segunda-feira, dezembro 31, 2018

«Tudo é possível, até o impossível»


Este ano de 2018, que se está quase a despedir, foi um ano curioso, para não lhe chamar outra coisa.

Aconteceu um pouco de tudo. Houve dois ou três episódios, que não só me ajudaram a seguir outros rumos, como fizeram com que percebesse, ainda melhor, a natureza humana (vi com mais nitidez o que as pessoas são capazes de fazer, para se manterem no poder - por mais pequeno que ele seja...).

Uma das coisas mais positivas, foi ter conseguido mais tempo para mim, para fazer coisas que me dão prazer. 

Andei mais, por aqui e ali, a descobrir coisas. Li muito. Nunca tinha lido tantos livros num só ano (quarenta e nove...). E claro que também escrevi bastante. Até aqui no "Largo" (foi o ano que escrevi mais textos, 314, com este de despedida de 2018). E para não variar, fotografei, exageradamente, muitas vezes apenas por que sim (deve ter sido por isso que utilizei tantas fotografias da minha autoria nos meus blogues. 273 no "Largo", 76 no "Casario" e 31 nas "Viagens", nada mais nada menos que 380 imagens).

É também por isso que espero por 2019, com grande tranquilidade. Embora esteja envolvido em meia-dúzia de projectos, colectivos e individuais, não há nenhum que seja decisivo, para o que quer que seja. São apenas, para desenvolver, sem pressões, sem prazos. O que é muito bom. Pois todos eles têm tempo suficiente para respirar e para decidirem "o que querem mesmo fazer da vidinha"...

Para terminar, desejo um bom ano de 2019, também tranquilo e inspirador, para todos os visitantes do "Largo".

(Fotografia de Luís Eme - O cartaz do "Regresso da Mary Poppins", não aparece aqui por acaso, ele diz-nos que «tudo é possível, até o impossível)

domingo, dezembro 30, 2018

Viver à Sombra da História da Gastronomia de Cacilhas...


As minhas últimas visitas a restaurantes cacilhenses, ofereceram-me sempre histórias para contar, mas daquelas que não são muito boas para recordar.

A última passou-se na noite de 26 de Dezembro, e acabou por ser a mais caricata de todas (por se terem passado coisas que ainda nunca me tinham acontecido, em qualquer "casa de pasto"...).

Fizemos os nossos pedidos e só meia-hora depois, quando o prato do meu filho já estava na mesa, é que informaram a minha companheira, de que afinal não tinham o peixe que ela pedira... Acabou por pedir outra coisa, depois de perguntar se não lhe poderiam ter dito logo que já não tinham aquele prato. 

Mas o pior ainda estava para vir...

Quando eu e o meu filho já estávamos quase a acabar a refeição, perguntámos pelo prato da minha filha... o empregado atrapalhado correu para a cozinha e percebemos pela conversa que alguém se esquecera de o registar... e confeccionar. Mas não tiveram coragem de o dizer, só quando foram confrontados, é que o assumiram e se encheram de desculpas.

Como devem calcular mostrámos o nosso descontentamento, falando inclusive da forma displicente como fomos servidos. Pois nem sequer se preocuparam em trazer os pratos pedidos sensivelmente ao mesmo tempo, como se fossemos uns estranhos...

Lá estiveram a fazer o prato à pressa, mal confeccionado, para variar...

É importante deixar registada esta estatística; nas últimas seis vezes que fomos a restaurantes cacilhenses, quatro fomos mal servidos (e não menos importante, os preços na ementa nunca pararam de subir...). 

Moral da história: nos próximos tempos, temos uma certeza, não iremos almoçar ou jantar a Cacilhas.

Mas lamentamos este quase "ultraje", que prejudica a gastronomia e o turismo local, por alguns comerciantes não saberem lidar muito bem com a "galinha de ovos de ouro" que têm nas mãos. Era bom que as suas preocupações não se limitassem à subida dos preços das refeições, porque a qualidade da alimentação e do serviço, são determinantes para que os clientes voltem às suas casas.

Se pensam que os "turistas são para enganar, por que só passam por cá uma vez" (embora depois todos os clientes acabem por ser vitimas da mesma "filosofia"...), o tempo acabará por lhes dar a melhor das lições...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 29, 2018

Olhares & Pensamentos


Olho para a minha secretária e para tudo o que a rodeia, com a sensação que ainda não vai ser este ano que ela fica, completamente preparada para um novo ano, embora merecesse uma arrumação...

Sei que, se pensar bem, é melhor não mudar muito as coisas, porque há projectos de 2018 que vão ser transportados para 2019... Ainda há minutos comecei um ensaio biográfico que será desenvolvido no ano que nos espreita, e que hoje até me pareceu melhor, que na sua antevisão. 

Acho que fiz isso para que ficasse com o selo deste ano, que já se finge cansado. Não lhe queria sentir o cheiro a "novo"...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 27, 2018

Ir à Praia em Dezembro...


Se tivesse que dar uma legenda a esta fotografia, tirada ontem à tarde, na Fonte da Telha, não seria fácil...

Poderia falar de "movimento", ou até de "dança"...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 24, 2018

"Natal à Beira-Rio"


Natal à Beira-Rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado...
É noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem se perdeu na terra.
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem agora conduzir-me
à Beira deste cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 23, 2018

«Não te preocupes, ninguém lê o Eça hoje em dia.»


A conversa começou a "ganhar velocidade" graças a mais  uma transcrição criativa do famoso Eça de Queirós (Ele, tal como Pessoa, Junqueiro, Ortigão, e outros, fartam-se de ser citados, com palavras dos outros...).

O Carlos quase que batia com o pé na calçada portuguesa, que aquilo já era invenção a mais, entre outras coisas mais profundas.

Só o Henrique é que o conseguiu calar com uma tirada actual, dita com a maior calma do mundo: «Não te preocupes, ninguém lê o Eça hoje em dia. Mesmo os alunos e os professores ficam-se pelos resumos que se vendem nas livrarias...»

E ainda foi mais longe: «Achas que alguém está preocupado em saber o que é que o Eça ou o Junqueiro disseram há cem anos? Ninguém. A malta gosta é das adaptações modernas colocadas no facebook

Fomos obrigados a sorrir e a aceitar os argumentos de uma das nossas "vozes da sabedoria".

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 22, 2018

A Publicidade Diária de que "O Crime Compensa"...


Achei piada o desabafo do senhor de idade, quando a companheira lhe disse, provavelmente por se sentirem enganados por alguém, que andava meio mundo a enganar o outro meio: «Oh mulher, olha que eles já são muito mais de metade.»

Fiquei a pensar naquelas palavras, entre a rudeza e a experiência de vida, e tanto eu como os meus botões concordámos com o homem, cansado como uma boa parte de nós, de escutar diariamente na televisão, casos e mais casos de corrupção protagonizados por gente que se apropriou de milhões (a lista não tem apenas banqueiros, há também  antigos ministros e secretários de estado, autarcas, gestores, dirigentes associativos, etc). Gente que continua em liberdade e a viver de uma forma faustosa.

Cada vez tenho menos dúvidas que a forma como a nossa justiça funciona (lenta, tendenciosa e injusta), é determinante para o aumento de vigaristas, um pouco por todo o lado, "desequilibrando a balança".

E tudo graças à publicidade diária, de que "o crime compensa"... 

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 21, 2018

Populismo? Não, Obrigado!


A resposta dos portugueses aos muitos convites para vestirem coletes amarelos hoje (que falta de imaginação...), foi a que se esperava (ou a que eu esperava).

Se por um lado, os revolucionários das "redes sociais" continuam a ter alguma dificuldade (e medo) em entrar no mundo real, por outro, as pessoas não gostam muito de protestar apenas porque sim.

Já se sabia que a "anarquia" da organização deste movimento, poderia ser aproveitada pelos nacionalistas do "cabelo rapado, botas da tropa e vivas ao salazar", para tentarem tomar conta dos acontecimentos e dar nas vistas, especialmente na Capital, onde se sabia que as televisões iam estar atentas (coitadas não tiveram grande espectáculo, apesar das várias tentativas de dar voz aos "revolucionários" para as câmaras...). E parece que sim (até tentaram ficar "cativos" dos guardiões do poder), que foi, pelos testemunhos de alguns participantes, que se queixaram de ser "ameaçados de morte"...

Quem deve ter tido pena de não participar, foi a nossa (salvo seja) Assunção. E o amarelo até lhe fica bem...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Idades, Heterónimos e Casas Interiores


Eu sei que nem todos temos o engenho e a qualidade de usar heterónimos nesta representação, que é a vida.

E também sei que não sou grande exemplo para o cidadão comum (esta coisa de andar sempre com estórias na cabeça e nos bolsos tem que se lhe diga...). Mas já notei, mais que uma vez, que a partir dos cinquenta anos as memórias começam a querer ser arquivadas, quase como se fossem coisas do cinema ou da literatura. Torna-se mais fácil misturar a realidade com a ficção. Sim, algumas coisas que vivi embrulham-se com os sonhos (e até com os pesadelos)...

Quando olho para trás chego a ter dúvidas se fui eu que fiz isto ou aquilo, que estive aqui e ali... Sei que sim, mas parece-me que foram protagonizadas por uma pessoa que já não existe.

Se me deitasse num divã e começasse a contar a minha vidinha aos peritos em desvendar de mistérios da mente, eles eram capazes de dizer que é uma coisa normal, quando não se têm uma "casa interior" com muitas assoalhadas... E até eram capazes de me recomendarem que deixasse o apartamento e comprasse uma vivenda.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 19, 2018

A Cantora de Cabaré da Rua Detrás


Durante anos não se sabia muito bem o que fazia, embora se percebesse à légua que era uma ave nocturna.

Era bonita, dona de uma beleza pouco comum, quase exótica. A brancura e as sombras no rosto não enganavam, o Sol não só não a entusiasmava como não a iluminava...

Lembro-me que durante muito tempo fez parte das nossas conversas de café, também elas nocturnas. A vulgaridade e a sujidade tomavam conta de nós, pouco satisfeitos com o seu mistério. Foi o Alípio que numa noite desvendou o seu quase "segredo", afirmando que ela cantava em bares, e bem, quase sempre coisas da américa, negras e brancas.

Depois descobrimos o seu nome artístico e soubemos mais coisas da sua outra vida como cantora.

Não se incomodava de cantar em lugares onde as mulheres se despiam, com e sem arte, depois da uma da manhã. Em nome da sobrevivência, aceitava todas as oportunidades para cantar, ora com os dois músicos que a acompanhavam, um pianista e um contrabaixista, ora em play back.

Outro dos seus mistérios, era não se conhecer nenhuma companhia masculina ou feminina, para além da mãe e irmã.

Foi também por isso que o poeta da nossa rua um dia  lhe escreveu um poema. Falava da sua solidão e também da sua beleza e maldita sina, de não conseguir sair da escuridão...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 18, 2018

Sempre as Mãos...


Foi sobretudo o seu gesto, quase a esconder o decote, que nem era dos mais ousados, que me fez olhar. E sobretudo pensar...

Apesar de já não ir para novo ainda não consegui perceber esta coisa de se sair de casa com roupa curta, que o próprio espelho deve dizer de sua justiça, antes de se "desafiar o mundo". 

Isso acontece com as mãos (sempre as mãos...) a taparem e a destaparem o decote, ou a puxarem a saia para baixo, quando ela insiste em ficar cá por cima.

Ainda não percebi (a sério...), se tudo isto é um número, ou se há mesmo desconforto por causa dos olhares, que querem sempre ver mais longe...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 17, 2018

O Nome do Pai (ou não)


O nome quase grande de uma deputada que também escreve em jornais, filha de um antigo dirigente do PS, já desaparecido, fez com que se falasse do uso (e abuso, segundo algumas opiniões...), ou não, do apelido dos nossos pais (quase sempre do pai, numa sociedade masculina como ainda é a nossa...).

Sem fugir do jornalismo, o mundo onde nos movimentamos melhor, conseguimos descobrir mais de uma dúzia de nomes de homens e mulheres, que escolheram o nome da mãe, para escaparem à "perseguição" do apelido familiar mais conhecido. E, naturalmente, também encontrámos outros tantos, que assumiram, sem qualquer problema, o nome do pai.

Como estava junto de nós alguém que escolhera o "nome da mãe", não foi preciso sairmos da mesa, para sabermos o porquê daquela opção. Confessou-nos que houve mais que uma razão. A tentativa de "fugir" do peso do apelido, no mundo dos jornais (o pai era um dos nossos bons jornalistas...), e também o não querer ser olhado como o filho de fulano, que só era jornalista por razões óbvias. E também quase como uma prova de emancipação, de querer caminhar pelos seus próprios pés (na época até pediu ao pai para não fazer publicidade...). Mas, curiosamente, a razão que teve mais peso na época, foi uma quase vingança. Naquele tempo ainda não tinha superado a separação dos pais, que aconteceu quando tinha apenas 13 anos (foi o pai que abandonou o lar e deixou de aparecer, com a regularidade que um filho precisa, praticamente todos os dias...). Quis muito ser o "filho da sua Mãe".

Hoje as coisas estão serenas. Mas não se arrepende nem um pouco da opção que tomou.

Soubemos por alguns exemplos dados que há quem decida ficar com o nome do pai, com orgulho e sem medos.

Percebemos que este tema será sempre pouco consensual. Porque quem escolhe o nome do pai, pode ser olhado como alguém que se está a colocar-se ao seu lado, não por uma questão de orgulho, mas sim de interesse profissional.  E quem não o escolhe, pode ser interpretado como alguém que se esconde e não assume as suas origens. E não como a tentativa  normal de querer caminhar pelos seus próprios pés...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 16, 2018

Os Cães da "Rua Mestre Adrião (Pescador)"


Os cães da "Rua do Mestre Adrião (pescador)", na Costa de Caparica, de alguma forma são uns felizardos, pelo menos, segundo o meu olhar, como em tantas outras, onde os deixam ser simplesmente cães.

Têm liberdade quanto baste, andam nas ruas à vontade, sem ter de vestir camisolas quando saem à rua, ou de ficar fechados dentro da marquise...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 14, 2018

O Quarto Minguante e o Quarto Crescente...


"Quarto Minguante" é o título de uma peça de teatro no Nacional que está quase a sair de cena.

"Quarto Crescente" é todo aquele espaço que o rodeia, especialmente numa das suas laterais, o ponto de encontro de gente de África (maioritariamente...), mas também da Ásia, das Américas ou das Europas...

E se o Sol e a Tejo lhe oferecem uma luminosidade única (até o cinema a publicitou como "Cidade Branca"...), as ruas e as gentes, são cada vez mais, uma "tela" multicolor...

É por isso que me apetece dizer que, embora Lisboa sempre tenha sido mundana, hoje nota-se com mais nitidez, que não é apenas nossa, é sobretudo de quem a consegue, e quer, amar.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 13, 2018

«Não é o paraíso, mas está menos mal do que se diz por aí...»


Já não se escrevem cartas, nem mesmo postais...

Se escrevesse, com data, sabia que quando chegasse ao seu destino, o "mundo" já era muito diferente. Pelo menos este mundo, que nos é apresentado a todas as horas pelos canais de notícias.

Mesmo assim, eu digo-te, como vejo o nosso país. E olha que não me parece ser o que dizem alguns jornais, nem o que mostram as notícias da televisão.

Não é o paraíso, que engana os olhos dos franceses, belgas, italianos, alemães, holandeses e até espanhóis, mas está menos mal do que se diz por aí...

Dito por outras palavras, não é o lugar onde tudo está mal. Mesmo que os estivadores, os bombeiros, os enfermeiros, os professores, os juízes (e tantos mais, que "não têm voz"...), tenham a sua razão e prometam não parar de lutar... Curiosamente com a quase satisfação dos dois partidos da direita (até se conseguem aproximar, a espaços, da esquerda mais radical, na "aparente" defesa dos direitos dos trabalhadores...). Lutam ambos pela "sobrevivência política", embora sejam péssimos a vender "banha da cobra", pelo menos quando comparados com o governo. Mas não precisavam de ir tão longe. Se um deles parece  ter dentro de si uma "ala psiquiátrica", onde não existem limites, na guerra pelo poder, o outro é comandado por uma líder do mais populista que tem existido por cá. Promete ser capaz de tudo para chegar ao poder.

O ideal era que não se vendesse tanta "banha da cobra" por parte do governo nem se continuasse à procura do "diabo" por parte da oposição. Mas sei que isso não existe... 

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 12, 2018

Cinema, Circo e Palavras...


Estávamos a falar de cinema, de "O Livro de Imagem", de Jean-Luc Godard e do bom que era encontrarmos-nos para conversarmos sobre o que parece interessar cada vez a menos pessoas, quando fomos interrompidos por uns "meliantes" que ocuparam as mesas ao lado e  davam mostras de ter bebido mais que a conta, mesmo que ainda estivéssemos na hora de almoço.

Nós falávamos de cinema e eles aparentemente de circo. Apontavam o dedo a uns tipos com artes de "fantoches" e "palhaços", ausentes, ao mesmo tempo que assumiam o seu papel de "ursos" e "camelos" (palavras deles), no palco da vida...

Olhámos uns para os outros e passámos quase a falar com sinais, sem condições de nos ouvirmos, tal era a "festa" alheia. Esperámos que aquela "vaga" despachasse os cafés e águas ardentes e continuasse a sua marcha.

E depois ficámos pelo "circo", já não conseguimos voltar ao "Livro" de Godard...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 10, 2018

O Homem que Finge que Não Gosta do Natal...


Olham para ele, como o homem que não gosta do Natal. É o único do armazém que nunca foi ao jantar pago pelos patrões na noite de 23 de Dezembro. Se não janta, ainda menos leva os filhos à festa que se segue, para receberem os presentes, comprados por atacado aos chineses.

A questão é mais grave do que parece. Ele nunca suportou os "filantrópicos" que andam a vida inteira a explorar os seus empregados, pouco preocupados, como sobrevivem todos os meses com ordenados miseráveis. 

E como nunca gostou de "esmolas", mesmo que venham embrulhadas em papeis brilhantes, finge que detesta a época natalícia...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 09, 2018

Ir ao Circo e Sentir a Falta da Magia da Infância...


Hoje fui ao  circo, algo que não fazia há já alguns anos.

O mais curioso é sentir que aquilo que gostava mais na infância, é o que acabo por achar menos graça nos dias de hoje: os palhaços.

Na infância gostava de ir ao circo, com os meus pais e o meu mano, sobretudo por eles. Tudo o que faziam me fazia sorrir. Agora sinto que tudo o que transmitem no palco é demasiado vulgar e rabiscado...

Apesar de ter noção de que os animais deste espectáculo são retirados do seu habitat natural para serem explorados, e muitas vezes maltratados, também sei que foi graças ao "maior espectáculo do mundo", que muitas crianças viram pela primeira vez animais da selva...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 08, 2018

Fotografia, Razões e Emoções no Chiado


Hoje estive no Museu de Arte Contemporânea do Chiado, para ver a exposição "Carlos Relvas (1838 - 1894) Vistas Inéditas de Portugal" e para participar na sessão de retratos em cenário de época, através do processo fotográfico do século XIX, realizado pelo Silverbox Studio.

Não menos agradável foi visitar a exposição, "Arte Portuguesa, Razões e Emoções", que faz uma viagem pelas artes plásticas dos últimos 150 anos, com mais de 200 obras de quase 100 artistas.


Gostei particularmente da forma como as obras estão expostas, quase em módulos (sete): "Espelho de Almas";  "O Poder da Imagem"; "Uma Cultura Moderna"; "Cuidado com a Pintura!"; "Formas de Comunicação e Contestação"; "Linguagens e  Experimentação" e "Pós Moderno".

Apetece-me destacar as obras de Tomás da Anunciação (merecido pela sua qualidade e por se comemorar este ano o bicentenário do seu nascimento). Almada Negreiros também é especial, assim como Jorge Vieira, cujas esculturas são únicas. 


Deixo para o fim uma curiosidade, também está em exposição uma obra do poeta Alexandre O'Neill (um desenho a tinta da china com colagem, dos seus tempos surrealistas).

(Fotografias de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 07, 2018

Músicas na Cidade...


Sempre gostei de ouvir música nas ruas. 

Além de dar vida aos lugares anima as pessoas, especialmente as que trabalham diariamente e que têm muito menos motivos de sorrir, que os imensos turistas, de várias latitudes, que andam por aqui, sobretudo a namorar Lisboa.

E é esta "nova cidade", povoada de turistas, que faz com que a oferta aumente, assim como a qualidade dos cantores e instrumentistas. 

Quase que podemos ouvir todo o tipo de música, com agrado. Nem custa quase nada depositar uma moeda na caixa do instrumento, ou no chapéu da ordem...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Olhares com Linhas


Ultimamente tenho tirado fotografias a olhar as "linhas" de edifícios e das ruas. Os telhados, as esquinas e as escadas, têm me merecido uma atenção especial, e sem que exista uma qualquer "ordem natural" da coisa.

Acho que isto de tirar retratos, muitas vezes, funciona quase por simpatia. E penso que se trata de algo, mais instintivo que racional. 

É quase um pacto, ou um "segredo", entre o olhar e o dedo...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 05, 2018

Escuteiros de Almada Suspensos pela Igreja...


Estive quase a colocar como título, "Padre da Paróquia de Almada Suspende Escuteiros", talvez fosse mais verdadeiro...

Embora seja estranho, que uma pessoa só, tenha o poder de suspender a actividade lúdica e católica de 120 jovcns almadenses.

Há algum tempo que ouço falar do "novo padre" (Marco Luís), por gostar de fazer mudanças, "quase à político" (apenas porque sim e não para melhorar as coisas...). Desde os horários das actividades à sua gestão, passando também por algumas mudanças físicas (obras "desnecessárias" na Igreja de Almada...), que segundo um documento distribuído pela cidade ("Pela Preservação da Igreja de Almada (Obra Icónica da Cidade)") serão de alguma forma um "atentado ao património histórico-cultural", e que também são parte do desentendimento entre os dirigentes dos escuteiros e a Paróquia....

Provavelmente este problema vai-se arrastar no tempo, como acontece nas instituições conservadoras...

É por isso que que alguns dos jovens escuteiros, que gostam do que fazem, têm vontade de mudar de agrupamento (o da fotografia é o de Cacilhas, que tem as suas instalações na Quinta do Almaraz)...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 04, 2018

Ainda São os Melhores do Mundo...


Mesmo que os "donos do futebol" tenham decidido deixar de lhes entregar os prémios de melhores futebolistas do Mundo (devem achar que já têm bolas de ouro a mais...), Cristiano Ronaldo e Messi, continuam a ser únicos. Neymar, Griezmann, Modric, Mbappé, Salah ou Hazard, mantêm-se a alguma distância, nota-se que lhes falta qualquer coisa para chegarem ao nível destes dois extraordinários atletas.

Curiosamente não são únicos apenas dentro de campo. A sua postura fora dos relvados também tem sido sempre exemplar. Apesar da já eterna rivalidade, tantas vezes exacerbada pelos jornalistas, nunca Ronaldo ou Messi, tiveram uma palavra de desconsideração um pelo outro. Mesmo sem serem amigos, sempre demonstraram um grande respeito, pelo que são e representam. 

É por isso que não escolho um, escolho os dois. Para mim, Messi e Cristiano Ronaldo, continuam a ser os melhores futebolistas do Mundo.

Nota: Concordo perfeitamente com a sua ausência na cerimónia de entrega dos prémios. É uma questão de dignidade.

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, dezembro 03, 2018

As Boas e as Más Memórias...


Não deixa de ser curioso o que as pessoas fazem com as memórias. 

Para algumas pessoas, as más são para esconder em qualquer baú, que existe algures dentro de nós. Se puderem dão preferência às coisas boas, porque sabem que os dias felizes são bem melhores que os outros...

Embora isto tanto possa acontecer, voluntária como involuntariamente. Sim, podemos ser nós a querer esconder os passados maus (o que nem sempre se consegue com sucesso...), ou pode ser a própria memória a trocar-nos as voltas...

Lembrei-me disto quando um grupo de octagenários me falaram da "fome" que os perseguiu durante a infância, enquanto a Europa se "autodestruia" na Segunda Guerra Mundial.

Falaram desses tempos sem qualquer problema, cientes, de que há coisas na vida que não são para esquecer...

Recordaram com emoção o senhor Oliveira, que andava pela Vila de Almada a distribuir pão, com um pequeno carrinho (quase em jeito de "caixa de pão"), pelos lares dos sócios da Cooperativa Almadense (era praticamente toda a gente, porque a "caderneta" permitia pagar tudo no final do mês, mesmo nos meses que tinham mais de trinta dias...). Com ele havia pão para todos, sabia que o pão não se negava a ninguém...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 02, 2018

Dinheiros, História e a Politiquices...


Ontem comprei o "Público" apenas pela notícia sobre a Fundação Mário Soares, que embora tenha feito um trabalho notável na preservação da história do século XX no nosso país, também tem sido vítima do muito que se diz de negativo destas instituições.

Como é hábito no nosso país, as pessoas gostam de falar (e criticar...) sobre o que não sabem, mesmo as "inteligências pardas" que comentam sobre tudo e mais alguma coisa, na televisão. Misturam dinheiros com partidos, levantam suspeitas sobre pessoas, e nem se preocupam em saber o mais importante: qual tem sido o verdadeiro papel de instituições como a Fundação Mário Soares na nossa sociedade.

A Fundação recebeu e organizou nos últimos anos dezenas de espólios, de gente com história, ligada à política e à cultura do nosso país (uma parte significativa dos documentos já estão digitalizados e disponíveis para consulta online...). Trata-se de uma trabalho, que não deve ser feito em regime de voluntariado, até por exigir conhecimentos e gentes com formação superior (historiadores e arquivistas) no seu tratamento.

A morte de Mário Soares fez com que os subsídios começassem a ser reduzidos (alguns drasticamente, o exemplo da Fundação EDP é sintomático, passagem de 75 mil euros para 7 mil...), provocando a dispensa de vários colaboradores e o aparecimento de prejuízos, que só no ano passado quase que chegaram aos 400 mil euros...

O mais curioso (e negativo, na nossa opinião, embora se deva a uma questão de sobrevivência...) é a proposta defendida pela actual direcção da Fundação, que quer que a Instituição guarde apenas o arquivo pessoal de Mário Soares e de mais dois ou três amigos próximos. Proposta que implica a saída de quase todos os arquivos à sua guarda de grandes personalidades do século XX (da Primeira República ao 25 de Abril), que em princípio irão para a Torre do Tombo.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 01, 2018

Memórias das Ruas Lisboetas...


O Primeiro de Dezembro além de comemorar a nossa Restauração de 1640, depois de 60 anos de domínio espanhol, também é o Dia Mundial de Luta Contra a Sida.

Esta doença hoje "já não é uma sentença de morte", como nos diz a publicidade que foi capa do "Público" de hoje (e provavelmente de mais jornais, mas só comprei este e nem olhei as outras capas...), graças aos avanços da medicina.

O mais curioso é que ontem tinha escrito umas palavras sobre  algumas conversas com amigos antigos de Almada, que ainda se recordam dos "números de polícia" e das ruas (Ferragial, Rosa, Diário de Notícias, Gáveas, Norte, São Paulo, etc) dos bordéis que frequentaram no começo da idade adulta.

No começo da minha idade adulta existiam sobretudo "bordéis de rua", em praticamente toda a Avenida da Liberdade e também no Largo de São Pedro de Alcântara, Enquanto descia a Avenida em direcção ao Cais do Sodré, para apanhar a barca que me levava para a outra margem, recebia convites femininos de todo o género, desde o simples "vamos querido?" até ao quase cristão, "faço-te o homem mais feliz do mundo".

O curioso é que a partir da Praça dos Restauradores a "fauna" mudava, eram as "bichas" que me faziam uma perseguição quase impiedosa, normalmente sem palavras, apenas com olhares viciosos. Era uma espécie de jogo de escondidas e também de estafeta ("elas" revezavam-se de esquina a esquina, cheguei a ser perseguido por mais de uma dezena de "bichas"). 

Recordo que quando vinha acompanhado, brincávamos com o assunto e "elas" não se aproximavam muito. Agora quando vinha sozinho, o "assédio" era bem mais descarado...

O aparecimento da Sida nesses primeiros anos da década de oitenta do século passado afastou toda esta gente das ruas. Se os homossexuais ainda devem andar por ai, com mais discrição, as prostitutas não voltaram à Avenida...

(Fotografia de Luís Eme - os laços vermelhos que são colocados neste dia, em volta das árvores num dos jardins de Almada...)