Mostrar mensagens com a etiqueta Imigrantes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Imigrantes. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, janeiro 27, 2025

Quando o que é normal parece ser entendido como "aberrante"...


Não é de agora, que o para nós parece normal e razoável, para os outros é uma coisa estranha e diferente.

O curioso, é ainda estranharmos estes comportamentos.

Estou a falar das palavras de Pedro Nuno Santos ao "Expresso", que fez com alguns dos seus opositores internos saíssem da "toca" para criticarem a sua opinião sobre a imigração.

O que ele disse é o que quase todos pensamos (se excluirmos os extremistas dos dos lados da política...). De uma forma simplista, ele disse que quem chega a um país, tem de respeitar as suas leis e a forma como se vive em sociedade. Ou seja, devem integrar-se e não viver em "guetos". E devemos ser rigorosos nestes aspectos. Quem não gostar ou não quiser cumprir as nossas normas, só tem de fazer as malinhas e ir para outras bandas.

O exemplo dos portugueses é exemplar, pois foi isto que sempre fizemos, em séculos de emigração pelos vários cantos do mundo. Sempre nos tentámos integrar nos países para onde fomos viver. E esse é que deve ser o comportamento normal de quem chega, vindo da China ou da Dinamarca.

Sei que o PS parece muitas vezes um "saco de gatos". E embora muito boa gente entenda isso como democracia, haver sempre várias vias de "socialismo", e claro, oposições internas, acho que não é lá muito democrático, alguém estar à espera de um qualquer "deslize", para sair da sombra e mostrar as "garras". Faz lembrar um pouco aqueles cães que estão escondidos e aparecem do nada a ladrarem atrás de nós, a fingirem que têm vontade de nos morder os calcanhares.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, dezembro 08, 2024

A Europa não é o Oriente...


Há uma questão da qual nunca se fala, quando nos referimos às diferenças sociais, atribuídas às crenças e credos religiosos.

Estava a ver duas mães rodeadas dos filhos, a pescarem, rente ao Tejo, ainda em Cacilhas, no começo do Ginjal, com o rosto tapado com as suas "burkas" e fiquei a pensar nas crianças que as rodeavam.

Por muito que os pais insistam em "viver numa ilha", eles com toda a certeza, andam na escola, até porque é decisivo que aprendam português, para serem cidadãos como nós, para conhecerem melhor este mundo diferente que os cerca.

Será que eles acham graça a este "baile de máscaras" protagonizado diariamente pelas suas mães (sei que ainda há uma pergunta a fazer antes desta, é se estas mulheres se sentem confortáveis, quando circulam de rosto escondido, nas nossas ruas...)?

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, novembro 05, 2024

A globalidade e a "estranheza humana" (para não lhe chamar uma coisa pior)...


A história sempre nos disse que o "animal" mais estranho que vivia na Terra era o homem (e a mulher, claro). 

Isso acontece, porque, apesar de termos uma coisa que chamamos inteligência, que nos diferencia dos restantes animais, nem sempre a usamos da melhor maneira...

Nem vou falar das guerras - a coisa mais estúpida e animalesca que fazemos -, que nos coloca quase no fim da fila, em relação aos outros animais, que matam quase sempre apenas por uma questão de sobrevivência, e não por mera ambição pessoal ou conquista de poder.

Falo sim de toda a "globalidade" virtual conquistada, da forma como o mundo se aproximou, como os continentes mais afastados passaram a estar quase logo ali, depois da fronteira de Vale Formoso. 

Curiosamente, ou não, esta "globalidade", só é bem aceite, virtualmente. Todos aqueles que chegam de fora, de outros continentes (a excepção são os turistas, que são olhados não como pessoas, mas sim como "galinhas que cagam ouro"), não são bem aceites, são olhados de lado. E se tiverem a pele mais escura, ainda pior...

Ou seja, queremos o mundo já ali, depois da esquina, mas apenas dentro dos computadores e smartphones...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, agosto 21, 2024

O problema do nosso País não é o de não se querer trabalhar, mas sim o de existir trabalho a mais...


Já escrevi sobre isso mais que uma vez.

Talvez  a clareza não fosse a desejada...

No nosso país não existe mão de obra disponível para as necessidades da hotelaria, da restauração e da agricultura (mesmo que esta seja sazonal e deixe bastante gente sem fazer nada durante uns meses...). 

Utilizem os "fascistas" o discurso que quiserem (eu sei que é só conversa...), para ganharem os votos das pessoas pequeninas, que não só têm medo de "quem vem de fora", como os culpam de "todos os males do país".

Os capitalistas que alimentam os partidos de direita, são os primeiros a preferirem a "gente de fora" para as suas empresas, porque são sinónimo de mais exploração e mais lucro.

Quem enche a boca com a frase de que "os portugueses não querem trabalhar", devia olhar com olhos de ver para a realidade do nosso País, com uma população cada vez mais envelhecida. Pior que isso, é a relação cada vez mais desigual entre empregador e empregado, empurrando os nossos jovens mais qualificados para fora de Portugal, onde encontram trabalho mais bem pago e com melhores condições, e não a precaridade e a exploração, que são a marca deste país, cada vez mais miserável, que tem tudo para acabar mal, como de costume...

Só não vê quem não quer, que o problema actual do nosso país não é o de não se querer trabalhar, mais sim, o de existir trabalho a mais (em todos os sectores, da saúde à educação, passando pelos serviços...).

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)


terça-feira, agosto 20, 2024

Contradições de um país pequenino...


As notícias deste nosso pequeno país além de serem contraditórias andam em sentido contrário das dos países europeus mais desenvolvidos.

Continuam a nascer hotéis, hostels e restaurantes quase diariamente, um pouco por todo o lado, com a benção deste Governo (ou de outro qualquer que por lá estivesse...), como se o turismo nunca mais parasse de "pôr ovos de ouro".

Curiosamente, ou não, também apareceram nos notíciários uns donos de restaurantes a falarem de "crise", de quebra de receitas, de menos clientes. E esta? 

O normal é que as curvas ascendentes se tornem rectas, e depois comecem a descer. Ainda por cima o nosso país está longe de ser o paraíso com que é vendido lá fora...

Colado a este crescimento, está também o aumento da "imigração maldita", ao ponto do partido da extrema-direita, querer impor quotas de entrada a esta pobre gente, que tem quase o "selo de escravo" na testa, e que se limita a fazer o que uma boa parte dos portugueses não estão dispostos a fazer (trabalho que é pago, quase sempre abaixo do ordenado mínimo)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, junho 20, 2024

Os cheiros e outras coisas parvas que fazem parte das conversas


Há dias que falamos sobre coisas parvas. Sei que isso acontece porque este mundo que nos rodeia, também está cada vez mais parvo...

Não vou ao exagero de dizer que está tudo mal nessa coisa que dizem ser a mais inteligente que habita neste planeta quase redondo. Mas o normal é encontrarmos mais caras sisudas que caras sorridentes nas ruas e nos transportes públicos.

Não sei quem foi que começou a falar de "cheiros", mas acho que foi a senhora que disse que teve de fingir que estava com alergia logo de manhã e tapar o nariz, e logo às oito e alguns minutos da manhã, porque um dos companheiros de viagem não devia gastar dinheiro em desodorizantes e também devia evitar tomar banho para poupar água...

Claro que depois a Capital quase que veio abaixo, porque Lisboa há muito que não cheira bem. E diziam eles, que era por causa de quem vinha de fora, não de férias mas em trabalho...

Estavam certos. Se em muitas casas vivem mais de uma dezena de pessoas, deve ser complicado ter condições para dormir, quanto mais para um banhito... E nem vale a pena falar de quem vive em tendas.

Vá lá que só se falou do cheiro do sovaco, não se falou do cheiro dos lugares mais recatados, que fazem as vezes de urinol público...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, junho 11, 2024

A tentação de erguer muros...


O Ginjal está longe de ser "uma terra de ninguém", mesmo assim tem sido um espaço fértil em ocupações, de imigrantes de mais de uma nacionalidade. Um dos barrações, onde esteve alojado o Clube Náutico de Almada foi ocupado por "pseudo-artistas", que andam ao "lixo" pelas ruas da cidade, provavelmente quando esta dorme e criaram uma espécie de "quermesse", com livros, quadros, fotografias e mil e uma bugigangas, que devem vender à melhor oferta.

Só entrei naquele espaço logo no início, quando ainda estava aberto e eles ocupavam um espaço mais recatado. Pouco tempo depois começaram a colocar madeiras nas janelas e portas improvisadas, tornando o que era aparentemente público (abandonado, mesmo com donos...) em privado. Nunca liguei muito a este comportamento, que é mais normal do que parece. Quem ocupa, tenta tornar esses espaços seus...

Mas o que estranhei foi terem erguido agora, um muro em cimento, num espaço antes aberto (será para terem também o seu quintal "reservado"?)... 

Pois é... Mesmo quem vive às vezes preso entre muros, por muito que clame pela liberdade, assim que pode, faz também o seu murozito de estimação...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, junho 06, 2024

Uma coisa é um coisa, outra coisa, é outra coisa...


Nas campanhas eleitorais devia ser proibido resolver (ou fingir que resolvem...) problemas, como aconteceu agora com a imigração.

O pior de tudo é a mistura que se faz de quem trabalha e tenta ter uma vida normal (a maior parte das pessoas que forma filas na AIMA...), e de quem vive "do ar", que tornou alguns largos e praças de Lisboa em pequenos parques de campismo clandestinos, sem quaisquer condições higiénicas ou de salubridade, e que têm tido a sorte de as polícias portugueses estarem mais preocupadas com seu o subsídio de risco que em cumprir as suas funções de segurança e fingem que não os vêm nas ruas (caso contrário muitos já tinham sido "deslocados" à bastonada)...

E quem é esta gente que "vive do ar"? São pelo menos dois tipos de pessoas: as que gostam de vagabundear, que encontraram em Portugal, um país onde reina mais a anarquia, que em Espanha, por exemplo (para não ir mais longe) onde muitas leis não são para cumprir e se finge que "está tudo bem"; e as que foram "contratadas" para trabalhos sanzonais (agricultura e hotelaria) e que quando deixaram de ser necessárias, foram abandonadas à sua sorte, acabando pro se deslocar para a Capital, porque há sempre a ilusão de que é mais fácil encontrar um trabalho qualquer por lá.

Estas situações não irão mudar, também por duas razões: os maus patrões vão continuar a explorar esta mão de obra barata, descartando-a, quando deixa de ser boa para o negócio; e qualquer pessoa poderá continuar a entrar no país, sem qualquer controle (a única vigilância com alguma eficácia faz-se nos aeroportos), por terra e mar...

O problema é que todas estas "misturas" só fazem com que aumente o racismo e a xenofobia entre nós, dando força a uma extrema-direita sem qualquer princípio humanista.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, fevereiro 03, 2024

«O problema é que há cada vez mais gente pobre no nosso País»


Normalmente quando conversamos, conseguimos alargar os nossos horizontes e as nossas perspectivas sobre quase todos os problemas que nos cercam.

Foi o que aconteceu quando falei ao telemóvel com um dos meus amigos, que além de me ler nos blogues gosta mesmo é de comentar ao vivo (devem contar-se com os dedos de uma mão os comentários que escreveu na respectiva caixa...) o que escrevo.

Como está a quase três centenas de quilómetros da nossa urbe, não foi possível conversarmos na nossa velha esplanada (cada vez mais entregue aos pombos, como ele gosta de dizer...).

Falámos do que escrevi ontem e da miséria que não se esconde nos países democratas, como o nosso. O Adriano começou logo por dizer: «O problema é que há cada vez mais gente pobre no nosso País.»

Tanto em relação à imigração como em relação à saúde, educação, habitação, segurança, agricultura (e quase tudo...), os dois últimos governos socialistas fingiram que governavam e que resolviam os problemas, embora continuassem mais preocupados em ser "bons alunos" (Costa quis ser ainda melhor que Coelho...) e "poupar dinheiro", esquecendo-se do perigo das "bolas de neve", quando se tornam gigantescas (mesmo em países em quase que só cai neve na Serra mais alta...).

Estivemos de acordo em quase tudo, e sim, todos os problemas estão interligados. Existe gente a mais, oriunda de outros países, muitos ilegais, e por isso mesmo, têm mais dificuldade em arranjar emprego (os que arranjam são ainda mal pagos que os "legais", devido às circunstâncias...).

Não é por acaso, que ao final do dia, surgem tantos acampamentos clandestinos, em quase todas as zonas da cidade, onde existe um jardim ou um campo baldio (esquecendo os residentes fixos de avenidas como a Almirante Reis ou do Parque das Nações...). 

Quem está mais a par desta realidade são as associações humanitárias que continuam a distribuir refeições e bens essenciais aos "sem abrigo". Conhecem melhor o fenómeno que as próprias autoridades, que se limitam a fazer rondas dentro dos respectivos carrinhos "tinoni", sem sequer olharem para estes novos "guethos"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)