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sábado, outubro 25, 2025

Cada vez mais espectáculo e menos informação


Não sei se fale no poder do futebol, se no poder do Benfica, para este dia, quase integralmente dedicado ao "glorioso" (que já se sabe que bateu o recorde do mundo em número de votantes em eleições para clubes desportivos).

Ou talvez deva falar de uma forma de fazer televisão, cada vez mais virada para o espectáculo e menos para a informação, dando quase sempre mais atenção aos "casos e casinhos", que ao que realmente importa para todos nós.

Quem se tem aproveitado bem destas novas linhas editoriais são os partidos políticos que estão no poder, que também preferem apostar mais no "entretinimento" que na "arte de governar"...

Curiosamente, encontrei uma crónica de Vasco Pulido Valente (que estava longe de ser o meu cronista preferido...), datadas de 8 de Março de 2015, que nos oferece um retrato demasiado real dos canais televisivos - com a excepção do agora RTP Notícias - dez anos depois...

Eis as palavras do Vasco, no "Público": «Basta ligar a televisão para se perceber o estado de indigência intelectual e política a que chegou o país. A informação, que já foi sofrivelmente sensata, embora parcial e sumária, tem hoje o critério editorial do antigo semanário O Crime e da imprensa cor-de-rosa e desportiva.
Para começar, os portugueses são presenteados com horas do que antigamente se chamava “casos crapulosos”: a facada, o tiro, o roubo, a violência doméstica, histórias de tribunal, considerações de réus, de testemunhas, de advogados, de “populares”, da polícia e de um ou outro comentador de serviço. Depois do “crapuloso” vem o “acidente” e a catástrofe: desastres de avião e de automóvel, incêndios, tempestades de vento ou neve, inundações, tudo o que meta feridos, mortos, miséria e sangue.»

Não se trata apenas dos "retratos" do CMTV ou do NOW, a CNN e a SIC Notícias estão logo ali, depois da esquina...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, setembro 18, 2025

Dias de "São Mourinho"...


Ontem e hoje o país foi quase só "José Mourinho", que regressou a Portugal, para treinar o Benfica.

Confesso que depois dos dois últimos jogos dirigidos por Bruno Lage, pensei que era boa ideia começar a  deixar de gostar do Benfica. Como se isso fosse possível...

Pensei nisso, mais a pensar nas exibições que nos resultados, mesmo que as derrotas do Caldas e do Benfica, normalmente me deixem triste. Sabia que o treinador tinha os dias contados, por falar de mais e a equipa jogar de menos, e claro, por estarmos cada vez mais perto das eleições.

Eleições com uma mão cheia de candidatos. Não compreendo o regresso de Vieira, que é passado. Embora goste de Rui Costa, sei que tem cometido demasiados erros como presidente. Penso que uma mudança era bem vinda, para acabar de vez com hábitos antigos.

No campo técnico acredito que o Benfica vai mudar para melhor, mas também sei que o futebol de Mourinho não vai rivalizar com o de Jorge Jesus, que mostrou a todos os benfiquistas que era possível ganhar e dar espectáculo para as bancadas, distanciando-se em qualidade do vulgar jogo do "chuto na bola".

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, setembro 07, 2024

«Então, está satisfeito com o novo treinador do Benfica?»


Penso que poucas mulheres, com mais de 90 anos, faziam a pergunta "sacramental" da semana: «Então, está satisfeito com o novo treinador do Benfica?»

Sei que ela fez esta pergunta depois dos canais de televisão terem dedicado demasiadas horas de emissão ao assunto (se há coisa que dá audiências é o Benfica, da televisão às bancadas dos estádios...).

Mas isso não diminui o seu interesse lúdico pelo futebol (na falta de outras diversões, habituou-se a ouvir os relatos de futebol, do seu Sporting e dos outros...). 

A solidão tem destas coisas...

Embora acredite que ela sempre tenha gostado deste desporto apaixonante, que consegue colocar 22 homens ou mulheres a correrem atrás da bola em simultâneo, onze contra onze, que querem meter a bola na baliza da equipa adversária... 

Só que na sua infância e adolescência, era praticamente proibido a uma jovem mulher praticar esta modalidade, mesmo que sentisse ter mais jeito que alguns rapazolas (sempre houve miúdas que no recreio das escolas demonstravam ter mais habilidade para o jogo "do chuto da bola" que muitos rapazes...).

Voltando à minha sogra, disse-lhe que só ficava satisfeito se o treinador ganhasse os próximos jogos...

Pois é, o futebol é o "mundo" onde é possível passar, em segundos, de besta em bestial e vice-versa...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


quarta-feira, agosto 28, 2024

Uma "Casa Assombrada" e "Pimenta na Língua"...


Já o disse aqui, mais que uma vez, gosto do Benfica.

Claro que não sou fanático (a culpa é do meu pai...), porque as primeiras vezes que fui ao futebol, via o meu pai a assistir aos jogos do Caldas, como realmente eram, simples jogos, quase em silêncio. Não me lembro de ele chamar algum nome ao árbitro ou aos jogadores (pode e deve ter acontecido, mas nunca de forma ofensiva, como era comum à nossa volta).

Posso dizer que foi no Campo da Mata que ouvi pela primeira vez tantos impropérios, tantas ofensas, tantos insultos, e claro as chamadas "asneiras", ainda piores que as que escutávamos na rua, e não podíamos reproduzir, graças à ameaça caseira da "pimenta na língua"...

Onde eu já vou. Só queria dizer que o Benfica por esta altura, parece uma "casa assombrada", quase toda a gente quer sair do clube, apesar de ser o que melhor "recompensa" financeiramente os seus jogadores...

Apesar da grande pressão - e também de alguma ficção, como o "atirar" o nome de Sérgio Conceição para a "fogueira da luz", onde não é de todo, bem vindo - da comunicação social, algo se passa de estranho no "reino da luz"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, agosto 11, 2024

O homem que voltou a estar quase sozinho...


Parecia a quase todos que os maus tempos estavam ultrapassados.

Quem chegou parecia ser melhor do que os iam partir.

O rio da esperança voltou a correr em direcção ao mar.

Eu sei. Ele sabe. Todos sabem. Tudo muda muito depressa neste mundo. A diferença entre "besta" e "bestial" são apenas duas letras a mais que facilmente são colocadas de lado.

E logo no primeiro dia, que era a sério, as coisas tinham de correr da pior maneira possível. Não sei se fizeram uma "lista de culpados". Ou sei. Antes de a começarem, o primeiro da lista já era o Rui Costa.

Não vale a pena falar de azar, porque isso não existe no futebol, como dizia o meu pai. Há apenas bolas que entram e bolas que batem na trave ou no poste e vão para fora. As que vão para a "quinta", não contam...

E agora, o homem voltou a estar quase sozinho. Não está completamente só, porque o Rui não é um "rato de porão" (como por exemplo, o presidente do Braga)...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, fevereiro 17, 2024

"Vagabundos" a mais no onze da equipa da Luz...


Embora fosse incapaz de assobiar o treinador do Benfica, sei que ele é o pior dos três grandes. Vou ainda mais longe, cada vez  se justifica menos a contratação de um técnico estrangeiro, quando nós temos os melhores treinadores do mundo, graças à excelente leitura de jogo e capacidade para alterar o que se passa no terreno, em poucos minutos.

Mas o problema maior do Benfica é ter "vagabundos" a mais no seu onze, jogadores que correm e defendem menos do que deviam. Têm sido pelo menos três nos últimos tempos: Di Maria, João Mário e Kokcü. O futebol moderno não se compadece com tantos jogadores, que além de não correrem muito, não defendem nem têm cuidado com o seu posicionamento no campo, deixando quase sempre os adversários demasiado à vontade.

Não tenho dúvidas que no onze benfiquista só existe espaço para um "vagabundo", e ele é o Di Maria, porque a qualquer momento, pode fazer a diferença.

Como também vimos na televisão, até um rapaz, com uns dez anitos, no máximo, sabe que Schmidt têm muito a aprender com Amorim ou  Conceição, na leitura do jogo e na capacidade de mudar o que é preciso dentro do relvado...

Escolhi esta fotografia, porque esta pequena oficina de sapateiro, faz parte do meu imaginário. Ficava a caminho das Praças da Fruta e do Peixe e sempre que ia de mão dada com a minha mãe às compras soltava a mão e ia espreitar as paredes, forradas com as grandes equipas e os grandes jogadores de futebol, num tempo em que os "vagabundos" abundavam nos relvados...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, dezembro 30, 2022

Primeiro Estranha-se, depois Entranha-se...


Já dizia o nosso poeta maior, quando lhe fugiram as mãos para a publicidade, que "primeiro estranha-se, depois entranha-se..."

Todos os benfiquistas sabiam que um dia iria acontecer, mas queriam que fosse tarde ou nunca ("nunca" que podia ser na próxima época...). E aconteceu, há menos de uma hora, em Braga. E logo por três a zero.

Não tem nada a ver com a história de "murros no estomago", mas que nos revolve as "entranhas", revolve.

Já me tinha acontecido o mesmo com o Caldas, que ainda por cima perdeu dois jogos seguidos. Mas a equipa da minha "cidade natal" tem algumas peculiaridades, a principal é ser a mais "amadora" de todas as que participam na Liga 3, com a maior parte dos jogadores a terem um emprego e a treinarem ao fim do dia, coisa que quase parece dos campeonatos distritais.

Foi por isso que um amigo, adepto do V. Setúbal, antes do jogo com o Caldas me disse, meio a sério, meio a brincar: «O que é que vocês andam aqui a fazer? Isto não é para meninos.» E não é mesmo para meninos, foi por isso que o Caldas derrotou o Vitória e este meu amigo teve de "meter a viola no saco" e ir dar música para outra freguesia. Quando me voltou a ligar, foi capaz de me dizer que a "minha equipa" parecia uma equipa da primeira a jogar futebol.

Só que o Benfica não é o Caldas, ou seja, não se pode dar ao luxo de perder dois jogos seguidos. Não pode mesmo, apesar de a matemática dizer o contrário, porque se voltar a perder continua no primeiro lugar do campeonato, com dois pontos de avanço. 

Pois, poder pode, mas não deve...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, outubro 16, 2022

O Futebol-Espectáculo é Isto...


Fiquei muito orgulhoso por o "meu Caldas", quase ter ganho ao "meu Benfica", na noite de ontem. O jogo acabou por ser decidido na "lotaria" das grandes penalidades, depois de mais de 120 minutos de futebol-espectáculo, mesmo quando os jogadores do Caldas estavam de rastos, fisicamente, nunca perderam o discernimento e continuaram a jogar com a bolinha no chão. 

A equipa treinada por José Vala pede meças a muitas equipas profissionais, pois mesmo a jogar com a primeira classificada da Primeira Liga, invicta (que tinha acabado de empatar com o Paris SG, uma das equipas mais poderosas do mundo...), jogou sempre, de igual para igual, sem medo e complexos em relação às "prima-donas" da Luz.

Felizmente, o "autocarro" do Caldas só serve mesmo para o transporte de jogadores...

(Fotografia de Luís Eme - a partir da televisão)


sábado, outubro 15, 2022

A Festa da Taça nas Caldas


O Caldas está a menos de uma hora de defrontar o Benfica, no velho Campo da Mata, para a Taça de Portugal.

Embora chegasse a pensar ir às Caldas ver o Benfica, percebi que dificilmente arranjaria bilhetes e também não me quis "fazer convidado". Além disso, gosto mais de ver futebol na televisão. Nos campos de futebol distraio-me com grande facilidade, porque há "outros jogos" que se jogam nas bancadas. 

Isso aconteceu quando o Caldas chegou à meias-finais da Taça e fui ao Campo da Mata ver o Caldas eliminar o Farense. Com as bancadas cheias de gente a puxar o nosso clube para cima, mas sempre num ambiente de festa (até a claque era um exemplo...), olhava para todos os lados, satisfeito pela forma como a equipa caldense trocava a bola e transmitia serenidade e esperança ao público.

E agora só me resta esperar, sem esconder um desejo de benfiquista caldense: querer que aconteça Taça nas Caldas, com os Alvinegros a derrotarem o Benfica, proeza que nem a Juventus e o Paris Saint-Germain conseguiram esta época...

(Fotografia de João Miguel - Almada)


quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Tudo Começa e Acaba Dentro de Campo


O Benfica está a atravessar uma crise complicada dentro e fora de campo.

Aos problemas com a justiça seguiu-se a falta de respeito de alguma comunicação social, que tem explorado diariamente o conteúdo de conversas privadas entre dirigentes, treinadores, agentes e até jogadores (sem qualquer relevância criminal, mas que minam as relações pessoais e a imagem do Benfica...).

Mas continuo a acreditar, que tudo começa e acaba dentro de campo. Com vitórias todos estes problemas acabavam por ser esquecidos.

É por isso que eu digo, que por mais problemas que existam - exteriores ao balneário -, é completamente inaceitável que jogadores que ganham dez vezes mais, corram dez vezes menos, que os adversários, como aconteceu ontem no jogo com o Gil Vicente e em muitos outros, com adversários de qualidade inferior, nos últimos três anos.

Podem continuar a falar dos árbitros (que também já não respeitam o Benfica como respeitavam...), mas o principal problema está no plantel escolhido (com mais "mão" de dirigentes e de empresários que dos treinadores...), onde se nota que quase metade da equipa não tem classe para vestir a camisola do clube da Luz.

Se Rui Vitória, Bruno Lage ou Nelson Veríssimo, nunca tiveram "peso" como treinadores, para puderem escolher os futebolistas com quem queriam ou não trabalhar, o mesmo não se pode dizer de Jorge Jesus, que escolheu e aceitou vários jogadores de qualidade duvidosa, que estão claramente a mais no Benfica e não merecem o dinheiro que ganham.

Mas como disse anteriormente, tudo começa e acaba dentro de campo. Com vitórias todos estes problemas acabavam por ser esquecidos...

(Fotografia de Eduardo Gageiro)


quinta-feira, julho 08, 2021

Quando o Mal dos Outros tem de Ser o Nosso Bem...


Esta fotografia pode e deve ter várias legendas (a vontade de cada um de nós é quem mais ordena).

Vi a gaivota pousar no muro de uma casa da vizinhança e depois começar a comer, talvez sementes do prato de um vasos de flores do jardim.

Um gato de uma das casas ao lado começou a deslocar-se, decidido a acabar com o repasto da ave. Fingiu que não era nada com ele, mas a gaivota colocou-se logo em alerta. Quando este ameaçou subir o muro, ela partiu, com o estomago mais aconchegado...

Escolhi esta fotografia porque há sempre alguém que não suporta ver os outros bem, e tenta logo estragar o momento... 

Acabei por pensar no Rui Costa, que de um dia para o outro, passou de dirigente exemplar do Benfica a alguém que (também) se serve do clube em proveito próprio. Afinal parece que a mentira tinha a perna curta (nem conseguiram acertar no nome da empresa que lhe pertence)...

Com a provável prisão de Luís Filipe Vieira, vai ser um ver se te avias de gente a "escolher espingardas" para a guerra da sucessão. 

E como já se percebeu, vai valer tudo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, março 03, 2021

As "Fábricas de Factos" (ou quando o jornalismo parece ficção...)


Hoje li um artigo de opinião no Diário de Notícias, escrito Pedro Tadeu, elucidativo sobre onde já vai o "mundo da manipulação" de notícias nos jornais, rádios e televisões.

Nada que seja muito de estranhar, e que leva as pessoas a verem cada vez menos notícias (é o que faz uma boa parte das que conheço...). O mesmo se passa com o "comércio" dos jornais, com mais moscas que leitores, agora que o tempo começa a aquecer.

Já não me lembro do dia em que vi esta notícia no nosso maior pasquim, sei que aproveitei logo o momento para tirar uma fotografia. Quando se coloca na capa de um jornal: "covid faz cair consumo de viagra", como manchete, está tudo dito (ou está tudo maluco...).

E na televisão do grupo, as coisas têm sempre tendência para piorar (muito). As notícias parecem ter muito de "faroeste", como se viessem acompanhadas de pistolas, facas e sangue.

Claro que eles sabem o que é bom para o negócio. Isso explica a obsessão pelo Benfica dia sim dia sim (talvez encha sofás em casa, agora que não pode encher estádios...), com uma aposta forte nas demissões de Luís Filipe Vieira e de Jorge Jesus. Por exemplo na véspera do FC Porto-Sporting, o jogo entre os dois primeiros classificados, em vez de se falar das tácticas do Amorim e do Conceição, só se falou do Benfica, de Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus... E a "novela" continua, diariamente. O episódio de hoje era sobre o buzinão "Rua Vieira", rente ao Estádio da Luz.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, fevereiro 02, 2021

Sabe (quase sempre) Bem "Remar contra a Maré"


Não sou muito de esperar pela melhor altura, ou pelo momento certo. A minha teimosia faz com que goste de "remar contra a maré" (embora agora a idade comece a não ajudar, a força já não é a mesma...), é por isso que me apetece falar de Jorge Jesus, sem ligar sequer ao facto de o Benfica ter perdido ontem o derby lisboeta.

Apetece-me falar do homem cheio de singularidades, que é treinador de futebol, e que de repente, viu-se sem jogadores fundamentais (a defesa ficou toda infectada...) e sem os companheiros da equipa técnica...  que em vez de "meter baixa", ficou sozinho ao "leme" da Barca da Luz, sem baixar os braços e sem deixar de olhar a adversidade.

E já estava com sintomas desta doença maldita (fez sete testes que acusaram negativo, só ao oitavo, e com outros exames complementares é que ficou com o selo de "infectado". Estas contradições em volta dos testes são uma daquelas histórias que mereciam uma boa investigação...), aguentou firme e nunca deixou de estar ao lado dos "seus", mesmo que eles não fossem os melhores, fossem apenas os possíveis...

Não conheço Jorge Jesus. Talvez nos tenhamos cruzado alguma vez, em algum jogo ou evento desportivo, mas não o retive na memória. Há algumas coisas que não gosto na sua personalidade, como a sua vaidade, que o faz dar ares de "melhor treinador do mundo" e dizer algumas coisas, quase estúpidas (embora reconheça que este seu amor-próprio foi o "motor" da sua já longa carreira, que começou nas divisões inferiores e nunca o fez desistir de chegar ao topo...). Mas depois gosto do que fica mais escondido, não duvido que o Jorge é alguém extremamente generoso e solidário, que nunca desiste de lutar nem se cansa de vencer.

O Benfica pode não ser Campeão este ano, mas tenho a certeza de que o será no próximo ano, porque Jorge Jesus, além de ser um vencedor, é um treinador de longa duração, que nunca tem uma toalha a seu lado para atirar ao chão.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, junho 24, 2020

«Os jogadores e o treinador do Benfica não querem nem merecem ser campeões»


Já disse por aqui, mais que uma vez, que gosto do Benfica (coisas de uma fotografia do José Águas com a Taça dos Campeões Europeus nas mãos bem erguida...).

Mesmo sem ser "doente da bola", não consigo perceber como é que é possível que a equipa de futebol do Benfica - desde que começou a perder os sete pontos que tinha de avanço... - tenha perdido completamente o "norte" e o "sul". 

Mas o pior de tudo é ver que os seus jogadores correm menos que os adversários e gostam de lhes oferecer brindes (começou muito antes da pandemia...). Quem vê os jogos não acredita que aqueles rapazes vestidos de vermelho sejam dos futebolistas mais bem pagos do país...

Acredito que se o Sporting e o Braga não têm começado tão mal o campeonato, o Benfica neste momento estava a lutar pelo quarto ou quinto lugar.

Mesmo que seja mentira, quem vê os jogos fica a pensar que: «Os jogadores e o treinador do Benfica não querem, nem merecem, ser campeões.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, dezembro 11, 2019

Campeões Dentro e Fora dos Estádios


Rogério "Pipi", deixou-nos há poucos dias, com noventa e sete anos. Foi um extraordinário avançado benfiquista e uma simpatia de pessoa.

Não disse nada no dia, porque pensei que ao falar dele, teria de falar de pelo menos mais três grandes futebolistas, da sua geração e que ainda tive o prazer de conhecer graças ao jornalismo. Falo de Guilherme Espírito Santo, José Travassos e Jesus Correia.

Embora jogassem num tempo em que o profissionalismo dava os primeiros passos (todos eles tinham uma segunda profissão, mesmo que fosse quase "fictícia", pelo menos enquanto brilhavam nos estádios...) e não ganhassem milhões, eram pessoas muito gratas ao futebol, por tudo o que este lhes dera, e também aos seus clubes de coração (era o tempo do "amor à camisola"...).

domingo, janeiro 27, 2019

Olhar para Dentro e para Fora dos Estádios...


Os campos de futebol sempre foram lugares especiais. Antes da Revolução de Abril, eram os únicos lugares onde se podia insultar quem quer que seja, sem sofrer qualquer tipo de represália.

Sei do que falo, porque visitei o velho Campo da Mata, das Caldas da Rainha com seis anos, de mão dada com o meu pai (1968, 1969...). Nunca antes tinha assistido a um espectáculo do género. Algumas pessoas até eram capazes de pensar que fazia parte do bilhete de ingresso, encher o campo de insultos e palavras feias, a partir das bancadas, dirigidas quase sempre para o árbitro, fiscais de linha e os jogadores adversários.

Felizmente o meu pai fazia parte de outro filme, talvez por ser mais de interiorizar que de exteriorizar as emoções. E eu segui o seu exemplo. Posso dizer com algum orgulho, que nunca fui a um estádio para insultar quem quer que fosse...

Quando ia ao futebol, ia à procura de algo que raramente encontrava, o chamado "futebol espectáculo", com beleza e emoção. Senti essa emoção sobretudo durante a adolescência (o período em que acompanhei mais os jogos de futebol do Caldas e fazia quase "claque" com os meus amigos...) e nos chamados jogos grandes no Estádio da Luz, em que o Terceiro Anel tanto abanava como tremia (abanava mesmo com o bater de pés dos sócios e também  ficava mais pequeno quando o Benfica perdia...).

O jornalismo desportivo roubou o adepto  fez com que assistisse aos jogos com outro olhar (o mais curioso, é que isto aconteceu naturalmente...). E depois deixei mesmo de visitar os estádios (nos últimos vinte anos devo ter assistido ao vivo a três ou quatro jogos de futebol, o último dos quais foi muito bom, quando na época passada voltei ao Campo da Mata, na companhia do meu irmão, para ver o meu Caldas passar às meias-finais da Taça de Portugal...). Embora também deva confessar, que não consigo estar muito atento aos jogos de futebol nos estádios. As reacções das pessoas (até mesmo as insultuosas...) distraem-me com grande facilidade e perco-me mais pelas bancadas que pelo relvado...

Mas não é apenas por isto que não vou aos estádios. Embora reconheça que os jogos do campeonato português são demasiado pobres, tanto em jogo jogado como em emoção. Foi o jornalismo que fez com que conhecesse o pior lado do futebol. O lado da "vigarice", da "batota" e da "violência". Escrevia no "Record" no tempo do famoso "Guarda Abel", que existiu mesmo, assim como as histórias que ainda se contam, aqui e ali,  sobre a figura e o bando armado que comandava, que infelizmente está ligado - da pior maneira - ao "reinado" do FC Porto no futebol dos anos noventa do século passado...

Acho que foi por conhecer este "lado negro" que, ao contrário do meu pai, não levei os meus filhos ao futebol pela mão. O meu filhote já devia ter uns dez anos quando entrou num estádio para ver um jogo de futebol. Foi a família toda, mais para satisfazer a sua curiosidade, que por outra coisa. Talvez por não ter muito jeito para jogar, nunca se deixou impressionar por tudo o que rodeia o futebol. E ainda bem. Ele a a irmã gostam do Sporting, porque a mãe fez alguma "publicidade enganosa" cá por casa, mas sem qualquer tipo de "doença".

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

sexta-feira, novembro 30, 2018

Um Triângulo Humano que Começa a ser Perigoso...


Como simpatizante do Benfica incomoda-me o triângulo formado entre Luís Filipe Vieira, Rui Vitória e Jorge Jesus.

Muito menos aceito que depois de demitir o treinador, o presidente tenha voltado com a palavra atrás. Até porque Rui Vitória não é o Jorge Jesus...

Ou seja, neste momento não acredito que as coisas melhorem com Rui Vitória. Mas também não acredito que Jorge Jesus seja a solução para o futuro do Benfica (embora goste do futebol praticado pelas suas equipas...).

Começo a acreditar que a solução para os problemas do Benfica passe por uma "terceira via", fora deste triângulo. Um presidente que não seja o "único dono do clube" (nem esteja envolvido em suspeitas de corrupção...) e um treinador que goste de jovens, de ganhar, e não menos importante: que a sua equipa jogue um futebol empolgante, que gostamos de chamar "à Benfica"...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 11, 2018

O Benfica, a Clubite, a Justiça e o Jornalismo de Sarjeta


Tenho evitado falar sobre o que se tem passado com o Benfica nos últimos tempos, com o clube a ser vitima de uma campanha de "desinformação" e "intoxicação", sem paralelo no nosso país, por parte dos dois clubes rivais (querem evitar o "penta" a todo o custo...). Campanha que se tem estendido a algum jornalismo que se alimenta sobretudo das "meias-verdades" e meias-mentiras", com manchetes e capas fabricadas diariamente (mesmo que os títulos muitas vezes tenham pouco a ver com o conteúdo das notícias...), com um único objectivo: vender gato por lebre.

A campanha começou com os "vouchers", depois foram os "e-mails"  e agora são "toupeiras"...

Embora não procure desvalorizar as investigações em curso - nem inocentar ninguém -, faz-me um bocado confusão a leitura que se está a fazer deste último processo. Por mais voltas que dê, não consigo perceber  a posição de algum jornalismo, tão "escandalizado com as toupeiras", quando eles são useiros e vezeiros na utilização dos mesmos métodos, conseguindo ter acesso a partes de processos em segredo de justiça, que só podem ser divulgados pelos vários agentes envolvidos na respectiva investigação (ministério público, polícia judiciária e tribunais...).

Do ponto de vista criminal, não consigo perceber a diferença que existe entre um dirigente desportivo e um jornalista, quando ambos utilizam os mesmos métodos para se apropriarem de informação privilegiada fornecida por terceiros, para benefício próprio. 

(Ilustração de Otto Lange)

domingo, outubro 01, 2017

Crónica de um Adeus Esperado (ou talvez não)...


Segundo a tradição - e também legislação - hoje não é dia para falar de partidos, eleições, governantes, etc. É por isso que vou escrever sobre algo de que gosto muito, mas que está povoado de zonas cinzentas, de gente que nunca gostou profundamente de desporto, particularmente de futebol. A única coisa que os motiva são as vitórias dos seus clubes, com a ajuda de árbitros, fiscais de linha ou juristas, demasiado coloridos.

Já disse várias vezes que gosto do Benfica. Penso que a única razão que encontro para "este gostar" é a "magia" da fotografia do José Águas, a sorrir, com a Taça dos Clubes Campeões Europeus, pendurada num quadro na sala da casa do vizinho de cima, no prédio onde vivi a minha meninice, no Bairro dos Arneiros, nas Caldas da Rainha. Até porque lá por casa era tudo "lagarto", a mãe, o pai e o mano.

Mas o que eu quero mesmo é falar de futebol, da actualidade, mas sem me afastar dos relvados. Falar apenas dos jogadores, dos treinadores e da bola. Neste caso particular, falar da "crise" do Benfica, do seu treinador e dos seus jogadores.

Como não tenho a memória curta, não esqueço que o Benfica que praticou melhor futebol nos últimos vinte anos, foi o de Jorge Jesus. Até ao momento Rui Vitória demonstrou ser um bom líder, sereno, competente, mas, talvez demasiado "frio" e "apagado". Pelo menos é essa a ideia que passa, para quem vê a sua equipa do Benfica a jogar, mais calculista que apaixonada por um futebol desgarrado e bonito.

Jorge Jesus só provou, que de facto é um grande treinador, na época seguinte a ter perdido "tudo" (podia ter sido Campeão Nacional, ganhar a Liga Europa e vencer a Taça de Portugal...). Conseguiu colocar os pés no chão e vencer os dois campeonatos seguintes, praticamente com os mesmos jogadores...

Rui Vitória para muitos tem hoje um "teste de fogo", na Madeira. Para mim, nem por isso. O seu verdadeiro teste é conseguir retirar da equipa "jogadores intocáveis", como é o caso de Luisão, que pode ser muito importante como líder no balneário, mas que já não tem capacidade física para ser titular de uma equipa com a grandeza do Benfica. E claro, conseguir que o "Benfica jogue à Benfica" (sempre a querer ganhar, em qualquer relvado...), o que ainda não aconteceu esta época.

Voltando ainda ao Luisão, muito mal vai o Benfica se não tem um jogador com qualidade suficiente para o substituir...

(Fotografia de autor desconhecido - mas eu gostava que fosse do grande Nuno Ferrari)

domingo, setembro 17, 2017

Utopias Futebolísticas...

Ontem, ainda antes do almoço, assisti a uma discussão lamentável sobre clubes de futebol (sim, quando apenas de fala do Benfica e do Sporting, de presidentes, directores de comunicação, etc, fala-se de tudo menos de futebol...). Os argumentos utilizados por ambas as partes foram como costuma ser hábito, rasteiros e ofensivos. 


Embora estivesse de fora da conversa e não fosse "doente da bola", quando vim para casa, fiquei a pensar que se não gostasse do Benfica, era indiferente a todo aquele folclore, a todas aquelas artimanhas de quem quer ganhar a qualquer preço, que tanto pode ser com a ajuda do árbitro, do poste ou até do defesa adversário, que às vezes se engana na baliza.

Mas é péssimo que os estádios tenham cada vez mais espectadores que vão assistir aos jogos apenas para verem os seus clubes ganharem (alguns até passam o tempo todo de costas para o relvado...), mesmo que joguem um futebol miserável, e ganhem com uma grande penalidade que só existiu no apito do árbitro...

Sei que toda esta "nuvem de fumo" é provocada pelas direcções de comunicação de clubes, compostas por jornalistas (como é que esta gente alguma vez podia ser isenta no exercício da sua profissão, já que passa o tempo todo a "incendiar" o futebol?), capazes de tudo para promoverem os seus "patrões" ou para denegrir a imagem dos adversários.

O mais engraçado, é que no final do dia nem fiquei chateado por o Benfica ter perdido no Boavista. Lembrei-me dos muitos jogos que tem ganho com "sorte", sem ser a melhor equipa em campo. E que talvez lhe faça bem, que aconteça o contrário... Talvez os seus dirigentes percebam que é mais importante contratar um bom guarda-redes e um bom defesa central, que continuarem a pensar que são as "camisolas encarnadas" que ganham os jogos...

(Ilustração de Enoch C. Bolles)