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domingo, setembro 27, 2026

Uma certa maneira de se ser funcionário público...


As desculpas de algum funcionalismo público vão ter quase sempre ao mesmo lugar, "não me pagam para fazer isto", ou pior ainda, "não me pagam para saber isto". Ou seja, o "maldito" dinheiro é colocado sempre à frente de tudo.

Curiosamente, ou não, quando se candidataram aos lugares já sabiam que iam ser mal pagos, tal como as funções que iriam exercer e o tipo de informação que teriam de dar a quem se deslocasse aos seus serviços, preferencialmente com bons modos.

Hoje de manhã visitei dois museus e consegui ser atendido de duas formas completamente opostas. Na minha primeira visita a senhora da recepção/bilheteira estava ao telefone e conseguiu em poucos minutos formar fila no seu museu. Mas o pior ainda estava para vir. Além de se ter esquecido do sorriso em casa e estava pouco disponível para dar informações...

Não lhe dei conversa e fui ver o espaço de arte contemporânea.

No museu seguinte aconteceu-me o contrário. Além de ter sido bem acolhido, no final da visita fiz duas ou três questões, às quais ela era completamente alheia, mas que fez questão de me responder, demonstrando saber onde estava e também quem era aquele casal parisiense...

A pergunta mais pertinente que fiz foi porque razão o título dos quadros expostos estava escrito na língua francesa. Ela respondeu-me, muito bem, que se optara por manter os nomes originais de  cada obra, franceses, mesmo que o museu fosse português e ficasse em Portugal...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, setembro 20, 2026

Às vezes acontece, a porta estar fechada...


Tinha lido a reportagem no "Ípsilon" sobre a exposição de Arpad Szenes, patente no Museu Vieira da Silva" e achei que conhecer melhor a arte deste pintor - o grande companheiro de vida da nossa Helena, que quase que teve de ser francesa, para ter uma vida normal -, era uma boa forma de ocupar uma parte do domingo de manhã.

E eis que chego ao museu e descubro as portas estavam fechadas, com a informação de que só seriam abertas, no domingo, às 16 horas.

Como tinha outras coisas para fazer na parte da tarde, não apareci. 

Claro que um domingo destes, de manhã, volto a passar pelo museu...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, setembro 19, 2026

O "Traço Contínuo" é apenas mais uma razão para visitar a Casa da Cerca em Almada


Eu sei, para muita gente, os museus estão longe de ser o melhor lugar do mundo.

Também sei que já estou naquela idade, que não quero convencer ninguém.

Mas mesmo assim, continua  a fazer-me confusão que muitos almadenses nunca se tenham sequer aproximado da Casa da Cerca.

Podem não gostar do género de arte, mas há outros atractivos bastante agradáveis, como é o seu miradouro único, virado para Lisboa e para o Tejo. 

E há também a possibilidade de se passear pelo seu jardim e pelos seus espaços exteriores, com várias janelas abertas para o "melhor rio do mundo".

Ou seja as 24 horas a desenhar, que vão encher de cor, hoje e amanhã, a Casa da Cerca, atrás de um "Traço Contínuo", azul, são apenas mais uma coisa agradável para ser fazer neste museu de arte contemporânea...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, agosto 07, 2026

O parque que é campo e arte no centro da cidade...


O Parque D. Carlos das Caldas é um lugar já secular, de beleza única, pelo seu ordenamento que nos parece natural, ao qual nem falta um lago, onde é possível passear de barco e fazer a estreia a remar, quase a sério (não é a brincar como fizeram os noruegueses no Mundial de futebol...), durante 30 ou 60 minutos.

Foi o que aconteceu comigo. Foi naquelas águas demasiado verdes que remei pela primeira vez, no começo da adolescência, quando fazíamos "batalhas navais" com amigos que se disfarçavam de inimigos por meia-hora...

E depois existe a parte artística, com estátuas espalhadas por quase todo o Parque, que aumentam quando nos aproximamos do Museu José Malhoa, quase a piscarem-nos o olho e a fazerem-nos um convite para entrarmos naquele espaço, que aposta sobretudo na pintura naturalista de Malhoa e amigos, embora também possua muitas esculturas, e até uma original "Via Sacra", criada por Rafael Bordalo Pinheiro, com figuras de barro pintadas, em tamanho real.

Não tenho qualquer dúvida de que é um dos lugares mais agradáveis das Caldas, com árvores, relva, sombras e muitos bancos de jardim... sobretudo num Verão farto como o que estamos a viver.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, junho 14, 2026

Passar o domingo (de Verão) nas Caldas...


O calor convidava uma visita às praias do Oeste, à minha Foz do Arelho, por exemplo.

Mas o domingo há muitos anos que não é o meu "dia de praia". Se nunca gostei muito de confusões, com o avançar da idade, ainda fujo mais delas...


Foi mais agradável passar pela Praça da Fruta ao final da manhã e visitar o Museu José Malhoa depois do almoço (mais uma vez a ser quase "guia turístico" na cidade...), que mesmo depois da centésima visita, é sempre memorável...

E depois é sempre bom encontrar uma casa cheia de gente à nossa espera e meter a conversa em dia...

(Fotografias de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, maio 03, 2026

Festejar a Mãe com o cinema e com os museus...


Embora a minha mãe tenha nascido e crescido numa aldeia, onde nem mesmo a menina mais afortunada, aprendia a tocar piano e francês, nunca lhe passou ao lado a importância das coisas bonitas e curiosas no nosso crescimento.

Hoje ao almoço, nas Caldas, perguntei-lhe por que razão, na minha meninice e na do meu irmão, nos levava às matines do cinema e uma ou outra vez, ao Museu José Malhoa.

Disse-me que isso acontecia por passar muitos domingos sozinha connosco (o pai era caçador e preferia passar os domingos aos tiros que a passear com a família...) e que de vez enquanto, sentia necessidade de arranjar programas diferentes para nós...

Disse-lhe que foi graças a Ela, que gosto tanto de cinema e que me sinto tão bem dentro de museus...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, novembro 26, 2025

"Olhar Portugal a partir das colecções do MNAA"


Gostei de saber que o Museu Abade de Baçal, em Bragança, reabriu - após obras de requalificação - com a exposição "Olhar Portugal a partir das colecções do MNAA", com obras do Museu Nacional de Arte Antiga e também do museu bragantino.

Acho muito boa ideia a descentralização de obras de arte, que muitas vezes estão em depósito e que agora vão viajar pelo país fora, para que Portugal, com o projecto "O MNAA está aqui", se habitue à arte.

É bom para as localidades que vão beneficiar desta iniciativa e também para o MNAA, que embora feche as suas instalações para obras, promete continuar activo, de Norte a Sul.

Estive na Primavera em Bragança e agora ao saber da exposição "Olhar Portugal a partir das colecções do MNAA", apeteceu-me voltar, só para visitar o museu...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 07, 2025

A arte de Nadir Afonso nos museus (em Chaves e Boticas)


Em Chaves, ao contrário dos quatro companheiros ciclistas, tive tempo suficiente para visitar a cidade.

Como gosto de museus, assim que cheguei à cidade, estacionei o carro rente ao espaço artístico dedicado à arte de Nadir Afonso. Uma chuvada imprevista e forte fez com que mudasse de ideias e voltasse à estrada, preocupado com os aventureiros de duas rodas.

Mas eles, como de costume, estão habituados a todos os tipos de intempéries e limitei-me a segui-los de perto, até Chaves.

Depois do almoço bebemos uma água das Caldas de Chaves e despedimo-nos, rente à Ponte Romana de Trajano. 

E além de deambular pelas ruas estreitas e agradáveis do cenro histórico, visitei o castelo e a sua torre de menagem, transformada num pequeno museu militar. Depois voltei ao Museu de Nadir Afonso.

Claro que me limitei a ficar à entrada (a senhora da recepção, simpática, disse que poderia ver as vistas dali e até ir à biblioteca). O preço de entrada era cinco euros. Achei-o proibitivo para uma cidade como Chaves e para um espaço que era apenas dedicado à obra de um pintor e arquitecto.


Felizmente, fiz um desvio para Boticas e encontrei outro espaço cultural e artistico de Nadir Afonso. As entradas eram gratuitas e estava ali o essencial da obra do pintor. Por curiosidade perguntei que relação existia entre Nadir e Boticas, disseram-me que a sua Mãe nascera lá...

(Fotografias de Luís Eme - Chaves e Boticas)


sábado, março 01, 2025

Humanizar o "fantasma" de Salazar...


Li com atenção o artigo de opinião de Pacheco Pereira de hoje do "Público", sobre a participação do Arquivo Ephemera na instalação de um espaço museológico em Santa Comba Dão dedicado ao estudo do Estado Novo (Centro Interpretativo do Estado Novo - Regime e Resistência).

Quem como eu passa uma boa parte do tempo a fazer investigação histórica, a remexer papeis cheios de pó (que me fazem espirrar mais vezes do que as que queria...), ficou satisfeito com a explicação do historiador. 

Até porque a passagem da "Escola Cantina Salazar" a "Centro Interpretativo do Estado Novo" tem muitas vantagens. Além de preservar a memória desses 48 anos, quase sempre tenebrosos, vai contribuir para se acabar com a "mitificação" de um homem, que por vezes chega a ser confundido com um "fantasma". 

Como Oliveira Salazar existiu mesmo, o melhor que temos a fazer, é encará-lo de frente, com as suas virtudes e defeitos, como qualquer ser humano e dar-lhe o espaço devido na história.

Ao limparmos "a poeira" e a destapar "os panos" que cobrem este período da nossa história recente (que nos deixou bastantes marcas físicas e psicológicas...), estamos a dar outro contributo, não menos importante: esvaziamos o mito e o culto que se presta a um ditador de má memória, por uma extrema-direita (que a esta hora deve estar a torcer o nariz a esta decisão da autarquia local...), que sempre que pode, tenta branquear a história. 

É com esta transparência (muito diferente da do primeiro-ministro...) e abertura histórica, que se irá conseguir derrotar a mentira e todas as mistificações salazaristas, que se têm perpetuado no tempo.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, outubro 20, 2024

Somos, mas já não somos...


Hoje foi um dia. quase passado integralmente no Oeste, para estarmos com o nosso tio da América.

Com um almoço da família à antiga, com múltiplas viagens pelo passado, com o regresso dos avós, do pai, e claro, de muitos lugares onde fomos felizes, em quase mil aventuras, tanto em Salir de Matos, como no Bairro da nossa meninice, ou em espaços especiais, como o Parque ou o nosso Mar...

Parque que nos levou a uma revisitação do Museu do nosso Malhoa, um lugar especial na nossa infância (pensava que era só eu que o recordava com um olhar ternurento, mas o meu irmão ao almoço, quando falámos que íamos passar por lá, também nos disse que era um sítio especial, desde sempre...).

E claro, aquele espaço não nos desilude, mesmo que a sua arte tenha pouco de moderna. Talvez até seja por causa dele que sou tão "conservador" nos meus gostos artísticos...

Depois fomos ver o Mar, aquele que tem uma cara séria e uma voz de trovão. Esse mesmo, o da Foz do Arelho. Antes ainda passámos pela Lagoa de Óbidos, que nos sorriu agradada com a visita.

E depois fomos pela estrada Atlântica, até Salir do Porto e depois São Martinho do Porto.

Contei que Salir era a praia da nossa infância. Íamos no "Comboio-Correio", quase sempre lotado de veraneantes, nesses longínquos anos sessenta. Claro que mal crescemos um palmo, tanto eu como o meu irmão e os amigos do bairro, elegemos a Foz do Arelho, como a "praia da nossa vida"...

Já em São Martinho do Porto fui contando à nossa "estreante" no Oeste, que esta praia além de ser a "banheira das duquesas", era o espaço de eleição dos "betinhos", tanto do Oeste como da Capital. Além deste pormenor, eles perceberam que aquele Mar era mais "sujo". Acrescentei que também era mais sonso, não tinha nada a ver com a Foz do Arelho...

E depois foi o regresso a casa.

Quando comecei a escrever estas notas de viagem, pensava que "somos, mas já não somos", destes lugares, mesmo que eles fiquem para sempre, dentro de nós...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, outubro 14, 2024

Esta Lisboa, que está cada vez mais presa ao mapa das "cidades-cinema" e das cidades-museu"...


Ontem, quando regressava a casa, de cacilheiro, pensei que Lisboa era cada vez mais, uma das várias "cidades-cinema" europeias,  vocacionadas para se fazerem filmes, tirarem fotografias, enquanto se saboreia um pastel de nata, tudo coisas que fazem as maravilhas dos asiáticos, dos americanos, e claro, também dos europeus, de várias latitudes. 

A Europa está cheia de cidades apetecíveis para estes "realizadores" e fotógrafos" amadores, como Paris, Roma, Barcelona, Veneza, Florença, Berlim ou Londres. Mas estes lugares (se excluirmos Veneza e Florença...) além de estarem organizados para  continuarem a receber turistas, esforçam-se por ter vida própria, com os seus habitantes a quererem ser muito mais que meros figurantes, como estão a querer transformar os lisboetas, não deixam de estar em perigo.

É perigoso deixarmo-nos "prender" pelos nossos passados, por muito gloriosos que eles sejam, fazer com que as nossas vidas fiquem cada vez mais dependentes das "cidades-museu", o lado A das "cidades-cinema"...

E entretanto chegámos a Cacilhas.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sexta-feira, abril 19, 2024

A simpática Vila Franca de Xira


Hoje dei um "pulo" a Vila Franca de Xira, uma terra que me é simpática e onde me sinto bem. Penso que isso acontece por manter uma arquitectura tradicional, não se deixando "desfigurar" pelas partes novas da Cidade.

Claro que isto não tem nada a ver com o facto de ser uma "terra de touros e toureiros", embora José Júlio e Vitor Mendes (tive o grato prazer de conhecer ambos...), fossem óptimos anfitriões e mestres desta arte e tradição local.

Acho que é também por isso que gosto do Seixal. Tem uma personalidade muito própria, esforça-se por não se desligar da sua própria história.

Visitei o sempre  agradável "Museu do Neo-realismo", onde além das fotografias de Alfredo Cunha, vi uma bonita exposição de pintura de Amândio Silva, um pintor portuense que fez cem anos em 2023 (e claro, os quadros bonitos da sua colecção, em exposição permanente).

(Fotografias de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


sábado, março 30, 2024

Duas boas notícias dentro de uma (se as coisas correrem bem...)


Ainda a pensar nos Museus, a primeira boa notícia na constituição do novo Governo é a manutenção do Ministério da Cultura, algo a que o PSD costumava torcer o nariz (nunca percebi porquê).

A outra boa notícia, que acaba por estar dentro da primeira, é a escolha do ministro, aliás ministra, Dalila Rodrigues, que por onde passou deixou um rasto de competência e de vontade de mudar as coisas para melhor (foi ela que "revolucionou" e deu a importância que o Museu de Arte Antiga sempre teve, mas que se fingia não perceber...). Acabou por sair, aparentemente em conflito com os responsáveis políticos pela Cultura, por defender algo que deveria ser normal em todas as instituições, haver uma gestão própria, inclusive do orçamento.

Nos últimos anos foi a responsável pelo Mosteiro dos Jerónimos e pela Torre de Belém, onde também se verificaram algumas mudanças positivas (até por serem dos espaços culturais mais visitados de Lisboa...).

Provavelmente, não é uma pessoa fácil e maleável, para lidar com o mundo da política, onde existem sempre demasiados jogos de bastidores e hipocrisias. Mas a sua experiência (já deve ter engolido um número considerável de "sapos"...), competência e saber, são um sinal de esperança, para todas as pessoas que, de alguma forma, estão ligadas à Cultura no nosso País.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, março 29, 2024

Pois é, as "mordomias" do funcionalismo público continuam a fechar museus...


Ontem não fui apanhado pelo "dilúvio", embora tenha andado pelas ruas de Vila Franca de Xira, que ameaçavam transformar-se em pequenos rios.

Tudo isto porque, "à última hora", apeteceu-me ir ao Museu do Neo-Realismo ver a exposição de fotografia de Alfredo Cunha.

Esqueci-me foi que estávamos em véspera de feriado e que a função pública tem particularidades muito próprias, como fazer "tolerância de ponto" (sempre que podem), fechando as suas instalações ao público.

Por poucos minutos (cinco), ou talvez não, é provável que fechassem as portas antes... embora o papel afixado na entrada do museu dissesse que a partir das 13 horas as instalações estavam fechadas e só voltariam a abrir depois da Páscoa.

Embora o tempo continue apenas bom para a agricultura durante esta quadra religiosa, não consigo perceber que instituições como o Museu do Neo-Realismo, não sejam mais importantes que o "funcionalismo público", que não pensem nos turistas que costumam aproveitar os feriados para passear  e podiam querer  conhecer esta "casa de história e de histórias", que venha a Vila Franca de Xira e descubra que "está de férias"...

Vou mais longe, não percebo (nem acho que faça muito sentido...) que um Museu que queira ser visitado por pessoas, funcione no modelo "das nove às cinco" e esteja fechado aos sábados, domingos e feriados (acontece em muitos museus municipais de Norte a Sul...), que é quando as pessoas que trabalham, têm mais disponibilidade para os visitar...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


quinta-feira, fevereiro 08, 2024

Os museus são outra coisa (normalmente boa)...


Os museus nunca deverão ser "casas de terror", porque normalmente absorvem e mostram o melhor de nós.

Foi também por isso que nunca me preocupou a existência de um museu das descobertas ou dos descobrimentos. Porque nós não nos limitámos a matar, pilhar e escravizar. Só as viagens em si, foram "cruzadas do saber", em relação ao mundo que nos rodeava. Levámos-lhes coisas que pensávamos ser boas, mesmo que o termo "civilização" tenha muito que se lhe diga (embora seja uma coisa que só começou a ser discutida nos últimos 80 anos...).

Claro que não devem ser "casas de mentira" (aí estou completamente de acordo contigo...).

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, janeiro 14, 2024

A cultura serve para alguma coisa? Tem alguma utilidade para as nossas vidas?»


Sabia que um dia podia acontecer, ser questionado sobre a importância da cultura. Não estava à espera que a pergunta fosse feita por um familiar. Nem que fosse tão directa:

«A cultura serve para alguma coisa? Tem alguma utilidade para as nossas vidas?» 

Disse apenas que dependia de cada um de nós, da ideia que temos de cultura. De conseguirmos sentir que pode influenciar (ou não) de uma forma positiva as nossas vidas.

Não disse mais nada. Limitei-me a ouvir e a sorrir. 

Houve várias vozes a acharem que tudo aquilo que não se consegue autofinanciar, não devia existir. Seguiu-se um ataque directo ao teatro, por a maior parte das companhias não fazerem o mesmo que o La Féria, espectáculos que enchem as salas e são lucrativos.

Enquanto falavam eu ia pensando no que não fizemos nos últimos anos, especialmente nas escolas. A cultura é muito mais que concursos de talentos. É importante perceber que nem todos podemos ser cantores, músicos, actores, artistas plásticos ou escritores (há a ideia errada de que "podemos ser tudo o que quisermos"). Devemos sim, ser educados a compreender e a gostar do mundo das artes e letras...

E por outro lado, há coisas que não se ensinam nem explicam em lugar nenhum. O prazer que eu sinto em passear pelas salas e pelos corredores de qualquer museu, sozinho, só pela companhia dos quadros que estão a dar vida às paredes, é capaz de ser uma coisa pouco comum. Até pode ter a ver com alguma "anomalia" pessoal... Sim, ninguém nasce perfeito.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 10, 2023

A transformação de homens fora do comum em "homens-museu"...


Esta sociedade que produz os políticos medíocres que nos governam (e se governam) é a mesma que foge a sete pés de homens fora do comum, que têm ideias sólidas sobre a construção do tal País, que parece ter tudo para ser diferente, para melhor.

Há três homens que apesar de terem lutado uma boa parte das suas vidas contra mil e um obstáculos, foram de tal forma superiores nas suas actividades, que a mediocridade não conseguiu levar a melhor contra eles. Falo de Gonçalo Ribeiro Teles, Mário Moniz Pereira e Álvaro Siza Vieira (felizmente ainda está entre nós...), que ainda por cima tiveram longas vidas, para desassossego das alminhas que os enchiam de sorrisos e salamaleques, mas o que queriam mesmo era vê-los pelas costas, porque eram (e são) pessoas "chatas"...

Preferiam oferecer-lhes medalhas, comendas, nomes de salas, nomes de pavilhões ou nomes de ruas,  a executar as suas boas ideias, que tinham feito de Portugal um país muito melhor.

Moniz Pereira como era um grande teimoso e um grande trabalhador, conseguiu quase o "impossível" e ofereceu-nos o nosso primeiro Campeão Olímpico. Siza Vieira foi por esse mundo fora e fez por lá o que não o deixaram fazer por cá, deixando alguns "deuses menores" cá do burgo com a boca de lado.

Gonçalo Ribeiro Teles, embora até tenha chegado a ministro, foi quem se viu mais defraudado das suas ideias válidas ao nível do ambiente, da agricultura e do ordenamento do território. Se tivessem aproveitado um décimo dos seus ensinamentos, o que se tinha poupado em área ardida e cheias no nosso País... (claro que havia muitos construtores e políticos que não teriam enriquecido, ao transformarem leitos de cheia em bairros, assim como bastantes madeireiros e industriais das celuloses, que fizeram do eucalipto o "rei" das nossas matas e florestas, que ficavam com os bolsos mais vazios...).

Como não conseguem combater com estes talentos fora do comum, assim que podem, os governantes medíocres do costume, transformam-nos em "homens-museu". Gente para "adorar" mas não para "ouvir"...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


quinta-feira, dezembro 16, 2021

Os Museus, as Exposições e as Pessoas Especiais...


Hoje voltei ao Museu da Cidade (os governantes que estão no poder resolveram "baptizá-lo" de novo e agora pensam que é o Museu de Almada, mas estão enganados, continua a ser o "Museu da Cidade"...) para ver, finalmente, as exposições de fotografia de Vitor Cid e de Leslie Howard.

Embora não tivesse um guia, acabei por ter outra coisa melhor, uma cúmplice, capaz de me dar algumas informações preciosas (especialmente sobre este inglês que viveu na Margem Sul...), ao mesmo tempo que íamos conversando sobre algumas pessoas e lugares que resolviam aparecer, aqui e ali, acabando por se meterem na conversa.

Voltei a ver a exposição "Entre Dois Mares e um Rio", que me deixara ligeiramente desiludido. Com uma ou outra explicação da minha companheira de jornada, acabei por descobrir alguns sentidos, que mesmo sem estarem muito à mostra, fazem todo o sentido.

Quando vinha para casa acabei por pensar que, apesar de gostar bastante de ver exposições sozinho (gosto muito de caminhar entre quadros, estátuas, instalações, parando aqui e ali, quando sinto que é mesmo necessário "olhar com olhos de ver"...), não há nada melhor que visitar uma exposição na companhia do próprio autor ou de alguém que nos possa satisfazer a curiosidade e oferecer mais saber.

E lá voltei a recordar a melhor visita guiada que tive, na "Casa Museu Lagoa Henriques", guiado por este excelente escultor e comunicador (ficava ao lado do seu atelier em Belém e foi engolida pelo tempo e pela vontade de "alguém" que não gostava do Mestre...). Durante mais de duas horas o Mestre Lagoa Henriques contou-me a história de cada peça exposta, juntando um ou outro episódio mais pitoresco, que acabaram por ser importantes no seu processo criativo. Ainda o consigo ouvir a comunicar, como só ele sabia, com a voz, com o olhar, com as mãos e com os braços...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)


sábado, outubro 30, 2021

A Sinceridade às Vezes faz Doer...


Eu sei que a sinceridade às vezes faz doer. E esse é um dos motivos porque mentimos mais vezes do que queríamos, porque não temos grande prazer em magoar as pessoas de quem gostamos.

Um dia destes fui ver uma exposição e quando saí fiquei com uma sensação estranha, entre a desilusão e a indiferença. Não era o que esperava, vá-se lá saber porquê.

Já no jardim do museu cruzei-me com uma das coordenadoras da exposição, sempre simpática, com quem troquei algumas palavras. Perguntou-me se me tinha encontrado com outra amiga, disse-lhe que não, que tinha decidido ver a exposição por passar ali ao lado (e foi mesmo isso que aconteceu... como faltavam nove minutos para o próximo metro para Cacilhas, achei boa ideia caminhar a pé até casa. E quando reparei no museu, resolvi passar por lá...).

Não quis falar com ninguém porque preferi ver a exposição de uma forma quase anónima. Claro que aquele encontro fez com que a Ana me perguntasse o que achara da exposição e eu não consegui mentir... Disse-lhe que estava à espera de outra coisa. Percebi que ela também estava à espera de outra resposta. Ainda me desculpei com o título, que por ser demasiado abrangente (e ambicioso...), fez com que eu esperasse uma exposição diferente "com mais mar e com mais rio", mas já era tarde para voltar atrás...

Assim que lhe virei costas, senti logo que não devia ter sido tão sincero. Fiquei a pensar que o seu trabalho e criatividade mereciam mais respeito...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, julho 13, 2020

Compadrio, Incompetência e Comunismo


Não deixa de ser estranho, que num país onde a "cunha" e o "compadrio" continuam a dominar a toda a linha o mundo do trabalho, a escolha de uma ex-deputada, por um júri qualificado, para directora do Museu do Aljube, continue a fazer tanta comichão a historiadores, jornalistas, políticos e comentadores.

Embora não tenha formação em história e museologia (é formada em Ciência Política e Relações Internacionais), segundo o júri, Rita Rato foi quem apresentou um melhor projecto para o Museu e quem melhor os seduziu e convenceu nas entrevistas.

Será que o problema é a Rita ser comunista? Ou o que disse, ou não disse, numa entrevista em 2009, sobre o passado do comunismo na China, na União Soviética ou na Coreia do Norte? Ou é o "papão", que de vez em quando volta? Ou será que os elementos do júri eram todos comunistas? (não podemos excluir nenhuma possibilidade...)

Até parece que este não é o país onde existem dezenas de casos de escolhas (não de concursos...), de ministros e secretários de Estado (de gestores públicos o melhor é nem sequer falar...), que a única marca que fica nas suas passagens governativas, é a incompetência e o desconhecimento sobre as áreas para a qual são convidados a servir o país...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)