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quinta-feira, junho 25, 2026

Um "sapinho" que se tornou (mais) feio...


Está quase a terminar o tempo de  "vida" dos blogues do Sapo.

Todos (até os bons, que sigo diariamente...), têm de escolher outro endereço, a partir do próximo mês. A não ser que aproveitem esta oportunidade para dizerem adeus à blogosfera...

Lembrei-me que, quando somos conservadores, há sempre coisas boas e más à nossa espera... por termos ficado parados ou por termos dado um passo em frente.  

Não registei a data, mas deve ter sido há mais de quinze anos (o tempo tem asas, cada vez mais velozes...), que me convidaram para me mudar para o "clube dos sapos". Deram-me um nome feminino e um número de telemóvel de contacto, para o qual nunca liguei.

Segundo o convite, eles estavam apostados em ter os melhores blogues nacionais e o meu "Largo" fazia parte da lista... As pessoas  gostam sempre de exagerar, vá lá saber-se porquê.

Não perdi muito tempo a pensar no assunto. Não tinha nada a apontar ao "blogspot". Sentia-me bem e livre (só uma vez é que entraram em contacto comigo por causa dos direitos de autor de uma imagem, mas até isso foi positivo, porque fez com que passasse a utilizar apenas as minhas imagens em mais de 99% dos textos...).

O mais curioso nisto tudo, é que, vinte anos depois (sim o "Casario" já fez vinte anos...) os blogues continuam, velhos e antiquados, mas vivinhos da silva. Apenas o "sapo" é que está a morrer...

Há outro dado curioso. Se o número de visitantes e de visualizações está certo, 2026 tem sido o ano de todos recordes, tanto no "Largo" como no "Casario".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, fevereiro 06, 2026

O adeus da Joana...


Há blogues que visitamos diariamente, porque além de serem informativos,  nos transmitem conhecimento, sem precisarem de andar por aí a "inventar rodas".

Acaba por ser normal que estas visitas diárias criem empatia, mesmo sem conhecermos pessoalmente quem está do outro lado. 

É curioso percebermos que isso acontece porque nos revemos nas suas palavras e nos pensamentos que exprime (às vezes até podem ser diferentes dos nossos...).

Foi o que aconteceu nos últimos dezoito anos com "Entre as Brumas da Memória", de Joana Lopes, que nos deixou ontem e que interrompera as suas publicações a 17 de Janeiro, por doença...

Vou sentir falta da Mulher que oferecia provas, dia sim dia sim, de que a esquerda continuava viva, e que apesar dos avanços de uma direita agressiva e mentirosa, continua a ser o que faz mais sentido, pelo menos para quem acredita na Liberdade, na Igualdade e na Fraternidade.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, agosto 25, 2025

Todos eles sabem o que não fizeram no Inverno e na Primavera...


Nós na blogosfera, "podemos estar e não estar", como é o meu caso.

Sim, estou na Beira Baixa e como desta vez decidi não levar computador, escrevi estas palavras na sexta feira, ainda por Almada.

Durante a viagem e o fim de semana, devo ter passado por demasiados lugares que agora estão pintados de cinzento.

Antes de partir e ver a Serra da Gardunha a arder, a minha preocupação era que as chamas não chegassem a Alpedrinha, uma povoação da qual gosto bastante (mesmo sem ter por lá laços familiares, foi uma daquelas heranças do meu pai, que não se explicam, a não ser ele também se sentir bem por lá...).

Sei que muitas das pessoas que têm responsabilidades acrescidas por tudo o que aconteceu, no Norte e Centro do país, fingem que a culpa é apenas das alterações climáticas e do vento indomável. Algumas até  se vão aproveitar destas tragédias para retirar dividendos eleitorais, nas autárquicas, que estão já ali ao virar da esquina e apontar o dedo aos adversários políticos...  

É gente que se sente como "peixes dentro de água", nestes tempos estranhos em que vivemos.

E, embora gostem de usar e abusar do facto de sermos um povo de memória curta, todos eles sabem o que não fizeram no Inverno e na Primavera...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


segunda-feira, maio 12, 2025

Talvez todos sejamos assim. Talvez...


Há pessoas que demoram anos a fazerem-nos perguntas. 

Claro que isso acontece porque normalmente não são questões importantes. Algumas vezes são coisas, que se não forem logo esclarecidas, acaba por se ficar com a sensação de que se perdeu a oportunidade "de ir até ao fim da estrada".

Mas neste caso em particular, nem era isso. Era uma daquelas perguntas que podia ser feita em qualquer hora, em qualquer momento.

O normal nos humanos, é olharmos para o mundo à nossa maneira, sem sequer nos darmos ao trabalho de nos colocarmos no "lugar do outro". Pensamos que o nosso "normal" é o "normal" dos outros.

Por outro lado, não nos encontramos como noutros tempos, uns com os outros nos cafés (há demasiadas "faltas de comparência"...).

E também se fala cada vez menos de livros e de escritaria, sem que eu saiba muito bem porquê (sei sim, mesmo os que gostamos de ler, estamos a ler menos...).

A pergunta afinal eram duas, e a culpa era dos escritores que passavam o tempo a dizer que "escrevemos para nós" e de outros que ainda iam mais longe e diziam que "escreviam sempre o mesmo livro" (havia aqui um rasto das entrevistas de Lobo Antunes...).

Disse sim à primeira questão. Sim, escrevemos sobretudo para nós. Acrescentei, que até as coisas banais que escrevo nos blogues, são escritas "para mim" (mesmo que não se deva levar demasiado à letra esta "pessoalização", porque não vivemos numa ilha...). Este "escrever para nós", deve ser entendido desta forma por se tratar de uma necessidade pessoal, do preenchimento de um espaço vazio que existe no nosso interior e não com essa coisa estranha que chamamos de "egocentrismo".

Não concordei com a história de se escrever sempre o mesmo livro, embora perceba que se trata mais uma vez de uma "imagem" que se tenta dar, para não aprofundarem algumas temáticas. Mas é uma "imagem" que não deve ser seguida à letra... 

Cada livro é um caso. Ponto final.

Claro que falámos de mais coisas. Até da poesia, que ainda abre mais as portas a todo o tipo de justificações, conjecturas e invenções...

O mais curioso, foi sentir que tinha algumas saudades de falar das coisas, que raramente se dizem e se contam. 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, março 28, 2025

O associativismo e as tertúlias, que resistem a um tempo, que é, no mínimo adverso...


Estava à conversa com um amigo e ele perguntou-me se ainda tinha os almoços "tertulianos". Disse que sim.

Quis saber do bom do Chico. Disse-lhe que se recomendava, ainda na última segunda-feira, quando regressávamos a casa, na companhia do Tomás, ele comentou com o seu humor especial, que começava a não ter paciência para os "velhos", que passavam o tempo a repetir-se, a dizer as mesmas coisas... 

Claro, foi gargalhada geral...

E depois recordei que ficámos amigos depois de termos feito parte da direcção da Incrível Almadense. Uma das coisas que me irritava (mais que "solenemente"...), era a forma parva como o presidente o tratava nas reuniões, abusando do facto de ser um ser humano de excepção, daqueles que não gritam para se fazerem ouvir.

Mas infelizmente, este é o tipo de liderança que está a vingar por esse mundo fora. A tal gente que se percebe à légua, que é é "forte com os fracos e fraco com os fortes"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, dezembro 09, 2024

A arte de "roubar" rostos e corpos de pessoas dentro das fotografias...


Um amigo chamou-me a atenção para o "excessivo" cuidado que eu tive com a publicação da imagem de ontem.

Disse-lhe que não houve nada de excessivo. Embora o "direito à imagem" proteja as crianças (cortei o bebé que estava no carrinho...) e as pessoas que estejam no espaço público em situações de fragilidade (e muito bem), que não era o caso. 

Tirei três fotografias a este grupo de mães e filhos. Esta era a mais discreta, mas também a que se via bem, as senhoras com a cana de pesca na mão. Achei este o aspecto mais curioso, elas estarem à pesca mesmo junto ao cais dos cacilheiros (que até é um dos lugares mais poluídos de Cacilhas à beira rio...), onde existem tainhas aos magotes.

Há muita gente que não gosta de ser fotografado, mas é impossível que isso não aconteça, nos dias de hoje. Quando estamos a querer tirar uma fotografia a qualquer monumento ou lugar especial, há sempre alguém que nos diz que os humanos também fazem parte da paisagem... 

Acho que foi "esta realidade" que me fez perder qualquer pudor, em relação ao tirar fotografias a pessoas no espaço público, mesmo que as tente apanhar de lado ou detrás, para que possam ser uma pessoa qualquer...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, novembro 16, 2024

Fingimos que não, mas já anda por aí um mundo diferente...


Penso que é a primeira vez que escolho a resposta a um comentário, como título de um texto por aqui, no "Largo".

Isso aconteceu por estar a pensar em coisas próximas, que acabaram por me levar a comentar desta forma: «Fingimos que não, mas já anda por aí um mundo diferente...»

Muitas vezes, estamos tão próximos das transições, que passamos por elas sem olhar para elas, mesmo quando quase "nos tocam"...

Do que não tenho qualquer dúvida, é que, o que vem aí, em vez de nos facilitar a vida, só a irá complicar mais. E não estou apenas a falar da "inteligência artificial" (que será de grande utilidade para quem não gosta de pensar e criar, pela sua própria cabeça...). 

O que é mais incompreensível, para mim, é reparar que há demasiados países na europa a suspirarem por "salazares", "hitleres" e "stalines"...

Será que esta gente anda toda com medo da liberdade (dos outros, claro)? Ou será que estão cansados desta (falsa) democracia?

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, outubro 07, 2024

O futuro, afinal, é hoje...


Um amigo meu, poeta, há mais de meia-dúzia de anos (o tempo passa por nós cada vez com mais velocidade...), lastimava-se pela falta de comentadores no seu blogue (que agora só está aberto a convidados). Perguntava-me, qual era a "fórmula" que eu tinha, para ter comentadores, em todos os meus textos. Eu abanava os ombros, porque não havia nada de fora do normal, aqui no "Largo". Tentava responder de uma forma agradável a quem por aqui passava, apenas isso.

Já não sei bem quando foi, mas a partir de certa altura, defini que este era o meu blogue principal, e tomei a decisão de que este seria o único onde responderia aos comentários, por ter cada vez menos tempo para dedicar à blogosfera.

E entretanto, nos últimos meses, fui perdendo os comentadores habituais. Aceitei-o com a normalidade possível (eu também comento cada vez menos nos outros blogues...). E hoje, a maior parte dos meus textos não merecem qualquer reparo dos leitores, positivo ou negativo (curiosamente, as estatísticas dizem que as visualizações aumentaram...).

Sinceramente, não é nada que me preocupe demasiado. Até porque este meu "Largo", funciona muito como diário. Às vezes não tenho nada para dizer e obrigo-me a escrever qualquer coisa, só como exercício.

O único problema, é sentir que o "Largo" se tornou um espaço cada vez mais pessoal. Ou seja, escrevo cada vez menos a pensar nos outros e mais em mim. Talvez até esteja a exagerar, e publique por aqui demasiados "estados de alma"...

Paciência. Ninguém é perfeito. E parece que o futuro, afinal, é hoje...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, setembro 09, 2024

Quando o que parece um problema, não é um problema...


Ao longo dos anos, tenho andado sempre com dois ou três livros na cabeça. Vou escrevendo episódios em folhas soltas, que umas vezes passam para os vários cadernos antológicos, outras vão simplesmente para o lixo.

Como toda a gente que escreve, ando sempre com uma esferográfica e com papeis no bolso (até podem ser simples recibos de compras...), não vá aparecer alguma "ideia genial", no lugar mais inesperado. Claro que a maior parte das vezes estas pequenas folhas ficam sem palavras e são transformadas em pequenas bolas de papel que vão para a "reciclagem"...

Claro que sempre fui mais de escrever em casa (embora chegasse a encher guardanapos de papel do café das tertúlias de palavras, por isto ou aquilo, enquanto esperava por companhia...). Sempre gostei particularmente das manhãs,  as do sábado e do domingo eram bastante inspiradoras (as ideias apareciam bem cedinho, quando ainda estava com vontade de dormir...). Com o tempo as ideias começaram a surgir sem dia marcado, embora continuassem a manter o bom hábito de serem madrugadoras... 

Lá estou eu a fugir do que estava a pensar escrever... É recorrente no blogue, vá-se lá saber porquê...

Curiosamente, continuo com esses dois ou três livros, na cabeça, há mais tempo do que o costume. Como tem sido hábito, sinto que preciso deles, até por uma questão de "sanidade". Sim, não tenho qualquer dúvida que eles me ajudam a viver, a ocupar a cabeça com coisas que me parecem mais interessantes que aquilo que chamamos a "vida normal". 

E sei que o que parece um problema - a forte possibilidade deles não chegarem a livros -, não é um problema...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 17, 2024

Este blogue podia ser apenas sobre livros...


Às vezes ponho-me a pensar que este "Largo" podia ser mais elitista e fazer referência apenas a coisas que gosto e que me fazem bem, como são os livros, as exposições, os teatros "da vida" e dos outros, e claro os filmes, até por existirem tantos que querem ser o "filme da minha vida"...

Pois, poder podia, mas não era a mesma coisa. 

Sei que exerço mais vezes do que queria a minha autocensura, para não falar dos "FDP" que enchem diariamente as notícias televisivas e inspiram os "donos da verdade" das redes sociais. 

Penso que faço isso por saber que o pior que pode acontecer a um lugar, é começar a ser mal frequentado...

Mas também não quero que o mundo de repente se transforme num lugar maravilhoso, onde se lêem livros, onde se visitam exposições, onde se vai ver teatro, para sorrir e pensar, ou ao cinema, tocar na mão da companheira ou companheiro naquela escuridão que também fala com os nossos sentidos, quando surge um plano que nos recorda a vida, como ela é, ou como ela deveria ser...

E como já me estou a "esticar", a conversa sobre livros vai ficar para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, janeiro 24, 2024

A importância do "outro" e da liberdade (em quase tudo, até na blogosfera...)


O comentário de ontem da Catarina, sobre eu escrever e não "dizer nada" de perceptível (para ela e certamente para mais gente...), merece resposta num texto e não num comentário.

A ausência de comentários faz com que o blogue ainda se torne mais "diário" e me esqueça, por vezes, que existem leitores (que segundo a estatística são sempre mais de um cento, diariamente).

Desta vez não havia nada escrito nas entrelinhas. Apenas cansaço de toda a mediocridade que nos entra pela casa diariamente (pela televisão, como não tenho redes sociais sou poupado de muitas discussões estéreis...).

Como estamos em pré-campanha podia falar da política e dos políticos. Não percebo como é possível um partido (Chega) não ser penalizado por abrir as portas a pessoas que se desfiliam de outro partido (do PSD), por não serem colocados em lugares elegíveis. Isto em semanas. Não me lembro de tanto oportunismo e falta de vergonha, de parte a parte, na política portuguesa.

Sem sair da televisão, não percebo como é que é possível que as televisões tenham concursos de talentos, onde aparecem jovens extraordinários a cantar, e depois nos seus programas de entretenimento dos domingos à tarde, dêem palco a tanto "artista da cassete pirata", que sabem tudo, menos cantar.

Podia continuar a dar exemplos, em quase todos os sectores da sociedade, onde o oportunismo, a cunha, se sobrepõem à qualidade.

O sonho pode e deve comandar as nossas vidas, mas não deve estar colado à ideia do "vale tudo", e de que "pudemos ser tudo o que quisermos", até por ser mentira. E é aqui que aparece a América (os EUA, claro, o teu Canadá não tem essa mania de querer "mandar no mundo inteiro"), que influencia cada vez mais o Ocidente, de uma forma negativa.

Até porque partem sempre de uma permissa errada, quando se afirmam como "o país mais livre do mundo": amar a liberdade não é impor aos outros o que eles não querem...

Espero ter sido ligeiramente mais esclarecedor, Catarina.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, dezembro 11, 2023

Os Diários de Torga e a Blogosfera (sem esquecer o Mar da Nazaré)...


De longe a longe pego num dos diários do Miguel Torga, e é sempre uma delícia ler as palavras deste grande escritor, um dos melhores século XX.

Há poucos livros que nos possam oferecer um retrato tão fidedigno do nosso país, como estes diários que percorrem os anos do salazarismo e marcelismo e estão escritos sem ter qualquer parcimónia, com os ditadores e esse tempo com tantas tonalidades de cinzento.

Quem como eu escreve diariamente nos blogues, no fundo alimenta um "diário digital", onde também quase tudo nos é permitido (tal como acontecia com Torga, embora as suas palavras sejam mais espaçadas, pois cada diário percorre  no mínimo cinco, seis anos). Felizmente não temos censores nem polícias de estado em volta (os "polícias do gosto" de agora valem e incomodam muito pouco...).

E Torga é muito assertivo nas suas palavras. Muito antes do norte-americano Mcnamara ter descoberto as ondas gigantes da Nazaré, já ele escrevia no Sítio (em Agosto de 1969): «Quando quero ver o mar, venho aqui. Não é grandeza que se olhe do rés-de-chão.»

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)


quarta-feira, novembro 29, 2023

Os comentários que vão directamente para o "spam"...


Só hoje é que dei uma olhadela aos vários comentários que têm ido parar ao "spam", vá lá saber-se porquê...

Por engano (e lentidão do computador, está a pedir reforma há já uns tempos...), apaguei um comentário da Rosa sobre o último texto que publiquei. Tentei recuperá-lo mas tal não foi possível (desculpa Rosa...). Foi durante essa tentativa que descobri que tinha mais de 150 comentários no "spam"... Alguns com dez anos.

Republiquei os mais recentes e reparei que a maior vítima do "spam" era a Graça Pires, que tinha dezenas de comentários "perdidos"...

Peço desde já desculpa pela minha desatenção e deixo a promessa de visitar pelo menos uma vez por semana  o "spam" dos comentários.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, agosto 21, 2023

A pequena provocação de ontem...


Ontem,  quando escrevi sobre o livro "Viver com os outros", de Isabel da Nóbrega, lancei uma pequena provocação. Mas como os comentadores do "Largo" estão de férias, já ninguém "me liga"...

Disse que a autora, que fora esposa de Saramago, tinha fama de quase o ter ensinado a escrever. Foi uma "invenção" de alguns amigos da Isabel que nunca acharam muita piada ao queixo empinado do nosso José (isto de se ter carácter, tem que se lhe diga, faz mais inimigos que amigos...). E muito menos gostaram que ele trocasse a amiga por uma mulher bastante mais jovem.

Quanto muito, a Isabel foi uma boa influência literária para Saramago e ajudou-o a limar algumas arestas (que existem sempre). De resto, têm uma escrita completamente diferente. E ainda bem.

Voltando ao livro, ainda pensei que existisse alguma possibilidade de Saramago ser uma das personagens que aparecem neste romance (ou meia personagem, às vezes nós que escrevemos fazemos "colagens", e misturamos duas ou três pessoas num só sujeito ou sujeita inventado, deixando-os com a "pulguita atrás da orelha"...). Mas segundo os biógrafos, eles só se conheceram em 1968. Como o livro foi publicado em 1964, é possível encontrar apenas uma costela do crítico João Gaspar Simões, que viveu com ela nesta década...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, agosto 09, 2023

Escrever para a "gaveta" ou deixar simplesmente de escrever...


Mesmo que os blogues sejam cada vez menos lidos, no meu caso pessoal, que sinto necessidade de escrever, diariamente, funcionam mesmo como "tábua de salvação".

Sei que não é uma coisa assim tão difícil como pode parecer, deixar de escrever. Tenho o exemplo de um amigo poeta, que raramente escreve o que quer que seja, porque não queria encher as "gavetas" de casa de papéis.

Acompanhei o processo com alguma ironia e durante algum tempo pensava que ele me mentia, quando dizia que quando lhe aparecia qualquer ideia, normalmente saía do lugar onde estava e tentava distrair-se com  outra coisa, à espera que a fonte de inspiração fosse embora.

No início foi doloroso, mas com o passar do tempo "curou-se", deixou de sentir necessidade de registar as ideias, os pensamentos em qualquer papel.

Quando lhe pergunto se sente falta da "companhia do poeta", diz que nem por isso. Provavelmente está a mentir, mas a vida é o que é.

"É pá, onde eu já vou!" Pois, começo a escrever e como os "travões estão pouco afinados", torna-se difícil parar (pois é, parece que não consigo fazer como o poeta) ...

A meio da manhã encontrei um amigo na mesa do café onde antes tínhamos uma "tertúlia" aos sábados de manhã. Ele estava a escrever e foi por isso que lhe perguntei se não incomodava, beber um café com ele. Ele disse logo que não. E depois fomos falando.

Contou-me o que se passava com um dos seus projectos de livro (de história local), que continua a ser adiado, porque as autarquias almadenses vão fechando cada vez mais os cordões à bolsa, a quase tudo o que é cultura local.

Também falei do meu caso pessoal, dos dois presidentes de junta, que nem sequer se dignaram a receberem-me em audiência, para lhes apresentar um projecto. É como diz o Ricardo Araújo Pereira, "gente que não sabe estar". E ponto final.

Claro que não vou deixar de escrever como o meu amigo Poeta, nem fico tão constrangido como este outro amigo, tertuliano, por ter um bom livro (quase um roteiro local...) "engatado", por causa desta gente que prefere gastar uns milhares de euros com qualquer cantor  da "rádio e da cassete pirata" em vez de apoiar a cultura local...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, maio 15, 2023

O blogue pode ser uma "âncora" ou uma "bóia"...


Falo menos sobre a escrita, porque encontro menos pessoas que me perguntam o que ando a escrever...

Nunca disse a nenhum destes amigos e interlocutores, que se não tivesse blogues, provavelmente já não escrevia... Ou escrevia de longe a longe, quando me surgisse uma ideia maluca (como aconteceu hoje de manhã e comecei a minha vigésima terceira peça de teatro, daquelas que não costumam passar do meio...) e me apetecesse "esticá-la" em qualquer folha de papel.

Sei por experiência própria que os blogues tanto podem ser "âncoras", como "bóias", mesmo que não nos aproximemos do rio ou do mar...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, março 12, 2023

Gostar ou não, de ter "vida privada"...


Volta e meia, lá volto eu, aos "discos riscados"... 

Talvez todos tenhamos necessidade de nos justificar, de xis em xis tempo. Ou de perceber que apesar de nos considerarmos "libertários", somos demasiado conservadores, em muitos aspectos das nossas vidas...

Tudo isto para dizer, que não se pode dizer que eu seja crítico das redes sociais, apenas não as frequento. E também não se pode dizer que sinta falta delas na minha vidinha.

A primeira desculpa que dou quando sou questionado (voltei a dá-la mais uma vez, em família, e por isso, voltou a ser bem aceite...), é não ter tempo para estar. Percebem que gosto mais de escrever sobre o que apetece que fazer "mini-reportagens" sobre onde fui no domingo ou mostrar o que comi ontem, publicamente. 

Às vezes penso que devia ter facebook, quanto mais não fosse para ver como estão os meus primos da América ou da Europa. Mas depois olho para a minha vida, e percebo que tenho um feitio estranho, que continuo a gostar de "nadar contra a corrente", a adorar ser "apenas mais um", que escapa a sete pés de passadeiras e nunca usa roupas que brilham...

É por isso que continuo a dizer, "agora não". 

Talvez ainda seja inventada alguma coisa mais parecida comigo (como são os blogues)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, março 02, 2023

Essa coisa absurda que é "matar palavras"...


Estamos sempre a descobrir coisas novas, mesmo que nem sempre contribuam para a nossa felicidade. 

Depois da batalha contra as palavras "ofensivas" (por alguma razão foram escolhidas pelos autores...) que os falsos puritanos querem roubar aos livros, li hoje no blogue "Horas Extraordinárias" que o Instituto Camões vai considerar "palavras mortas", todas aquelas que não sejam utilizadas nos últimos três anos.

Pensava que a vocação do Instituto Camões era acarinhar as palavras em português, nunca "matá-las". 

Pelos vistos estava enganado...

Eu sei que o mundo está cheio de idiotas que ocupam cargos de poder (na política é um "ver se te avias"...), mas em sectores como o da cultura, já de si frágeis, pela notória falta de apoio e investimento, eram dispensáveis.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, dezembro 28, 2022

Resistências, "Partilhas Selvagens" e Ladrões


Estive quase a cometer o erro de escrever sobre o telefonema que recebi a meio da manhã. Mas depois achei melhor não.

Embora concordasse, que o meu amigo também é, de facto, um resistente. 

Quando alguém que é "roubado", sistematicamente, não desiste ou "põe trancas na porta", optando por continuar a "oferecer" mais textos e fotografias, aos habituais "amigos do alheio", pode ser olhado como um resistente, sem qualquer dúvida (também podia ser parvo, mas não é o caso...).

Ela disse-me que aquilo não era bem um roubo, porque o nosso amigo comum continuava na posse dos seus escritos e das suas imagens (percebi que lhe apetecia chatear-me...). Percebi isso quando falou da minha "embirração" pelo facebook. Foi quando me lembrei de lhe dizer que se calhar estava certa, eram "partilhas selvagens" e não roubos...

Num dos comentários o Sammy recordou uma frase do poeta Pina sobre a literatura ser uma arte de ladrões que roubam ladrões (e como tal com muitos anos de perdão...). Falando mais a sério, penso que o grande poeta e cronista do Norte, não falava de forma literal, apenas queria dizer que todos aqueles que escrevem são influenciados pelos escritores e pelos livros que gostam (mesmo sem darem por isso) e que a originalidade é uma palavra quase utópica.

Do que eu não tenho dúvidas, é que duas pessoas terem a mesma ideia é uma coisa diferente de se "copiar" uma ideia alheia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 18, 2022

As Aproximações Literárias...


Há duas ou três pessoas que de vez em quando me telefonam, para falar sobre o que escrevo no blogue, outras duas ou três conversam, com uma ou outra opinião dada "entrelinhas", à mesa do café. Nunca comentam. E embora eu não os questione sobre isso, são eles que se desculpam, quase sempre com a "lengalenga" de que comentar "é mais complicado do que parece"... 

A verdade, é que até se torna mais agradável ter uma conversa com vozes, seja via telemóvel, seja à mesa do café. Porque acabamos sempre por falar de outras coisas, não menos interessantes.

Quando a Teresa chamou a Pilar de "oportunista", a propósito do que escrevi sobre as três mulheres de Saramago, não concordei. Embora até fosse verdade (mas não com aquele peso), porque os encontros que temos com os outros, muitas vezes são oportunidades. Mas neste caso penso que o "sentido de oportunidade" foi mútuo, acabando por ficar a ganhar tanto um como o outro (não vou medir, quem ganhou mais...).

Aliás, para um escritor, uma das coisas mais gratificantes que devem existir, é alguém se aproximar de nós, por causa dos livros, para falar das histórias e das personagens que inventamos, para dar corpo e alma ao romance, à novela ou ao conto, que vão crescendo dentro de nós...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)