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domingo, janeiro 04, 2026

O nosso habitual "baixar de calças" aos Estados Unidos da América...


As reacções do ministro dos Negócios Estrangeiros e do Primeiro-Ministro ao que aconteceu na Venezuela são cínicas e hipócritas, como é costume, no que toca às acções dos EUA.

Não temos grandes dúvidas que se fosse o PS que estivesse no poder, as reacções não seriam muito diferentes. Provavelmente escolhiam outras palavras, para não se "comprometerem", com qualquer um dos lados. Mas não acredito que se manifestassem contra os EUA.

O mais fácil é refugiarmo-nos atrás das eleições fraudulentas que mantiveram Maduro no poder e falar na esperança de um novo país, democrata, sem se dizer qualquer palavra contra esta invasão dos EUA, que conseguiu capturar o presidente.

Como já se percebeu, o direito internacional é uma "treta", pelo menos para Trump, tal como a independência e autonomia das nações...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, fevereiro 18, 2025

Ter e não ter memória, gostar e não gostar de liberdade...


Talvez quem tenha a memória mais fresca, quem nunca conseguiu deitar fora as piores coisas que lhe aconteceram durante as ditaduras salazarista e marcelista, se sinta mais chocado, e até envergonhado, com o que se está a passar à nossa volta. 

Talvez.

É por isso que o Mário, por muito que se esforce, não consegue perceber como é que se chegou até aqui, como é que as pessoas têm sido capazes de eleger quem lhes quer dar cabo da vida e roubar direitos, que ofendem a dignidade de todos nós como humanos.

Não entende, sobretudo as mulheres. Elas que deviam fazer toda a diferença e que são pelo menos metade da população do planeta. Como eu o percebi quando ele disse que, talvez muitas sonhem com o regresso à sua vidinha de donas de casa e a voltarem a ter um "dono"...

Não disse quase nada. O Mário disse quase tudo. Quem ama a liberdade e têm a mania que somos todos iguais tem ainda mais dificuldade em perceber tudo isto que se está a passar à nossa volta...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, janeiro 08, 2023

Os Nossos Governantes a Fingir e a habitual Aproximação à Latino-América...


Sempre houve tendência para olharmos para os problemas do nosso país, como se fossemos um "oásis da Europa", no pior sentido.

Parece que não conseguimos fugir da "sina", que nos persegue há séculos, de sermos governados por gente que se limita a fingir que governa (o Costa limita-se a seguir a "cartilha"...). Há muitas teorias e muitos teóricos, que explicam o quase inexplicável (só não conseguem solucionar o problema...).

Alguns até vão buscar influências à nossa posição geográfica, na ponta mais ocidental do continente europeu.

Talvez seja por isso que se nota a tentação de ir rebuscar as palavras de Eça de Queirós, com mais de um século, embora seja provável que até existam escritos anteriores, onde também seja possível encontrar algumas das críticas que parecem continuar actuais, na nossa caracterização como povo (há até quem vá até ao Viriato, quando ainda nem existia o nosso reino, por ter ficado registado na história que ele "não se governava nem se deixava governar"...).

E depois fala-se da nossa colagem ao "terceiro mundo", com aproximações à "Latina-América". E lá vem a geografia... Se não fosse o Atlântico, estávamos logo ali ao lado...

Sempre achei esta comparação injusta, porque fomos nós e os espanhóis, maioritariamente, que povoámos todo o continente sul americano (claro que já existiam os nativos e também temos de contar com a quantidade de escravos que levámos de África para a América...).

Ou seja, se há alguém que é o "pai da criança", somos nós e os nossos vizinhos (embora estes sejam muito diferentes de nós...).

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, julho 07, 2022

A já Velha Hipocrísia Norte-Americana


Sei que os norte-americanos nunca foram um bom exemplo de quase nada, para o mundo. Sempre acenaram com a "bandeira" do país mais livre do planeta, mas nunca passou disso mesmo, de uma bandeira.

Não é por isso de estranhar o retrocesso na lei do aborto, muito menos o eternamente adiado "debate" sobre a venda e o uso e porte de armas.

Sempre que há mais um "louco" que decide fazer dos seus semelhantes alvos, apenas porque sim, lá surge nas televisões a velha afirmação dos políticos: "Temos de acabar com estes atentados, temos de fazer um debate sério e alterar a lei das armas."

No dia seguinte finge-se que não se passou nada e o assunto fica resolvido, "à americana" (como tantos outros...).

É esta mesma hipocrisia, que alimenta o falso puritanismo, capaz de censurar filmes e livros. Porque o importante continua a ser o "parecer". E só se consegue manter erguida a capa do "melhor país do mundo", alimentando os vícios privados e as virtudes públicas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, janeiro 03, 2022

Quando os Títulos Enganam e os Livros pedem para ser Lidos de Seguida...


Há muito tempo tempo que não lia um romance em apenas 24 horas. E o giro da coisa, foi ter acontecido quase por acaso. 

Como tenho andado em arrumações, houve muitos livros que "submergiram" e ficaram depositados numa estante provisória. "Conflito em Palmyra" de Erskine Caldwell, foi um deles.

Peguei nele na manhã de ontem e acabei de o ler na cama (já era tarde, mas não tinha sono e fui lendo até chegar à última página...), já de madrugada.

Numa conversa sobre livros, o Carlos Alberto disse-me que "Conflito em Palmyra" fora um dos melhores romances que lera. Acabámos por não falar de pormenores, mas uma vez encontrei um exemplar na Feira da Ladra e acabei por o comprar.

O mais curioso, é que o título sugeria-me uma história sobre um dos muitos conflitos do Oriente. Estava longe de pensar que se tratava de uma romance sobre a América sulista e racista, passada numa pequena terreola norte-americana...

(Fotografia de Luís Eme -  Fonte da Pipa)


quinta-feira, abril 16, 2020

"Hasta la Vista" Luís...


Luís Sepúlveda deixou-nos. 

Foi sempre um autor especial para mim...

Conhecemos-nos por um mero acaso, quando  "O Velho que Lia Romances de Amor", me veio parar às mãos, em 1995. Foi bom voltar a sentir o realismo mágico latino-americano (que já conhecia graças a Garcia Márquez ou Rulfo...). 

É por isso que é o autor sul-americano de quem li mais livros (doze, de 1995 a 2018, de "O Velho que Lia Romances de Amor" à "A Lâmpada de Aladino"...), porque quando gosto de um escritor, costumo ler todos os seus livros que se aproximam de mim.

Numa altura em que a Gazeta das Caldas" se interessou pelas pessoas que escreviam livros com ligações à Cidade (deverá ter sido nas comemorações Dia do Livro, graças à Isabel da  saudosa "Livraria 107"...) pediram-me um texto para um suplemento, publicado no semanário sobre os "livros da minha vida". Fiz dois textos, um primeiro não com um, mas com os meus "dez livros". Mas depois preferi escolher um autor e acabei por escrever o texto definitivo sobre Luís Sepúlveda...

Não recuperei o jornal (deverá estar "perdido" na garagem...), nem sei exactamente a data em que o suplemento foi publicado, mas consegui descobrir o texto num dos meus discos externos (com uma última revisão em 2008). 

Ele fala muito do que eu sou como leitor. Como é um pouco longo, vou transcrever as partes que considero essenciais:

«As minhas preferências ficam-se em alguns aspectos que considero fundamentais. O principal é a história que está dentro de cada livro e que nos dá a possibilidade de viajar no tempo, conhecendo pessoas e lugares, com um encantamento especial. Desde que escrevo, as minhas escolhas também se envolvem num outro detalhe particular, sentir ao longo das páginas, que vou lendo com um prazer desmedido, que gostava de ser o seu autor.
Olhando para trás, penso que "O Velho que Lia Romances de Amor" foi um dos últimos livros, na qual senti isso.
É sempre reconfortante apreender que se pode construir uma bonita história a partir de coisas simples...
Outro facto que faz com que me identifique com o meu homónimo chileno, é o facto da sua escrita ter parágrafos curtos e não utilizar grandes artifícios na linguagem (o jornalismo deixa sempre rasto...).
Quando a personagem principal (António Bolívar) sabia ler, mas não sabia escrever e preferia livros com sofrimentos, amores infelizes e desfechos felizes, podia ser o princípio do fim de qualquer história, mas não, pelo menos com Luís Sepúlveda.
Toda a obra de Sepúlveda é amorável, leva-nos de viagem pelos muitos encantos e tragédias humanas da "latina-américa" do Sul, mas este romance é especial, é um hino de amor à vida, à aventura, à natureza e à poesia.»

"Hasta la vista", Luís...

(Foto de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, novembro 12, 2019

Nunca Sabemos o que se Esconde Atrás dos Muros de Nuvens...


O que aconteceu na Bolívia nos últimos dias, é apenas mais um dos vários golpes políticos, que têm conseguido virar de pernas para o ar, os vários países da Latina-América, quando tentam caminhar na direcção das "setas" indicadoras do socialismo e do comunismo.

Mesmo que não seja adepto das "teorias de conspiração", não posso deixar de pensar nos relatos de alguns amigos comunistas, que sempre que acontece algo de anormal por aqueles lados, apontam o dedo à CIA e aos EUA. 

E se estivermos atentos à história recente da América do Sul, é difícil não lhes dar razão...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, maio 17, 2019

Gostar de Argentina Sem a Conhecer


Durante o almoço fiquei a saber que a sobrinha de um amigo andava pela "Latina-América", com passagens pelo México e Argentina, em trabalho.

Acabámos por falar dos países que são mais como nós.

Contei-lhes que, quando andei por Itália, senti-me mais em Portugal, que na meia-dúzia de vezes que visitei Espanha, apesar de ficar aqui mesmo ao lado. 

Não sei se isso acontece apenas pela sujidade, pela desarrumação ou pelo desenrascanço, sei que me senti mais próximo dos italianos que dos espanhóis...

E fui ainda mais longe. Disse que o país que me despertava mais interesse em conhecer da "Latina-América", era a Argentina (mais ainda que o Brasil...). 

E o mais curioso, é ter quase a certeza (sem conhecer...) que Buenos Aires não me vai desiludir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Pensar, Viajar e Olhar...


Não sou muito viajado, pelo menos para fora do nosso país.

Faço contas de cabeça e reparo que nunca sai da Europa.

Durante estas contas percebo que há lugares que não quero visitar. Sei que não terei qualquer prazer em estar à janela de um hotel, com vista para bairros de lata ou favelas. 

Muitas vezes penso: ainda bem que não tenho nenhum fascínio especial pelos continentes africanos ou asiáticos (e não tenho mesmo... talvez por nunca lá ter estado). 

É aí que me lembro da "Latina-América". Sim, há o Brasil e a Argentina, o Rio de Janeiro e Buenos Aires, que imagino sempre mais portuguesa que o Rio, por exemplo (a imaginação tem destas coisas). 

Claro que ainda não desisti da viagem para as "latinas-américas". Talvez possa escolher um hotel com vista para uma rua esconsa, como aqueles de Paris, mais baratinhos, sem ter de ver o horizonte da grande cidade...

(Fotografia de Luís Eme - Paris)