Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, outubro 29, 2026

O "velho, o rapaz e o burro" nunca nos largam (e ainda bem)...


Não vale a pena continuar a falar da crítica e dos críticos, porque ela depende mais de gostos que de democracias.

Ontem "ganhei a aposta" porque os meus três amigos de discussão, achavam que eu não era capaz de escrever nada sobre a conversa, aqui no "Largo". Embora não tenha ido tão longe como no café (até porque os blogues não são o "facebook"...), não falei do "lambebotismo" militante, nem da "voz do dono", embora ambas as coisas estivessem implícidas no texto.

O que nos vale, é refugiarmo-nos sempre na "sorte". Conhecemos um ou outro "craque" que joga na terceira divisão, com valor mais que suficiente para ombrear com os nossos melhores, mas a "puta da sorte" nunca quis nada com ele... Com o teatro e com a música passa-se a mesma coisa. Embora aqui a coisa seja ainda mais "pornográfica" que no futebol...

A única coisa em que todos estivemos de acordo, foi que o aproveitamento do talento e a meritocracia são coisas que  nunca abundaram na sociedade portuguesa. Isso explica, em parte, o presidente da república e o primeiro-ministro que temos.

E claro que gostamos, que o "velho, o rapaz e o burro" não nos desamparem a loja...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, outubro 26, 2026

O país das falsas questões e das não decisões...


No futebol há uma expressão que diz muito sobre sermos melhores a destruir que a construir, que é o vulgar "chutar para canto".

Também é muito normal discutirmos o acessório e deixarmos o importante quase sempre para trás, como se vê com os problemas da habitação, que acabam por ter interferência em quase tudo das nossas vidas. Em vez de se falar da nova lei do arrendamento (que espero que seja metida na gaveta pelo governo...) e da falta de casas, fala-se do direito à manifestação, da violência policial ou da pernoita em tendas...

Pior é sermos o país em que os governos (quase todos são bons a não tomar decisões e a culpar os outros pelos seus próprios erros...) adiam a resolução dos problemas mais prementes, até estes se tornaram verdadeiros obstáculos ao desenvolvimento do país ou mesmo dramas sociais...

A construção de um aeroporto arrasta-se há pelo menos quatro décadas. O mesmo se passa com o comboio de alta velocidade. E nem vale a pena falar dos hospitais públicos necessários que não se construíram próximo dos principais centros urbanos... e que em alguns casos já foram substituídos por unidades de saúde privadas.

O nosso normal dos políticos é prometer e não fazer.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, outubro 25, 2026

Coisas que não são normais (por muito que as tentem normalizar...)


Não é normal é que uma boa parte dos nossos políticos com funções executivas, continuem a pensar que a sua função é sobretudo teatral, é mais de falar a fingir, que de resolver os problemas das suas terras e das gentes. Ser presidente de Câmara ou Ministro é muito diferente de ser deputado, para quem basta (muitas vezes) esconder-se atrás da oratória.

Não é normal que as polícias não percebam qual é o seu principal dever, mesmo que a "segurança" esteja na sua sigla. Sim, o primeiro dever de um agente da autoridade é proteger e garantir a segurança das pessoas e não intimidá-las ou agredi-las, como parece ser a vocação e vontade de muitos polícias na actualidade.

É urgente que, tanto os políticos como os polícias, percebam de uma vez por todas as razões da sua existência, qual é a sua verdadeira função social e política.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)  


segunda-feira, outubro 19, 2026

Só o Montenegro é que ainda não percebeu que o pais onde vive, não é o mesmo onde vivem a maior parte dos portugueses...


O país de Montenegro, continua a ser o país do "faz de conta", onde todos devemos fingir que tudo nos corre às mil maravilhas. 

E não nos podemos meter em aventuras, muito menos cantar uma das canções mais populares do Sérgio Godinho, "só há liberdade a sério, quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação". Porque as nossas escolas, hospitais, casas e a alimentação, recomendam-se.

E por isso mesmo, os jovens portugueses, que não pensem, sequer, em imitar os "bandidos" da França, de Espanha, e imaginem só, da Albânia...

E que não se esqueçam, que temos uma polícia que gosta de bater quando está em vantagem, seja nas ruas ou nas esquadras...

Pois é, o feitiço de vez em quando vira-se contra o feiticeiro, por mais óleo que coloquem na "máquina da propaganda"...

O problema é Montenegro não querer perceber, que o país onde vive, não é o mesmo onde vive a maior parte dos portugueses...

E se é isso, o melhor que tem a fazer é arrumar a trouxa e "zarpar"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, setembro 28, 2026

A indignação e a razão de Maria Rueff


Sei que não somos muito de nos indignar, muito menos de chamar os "bois pelos nomes". Quanto muito, atiramos umas bocas, indirectas, e fingimos ter resolvido o caso.

É por isso que achei louvável a forma como Maria Rueff  reagiu a mais uma injustiça, das várias que se cometem durante a entrega dos Globos de Ouro da SIC.

Este ano resolveram criaram uma nova categoria, premiando os "30 Anos de Carreira", em vários sectores da cultura e do espectáculo. No que toca ao humor o prémio foi entregue ao suspeito do costume, Ricardo Araújo Pereira, que afirmou logo durante a entrega estranhar estar a receber aquele prémio, porque ainda nem sequer tinha chegado aos tais trinta anos de carreira...

E estranhou muito bem, acabando por ir ao encontro da Maria Rueff, que tem todas as razões para se sentir injustiçada, por ter mais que os tais trinta anos de palcos e talento de sobra para ser premiada. Nem sequer teve receio de não voltar a trabalhar para a estação televisiva em causa (sim, esta gente muitas vezes é pior que o "Django", não perdoa a quem em vez de ir ao "beija-mão", "cospe na sopa"...).

Num país que premeia mais o "amiguismo" que o mérito é bom que apareça, de vez enquanto alguém com carácter e dignidade, capaz de nos mostrar que este Portugal continua a ser o portugalzito de sempre...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, setembro 26, 2026

Um mundo de enganos à medida de cada um de nós...


Quase todos os políticos são peritos no jogo do "passa culpas", desde o senhor da Educação à dona da Saúde, passando pelo "conde de monteverde". Conseguem culpar os outros pelos seus erros, e não satisfeitos, ainda são capazes de dizer que as coisas estão melhor à sua volta, mesmo que tudo ameace ruir, desde os hospitais às escolas...

Podia falar também da dona Inês, que manda aqui neste nosso burgo, que também adora culpar os outros e pensa ser possível passar pelos intervalos da chuva, mas não vale a pena.

Até porque há "espécies" ainda piores nestes teatros de poder, que gostam de vestir capas de "super-heróis", mesmo que não passem de bandidos de terceira classe, como são os casos de Carlos Moedas ou André Ventura. Embora os seus talentos pareçam estar mais vocacionados para os enredos de ficção ou para a venda de banha da cobra nas feiras, não iriam conseguir ter tanto palco à sua volta, muito menos enganar tanta gente ao mesmo tempo, como o fazem nos seus "púlpitos".

Aquilo que era uma velha questão deixou de ser questão. Sabemos há já algum tempo como é que eles conseguem ludibriar tantas pessoas ao mesmo tempo, nos seus jogos de palavras manhosos, povoados de mentiras e alvos. Conhecem ambos a cartilha do "populismo" como mais ninguém no nosso país.

Como sabem que as pessoas pouco cultas são facilmente enganadas, tanto por quem fala alto, como quem finge falar-lhes ao ouvido, oferecem-lhes dúzias de "histórias da carochinha". Não satisfeitos ainda apontam dedos e chamam "bandidos", aos que também se deixam seduzir pelo poder, esquecidos dos seus "rabos de palha", com um cardápio completo de insinuações e mentiras.

O Carlos quase que já nos convenceu, que o que gostamos mesmo é de ser embalados com "canções do bandido". Desta vez ainda foi mais longe e afirmou, que se há tantas histórias à nossa volta de gente a cair nos "contos do vigário" modernos - ainda melhores que a "dona branca", com ofertas de negócios com juros malucos que rendem 50 e 100 por cento -, é porque o nosso cérebro está a ser invadido, cada vez mais, por massa castanha.

Só ele mesmo, para nos fazer rir com coisas cada vez mais sérias...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, setembro 09, 2026

«Continua a falar-se pouco do país que queria ser uma "máquina de fotocópias humanas"»


Percebi de uma forma curiosa, que a liberdade estava longe de ter o mesmo valor para a quase dúzia de pessoas sentadas à mesa do jantar.

Sempre falámos de política de uma forma aberta, usando as divergências que surgiam aqui e ali, com algum humor.

Por ser o mais velho daquele convívio, fui sentindo com o decorrer da conversa que o meu mundo era diferente do deles. Mas não era só isso. Eu sempre fui pouco maleável a novas ideias e a novas tecnologias (era o único que não usava smartphone e isso podia explicar muita coisa...).

O mais estranho, era aquela gente achar-se mais bem informada que eu, por estarem a ler títulos de notícias quase minuto sim minuto não, ignorando que eu era assinante e leitor de jornais a sério...

Houve mesmo alguém que foi capaz de dizer que o país do Salazar não era assim tão mau como o pintavam. Foi quando eu disse que era muito pior.

A duas ou três coisas que foram ditas de forma leve, eu respondi com meia-dúzia de factos, que por si só, conseguiram silenciar aquela mesa, por alguns segundos.

Antes do ignorante atrevido meter a viola no saco, por perceber que estava sozinho, ainda lhes disse: «Percebo que não conheçam a realidade do país salazarento. Continua a falar-se pouco do país que queria ser "uma máquina de fotocópias humanas".»

Os sorrisos voltaram à mesa e começou-se a falar de futebol, pois tanto o Sporting como o Benfica tinham acabado de ganhar os seus jogos de "pontapé na bola"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, agosto 27, 2026

Um "mundo perfeito", com pessoas constantemente em saldo (e patos, claro)...


Uma das coisas mais curiosas do mercado de trabalho actual, é estarmos a viver um dos períodos em que existe mais emprego e também a época em que se pagam ordenados mais baixos aos trabalhadores.

Esta prática, além de contrariar toda a lógica social, consegue virar de "pernas para o ar" a relação normal que devia existir entre a oferta e a procura. 

Mas os absurdos não se ficam por aí. Basta ler os jornais para se saber que tanto os patrões (CIP) como o Governo (através da ministra do Trabalho), continuam apostados, não só  em criar uma nova Lei Laboral, como também em alterar as regras da Segurança Social...

Para esta gente um "mundo perfeito", é povoado com pessoas curvadas e constantemente em saldo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, agosto 18, 2026

Há cada vez mais gente que tenta "sobreviver", porque já não consegue "viver"...


Não era uma questão de sabermos, ou não, dançar. Era mais de querermos, ou não... Também não ficamos nada preocupados que fossem os UHF a animar o Pontal. As coisas são o que são. Almada também já não é o que era. Percebemos neste Verão que a água que sobra no Tejo pode faltar-nos em casa...

Não somos muitos, mas a nós o "conde do rabal" não nos consegue convencer, muito menos os seus serviçais, que se tornaram autênticas "máquinas de propaganda" e passam a vida a tentar "vender" um país irreal, que nem na cabeça deles existe. 

Andamos por aí, quase perdidos nas ruas, utilizamos transportes públicos, vamos aos centros de saúde, os nossos filhos andam nas secundárias públicas perto das nossas casas, fazemos compras nas mercearias e mercados... Ou seja, sabemos que há cada vez mais gente que tenta "sobreviver", porque já não consegue "viver"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, julho 18, 2026

Ao encontro do Sul quase paradisíaco...


Já não sinto falta de férias de praia.

Mas o resto da família continua a não prescindir do descanso no nosso canto algarvio, onde continua a ser possível passar duas semanas, sem as variedades e as variantes da Costa de Caparica.

Pode parecer um gosto egoísta (ou até milionário, nos tempos que correm...), mas a minha praia ideal, é um areal espaçoso, onde existe a opção de escutares o mar e não apenas os gritos, a música e as conversas dos outros... Além, claro, de dispensares  a areia das suas toalhas...

Felizmente, ainda é possível encontrar algumas praias em estado quase natural, de Norte a Sul. Oferecem-nos a vantagem de deixar o carro a alguma distância e usufruir durante pelo menos uma dezena de minutos, de uma caminhada daquelas que nos "dão saúde e fazem crescer"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, julho 07, 2026

O hábito (quase institucionalizado) do "passa culpa" dos políticos


O PSD por ser o partido em que os seus dirigentes continuam a gostar de "encher a boca" com o nome de Francisco Sá Carneiro, devia lembrar-se da sua prática governativa e de um aviso que ele fazia aos seus ministros e secretários de estado, de que só tinham seis meses para denunciar ou desculparem-se com os erros dos seus antecessores.

Muita coisa mudou na política e nos partidos do poder dos primeiros anos da democracia até aos nossos dias. 

É a explicação óbvia que encontro para a forma como a ministra da Saúde, a ministra do Trabalho e agora o ministro da Educação,  dois anos e alguns meses depois de serem poder, continuarem a apontar o dedo e a culpar o PS do muito que funciona mal nos seus ministérios...

Curiosamente, quando inauguram algo feito pelos antecessores, esquecem-se de falar deles...

Estes exemplos dizem quase tudo sobre os políticos do século XXI, que nunca se serviram tanto das meias verdades e das meias mentiras, para justificar os seus actos.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, julho 06, 2026

No futebol e na vida, nem sempre uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa...


No futebol e na vida, nem sempre uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa...

Compreendo que Cristiano Ronaldo não pode, nem deve, ser olhado como um humano normal. Basta recordarmos que é um dos raros futebolistas, que ocupam várias páginas do capítulo do futebol do famoso "Livro dos Recordes". Aproximou-se como poucos do "território dos deuses".

Não é por acaso que continua a ser idolatrado no mundo inteiro como mais ninguém, no "desporto-rei" (o rival Messi nunca lhe chegou as calcanhares em popularidade...). 

Esta quase "cegueira" não ajuda nada a que Ronaldo coloque os pés no chão e entenda que o seu tempo já passou, que a partir de agora, será sempre uma pequena amostra do que realmente foi. E quando na própria selecção tem pessoas responsáveis a quererem ficar no começo da lista do seu "clube de fãs" (o selecionador e vários dirigentes), tudo piora...

Nem sei mesmo se existe alguém capaz de lhe dizer que desde o último Europeu, ele deixou de ser o jogador,  único, e imprescindível, que fora até aí. Ou seja, a idade fez com que passasse a ser um atleta comum, que regressasse ao "planeta terra". 

Penso que ninguém tem dúvidas de que a sua presença nos 26 jogadores presentes nos EUA é justissíma. Os problemas só começam quando a "equipa de todos nós" é formada pelo CR7 e mais dez, durante todo o jogo...

Gostava muito que Portugal ganhasse hoje e que o Cristiano marcasse pelo menos um golo. Mas também gostava que ele fosse substituído, a meio da segunda parte, a bem da selecção e de ele próprio.

Sei que estou a pedir muito, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, junho 28, 2026

Ser seleccionador nacional devia ser outra coisa, além de se falar português, cantar o hino e ser amigo do Ronaldo...


Há qualquer coisa que nos prende à selecção, que não tem necessariamente que estar ligada aos patriotismos bacocos das camisolas, das bandeiras e das caricaturas humanas presentes nas bancadas dos estádios, vestidas de Portugal.

Essa qualquer coisa chama-se ser-se português (desde sempre, sem interesses ou tropeções na nacionalidade...).

Deve ser por estarmos distantes deste "bacoquismo", que temos cada vez mais dificuldade em encontrar algo de positivo no futebol praticado pela selecção. É muito poucachinho para um seleccionador estrangeiro falar português, cantar o hino nacional e ser um "grande amigo" de Cristiano Ronaldo.

Qualquer pessoa habituada a ver futebol, mesmo sem ser "catedrático do comentário desportivo", sabe que estas três virtudes não têm nada a ver com o futebol que se joga no relvado.

Há quatro anos que aturamos um treinador medíocre, que além de não ser capaz de escolher os onze melhores jogadores, ainda os coloca fora das posições onde habitualmente jogam nos seus clubes. E das substituições, nem é bom falar. Ontem até fiquei com a sensação de que a permanência em campo de um Cristiano Ronaldo ou de Bruno Fernandes,  durante 90 minutos arrastados, são mais um castigo que outra coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, junho 27, 2026

Eu tenho uma ideia, mas...


As coisas funcionam tão mal no nosso país, que quase todos nós, "temos uma ideia", de como era possível melhorar as coisas...

Isso tanto pode ser na repartição pública onde uma coisa que podiam fazer em menos de cinco minutos, obriga a um "circuito burocrático", que só nos permite receber a "tal coisa", na melhor das hipóteses, daí a quinze dias... Como no SNS, onde além das dores que as pessoas têm e as levam às urgências, ficam a perceber que a vida e a morte nunca é uma urgência no nosso país...

Podia continuar a desenrolar o rolo de papel higiénico, onde estão descritos problemas similares, na justiça, na educação, no emprego, no clube da nossa terra que nunca sobe de divisão ou até na tal selecção, que tem os "melhores jogadores do mundo", que ninguém consegue encontrar nos relvados americanos...

Sei que as coisas melhoravam, muito, se em vez de termos tantos "comentadores", tivéssemos mais "fazedores"...

Mas onde é que eles estão? Onde é que eles andam?

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


quarta-feira, junho 17, 2026

Nada disto é surpreeendente (nem a reacção dos portugueses)...


Como não tenho as expectativas muito elevadas em relação à nossa selecção de futebol no Mundial, não fiquei surpreendido com o empate, até por o Congo ser uma das melhores equipas africanas.

A verdadeira questão é a forma de jogar da selecção de Martinez, que  joga sempre "do meio-campo para trás", com aqueles passinhos inconsequentes, quase em género de "rabia". Mas há ainda um problema ainda grave, recorrente: a sensação de que os jogadores do meio-campo jogam em todo e lado e em sítio nenhum. Parece que jogam sempre fora dos lugares onde poderiam realmente render e dar espectáculo. Quando temos um Bernardo Silva (o mais desaproveitado), um Vitinha, um Bruno Fernandes ou um João Neves, na zona crucial do jogo, o mais natural era jogarmos de uma forma avassaladora e proporcionar situações de golo aos nossos avançados.

É por isso que espero que Jorge Jesus seja o próximo seleccionador. Com ele sei que a selecção passa a jogar do "meio-campo para a frente", sem medos, ao mesmo tempo que aproveita todas as potencialidades dos nossos melhores futebolistas.

Em relação aos habituais delírios portugueses, que vão da "besta ao bestial", de "melhores a piores do mundo", são isso mesmo, delírios...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


quinta-feira, maio 28, 2026

Portas que se fecham e uma porta que se abriu...


Ia escrever, parece, mas não há nenhum parece na afirmação. As pessoas vão mesmo cada vez menos ao cinema (eu faço parte do lote...). Os números não enganam.

Até as salas de projecção dos centros comerciais estão a fechar, por míngua de espectadores... Embora aqui se perceba o encerramento, porque estas salas são "lojas", onde se vendem imagens com pipocas, o seu grande objectivo é ganhar dinheiro.

Tem acontecido o mesmo tem pelo interior fora (parece que já chegou ao litoral...), onde já existem várias cidades, com alguma importância social e cultural, sem um único auditório aberto para se verem filmes.

Curiosamente, cada vez há mais fitas portuguesas (sei disso porque ainda leio jornais...). Sei que isso se explica pela facilidade com que hoje qualquer pessoa pode fazer um filme, graças à evolução tecnológica e aos seus baixos custos).

Não sei qual é o verdadeiro objectivo desta "febre" de filmes que falam português. Pode ser a visita a festivais internacionais, ou então, a projecção para os amigos...

Não deixa de ser curioso, que se tenha criado em Almada no último mês um "cine-clube" municipal, no velho Salão das Carochas (esta sala já foi muita coisa e curiosamente foi "sala de cinema" logo depois do 25 de Abril, com a projecção de filmes infanto-juvenis). 

Ainda não me bem informei sobre o assunto, se tem público, embora perceba que o objectivo principal do "Cine-Carochas" é ser um espaço alternativo ao "comércio de filmes", ser uma casa aberta às fitas independentes (talvez as tais dos muitos realizadores portugueses...).

Como de costume não era para escrever nada disto, era para falar de história com cinema. Fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, maio 17, 2026

O chavão de que "o que vem de fora é que é bom"...


Por vezes escrevemos um texto diferente, sem sairmos da sua "alma".

Isso acontece quase sempre, por terem ficado demasiadas pontas soltas no ar.

Continua a ser uma evidência, que o nosso país é uma maravilha para quem chega de fora, então se tiver a pele e o cabelo claro...

Podia aplicar aqui o bom e bonito, "vive e deixa viver", mas não é uma coisa assim tão simples e agradável.

Não se pode apagar todo um histórico, que se deve ao facto de termos sido sempre, um país pobre e pouco desenvolvido, que fixou a frase, de que "o que vinha de fora é que era bom" (com alguma lógica...) e que acabou por ficar gravada na cabeça dos portugueses.

Agora que se fala tanto em "reforma laboral", é importante falar dos ingleses que desenvolveram algumas das nossas indústrias no século XIX e sempre trataram os trabalhadores com mais dignidade e respeito que os patrões portugueses.

Todas estas coisas fizeram com que nos tornássemos hipócritas e subservientes (os políticos continuam a dar o exemplo nas relações com o EUA ou a Europa, ao quererem ser "bons alunos").

Embora seja um tema pertinente, e com opiniões diversas, acho que nunca nos conseguimos livrar do tal chavão, de que, "o que vem de fora é que é bom" (com a excepção das peles mais escuras, claro...).

Não é por acaso que em muitos lugares, se dá mais importância ao que dizem as pessoas de fora, que os da casa. Mas isso dá para mais um ou dois textos, escritos em jeito de crónica...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 16, 2026

«Acho que não ias perceber, com exemplos, mas o teu país é muito mais livre que o meu»


Lembrei-me da última conversa que tive com uma mulher de pele e cabelo claro, que vivia na Beira Baixa e nunca deixou de escrever para os jornais do seu país. Conheci-a por um mero acaso.

Alguém lhe dissera que eu também escrevia. Ela estava a investigar a história de uma família importante (já quase não se fala dela...) e a forma como beneficiou dos fundos europeus. Queria que eu lhe explicasse algumas coisas, por ainda não perceber as muitas virtudes da língua portuguesa. Ou seja, a nossa conversa foi mais sobre o português que sobre a dita família.

Quando ela se instalou no interior, no começo do século, ainda não estavam na moda os famosos "nómadas digitais", que vivem espalhados por todo o lado. Nem a vida era tão fácil para quem vem de fora, como é hoje...

Encontrei-a uns vinte anos depois, numa superfície comercial, acompanhada da filha adolescente. Acabámos por beber um café e gostei de ver que ela falava a nossa língua correctamente, apenas se notava um ligeiro sotaque.

A vida já estava pior para todos, inclusive para quem era de fora e vivia como nós. Mas ela nunca pensou em regressar para a Holanda com o companheiro e os dois filhos.

Embora eu não tivesse sido curioso ao ponto de perguntar o porquê, ela disse-me uma coisa, daquelas que nunca se esquecem: «Acho que não ias perceber, com exemplos. Mas o teu país é muito mais livre que o meu.»

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sexta-feira, maio 15, 2026

E esta? Portugal está pior e os portugueses vivem cada vez pior (não digam nada ao Montenegro, ao Soares ou ao Amaro)...


Apesar de nunca ter existido um governo em mais de 50 anos de democracia, que tenha usado e abusado, tanto, da propaganda e da "fumaça", a realidade já não dá muito mais espaço para encenações. 

A aposta em discutir "não problemas", como são os casos das alterações da Lei Laboral ou da Constituição, mesmo que sejam desejadas pelos patrões e pela direita, não resolvem qualquer problema dos portugueses.

A continuada tentação em culpar o PS dos "males" do país, também já não dá grandes hipóteses de se "sacudir o capote", quando tudo está pior que há dois anos. 

Sei que irão "cavalgar" na crise provocada por Trump, mas os problemas na saúde, na educação, na alimentação e na habitação, começaram a agravar-se antes da criação da "portagem do estreito de Ormuz"...

Luís Montenegro, por muito que finja viver num "país imaginário" e tenha conseguido transformar a comunicação social num feudo da direita (cada vez existem menos comentadores de esquerda nos canais televisivos...), já não pode dizer, com a "lata" que o caracteriza: que o país está melhor, mesmo que os portugueses vivam pior.

A realidade salta-nos aos olhos diariamente,, seja nos hospitais, nos mercados, nas escolas, nas bombas de gasolina, nos restaurantes ou nas imobiliárias...

Está tudo pior, se esquecermos a meia-dúzia de pessoas do costume (são tão egoístas, que querem tudo, até a tal lei laboral que põe fim ao pagamento das horas extraordinárias...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 24, 2026

A "Geração de Sessenta" da Diana


Leio poucos ensaios, mas os que leio são geralmente bons.

Isso acontece por dois motivos: umas vezes são recomendados por amigos, outras objectos de investigação para um possível livro.

Com a "Geração de Sessenta" de Diana Andringa aconteceu um pouco das duas coisas.

É um livro que reúne as entrevistas que a Diana fez para o seu documentário televisivo, "Geração de Sessenta", exibido na RTP, nos já longínquo ano de 1990. Mas não se trata de uma simples passagem de documentário para livro. A autora resolveu criar uma ordem antológica e também cronológica, onde dá um destaque especial às grandes lutas estudantis e à guerra colonial - tanto da parte do colonizador como do colonizado -, com um olhar claro sobre a guerra dos dois dois lados, abordando tanto a questão das deserções e exílios forçados, como as lutas pelas independências do então "Portugal ultramarino".

É um livro intenso, porque é feito de testemunhos, que, além de retratarem muito bem esta época tenebrosa para a nossa juventude, oferece olhares diferentes sobre a mesma temática. E como acontece com os bons livros, ajudam-nos a perceber de forma pormenorizada o que se passou em todas estas batalhas, assim como a forma como elas também foram combatidas por parte do poder, em especial pela sua polícia política, a PIDE.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)