje.

Pensamos que sabemos tudo, mas os antigos continuam a dar-nos lições, diariamente, do que é bom viver...

Talvez já nem nos preocupamos assim tanto, com as coisas grandes, que agora parecem pequenas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, março 03, 2025

Uma visão e uma memória, dentro e fora de um bairro antigo...


Estava a passar por uma ruela estreita, com roupas estendidas em quase todas as varandas, quando comecei a ouvir uma voz feminina, que cantava um fado. Ainda olhei para cima para ver se a voz tinha dona, mas não descobri ninguém. 

Por alguns instantes, fiquei deliciado com aquele retrato de uma Lisboa antiga, e pus-me a imaginar uma cidade que já não existe...

Foi quando me cruzei com dois casais de gente de fora, que anda de calções num dia de Março com nuvens. Foi como se me dissessem, "acorda!"

E acordei, mas por pouco tempo.

De repente já não estava em Madragoa. Foi quando viajei pela minha meninice e ouvi a minha mãe a cantar, e o pai, com voz de desdém, a dizer que ela estava a adivinhar chuva. Não percebia quase nada da conversa mas gostava de ouvir a minha mãe a cantar, mesmo que ela fosse fiel à sabedoria popular, e acreditasse que "quem canta seus males espanta"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, janeiro 16, 2025

A tentativa de simplificação do dicionário "politiquês"...


Não sei se o populismo se consegue combater com outras formas de populismo.

Penso que não, mas ainda é cedo para se perceber, se o PSD consegue tirar alguns dividendos políticos, ao usar as mesmas "bandeiras" que o Chega usa, em relação à segurança e à imigração.

Curiosamente, a par desta radicalização da sua prática política, o governo escolheu a  palavra "moderação", para o combate político contra o PS, que está a ser usada pelo primeiro-ministro, pelo alcaide de Lisboa e por vários comentadores ao seu serviço, na tentativa de transformar os socialistas nuns perigosos "radicais". 

Claro que isto só pode ter o dedo e a imaginação da agência de comunicação do governo.

É apenas mais uma manobra de simplificação dos discursos políticos, que tem como objectivo espalhar a falsa "novidade", de que nós somos os "bons" e os outros os "maus".

Só que não bate "a bota com a perdigota". Não se pode ser moderado e radical ao mesmo tempo. 

Talvez seja mais uma percepção deste governo, que acredita que pode criar realidades paralelas, ao mesmo tempo que simplifica, ainda mais, o dicionário "politiquês"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, setembro 28, 2024

«As estradas foram feitas ao contrário das pessoas e ainda bem»


Às vezes escutamos coisas, ditas por gente simples, que nem sempre entendemos, pelo menos às primeiras.

Foi o que sucedeu quando um dos amigos do tio, a propósito de uma "birra" de um terceiro amigo, disse: «As estradas foram feitas ao contrário das pessoas, e ainda bem.» 

Ao perceber que não tínhamos entendido a mensagem, o Armando traduziu-a quase por miúdos: «As estradas têm sempre mais quilómetros em rectas que em curvas. As pessoas, dentro delas é ao contrário, só têm curvas e contracurvas...»

Escutei estas palavras, simples e sábias, há uma boa dúzia de anos. Recordei-as, poucos minutos depois de dizer uma coisa com um sentido e ela ter sido entendida com outro...

(Fotografia de Luís Eme - Pragal)


quinta-feira, maio 23, 2024

«Nunca te esqueças, que aquilo que nos diferencia dos outros animais é a inteligência e não a esperteza»


Os avós normalmente são bons conselheiros, porque viveram e viram muitas coisas a acontecerem à sua volta. Mesmo que os netos (e até os filhos...) se esqueçam vezes demais disso...

Claro que nem todos os netos vão nas "suas cantigas". Muitas vezes olham-nos como pessoas que vivem num outro mundo, que já passou. E têm razão, só que não há futuro sem passado.

Foi por isso que apreciei a quase reprimenda (tão suave que quase não se sentia...) do Carlos para o Pedro, que excepcionalmente estava na nossa mesa: «Eu já te disse mais que uma vez, que prefiro que dês uso à inteligência que à esperteza.» Claro que ele não se ficou e foi buscar uma frase corriqueira, colando-a aos antigos: «Não são vocês que dizem que o mundo é dos espertos?»

Percebi que estava a assistir quase a um "duelo de palavras", entre um adolescente e um homem maduro, e que me devia manter em silêncio.

Mas pouco depois o Carlos encerrou a questão com uma frase lapidar, deixando o neto sem resposta: «Filho, nunca te esqueças, que aquilo que nos diferencia dos animais é a inteligência e não a esperteza.»

O meu pensamento naquele momento foi para Gaza e para a Ucrânia. 

Se aquela gente se aproximasse mais do humanismo e menos do animalismo... chegava-se com mais facilidade à paz, tão desejada pelo mundo inteiro...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, novembro 21, 2023

Memória das palavras da Augusta "Maluca" (cheias de sabedoria...)


Chamavam-lhe Augusta "Maluca" e foi das poucas pessoas da aldeia a ultrapassar os cem anos, ainda que por pouco tempo.

Já muito curvadinha, aquilo que menos gostava era de depender dos outros, foi por isso que nunca deixou de viver na sua casa, que ficava ao lado da de um dos seus filhos. O mais curioso, é que apesar de se dizer raios e coriscos dela, sempre se deu lindamente com a nora, que a recorda com um misto de saudade e emoção, por ser uma daquelas mulheres que nunca deixou de dizer o que pensava, mesmo quando tal era quase proibido.

Por ter jeito para a costura, era muito procurada na aldeia para fazer vestidos e até fatos de homem, mesmo para gente que vivia fora. O seu humor, que se confundia com a "má língua", era conhecido por todos, mesmo que nunca falasse da vida de ninguém. Falava sim, da vida de todos, em geral. Mesmo sem ter qualquer noção política, sabia, e dizia, para quem a queria ouvir, que o mundo estava muito errado, nunca iria perceber porque é que uns tinham tudo e outros tinham nada. 

Mas a sua coragem também era física. Não podia ouvir falar de padres e de religiões, porque na adolescência o padre da aldeia tentou colocar a mão onde não devia. Reagiu de imediato, dando-lhe um empurrão, deixando o padre caído no chão da igreja. No dia seguinte ele andava com o braço ao peito e cabeça baixa. Foi apenas mais uma das histórias da Augusta que correu mundo, e que foi exemplar para todas as jovens mulheres das redondezas.

Onde eu já vou e só queria falar de uma frase que lhe é atribuída, quando nas férias grandes, um dos netos estava triste, porque os pais de um miúdo da cidade tinham-no proibido de brincar com ele. Augusta não foi de modas e disse-lhe: «Não te preocupes filho, eles são ricos mas têm todos cara de parvos e pele cor de rosa como os porcos.»

Não sei se a frase correu mundo, sei apenas que chegou à minha cidade e nos deixou a todos com um sorriso no rosto.

Sempre existiram pessoas assim. Agora é costume dizer que "são fora da caixa", mas noutros tempos, eram apelidados de "malucos", por dizerem sempre o que pensavam, por muito que chocasse quem os rodeava.

Não é por acaso que, ainda hoje, quando se referem a esta Senhora, a tratam como a Augusta "Maluca"...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


quinta-feira, outubro 05, 2023

A Ética a Estética chocam mais vezes do que deviam (isso acontece mesmo nas pequenas coisas...)


Uma das coisas boas, que está quase sempre presente nas pessoas com menos instrução, é o seu raciocínio fácil (quase sempre próximo da "lógica", daquilo que na cabeça deles faz mais sentido). Em vez de construírem "castelos de areia", semeiam bens essenciais...

As questões do ambiente que enfrentamos não carecem de qualquer dúvida, nas suas cabeças, mesmo com os seus argumentos "terra a terra", banalizam as conversas de qualquer engraçadinho armado em negacionista. E isto, sem ser é preciso ir tão longe como a geração do meu avô, que achava que a ida à Lua, só nos iria trazer problemas no futuro...

Mas o que é queria falar era de uma coisa ainda mais simples, no aproveitamento da água que se pode fazer nas nossas casas. Nós, por termos uma pequena hortinha, há muito tempo que aproveitamos a primeira água do duche, que sai fria. O único cá de casa que não se dá a esse trabalho é o meu filho, que nem sequer gosta de ver um garrafão com água no interior da casa de banho...

Pois é, até nestes casos pequenos a ética choca com a estética... A ética diz-nos que devemos desperdiçar o mínimo possível de água, que é cada vez mais um bem indispensável e finito em todo o Planeta, a estética diz que um garrafão de plástico não combina bem com o mobiliário da casa de banho...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, setembro 08, 2023

Bater de frente com a realidade e ficar a "chover no molhado"...


Noto que as pessoas "normais" cada vez gostam menos de falar de política e de futebol. Isso acontece porque não lhes apetece nada pensar em coisas tristes, muitos menos conversar sobre coisas que só lhes dão aborrecimentos.

No fundo sabem, que por muito que falem e votem, os problemas vão manter-se, porque as pessoas que fazem parte dos principais partidos sempre se preocuparam mais com os seus interesses particulares que com o que é realmente importante para todos nós.

O curioso é ainda haver gente que fica surpreendida por cada vez votarem menos pessoas.

Quem não se parece preocupar minimamente com isso são os políticos. Desde que se mantenham no poder, fingem que está tudo bem.

Com o futebol acontece a mesma coisa. Os seus dirigentes não se preocupam se as suas atitudes pouco desportivas estão a destruir a "indústria" que os ajuda a nadarem em milhões, se cada vez vai menos gente aos estádios, ou se os canais desportivos pagos têm menos assinantes. Mas gostam muito de falar de "verdade desportiva". Apenas isso. Falar...

Lá estou eu a "chover no molhado", mas entristece-me viver num país assim, onde se finge diariamente que tudo está bem e vão-se empurrando os problemas para o buraco (que parece não ter fundo...) que se esconde debaixo do tapete...

Se Santa Marta nos valesse, apanhávamos todos este autocarro...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, junho 23, 2023

«Gostava de saber quem foi o 'inteligente' que inventou a mentira de que só os burros é que não mudam»


Todos estávamos de acordo, que éramos muitas coisas, às vezes quase ao mesmo tempo, e que podemos sempre mudar, ao contrário do que se gosta de dizer por aí.

Foi quando o Carlos com o seu humor peculiar disse: «Gostava de saber quem foi o 'inteligente' que inventou a mentira de que só os burros é que não mudam.»

E ele estava coberto de razão. Estes animais podem ser teimosos, mas são tudo menos "burros" (apesar do baptismo 'racial'...) Sempre que podem, escolhem o melhor pasto que puderem, e se estiver Sol escolhem uma boa sombra. E mais importante ainda, dão coices a quem os incomoda e não quer que "mudem"...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


quarta-feira, junho 07, 2023

O que contamos aos Outros e o que os Outros nos contam...


Normalmente só contamos aos outros o que queremos e não o que eles querem.

É por isso que os outros, quando querem saber mais do que o que nós sabemos, são capazes de nos rodearem com perguntas do "arco da velha". O mais curioso é o que acontece no nosso interior. Eles quando são bons "perguntadores" até são capazes de acender algumas luzes que estavam apagadas naquelas divisões mais obscuras, que habitam dentro de nós...

Já perceberam que eu pertenço ao "mundo dos outros". Pertenço ao grupo de pessoas curiosas que gostam de perguntar coisas (não se assustem normalmente não são coisas que alimentam os "facebooks", são coisas mais chatas que nos fazem puxar pela memória e viajar no tempo...), e que são uma dor de cabeça para algumas pessoas, que gostam de fechar quase todas as "portas  por onde passaram à chave".

Para outras passa-se exactamente o contrário (para essas mesmo, as que "falam pelos cotovelos"...), são livros abertos, prontos a debitar sobre tudo e mais alguma coisa. A conversa por vezes torna-se tão estranha que nos obriga a pensar nos sábios antigos que desbravaram tanto caminho e nos dizem de uma forma tão simples, que "quem muito fala pouco acerta"...

É por isso que o "meio-termo" é tão conveniente, ou como o sábio diz, "nem tanto ao mar nem tanto à terra"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa) 


segunda-feira, novembro 14, 2022

A "Idade Maior" e a Palavra "Não"


Esta coisa de  "viver" tem coisas bastante curiosas, talvez a maior seja o que nos vai  acontecendo, à medida que os anos vão passando, mesmo que se perca quase sempre mais do que se ganha.

A maturidade faz com que se diga mais vezes, "não". Se conseguirmos manter alguma independência e não se deixarmos aprisionar dentro de algumas "tribos" (até de amigos...), conseguimos ser menos complacentes com a mediocridade.

Claro que esta coisa de se dizer "não", tem um preço. Em determinada altura, há pessoas que deixam de nos telefonar (algumas faziam-no quase diariamente...), outras esquecem-se de nos convidar para isto ou aquilo. 

É a vida...

Apesar de saber que a ideia de que a idade nos dá estatuto para dizermos e fazermos o que nos apetece, está longe de ser linear (já assisti a vários exemplos que roçam a imbecilidade...), é bom termos cada vez menos medo das palavras. 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 11, 2022

Os Espelhos que Espreitam para Dentro de Nós...


Olhamos o espelho à procura de quase tudo, o que se vê e o que não se vê...

O reflexo do nosso olhar não nos revela apenas os sintomas diários, quase banais, de uma noite mal dormida ou de um dia cinzento que nos espera lá fora. O espelho gosta de ir mais longe, de se meter com quem gosta de perder mais de cinco minutos, a lutar contra o que vê, sendo mesmo capaz de abrir alguns caminhos obscuros, por onde se estende a diversidade e a complexidade humana. 

Claro que me vou ficar pelo "mundo real", pelas pessoas bonitas que se acham feias e pelas pessoas feias que encontram coisas bonitas no "jogo" do reflexo dos espelhos... Sim, quando ouves uma pessoa com "tudo no sítio" a dizer que gostava de ter «o nariz mais comprido» ou «a boca mais pequena», isso só pode significar uma "insatisfação permanente" e  mais trabalho para os cirurgiões plásticos. E depois descobres uma pessoa quase "invisível" a dizer que gosta da cor e da expressão dos seus olhos, na maior parte das vezes que enfrenta o espelho. 

Mais uma vez podemos ir à sabedoria popular encontrar explicações para esta coisa terrivelmente humana, de que só querermos o que não temos e só estarmos bem onde não estamos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)